A gente cresceu ouvindo e talvez até acreditando que ler nos torna pessoas melhores. E quanto mais literatura, mais sensibilidade, mais ética, mais humanidade nós adquirimos. Essa ideia que vem lá do humanismo clássico ainda é muito forte hoje em dia.
Só que quando a gente olha, né, com mais calma paraa história, pra forma como a sociedade funciona e até pro que a ciência tem descoberto sobre o cérebro, essa relação, leitura e ser uma boa pessoa não é tão simples assim. Na prática, conhecimento e virtude nem sempre andam juntos. Vamos então falar do pedantismo literário, né?
Aquela ideia de que consumir alta cultura automaticamente te coloca num lugar moral ou superior. Só que a realidade não é bem assim, porque ao longo da história a literatura já conviveu muito tranquilinha ali com a barbárie, né? Ela já foi usada como ferramenta de muita exclusão, continua sendo.
Ou seja, ler não é esse atalho mágico para se tornar alguém melhor e talvez nunca tenha sido. Resumindo, o que tem de leitor babaca por aí não é brincadeira não. Então no vídeo de hoje a gente vai falar sobre essa distância entre conhecimento e virtude e o papel do ego na construção do leitor culto.
Vamos falar de como a leitura profunda, né, reage um mundo cada vez mais fragmentado e também o que a literatura ainda pode oferecer de mais valioso, né, que é um espaço real ali de experiência emocional e de reflexão. Hum. Hum.
Olá, meu nome é Rodrigo de Lourenzo. Se é a primeira vez que você tá aqui nesse canal, seja muito bem-vindo. Eu falo de livros, de séries e de filmes desde 2018, sempre tomando a minha tacinha de vinho.
Ó, tá aqui. Muita gente implica com a minha tacinha de vinho, mas é por isso que eu sou chamado aí de um moço do vinho. Não sabem o meu nome, falam: "É o cara do vinho, é o moço do vinho".
E você está no canal do Moz do Vinho? Porque sim, eu falo tudo isso sempre acompanhado a minha taça. Eu já vou pedindo para você então se inscrever nesse canal.
Se você ainda não é inscrito, faz aí essa forcinha pra gente chegar a 100. 000 inscritos até o final de 2026. Será que isso é possível?
Eu acho que não. E pega a sua taça. Pode ser de qualquer bebida, não precisa ser de vinho, não, se você não bebe, pode ser até ser de água, mas vem brindar comigo.
E também se você gostar desse vídeo, você pode dar o seu hype. O hype é uma ferramenta nova aí que o YouTube encontrou para ajudar pequenos canais que estão crescendo como o meu. Com o seu hype, o YouTube entrega esse vídeo a mais pessoas e a nossa comunidade aqui aumenta.
Então já peço aí, com todo o meu respeito, se você puder me dar o seu hype, geralmente ele aparece depois que você dá o seu like aí no celular. Mas sem mais delongas, tá? Vamos aí pro tema do vídeo de hoje.
Um. A ideia de que a leitura limpa o coração ou garante para você um comprovante ético, né? Vai enfrentar aí um obstáculo moral quando a gente vai olhar pro século XX, né?
Especialmente para quem? pro holocausto. Mas que diabo?
Que que esse cara tá falando de holocausto? Uma coisa de ler. Mas vamos lá, vamos entender.
O crítico literário George Steiner passou boa parte aí da vida dele tentando responder a uma pergunta difícil. Por que a alta cultura, as humanidades, toda essa tradição intelectual não impediram o genocídio? E a resposta é igualmente difícil, né?
O nazismo não surgiu de uma sociedade ignorante, né, culturamente pobre, muito pelo contrário, o nazismo emergiu de uma nação muito culta, muito educada, muito sofisticada aí na história. Quer dizer, o repertório intelectual não funciona como base moral, né, como atestado de bondade e de bom senso. E aí o Steiner também vai dizer que no fim do século XIX havia um certo tédio dentro da cultura burguesa europeia, um esgotamento.
