10% do que você sabe, você aprendeu em curso formal; 70% se dá no ambiente de trabalho; e 20% na convivência com as pessoas. Eu acho que muitas escolas têm trabalhado na dimensão de que é preciso fazer uma maior aproximação entre o estudo formal dentro das faculdades — e eu estou falando de uma escola de negócios — junto com a questão da prática. Essa parte do aprendizado contínuo, a gente compreende que o ambiente da organização ele também é um ambiente de capacitação e aprendizagem. Eu acho que a gente tem uma mudança hoje dentro das organizações, que
é: como é que você faz para poder construir uma carreira? Quais são as competências que você precisa ter? [Música] Olá! Muito bem-vindos a mais um vodcast, Dois Pontos, aqui no Estadão, um espaço onde você sabe que toda quarta-feira a gente traz um episódio novo com temas super relevantes para o nosso dia a dia, sempre também com dois convidados, que não precisam ter pontos de vista Antagônicos, mas que podem ser complementares, pois o importante é ajudar a gente a ouvir, discutir e, assim, ajudar você a formar seu próprio ponto de vista. Antes de começar a introdução
do nosso tema de hoje, já aproveito para pedir: acione o sininho para receber a notificação quando tivermos um programa novo. Ao longo do programa, curta, aproveite esse link e compartilhe com as pessoas para levar essa discussão, esse debate, esse conhecimento para um número maior de pessoas. E claro, assistindo aqui ao vodcast Dois Pontos do Estadão, você tem a opção de assinar o Estadão com desconto para ter um conteúdo exclusivo diariamente. Então, clique no nosso QR Code ou no link que está na descrição, e você terá esse desconto para a assinatura do Estadão. Nosso tema de
hoje é o aprendizado contínuo. Segundo especialistas, o conceito de lifelong learning veio para ficar, e a educação a distância tem contribuído para que os brasileiros sigam aprendendo e se aperfeiçoando com mais rapidez e facilidade. Esse lifelong learning, que numa tradução livre significa “aprendizado ao longo Da vida”, é a ideia de nunca parar de estudar. O conceito em si é antigo; nos anos 1960, o Conselho da Europa já propunha a educação permanente para atender às demandas da sociedade da época. O termo começou a ser mais difundido, com mais expressividade. Em 2010, com a publicação de um
relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI da Unesco. Mas a questão é: que tipo de aprendizado é este? Uma curiosidade: Bill Gates, isso mesmo, Bill Gates, é um adepto desta prática. Será que podemos tratar isso até como uma filosofia de vida? Enfim, é um entendimento, um estilo que você adota, mas que também vem crescendo. Bill Gates é um adepto deste aprendizado contínuo. O que será que ele faz? Vamos trazer isso aqui para vocês também. Um relatório publicado pelo Fórum Econômico Mundial apresenta as perspectivas para o mundo do trabalho até 2025, e esse
material mostra, olha só, que a lacuna entre as aptidões exigidas pelo mercado de trabalho e as habilidades daqueles que buscam emprego tem sido um problema e continuará sendo um ponto de atenção nos próximos anos. Ou seja, é necessário que cada pessoa aprenda Um pouco mais; o aprendizado contínuo será necessário para todas as profissões? Vamos começar a falar sobre este assunto com a jornalista que sempre nos ajuda aqui, uma jornalista do Estadão especializada neste setor. Quem está conosco hoje é a Jayanne Rodrigues, repórter de carreiras. Jayanne, muito bem-vinda mais uma vez aqui para falar de carreiras!
Obrigada. Nossas convidadas de hoje são a Maria José Tonelli, professora do Departamento de Administração Geral e Recursos Humanos da FGV. Maria José, muito bem-vinda, e muito obrigada por participar conosco. Obrigada, um prazer estar aqui. Nossa outra convidada é a Luciana Faluba, professora e diretora de Desenvolvimento e Professores na Fundação Dom Cabral. Muito bem-vinda também, Luciana. Obrigada, obrigada pelo convite, é um prazer estar aqui com vocês. A primeira pergunta é justamente sobre essa abordagem que fiz na abertura: que tipo de aprendizado é este? Porque, assim, São muitas profissões. É o mesmo aprendizado para cada profissão? Pode
ser o mesmo aprendizado para profissões diferentes? Que tipo de aprendizado é este, o aprendizado contínuo? Eu acho que, nesse tema do aprendizado contínuo, a primeira coisa que a gente precisa fazer é desconstruir duas premissas que são comumente instaladas. A primeira é que a gente vai estudar na escola, vai acabar o estudo e, depois, trabalhar. Então, eu acho que é um pouco sobre isso: a carreira do indivíduo evolui, a empresa também evolui e muda de estratégia. Não é aquele estudo inicial, essa noção de que “eu vou estudar e ali já me formei, estou pronta para o
que der e vier para frente”. Então, acho que isso não faz diferença de carreira ou de profissão, especialidade: isso é um jeito de pensar, né? Um jeito de pensar que eu preciso continuar me formando porque os desafios vão mudando ao longo do tempo. Então, eu pensaria nisso. E aí, eu insisto também com a Maria José, porque, mesmo que eu continue estudando, e depois eu quero saber também se isso vale para todas as profissões ou se há algumas em que realmente não se aplica, Considerando essas carreiras que seguem essa linha de aprendizado contínuo, quais são esses
cursos? Que tipo de curso? Essa é a pergunta de um milhão de dólares, né? Porque eu acho que essa discussão sobre o mercado da educação, e eu acho que teríamos que separar ai um pouco essa questão, são vários mercados de educação, e quando a gente tá falando de empregabilidade, bom o que que a gente ta formando no ensino médio, o que que a gente ta formando nas faculdades, e eu acho que esse tema é uma questão que no Brasil merece recortes especiais, porque tem a ver com a nossa trajetória educacional, que é muito acadêmica. Por
exemplo, na Alemanha, já há uma divisão no ensino médio, onde as pessoas decidem se vão para um trabalho mais técnico e se preparam para isso ou se vão para um trabalho mais intelectual, indo para a faculdade e seguindo carreiras específicas, como profissões liberais. No Brasil, nosso ensino prepara de uma maneira abrangente. Estou falando desde o que as crianças e os jovens fazem até o ensino médio. Quando chegamos à faculdade, há outra questão importante, porque todo mundo vai Para a faculdade, mas nem sempre trabalham com o que aprenderam lá. Fazer faculdade no Brasil traz um acréscimo
no salário, pois a pessoa ganha legitimidade no mercado de trabalho. Então, acho que essa sua pergunta é abrangente e que precisaríamos fazer vários recortes. Essa é uma primeira fala; não sei se estou me estendendo aqui, Luciana, Roseann. É importante fazermos esses recortes todos. Estou aqui fazendo alguns recortes, né? Outra coisa que podemos discutir é o que significa aprender, o que é aprendizagem. Essa é uma outra questão importante que temos que problematizar: o que é aprendizagem? Há pouco estávamos conversando sobre o que é informação, e hoje a informação está disseminada, está nas mídias; todo mundo entende
de tudo. Então, qual é a informação de qualidade? Além disso, há a questão de que conhecimento não é informação, e, como diz um poema bonito, conhecimento não é sabedoria. As pessoas podem ter informação e conhecimento, mas não necessariamente sabedoria ou conhecimento de vida. Acho que alguns de nossos avós e pais tinham uma sabedoria de vida para enfrentar os desafios. Para resumir e encurtar essa minha fala comprida, acho que podemos aprender a vida toda, mas uma vida não é suficiente para tudo que podemos aprender e ver neste mundo. Dito isso, acho que precisamos fazer os recortes
que continuaremos conversando aqui. Não quero monopolizar a conversa. Esse era exatamente o meu segundo ponto: falei de duas premissas que precisamos quebrar. Foi bom porque a primeira era essa: entender que não nos formamos e ficamos prontos, sem necessidade de continuar aprendendo. A segunda é compreender que a aprendizagem envolve essas questões, mas que ela não ocorre somente no contexto formal da universidade; ela também acontece no contexto do trabalho, no contexto da conversa, que foi a discussão que a Maria José trouxe. Então, essas duas premissas eu acho que são importantes a gente trabalhar com ela quando vai
falar de aprendizagem ao longo da vida. Perfeito! Vou pegar exatamente esse ponto que você comentou, Luciana, sobre a questão do contexto do trabalho. Hoje, vamos pensar nas pessoas que estão na graduação. Elas estão ali em uma grade Curricular, digamos, até um pouco defasada em muitas instituições brasileiras, porque a gente sabe que, para atualizar uma grade curricular, o processo é muito burocrático. Mas essas pessoas saem da graduação direto para a selva, e, quando chegam no mercado de trabalho, entendem: ‘Bom, eu achava que as habilidades técnicas eram suficientes, mas pelo jeito não são.’ E aí, pensando nesse
contexto de trabalho, como é que as empresas estão se preparando para capacitar, qualificar e manter atualizados esses profissionais que estão chegando no mercado de trabalho? Com esse recorte de quem está chegando, quem já está no mercado de trabalho já está passando por outro desafio, que é se atualizar a todo momento, principalmente quando pensamos nas novas tecnologias e no crescimento da economia verde, que também vai forçar uma demanda maior, não só nas empresas, mas também de forma individual dos profissionais. Então, minha pergunta é: como é que as empresas estão se preparando para qualificar esses profissionais internamente?
