Não pode você pode falar perfeito valei na hora que vocês quiserem professora Diana muito obrigado por aceitar o convite desse projeto que é o memória oral tá vinculado ao núcleo de memória servo histórico e que tem o objetivo de recuperar de registrar Memórias de Agentes da sujeitos ligados à educação escolar e no no seu caso A a você foi muito importante paraa origem do núcleo de memória e acervo histórico Eh eh lembrando sempre aquilo que eu falei mas é bom ficar registrado gravado toda toda essa gravação depois a gente vai transcrever vamos passar para você
e você vai avaliar se deve ou não tirar partes ou incluir partes tá eh a inclusão é feita em texto né agora a exclusão a gente exclui o a a própria própria parte do arquivo bom Diana eh você poderia se identificar seu nome completo data de nascimento cidade que nasceu e sua profissão Lembrando que o Meu áudio não vai sair então procura fazer a resposta completa né meu nome é tal então mas pode começar agradecendo o convite então começo agradecendo o convite por estar aqui dando essa entrevista pro numar pro núcleo de memória e arquivo
histórico da ligado ao CR ao centro de referência educação Mário Covas né da Secretaria Estadual de Educação agradeço muitíssimo o convite meu nome é Diana Vidal Diana Gonçalves Vidal eu que que você perguntou Mais então meu nome é Diana Gonçalves Vidal eu nasci no Rio de Janeiro em 1960 tô com 63 anos agora 2024 Qual que é sua profissão suas atividades atuais né então eu sou eu sou eu sou professora da faculdade de educação da Universidade de São Paulo atualmente Sou professora titular em história da educação e já tô na reta final para minha aposentadoria
por favor eh eh você teve vinculado nas Suas ações com o núcleo de memória e acero histórica nãoé eh teve na exposição a escola pública de saber trajetória de de uma relação os vídeos que você fez né vídeos conferências participação de encontro de caetan istas e agora até com o projeto temático da pela Fapesp junto com Ariadne ekar eh eh você você tem ideia de quanto tempo você esteve vinculado com essas ações junto ao núcleo de Memória ai há quanto tempo que eu tô vinculado ao núcleo de memória eu acho que a gente começou a
mexer com a exposição né que era sobre a a educação pública em São Paulo trajetória do saber eh a gente começou essa exposição acho que em 2002 né 2002 né então primeiro eu participei da elaboração da exposição então desde desde a discussão do núcleo temático de como que a gente ia organizar isso em termos de estrutura Como é que íamos dialogar com os objetos museológicos que já que existiam na no acervo da Caetana de Campos como que íamos dialogar com a historiografia da educação então nós eu comecei junto com a a professora Carmen Silvia Vidigal
e com a professora Márcia razini por encomenda mesmo do do CR Mário Covas de E desde do primeiro momento elaborar como seria esse esse percurso expositivo e como que a gente trabalharia a história da educação em São Paulo de uma Maneira eh visual né então que atendesse o público que que que pudesse transformado numa exposição obviamente que dialogasse com o público das escolas públicas porque a ideia é que a exposição fosse uma exposição permanente na na antiga sede da do numar da do crê máo Covas né que ficava na Rio Branco mas que também se
transformasse numa exposição Itinerante então a gente tinha que pensar em núcleos fixos mas também em núcleos móveis que pudessem fazer com Que essa exposição andasse então isso acho que começou em meados de 2002 naquela época eu tava vinculada ao centro de memória de educação da Faculdade de Educação Então acho que foi aí que nós começamos né e de lá para cá então nesses 20 e 2 anos eh foram feitas várias ações né Eh na na colaboração com o numar então Eh desde a exposição depois da exposição a gente fez um catálogo que acabou não sendo
publicado eh eu orientei eh eh Trabalhos de Mestrado sobre fazendo o repertório do da da dos objetos da do acero Mário do acero cartan de Campos né e depois eh eu orientei eh alguns dos meus orientandos vieram trabalhar também então Eh o Zé Cláudio soma Silva que foi monitor da exposição a trajetória do saber mas também eh a Teresa mesa baesa né que foi eh Trabalhou muito tempo no acervo no arquivo como arquivista do desse arquivo da da caetan de Campos bom E aí eu fiz outras coisas né sei lá já Apresentei já Participei de
outros vídeos outras entrevistas falando sobre a história da educação que estão disponíveis no site eh enfim Nossa várias coisas e agora por último eh a arade NK que fez pós-doutorado comigo é formada em história da educação fez doutorado na na faculdade de educação da USP também comigo agora ela tem uma bolsa da fapes uma bolsa de Treinamento técnico e tem Tem eh que tá vinculada a um projeto temático também que eu coordeno paraa Fapesp e e e essa bolsa de Treinamento técnico tem duração de 1 ano e tem eh a a proposta de eh colaborar
com a não só a organização e e sistematização né da documentação que tem no no mar mas também com a extroversão com a comunicação dessa documentação por meio de eh Exposições por meio de publicações e etc Então são 22 anos de um trabalho conjunto e muito Prazeroso professora Diana a você esse seu trajeto revela também a sua vinculação com a história da da educação a sua vinculação no mar revela um pouco dessa sua sua trajetória Então como V pensar do início dessa sua história escolar então você pode contar um pouco desse início as suas vivências
na no no que hoje a gente chama de Ensino Fundamental eh ensino médio eh eu eu eu eu sou das antigas né então eu fiz Escola Normal Ainda né então eu eu estudei no Instituto de Educação do Rio de Janeiro talvez essa a primeira vinculação que eu tenho com o Instituto de Educação caetan de Campos né porque eram duas escolas que surgiram historicamente juntas Instituto de educ a do Rio de Janeiro foi criada em 1932 mas eu não era aluna naquela época viu um pouquinho depois que eu entrei e o Instituto aqui de São Paulo
foi criado em 1934 por por dois educadores que estavam Muito eh Associados na defesa de um de uma renovação do ensino primário no Brasil né que era aqui em São Paulo Fernando de Azevedo e no Rio de Janeiro nío Teixeira então Eh eu estudei no Instituto de Educação nessa escola modelar e daí meu interesse pelo Instituto de Educação de São Paulo já vem nessa correlação porque eu fiz toda a minha trajetória escolar no Instituto de Educação do Rio de Janeiro ou seja eu entrei no jardim de infância e fui até o Final fiz até a
formação no magistério né então eu entrei em 1965 mais ou menos no no Instituto e eu saí de lá em 1978 né foram 13 anos vivendo uma escola modelar que é no Instituto de Educação então naturalmente eu me interessei pelo Instituto de de Educação de São Paulo né pela Caetano de Campos Até porque eu fui encontrando muita similaridade entre as práticas educativas com as quais Eu me formei e as práticas educativas que eu fui Percebendo no Acervo do numar né porque o acervo do numar ele é muito vasto ele é bastante compreensivo e ele traz
muitas informações sobre práticas escolares e talvez essa tenha sido também o meu maior interesse né um um trabalho que eu não mencionei anteriormente mas que foi um trabalho que eu eh utilizei muita documentação do numar e que tem eh revertido em várias publicações foi a analisar a trajetória Da professora Iracema Marques da Silveira Né desde 1936 quando ela começou como bibliotecária escolar na caitan de Campos até sua aposentadoria em 1966 então Eh essa aproximação com o arcevo do numar né me fez se se fez também muito presente pelas minhas questões de pesquisa então eu fui
normalista né depois da da escola normal eu fiz história fiz mestrado em história doutorado em História e quando eu fiz o Doutorado eu fiz doutorado em história da educação e curiosamente quando eu fui fazer o doutorado eu voltei para estudar o Instituto de Educação do Rio de Janeiro nos anos 30 daí eu começar Toda essa relação com o Fernando de Azevedo que depois eu fui eh pesquisar no arquivo Fernand Azevedo lá do Instituto de estudos brasileiros e com o lumar né que também foi uma um acervo muito importante não pro meu trabalho de doutorado mas
com as minhas pesquisas Posteriores tô sendo breve e e Diana Ok só minutinho que o microfone tá tá tá indo muito bem Tiana mais pode alongar mais não precisa ser breve não posso pedir um favorzinho para você você eh abar abar o botão de cima para poder subir mais aí que tá tá baixo tá baixo né aga melhor Tá bem melhorou ver se melhora a tá bem baixinho Ah tá melhor Melhorou vamos lá obrigado hein Não Eu que agradeço então Tiana e você passou rápido realmente no da formação escolar do jardim da infância a a
sua formatura da escola normal você e como que foi essa vivência né é interessante que você fez a relação com A Caetano de Campos né Essa aproximação com a Caetano de Campos mas eh eh eh como foi essa essa vivência até chegar à escolha de história tem algo história Na graduação perdão porque a gente tá pensando em você chegar depois a historiadora da educação e como que foi essa vivência na no Instituto de Educação se teve algo que te marcou sobre história eh que graduação Inicial Você pensava em fazer enfim contar um pouco desse desse
