[Música] Liturgia diária, quarto domingo da Páscoa. Primeira leitura. Atos capítulo 13, versículos 14 e 43 a 52.
Leitura dos Atos dos Apóstolos. Naqueles dias, Paulo e Barnabé, partindo de Perge, chegaram à Antioquia da Pisídia. E entrando na sinagoga em dia de sábado, sentaram-se muitos judeus e pessoas piedosas convertidas ao judaísmo, seguiram Paulo e Barnabé.
Conversando com eles, os dois insistiam para que continuassem fiéis à graça de Deus. No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra de Deus. Ao verem aquela multidão, os judeus ficaram cheios de inveja e com blasfêmias.
opunham-se ao que Paulo dizia. Então, com muita coragem, Paulo e Barnabé declararam: "Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós, mas como a rejeitais e vos considerais indignos da vida eterna, sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos, porque esta é a ordem que o Senhor nos deu. Eu te coloquei como luz para as nações, para que leves a salvação até os confins da terra".
Os pagãos ficaram muito contentes quando ouviram isso e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que eram destinados à vida eterna abraçaram a fé. Desse modo, a palavra do Senhor espalhava-se por toda a região.
Mas os judeus instigaram as mulheres ricas e religiosas, assim como os homens influentes da cidade, provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. Então, os apóstolos sacudiram contra eles a poeira dos pés e foram para a cidade de Icônio. Os discípulos, porém, ficaram cheios de alegria e do Espírito Santo.
Palavra do Senhor. Graças a Deus. Salmo responsorial 99.
O Senhor, só ele é Deus. Somos o seu povo e seu rebanho. Aclamai o Senhor, ó terra inteira.
Servi ao Senhor com alegria. Ide a ele cantando jubilosos. Sabei que o Senhor só Ele é Deus.
Ele mesmo nos fez e somos seus. Nós somos seu povo e seu rebanho. Sim é bom o Senhor e nosso Deus.
Sua bondade perdura para sempre. Seu amor é fiel eternamente. O Senhor, só ele é Deus.
Somos o seu povo e seu [Música] rebanho. Segunda leitura, Apocalipse, capítulo 7, versículos 9 e 14 B a 17. Leitura do livro do Apocalipse de São João.
Eu João viu uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. estavam de pé diante do trono do cordeiro, trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. Então um dos anciãos me disse: "Esses são os que vieram da grande tribulação, lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do cordeiro.
Por isso estão diante do trono de Deus e lhe presta um culto dia e noite no seu templo. E aquele que está sentado no trono os abrigará na sua tenda. Nunca mais terão fome, nem sede, nem os molestará o sol, nem algum calor ardente.
Porque o cordeiro que está no meio do trono será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos. Palavra do Senhor.
Graças a Deus. Evangelho João, capítulo 10 versículos 27 a 30. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo, disse Jesus, as minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão, e ninguém vai arrancá-las de minha mão.
Meu Pai, que me deu estas ovelhas é maior que todos e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. Eu e o Pai somos um. Palavra da salvação.
Glória a vós, [Música] Senhor. Recebamos com alegria o Antônio Santoro para o Conversando sobre a palavra. Oi, pessoal.
Tudo bom, Sônia? Eu também queria dar as boas-vindas para quem está aqui pela primeira vez. Seja muito bem-vindo ao nosso canal.
Esse aqui é um espaço onde nós pretendemos levar a palavra de Deus à leituras das Sagradas Escrituras que nós lemos todos os domingos nas missas com uma explicação fácil, acessível numa linguagem que todos possam compreender. Esse é o objetivo do nosso programa. Muito obrigado a quem já está aqui conosco.
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Pessoal, hoje a gente celebra o quarto domingo da Páscoa e a nossa liturgia, ela tem como tema principal a imagem do Bom Pastor. O quarto domingo da Páscoa, aliás, né, ele é conhecido como o domingo do Bom Pastor. Todos os anos nós celebramos o domingo do Bom Pastor no quarto domingo da Páscoa.
E nesse domingo a nossa igreja nos apresenta sempre um trecho do capítulo 10 do Evangelho de João, que traz exatamente pra gente essa imagem do bom pastor. O trecho ele varia de um ano pro outro, mas a temática desse quarto domingo da Páscoa é sempre o bom pastor. A nossa primeira leitura de hoje, ela é retirada do capítulo 13 do livro dos Atos dos Apóstolos.