A pergunta é tão boa que todo Mundo quer responder, né? Mas eu vou dar uma primeira resposta, e depois a Maria José complementa. Eu penso assim: exatamente o que eu falei, essa parte do aprendizado contínuo, a gente compreende que o ambiente da organização também é um ambiente de capacitação e aprendizagem. Quando a gente for olhar, por exemplo, já entrando um pouco mais no conceito de lifelong learning, do aprendizado ao longo da vida, eles falam que são quatro pilares da aprendizagem. O primeiro é ‘aprender a aprender’, que a gente mencionou aqui. O segundo é ‘aprender a
fazer’, que é quando eu pego o conhecimento e vou aplicá-lo. Isso é um pouco aquela coisa de ‘acabei de me formar e vou para a empresa aplicar essa aprendizagem’. Tem teorias que falam dos 70-20-10, né? Que você tem só 10% do que você sabe aprendido em curso formal, 70% no ambiente de trabalho, e 20% na convivência com as pessoas. E a convivência é exatamente o terceiro pilar. Eu vou te interromper, Luciana, porque eu vou pedir para você reforçar esses percentuais, porque choca, né? Vamos lá, repete. A gente vai destrinchando esses quatro Pontos, mas volta aí
nesses percentuais. É 10% na educação formal, 70% na aplicação, no on-the-job training, né? Então, é na aprendizagem no fazer, no trabalho do dia a dia, e 20% é na convivência, na troca com as pessoas. Isso vai um pouco naquele ponto que eu estava justamente discutindo, que a professora Maria José também falou, que é sobre onde se dá a aprendizagem. Vamos desconstruir essa premissa de que a aprendizagem se dá somente no contexto formal. Ela se dá lá também, mas a gente também tem outros contextos capacitantes onde a aprendizagem ocorre. Se eu puder trazer dois pontos nessa
questão: um deles é que, de fato, muitas grades curriculares estão desatualizadas, e é muito difícil atualizá-las porque são processos internos da escola, etc. Mas acho que muitas escolas têm trabalhado na dimensão de que é preciso fazer uma maior aproximação entre o estudo formal dentro das faculdades — estou falando de uma escola de negócios — e a prática. Então, essa é uma medida que cada vez mais está direcionando o ensino, vamos dizer assim. Agora, o outro ponto que queria trazer é que, Em todos esses processos de aprendizagem, Jayanne, você trabalha com isso, conhece bem, no mundo
do trabalho, a gente diz assim: ‘Contrata pelo técnico, demite pelo comportamental’. Então, tem uma questão que acho que está cada vez mais sendo um ponto de atenção dentro das empresas e dentro das escolas, o desenvolvimento socioemocional é uma questão extremamente importante. Não basta ter a competência técnica, mesmo aprendendo on the job durante o trabalho; é necessário saber se relacionar, trabalhar em equipe. Então, há várias questões que surgem. Vou deixar para depois a questão da tecnologia, pois acho que aí entra a necessidade de aprender a trabalhar com as máquinas. Esse é outro aspecto que vale a
pena levantar aqui. Os dois pontos vamos explorar mais, mas vou voltar ao que você falou sobre os quatro pontos. Você mencionou ‘aprender a aprender’, que também é conhecido como ‘aprender a conhecer’, e ‘aprender a fazer’. Estou pegando uma cola aqui na produção que a Jayanne me mandou. Há também o ‘aprender a conviver’, onde entra o ‘aprender a ser’. Vamos juntos, então. Acho que é interessante isso, porque o ‘aprender a ser’ tem a ver com autoconhecimento. Autoconhecimento está dentro do que chamamos de aprendizagem socioemocional. Existem vários pilares dentro daquilo que é a aprendizagem socioemocional. Essa é
a questão do ‘aprender a ser’, de poder aprender a me conhecer. Agora, acho que temos que tomar muito cuidado, porque isso também está muito na moda, e nem sempre a moda vai dizer exatamente o que é esse ‘aprender a ser’, né? Luciana, não sei se você compartilha dessa opinião, mas há muitos modismos. Porém, de fato, dentro do que chamamos de desenvolvimento socioemocional, você tem que se conhecer, aprender a conviver, aprender a se relacionar, aprender a ter empatia, a reunir diferentes pontos de vista — o que, no mundo de hoje, também não é uma tarefa fácil.