desse relato e também Do relato seu do esse trajeto perdão esse e o trajeto seu também nesse período profissional do Instituto de Educação Você vai formar como professora isso mas você vem de uma família que necessita ter trabalho né vem então é essa essa é ideia tá então eh a formação no Instituto de Educação era uma formação na época o Instituto de Educação Quando Eu frequentei era uma escola ainda bastante modelar n então a gente tinha uma formação muito Eh completa do ponto de vista das práticas escolares então quando quando eu tava no começo no
Jardim de Infância né no jardim de infância e na escola primária eu a gente na nossa sala de aula a gente recebia as normalistas que vinham assistir as aulas Então as nossas aulas eram também um laboratório a escola primária era uma escola laboratório para as aulas da Escola Normal né então à medida que eu fui percorrendo os anos do Instituto de Educação eu fui me transformando de digamos aquela que era observada para aquela que observava né E isso isso fortaleceu em mim uma preocupação com a reflexão sobre a própria prática de de ensino então pensar
eh sobre como que eu observava aquelas crianças e me colocar no lugar daquelas crianças de serem observadas né então isso foi me formando como professora então eu eu me considero uma professora minha trajetória é toda uma trajetória no ensino quer dizer eu Trabalhei 5 anos no Banco do Brasil numa coisa e no outra mas eu eu eu fui professora de todos os níveis Então eu fui professora de do ensino eh fundamental um né depois eu fui professora do fundamental dois e do médio e depois eu fiz eu fui professora no ensino superior e depois no
ensino na na universidade pública né então assim na universidade ensino superior privado obviamente depois na Universidade pública Então eu fui passando por todos os níveis né na medida em que eu também fui atingindo formações então quando eu era professora normal normalista né eu atuei no fund de um depois quando quando eu terminei minha graduação em história aí eu trabalhei no fund dois e no médio né E aí quando eu entrei no mestrado eu comecei a dar aula no ensino superior privado e quando eu terminei o doutorado eu entrei na universidade pública Então À medida em
que eu fui me formando eu também fui eh mudando digamos o nível de interlocução com os meus alunos mas o que ficou sempre foi uma preocupação muito intensa com as práticas escolares que inclusive é o meu tema de pesquisa eu sempre pesquiso as práticas escolares né ou seja como que os professores lidam com eh as normas com os objetos com a materialidade da escola com as condições materiais de trabalho como é que os Professores lidam e transformam isso em aula essa é sempre a minha preocupação Fundamental e como que essas aulas elas podem eh estimular
a atenção dos alunos então eu sempre fiz excursão Sempre busquei levar os alunos para fazer excursão sempre trabalhei com dinâmicas em grupo dinâmicas de em que os alunos eram protagonistas isso já na no fund um mas no fund dois no médio e assim sucessivamente até porque era este modelo de aprendizagem que eu tinha no Instituto de Educação então eu aprendia eh toda a discussão sobre como estimular os alunos como fazer com que os alunos tivessem protagonismo em sala de aula eh era uma discussão muito cara para mim e é até os dias de hoje então
eh isso que foi me formando ao longo do tempo né É claro que nessa trajetória teve momentos em que eu não estava em sala de aula que eu que eu eh atuei como por exemplo funcionária no Banco do Brasil que eu acho que também foi muito bom porque Essa experiência fora do sistema de ensino faz com que a gente olhe pro sistema de ensino de uma outra maneira né então eu não sou aquela pessoa que ficou a vida inteira na escola né seja como aluna seja como professor eu sou uma pessoa que fui pro mercado
de trabalho que tive outras relações de trabalho né E com isso eu posso olhar também pro meu trabalho docente não como uma missão ou como alguma coisa uma vocação mas como o exercício de uma Atividade profissional Eu acho que isso me fortaleceu nesse sentido e e e que me me traz uma certa responsabilidade a responsabilidade com os meus alunos com com os meus Paris responsabilidade com a com o meu corpo diretivo e etc né e também uma concepção de que aquilo lá é um trabalho e porque portanto Como é o trabalho não é uma relação
eh meramente afetiva com os alunos não é meramente um conhecimento que eu tô socializando ou que eu tô compartilhando é uma atividade Laboral que precisa ser compreendida dentro do espectro laboral Então ela também necessita de condições boas materiais de exercício ela necessita de Um bom salário e assim sucessivamente né então acho que nesse nesse jogo eu acabei me conformando nessa professora que eu sou hoje né e que cada vez mais Eh eh vou transformando toda essa essa bagagem em em textos em publicações em livros né informação eh Enfim acho que Tem uma bag gem aí
bacana que eu gosto e que me cada vez me constitui mais né Muito obrigado Diana Diana É nesse pode pode ficar tranquilo enquanto eu tô falando não vai ser vai ser tudo cortado isso nesse nesse quer dizer ficar no bruto não no mas no eh nessa nesse seu Memorial publicado maravilhoso na inconstância da palavra deslocamentos de uma professora e pesquisadora você também faz um trajeto seu Eh e aí Diana eu achei muito interessante que você foi professora no rio de de uma escola municipal né enquanto normalista e depois já como eh eh Na graduação de
história me parece que você foi professora de uma escola estadual no mestrado já já no mestrado e e e no mestrado lado é perdão e no no nessa escola estadual você participou de diversos projetos teve vinculação com a peos participou da reforma da proposta Curricular de história então você poderia contar um pouco dessa experiência como professora na escola municipal do Rio e na escola estadual aqui em Paulinha né então e a minha experiência na escola no fund um ela foi bastante curta porque eu fiz concurso eh logo que eu saí do da escola normal eu
eu prestei um concurso para ser professora municipal no Rio de Janeiro e ao mesmo tempo eu tinha prestado um concurso para Trabalhar no Banco do Brasil né então eu comecei a atuar na escola municipal mas logo eh veio a chamada do Banco do Brasil e eu acabei para poder assumir no Banco do Brasil eu acabei tendo que me deslocar do Rio para São Paulo Então eu vim para São Paulo por causa do Banco do Brasil aí a minha ideia era voltar eh pedir transferência de volta pro Rio mas nunca consegui voltar e nessa brincadeira eu
vim para São Paulo eu tinha 20 anos são 43 anos de São Paulo Eh então eu comecei a trabalhar no banco e eu comecei a fazer a faculdade de História na época né eh e e foi um período bastante eh intenso digamos assim porque eu trabalhava no banco durante o dia e fazia faculdade noite numa instituição privada de ensino que hoje se chama Univap né Universidade do Vale do Paraíba eh então toda eh eu morava em São José dos Campos então durante todo esse período eu trabalhei e e enfim era A vida que todo mundo
tem corrida né trabalhando de dia estudando de noite os fins de semana para fazer trabalho né fazer trabalho da escola fazer no meio disso tudo eu tive um professor chamado Paulo Meli que na época fazia mestrado na unican e que veio com uma proposta assim inovadora que era a gente fazer iniciação científica então Eh eu e uma colega que já é falecida joia del vechio a gente ingressou nesse programa de Iniciação científica e foi muito interessante porque o Paulo conseguiu eh sensibilizar a administração da faculdade que era uma faculdade privada para dar pra gente bolsas
de estudo então foi a primeira vez que eu tive uma bolsa de estudo e primeira vez que a Univap deu uma bolsa de estudos e aí na época a gente fez um trabalho de história oral com a fábrica de tapete Santa Helena eh e esse trabalho com a com a fábrica de tapete Santa Helena foi O que foi me aproximando cada vez mais da pesquisa em História né então quando a gente terminou que Aliás foi o primeiro artigo que eu publiquei publiquei na revista dampo a gente ficou super achou que era super chique né revista
brasileira de história eh esse trabalho foi o que deu motte para para eu eh me inscrever no processo de seleção do mestrado na Unicamp então eu me inscrevi Passei passei fiquei sob a orientação do do do Professor Michael Hall e nessa época foi uma época também bastante intensa porque eu precisava eu não tinha bolsa naquele momento então eu trabalhava no Banco do Brasil em São José dos Campos e eu comecei a fazer o mestrado na Unicamp em Campinas então eu fiz um acordo no Banco do Brasil de eu trabalhar 30 horas semanais que era o
mínimo e eu fazia 30 horas semanais em TRS dias né Eh então fazia TRS dias de 10 horas e depois eu me deslocava para Campinas e fazia as Disciplinas em Campinas né isso durou mais ou menos um ano até que eu consegui uma transferência do Banco do Brasil para eh Campinas e aí também continuou uma vida intensa porque eu tinha aula de dia na na Unicamp e eu trabalhava no turno da madrugada então eu entrava 8 horas da noite e saia 3 horas da manhã era uma vida dura né nesse percurso eh eu tinha terminado
já a graduação história apareceu um concurso para professor de Fund dois em história na rede estadual eu eu prestei o concurso e fui chamada aí foi quando eu Eu me desliguei do Banco do Brasil e eu comecei dar aula em Paulínia na eepsg Porfírio da Paz General Porfírio da Paz foi quando eu comecei a trabalhar com história aí sim no fund dois e no médio né e e logo eu comecei então eu tava na Unicamp fazendo o meu mestrado e tava dando aula na eh na rede né Logo quando eu comecei a Entrar na rede
