As narrativas compartilhadas têm o prazer de continuar ouvindo Monisa Maciel. Agora, vai contar um pouquinho a respeito da atividade que ela faz com os alunos no Teatro Abril, em Lisboa. O teatro em cima e literatura, a contação de histórias, e depois ela vai contar um pouco do projeto com a Fundec e, posteriormente, o Monteiro Lobato.
Não, projeto com o bisneto de Monteiro Lobato que está aí a toda! Então, humaniza, começando a falar: como você desenvolve ações teatrais com seus alunos em sala de aula ou na escola, no Colégio Anglo Sorocaba? Ele me dá bastante liberdade nesse sentido de trabalho.
Temos o trabalho desde a educação infantil até o fundamental I, e às vezes há participação especial no ensino médio. É importante falar isso porque os jovens gostam de histórias, tão professor fantástico, Francisco! Nós trabalhamos histórias mitológicas, que são bem bacanas, e os homens também gostam de histórias; é bem legal isso!
Na educação infantil, o trabalho é o teatro de improviso com eles. Dei esse nome de teatro de improviso porque a gente usa muito o faz de conta. Assim, eu não preciso comprar um chapéu; posso improvisar com um chapéu, eu preciso ter um xale?
Pode ser uma echarpe. Enfim, a gente pode usar. .
. Vou falar de um recurso que temos na escola; não é o mais bonito, mas às vezes é um TNT. Mas, para criança, ele tem validade, porque aquilo vai se transformar.
Estamos brincando com o processo do imaginário, então trabalhamos a contação de histórias, eles interpretam, e aí dá continuidade na outra aula. Normalmente, eu faço isso em dois momentos; isso é muito importante. Trabalhamos a oratória da criança, a socialização da criança.
A narrativa se torna mais significativa para ela. Então, tem uma série de fatores que, às vezes, a gente nem alcança, mas que estão na criança. Trabalhar essa técnica do teatro de improviso é super válido e engraçado como eles conseguem se unificar, implodir isso, porque eles querem que dê certo.
E, dentro desse processo, você faz com que a criança consiga organizar começo, meio e fim da narrativa, que talvez eu deixasse de uma forma formal para ela escrever; talvez ela tivesse mais dificuldades. A gente sempre tem que olhar que tem vários alunos; um vai ter mais facilidade na escrita, o outro na fala, na oratória. Então é a possibilidade daquele que, às vezes, tem dificuldade no registro, mas ele se expõe e deve-se encorajar.
Depois ele faz esse registro, e é engraçado que tenho visto uma geração de crianças que, através dessa dinâmica, se sentem muito motivadas a escrever. Este ano, vou fazer um projeto; já combinei com uma amiga, vou apresentar para a coordenação, deles escreverem os livros deles. Porque é impressionante e engraçado que têm essa questão do sustentável.
Aí, fui a um aniversário e pedi aquela caixa do bolo. E aí, Alê, durinha! Fiz a capa do livro, até eles têm preocupação da capa ser diferenciada, de ser sustentável.
E aí você vai vendo que pequenos flashes da sua aula vão refletindo neles. Outra questão importante é a leitura de imagem, que tem se falado muito. A gente trabalhava, mas não se nomeava como leitura de imagem.
Mas, cada vez mais, vemos isso forte na literatura infantil, que o texto e a imagem um completa o outro. E se a criança é muito dinâmica. .
. Gente, vemos que as crianças tudo é muito rápido, são muitas atividades, e eles têm dificuldade de concentração. Mas, se ele não lê a imagem, não está completo o texto.
Então, tem que ter essa parceria. Eu trabalho bastante isso com as crianças. Tudo isso é englobado; uma coisa vai acrescentando à outra.
Uma coisa importante que eu queria falar é sobre uma experiência diferente que acontece no fundamental I. A contação de história não vai acontecer somente com uma história do Ziraldo, do Monteiro Lobato, da Ruth Rocha, enfim. Na verdade, eu trabalho os conteúdos do material: história, geografia, matemática.
Aí, o professor fala: "Hoje, nós vamos trabalhar solo humífero. " E, na semana que vem, eu vou trabalhar recursos narrativos, tecidos, cantigas, objetos, roupas. .
. Muitos elementos que vão remeter a esse momento da aula. E eu uso bastante o solo humífero; uso bastante o teatro de improviso, em que as crianças são coelhos que vão procurar o solo humífero, e não tem o solo arenoso.
Então, vai se tornar muito mais significativo para a criança, através da sua experiência no teatro, ele investigar qual é o tipo de solo, do que se nós tivéssemos só a fala convencional. Portanto, propiciar para a criança outras possibilidades de aprendizado. .