Só para fazer uma provocação, já que focamos agora no ‘aprender a ser’, tenho aqui como "aprendizado contínuo o desenvolvimento pessoal e a curiosidade constante". Minha provocação vem do seguinte: quando você diz ‘aprender a ser’, não existe um risco de, em algum momento, a pessoa pensar ‘Ah, Então eu tenho que ser quem eu sou, ponto, sou eu, o rei do pedaço’? Existe distorção nessa leitura e o risco disso? Porque eu imagino que ‘aprender a ser’ não seja isso, obviamente. Eu acho que, hoje, especialmente no mundo da liderança, há um debate sobre ser autêntico, né? E eu
concordo com você que temos que tomar muito cuidado com essa questão da autenticidade, porque há uma diferença entre se expressar e se colocar de uma maneira cordial, responsável, respeitando o outro, e falar o que lhe vem à cabeça, vamos dizer assim. Então, tem que haver algum filtro, né? Eu acho que é exatamente isso que nos move enquanto sociedade: o que faço, o que não faço. E acho que esse filtro faz parte desse ‘aprender a ser’. O ‘aprender a ser’ tem a ver com reconhecer esse tipo de comportamento e que preciso aprender. Quando estou aprendendo, pensando
nesse mindset, eu entendo que nunca estou pronto, nunca aprendemos tudo. Quando conseguimos instalar esse mindset, esse modelo mental na nossa cabeça, começamos a ver que, nessa condição de eterno aprendiz, como já dizia o Gonzaguinha, Temos um lugar. ‘Eu sou quem eu sou’ começa a ser relativizado, porque, para fazer uma afirmação, você tem que reconhecer que não sabe tudo. Acho que o ‘aprender a ser’ passa por reconhecer também as suas limitações. Exatamente. E não é um processo fácil, imagine uma liderança que se acostumou por 30 anos com um estilo de liderança de comando e controle, e
em um dado momento ela entende que precisa reaprender a liderar, a conversar com as pessoas, a gerenciar os conflitos no ambiente de trabalho. Isso faz parte exatamente do aprendizado contínuo, ela reaprende ali do zero e, enfim, entende que está tudo bem recomeçar de algum lugar, né? Porque ainda existem, infelizmente, muitas lideranças que entendem que o jeito certo de liderar é comando e controle. Então, existe ali uma resistência à mudança, e o aprendizado contínuo vem muito também para furar essa bolha e te tirar da zona de conforto. Também há a própria parte do colaborador. Às vezes,
você tem aquela situação em que o colaborador quer ser mandado, não tem uma Atitude proativa, e também precisa se reconhecer nessa condição e entender que tem essa autonomia. Há estilos de liderança, não há nem boa nem ruim, mas vai ter um estilo de liderança e de colaborador que gosta de ter mais autonomia ou que prefere realmente ter um acompanhamento lado a lado. Por isso, é importante que a pessoa que está chegando no mercado de trabalho esteja com o aprendizado contínuo na ponta da língua. Assim, será mais fácil para os dois conviverem no mesmo espaço. Até
vocês podem comentar um pouco mais sobre isso. Luciana estava ali levantando o dedinho. É aquilo que eu estava falando no início: o contexto muda, e você precisa aprender, mudam as demandas, novos repertórios, novas ferramentas. E agora, com a inteligência artificial? A conversa subiu de nível, né? E aí você vai ter que desenvolver outras habilidades. Eu acho que, na sociedade em que estamos vivendo atualmente, tem muitas mudanças. Começa com a questão da inteligência artificial, que acho que estamos em um momento de virada, né? Um momento de virada que ainda não sabemos Exatamente o que está por
vir. Mas temos, de maneira imediata e na nossa cara, a questão da crise climática. Como é que as empresas estão lidando com isso? Estava acompanhando hoje pela manhã o noticiário falando de algumas empresas no Rio Grande do Sul. Como é que você faz? Como é que lida? Como é que reorganiza a produção? Então, você tem que reaprender; é um imperativo que a sociedade coloca para você. Não é nem uma questão de querer ou não, é um imperativo. Esse exemplo é uma situação extrema, que fica clara. Agora, a gente lida com isso dentro da empresa em
dimensões menores. Deixa eu voltar aqui nesses pontos. A Jayanne me mandou um material, estamos aqui misturando um monte de conversa, e é isso porque é um tema muito amplo, né? E ele não se esgota, que fique muito claro aqui, tá gente? Não se esgota. Aproveite e já vai colocando as dúvidas aí, escrevendo no chat para a gente, porque mesmo o programa não sendo ao vivo, a gente olha depois o que vocês escrevem, pega sugestões para próximas pautas, vê o que vocês realmente estão querendo saber. Então, é super útil. Aproveita e vai curtindo, Compartilhando também o
nosso link. Isso ajuda muito para o YouTube entender que é um conteúdo de relevância e levar para um número ainda maior de pessoas. Então, já curta, acione o sininho, enfim. Vamos voltar aqui ao ponto a ponto. Eu gostei tanto desse ponto a ponto porque ele ajuda mesmo a ir destrinchando e tocando os outros assuntos. Vou pegar a listinha que estava aqui para mim. Esse ‘aprender a conhecer’ ou ‘aprender a aprender’ é até um material que é do Sebrae, que é bem curioso. Ele fala assim: "aprender a conhecer- participação em jogos, atualização constante, viajar, atividades de
práticas científicas". Vamos lá, é muita opção. Eu já trabalhei em uma empresa, por exemplo, onde a gente tinha que fazer o nosso plano anual de carreira e apresentar para os gestores. Eles colocavam nesse material de plano do ano sugestões de filmes, de livros, e isso era muito legal. A gente marcava, e no outro ano dizia se tinha lido, o que tinha aprendido, e isso gerava todo um debate entre a gente, né? Quem tinha lido o que, era muito curioso, né? Porque eu acho que as empresas também passam pelo processo de aprendizagem contínua, Não tem como.
A gente estava abordando isso antes, mas vamos lá. Em termos de eu, trabalhadora, eu, cidadã, participação em jogos, atualização constante, viajar. Viajar! Adorei essa parte do aprendizado. Eu gostei muito de viajar, mas olha o quanto a gente aprende numa viagem, não é? Então, falem mais um pouquinho vocês duas, porque você começou desconstruindo a ideia de que aprendizado não é só estar numa sala de aula, sentada numa cadeira e com um livro na mão. Isso volta também para a indagação: quais são esses outros aprendizados e como acessá-los? Posso fazer aqui um comentário? Assim, na hora em
que você estava falando, fiquei pensando, por exemplo, na aprendizagem de ser mãe. Eu pensei a mesma coisa, ia dar esse exemplo. É mesmo? Vai que é sua! Olha só, então… Eu estava pensando porque, assim, na tarefa de ser mãe... Alguma mãe entrou numa educação formal para ser mãe? Não! Vamos combinar, não veio manual, né? Não veio. A gente aprende, né? E você pode ser um Pai-mãe também, né? Acho que a gente tem que desconstruir a ideia de que necessariamente é a mãe. Mas a educação, o cuidado das crianças, o trabalho do cuidado, como a gente
diz, né? E esse trabalho com as crianças… Você tem que fazer negociações o tempo todo. Há uma série de competências que vêm com essa tarefa, e que algumas mães e alguns pais adquirem, mas que muitas vezes você não consegue colocar no seu CV, né? Nós estávamos conversando sobre ter filhos, e eu tenho três filhos. Bom, e você tem uma aprendizagem, não é? Na hora em que você tem que cuidar de três crianças, não tem como. Só que você não tem como incluir isso, né? Estou trazendo essa questão porque muitas vezes essa tarefa é desconsiderada, a
tarefa do cuidado, como uma tarefa que traz muito aprendizado, né? Você ia falar também isso? Era, eu ia usar o mesmo exemplo, né? Olha como a gente está em sintonia. Mas pensei a mesma coisa: a gente não vai numa… Você até vê um repertório mais formal de um livro, de alguma coisa. Eu também tenho três filhos. A gente vai ali aprendendo também como cuidar. E falando primeiro Desse lugar, eu acho que, óbvio, os filhos ensinam muito para a gente, sem dúvida. Agora, o que hoje eu reflito bastante sobre essa tarefa é a linha daquele contexto
