[Música] seu nome em português qual é Robert Robert em Guarani meu nome português é jos em Guarani é para [Música] [Aplausos] [Música] [Aplausos] [Música] J a aldeia indígena tenon depan fica no extremo sul da capital paulista no bairro de Parelheiros aqui vivem aproximadamente 1000 pessoas destas pelo menos metade é formada por crianças e adolescentes em 2001 foi inaugurada na aldeia a escola estadual indígena guirá pó que vai do Ensino Fundamental ao médio foi nesta escola que acompanhei com uma turma de quto ano a aula de história do professor Osmar as línguas utilizadas na aula são
O Guarani e o português ali comeou a o que hoje muitos de nós pode se considerar como descobrimento ou alguns como a invasão da terra né você não não descobre uma coisa que já tem se alguém já tem morando você tá invadindo por Guarani ser um um povo ágrafo né ágrafo significa que não está escrito que não admite escrita primeiramente ele leva em consideração o conhecimento a sabedoria dos mais velhos o que que eles passam para nós depois a gente faz uma uma consideração do que que o livro conta né faz uma comparação derá é
a vice-diretora ela fala sobre a importância da Escola Estadual na aldeia alguns aspectos do contato eh do Guarani da cultura Guarani com o povo de uruá ainda são muito recente Então como educação uma pausa o termo Juruá quer dizer aquele que não é índio e a então muitas coisas ainda se pensa tá se construindo se vendo conversando Qual é a melhor maneira de da escola lidar com essa situação de educação diferenciada né no contexto cultural no contexto diferenciado de fato a disciplina história né é muito especial assim porque a partir dela você vai desenvolver conhecimentos
com os alunos com as séries iniciais com os maiores visando essa a valorização da sua própria história né Essa é a prioridade Primeiro eles têm que entender tudo sobre a sua cultura o que que de onde que ela é né então depois é ensinado o conteúdo muitas vezes que tá nos livros ao entender a importância da cultura que é transmitida aos jovens pelos mais velhos fiz questão de conversar com uma das figuras mais importantes da Aldeia o pajé Mas qual é exatamente a função do Pajé ele tem que se manter sempre eh se se dedicar
mais a assim a parte mais educação conselhos né paraas crianças né Não só criança mas os adultos também né E para eles não tá perdendo essa o lado mais que é importante da da nossa cultura e a tradição né que a gente não pode est perdendo e a língua que nós fala é língua Guarani né a educação indígena deve unir o currículo escolar aos conhecimentos culturais de cada etnia a língua as artes e as tradições têm de estar presentes no dia a dia da escola esta é uma das principais mudanças trazidas pela Constituição de 1988
em relação aos índios brasileiros artigo 210 parágrafo sego o ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa asseguradas comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendiz citur é professora aposentada da USP e historiadora ela é uma das mais importantes pesquisadoras brasileiras a estudar o tema história da educação indígena a partir de 88 pela primeira vez se oficializa uma educação indígena com uma escola indígena em que se quer em que se pode que se pretende preservar a cultura indígena Então esse é o grande Marco no meu entendimento sobre o a
Constituição de 1988 Porque até então todo o processo educativo era voltado para anular a cultura indígena acabar com a com a língua com a religião e integrá-los na sociedade Nacional aí o papel importante da quer dizer ela tem que aproximar as formas de conhecimento do mundo branco com as formas do conhecimento indígena para que e eles avancem então na real ade ela é uma escola extremamente mais complexa no ponto de vista epistemológico a escola indígena guir pó tem cinco professores Guaranis um deles é o professor Osmar que você já conhece ele começou os estudos depois
de adulto em uma escola fora da Aldeia no começo fui até engraçado que eu tinha um professor de história falava falava do livro quando eu mostrava os textos ela nem sabia que eu era í também depois depois que eu fui falar para ela não eu escrevi desse jeito que meu pensamento é esse porque primeiro que eu sou Índio então meu pensamento vai ser diferente Ger também não estudou na aldeia aos 10 anos ela foi matriculada pela mãe na primeira série E aí eu entrei então sem saber falar língua portuguesa e aí eu entrei em desespero
muitas vezes assim porque me via numa Sala fechada com um monte de crianças como eu falando uma língua diferente a pessoa na minha frente também falava uma língua que eu não entendia E aí na metade do ano antes no começo então em fevereiro não falava nada em português na metade do ano já tava semi alfabetizada assim sabe já conseguia fazer um monte de frases derá continuou os estudos ensinou os mais novos a falar português e participou da instalação da escola indígena e aí depois eu fui fazer o ensino médio na mesma escola quando quando eu
comecei na primeira série E aí e nesse período estava acontecendo uma demanda de reivindicações pelas lideranças do Estado de São Paulo para ter escola diferenciada nas comunidades indígenas porque a a a observação as as denúncias de maust trato de preconceito de discriminação da dificuldade de ir até uma escola fora era muito grande e que cada vez mais precisava os adolescentes pessoas da comunidade estudar para para saber falar para saber identificar os documentos os projetos entrando na aldeia para saber dos seus direito principalmente a questão da terra e tal e que precisava ter uma formação na
