Poema Se sentar, queridos irmãos e irmãs. Nós estamos lendo, nas últimas duas semanas, o Sermão da Montanha. Isso no ciclo semanal, de segunda a sábado.
O Sermão da Montanha é, por assim dizer, o núcleo da mensagem de Jesus no Evangelho; é, por assim dizer, o centro da mensagem de Jesus no Evangelho de São Mateus. Ele começa no capítulo 5. Então, nós temos as bem-aventuranças, depois nós temos alguns ditos de Jesus sobre o sal da terra, a luz do mundo, a cidade no alto da montanha, a lâmpada que não se coloca debaixo do candeeiro; todas as imagens das nossas boas obras que precisam brilhar diante dos homens para que eles glorifiquem ao Pai do céu.
Então, começa, por assim dizer, a segunda seção do Sermão da Montanha, que é sobre os mandamentos. Tem uma introdução muito interessante, depois Jesus segue com aquela estrutura: "Os antigos diziam: não matarás; eu, porém, vos digo. .
. " E assim vai. Ele faz o comentário à lei antiga.
Então, começa o capítulo 6, que, por assim dizer, tem dois temas principais. O primeiro é o tema da vida espiritual, sintetizada no jejum, na oração e na esmola. E depois, Jesus fala sobre a confiança que nós temos que ter em Deus.
A vida espiritual deveria nos fazer ter uma liberdade interior, um coração totalmente disponível para a graça sobrenatural. Nós não deveríamos ficar aqui só nos preocupando com as coisas terrenas; diz Jesus que isso é coisa dos pagãos. No capítulo 7, nós temos diversos ditos de Jesus, como: "Observas o cisco no olho do teu irmão e não prestas atenção à trave que está no teu próprio olho.
Ou como podes dizer ao teu irmão: 'Deixa tirar o cisco do teu olho', quando tu mesmo tens uma trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, para depois tirares o cisco do olho do teu irmão.
" Ou seja, Jesus nos convida aqui a um espírito de alto exame, de autocrítica, porque alguém pode escutar o Sermão da Montanha e sempre pensar nos outros. Às vezes, nós somos assim. Vamos à igreja e, de repente, o padre começa a falar alguma coisa e a gente pensa nos outros, não em nós mesmos.
É o nosso olhar acusatório, a nossa atitude arrogante, soberba, orgulhosa. Então, começa o evangelho de hoje. Jesus diz: "Não deis aos cães as coisas santas, nem atirem vossas pérolas aos porcos, para que eles não as pisem com os pés e, voltando-se contra vós, vos despedem.
" Esse versículo se aplica a muitos aspectos da nossa vida. Por exemplo, quantas vezes conheço pessoas? Hoje, nós vivemos num mundo muito carente, em que facilmente as pessoas procuram companhia, inclusive de tipo amoroso, por aplicativos de celular.
E o que acontece? Essas pessoas, de repente, encontram, ou melhor dizendo, esbarram com alguém e entregam toda a sua vida. Fazem confidências, fazem juras de amor, se atiram nos braços, se lançam com todo o sentimento, para depois serem defraudadas, quando não, muitas vezes, até perseguidas, manipuladas, estorquidas, para não dizer outras coisas.
Eu conheço inúmeras histórias assim. Por exemplo, de uma moça que se entregou, que se apaixonou, que fez com que a sua vida, aquilo que há de mais precioso nela, aquilo que é mais valioso nela, fosse simplesmente usado por um canalha. E depois, ela fica toda destruída, pisoteada, despedaçada.
Isso também se aplica àquelas brigas inúteis que às vezes nós temos; ou seja, nós sempre teremos que tentar entender a cabeça dos outros e, muitas vezes, respeitar porque, na posição dele, é aquilo que eu queria que fizessem comigo. Isso exige de nós uma empatia muito grande. Eu tenho que me colocar na posição dele e imaginar o que eu gostaria que fizessem comigo, se eu fosse ele.
Agora, imagine fazer isso com cada pessoa da sua família, com cada pessoa da sua comunidade, com cada pessoa do seu trabalho. Dá um trabalho danado, mas sem ele, nós não conseguimos tornar a nossa existência viável. Nós sempre iremos, de alguma maneira, empacar.
E é por isso que Jesus diz nos versículos seguintes: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, espaçoso é o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele. Muitos são os que entram por ele. ” No caminho largo que leva à perdição, como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida, e são poucos os que o encontram.
Queridos irmãos, nós temos hoje uma falsa misericórdia que acabou se tornando meio que o nosso modo de pensar. Todo mundo pensa mais ou menos assim: "Para ir pro inferno, você tem que ser um demônio; caso contrário, todo mundo vai pro céu. " Exatamente assim que os homens, que a nossa geração imagina.
Basta ver, por exemplo, quando morre um artista que às vezes tinha uma vida só pela graça divina, né? Todo mundo: "Ah, que foi pro céu, que era uma pessoa boa, que fez o bem. " Etc.
Parece que o caminho que conduz à vida é largo e o caminho que conduz ao inferno é estreito; muito pouca gente vai pro inferno. E, para ir pro inferno, você tem que ser ruim como um demônio; tem que ser um diabo, se é que isso é possível para um ser humano. Às vezes, eu acho que é.
E a realidade é o contrário: o caminho que conduz ao céu é estreito, é apertado, é uma porta que Jesus diz que é uma porta muito exígua. Eu tenho que me esforçar. Um versículo paralelo Ele diz: "Esforçai-vos para passar pela porta estreita.
Esforçai-vos. " Ou seja, eu tenho que, todo dia, abraçar a fé. Nós aqui estamos para, com a graça de Deus, perseverarmos no caminho que conduz à salvação.
Portanto, examinemos, irmãos: será que nós não somos um pouco folgados demais? Fazemos muito os nossos gostos? Porque o caminho que conduz à vida é um caminho que exige uma total disposição de matar até a última raiz de.
. . Aut, Piedade!
O Senhor nos ajude. Então, nós iremos abraçar a nossa Cruz. Nós iremos pelo caminho mais difícil.
Ah! Mas, mais fácil para mim era me separar do meu cônjuge. O mais fácil para mim era abandonar aquilo que eu estava fazendo, a minha ocupação.
Para mim, está difícil, está sacrificado. Pois é, o caminho que leva para o céu é esse: é o caminho da abnegação, é o caminho da auto-negação, é o caminho de quem realmente entendeu que não é possível ir ao céu sem passar pela difícil estrada da tribulação. O Senhor nos ajude, nos fortaleça e nos dê a todos um verdadeiro espírito de penitência, para que assim não nos conduza à eternidade.