que muda: quando é bebê, você tem um repertório e um arsenal de ferramentas. Na medida em que eles vão evoluindo na idade, você também precisa ter outros repertórios. Então, educação continuada também para a tarefa do desenvolvimento dos filhos, né? E onde a gente tem esse aprendizado, quando a gente fala fora do, né? Você conversa, você vê, você sente ali na prática. Agora, trazendo para um aspecto mais formal, eu acho que uma das questões que o Fórum Mundial traz, e eu já vi isso em outras listas também, né? Quando se fala na questão do pensamento científico,
é a capacidade de aprender a pensar, né? Acho que essa é uma questão extremamente importante: a capacidade de ter raciocínio lógico, a capacidade de ler e interpretar um texto, a capacidade de ter uma leitura crítica do texto que você está lendo. Então, se a gente vai para uma lista mais formal do que várias instituições trazem, essas são questões formais, né? Por exemplo, nós falamos aqui de aprendizagem Socioemocional, mas tem um letramento também do ponto de vista financeiro que as crianças precisam ter desde pequenas. Também é uma questão fundamental. Então, há vários letramentos que acho que
são necessários do ponto de vista formal: aprender a pensar, aprender a refletir criticamente sobre aquilo que vê, ainda mais hoje, quando a gente fala desse conhecimento todo que está espalhado às vezes por mídias sociais, sem muita substância, sem buscar um aprofundamento. Essa capacidade de discernir a informação é fundamental, nesse ponto do aprender a aprender. Mas um alerta à picaretagem. Vamos e convenhamos: imagino que tenha muita picaretagem também pelo meio. Nesse ponto do aprender a aprender, para mim, esse é o ponto mais crítico que a professora Maria José trouxe: exatamente você entender que precisa buscar fontes,
entender de onde veio aquilo. Então, isso tudo, fora todos os outros itens que a professora elencou, é fundamental no aprender a aprender. Só complementando o que eu falei no abre, aí você trouxe agora esse ponto. O Bill Gates, que eu Falei… O que será que o Bill Gates faz em relação a esse aprendizado contínuo? Ele estabeleceu, desde muito jovem, a semana de leitura, na qual se isolava, né? Lá, acho que era na casa da avó, e fazia a semana de leitura. Depois, ele adotou isso como realmente a ‘semana do pensamento’. Ele usa essa expressão como
‘semana do pensamento’ e colocou os executivos também para fazerem, ao longo do ano, uma semana do pensamento: desligue-se de tudo, de todos os problemas, vá ler. E aí me lembrou de um outro curso, eu até fiz um módulo de um curso desse para executivos no INSEAD, que é de literatura para executivos. Vai ler clássicos: clássicos da literatura russa, clássicos da literatura inglesa. Então, realmente, sai completamente… Porque eu queria que vocês abordassem isso, mas eu passo antes a pergunta para a Jay também, com certeza ela vai ter alguma outra coisa para engatar aí. Mas eu quero
que vocês abordem isso depois, porque às vezes a gente pensa de forma mais ampla: ‘Ah, o engenheiro, megaespecialista, então esse engenheiro vai estudar cada vez mais, vai fazer um curso no exterior, ou vai pegar outra Técnica de engenharia’. Isso é um aprendizado contínuo também, mas não é só isso, é muito mais. Vou apenas complementar ainda sobre esse assunto que você pontuou, para vocês comentarem também. Existe teatro para executivos, então são vários cursos formais e não formais que ajudam nessa absorção de conhecimento que não necessariamente é daquela área específica em que o profissional atua. Então, queria
que comentassem também esses cursos, digamos assim, não tradicionais, não convencionais, que as pessoas às vezes ignoram por não terem o entendimento do quanto aquilo é importante para a profissão e para a vida pessoal também. E de que forma isso agrega de fato, porque às vezes a pessoa está ali com um tempo tão corrido, trabalhando, e vai pensar assim: ‘Vamos lá, vou voltar para o engenheiro, que a gente pensa numa coisa mais cartesiana, mais formal, muito técnica. Vamos pensar nessas disciplinas ou nessas carreiras que são mais… Vamos até tomar um tom mais árido, vamos pensar assim,
não humanas.’ Aí, imagina a pessoa está ali numa carreira, sei lá, gente, no mercado financeiro, Uma carreira que está consumindo 12 horas de trabalho por dia. A pessoa pensa: ‘Ai, mas eu vou fazer um curso de literatura, para quê? Isso vai me agregar o quê? Ah, eu vou fazer teatro, para quê? Vai agregar o quê?’ Eu imagino que isso passa na cabeça de muita gente. Então, acho que é muito importante mesmo vocês trazerem isso e explicarem por que e em quais situações. Porque também não necessariamente o teatro vai ser necessário para todo mundo, literatura não
será necessária para todo mundo. Então, explica para a gente isso, porque é muita informação, gente. Bom, eu… Você quer começar, Luciana? Fique à vontade. Eu vou então, para uma resposta mais técnica, que foi o que me passou. Tem um pesquisador, o Bloom, que construiu um modelo chamado, muito famoso, de Taxonomia de Bloom, em que ele hierarquizou os níveis do domínio cognitivo. Mais ou menos ele falou assim: ‘Por onde passa a aprendizagem?’ Então, assim, quando você pega um tema totalmente desconhecido, primeiro você vai conhecer aquele tema. Depois, você vai compreender. Então, ele vai aumentando a complexidade.
Depois, você vai tentar Aplicar. Uma vez que você já conhece e compreende, você aplica. Depois, você vai fazer análise, síntese, até chegar no domínio maior, que é ter condições de avaliar, refletir, criticar. Então, quando eu olho para esse tema e vejo muito do que a gente trabalha, eu penso assim: a gente tem que entender em qual nível do domínio cognitivo a gente está? Porque, se a gente está nos níveis iniciais, ali do conhecer e compreender, eu tenho dúvida se essa abordagem mais ampla é mais útil ou pode prejudicar. Eu diria que, na medida em que
a gente vai aprofundando o conhecimento, ganhando mais repertório, isso ajuda demais. Fazendo uma analogia dentro da organização, eu penso que quem está no início de carreira, numa carreira mais técnica, talvez precise ainda de muito conhecimento técnico. Óbvio que esses outros conhecimentos ajudam. Agora, quando eu penso num executivo, porque aí o nível da complexidade dos problemas que ele precisa lidar exige repertórios alternativos, já que é muito complexo. Acho que essa questão que você está trazendo, Luciana, faz todo sentido para mim também. E aí, quando a gente está falando, eu acho que a nossa Experiência, nós duas
aqui, acho que estamos em escolas de negócios que trabalham com executivos, então talvez valesse a pena ouvir a experiência de pessoas ligadas a outros momentos. Eu até faço parte, por exemplo, de um conselho do Instituto Reciclar, onde a gente tem educação para jovens do ensino médio. Mas posso falar que a educação socioemocional tem sido uma questão importante, assim como questões técnicas, que como você trouxe, fazem as duas coisas. Mas, voltando para a pergunta sobre essas coisas mais alternativas, eu coordeno programas de liderança para executivos, e o que eu digo é que, se você quer entender
mesmo de liderança, tem que ler Shakespeare. Ele traz, séculos atrás, inúmeras questões que se repetem e que se mantêm até hoje. Então, eu acho que sim, alguns programas alternativos são fundamentais. Conheço pessoas que trabalham com teatro e liderança, e isso também faz todo o sentido. Então, acho que tudo isso tem relevância. Depende também do momento e de como a pessoa vai absorver. Tem pessoas que são refratárias. Agora, eu tenho visto também o que você trouxe, Roseann, sobre clubes de leitura Dentro de muitas empresas. Esses clubes de leitura com certeza são muito interessantes, porque a gente