. Então, a narrativa, técnicas de teatro, contar histórias vem de uma forma muito forte, muito significativa e com resultados muito positivos que nós temos colhido nessa trajetória que já tem 3 anos. Você pede para eles escreverem histórias e depois dramatizarem, ou não?
Ali, é só escrever; nas turmas mais avançadas, em alguns momentos, nós pedimos para que eles registrem; em outros, fica só na oratória porque são crianças menores, que ainda não têm o domínio da escrita. Então, que idade mais ou menos ele já produziria o texto? Até no primeiro ano, é impressionante!
Ele tem uma professora ótima, a professora Jenifer Adriano, e eles conseguem já produzir muitas coisas, principalmente no segundo semestre. Você vai se apropriando com o final do segundo semestre; no 1º ano, 2º ano, eles já conseguem produzir muito bem. É muito bacana!
Agora, quero chocolate! Pouquinho! Como você entrou no contexto da Fundec?
Foi convite de uma amiga muito querida, a Teka Guerreiro. Ela acompanhava meu trabalho como contadora com a segunda filha e, ao trabalhar na Fundec, apresentou essa proposta de trabalhar a contação de histórias e orquestra. Nesse momento, meu coração se aqueceu, que era um pedido que eu fiz.
Para Deus, mas parecia tão distante que eu nem que compartilhava com os amigos. E eu acho orquestra Nagy com a sonoridade, a vibração do instrumento. Você profecia isso pra criança: uma música de qualidade.
E eu aceitei o desafio. Então, já que era para ser desafio, eu quis fazer um texto autoral que foi "O Reino da Amizade". Foi muito desafiador, foi muito difícil fazer essa primeira montagem, porque você tem as partituras, mas eu não posso escolher a música que eu quero; tem que escolher a música que esteja disponível no acervo.
Então, isso limita um pouco. Eu tinha que conciliar aquele trecho da história com a música que tinha disponível no acervo, mas eu também tinha que me preocupar com uma música que seja dinâmica, que envolva as crianças. Então, é um processo muito minucioso, muito delicado, mas que o resultado é muito gratificante, porque nós temos casa cheia, com muita alegria; os ingressos esgotam rapidamente, porque é algo novo que foi implantado na cidade, foi pioneiro, mas que a cidade recebeu com muito carinho.
Eu tenho muita gratidão pela família sorocabana, que honra o meu trabalho e que enche a Fundec. Não sabemos que não é fácil esse processo da correria lá, comprar o ingresso, mas nós temos um retorno muito grande; isso é muito bacana! As famílias estão preocupadas com a primeira infância, com a cultura, com a literatura, porque, assim como nós somos aqui, nos alimentamos.
A nossa alimentação cultural também é a música que eu escuto, a literatura que é oferecida, e nós temos visto famílias muito preocupadas em oferecer o que há de melhor. Esse é um projeto que deu muito certo; temos, acho que, oito apresentações entre coral e orquestra, acho que já estou perdendo a conta. E é um trabalho que eu tenho muito carinho, mas eu tenho um respeito enorme pela Fundec; trabalha com muita seriedade, muito respeito.
Agora somos parceiros e é uma infecção, porque dá orgulho à nossa cidade e eu me sinto muito feliz em fazer parte da história deles. Muito bom! E agora, para fechar, fala um pouco do projeto Monteiro Lobato.
O projeto global é um presente, né? O ano passado, eu completei 20 anos de carreira e a Emília, assim como é na vida de muitos de vocês que estão nos ouvindo, na minha vida, ela sempre foi muito especial, né? Eu não tive a oportunidade de ter livros de Lobato na infância, né?
Para muito caro, mas eu tive a felicidade de poder assistir muito e esse assistir muito me alimentou bastante. E eu lembro que o primeiro livro de Lobato que li estava na faculdade, quando fazia estágio, e eu lembro de dar gargalhadas como se fosse criança nas coisas que ele falava, sua "independência ou morte" ao transformar a vaca numa vaca-furta-cor, na reforma da natureza. Ela é uma personagem atemporal, uma gente vibrante e centenária.
Esse ano, a Emília completa 100 anos e, no ano passado, eu tive a alegria de conhecer o Ricardo Monteiro Lobato, que é o bisneto do autor. Ele foi falar sobre a vida e a obra do seu bisavô na universidade, eu não paro em Votorantim e fui a convite da Dani, de Y, proprietário, fazer uma narrativa do nascimento da ilha. E foi engraçado que nesse dia, na correria, pensei: "Vou levar instrumento, não vou levar nada", porque uma história boa, ela se basta; a história do Lobato é tão boa que ela me dá artifícios para envolver as pessoas.