foi o momento em que a a coordenadoria de de estudos e normas pedagógicas a Seme ela criou uma proposta nova que era uma proposta de história em que mudava todo todos os conteúdos de história reformula tudo em função de três temas geradores que era trabalho e os outros dois eu lembro muito bem do trabalho trabalho eram três temas trabalho sociedade e acho que eh sujeitos alguma coisa assim era experiência tinha questão da experiência Porque essa mudança era uma era foi uma proposta que veio da Puca aqui de São Paulo né capitaneada pela Deia Fenelon que
também já é falecida né e na época a era uma inversão da maneira como a gente operava com a história porque eh partindo de um referencial thompsoniana então foi um momento em que se traduziu né a formação da classe operária do Eduardo Eduardo Palmer Thompson e nessa época A ideia era partir então tomar a experiência dos Sujeitos né Para pensar a cultura para pensar o trabalho e para pensar a sociedade né acho que acho que eram esses três temas geradores então Eh isso foi foi eh Foi um momento desafiador porque assim eu estudando na Unicamp
a Unicamp partia também dessa dessa desse referencial teórico né tosoni ano na época eh até hoje a a Unicamp tem muito na área de história né o Foucault e o Thomson e um pouco e o ginsburg de uma certa maneira né mas o Thomson entrou Muito forte nos anos 80 na Unicamp e e até porque essas traduções também saíram nos anos 80 e alguns dos textos nem estavam traduzidos ainda eu lembro que aquele trabalho capitalismo do do Thomson que tava em em espanhol também era indicado etc e aí como eu tava na Unicamp e tava
na escola pública e como esses documentos vinham pra escola pública de uma certa maneira eu e um outro colega que era o André joanilho que a gente trabalhava juntos a Gente se colocou como uma de mediadores entre a universidade e os e os outros professores de história para poder fazer avançar comel a nova proposta então foi o eh foi foi muito instigante porque eu era recém eu tinha acabado de entrar na escola eu e o André e a gente era muito solicitado porque a gente ia fazer as formações da Seme a gente tava nessa mediação
e a gente conseguia ler os documentos e a gente conseguia entender os documentos porque claro que os Documentos eram feitos para os professores mas eles não tinham essa bagagem tsoni né então Eh muitos dos conceitos não eram compreendidos né E como se reestruturou o ensino de história eh nessa época então Eh os professores ficavam perdidos porque a ideia não era você seguir na cronologia mas eh usar a cronologia atravessada pelos núcleos temáticos né então era uma outra abordagem completamente diferente os materiais vinham pra gente eh eh eh Impressos não era a gente não eram materiais
que a gente não tinha livro para usar então era todo uma dinâmica que foi muito muito muito rica de aprendizado para mim né E foi nesse período que eu eh comecei também a dar aula na eh numa instituição privada de ensino E aí foi também esse colega o André joanilho que o que dava aula na na na faculdades nas faculdades Padre Anchieta e dava aula de história da educação né E Aí ele precisava ele tinha eh arrumado uma um outro emprego precisava passar para alguém e aí ele perguntou se eu não queria assumir as aulas
e foi bem curioso porque nesse movimento eu juntei as minhas duas trajetórias né a trajetória da minha formação em como normalista com a a a minha formação como historiadora e foi a partir daí que eu abracei digamos assim a história da educação que passou a ser o meu campo de trabalho muito bom Diana e Diana eh eh Aio você foi professor durante assio não foi também foi foi foi foi e mesmo essa proposta né só que eu também não não entendia eu eu fazia a minha interpretação sobre essas essa proposta do cruzar temática enfim e
aí Diana e e e fala um pouco como você você usava essa proposta na sala de aula ah da Seme isso isso aí como eu usava né eu eu trabalhei eu cheguei a trabalhar uns quro ou 5 anos no no fund dois e no médio lá da lá em Paulinha e a a aí para A gente eh operar com essa nova eh concepção de história né então a gente tinha esses materiais que vinham da sempre e a gente criava dinâmicas então por exemplo eu fazia eh julgamentos então dividia a classe em dois então uma classe
ia defender um determinado ponto outra classe ia defender um outro determinado ponto a gente tinha que fazer e tinha um um júri que ia julgar né então a gente eu eu colocava os alunos para atuarem porque Assim o muito dessa proposta era baseada em documentos né era uma coisa de usar os documentos e construir o aluno também protagonista no sentido de construir ele história né então não recebeu uma história pronta tal mas construir ele também uma interpretação histórica então a gente mobilizava esses documentos e mobilizava trabalho em grupo mobilizava essas dinâmicas de de defesa e
tal fazia excursão eu lembro de pegar os alunos Botar tudo no ônibus trazer aqui na USP para eles poderem conhecer o mai né a exposição do mai que era uma exposição maravilhosa sobre pré-história né então assim eh a gente usava muitas dinâmicas essa que era a questão a gente usava muitas dinâmicas várias delas para colocar os alunos nessa posição de protagonistas e eles construírem os textos né eles construírem a interpretação né E isso era era funcionava muito bem Funcionava mais no fund de dois para falar bem a verdade do que no ensino médio no ensino
médio havia uma certo mais desinteresse pela história agora o fund um o fund do ele tinha sim mas talvez até porque o fund do né a gente dava aquelas coisas assim como eh Egito né então os alunos adoravam falar sobre Egito sobre as as as pirâmides né então levava esses textos mais assim eh esotéricos também para pensar eh Então essas coisas mobilizavam muitos Alunos já no ensino médio era mais difícil de fazer eles se mobilizarem até porque já tinham outros interesses muitos já estavam trabalhando né outros já estavam pensando eh enfim de como ia entrar
no mercado de trabalho né Eh então era era mais espaço né e o ensino era noturno né então também torna isso mais difícil mas no fundo de dois funcionava que era uma beleza eles adoravam passear fazer excursão a gente voltava discutia uma vez eu botei eles Na no ônibus e aí nós famos porque são eh Campinas tem muitas fazendas de café né a gente foi passeando nas C vendas de café para eles verem o que que era a fazenda de café entender como é que era isso né pensar que que era um um um casarão
no final do 19 então assim eh pensar sobre a escravidão a questão da da do movimento né da escravidão depois a república então todas essas questões eram bastante eh interessantes pros alunos né porque a Gente eu eu pelo menos tentava trazer o que não era muito simples porque eh havia uma certa resistência né da escola em em em fazer excursões né em levar os alunos para fora mas tudo que era feito no interior da da sala de aula ou do do do ambiente escolar era mais mais bem recebido né mais fácil de desenvolver digamos assim
por parte da administração e aí tem essa você fez parte das escolas padrão né Diana você lembra da escola padrão não eu não fiz Parte escola padrão não não isso eu não fiz não Diana E agora tem um momento do da sua Conquista ou do seu da sua vinculação com a história da educação né então você vai dar aula de história da educação aí conta esse processo que vai pro doutorado depois e assim por diante então eu eu comecei a dar aula de história da educação então na nas faculdades Padre achieta eh eu não não
tinha menor ideia de que Como eu ia abordar essa história da educação quando eu cheguei lá e aí o na época o diretor da faculdade o professor Chico Carbonari Francisco Carbonari ele chegou para mim falou assim você não se preocupe existe uma Bíblia aqui que você vai usar essa Bíblia e com isso aqui você dá aula da história da educação da colônia até os até os di até os dias de hoje não mas até até a república e aí ele me entregou a cultura brasileira do Fernando de Azevedo e foi muito curioso Porque depois né
então eu comecei a ler a cultura brasileira naura brasileira eu encontrei várias fotos da do Instituto de Educação do Rio de Janeiro a escola em que eu tinha estudado E aí foi quando eu comecei a pensar num projeto de doutorado em história da educação eh sobre o Instituto de Educação nos anos eh 30 na verdade a princípio eu queria Comparar as administrações entre o Fernando de Azevedo e o Anísio Teixeira do Instituto de Educação e depois eu vi Que isso era era impossível porque a escola normal ou seja o o Azevedo ele ele a administração
dele no Rio de Janeiro é de 1927 a 1930 mas o Instituto de Educação mesmo ele só começa a existir em 1932 Então o que o Fernando de Azevedo faz é construir a escola o prédio escolar né mas depois ele ele vem ele sai do Rio de Janeiro volta para São Paulo porque histó a Revolução de 30 e quem que vai eh usar o préo escolar como Instituto de Educação vai ser de fato o o anís Teixeira que começa a administração dele em 1931 então eu acabei restringindo ao período do Aniz Teixeira fazendo alguma comparação