nunca perde por ler. Você exercita uma competência de análise, pensamento crítico, de ver outras perspectivas e conversar com as pessoas, como a gente está conversando aqui. Então, tudo isso entra num aprendizado não formal, mas que com certeza contribui. Aumentar repertórios e a capacidade de pensar diferente, de ver outras possibilidades e perspectivas, ajuda na sua capacidade de resolver problemas. Agora, acho importante fazer uma diferenciação aqui sobre conteúdos diversos e abordagens de ensino diversas. Por exemplo, o caso do teatro: você pode usar o teatro dentro de um repertório técnico que funciona super bem. Acho que a gente
tem que fazer essa diferenciação. Eu vou buscar um repertório em Shakespeare, que às vezes não é tão naturalmente afeito àquela abordagem anterior que eu estava dizendo. Mas você tem metodologias também de ensino, que são um leque para lançar mão. Eu sou super a favor de todas as abordagens em todos os níveis. Me vieram duas coisas agora em mente. Estou até Sem saber por onde começo. O tema vai trazendo esses insights. Uma coisa veio completamente aleatória: isso faz parte também desse aprendizado contínuo ou não? É uma dúvida muito real que surgiu agora para mim. Eu imagino,
vamos pensar em uma pessoa numa carreira de executivo, trabalhando 15 horas por dia, sei lá quanto tempo, enfim, mas com a cabeça a mil. E a pessoa, simplesmente, para, e faz um curso que não tem nada a ver com a área dela, vai fazer um curso de gastronomia, por exemplo, isso eu posso entender como um aprendizado contínuo para ele também. Por que me veio isso em mente? Porque eu pensei assim: justamente por sair totalmente da área. Não é um curso que vai direcionar, por exemplo, você a entender as lições de líderes, ou você vai ver
o teatro e de repente aprender oratória, se desinibir, ter uma presença de palco. Quer dizer, tem formas de trabalhar tecnicamente, como você ressaltou. Mas aí, digamos que não tem nada a ver com a área da pessoa. Gastronomia vai ali simplesmente para dizer assim: ‘Vou desligar o cérebro neste momento, vou focar em outra coisa que vai Me desligar completamente do trabalho.’ Como é que isso, nesse sentido do aprendizado contínuo, também poderia entrar? Se sim, de que forma? Então, acho que assim, eu entendo que dentro desse mundo que nós estamos falando aqui, é das pessoas que estão
dentro das empresas em tarefas executivas e tudo mais, eu chamo isso de espaços de respiro. Ou, como você disse, o Bill Gates chama de espaço de pensamento. Porque você precisa de momentos onde você dá espaço, dá liberdade, dá tempo para o seu pensamento fluir. Não é? Eu costumo dizer assim: em que momento a gente tem boas ideias? Em que momento a gente tem… Assim, muitas vezes quando você está andando, outras vezes quando você está tomando banho, outras vezes quando você está correndo ou dirigindo no trânsito, são espaços em que o seu pensamento acaba ficando um
pouco mais livre para você poder gerar novas ideias. Então, quando você fala de uma coisa que aparentemente não tem nada a ver, eu chamaria isso como um espaço de respiro, um espaço que permite se abrir para outros repertórios. É outra forma de pensar. Gastronomia, com certeza, tem ali… Aliás, Gastronomia às vezes é usada em cursos de executivos também como alguma coisa que ajuda a pensar tecnicamente processos de grupos. Mas eu acho que sim, eu acho que a gente tem que… Quando você também comentou, assim, de viajar, a hora que você está viajando, você está olhando
outras culturas, outras formas de ver a realidade. Então, acho que tudo isso entra dentro desse… O que eu acho que antigamente talvez a gente tivesse uma ideia de que formou, estava tudo pronto. Mas eu acho que um bom profissional sempre teve isso: que ele precisa continuar aprendendo. Eu conheço muitos médicos, e a gente tem exemplos disso, com 80, 90 anos ganhando prêmios. São pessoas que se mantiveram dentro dessa ideia de um aprendizado contínuo. Então, acho que é muito importante. Sem dúvida, esses espaços de respiro. Acho que são ferramentas também que ajudam a ter um distanciamento
para poder fazer a reflexão, exatamente como a professora falou. Agora, vou acrescentar o que você falou no finalzinho da sua fala, que era o que eu estava pensando: hoje, a longevidade da carreira profissional. Agora se discute muito uma terceira carreira, Uma quarta carreira, uma transição. Então, eventualmente, até esses aprendizados aparentemente inocentes ou de respiro podem, no futuro, se converter numa terceira, quarta carreira, numa outra profissão, nessa transição que os executivos vão fazendo mais para frente. Eu falei que eram dois pontos que me deram ali… Eu falei: ‘Não sei nem por qual dos dois eu começo.’
O outro também foi de uma fala sua, quando você fala dos estágios de Bloom, do aprendizado ali da pessoa, em que estágio ela está do conhecimento, e que talvez fosse mais propício, mais aberto para esse tipo de conhecimento mais amplo quando estivesse num nível mais elevado. Mas aí me vem, por exemplo, a ideia de se eu tenho uma pessoa que acaba de sair da faculdade, por exemplo, já está numa pós que seja, mas é uma pessoa com… A gente vai ter pessoas com as mais diferentes características, mas assim, uma pessoa, vamos lá, mais difícil do
convívio. E aí, não necessariamente ela aprendeu a… Qual era o que aprender a ser, então também não estaria nesse processo. Então, de que forma pode-se colocar esse aprendizado contínuo de temas mais amplos desde O início, enquanto não está nessa trajetória colocada por Bloom? Mas que a pessoa já vá, de alguma forma, absorvendo e criando essa cultura do aprendizado contínuo. Talvez o que esteja em falta seja um GAP na aprendizagem socioemocional que a professora Maria José já trouxe aqui. Então, talvez o que podemos fazer é adotar abordagens pedagógicas diferenciadas para tentar capturar ou começar a instalar
essa reflexão na pessoa. Mas quando a gente fala de Bloom, estamos falando sobre um tema específico. Você vai naquele tema, então talvez, nesse tema, você possa usar repertórios diversos, claro. Às vezes, é até importante para a pessoa conseguir também se reconhecer e reconhecer esse GAP, que às vezes não é muito claro. Então, você usa abordagens distintas e pode usar, mas para mim isso estaria na linha do GAP do comportamental, que eu diria hoje ser um desafio gigante. Aliás, vou deixar mais um tema, que a conversa vai saindo e surgindo. Acho que a gente tem que
fazer um programa só sobre desafios do líder. Tem que ser um específico sobre desafios do líder, porque vocês vão falando e eu vou Pensando em outra coisa. Vamos lá, posso estar com uma ideia equivocada, me corrijam por favor, mas o meu papel aqui é jogar as coisas da forma que vêm. Eu acho que, da forma que a conversa surge na sociedade de uma forma geral, é meio difícil. As pessoas que a gente diz serem mais difíceis, em geral, são pessoas que não se entendem ou se veem como mais difíceis, e é papel do líder, do
educador também, né? Um dos muitos, né? Então, assim, esse aprendizado, não sei se estou com uma visão equivocada, mas às vezes me dá essa sensação de que pessoas que são um pouco mais difíceis no trato nem sempre veem isso. O que talvez, se vissem, já melhorariam. Não estou falando isso como uma crítica, mas apenas como uma percepção que eu tenho, porque, para elas, isso também traz sofrimento. Isso traz sofrimento para quem está nesse processo de desenvolvimento, que fique bem claro. Sem dúvida, e a gente tem pessoas de início, vamos dizer assim, de carreira, e pessoas