Aliás, a partir desse capítulo do livro, a gente pode ver uma narrativa que nos mostra como a igreja de Deus foi introduzida no meio do mundo greco-romano. Esse trecho em diante, o protagonista principal do livro dos Atos dos Apóstolos vai ser Paulo, aquele que originariamente era um fariseu perseguidor dos seguidores de Jesus, mas que agora vai se tornar o maior difusor da mensagem do evangelho fora da região de Israel. Para quem tiver curiosidade, a narração da conversão de Paulo, ela tá narrada alguns capítulos atrás desse que a gente leu hoje, nesse mesmo livro dos Atos dos Apóstolos, tá lá no capítulo 9.
Vale a pena dar uma conferida. É sempre uma maneira da gente conhecer melhor o conteúdo da Bíblia, da gente compreender melhor o contexto dos livros e das leituras que a gente lê todos os domingos nas nossas missas. Para quem quiser conhecer a conversão de Paulo, capítulo 9 do livro dos Atos dos Apóstolos.
Pessoal, essa grande viagem missionária de Paulo, né, ela começa exatamente na comunidade formada em Antioquia. Dentro dessa comunidade que estava em franco crescimento, existiam várias pessoas que eram tidas na conta de profetas e doutores. Realmente era uma comunidade muito próspera no que diz respeito ao florescimento do cristianismo primitivo.
Essa comunidade, por sua vez, ela foi inspirada pelo Espírito Santo de Deus e ela escolheu dentre todas as pessoas que se destacavam dentro dela Paulo e Barnabé. e confiou a eles a missão de saírem para propagar o evangelho em outras localidades. Quando eles chegaram a uma localidade chamada Antioquia da Psídia, Paulo num dia de sábado, ele entrou numa sinagoga e se sentou muito provavelmente participando da cerimônia local, né, da cerimônia que estava sendo realizada ali.
Depois que foram feitas as leituras, como foi narrado pra gente, os chefes da sinagoga disseram a eles que se eles tivessem alguma palavra de exortação que devesse ser dita, né, e que eles falassem naquele momento. O trecho da liturgia de hoje, ele pula diretamente do versículo 14 desse capítulo pro versículo 43. É justamente nesse trecho que não foi incluído, né?
Ou seja, entre os versículos 15 até o 42, que Paulo faz um longo discurso onde ele menciona a ação de Deus na vida do povo judeu, desde a época da libertação da escravidão do Egito, passando pelo caminho que o povo percorreu no deserto, pela entrada na terra de Canaã, pelo tempo dos juízes, pela escolha de Saul como primeiro rei e a sua substituição no poder por Davi, e por aí menciona também que Jesus pertence a essa descendência de Davi e que foi enviado ao povo também segundo promessa feita pelo próprio Deus. Depois ainda Paulo continua o seu discurso focando na pessoa de Jesus, em sua divindade e na rejeição que ele sofreu por parte dos próprios judeus. Ao final desse discurso, a gente volta ao trecho que foi lido na liturgia de hoje, onde muitos judeus ficaram entusiasmados com a pregação de Paulo e passaram a segui-lo.
No sábado seguinte, Paulo retorna à sinagoga e é recebido por uma grande multidão que estava ansiosa pela continuação da sua pregação. Mas, no entanto, essa pregação de Paulo também incomodou muitos, né? incomodou uma grande parte de judeus que residiam ali.
E esses judeus, né, como também nos é narrado na leitura, passaram a protestar contra Paulo e Barnabé, dirigindo a eles várias injúrias. Eram judeus que não aceitavam Jesus. Pessoal, a grande questão que a gente vê nessa narrativa é a diferença de recepção, né, que foi dado às palavras de Paulo, que representava o convite para aquelas pessoas.
aderirem à proposta feita por Jesus. Paulo, pelo que nos conta a narrativa do livro dos Atos, já tinha feito um grande discurso, né, que tinha provocado uma grande repercussão na comunidade. Ele havia retornado no sábado seguinte para mais um pronunciamento quando foi recebido por uma grande multidão que o aguardava e por uma outra parcela do povo que também o aguardava, mas com outras intenções.
Esse último grupo eram os representantes do povo, do povo judeu, os mesmos que baseados no orgulho, na comodidade de uma estrutura social já estabelecida e que favorecia eles como classe dominante e que também tinham dificuldade de se desapegar de algumas certezas, né, que foram criadas por eles próprios no decorrer da sua história. Essa parcela dos que ouviram os discursos de Paulo reagiu de uma forma negativa ao chamamento para que eles ingressassem no projeto do reino de Deus, no projeto salvador que Jesus trouxe pro nosso mundo. E de outro lado estavam aqueles que aceitaram os questionamentos, que sempre acompanharão, né, a proclamação do projeto de Jesus.