própria aeia e uma das coisas para começar isso a construir isso seria a formação dos próprios moradores de próprios de próprias pessoas da cultura para lecionar e que então seria dessa forma diferenciada que não seria como na escola pública de Giruá que era uma das dificuldades que eu mesmo tinha já passado que era a compreensão da língua A Batalha deles de muitas dessas escolas é que tenham professores indígenas né dando aula e aí tem todo um processo de formação desses professores porque também a formação desses professores deve ser diferenciada né porque uma coisa atualmente nós
vivemos um momento de grande tensão e até eu diria um pouco de indefinição do que é uma escola escolar indígena nesse curso no último que a gente teve que foi o curso na USP de pedagogia eh foi proposto por pela maioria dos professores ali no grupo e pela coordenação do projeto e que foi muito bem aceito e já então se viu que muitos professores ali no do grupo já pensava também que o primeiro passo já tinha sido dado que era de ter de tá acontecendo a formação dos próprios professores de das suas comunidades e que
para efetivamente funcionar começar a funcionar melhor a educação diferenciada teria que ter então o seu material diferenciado também adequado para para cada etnia para cada sabe E aí então teve uma um momento assim de se pensar e de se elaborar a uma material pedagógico Guarani material pedagógico terena kangan kenak Assim com todas as etnias presentes desde 2001 as escolas indígenas do Estado de São Paulo trabalham com material didático elaborado em português e também na língua de cada etnia daí esse Por Exemplo foi eu gisel de piris de Lima e Pot poran que fizemos daí a
Pot poran que criou a historinha da confusão na casa de costura E aí a tradução de ururu E aí tem a historinha que era uma caixinha de agulha com um monte de coisinhas brigando na C E tem então português e emani além do bilinguismo E aí é um grande processo de transformação da língua falada né numa língua escrita né que alguns antropólogos até São bom importante são eles falarem porque para eles a oralidade é fundamental né eles têm uma cultura oral muito forte Então vamos preservar a cultura oral Então como é que se conta a
história Põe o mais velho gravado no filme e o mais velho vai falar pras crianças na sala de aula na língua né e ele é o ele é o historiador né os velhos são os sábios e os historiadores então é uma não é um livro de história é o velho a história dele né porque ele é o historiador ele é o livro e como os povos indígenas são vistos pela história e como as escolas não indígenas ensinam este tema muitos professores até dizem mas a gente dá aula sobre os indígenas né a gente faz tempo
que a gente dá Então você pega um livro didático por exemplo história do Brasil o que que tem não tem a história do Bras os indígenas Então os indígenas são aqueles homens povos selvagens que estavam aqui na época daon não quiseram ser escravizados Você estuda ah a independência do Brasil período né Onde estão os índios não tem Cadê os índios no século XIX não tem Cadê os índios no século XX não tem né E então é um é um povo considerado invisível na história do Brasil Essa é a verdade todos os alunos nas escolas ainda
hoje nos séculos que vivemos acha que só tem indígena na Amazônia indígena com cocar na cabeça com uma pena com rosto pintado fazendo e que é só lá imagina no Estado de São Paulo não existe indígena ainda é muito tratado dessa forma como assim os indígenas estão estão usando roupa sapato fala português tem casas de tijolinhas e tal né E aí porque não estão pelados porque não estão pintados Guarani né ele passa a ser o símbolo da Nação mas é um índio morto né um índio que desapareceu e em geral era né visto na um
certo romantismo em pé no meio do espaço que formava a grande abóboda de árvores encostado a um velho tronco decepado pelo raio via-se um índio na flor deidade uma simples túnica de algodão a que os indígenas chamavam aimará apertada a cintura por uma faixa de penas escarlates caía-lhe dos ombros até o meio da perna e desenhava o talhe delgado e esbelto como um Junco selvagem essa imagem desse índio vindo do século XIX dos romances doade de Alencar serviu para aumentar ainda mais o estereótipo que você tem em relação aos aos povos indígenas no Brasil Professor
M muito Ah E aí que tá eles não admitem primeiro que índio fez parte da história do Brasil segundo que índio tem história então é a mesma coisa que perguntar se um tá de roupa hoje por que que não pergunta por que que você não tá com a roupa do Pedro Álvares Cabral Por que que você não tá andando a cavalo e tá de carro porque você tem história e o índio não e aonde os portugueses vieram pro Brasil né descobrir diz descobriram mas só na verdade já tinha índio já dentro do Brasil Já e
já tinha que aquela mistura já Por isiso que a gente outros né fala que a gente é que a gente é misturado que a gente não já tem sangue de tal não na verdade nós somos tudo o corre em mim corre em você Acho que nós somos ser humano somos uma pessoa só então não tem diferença né só que os portugueses que colocaram a gente como índio né só que na verdade nós somos nós somos brasileiros n n