E esse vazio ajudou a abrir espaço pra fantasias de destruição. Quando isso se soma a crise econômica, né, a hiperinflação dos anos 1920 e a transformação de vidas humanas ali em números abstratos, tudo isso vai fazer surgir um cenário perfeito pra desumanização. Nessa confusão toda aí, a literatura e a filosofia não só falharam em impedir esse horror, como em alguns casos foram apropriadas ali para justificá-los inclusive.
E talvez uma aí das imagens mais perturbadoras disso tudo é imagina isso, né? Um oficial do SS lá, o exército do Hitler, capaz de apreciar uma poesia, uma música clássica e logo depois exterminar centenas de seres humanos. Quer dizer, conhecimento não ética, né?
E se isso ainda não fosse o suficiente, né? Quando a gente olha pros dados históricos, né, a coisa fica ainda mais escrota. Osen Group, né, que eram ali os esquadrões da morte, né, responsáveis por massacres em massa no Leste Europeu, eles eram formados ali em grande parte por homens muito educados.
Eles não eram pessoas sem acesso à cultura, né? Eles eram advogados, eles eram doutores intelectuais, era gente que leu, né, que que estudou, que teve formação. E quando a gente entra nos detalhes, isso aí vai ficando ainda mais perturbador.
Dos 25 primeiros comandantes aí dos Group, né, 15 deles tinham um doutorado e não era qualquer formação, né, muitos ali eram doutores em direito, em sociologia, em economia, em política. Quer dizer, eles eram pessoas altamente treinadas para entender a sociedade, né? Eles eram a própria elite intelectual da época.
O que esses perfis aí vão mostrar pra gente, né, que é a estrutura mental que a leitura, que o estudo, né, desenvolve, essa capacidade de analisar, de organizar, de sistematizar, ela também pode ser usada para organizar sistemas de opressão com uma eficiência ainda mais assustadora. Quer dizer, não é falta de inteligência, é justamente o contrário. O conhecimento amplia, né, o que a mente é capaz de fazer, mas a direção disso, né, o que você faz com essa capacidade depende de outras coisas, né?
Depende de ideologia, de valores, de ética. E tudo isso a literatura sozinha não consegue, não garante. >> Quando a gente tira então essa ideia quase sagrada da leitura, né, de que ela automaticamente nos torna aí melhores, começa a aparecer então outra função dela, né, da da leitura.
O sociólogo Pierre Burdier vai chamar isso de distinção. Ou seja, o gosto literário não é só uma questão de preferência pessoal, ele também funciona como um marcador social, um jeito aí de mostrar pertencimento, né, de estabelecer posição, de separar quem é de quem não é. É daí que surge o ego literário.
E aí é quando lê deixa de ser uma experiência e passa a ser um símbolo de status, né, um acessório, um negócio que serve mais para aumentar a desigualdade do que aproximar as pessoas. O Bordier vai explicar isso através da ideia de capital cultural, que inclusive tem um vídeo inteiro sobre isso aqui no canal. Não é só o que você lê, mas o quanto você domina certos códigos, né?
Então, é saber falar eh saber falar sobre certos autores, reconhecer certas eh referências, circular em determinados, eh espaços. E isso historicamente é usado pelas classes dominantes, né, para legitimar a posição, né, ao mesmo tempo, desvalorizar outras formas de cultura no mundo de hoje, né, isso vai aparecer muito claramente nesse pedantismo eh literário, né? Então, a estante cheia, a citação de autores ali muito específicos, o discurso sofisticado, né?
Tudo isso pode funcionar como uma espécie de nobreza, nobreza cultural, como se e existisse uma forma correta de ler, né? E só quem domina essa forma vai ter autoridade para falar. O problema é que tudo isso transforma algo, né, que deveria ser democrático, né, a leitura, a interpretação, a troca num espaço fechado.