Essas pessoas se sentiram desafiadas pela proclamação do Evangelho feita por Paulo. Se sentiram motivadas a buscar um novo sentido para sua existência. Elas se sentiram desafiadas a saírem do seu comodismo, porque elas encontraram a possibilidade de obter alegria verdadeira nas suas vidas.
alegria essa que necessariamente teria que passar por uma transformação do seu modo de pensar e do seu modo de encarar a vida do dia a dia. Essas pessoas responderam de modo favorável à proposta de Jesus que chegou a elas através da pregação de Paulo. E quem eram esses?
Esses, pessoal, eram justamente os pagãos. O grande ensinamento que a gente pode tirar dessa leitura é que a proposta de Jesus, a boa nova proclamada por Jesus através do Evangelho e que agora é pregada aos pagãos por Paulo, não é uma proposta que gera exclusividade para um grupo seleto de pessoas. Ela não é uma proposta fechada, mas é uma proposta aberta a todos aqueles que por ela se sentirem atraídos.
E pessoal, não há exceções. É proposta feita para todos. O fator decisivo que está em jogo para se aderir ao reino de Deus.
A condição necessária não é o local de nascimento das pessoas, nem é a origem dos seus ancestrais. O que está em jogo e é fator decisivo para se ingressar no reino de Deus. é a abertura dos corações as palavras libertadoras de Jesus e o compromisso sincero que se pode fazer dentro do nosso coração com a proposta feita a cada um.
é pessoal, não é social e nem é histórico. E como não podia ser diferente, esses questionamentos feitos por Paulo para aquelas pessoas, eles chegam até nós. Aquelas pessoas que se voltaram em Antioquia da Psídia contra a pregação de Paulo são as que se acomodaram a uma religião composta unicamente de tradições, de obrigações, de devoções, de leis, de rituais que não partem de dentro dos seus corações, mas eram meramente representações externas e vazias.
Eu não quero dizer com isso que a gente não deve respeitar tradições, devoções, leis ou que a gente não deve praticar rituais. Eu sempre bato nessa tecla. Não é nada disso.
Tudo isso é importante, mas não tem nenhum significado prático se não estiver alinhado com as propostas de Jesus, se não tiver um vínculo de ligação com o que Jesus nos deixou como missão. Uma religião que se diz cristã, mas que não faz essa vinculação íntima, essa ligação prática com o que Jesus nos ordenou. É apenas uma religião vazia.
É uma religião que só tem casca, mas não tem conteúdo. É uma religião de fachada, feita para ser vista pelos outros, para agradar o nosso ego, mas que não possui Deus no seu centro. Por outro lado, né, quem se encontra acomodado nessa religião de aparências, nessa religião de formalidades, encontra na sua volta pessoas que podem não ter nenhuma ligação familiar com a sua religião, nenhuma tradição de seguimento dos rituais que ela segue, das suas obrigações, das suas devoções, mas que em algum momento da sua vida se sente desafiada pelas propostas feitas por Jesus.
De alguma maneira, através de alguém, essas pessoas também ouvem o discurso de Paulo e elas aceitam correr o risco de se aventurar no projeto de Jesus. Talvez, por não estarem apegadas a nada, seja até mais fácil correr ao encontro dessa novidade nas suas vidas. Elas não têm apego às certezas.
Elas não têm apego a certezas criadas por elas próprias. E talvez, né, também por isso elas se deixem questionar com mais facilidade, sem ter que ficar exercitando uma autodefesa constante que possa justificar a acomodação religiosa em que elas vivem. E nós, em qual posição a gente está?
Nós somos mais parecidos com quem? Nós somos mais parecidos com os judeus que reagiram contra Paulo, que hoje representam aqueles cristãos que já nasceram cristãos, que são cristãos por tradição, que vivem dentro de uma religião cheia de rituais, cheia de obrigações, cheia de tradições, cheia de devoções, mas que não se deixam desafiar pelas propostas do reino, que querem nos tirar de todo esse comodismo. e que querem nos levar pro encontro direto com o nosso próximo, onde a gente vai poder dar sentido verdadeiro as nossas práticas religiosas e as nossas práticas devocionais.