com o Fernando de Azevedo mas aí foi quando eu encontrei meu tema né E foi interessante porque eu lendo a cultura brasileira eh e buscando eh referências bibliográficas sobre isso eu encontrei um artigo da Marta Carvalho que se chamava o velho novo e o perigoso Relendo a cultura brasileira E aí Aquilo me chamou muita atenção e eu fui ler o artigo e e o artigo fazia toda uma crítica ao modelo narrativo do Fernando de Azevedo e eu falei olha essa aqui que tem que ser meu orientador e então eu tinha terminado já o mestrado eu
liguei na faculdade de educação naquela época a gente usava telefone para ligar né eu liguei na faculdade de educação e disse que eu era da Unicamp que precisava falar com a professora Marta Carvalho e E aí eles me passaram o telefone da casa dela eu liguei pra casa da Marta a Marta atendeu por curiosamente que entendeu foi a Marta aí a a eu comecei a me apresentar contei meu tema de pesquisa Meus interesses etc e a Marta falou ah Venha que a gente conversa para fazer o doutorado e foi assim que eu entrei no doutorado
né entrei no doutorado da Faculdade de Educação pensando nessa relação com o Instituto de Educação do Rio de Janeiro que foi na verdade o tema Do meu doutorado foi Instituto de Educação no Rio de Janeiro entre 1931 e 1935 na administração do Anízio Teixeira né conta pra gente Diana eu não posso perder essa e a professora Diana no no no Universitário como que é professor como foi suas vivências suas prática você contou um pouco da prática como professor de ensino é Fundamental e Médio e e a professora da da da da graduação de do qual
quais suas experiências quais suas práticas se a Gente pode ouvir de você isso eh no ensino superior privado era muito difícil você Inovar em termos de de práticas de de colocar os alunos mais em em posição de protagonismo Porque de fato eh eu tinha uma turma de 100 alunos então eu dava aula com micr Mas o que eu pude fazer nessa época foi Inovar em termos de bibliografia então assim não é que eu abandonei a cultura brasileira mas a cultura brasileira Passou a ser um dos livros utilizados e na época eu trouxe muito o Felipe
arrier a história social da criança da família que era uma coisa assim que as alunas amavam discutir então aí eu comecei a trazer uma outra bibliografia que e que que se aproximava porque eu estava dando al história de educação para alunas do da pedag né então eu comecei a trazer uma outra bibliografia que aproximava mais eh e que renovava um pouco esse olhar sobre a história da educação Então Acho que isso que eu pude fazer demais assim diferente no no ensino privado agora quando eu entrei na universidade aí a coisa era um pouco diferente né
eu não tinha 100 eu tinha 60 alunos né então para quem sai de de 100 para 60 é uma diferença enorme né hoje em dia você fala que você tem 60 anos o pessoal levanta a cabeça o cabelo né mas eu acho achava que era ótimo tinha diminuído bastante eu nem usava microfone Mas eh e eu podia inclusive Passar porque na na na no ensino privado superior privado eu não conseguia nem passar no meio das carteiras eu tinha que ficar tablado na escola e eu sempre fui uma professora de circular na sala né então na
na escola no na universidade pública eu podia circular na sala o que faz com que você tenha uma aproximação maior com os seus alunos né porque você eh guarda os nomes você se encontra com eles você faz contato visual que isso ajuda muito na construção eh das Relações de sala de aula então eu tinha contato visual e etc né e eu trabalhava eu trabalhei com muitos temas no ensino no ensino eh público né então por exemplo para para falar sobre Teve uma época que eu porque eu sempre eu adoro in adoro desafios e adoro mudar
adoro novidade então por exemplo Teve uma época que eu trabalhava muito com os alunos sobre história da educação na no império na República a partir de romances então eu Pegava sei lá desde O Ateneu até os meu Ateneu né Eh eh a normalista do camin da do Adolfo eh camin eh pegava a Ina Von bisne os meus Romanos né pegava enfim pegava mar verb transitivo do Mário de Andrade e outros tantos romances né eh como é que é aquele outro lá dos gelinhos do Rego enfim pegava vários romances E aí eu trabalhava com os alunos
a partir dos romances então os alunos tinham que ler Os romances e a gente trabalhava os períodos da história a partir dos romances então Teve uma época que eu fiz muito isso Teve uma época que eu trabalhei com arquitetura escolar então eu pegava eh as as imagens dos prédios tal não sei o quê as imagens né e trabalhava muito com com com arquitet teve que eu trabalhava com fotografia Então eu fui sempre buscando né Eh entretecer digamos né as as aulas com essa documentação mais eh eh uma Documentação mesmo né trazer elementos ou ou ou
literatura ou ou imagens né para que os alunos pudessem também construir conhecimento a partir daí né E com isso a gente fazia muito trabalho em grupo eh pensava em em questões do tipo de inter enção como como a partir daquela discussão levar ISO pr pra sala de aula e etc então sempre estimulei no ensino superior esse protagonismo isso seja Na graduação seja na pós--graduação na pós--graduação também os alunos são Estimulados a apresentar seminários que não quer dizer que seminário que ele dê aula no lugar do professor Mas é mesmo a construção de um diálogo de
uma interlocução de trazer a sua bagagem seu repertório seus conhecimentos paraa sala de aula então assim sempre estimulei muito isso né as minhas aulas sempre foram um pouco nesse sentido mais movimentadas ou seja de vez em quando eu dava aula positiva mas eh não era o o o digamos o método mais utilizado né eu Trabalhava muito com o que os alunos podiam trazer ou o que eu trazia PR os alunos para os alunos me devolverem em termos de de produção de conhecimento né E aí Diana eh você professora com essas práticas história da educação você
também traz um pouco da de uma nova perspectiva sobre história da educação se vincula ao ao centro de memória da da faculdade de educação da USP né E também vocês eh Eh vocês se entra nos arquivos escolares mesmo na questão tava vendo aqui no memorial tinha tinha esquecido mas mesmo da escola de aplicação da USP né se tem um projeto eh E como foi esse seu caminho porque depois esse seu caminho também vai dar o encontro com o núcleo de memória com a exposição escola pública o Saber trajetória de uma relação e dessa exposição a
gente pode ver muito da sua dessa nova perspectiva de história da Educação e quanto eu eu fazia o meu mestrado na Unicamp eu resolvi fazer um curso de arquivos que foi oferecido lá no centro de memória da Unicamp junto com o Instituto de estudos brasileiros da USP então eu fiz um curso de arquivos e eu também tive um eu tive uma formação em o meu doutorado eu acabei trabalhando muito com o arquivo Fernando Azevedo do Instituto de estudos brasileiros e findo o doutorado eu submeti um projeto na Fapesp jovens pesquisadores em centros emergentes em que
Eu tratei com ajuda de bolsistas de iniciação científica os 16.000 documentos do arquivo Fernando de Azevedo né então Eh então quando eu entrei na faculdade de educação eu estava com esse projeto já no ieb de organização do arquivo do Fernando de Azevedo e o no no caso a faculdade de educação tava criando também seu centro de memória então foi meio que natural eu começar a me envolver com o centro de Memória da educação porque o centro de memória da educação da feusp ele tem uma parte museológica mas ele eh essencialmente é um arquivo né então
ele tem todo a documentação arquiv do do Centro Regional de Pesquisas educacionais do crpe São Paulo então quando eu me envolvi com o centro de memória foi primeiro para dar tratamento a essa documentação né E ao mesmo tempo a professora Carmen Silvia Vidigal eh de Moraes ela tinha submetido um projeto na Fapesp de organização de centros de memórias nas 10 escolas mais antigas escolas técnicas mais antigas de São Paulo E aí eu comecei a trabalhar junto com a Carmen Silvia eh na estruturação desses centros de memória nessas 10 escolas técnicas mais antigas de São Paulo
Então desse trabalho derivou um outro que foi a organização dos do do centro de memória da escola de aplicação da da da própria feusp então que foi então no no no projeto com a Carmen a Gente eh lidava com alunos de ensino eh do ensino médio fundamentalmente né porque eram escolas técnicas eram alunos do ensino médio eh mas quando eu fui fazer o projeto com a escola de aplicação aí a gente trabalhava com alunos do fund um e do fund dois mais mais do que tudo do fund um e também foi bom porque a gente
foi testando outras metodologias para trabalhar práticas de arquivo com uma população mais infantil né então isso foi também muito Enriquecedor do ponto de vista de compreender os arquivos escolares e quando eu tava Justamente na coordenação do centro de memória que veio o convite do centro de referência em educação Maro Covas pra gente pensar a exposição que era exposição permanente né Eh então foi nesse movimento e aí com isso também eu fui me aproximando do próprio arquivo da caetan de Campos E daí que eu eu acabei porque eu continuava veja eu eu tava no centro de
Memória da Faculdade de Educação eu estava no ieb organizando a documentação do Fernando de Azevedo e eu estava prestando essa Assessoria pro crê Maro Covas Então eu tinha alunos que estavam em vários dessas posições e que podiam auxiliar o trabalho também de arquivo né e o trabalho da exposição e foi por isso que eu acabei a Teresa eh mesa baesa foi acabou indo para pro o arquivo do do do né do arquivo na verdade do Caetano de Campos por isso que o Zé Cláudio acabou Indo também ser monitor porque esses alunos Zé Cláudio por exemplo