E essa dinâmica fica muito clara nas redes sociais, por exemplo, né, em certos círculos intelectuais. A leitura passa a ser e exibida mais como um certificado de caráter ou de inteligência superior e não como esse espaço aí de democracia. E o Bord vai descrever isso de um jeito bem interessante.
É como se essas elites culturais se tornassem uma espécie de homens sagrados da cultura. Pessoas que se colocam num lugar separado, distante ali, definidos por pequenos detalhes de gosto, de comportamento, de consumo. E o risco disso é enorme, né?
Porque o ego literário, em vez de aproximar, vai isolar. Em vez de gerar empatia, vai gerar o quê? desprezo, principalmente por quem não compartilha, né, o mesmo repertório, as mesmas referências, o mesmo jeito certo de ler.
Um, mas agora vamos lá, tá? Porque mesmo que a gente derrube aí essa ideia de que a leitura nos torna automaticamente e pessoas melhores, isso não significa que ela não tenha valor, tá? Muito pelo contrário, a leitura profunda hoje, né, funciona também uma forma aí de parar um pouco, de você parar um pouco nesse mundo tão caótico e tão ansioso.
Então, o filósofo Bun vai chamar o nosso tempo de sociedade do cansaço, né, ou sociedade do desempenho. Aliás, tem o livro ótimo dele aí, sempre um bestseller, que é a Sociedade do cansaço. Segundo ele, a gente saiu aí de um modelo antigo, né, que vai ser descrito lá pelo Michel Foucault, baseado no dever, na disciplina, né, o você precisa, você tem que saímos disso.
Estamos agora num modelo em que tudo gira em torno do você pode, você consegue sim, nós podemos, nós vamos conseguir. Discursos esses muito usados em coaches e dentro da igreja, isso parece muito positivo, mas tem um custo, né? que agora a exploração não vem de fora, ela vem de dentro, dentro de você.
A gente se cobra, a gente se exige mais, a gente empurra o tempo inteiro ele, a gente tenta ser o mais produtivo, mais eficiente, o mais tudo. E o resultado disso é o esgotamento, é o burnoutinho, é o burnout, é ansiedade. E aí tem essa coisa do multitasking, né, da gente fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
Que legal. Muita gente vê isso como uma evolução, mas na verdade pensa aí, é uma é uma regressão, a gente não tinha que saber fazer tudo ao mesmo tempo. O autor aí vai então comparar isso a um estado quase animal, né?
Uma tensão fragmentada espalhada, que serve só para você sobreviver nessa selva. Mas você é ser um animal é incompatível com qualquer tipo de profundidade de pensamento, de de criação, de contemplação. Não falando mal dos animais, que os animais são um amorzinho, né?
Mas eles estão ali na sobrevivência deles. E aí vamos falar então da leitura de uma maneira positiva, porque finalmente ela vai entrar numa coisa boa, né? Porque além de todas as outras coisas boas que a leitura traz, ela traz isso que que tá faltando, né?
Ler um livro de 300 páginas é muito diferente de você ver 300. 000 vídeos de 15 segundos, né? Porque a leitura vai contra esse fluxo.
Quer dizer, você sai do super estímulo para um único estímulo ali focado. O autor Newport vai chamar isso de deep work, né? O trabalho profundo, a capacidade de se concentrar sem distração, né?
Em algo ali que é cognitivamente exigente para você. Traduzindo isso, né? Você se concentrar no que você tá fazendo, né?
Isso aí parece um um absurdo pensar, mas virou um recurso raro. E por ser um recurso raro é extremamente valioso. O problema é que tudo ao nosso redor hoje é desenhado para capturar a nossa atenção muito rapidamente.
Então tem notificação, tem vídeo curto, tem os feeds, tem a rolagem infinita. Tudo isso ativa o que a ciência vai chamar de atenção involuntária, né? Aquela que você não controla, que você é puxado por ela o tempo todo.
E tudo isso tem um efeito no cérebro. Existe um conceito aí chamado resíduo de atenção. Quando você troca de tarefa o tempo inteiro, né, ou interrompe leitura pricar o celular, uma parte da sua mente fica presa naquilo que você acabou de fazer.