Ou nós somos parecidos com aqueles pagãos que se dispuseram a ouvir e a aceitar os desafios que a vida lhes trouxe, que aceitaram sair das suas vidas particulares, sejam elas quais fossem. para aderir com entusiasmo a proposta do reino de Deus que era feita através da pregação de Paulo. Façamos uma reflexão sincera durante essa semana para que a gente possa entender com qual desses grupos nós somos mais identificados.
Muitas vezes não é uma resposta óbvia, gente. A gente tem que refletir muito pra gente poder enxergar muitas vezes aonde nós estamos, qual a religião que a gente vive, qual a fé que a gente pratica. Sejamos sinceros conosco, não demos uma resposta rápida a essa pergunta.
Olhemos pro nosso dia a dia, façamos uma reflexão do que passou pelas nossas vidas para que a gente possa ver em que lugar nós estamos e para onde nós devemos caminhar. Na segunda leitura de hoje, a gente vê mais uma vez um trecho retirado do livro do Apocalipse de São João. Na leitura do domingo passado, a gente viu a imagem do cordeiro de Deus, que é aclamado pela multidão de anjos e por todas as criaturas de Deus.
O cordeiro de Deus, que é o Senhor de toda a história. Na leitura de hoje, a gente vê, segundo nos diz a visão narrada pelo autor do texto, a seguinte passagem: "Uma multidão imensa de gente, de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. estavam de pé diante do trono e do cordeiro, trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão.
Nesse trecho, existem muitos simbolismos, pessoal. Primeiro, a multidão que ninguém podia contar. Essa multidão, ela representa as pessoas que pertencem aos povos de todas as nações da terra, tendo em vista a universalidade da salvação proposta por Jesus.
Essas pessoas ressuscitarão junto com ele no final dos tempos. Vejam, pessoal, a salvação ela não era exclusiva de um grupo. Ela foi proposta para todos.
Ela é universal. Por isso essa multidão, essas pessoas elas trajavam vestes brancas. O branco é a corso a Deus.
Portanto, gente, nós podemos identificar que todas essas pessoas eram pessoas pertencentes a Deus, ligadas a Deus. Todas elas estavam aclamando a Deus com palmas na mão. E essa aclamação com palmas leva a gente pra festa das tendas.
Uma festa que era celebrada pelo povo hebreu no final do tempo das colheitas. É mais uma imagem que João traz para o povo poder compreender. É uma festa que recorda a época em que o povo habitou em tendas após a saída da escravidão do Egito.
Então, dessa maneira, assim como a festa das tendas fazia essa alusão à época em que o povo de Deus se tornou livre da escravidão e passou uma vida nova, a referência às palmas nas mãos dessas pessoas e, portanto, né, a essa mesma festa, na visão de João, ela faz referência ao êxodo definitivo do povo, que vai se tornar livre definitivamente após a intervenção de Deus. Deus na história da humanidade, após o sacrifício único e perfeito do cordeiro de Deus. Aqueles que aderiram à proposta de Jesus, que aceitaram a salvação do cordeiro, vai ser permitido habitar nas tendas definitivas que Deus preparou pro seu povo.
Vejam que o texto, gente, é repleto de significados que, a princípio podem até nos passar despercebidos, mas que estão perfeitamente encaixados dentro de um contexto simbólico no qual foi escrito o livro do Apocalipse, um contexto de perseguição, né, de uma perseguição pesada às comunidades cristãs que foi feita pelo Império Romano, como a gente já explicou aqui numa outra oportunidade. Somente assim, através dessa linguagem repleta de simbologia, era que a mensagem podia circular entre as pessoas. Percebem?
E reparem que já dentro da temática principal da liturgia de hoje, no final do texto, é narrado para nós que essas pessoas já abrigadas dentro das tendas preparadas por Deus, já não mais sentirão fome ou sede, nem serão molestadas pelo sol ou pelo calor, porque o cordeiro vai estar sentado no trono. Cristo ressuscitado vai ser o pastor que vai conduzir essas ovelhas, essas pessoas para as fontes de água, água da vida, e também vai enxugar delas todas as lágrimas dos olhos. Quanta riqueza, pessoal, a gente tem nesse pequeno trecho da segunda leitura de hoje.
E o que é que nós precisamos para que a gente possa participar também dessa festa definitiva, né, desse êxodo definitivo, no qual o próprio Jesus vai nos libertar definitivamente, vai nos conduzir paraas fontes de água viva. Nós precisamos apenas aderir com vontade, com entusiasmo. As propostas que ele deixou pra gente através do seu evangelho é mais simples do que parece.
