intervalo. A primeira passagem de Trump pela Casa Branca impulsionou a extrema direita pelo mundo. Dessa vez, no entanto, com pouco mais de 100 dias no segundo mandato do republicano, o fenômeno se inverteu.
Essa análise é da nova colunista aqui do All, Beatriz Bula, que agora fala ao vivo com a gente. Bem-vinda, Beatriz. Boa tarde.
Oi, Diego. Boa tarde para você. Boa tarde pra Andresa, para Raquel, pro coach.
Um prazer enorme integrar esse time de colonistas. Pessoas que eu acompanho o trabalho são grandes referências para mim, então tô muito feliz de estar aqui. E a gente feliz de ter a sua companhia.
Conta mais essa sua análise então sobre o Trump e a mudança, né, da primeira passagem dele para pela Casa Branca, agora pra segunda. Então, Diego, vamos lá. O que que aconteceu, né?
Eh, em algumas eleições recentes foi eh verificada uma revirvolta política muito grande no que estava se esperando durante as campanhas eleitorais, favorecendo partidos de esquerda e centro esquerda. Isso em diferentes lugares do mundo. A gente tá falando do Canadá, da Austrália, mas também eh numa popularidade crescente de líderes no México, na Noruega, na França.
Eh, então isso começou a chamar a atenção de analistas no mundo inteiro pro seguinte sentido. na sua primeira vez na Casa Branca, o Trump impulsionou esses líderes de extrema direita nessa segunda passagem, eh, justamente pelo caos internacional que ele vem promovendo em razão das suas ameaças geopolíticas e econômicas, há uma reação diferente, a uma resposta de eleitores em diferentes países do mundo, eh, contrários a direita ou a candidatos que se associem muito ao Trump. Aí a gente vai falar, claro, em alguns países a ameaça tá muito próxima.
É o caso do Canadá. O Trump chegou a falar que que o Canadá seria o 51º Estado americano, por exemplo. Eh, então é uma ameaça eh realmente muito próxima e que tende a interferir muito mais na decisão dos eleitores e dos cidadãos do que em outros países como Brasil.
E aí eu me questionei como que isso vai bater no Brasil, né? Essa onda vai chegar no Brasil, não vai chegar no Brasil? Fui ouvir alguns analistas, diplomatas, políticos, integrantes do governo e eh qual que é a leitura que não dá para projetar como isso vai bater aqui em 2026.
Primeiro porque tá longe. Segundo porque historicamente a política externa não é um fator decisivo pro eleitor brasileiro, mas que sim, eh, isso é visto com algum ânimo por parte do governo Lula. Eh, e há uma discussão em Brasília no seguinte sentido.
Trump vai ser um fator em 2026. Ponto. A questão é quem vai conseguir usá-lo de uma maneira melhor, se é à direita ou se é à esquerda.
E esses sinais dados ao redor do mundo animam, de certa maneira alguns integrantes do governo e auxiliares do presidente Lula. Justamente porque vocês vinham mencionando problemas do governo, eh dificuldades do governo, eh que fase complicada. O Cach falou: "Vive este mandato, este mandato do Lula".
Eh, e aí o governo, assim, sem conseguir se ajudar, digamos assim, tá contando com um tico de melhora na economia pro ano que vem, com essa redução de inflação de alimentos e um sopro de ajuda internacional por esse contexto tão caótico e turbulento. Então, diante de tudo isso, eh há dentro do governo gente que já vem estudando como, portanto, usar isso a favor do governo Lula e da esquerda em 2026. E aí as estratégias desenhadas até agora são duas.
Eh, a primeira é explorar contradições no discurso eh de seja lá quem for o candidato bolsonarista e dos bolsonaristas em 2026 com relação ao apoio ao Trump. Isso porque a maioria dos brasileiros eh reprova eh o este mandato do Trump e especialmente o tarifá. Eh, então tentar deixar a direita perdida nesse discurso é uma das estratégias da esquerda pro ano que vem.
Trump é um aliado ou não é um aliado? É um aliado que tá impondo tarifa e tá prejudicando a nossa economia ou não, né? E a segunda estratégia é explorar um pouco eh o que eles vêm como, pelo menos até agora, um abandono do Bolsonaro por parte do Trump, né?