Resultado, você nunca está 100% presente em nada. O teu desempenho cai, né? A sua compreensão cai, a sua profundidade cai, some.
É por isso que a leitura longa, né, importa tanto hoje, né, porque ela vai funcionar. E como um treino, né, um treino de paciência. de foco, né?
Você vai ter que est presente ali naquele momento. E quando você consegue sustentar esse estado de atenção, o cérebro ele vai entrar num modo diferente ali no que a neurociência vai chamar isso de default mode network. O que seria isso?
Uma rede associada à imaginação, à criatividade, né? aquele aqueles momentos de insight, o famoso e se eu fizer isso, talvez eu possa ir por esse caminho ou ah, agora eu entendi. Só que esse estado precisa de silêncio, né, de tempo, de um espaço ali na sua mente, um espaço mental.
Isso é exatamente o que o excesso de estímulo, né, das telas tá destruindo. Por isso que ler é consumir uma história, mas é também recuperar uma capacidade mental que a gente tá aos poucos perdendo. E se a gente parar para pensar aí, esse cansaço não tá só na nossa cabeça, né?
Ele tá na forma como a gente vive tudo, né? Até nas coisas mais básicas, né? Até as coisas básicas viram um tipo de esforço, né?
como, por exemplo, escolher o que você vai vestir, sujar estressa. É por isso que eu estou sempre aqui falando sobre ela, a Insider, né, que é a parceira do nosso canal, porque ela resolve uma parte dessa rotina, né? Você não precisa pensar no que vestir, você não precisa e pensar numa roupa que vai se ajustar a você naquele dia, você não precisa se preocupar.
Enfim, isso por quê? Porque todas as peças da Insider são pensadas pro seu conforto. Não importa aonde você está, é roupa que acompanha o seu dia ali no trabalho, no treino, para você sair, para você voltar para tudo.
Não vai te exigir mais energia. Isso aí é ter menos uma coisa para se preocupar, tá? Porque a gente já tem muita coisa.
E aí, deixa eu falar aqui rapidinho, tá? Além de eu estar usando essa minha tex tshirt com essa cor maravilhosa e que eu fico muito do delicioso, eu queria mostrar esse moletom aqui pra vocês, tá? O moletom aqui, né, que é clássico, porém além de ele ser muito leve, gente, isso aqui ele se ajusta no seu corpo, ele tem regulação térmica, é uma coisa maravilhosa.
E todos os benefícios que eu venho falando aqui da Insider, mas este moletom é temático, é o moletom do zodíaco do Ziraldo. Olha aqui esse moletom aqui foi ilustrado com muito bom humor pelo Ziraldo. Isso aqui é uma edição colecionável, tá?
Com pequenas artes. Então você veja, tem os signos aqui, ó. Cadê o meu gêmeos?
Vamos lá. Olha aqui, gêmeos, ó. Tá, tá focando aí.
Olha que coisa maravilhosa. Enfim, esse moletom é belíssimo. Bom, quer dizer, esse moletom aqui, ele é um uma peça essencial aí pro guarda-roupa de qualquer leitor.
Então, além de lindo, é prático, tá? Você vai ficar cool, você vai ficar um leitor legal, um leitor cool. Inclusive, se você quiser testar, meu cupom tá ativo, tá?
E ele é dinâmico. Que que é isso? Ele dá 15% off pra primeira compra e 10% off se você já for cliente.
Em datas específicas ainda acumula benefício, né? Tipo aí mais 10% no Pix. Então usa o meu cupom aí moço do vinho, é moco do vinho e aproveita.
Mas agora vamos voltar ao tema do vídeo. Um bom. Se a leitura não garante que alguém vá se tornar uma pessoa melhor, o que exatamente ela faz?
Uma das respostas aí mais interessantes vem justamente da ciência. Os pesquisadores Raymond Mar e Keithlin defendem que a ficção funciona como uma espécie de simulador social, né? Um tipo um simulador de voo.