já com estrada. Em função exatamente dessa mudança do ambiente e da evolução da carreira, precisam se reposicionar e eu diria que é mais difícil ainda. Eu acho que há algumas hipóteses, vamos dizer assim, alguns caminhos para pensar sobre isso que você está trazendo. Se essa pessoa já está dentro de um espaço organizacional e tem uma liderança que está atenta para essa questão e ela tem uma ótima competência técnica, então é alguém que, de fato, não queremos perder porque é muito importante na equipe. Eu acho que é possível fazer um trabalho, e hoje você tem várias
ferramentas que, inclusive, são utilizadas dentro das empresas para isso. Ela também tem que estar atenta para, vamos dizer assim, ter um pouco dessa autopercepção, estar aberta para poder… Eu já trabalhei muito em programas de desenvolvimento de executivos, e uma vez, só para contar uma história, estávamos fazendo um exercício de feedback, que é algo bastante comum dentro das empresas. Assim, faz anos que se trabalha essa questão e continua sendo uma questão. E essa pessoa, durante o trabalho, disse assim: ‘Ah, engraçado porque eu recebi esse comentário agora, e a minha mulher diz exatamente a mesma coisa.’ E
aí eu brinquei e falei assim: ‘Bom, talvez seja o caso de você ouvir sua mulher.’ Mas estou Brincando aqui, não é uma questão. Mas o quanto você também tem técnicas para poder fazer isso? Como é que você chega para dar esse feedback para essa pessoa? Como é esse ambiente? Você tem uma cultura em que isso favorece esse tipo de abordagem e de conversação agora. Eu acho que é possível estar… assim, acho que dentro de cuidados, tem técnicas para isso, né? E é uma via de mão dupla, né? Porque a gente percebe que, pelo que você
disse, Maria José, é uma habilidade da empresa oferecer treinamentos e implantar na cultura organizacional uma forma de atualizar e manter esse líder capacitado para lidar com esses diferentes estilos de pessoas, seja em uma equipe pequena, média ou grande. Do outro lado, está a iniciativa da pessoa, que precisa desenvolver a sua própria carreira. A carreira não é da empresa; a carreira é dela, e ela vai levar para outro emprego, outra área, outro campo de atuação. Então, acho que é uma via de mão dupla, né? Quando a gente fala de aprendizado contínuo, essa é a responsabilidade da
empresa e a iniciativa do indivíduo. Aí, acho que pode resolver esse problema que a Roseann Comentou, né? A falta de autoconhecimento e de enxergar: ‘Sou uma pessoa difícil e essas são as ferramentas que eu tenho disponíveis na minha empresa para conseguir lidar.’ Estou até imaginando que já deve ter comentário aqui dizendo assim: ‘O que é uma pessoa difícil, gente?’ Olha, não estou entrando em julgamento de ninguém, tá? Eu só quis levantar realmente porque isso é um tema. Quando conversamos sobre o dia a dia de trabalho, sempre surge. Todos nós podemos ser difíceis em alguns momentos,
né? E todos nós temos coisas a aprender e a melhorar. Acho que é nesse sentido mesmo que estamos conversando, né? De lifelong learning. E acho que isso que você trouxe, Jayanne, é interessante porque, assim, de um lado, as empresas perceberam que também precisam cuidar disso. Acho que isso talvez não fosse tão importante antes, mas hoje em dia sim. Até porque é fundamental. E acho que as pessoas também, individualmente, estão se dando conta e percebem a importância de continuar se desenvolvendo, né? Então, acho que são as duas coisas: a cultura da empresa que favorece esse tipo
de troca e também a Pessoa estar disponível. Porque chega uma hora em que, às vezes, também não há disponibilidade para mudança, e estamos numa situação mais delicada. Agora, isso também, para mim, está dentro dos pontos do aprender a ser. Ótimo que a empresa dá a oportunidade, mas assim, é muito importante a pessoa também usufruir da oportunidade que a empresa está dando e, eventualmente, buscar até mais. Reconhecer esse lugar, de novo, de eterno aprendiz. Sem querer me estender, mas que tem a ver exatamente com o desafio. O país é enorme mesmo, porque, se a gente parar
para pensar — nem vou aprofundar nisso porque seria um outro programa — a gente está num país com um número enorme de analfabetos, analfabetos funcionais. Quer dizer, as pessoas não conseguem sair dali com uma formação no ensino fundamental e o ensino médio tem uma evasão enorme, sem ter, por exemplo, uma cultura do ensino técnico, que não temos. Já abordamos isso aqui em outro programa, sobre a falta da cultura do ensino técnico. Então, há tantas outras carências para a gente chegar nesse entendimento cultural de que É preciso passar a vida aprendendo. E aí, as pessoas tentando
driblar a vida do dia a dia, muitas vezes ao atropelo do dia a dia, né? Enfim, é muito amplo. Vou trazer dois pontos aqui que a produção me passou e achei bem interessantes. Já vou jogar os dois de uma vez, tá? São coisas distintas. O CMSP, que congrega as mantenedoras das instituições de ensino superior no país, divulgou no fim de 2023 uma pesquisa sobre pós-graduação. Entre as conclusões do estudo está, por exemplo, a de que 95,6% dos entrevistados fariam outro curso de especialização. Não, eu vou deixar dividido porque essa daqui já dá uma discussão boa.
Já, já trago a outra. E isso aqui me chama muita atenção porque, infelizmente, se por um lado tem gente aproveitando muito, pena que eu não estou com nenhum estudo específico aqui, mas tem muita gente, obviamente, aproveitando essa especialização. Da mesma forma que o entendimento anterior de que não basta terminar o colégio ou a faculdade para estar pronto, muitas vezes a especialização é feita só para ter um documento com aprendizado. Lamentavelmente, vamos botar os pés no chão: há um monte de curso que realmente Não está ensinando nada. Às vezes está ensinando, mas o aluno também tem
um papel, porque o aluno faz o curso, e a instituição também, né? E ele está ali só para constar, porque precisa ter isso para contar no currículo. Eu queria que vocês fizessem uma avaliação sobre isso. O que adianta ter mais uma pós, mais uma pós, mais uma pós, se isso é aprendizado contínuo? O fato de ter mais uma pós é bom? A primeira coisa que veio à minha cabeça quando eu fiz a pergunta foi: em que contexto essa pergunta foi feita? Tipo assim, por que eles estão dizendo que fariam mais um? Por exemplo, pode ser
sim que a pessoa tenha passado por ali, que ai a gente sabe que isso acontece, você vai, passa por um programa de formação desse e absorve pouco. A absorção, como você mesmo estava dizendo, tem muito a ver com o quanto é uma via de mão dupla. Não dá para colocar a responsabilidade do processo de ensino-aprendizagem somente na instituição de ensino se eu não estou aberto para colaborar e contribuir com esse processo. Então, às vezes a gente brinca dizendo que o curso vai ser do tamanho que a turma quiser, Né? Nós vamos dar o tanto que
vocês pedirem; tem que pedir, né? Você tem que estar engajado. Então, acredito que sim, pode ser por isso. Pode ser uma questão de carreira nas organizações, que isso pode eventualmente favorecer uma progressão de carreira em alguns lugares. Sim, e eu imagino que pode ser até, eventualmente, para fazer uma mudança de carreira também, né? São hipóteses que eu imagino aqui para essa situação. Se eu puder adicionar um ponto que você mencionou, eu estava pensando que hoje também as pessoas estão um pouco perdidas sobre o que precisam ter. O que, de fato, vai permitir a elas se
