O núcleo experimental, que é esse grupo em que eu faço a direção artística atualmente, começou há alguns anos, depois dessa época da comédia dos erros, né? Depois da comédia dos erros, dirigi mais algumas peças. Estava no início, vamos dizer assim, da vida profissional como diretor, né?
Conheci muita gente interessante, muita gente legal na USP, no mestrado, e não concluí seu mestrado. Curse todas as disciplinas, mas, quando eu ia qualificar, a comédia dos erros tinha um roteiro de viagens imenso naquele semestre, indo para vários lugares, para vários festivais, com várias apresentações em várias cidades. Acabou que eu não fiz a qualificação naquele semestre, também não fiz no próximo, e acabei conversando com Clóvis e falando assim: "Eu acho que agora vou ter que fazer uma opção: ou me dedico integralmente a concluir o mestrado e investir nessa carreira acadêmica, ou eu vou para o outro lado e vou diretamente para a prática.
" O que estava me chamando naquela hora era a prática. Assim, Natal tinha bastante coisa acontecendo e perspectivas, enfim, perspectivas interessantes, assim, com todas aquelas pessoas que estava conhecendo, né? [Música] O ouro foi na época em que conheci Jamil Dias, Gerson Steves, Jussara Morais, pessoas que tinham uma atividade teatral muito forte, muito interessante, muito ativas naquela época.
E a gente acabou fazendo várias coisas juntos, né? Especialmente em um musical chamado "20 folhas do século", que a gente teve uma oportunidade muito interessante, assim. Eu acabei não concluindo esse mestrado, mas continuei dando aula.
E, aí, pouco tempo depois, conheci o André Ferreira, que era o dono do Teatro Augusta na época, e eu falei: "André, por que a gente não faz? " O Augusta tinha duas salas: uma sala principal e uma sala pequena chamada sala experimental. "Por que a gente não cria um polo de atores que vão produzir espetáculos especiais, especialmente para essa sala experimental, né?
A gente pode fazer um workshop, pode fazer oficinas, a gente pode fazer um corpo estável de atores e produzir, ao longo do ano, peças para esse espaço chamado sala experimental. " O André gostou da ideia, e a gente criou o Núcleo Experimental do Teatro Augusta. Foi assim que o Núcleo Experimental surgiu, como Núcleo Experimental do Teatro Augusta, há 15 anos.
A gente fez lá algumas peças, a gente fez "RJ", que é uma adaptação de "Romeu e Julieta", feita por quatro garotos, quatro atores homens que fazem todos os papéis da peça. Depois, a gente fez outra peça chamada "Mojo", de um dramaturgo britânico chamado Jazz Bateu Horns e, por fim, a gente fez, juntos, lá no Teatro Núcleo Experimental do Teatro Augusta, uma peça do Bernard Shaw chamada "Cândida". Foi lá que conheci Apple Sérgio Mastropasqua, que fazia "Cândida", que acabou depois se tornando meu sócio, e a gente migrou do Teatro Augusta para ter nosso próprio Núcleo Experimental, né?
Que é esse lugar onde estamos desde 2012, ali na Barra Funda. Uma vidente. .
. é um espaço alugado, mas é alugado; é nossa sede, é onde ensaiamos nossos espetáculos, onde temos nossa produção funcional, nosso escritório, nosso acervo de cenografia, nosso acervo de figurinos estão lá. É onde estrearemos algumas das nossas peças, não todas, porque é um teatro pequeno, né?
65 pessoas, e que tem uma característica física muito peculiar numa sala pequena, uma sala de teatro pequena. Desde que estamos lá, produzimos muito. Também realizamos nossas oficinas, nossos workshops e tudo mais.