Só que ao invés de você treinar pilotos, a literatura vai treinar você para navegar pelas relações humanas. Quando você lê, você entra em situações complexas, você eh acompanha decisões, conflitos, emoções fortes, né? Você faz tudo isso sem correr riscos reais.
É uma forma de você experimentar o mundo e o mundo dos outros, né, com segurança. E isso não é só metáfora, tá? Porque a neurociência mostra que quando a gente lê ficção, o cérebro ativa as mesmas regiões usadas para entender outras pessoas na vida real, principalmente aquilo que os pesquisadores chamam de teoria da mente, né?
A capacidade de perceber que o outro tem pensamentos, desejos e sentimentos diferentes dos nossos. Ou seja, ler é literalmente treinar a mente para entender o outro. Porém, muita atenção, tá?
Porque nem toda a leitura provoca esse efeito do mesmo jeito, né? Então, os pesquisadores David Kids e Manuele Castano fizeram experimentos ali mostrando que existe uma diferença bastante clara entre ficção e literária e ficção mais popular. Que que eu quero dizer com essas coisas, né?
Ficção literária seria os ditos aí, eh, livros um pouco mais sérios, livros um pouco mais trabalhosos, livros eh que desafiam mais o leitor, né? tem uma uma ficção mais comercial são os os bestsellers ali que focam mais na história, uma história um pouco mais mastigada e não estamos aqui entrando em juiz de valor, só tem essa diferenciação pra pesquisa que eles fizeram. Segundo eles, quem lê ficção literária, essa ficção aí um pouco mais complicada, tende a ter um desempenho melhor em testes de teoria da mente, né?
E por quê? Porque e esse tipo de ficção geralmente trabalha com personagens mais complexos, mais ambíguos, mais contraditórios, gente que não é fácil de entender, né, que não segue um roteiro previsível que a gente tá acostumado. Para acompanhar esses personagens, o leitor precisa fazer um esforço, né, de interpretar sinais.
Ele vai ter que preencher lacunas, vai ter que construir a mente daquele outro, né, a partir de detalhes muito sutis. Então, é um exercício constante de de empatia, de tentar entender, porque nem sempre aquilo vai dar ser mastigado para você. Já essa ficção mais popular ali, ela costuma eh ser mais centrada na história, né, no enredo.
Os personagens eles são mais bem definidos, mais claros, mais arquetípicos, né, eles são mais previsíveis. você entende rápido quem é quem, né? Isso vai exigir menos esforço mental, né, nesse sentido.
Então, talvez o ponto não seja simplesmente ler, né? Mas como você lê? E de novo aqui, eu não tô falando que você tem que ler os livros difíceis, clássicos, tá?
Mas o benefício da literatura não tá só no consumo das palavras da história, né? Mas tá ali na certa densidade, né? na na experiência que ela exige de você, no quanto ela te obriga a sair de você mesmo, do seu mundinho, né, do seu conforto.
Então, a literatura permite que você seja várias pessoas, né, que você habite várias pessoas, outras mentes, outros mundos, outras formas de ver a realidade. Isso vai acabar fazendo você ampliar, né, o seu mundo, a reconhecer a complexidade do outro. Porém, e isso é bastante importante aqui, reconhecer o outro não é o mesmo que agir.
A leitura pode expandir a sua percepção sem necessariamente te transformar, né, transformar o seu comportamento. Então você pode até na sua cabeça ser uma pessoa empática, mas isso não quer dizer que na hora ali que você tiver que botar em prática a sua empatia, você vai fazer isso só porque você leu. Hum.
Talvez um dos efeitos aí mais sutis e perigosos do nosso tempo seja começar a tratar a leitura mais como uma tarefa a cumprir. Quer dizer, mais um número para bater, mais uma meta, né? Toda vez que alguém troca um sonho por uma meta, morre um poeta.
Já dizia um musical que eu assisti em Curitiba aqui chamado O Madrugueiro. Mas o fato é que a lógica da produtividade invadiu até aquilo que deveria ser um negócio gratuito, coisa livre, né? uma coisa inútil, no melhor sentido da palavra.