Nós precisamos, assim como os pagãos que a gente viu na primeira leitura, que aderiram à fé com alegria após ouvir o discurso de Paulo, nós precisamos aderir também com alegria aos desafios cotidianos que essa fé em Jesus propõe pra gente nas pequenas coisas, nas pequenas oportunidades, nos pequenos gestos que a gente faz, nas atitudes cotidianas que a gente toma, nas decisões que a gente opta. E dessa forma, pessoal, nós vamos solidificar um proceder verdadeiro alinhado com o evangelho, comprometido com Jesus nos mínimos detalhes. É um exercício diário.
Esse é o exercício da fé, dessa mesma fé que a gente proclama com a boca, que a gente vive nas cerimônias, que a gente participa nos rituais da nossa igreja. Essa é a solidificação dos nossos rituais. Nós precisamos nos comprometer.
Nós precisamos ligar a nossa vida espiritual, ritualística da igreja com a nossa prática do dia a dia. Fazendo esse alinhamento, a gente vai ter aceitado o desafio constante, diário e interminável do evangelho enquanto nós estivermos caminhando nesse mundo. E dessa maneira nós vamos caminhar também para um dia estarmos juntos a essas pessoas.
que João nos narra hoje no livro do Apocalipse. No evangelho de hoje, a gente vê a imagem de Jesus, como não podia deixar de ser, né, Jesus, o bom pastor. O capítulo 10 do Evangelho de João é dedicado exatamente a uma catequese que tem como tema o bom pastor.
Essa imagem do bom pastor talvez seja uma das imagens, pessoal, mais marcadas no imaginário da cristandade. A imagem de Cristo carregando uma ovelha nos ombros. Essa imagem do bom pastor, ela não foi uma citação original do Evangelho de João.
Já no Antigo Testamento, a gente também encontra menções ao pastor e as ovelhas. Já era uma imagem conhecida pelo povo de Israel. A gente pode ver no capítulo 34 do livro de Ezequiel uma referência bem grande à figura do pastor e das ovelhas.
Nesse capítulo, Ezequiel, ele faz uma dura crítica aos líderes do povo de Israel, acusando eles de terem sido maus pastores, que não zelaram com o cuidado devido pelas ovelhas que foram confiadas a eles. Ao contrário, eles conduziram essas ovelhas por caminhos que levaram elas à morte, ao invés de levá-las para a vida. Quem quiser conhecer um pouquinho mais, gente, eu recomendo deem uma lida no capítulo 34 do livro do profeta Ezequiel.
Mais paraa frente, né, nesse mesmo capítulo 34, Ezequiel diz que o próprio Deus vai assumir o comando dessas ovelhas e vai levar elas para um novo caminho, longe da escravidão e do perigo a que elas tinham sido submetidas pelos falsos pastores. Ele diz que o próprio Deus vai apacentar as suas ovelhas e vai fazer com que elas possam repousar. Deus vai procurar a ovelha perdida, vai reconduzir ao caminho correto a ovelha desgarrada, vai curar a ovelha ferida, vai restabelecer aquela que estiver doente e vai tomar conta daquelas que estiverem gordas e vigorosas para que assim elas se mantenham.
Deus vai apacentar o seu rebanho com todo amor e com toda justiça. No trecho do Evangelho que a gente escutou hoje, a gente vê uma referência principalmente na relação que existe entre o verdadeiro pastor, que é Jesus, e as suas ovelhas, que são o seu povo, os seus discípulos, que somos nós. A missão do verdadeiro pastor é cuidar das suas ovelhas até o ponto de dar a sua vida por elas.
Jesus é aquele que está disposto a defender os seus até o fim, de dar a sua própria vida por aqueles que são por ele amados e que lhes foram confiados por seu pai. Essa foi a grande missão de Jesus, pessoal, ao longo da sua vida. A vida que Jesus dá a aqueles que ouvem sua voz e que seguem a ele é a vida plena, é a vida eterna.
Essa vida ninguém pode ameaçar ou tirar. Jesus dá um recado direto para aqueles que dirigiam o povo na sua época, mantendo mecanismos de injustiça, de exclusão, que só visavam seus próprios interesses e não os interesses das ovelhas que eram por eles conduzidas. Jesus diz que eles não terão como alcançar as ovelhas que Jesus está cuidando.
No entanto, as ovelhas para poderem alcançar a proteção de Jesus, a proteção do pastor, também vão precisar estar atentas à sua voz, vão precisar ser capazes de reconhecê-la e de terem vontade de seguir o pastor. Para que as ovelhas passem a fazer parte do rebanho conduzido por Jesus, elas devem se juntar a ele. Elas devem atender a sua voz, elas devem escutar propostas e fazerem o firme propósito de encaminhar as suas vidas para uma relação próxima com ele.