tinha sido meu eh orientando de iniciação científica no ieb organizando a documentação do ieb E aí ele foi ser monitor da exposição do a exposição permanente então ele tinha um a formação história e ele tinha uma trajetória no livro de documentação arquivística que também permitia com que ele pudesse fazer essa essa monitoria de uma maneira bastante interativa com os alunos que Vinham das escolas a a Teresa por exemplo né Eh ela tinha sido minha iniciação científica também no no ieb ela tinha feito o curso de arquivos escolares e ela podia então Eh ajudar no no
na produção do inventário e etc do do arquivo do da caetan de Campos então eu tava nesse bolo que eu comecei e que a gente foi movimentando então foi um pouco por causa dessa trajetória um pouco porque eu tava no centro de m hora mas que a gente tava eu tava acumulando Uma um conjunto de experiências digamos com arquivos escolares que vinham desde esc arquivos das escolas técnicas arquivos da escola de aplicação arquivo da escola cartã de Campus e o arquivo pessoal do Fernando Azevedo né Diana Mas pode pode fica à vontade po Mas você
eh você também entrava nos entrou nos os arquivos anteriormente sim e e conta um pouco dessa experiência de entrar nos Arquivos o que que é entrar no arquivo sobretudo escolar então a minha preocupação com os arquivos escolares ela vem da minha trajetória como docente então Eh como eu tinha comentado já né Eu sempre me interessei sobre as práticas escolares e as práticas escolares são eh que aquilo que constitui a relação de ensino aprendizagem se dá a partir das práticas escolares ou seja como que o professor se posiciona na sala de aula como que Ele organiza
a aula enfim como que ele estrutura a sua atuação mas como também os alunos se posicionam na sala de aula como el eles se organizam nessa relação que se dá com o professor né essa atividade de todas é a atividade que menos deixa Rastro na escola porque assim a os arquivos escolares em geral eles são arquivos comprobatórios né então eu eu preciso de um histórico escolar então eu vou lá no arquivo eu preciso saber comprovar que eu eu Terminei o o bom agora terminei a educação básica por exemplo né ou eu preciso comprovar que eu
como professora atuei naquela escola e etc Então são arquivos de natureza comprobatória e a minha preocupação era justamente ao contrário falei olha como é que a gente guarda uma memória da escola que seja uma memória não das atividades meio da escola porque as atividades meio são a administração a burocracia né Eu preciso de todas essas eu preciso de ter o Histórico eu preciso de ter eh o controle de presença tal para que a a escola funcione digamos assim mas a atividade fim da escola é o ensino e aprendizagem Então como que eu eh garanto que
a memória dessa escola traga referência a atividade fim e não atividade meio então foi isso que me fez me preocupar com os arquivos escolares né pensar em que de que maneira os arquivos escolares podem ser esse lugar de guarda da memória das práticas Escolares né Eh o que é bem difícil porque eh dentro de uma sociedade escriturária né Ou seja a escola ela é toda organizada a partir da escrita né você tem documentos o tempo todo mas ela se el ela ela organiza a partir de escrita mas ela se faz na oralidade né e ninguém
grava uma aula de um professor bom agora hoje em dia até alguns gravam né mas assim normalmente você não grava uma aula de um professor aquilo e a aula de um professor ou a situação de ensino Aprendizagem ela é única eu posso inclusive ter o mesmo temário a mesma preocupação a mesma proposta de dinâmica Mas cada sala de aula funciona de um jeito Então como que eu guardo a memória desse saber que é o Saber docente né então para para isso que eu me envolvi com os arquivos escolares buscando nesses arquivos preservar o que o
pouco que existe das práticas escolares pretéritas né e pensando como que a gente pode a partir de dessa Contemporaneidade guardar algum vestígio dessas práticas atuais né porque uma das coisas que me preocupa na educação é que sempre se fala que o o professor é mal formado o professor não sabe o professor não não tem bagagem mas por uma boa parte da produção intelectual desse professor não tem Rastro nenhum porque ela ela ela é feita de maneira oral Então como que a gente consegue demonstrar que há um saber produzido cotidianamente na sala De aula né E
que esse saber ele é importantíssimo para a manutenção do funcionamento da própria escola da aula enfim das relações que estão estabelecidas ali né Então essa que era a minha eh sempre foi a minha preocupação mostrar como eu sempre me interessei muito pelas práticas escolares mostrar o poder dessas práticas eh escolares dentro de uma uma uma questão quer dizer uma epistemologia mesmo ou seja um saber Eh docente V beber minha água eu tô ficando com a garganta seca mesmo mas diga vamos conclui três ainda ainda ten ten tem tempinho eh Diana eh bom eu fiquei interessado
agora na questão de do que você pensa sobre os o qual que é a perspectiva dos arquivos nas escolas né que que você pensa assim como ideal e como real né mas eh não sei se você gostaria de desenvolver Isso agora já que falou de arquivo ou então já entrar na na exposição dentro daquela da e da exposição a escola pública e saber trajetória de uma relação eh eh e eu não tô te corrigindo viu não não se preocupa com isso mas é ele foi o o o projeto foi concebido no ano 2000 Ah então
foi antes 2001 foi construído nossa ainda foi mais cedo aa você e 2002 foi inaugurado Ah então quer dizer a a construção foi em 2001 Ah tá do da da da exposição enfim e Mas não é Para te corrigir é só corrigir mesmo C Mas é para quer dizer corrigir no sentido que a gente tá preocupado com isso mas só para agora Diana eh Então essa essa eh e se você quiser tratar especificamente do do arquivo escolar perspectivas e realidade é uma coisa né e o o outro é sobre o o processo da exposição a
escola pública o Saber trajetória de uma relação que eu vejo muito disso da sua dessa nova vertente de de história da Educação Então qual o desafio de você eh compreender práticas escolares pretéritas se se elas não deixam Rastro como é que você acessa as maneiras como os professores atuavam né E como os alunos Av na sala de aula Se você não tem documento né então isso me levou a ter uma atenção par particular e aí isso também tem a ver com os arquivos escolares com a materialidade do suporte então Eh por um lado a cultura
escolar como que ela se produz né mas para Entender a cultura escolar pretérita né era preciso então trabalhar com a cultura material escolar E é isso que eu vou eh que me leva também a uma preocupação com os arquivos então eu vou olhar para esses arquivos não vou por exemplo buscar só um registro de como foi uma aula ou o eh mas por exemplo se eu pego uma prova de aluno eu vou analisar não o conteúdo só da prova mas como que essa prova tá organizada é um uma folha de papel Masso É uma folha
mimeografada é um é um sh Ox isso me acessa um conjunto de práticas eh a escrita a resposta tá escrita ou a a a pergunta Tá escrito e a resposta tá escrit a com bico de pena tá datilografada tá tá digitada tá escrita lápis tá escrita caneta Então a partir desses vestígios que estão vestígios também uma certa maneira comprobatórios da atividade docente né e da enfim eh e da atividade dos alunos de cente eu posso por meio da cultura Material tentar acessar as práticas então pensar por exemplo o que que é uma sala de aula
em que asas carteiras são de madeira com os pés de chumbo né e fixas no chão Qual é a mobilidade que o aluno tem como que o professor se situa nessa sala a posição que então com isso você consegue a partir da cultura material você consegue acessar E aí essa cultura material eu só vou encontrar nos arquivos Porque todo o resto vai sendo eh Eh descartado né então claro que a gente às vezes encontra uma carteira ou outra numa escola mas a gente encontra muito material por exemplo material didático em arquivos escolares o arquivo da
caetan de Campos tem um material didático riquíssimo que a partir desse material né a gente consegue também inferir algumas das práticas escolares né então acho que que essa esse esse eh esse approach essa essa aproximação essa forma de olhar é que me permitiu também Continuar operando no nível das práticas escolares a partir de documentos queem em princípio a gente só olhava eh do ponto de vista do seu conteúdo né então pensar forma também como alguma coisa que informa sobre essas práticas escolares né então acho que isso isso é E isso tem muito a ver com
a exposição né Eh feita no no no crê Porque de fato isso isso isso isso vem de uma maneira diferente de olhar pra história então Eh até sei lá os anos 80 ainda durante a ditadura né esse olhar pra história Era um olhar e isso tem muito a ver também com o momento político que a gente vivia né era esse era um olhar muito a partir da legislação muito a partir ou da da história dos grandes pedagogos né né ou da legislação basicamente né e com o movimento da abertura política e com a a novas
discussões que vão surgir na academia na história e mesmo na educação a gente começa a olhar muito Mais para esses sujeitos pros sujeitos cotidianos né Para aqueles sujeitos eh que não deixam seu nome na história né que passam pela escola e não vão deixar seu nome gravado nem na no nome da da escola não não vão deixar nenhuma sala de aula com o nome deles enfim sujeitos que vão passar né como todos nós né é olhar para esses sujeitos do ponto de vista de seus marcadores sociais então gênero raça condição eh Socioeconômica religião Então essas