E, desde que estamos lá, já fomos contemplados três vezes pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo, um programa muito importante para companhias de corpos teatrais estáveis, que promovem pesquisa continuada. Essa pesquisa continuada tem muito a ver com o trio, vamos dizer assim, que é, de certa forma, a alma do Núcleo Experimental: que é o Museu, a Fernanda Maia, que está comigo desde aquela época, né, promovido desde Sorocaba, juntos; e a inglesa Aranha, que se juntou a gente em 2005, no "RJ". Essa pesquisa continuada tem a ver principalmente com criar uma certa metodologia para o trabalho do ator; que é a pesquisa da Inês, que utiliza e pesquisa diferentes maneiras de incorporar a música e o canto ao teatro, que é a pesquisa da Fernanda.
A minha pesquisa é a ligação entre o texto teatral e a imagética, que, obviamente, vem do lugar da minha formação, que é a arquitetura. Então, essas três pesquisas se auto e retroalimentam entre si, né? Elas nunca aparecem sozinhas em um espetáculo.
Às vezes tem um pouco mais a mão da Fernanda, às vezes tem um pouco mais a mão da Inês, às vezes tem um pouco mais a minha mão, mas viemos trabalhando nisso juntos há quase 15 anos. E foram muitas peças: o Núcleo produziu já muitas peças; desde "RJ", "Mogi", "Cândida", a gente fez "Senhora dos Afogados", a gente fez "O Caso Acabou"; depois, uma peça que mudou de nome e, numa segunda versão, ela virou "No Coração do Mundo". A gente fez "Bichado", "Universos", "Mormaço", "Preto no Branco", "Você Poderia Me Beijar", "Original Musical ao Pé do Ouvido", "Senhor das Moscas", "Lembro Todo Dia de Você", "Eu Vou Esquecer um Monte".
Mas, enfim, eu sei exatamente como você se sente em "1984" e "Preto Esquecido". Várias. .
. sempre com essa abordagem, vamos dizer assim, né, que passa por mim. Inês e pela Fernanda.
Paralelamente a isso, eu e a gente, uma das coisas que falamos muito lá dentro do núcleo é que o nosso trabalho dentro do núcleo fica cada vez melhor toda vez que saímos do núcleo e fazemos algum trabalho fora. Fico falando dela porque, na verdade, nossas carreiras estão completamente interligadas uma na outra, né? É uma parceria de 27 anos.
E, em um ou dois anos depois que abrimos essa sede, decidimos que era hora de abrir essa sede. Foi uma época em que senti um período de certa estagnação. Assim, é curioso, né?
Porque, depois de abrir a sede, acho que o esforço para abrir essa sede e a energia que aprendemos a ter foram tão grandes, foram um período de dedicação tão intenso de trabalho. Mesmo quando falo em trabalho, não é só trabalho intelectual ou de gerenciamento, mas o trabalho braçal de colocar a mão na massa, pintar as paredes e fazer faxina. E tudo mais para abrir um espaço aqui na cidade de São Paulo.
Acho que tanto esforço empreendido. . .
E daí, produzimos várias peças num curto período para preencher a grade de horários da DTTU dessa nova sede. Eu senti que precisava fazer alguma coisa, que precisava me reinventar, me desafiar de novo de alguma forma. E aí pensei: "Puxa vida, deixei aquele mestrado pendurado.
" Nunca foi um assunto que lidei muito bem, assim. Esse mestrado que ficou pendurado no ar não é uma coisa que eu gosto de fazer, deixar essas questões inconclusas. Aí descobri esse lugar que estava com um programa aberto de mestrado em direção teatral, e era em Londres.
Fiz a entrevista e passei, passei! Aí fui morar esse período lá, e foi crucial, assim. Foi absolutamente determinante e parece que era exatamente o que eu precisava naquele momento para agradar essa lufada de ar fresco, sabe?
Nos procedimentos, na metodologia, nas referências. Tive professores incríveis lá na faculdade, e depois uma das matérias desse mestrado, uma das disciplinas, foi cursada em Moscou, lá com herdeiros do Stanislavski. Por incrível que pareça, herdeiros de segunda geração da técnica dos Stanislavski.
Tive aula com um professor que teve aula com uma aluna do Stanislavski. É isso.