E foi aí que eu, Lobato, no meu coração. Chegando lá, eu conheci o Ricardo e ele fez essa proposta de nós nos unirmos e fazer o projeto "Viva Lobato". Então, apresentei para ele, montei o curso para locadores e apaixonados por Lobato, literatura infantil, enfim, todos aqueles que apreciam a literatura.
Então, apresentei um de nós, falamos de técnicas e narrativas, onde são contadas três histórias de Lobato, onde falamos das brincadeiras com os objetos dentro do contar histórias, das cantigas, nas dinâmicas, e o Ricardo vem apresentando de uma forma linda a vida e a obra do seu bisavô. É realmente emocionante, porque todos nós temos um pouco de Lobato dentro da nossa trajetória de vida. Tem o espetáculo narrativo que é o nascimento da boneca Emília, onde eu conto as peripécias da boneca, seu nascimento no Reino das Águas Claras, com bolhas de sabão gigantes.
E o Ricardo vem apresentando a vida e a obra e falando também dessa personagem que é tão forte na história do nosso país, que muitos falam, né? Que a personalidade de Lobato era a personalidade da ilha. Então, eu acho que esse trabalho veio coroar os 20 anos de Demonizar Maciel como contadora de histórias e vem construindo um novo ciclo.
E eu fico muito feliz em trabalhar com a família Monteiro Lobato e o sonho dele, que é construir um país de homens e livros, junto com seu bisneto, potencializando nossas forças e crianças, propósitos de vida. Eu me sinto muito abençoada nesse propósito de vida. Eu amo meu país e eu acredito que, a cada curso que eu faço, estou deixando sementes de pessoas incríveis que eu conheço aqui, e também acreditam na literatura, na leitura, na cultura, no nosso país.
E que essas pessoas são multiplicadoras desse olhar que eu tenho e que somos sementes para fazer a diferença no nosso país, que é tão amado, tão sofrido, mas que a gente tem que acreditar na cultura, na literatura para outras gerações. Luiza, eu queria que você só falasse para mim o que se considera uma literatura de afeto e aprendizado. Então, acredito muito na pedagogia do amor.
O amor é a energia que rege o mundo e eu acho que, quando eu falo de pedagogia de afeto, começa primeiro pelo afeto da escolha do texto, o afeto da forma como eu vou apresentar o texto, seja só oratória. Fala, ou seja, com objetos, mas tem essa troca com a criança quando você entrega com amor. Aí eu acho que a história ganha sensibilidade, ganha potência, ganha força.
Então, eu acredito muito nessa história de afeto, e que ela faz diferença, e que ela reverbera de uma forma muito intensa para quem recebe, com a escuta, mas também com coração. Ótimo. A união é como as pessoas fazem para chegar na questão do projeto Viva Lobato.
No projeto Viva Lobato, nós temos nas redes sociais que nos ajudam bastante: tem o do Ricardo, que é R. Monteiro Lobato, e tem o meu, Monisa Maciel, tanto no Facebook quanto no Instagram. Lá, temos todo o nosso trabalho registrado em fotos e vídeos, tanto do curso quanto do espetáculo narrativo.
As pessoas que têm interesse é só entrar em contato pelo direct do Instagram ou pelo WhatsApp. Tem o nosso e-mail também: projeto. leitura@gmail.
com. E depois temos as nossas redes sociais, onde podem entrar em contato, e será um prazer levar o projeto Viva Lobato, que é um autor tão especial na construção do nosso país. E fora, Roberto, ele tem conversado com pessoas que levam a língua como herança em Londres.
Estão trabalhando Lobato na Alemanha, o Ricardo vai para o Japão e fala do Lobato. Então, assim, o Lobato é uma obra forte, não só no nosso país, mas fora. E eu fico muito feliz de poder falar, de poder orientar, de dar uma consultoria para essas pessoas que falam do nosso querido Monteiro Lobato, e que, fora do país, mantêm viva a nossa cultura para os brasileirinhos que estão lá longe.
Viva Lobato na nossa cultura! Muito obrigada, Unisa. Deus abençoe você.
Fico muito feliz por você estar aqui e por você estar fazendo isso. Se você sempre quis fazer, a paixão com amor é o que a gente sente em tudo que você faz. E que estejamos logo logo assistindo mais coisas suas, porque vale muito a pena, certeza, mais livros, mais projetos.
E obrigada pela acolhida, desde sempre. Você viu nascer tudo isso e sempre me apoiou, e seu apoio sempre foi muito importante. Obrigado!
Você é sempre maravilhosa, você é ótima, e a gente quer continuar acompanhando cada narrativa compartilhada. Agradeço, então, a presença da Monisa Maciel, e vocês fiquem à vontade para conhecer mais coisas dentro das redes sociais, que vale realmente a pena, hein? Boa tarde, até a próxima.
Um beijo carregado de afeto!