questões vão trazer novas ess essas abordagens essas perspectivas teóricas vão trazer novos problemas para a historiografia da educação e aí isso vai mobilizar a gente a gente vai vai mobilizar novas fontes né então a legislação passa a não ser uma uma peça fundamental ela é importante mas ela não é fundamental porque ela legislação é uma carta de intenção então não só a legislação mas Por exemplo se eu quero trabalhar no ponto de vista da legislação só eu vou pegar os debates parlamentares para entender como que aquela lei foi construída e não partir da Lei como
alguma peça que já existia né mas pensar a lei como a emergência de um debate então eu posso fazer isso ou eu vou buscar esses outros documentos que vão me permitir olhar pra escola a partir deste outro ponto de vista que é dos sujeitos que frequentam a escola né Sejam eles os professores sejam eles os alunos sejam eles os inspetores sejam eles diretores enfim que que esses sujeitos fazem com a legislação com os materiais que L são distribuídos então isso de fato tem a ver com uma mudança uma operação uma mudança na maneira de produzir
história né de produzir história no sentido Mais amplo e de produzir história da educação daí o interesse pelas práticas de novo porque as práticas vão repor esses sujeitos Como agentes como protagonistas de um processo que é o processo educacional né ou seja pensar a a a escola dentro de um processo que é um processo educativo da própria sociedade e que não se resume digamos a uma relação direta entre a legislação e a prática dos sujeitos mas que existe resistência existe movimentos de rebeldia existem insubordinações existem apropriações mudanças alterações enfim esse conjunto que foi o que
também me fez muito discutir a questão das Reformas né que eu falo que eh as pessoas falam Ah bom o fracasso das reformas e a a minha pergunta é em que que as reforma Mas fracassam porque as reformas educacionais elas não fracassam em totam elas elas fracassam em alguns aspectos Então o que o aprendizado sobre aquele fracasso me faz entender sobre a dinâmica da escola né então e eh esse movimento que eu acho que a exposição acabou capturando porque a gente tentava mostrar nessa exposição né As relações entre a legislação escolar e as condições materiais
Então por por exemplo a arquitetura dos prédios etc né o momento histórico vivido então relações por exemplo com a imigração ou com a vida da família real ou com a independência então movimentos políticos mais amplos mas movimentos sociais também né e com enfim com práticas escolares mesmo porque na exposição além da gente ter o grande painel né em que a gente Contava um pouco essa linha do tempo a gente tinha alguns núcleos temáticos então um núcleo temático Por Exemplo foi o núcleo ligado à biblioteca escolar da caetan de Campos em que a gente tenta ali
recuperar as práticas da Iracema Silveira né como essa bibliotecária que estimulava os alunos a fazer o jornalzinho nosso esforço que estimulava os alunos a serem monitores né então os alunos que faziam o trabalho de eh lidar com os colegas Para poder inclusive indicar livros etc né que fa o jornalzinho que então desde o começo as matérias etc que ajudava na construção dos dossiês e etc né então pensar essa prática escolar da biblioteca como integrada por exemplo as as aulas das outras disciplinas então havia esse núcleo havia havia outros núcleos havia o núcleo das cartilhas por
exemplo que também foi bem interessante que as pessoas adoravam Então porque fazia aí eram digamos eram movimentos no Sentido também de fazer uma aproximação sensorial com a escola né então a escola não é um objeto só de conhecimento todo a nossa sociedade né é uma sociedade que expande horizontal e verticalmente A escolarização então a maior parte da nossa população tem uma experiência escolar ainda que isso seja diferente nas classes sociais né mas você tem uma experiência escolar então assim eh a ideia da exposição era também buscar essa Conexão sentimental entre a escola né aquela escola
que eu vivi e a história da escola que tava ali né seja do ponto de vista de encontrar cartilha que eu tinha estudado sei lá Caminho Suave que todo mundo ficava enlouquecido quando via caminha suave a gente inclusive fez umas fac símiles das cartilhas porque as pessoas viam as cartilhas no no expositor e as pessoas queriam virar as páginas para lembrar como é que era o que que ela tinha aprendido então a Gente fez esse fax símiles né tinha essa coisa da não só daí né de você lidar mas outros movimentos de você reconhecer Puxa
vida olha aqui prédio da minha escola onde eu estudei e tudo isso fazia uma conexão mais eh emocional né então isso também era um objetivo da da exposição Então veja que era tinha que ver claro com uma nova perspectiva de história que era numa história não uma história dos grandes nomes dos grandes pedagogos dos Grandes educadores sejam eles eh fora do Brasil sei lá herb pestal Rousseau não sei o qu ou os grandes educadores brasileiros Fernando azeved danis Teixeira sei lá Lourenço Filho dentre outros muito outros Paulo Freire etc né TC Ribeiro não posso esquecer
ninguém senão o povo fica nervoso eh e aí já esqueci alguns e e mas pensar uma coisa que a uma exposição que aproximasse a experiência de sente ou a experiência de aluno do Visitante com aquele material expositivo vou pegar mais água aí não posso pegar mais água se eu levantar o microfone desespera aqui tá indo muito o mic lembrei do microfone Ó o povo me mata se eu levanto aqui arrastando o microfone para cima abaixo Eita Obrigada Ari Tiana e como foi a sua experiência em montar essa Exposição bom primeiro assim é como tudo todo
trabalho em grupo né porque a gente tinha tinha esse núcleo que vinha da Universidade então Carmen Silvia Márcia razini e eu que vos do centro de memória da educação né Eh mas tinha o perval que era era um artista plástico né tinha as as as bolsistas Então você tinha porque o grande desafio era assim era sair de uma linguagem Eh ortográfica né para uma linguagem que fosse visual né iconográfica né então essa esse acho que foi o maior desafio era ter uma exposição que você tivesse menos texto que é o que a gente na academia
tá acostumada a fazer né texos e tal mas que tivesse e que as imagens pudessem elas construir uma narrativa que fosse uma narrativa compreensível né eh por parte da sua da sua estrutura mas que ela também fosse reconhecível porque Assim uma das coisas que a gente tinha preocupação era assim se eu veja o conhecimento só se produz a partir do significado que eu atribuo a esse conhecimento se eu não consigo atribuir significado Eu não aprendo Eu não eu não incorporo aquele saber né Não incorporo então o que que a gente precisava na exposição a gente
precisava de ter algumas imagens que fossem imagens com as quais o público tivesse acostumado então fosse imagens que Remetessem a um a uma memória que ele tinha visto no livro didático Em algum momento e que isso pudesse situá-lo historicamente Tá certo ao mesmo tempo a gente precisava trazer conhecimento novo mas esse conhecimento só novo sozinho se ele não tivesse apoiado no conhecimento prévio ele não não não faria sentido para esse público então o maior desafio era construir foi construir aquele grande painel porque aquele grande painel a gente tinha era uma enorme Linha do tempo a
gente não queria ficar só com Marcos legais então a gente queria ter Marcos sociais também então a imigração Por exemplo quando a gente coloca aquele quadro saudade de Napoli né que a gente coloca algumas alguns elementos nesse nesse painel que são elementos que vão ser que vão trazer uma referência histórica então do momento histórico a gente queria também trazer informações sobre a história da educação naqueles momentos Então a gente Vai buscar imagens novas por exemplo a gente coloca um quadro muito conhecido da vinda da família real né e junto com isso a gente coloca uma
imagem do ensino mútuo o ensino mútuo ninguém sabia o que que era mas a o quadro da família real era conhecido então isso permitia por exemplo aos monitores fazer uma associação entre a vinda da família real o início do século XIX e a implantação de um ensino mútuo Então essa essas relações que a gente que isso foi mais Foi muito difícil da gente fazer porque depois a gente tinha assim a gente tinha um núcleo a gente tinha eh como que eu posso dizer a gente tinha um material eh a gente tinha carteiras a gente tinha
muito mobiliário que permitia que a gente fizesse por exemplo esse esse esse Cantinho da biblioteca escolar foi um dos mais fáceis de fazer porque a gente era era o material que mais tinha no centro de de memória lá no no arquivo do da caetan de Campos então isso a gente Conseguiu fazer fácil inclusive com material de libras né porque eles tinham Todo o material eh de briley na verdade não era libras de briley e etc que foi utilizado na no ensino da caetan de Campos né então isso Você tinha outras coisas envolveram mais pesquisa por