As ovelhas precisam se entregar com toda a confiança aos cuidados do pastor. precisam confiar nos seus planos e fazer de tudo para segui-lo. A nossa cultura moderna, gente, a figura do pastor é tratada por muitos como uma coisa do passado, uma realidade que não condiz com o nosso dia a dia, principalmente com o dia a dia, né, dos grandes centros urbanos, embora ainda seja uma realidade bem viva em muitas comunidades rurais, mas com certeza, pessoal, as pessoas que vivem em cidades conhecem a figura do chefe, do presidente, do dono, do cara que manda, né?
Muitas vezes essa figura é ligada a uma pessoa que impõe sobre as outras os seus próprios interesses. Uma pessoa que é sempre amparada pelo seu poder, seja ele político, econômico, social. Esses são os maus pastores da modernidade.
São aqueles a quem um rebanho é confiado, mas que pouco ou nada cuidam dele. São pessoas que visam apenas manipular as pessoas para que elas atendam aos seus interesses particulares, mesmo que isso custe a felicidade e muitas vezes até a vida daqueles que são comandados por eles. Será que nós, naquilo que nos cabe, naquele pequeno lugarzinho onde temos alguma ascendência, alguma influência sobre as pessoas, seja na nossa comunidade da igreja, seja no nosso trabalho, seja no nosso grupo de amigos ou até mesmo dentro da nossa família, dentro da nossa casa.
Será que nós agimos como bons pastores? Será que nós cuidamos daqueles que são confiados a nós, dando amor a eles, fazendo com que eles se sintam bem e seguros ao nosso lado, fazendo com que eles tenham confiança na gente, na nossa liderança? Será que nós cuidamos das suas feridas?
Será que essas feridas, sejam elas físicas ou feridas da alma, dores interiores, traumas a que essas pessoas possam estar submetidas? Será que nós cuidamos das feridas dessas pessoas? Será que nós alimentamos as pessoas, seja com alimento do corpo paraa sobrevivência, seja com alimento da alma pro fortalecimento do seu espírito?
Será que nós representamos para elas dentro daquilo que nos cabe, né, dentro dos nossos limites? Será que nós representamos para elas a figura do bom pastor que tenta defender essas pessoas da garra desse mundo tão cruel que quer se impor sobre a gente a todo custo? Será que nós somos pessoas capazes de exercer essa função tão nobre que nos foi confiada de cuidar dos nossos irmãos?
[Música] Pessoal, nós temos que ter em mente que ao mesmo tempo em que nós podemos ser pastores para alguns, e isso é uma condição de enorme responsabilidade que a gente assume, seja em maior ou menor grau, nós sempre deveremos ter claro o nosso lugar também de ovelhas dentro do rebanho do pastor maior, que é Cristo. Nós devemos estar sempre atentos à sua voz. Nós devemos sempre reconhecer a sua voz no nosso dia a dia.
Nós devemos sempre procurar seguir Jesus nos caminhos em que ele nos conduzir. Nós devemos dar o nosso voto de confiança total para ele. E isso só se faz quando, após ouvir a sua voz, nós compreendemos o que que ela quer nos dizer e nós agimos de acordo com a sua orientação.
Dessa forma, nós vamos ser semelhantes às ovelhas do seu rebanho e nós vamos estar nos preparando com a sua ajuda para guiar algumas outras ovelhas que estão sobre a nossa responsabilidade, ovelhas próximas de nós. Talvez a parte mais difícil nisso tudo, pessoal, seja distinguir a voz do pastor no meio de tantas outras vozes que ficam falando dos nossos ouvidos o tempo todo. São tantos apelos enganadores que chegam para nós.
São tantas vozes, às vezes tão sedutoras que nós temos que ter muito cuidado para não nos desviarmos do caminho de Deus. Nós precisamos manter o foco na voz do pastor. Nós precisamos ter determinação de segui-lo, apesar de todas as dificuldades e perigos que o caminho vai apresentar pra gente.
Esse é o nosso grande desafio e essa é a nossa grande missão, a missão de toda uma vida. Esse era o nosso recado de hoje, pessoal. Quem não deixou um joinha, deixe.
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Um grande abraço e até o nosso próximo programa. Obrigada a você. Tenha uma excelente semana e que Deus abençoe a todos.