adaptarem a esse ambiente de complexidade? A gente conhece muitos pais que nos perguntam o que ensinar para seus filhos. Então, eu acho que existe um cenário de complexidade que, às vezes, faz com que a pessoa faça um curso de especialização sem que isso tenha respondido às suas necessidades de enfrentar esse ambiente de complexidade. Eu acho que a gente tem uma mudança hoje dentro das organizações: como é que você faz para construir uma carreira? Quais são as competências que você precisa ter? Acho que a gente sente muito Essa falta hoje, e eu diria que é uma
questão filosófica. Sempre parece que falta alguma coisa; nunca estamos suficientemente preparados. É um contraponto à necessidade de lifelong learning, que, de fato, precisamos, mas muitas vezes é vivida como uma ausência, como uma falta. Então, as pessoas às vezes querem fazer um curso, querem fazer outro. Acho que esse é um ponto. O segundo ponto é que os cursos podem ser também espaços de sociabilidade e networking. Então, esse é um outro aspecto que leva as pessoas a, muitas vezes, fazerem um curso e depois outro, porque isso traz sociabilidade. No mundo que tem uma complexidade hoje para as
relações pessoais, e traz também networking, possibilitando a mudança de carreira. Então, se eu pudesse adicionar esses dois pontos que a Luciana trouxe, eu acho que essa ideia de sentir uma falta é algo que poderíamos explorar depois, em outro momento, do ponto de vista mais filosófico. Nunca está bom, né? Mas também essa ideia de networking e de você né, assim, buscar outras oportunidades profissionais, as pessoas às vezes ficam fazendo isso por isso também. E, nesse ponto, muito bem colocado, Das pessoas estarem um pouco perdidas, eu acho que traz uma outra questão que é fundamental para essa
aprendizagem contínua, que é a intencionalidade da aprendizagem e um planejamento. Lá dentro das organizações, a Roseann comentou no início, que eu trabalhei numa empresa que fazia um plano de desenvolvimento individual, o famoso PDI. Então, eu acho que, para ser efetivo, não é que você, né, novamente, chega e planeja aquilo ali e vai seguir esse plano; pode ir mudando, né? Mas é importante ter um plano para não ficar atirando para todo lado. Esse velho ditado de atirar para todo lado sem direcionamento faz com que você faça um monte de curso e acabe com uma certa frustração
porque não era bem aquilo que queria ou não estava bem direcionado para a área que desejava trabalhar. Exato, o famoso ‘Alice, para onde você quer ir? Qualquer caminho serve’. Exatamente. Se você não souber para onde quer chegar. E como é importante essa educação ainda no ensino médio para direcionar os jovens, que estão perdidos. Eles saem do ensino médio sem saber o que cursar. Às vezes têm um incentivo dos pais, É claro, mas estão perdidos. Não sabem, às vezes, entram em um curso e depois vão para uma pós, mas entendem que o campo de atuação nem
era aquilo que imaginavam. Tem muito disso. A gente vê isso muito; por isso existem muitas pessoas migrando de área ou até mesmo sem conseguir realmente avançar no plano de carreira que a empresa oferece por não se identificar ou não ter feito lá atrás o direcionamento correto. E isso que você falou dos jovens é interessante porque, de fato, muitas vezes eles não sabem, e os pais também não. Não é uma culpabilização; não adianta responsabilizar os pais. Muitas vezes, eles também estão perdidos num cenário que hoje é bastante sofisticado. E tem pouco, nesse momento de tomada de
decisão, é um momento em que você tem muito pouco contato com a experiência futura que você está buscando. O modelo americano tem várias críticas, mas a ideia de ter um ciclo básico já ajuda um pouco nisso; você ganha um pouco mais de repertório para entender um pouco melhor e poder tomar a decisão. Então, tem isso, e a pessoa é tão jovem. É muito difícil. As pessoas entram com 16 anos focadas numa prova que têm que fazer e sem ter tido, pelo menos no nosso modelo da forma que é hoje, contato técnico. Outro ponto de provocação,
e eu estou vendo que a gente só tem 5 minutos para terminar o programa e eu tenho mais um monte de coisas para perguntar, vou pedir aqui ao editor se posso ter um tempinho a mais. Deixa eu ver aqui. Eu quero trazer esse outro ponto: a questão que a Maria José trouxe numa fala, algo que eu tinha colocado. A gente tinha até conversado na reunião de produção do programa sobre fazer uma abordagem sobre as competências, as soft skills e as hard skills. A gente nem abordou isso ainda, olha só. Faltam 5 minutos, mas sem entrar
nisso ainda, vou trazer outro ponto de produção aqui. Um estudo feito pela Harvard Business Review concluiu que o aprendizado contínuo pode ser a solução para o estresse no trabalho. Me chamou muita atenção isso. Me ajudem a entender por que chega a isso, assim, para o estresse no trabalho. De que forma? E, de novo, se isso é para todo tipo de carreira ou não. Pensei nos momentos de respiro que eu tinha trazido, porque a própria educação, você ir para Um curso, não deixa de ser, ainda que dentro da sua competência técnica, da sua formação, um espaço
de reflexão sobre a prática. Quem consegue fazer isso sai e reflete sobre a prática se você estiver indo na mesma linha da sua formação. Agora, quando a gente pensa naquele outro exemplo da gastronomia, que a gente discutiu aqui antes, aí você também tem mais ainda, que é o espaço de respiro que a Maria José já tinha trazido para a questão do estresse. Eu acho que nessa questão do estresse, eu acho que tem a questão do espaço de respiro. Eu acho que tem a questão da sociabilidade que eu acabei mencionando, um lugar onde você encontra pessoas,
onde você faz networking, onde você vê outras formas de pensar. Ou você também fala: ‘Bom, as pessoas sofrem do mesmo mal’. Você vai se dar conta de que os problemas que eu tenho na minha empresa são muito parecidos com os problemas que você tem. Então, isso também dá um conforto, de certa forma; você não está sozinho. Então, eu acho que essa ideia de redução do estresse vem primeiro porque você sai do espaço de trabalho. Isso te permite sair um pouco daquela Correria do dia a dia. É um espaço de pensamento; isso também permite você ampliar
repertório, que é o que a gente veio conversando aqui, e ressignificar o que está acontecendo lá. Sim, você ressignifica sua própria experiência e aprende com novas experiências. Então, eu acho que o estresse acaba sendo minimizado por esses diferentes fatores. Mas eu reforço aqui a importância tanto do trabalho quanto dos programas de ensino e de aprendizagem como um espaço de sociabilidade, porque eu acho que os humanos precisam disso. Eu acho que essa é, inclusive, uma questão que não vai dar tempo da gente entrar aqui, mas que é o home office. Algumas empresas querem que as pessoas
voltem, outras não. Durante mais de um século, o trabalho foi um espaço de sociabilidade onde as pessoas iam, conversavam, testavam percepções. Você chega de manhã, encontra a Roseann que está aqui comigo e pergunta: ‘Ah, mudou o tempo?’ São conversas aparentemente inocentes, corriqueiras, despretensiosas, mas que nos colocam no mundo comum. Então, eu acho que esse espaço, tanto No trabalho quanto em espaços de aprendizagem — e aí pode ser o teatro, pode ser a gastronomia e podem ser os cursos pré-executivos, como a gente trabalha — são espaços que de fato permitem essa sociabilidade, com tudo o que
a sociabilidade nos traz. Eu sou psicóloga de formação e, às vezes, a psicologia fala mais alto. Nós não somos humanos sem os outros; nós somos porque os outros são. Nós somos junto com os outros. Então, acho que isso é uma coisa importante para mim. E o melhor dessa fala da professora Maria José é que a gente fechou o ponto que não tinha sido falado, que era aprender a aprender. A gente falou de aprender a fazer, de aprender a ser, e só faltava aprender a conviver, que era o quarto ponto que não tinha sido abordado. Exatamente.