Então, o Eduardo Bolsonaro foi para lá e havia uma expectativa muito grande que o Trump demonstrasse apoio ao Bolsonaro sendo julgado eh aqui no Brasil, mas até agora o Trump não fez nenhum grande gesto, né? E isso tá incomodando os bolsonaristas e tende a ser explorado também pela esquerda. Mas o fato é que eh sabe-se que isso tende a ser usado ano que vem, tanto pela direita como pela esquerda e tá todo mundo tentando correr para ver como usar melhor.
Mas essa onda de resultados recentes desse primeiro trimestre, tanto em eleições como na popularidade de alguns líderes de esquerda e centroesquerda, foi visto ali como um bom sinal em Brasília. Nossa, você arrasou muito. Já chegou como já chegou com os dois pés na porta.
Ah, Beatriz, quero agradecer a sua participação aqui com a gente. Sei que você tem horário, a gente vai seguir aqui falando um pouco mais da sua análise, mas obrigado, viu? E volte mais vezes.
Voltarei, é só chamar que eu venho. Muito obrigada. Obrigado.
Beijo, Bia. Valeu, bem-vinda. Raquel, e aí, quem vai levar esse a a onda Trump, né?
Vai pender para qual lado? Esquerda ou direita? A análise da B é muito boa, né?
Porque o que tá acontecendo hoje é um fenômeno, um fenômeno inverso do que se imaginava. Tipo, a direita comemorou a eleição de Trump achando que isso poderia trazer uma nova onda conservadora, né, e levar a vitória de líderes conservadores ao redor do mundo. Isso aconteceu lá atrás no primeiro mandato do Trump.
E você tá vendo um efeito inverso, você tá vendo líderes de esquerda se eh ganhando substância e ganhando eleições, como aconteceu recentemente no Canadá. você teve uma inversão das intenções de voto, exatamente ao se confrontar com o Trump, porque o Trump tá extremamente agressivo, entrou com essas medidas tarifárias eh muito duras, assustou os próprios americanos, então ele virou um cabo eleitoral ruim. Então, nesses vários países, atacar o Trump está gerando votos.
O que eu tenho muita dúvida é como que isso pode revermerar aqui no Brasil, porque o Brasil é um país que tá mais distante, ele não faz ali uma fronteira tão tão direta com os Estados Unidos, não tem um efeito eh tão direto. Aqui você tem uma direita que ainda tem uma admiração muito grande pelos Estados Unidos. você tem o bolsonarismo muito ligado e eu ainda percebo percebo no governo Lula um receio de usar isso de uma de um de um de uma maneira muito forte, né?
Você vê que o Lula ele ele ataca o Trump, mas aí ele recua, ele faz uma fala, mas não não faz uma coisa seguida. E é engraçado que a direita também já percebeu isso, de que o Trump pode ter virado um cabo eleitoral ruim. O governador Tarciso de Freitas botou aquele boné eh uma vez, né, sobre o Trump para nunca mais.
Depois nunca mais se aventurou. Jair Bolsonaro, que também toda hora falava disso, falava disso, falava disso, falava disso, continua falando mais um pouco menos. Então eu acho que os dois lados do espectro político aqui no Brasil, tanto à direita quanto à esquerda, não sabem muito bem qual vai ser o efeito Trump.
Então eles estão meio que tateando. Diego, você coach. Eu acho que o Trump em apenas 100 dias virou uma figura tóxica no mundo inteiro e até nos Estados Unidos.
Ele não dá voto, ele tira voto. É óbvio isso, né? Eh, a Raquel falou que o Canadá é vizinho mais próximo dos Estados Unidos, mas nós tivemos o exemplo da Austrália agora essa semana, né?
onde também a centro esquerda ganhou e o adversário era um um trumpista, né? O o apoiador do Trump, onde tem eles eleição que o Trump se mete agora ele tá se metendo inclusive na eleição do Papa, né? Parece que ele tá fazendo uma grande campanha para botar um papa conservador americano e tal.