exemplo a a mácia razine ela precisou fazer um levantamento grande das cartilhas Porque também tem o o tinha a biblioteca né que a gente podia encontrar essas cartilhas então Fazer um levantamento bom dessas cartilhas para escolher quais cartilhas colocar Então tudo mas como a gente trabalhava em núcleos né então a mácia mais com essa parte da alfabetização da da literatura etc eu com mais com essa coisa das práticas escolares a a Carmen Silva mais com essa história eh mais Legislativa né de políticas públicas que é o o ramo dela então assim a gente conseguia eh
harmonizar digamos essas diferentes visões buscando núcleos Diferentes mas é claro que isso isso deu trabalho né deu um trabalho louco porque era um trabalho de muita reflexão para poder fazer um um conhecimento abrangente gente resumido em poucas e objetos né em poucas peças em poucos espaços dispositivo até porque o espaço expositivo era muito pequeno então Você entrava naquele prédio da Rio Branco você tinha o grande painel que era que apresentava depois você tinha eh o Núcleo da da biblioteca lá no final e você tinha alguns expositores assim né Eh que você que que a gente
encontrava então por exemplo um esposo sobre eh objetos da escrita então desde a pena até a caneta para para se perceber como que foi mudando por exemplo a a prática descrever ao longo do tempo né e no espaço de baixo é que a gente tinha o expositor com as as cartilhas então o espaço também era resumido não era um espaço tão grande então a gente tinha o Desafio de acomodar todo aquele conhecimento e a exposição ela teve por pressuposto começar no início do século XIX e ia até o momento em que a gente estava que
era 90 2000 né até 2000 então Eh imagina dois séculos de educação pública em São Paulo eh num espaço que não era um espaço muito grande e com esse com esse todas essas injunções entre eh questões museológicas questões iconográficas e mesmo questões textuais né Então eh eh antes de finalizar Diana eh o o n vocês também foram responsáveis pela pela orientação dos monitores né então se você puder falar um pouquinho sobre como foi essas se você tem na sua memória como foi essas orientações né qual caminho e a relação com os funcionários da no caso
da FD não uma uma das tarefas que a gente tinha era justamente essa preparar os os monitores para poder eh fazer o percurso expositivo né porque como a gente a gente tinha alguns painéis a gente a gente teve texos que a gente também fez em painéis né mas a gente não queria encher demais de de texto porque a gente sabe que quando você faz um percursos positivo As pessoas olham elas elas sempre se concentram em alguns espaços né então Isso isso teria sido alguma coisa que a gente gostaria de ter feito e que acabou não
fazendo que era no estudo de público depois para poder ver o que que tinha atraído mais o público e o que que tinha sido olhado de uma maneira mais rápida né mas assim intuitivamente pelas Exposições pelas visitas guiadas que eu acompanhei a gente percebia que havia um uma enorme adesão sobre a questão dos do das cartilhas né havia um grande interesse desse painel grande Porque as pessoas tentavam entender as correlações e depois era um pouco mais um Um percurso aligerado então a monitoria ela tinha esse papel de fazer uma espécie de pausa em determinados momentos
da exposição do percurso expositivo e chamar atenção Para determinados elementos por exemplo um elemento que eu acho que era importante de chamar a atenção mas que não ficava muito Evidente se a gente não não não chamasse né não não fizesse esse Apelo eram os o os quadros em brailey então mostrar que já na década de 60 a caetan de Campos tinha um ensino voltado para as a os deficientes visuais isso é muito bacana até porque isso tem a a ver com a Dorina doil né que foi aluna da escola né e e tem a ver
com a própria eh Iracema Silveira que era bibliotecária escolar como eu falei de 1936 até 66 e ela tinha uma perda visual ela ela ela tinha perdido uma das vistas então assim havia uma sensibilidade da escola para Os deficientes visuais que não era muito comum então não só tinha o material em Braile como tinha uns eh eles tinham uns equipamentos né em que as crianças colocavam no ouvido para poder eh eh aquele material ser lido etc então assim tinha uma preocupação isso é uma coisa assim que se você passa rapidamente você nem vai notar até
porque uma boa parte das pessoas não tá acostumado com a leitura Emile então bom se bem que hoje nos elevadores tem bastante né as Pessoas começaram a se antenar mas é mais difícil então o monitor tinha esse papel de de de fazer um destaque né falar olha olha que que interessante isso aqui e aí dá conteúdo Veja isso aqui é da época tal isso aqui aconteceu tal veja como é que isso se relaciona e etc então Eh para isso a gente eh um dos monitores que a gente usou muito né que que começou logo foi
o José Cláudio soma Silva que era meu aluno de mestrado e o Zé Cláudio é uma pessoa ótima e ele Assumiu aquilo de uma maneira assim sensacional e a gente formou o Zé o Zé já tinha uma bagagem em história da educação obviamente ele tava fazendo o mestrado dele em história da educação tinha feito iniciação científica no arquivo do ieb com a Fernando arquivo Fernando de Azevedo então ele tinha já uma bagagem né E aí essa formação foi legal porque depois o Zé Cláudio ele era o formador dos dos monitores ele formava os demais porque
ele foi ficando acho Que o Zé ficou bem um ano lá então ele foi vendo passar outros monitores e ele mesmo foi arregimentando outros monitores da história da faculdade de história para poder eh lidar com isso então foi foi uma época foi Acho que foi muito rico esse movimento né inclusive de de formação para esses sujeitos que atuaram na monitoria né acho que é isso tá obrigado Diana sobre a relação com os os profissionais da secretaria né Então é interessante falar Cida maiani o sidão ou outros que você você tem a na memória né na
memória ess Ah tá eh eh acho que é relevante dizer que todo esse processo né da da exposição ele foi acompanhado muito de perto pela Maria Aparecida manhani né que foi Aliás era a nossa grande interlocutora eh no cremar corvas grande interlocutora e grande emuladora porque ela tinha um trabalho muito bacana já ou seja ela tinha uma relação muito bacana com a rede ela Tinha vários projetos com de memória com relação à rede de de formação de leitores né na rede então a a SIDA tinha uma preocupação muito genuína com essa formação de professores e
com a eh com o trabalho com os alunos né ela tinha um investimento muito grande então assim ela foi nossa maior interlocutora durante todo esse período depois tinham outros eh pesquisadores que estavam ali né inclusive o Diógenes num determinado momento já tava lá na no cremar cobas Trabalhando n digen Nicolau tá trabalhando com a gente lá no no no memorial né ou no memorial ou no no crem marrio Covas que a gente chamava de um jeito ou de outro né então mas eh eu acho que assim do ponto de vista do apoio eu acho que
a gente teve muito apoio mesmo do cremo coves para isso agora claro que sempre havia um ou outro detalhe que ficava sendo corrigido pela pela secretaria enfim havia sempre um eh eh uma é uma era uma Exposição contratada pela Secretaria Estadual de Educação e então assim havia também eh digamos expectativas por parte da da da secretaria que a gente tentava atender na medida do possível e outras a gente simplesmente fingia que não existiam né porque não faziam parte do que a gente compreendia como eh dentro ou da teoria da história ou da própria história da
educação né da maneira como a gente encarava a construção daquela Exposição mas era aí era de fato Sim era um grande desafio juntar tudo né demandas da secretaria preocupações do Persival com relação à linguagem mais visual as nossas preocupações que eram também diferentes mais as práticas a mácia mais a a a alfabetização e a literatura aem mais as políticas públicas tudo isso era um grande caldeirão Mas ó funcionava funci tanto que saiu a exposição né só não saiu o catálogo mas saiu a Exposição conta um pouco sobre Vamos fazer uma um exercício sobre suas memórias
o cheiro do do Ah meu Deus do Mas por que você quer que eu fale sobre isso homem de Deus ai Deus não vou falar sobre isso não di tem nada a ver com isso mas o que que te lembra o cheiro do do do do ISO do mimra só por qu Ah é ficou na outra conversa ele vai Trazer estudando aquele negócio para cá de hoje assim o que dá para falar desse jeito desse negócio é o seguinte acho que quando a gente opera com as práticas escolares a gente opera com um conjunto de
saberes e Sensações né que muitas vezes eh fica ficam Perdidos na memória não na memória individual na memória coletiva e na história então Eh por exemplo o mimó grafo né quando eu fui professora né Eu professora de Fundamental um na verdade né Eu precisava eh montar as minhas aulas né pros alunos porque naquela época não existia xerox gente dá para acreditar não existia xerox ou seja nem se escaneava não se xeroca se fazia os exercícios no mimeógrafo então assim eh eu punha a quantidade certa de álcool lá tive que aprender a colocar o certa de
álcool naquele feltro para poder rodar o mimeógrafo para poder sair né o exercício direitinho Então tinha um Conjunto de saberes que estavam envolvidos ali primeiro a gente tinha que saber comprar Matriz né a matriz se fosse de uma cor só era mais fácil fazer colorido era uma loucura mas fazer de uma cor só tinha que ter um jeito de escrever que era um jeito de escrever que eh não não furasse o papel mas ao mesmo tempo não fosse tão leve que não egn asse porque a matriz de um de um mimeógrafo é o seguinte você