Perfeito. Eu estou com o tempo praticamente encerrado, mas vou deixar uma bomba na mão de vocês, duas. Vou jogar a bomba e já sair falando. Jay, quer fazer uma última pergunta? Era mais uma deixa que eu acho que talvez não tenha resposta, mas passo para vocês que eu vou em seguida. Não, já pega junto aqui o gancho que a gente já joga de uma vez para encerrar. O que eu queria era uma orientação mesmo. Quem está assistindo a gente, e por isso eu digo que é uma bomba, porque você dizer assim: ‘Jovem que está começando
no mercado de trabalho, você vai ter aprendizagem contínua e vai precisar disso. Começa por onde?’ E você que já está no mercado de trabalho, está neste momento de carreira, seja para guinar a carreira ou para dar aquela reviravolta na carreira, por onde começar? É uma bomba. Eu falo que é uma bomba porque é muito difícil responder um negócio desse, mas pelo menos alguma dica para a pessoa realmente não perder tempo e se frustrar, para não gastar e jogar dinheiro fora, para não cair numa picaretagem. Então, o que eu queria que vocês concluíssem para a gente
é com essa orientação, seja um site, seja um livro, enfim. Eu realmente vou deixar com vocês esse pedido de orientação. Ah, minha segunda pergunta boa é: não sei se vai ter uma resposta já pronta para isso, mas combina com o que a Roseann e a Maria José comentaram um pouquinho no início da nossa conversa. Nós estamos vivenciando a emergência Climática, combinado a isso, nós vemos no Brasil que as indústrias estão acompanhando o crescimento da economia verde. Com isso, temos possivelmente o aumento dos desempregados climáticos. Então, como é que vamos capacitar essas pessoas? Que é bem
o que a Roseann perguntou: como qualificar essas pessoas que estão chegando no mercado de trabalho e que já estão? Como é que vamos qualificar essa mão de obra que vai passar por essa transformação na indústria brasileira e que já está acontecendo de forma sutil, mas que daqui a alguns anos vai ser uma realidade? Eu já vou avisando: vai ter outro programa exclusivo sobre clima e mercado de trabalho, porque realmente é uma discussão gigantesca. Bom que são perguntas fáceis, né, gente? Já adiantei que talvez não tenha a resposta pronta. Então, eu acho que eu posso, bom,
primeiro, eu não sei se é… não tenho a resposta certa, né? Mas acho que vou começar por esse ponto que você trouxe, já que é o seguinte: eu acho que quando você tem situações muito abrangentes, não é uma questão da empresa X, não é da empresa Y, não é Da região. É uma questão macro. Acho que você tem que ter uma força de políticas públicas. Então, acho que você teria que ter dentro do governo, não é assim, dentro do Estado, uma orientação que já começa no currículo, desde as crianças até os jovens. Então, acho que
você teria que trabalhar nessa direção. Pelo menos é como eu vejo. Eu acho que as empresas vão poder cumprir um papel que é de reparar aquilo que elas precisam para aquele momento, porque não há, mas existe um trabalho de longo prazo, de longo termo, que é a questão do ensino infantil e do ensino médio. E aí, eu não sou tão especialista nessa área também, mas eu sei, por exemplo, que alguns estados trabalham com educação socioemocional para as crianças, projetos de vida, onde você entra já com essas questões de como fazer finanças, um letramento financeiro. Então,
assim, acho que você tem que ter uma preocupação de Estado com a questão da educação para as crianças e os jovens. Eu acho que essa é uma resposta. Uma segunda resposta tem a ver com o que as empresas podem fazer, considerando que elas precisam capacitar uma mão de obra, e que essa mão de obra muitas Vezes não chega com a capacitação necessária para o exercício do trabalho. Então, aí você tem também um papel das empresas nisso. E, num terceiro momento, eu acho que é um pouco respondendo à pergunta da Roseann, é a questão pessoalmente. Assim,
eu aqui perdida nesse planeta, o que fazer? E aí, o que eu poderia recomendar para os jovens é que eles possam observar dentro do espaço de trabalho o que são as ferramentas demandadas, seja do ponto de vista técnico, que eles precisariam desenvolver. E aí, eu acho que a questão de Inteligência Artificial hoje é absolutamente necessária, com todas as questões que a gente está vendo por aí. E não é que você tenha muitas críticas, mas você precisa saber o que é, então dominar esse tipo de ferramenta eu considero fundamental para quem é jovem e para quem
está se encaminhando. Observar o que você precisa de ferramental técnico e também observar o que você precisa de ferramental comportamental. Os jovens têm consciência disso? O que às vezes eles não têm é aonde buscar esse apoio. Então, essa é uma outra questão também. E para quem já está no mercado e que já está, sei lá, num patamar mais Executivo, que possa separar o joio do trigo, como a gente diz, e ver quais são as instituições que oferecem cursos e toda uma educação que eu chamo baseada em evidências, assim, baseada numa cultura de excelência, que tem
um referencial consistente do ponto de vista teórico. Eu digo assim: a primeira escola de administração do planeta é de 1890, a Wharton, nos Estados Unidos, a gente tem mais de 130 anos de conhecimento acumulado em administração, né? Nós temos muito conhecimento, né? Assim, o conhecimento continua sendo produzido. Então, como é que essas pessoas, que já estão numa etapa, vamos dizer assim, de desenvolvimento de carreira, possam buscar em instituições respeitadas e respeitáveis um ensino que seja consistente, né? Acho que se eu puder, assim, é um começo, mas rapidamente também aqui. Eu reforçaria esse ponto da importância
da gente entender a credibilidade e a relevância do conhecimento. Acho que isso é a primeira coisa: entender se aquilo que eu estou absorvendo é, de fato, um conhecimento relevante, consistente e comprovado. Isso é muito importante, de que forma ele seja, qualquer forma, mas a gente Entender essas referências, como aquela pesquisa foi feita, se não houve manipulação de dados. Porque, infelizmente, hoje tem muita coisa disponível e acessível para todo mundo, para os jovens. E acho que até também eu acrescentaria, até para quem já está mais à frente na carreira. O que eu acrescentaria é que eu
acho que tem dois fatores que são os maiores desafios nisso: um é o tempo e o outro é o recurso financeiro. São dois recursos: tempo e financeiro, né? Então, uma dica seria: isso tem que entrar no plano. A gente tem que planejar, organizar a agenda e arranjar esse tempo. E sobre o recurso financeiro, tem muita coisa boa aí que não demanda tanto investimento. Para fechar sobre a questão das empresas, eu acho que termino com uma provocação mais do que uma resposta, que é a seguinte: será que todas as empresas estão sabendo o papel que elas
têm nisso? E aí eu reforço a importância do papel das escolas de negócios e da formação de executivos para ajudar a fazer essas empresas compreenderem que elas têm um papel muito relevante na formação e na condução dessas questões ambientais tão complexas que a gente está vivendo. Gente, muito obrigada. O assunto realmente não se esgota; a gente falou isso desde o começo. Então, muito obrigada. Foram dicas muito importantes. Vou fazer aqui o agradecimento geral para todos, começando pela Jayanne Rodrigues, que é repórter de carreiras do Estadão. Jay obrigada por ajudar de novo, por trazer outros temas
aqui. E a gente vai ter outros programas sobre isso. De novo, vão comentando, vão dando sugestões, que para a gente é super útil. Curtam, propaguem. Gente, olhem esse programa. Realmente, quanto mais vocês propagarem, mais gente vocês vão poder ajudar, porque é isso. É um caminho de carreira, um caminho profissional, e a gente tem que ir em busca desse aprendizado. Agradeço à Luciana Faluba, que é professora e diretora de desenvolvimento de professores da Fundação Dom Cabral. Muito obrigada. Também agradeço à professora Maria José Tonelli, que é professora do Departamento de Administração Geral e de Recursos Humanos
da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Muito obrigada mesmo para vocês. Um super agradecimento aqui especial com a produção maravilhosa desse programa. Olha, tinha tanto conteúdo aqui, gente. A Larissa Burchard, Eu nunca sei se pronuncio o nome da Larissa certinho. Pronunciei? Larissa é super produção que ela fez aqui do programa. Muito, muito obrigada. E claro, eu agradeço principalmente a você que está nos acompanhando até aqui, em mais um vodcast Dois Pontos no Estadão. Esse espaço que toda quarta-feira tem um conteúdo novo, um programa novo no ar para discutir temas do nosso dia a dia, sempre com dois
convidados ou convidadas que têm realmente um papel de destaque na área em que está o tema a ser abordado. Então, a gente agradece principalmente a vocês, sempre lembrando que os convidados não precisam ter posicionamentos antagônicos; eles podem convergir, eles podem se complementar. A gente viu muito isso aqui, porque o nosso trabalho toda semana, e falo isso com muito prazer, e cada vez com mais vontade, é tentar ajudar você a ter o próprio ponto de vista e a se desenvolver. Ouvir, ouvir, a gente precisa sempre ouvir mais. Isso já é aprendizado contínuo, né? Isso já é
aprendizado contínuo. Então, muito obrigada mais uma vez pela sua companhia. Te aguardo na próxima quarta-feira para mais um vodcast Dois Pontos aqui no Estadão. Curtiu? Dá seu like, compartilha, aciona o sininho; isso é importante para o YouTube disparar para um número maior de pessoas. Claro, aproveita, ó, a assinatura com desconto aqui do Estadão. A assinatura você entra aqui pelo nosso QR Code ou pelo link e já aproveita e pega com desconto para ter conteúdo exclusivo todos os dias. Muito obrigada. Até a próxima semana! [Música]