Isso vai aparecer nessa cultura aí quando a gente fala de meta, de leitura, de aplicativos, de contadores, de livros, né? Porque o foco vai acabar sendo sempre o número de o volume de livros lidos, né? Quantos livros você leu esse ano?
E aí, sem perceber, o leitor vai começar a se adaptar a isso, né? Então, ele vai escolher livros mais curtos, ele vai escolher livros mais rápidos, ele vai evitar textos mais longos, porque isso vai atrapalhar a meta, né? E assim a leitura vai virando um desempenho.
E aí autores como call Newport, que já falamos, defendem um movimento contrário a isso, né? O que ele chama de produtividade lenta, que é uma forma de viver ou de ler que valoriza a profundidade, o tempo, o cuidado. Então, ler devagar, reler uma frase, né, para pensar, não é uma perda de tempo, né, mas é um gesto ali de quase de liberdade.
E tem outro ponto aqui muito interessante, tá? que que é o meio, né? A forma como você lê, a forma como você lê também vai mudar completamente a experiência.
Então, alguns estudos vão mostrar que a compreensão de textos mais longos e complexos tende a ser melhor em papel do que em telas, tá? Especialmente quando existe a pressão do tempo ali, né? Porque o ambiente digital vai favorecer o que a gente chama de skimming.
É, é uma leitura rápida, uma leitura superficial, fragmentada. Você passa os olhos, né? Você vai capturando pedaços, mas você não mergulha.
Já a leitura no papel tende, tá? Não é que é verdade tudo, mas a leitura no papel pede mais para você mastigar um pouco, né? Para você permanecer ali na leitura.
Eu sou um defensor também do Kindle, tá? Eu adoro Kindle, que eu acho diferente de você ler em outras telas. Acho que os celulares hoje também já estão melhores, mas tipo ler no computador, eh, e essa é a diferença.
Hoje a gente tem, por exemplo, aplicativos como Esquilo, que você pode ler no celular e ele ele e ele emula ali a experiência de o papel. Acho muito bacana. Porém, quando você lê essas coisas em PDF, sabe?
Eu acho que a a há uma diferença ali na leitura de papel ou em dispositivos que são feitos para imitar papel e e uma diferença de telas normais, tipo um computador, um tablet. Mas aí voltamos então pro Bunan, né? A importância da contemplação.
Nesse mundo doido, né? Nesse mundo barulhento. Is ficar em silêncio concentrado pensando tá cada vez mais difícil e portanto necessário.
E aí, além disso tudo, né, a leitura tem um papel que é muito mais íntimo, né, e muitas vezes invisível. Ela pode funcionar como uma forma de organizar o caos interno, né? Existe inclusive uma prática aí chamada biblioterapia, né, que é o uso da literatura como ferramenta de apoio psicológico.
Quando você se reconhece em um personagem, né, em uma situação, em um conflito, você começa a entender melhor aquilo que tá acontecendo dentro de você. Às vezes o livro não resolve o problema, claro, mas ele ele dá uma forma pro seu problema. Tem um conceito aí na psicologia que eu fui estudar, tá?
Chamado alexitimia. é quando a pessoa tem dificuldade de identificar e nomear o que tá sentindo. Ela sente, mas ela não consegue traduzir aquilo em palavras.
E aí muitas vezes, né, isso vira o quê? Ansiedade, né? Uma angústia, porque que aquilo não foi elaborado.
E é aí que a literatura entra, né, para dar nome às coisas. É muito importante a gente dar nome às coisas, né? Ela vai oferecer palavras para sentimentos que talvez você e não consiga nomear, né?
Existe até um mecanismo aí comprovado na neurociência chamado nomear para domar. Quando você consegue colocar um nome numa emoção, a atividade da amídala, né, que que como um alarme do cérebro diminui. E o córtex pré-frontal, né, que tá ligado ao pensamento mais racional, ele entra em ação.