Eh, e outra, o a a direita, a extrema direita brasileira do bolsonarismo, né? não conseguiu nada com o Trump até agora. O o Eduardo Bolsonaro mentiu essa semana dizendo que veio uma tá aqui no Brasil uma um uma delegação americana que ia eh atacar o o o Alexandre Morais, não sei o quê.
E não aconteceu nada disso. Eles vieram aqui para discutir crime organizado, uma uma força tarefa, uma aliança da polícia brasileira com a americana. Eu eu tenho a impressão que a extrema direita Bolsonares nesse momento tá bem perdida.
Sabe porque realmente, como a Bia falou, com toda a razão, o o a população brasileira, como mostram todas as pesquisas, eh, reprovam o Trump, né? E o essa rejeição pode cair no colo dos bolsonaristas. E realmente, né, o o Tarciso, que no primeiro momento também muito eufórico, comemorou a vitória do Trump, agora já tá tirando time.
Hoje ele fez um discurso ali bem ambíguo, né, ao falar das tarifas, eh, não criticou diretamente e tal, mas já tá tirando o time dele de campo. O Trump daqui a pouco não vai não vai ajudar ninguém, pelo contrário, só pode atrapalhar. É, olha, depois do intervalo falaremos sobre a viagem do presidente pra Rússia.
Ele embarca hoje à noite, vai se encontrar com o presidente russo Vladimir Putin. Fica aí que a gente volta já no YouTube. Falamos mais sobre esse eh Trump, né, e sobre esquerda e direita.
Andreas, agora te ouvindo, qual que é a tua avaliação? Como é que isso pode repercutir aqui no Brasil em 2026? Tem um ponto aí nessa nessa questão, Diego, que é essa política do Trump de expulsão dos imigrantes ilegais que estão lá.
Muitos desses imigrantes são bolsonaristas, então virou um problema mesmo para pra questão do pro Bolsonaro. Eh, eh, ficou delicado essa essa esse envolvimento dele com Trump, porque parte dos eleitores dele eh estavam lá e estão sendo deportados. Então, a gente pode ver que eles nem comentam muito essa questão eh da deportação.
Então, isso pegou muito o eleitorado dele. O eleitorado dele também eh não gosta muito do Trump. Acho que a Bia falou eh um pouquinho sobre isso.
Então, eh eu não sei se a política eh o que que o Lula pode fazer com relação a isso, talvez usar essa questão do medo também, né? Porque isso tanto à direita quanto à esquerda usam. Pode chegar na campanha.
E o Lula já falou alguma coisa nesse sentido, que que vai acontecer se eu não for reeleito? O que que vai acontecer nesse país, né? Que que pode vir depois do que a gente eh assistiu aí nos últimos anos?
Então, talvez o Trump seja utilizado como um exemplo eh de um risco que o Brasil pode correr eh se a esquerda ou a centroesquerda ou o centro não permanecerem ali no poder. Acho que nesse sentido eh a figura do Trump e se tudo desandar nos Estados Unidos, que é o que parece que vai ocorrer, né? o Trump tá eh atirando para caminhos ali que não parecem que vão ter bons resultados.
Eh, pode ser que eh ele vire ali, esse tipo de exemplo numa eleição presidencial. O fato do Bolsonaro ter proximidade com Trump e tem mesmo, né? Por mais que nesse momento eh o Trump esteja mais ocupado com outros assuntos, eh o Trump já citou o Bolsonaro em eventos públicos, né?
né? Tem fotos ali do Eduardo Bolsonaro na Casa Branca, inclusive com a fininha, com a mulher. Então eles têm ali uma intimidade.
Isso mostra eh um poder ali do Bolsonaro, né, de ter uma relação com com o presidente, né, dos Estados Unidos, não é qualquer coisa. Eh, mas os políticos vão se tornando tóxicos ali e o Bolsonaro vai ter que ter cuidado e se equilibrar nessa agenda, justamente porque parte do seu eleitorado tá sendo bastante atingida eh com medidas do Trump. tem um agronegócio também, né, que é um eleitorado eh do Bolsonaro, que também vai ser atingido aí por por medidas protecionistas do governo americano.