tem uma folha em cima e você tem embaixo uma Espécie de carbono né e e depois você tem uma outra folha embaixo que que você tira aquele carbono do meio Então você tinha que escrever de tal forma que que não furasse a a folha de cima mas que também impregnar o carbono Então você tinha que fazer esse movimento né Não podia errar obviamente porque não tinha como apagar então tinha que ter muito cuidado ao fazer isso depois disso você tinha que destacar a folha de cima colocar no Mimeógrafo colocar a quantidade exata de de de
álcool porque se você pusesse álcool de mais borrava se pusesse álcool de menos Ficava muito fra né tinha que rodar aquilo e aí você tinha que colocar uma folha sulfite a cada vez e rodar a manivela de sorte que a folha entrasse direitinho porque se a folha entrasse mal entrada saia tudo assim ó e você tinha que jogar fora Então veja essa Olha o olha a quantidade de Saber de experiência que você precisa ter para fazer um simples trabalho no mimeógrafo e isso significava isso tinha várias implicações primeiro porque o mimeógrafo acho que a gente
conseguia fazer umas 15 cópias bem feitas depois disso ficava ruim o que significava que você tinha que fazer você tinha uma turma de 30 você tinha que fazer duas matrizes você não podia fazer uma matriz só então você tinha que fazer duas vezes esse mesmo processo de fazer a matriz Etc então assim é claro que o mimeógrafo ele trazia Ou seja a questão da cultura material escolar ela é importante pra gente ver como que essa prática docente se constituía então para um professor fazer um exercício pros alunos em sala de aula veja o trabalho que
ele tinha que ter em casa ele tinha que fazer se ele tinha 30 alunos duas matrizes ele tinha que rodar folha a folha do sulfite com cuidado para não errar isso é um exercício uma folha imagina se ele Fizesse um um exercício que tivesse duas folhas eram duas izes para cada rodando duas folhas botando o álcool a gente não tinha mimeógrafo em casa ninguém tinha era caro isso tinha que ir pra escola mais cedo para poder fazer né E para fazer isso tinha uma fila de professores que também tinham querendo fazer a mesma coisa então
veja o tempo que tudo isso envolvia na construção de uma coisa que era tão simples que era um exercício mimeografado por isso que eu falo que Importante a gente olhar pra materialidade daquele daquele objeto né porque a Olhar aquela materialidade ela também nos informa não é só o conteúdo do exercício Ah é um exercício de matemática aritmética Não é só isso o que envolveu a produção daquela base material do exercício de matemática todo um saber que é um saber da prática porque assim quando eu comecei a a fazer exercício no mimeógrafo Nossa borrava não saía
direito eu tinha que refazer a Matriz várias vezes que se você põe muita muito álcool a matriz eh eh suja a matriz né corre a letra assim aí você não pode usar mais então assim era é todo um saber que que precisava ali ser eh construído e era passado de um professor pro outro falou não tá botando muito álcool não põe menos aí se a gente punha muito álcool a gente sacudia o feltro para poder sair o excesso de álcool e etc e ao mesmo tempo a gente tinha que ir repondo o álcool porque não
Era só uma quantidade põe um álcool aí rodava cinco seis folhas ponha álcool de novo rodava cinco seis folhas e assim sucessivamente Então veja a quantidade e isso também trazia uma memória olfativa né então fazer os exercícios era sentir o cheiro do álcool veja como tudo isso ão quando você sentia o cheiro de álcool você lembrava muitas vezes do trabalho que você tinha de fazer o exercício então eh veja como que a cultura material ela é Importantíssima a gente às vezes não dá atenção para uma é só um mimeógrafo mas veja a condensação de informações
que esse só esse mimeógrafo traz do ponto de vista dos saberes eh docentes do ponto de vista das emoções né do ponto de vista da do do sensorial de sentir o cheiro de olhar de ver porque o cheiro do álcool tinha ve se a gente punha álcool demais Ficava muito Ficava muito ativo o cheiro de álcool então a gente sabia até pelos pelo olfato se a Quantidade de álcool tava certa né então todas esses aprendizados que vão que são aprendizados desde dos sensores né da mão do alfato da visão né até o saber do que
que a gente tava fazendo ali né o propósito daquilo e o conteúdo porque no final ainda tinha o conteúdo né então como o que e a cultura material nos ajuda a compreender a escola e as práticas Escolares do ponto de vista desses fazeres dos sujeitos e dessa sensorialidade que a escola tem ninguém Passa pela escola sem ter vivido o espaço escolar né e viver o espaço escolar é sentir o espaço né sentir a sala sentir os colegas são relações afetivas são relações de é você tem conteúdo da escola tem gente mas tem um bando de
outras coisas que a escola também ensina né ensina da maneira cotidiana às vezes sem muito prestar atenção e que fazem parte necessária das práticas escolares um aluno que não se sente bem em sala de aula ele não Consegue aprender uma professor que não se sente bem numa sala de aula ele não consegue trabalhar com os alunos né então assim tudo isso tem a ver eh com essas relações porque a escola a escola escola escola ela não existe o que existe são as relações deo aprendizagem um prédio vazio não é escola eu posso transformar em escola
qualquer espaço Mas um prédio vazio nunca vai ser escola se não tiver aluno Se não tiver Professor Então essa relação entre os sujeitos que a materialidade muitas vezes nos ajuda a acessar fale mimeógrafo mas falei de outro jeito falou muito bem muito bem muito obrigado então já estamos acabando sobre a experiência escolar e profissional que você mais gostaria de deixar registrado nessa data Minha experiência escolar e profissional eita não sei di acho que talvez o que o Que mais me o que mais me anima na na minha experiência profissional é a convivência com as pessoas
a a a relação dos professores ou seja ser professor é está constantemente em contato com pessoas né então é essa relação pessoal que nos constitui os nossos alunos voltam ah hoje pode contar o caso Hoje eu tava hoje eu fui eu eu fui chamada pelo reitor para discutir um uma questão lá que é a gente tá na câmara de avaliação docente e eu fui fui encontrar Com reitor numa reunião tal né E aí tal entramos entramos na sala tal e a secretária veio trazer a água né que normalmente vem trazer a água etc ela chegou
do meu lado botou água falou assim eu fui a sua aluna Aí eu virei falei assim é mesmo você mudou para caramba ela foi me deu um abraço me deu um beijo e voltou pra sala dela Então veja né acho que é isso que é ser professor né Você às vezes é é essa relação que você constr com as pessoas Né E às vezes até as pessoas vão mudando né porque as pessoas bom eu também mudei tô envelhecendo e as pessoas vão mudando e e para mim as pessoas mudam mais porque é como a gente
diz né Eu os meus alunos têm sempre 17 anos né Agora eu vou tendo 60 61 62 63 Mas eles chegam sempre com a mesma idade Eles vão mudando n a fisionomia é uma época que muda muito a fisionomia Às vezes a gente tem dificuldade de reconhecer Mas é isso de uma forma ou de outra quando eu Entrei ela veio olha engraçado né foi minha aluna bacana né é isso última pergunta não aqui você já falou que é última pergunta um monte de vezes todo mundo já tá aqui de testemunha O que significou sua relação
com o memorial da educação Paulista com o núcleo de memória né e a ser história Ah a minha relação com o numar com CR Mário Covas enfim com o arquivo eh Fernando Azevedo não o arquivo da caetan de Campos para mim foi assim eu acho que Foi uma das coisas uma das das das coisas mais interessantes que aconteceu na minha carreira porque assim eu pesquisei muito no acervo da da caetan de Campos eu produzi muito texto sobre isso eu tenho artigo sobre a Iracema Silveira e as práticas escolares que saíram no Brasil e agora tá
saindo um numa publicação eh nos Estados Unidos né Eh eu tenho artigos sobre os museus escolares que eu usei muito material do Arquivo que tava que tá lá na no arquivo da caitan de Campos os museus da casa der rol que saíram na Inglaterra que saíram na França que saíram em tudo que é lugar né e no Brasil também eu tenho artigos sobre eh os os professores da citan de Campos que saíram publicados em vários servos então assim muito da minha pesquisa em história da educação e muito da a minha e a pesquisa significa produção
e significa ensino né então muito do meu Ensino sobre história da educação a minha produção sobre história da educação saiu dos arquivos da da dos materiais dos documentos guardados no arquivo da da caitan de Campos e guardados hoje no numar então assim por isso que eu fico muito feliz de nesse momento a gente poder est com a área a de Nec lá no no arquivo né potencializando esse material que é riquíssimo que tem ainda muito a oferecer a pesquisa em história da Educação e que com com benefício da bolsa Fapesp né junto a esse projeto
temático pode né contribuir para ainda deixar mais Evidente ainda trazer ainda mais frutos sobre a história da educação em São Paulo então assim de fato eu fico muito feliz de ter podido né estar com o numar o cremo cov enfim com o arquivo da da Caetano nesses só 24 anos de trabalho conjunto obrigada muito obrigada Pronto agora foi a última mesmo gente o pessoal acreditou