Ou seja, aquilo que parecia avacalador começa a se tornar compreensível. Quer dizer, você tá ali, vai ser o desastre. Sua vida acabou, carreira acabou.
E mas aí não é bem assim. A leitura pode te ajudar você colocar os pés no chão. E aí a biblioterapia, né, ela costuma seguir um processo bem eh interessante, né?
Primeiro vem a identificação. Você lê algo e pensa: "Sou eu que ali, você já aconteceu comigo, hein? " E aí vem uma sensação importante, né?
Porque é é a sensação de que você não tá sozinho, né? Depois dessa sensação pode vir então um catarse, né? Uma descarga emocional ali.
Você vai chorar com um livro, você vai se afetar, você vai se envolver. Isso também é uma ótima forma de liberar coisas que estavam presas em você. E por fim, vem o insight, aquele momento que você começa a enxergar sua própria vida de outro jeito, seu próprio problema de outro jeito.
Não porque o livro te deu uma resposta direta, não é uma autoajuda, mas porque ele abriu para você um caminho de compreensão. E o efeito disso não é subjetivo, tá? Ele é físico também, porque a leitura tem efeitos diretos no corpo.
Um estudo da Universidade de Sussex mostrou que apenas 6 minutos de leitura já podem reduzir o stress em até 68%. Porque quando você mergulha numa narrativa, o seu cérebro entra em outro estado, né? O seu cérebro entra num estado de imersão.
É como se você entrasse num espaço mais silencioso. Isso vai acalmar o seu sistema nervoso, né? porque vai diminuir os hormônios do dos do stress, né?
Ele vai te ajudar a a se organizar por dentro. Inclusive aí numa fase muito difícil da minha vida, tá? Eu vou te falar, se não fossem os livros que eu lia no trajeto pro trabalho, eu estaria agora amarrado uma camisa de força.
Eu li muitos livros, li muitos livros ótimos nesse período de completa depressão. Resumindo tudo isso, né? Talvez a leitura não sirva para te transformar em alguém melhor, né?
Mas ela pode sim te ajudar a se entender melhor, né? Ou seja, galera, quando a gente olha para tudo isso com mais calma, fica claro aí que a leitura não deveria estar nesse pedestal moral, né, nesse selo de virtude. Essa ideia, né, de pedantismo literário é na verdade uma distorção.
é uma forma de usar a cultura como instrumento de exclusão, né, e muitas vezes de autoengano, porque a história já mostrou mais de uma vez aí que erudição, né, e indiferença ética, né, e e uma moral torta, elas podem existir ali muito juntinhas. Mas quando a gente tira esse peso da leitura, nessa obrigação de nos tornar bons, né, aí sim o efeito positivo dela começa a aparecer, né, o que a leitura, a leitura e a literatura tem de mais valioso. A leitura vai preservar a nossa forma de pensar, né?
Ela vai treinar a nossa capacidade de entender o outro. Ela ajuda a organizar o nosso caos interno, né? Resumindo para Marrak, a leitura vai te ajudar, é, mas ela não vai fazer você ser uma pessoa melhor.
É isso. Tu pode ler 800 livros e ser um escroto. Ser um escroto.
O que eu conheço gente escrota que tem uma biblioteca, já leu tudo da biblioteca. Isso aí é uma escrotice. Olha, meu Deus.
Aliás, eu acho que os mais escrotos que eu conheço são leitores ávidos. Vou começar a dizer nomes agora. Mentira, gente, o vídeo acabou.
Eu quero saber de você. O que que você acha disso tudo? Você acha que ler é sinônimo de virtude?
você fica mal porque você não gosta de ler. Mas se você gostou desse vídeo, não esquece de comentar aqui, como eu já falei, de dar o seu like, de se inscrever nesse canal, se você ainda não é inscrito. Se você gostou de fato do vídeo, deixa o seu hype aqui.
Quero agradecer a você que assistiu a esse vídeo até o final, um brinde e até semana que vem.