bom retomando então a nossa reflexão sobre a centralidade dos textos eh para as trocas sociais vamos falar um pouquinho sobre o que nos caracteriza também como seres humanos a partir do grande filósofo Paulo Freire na Minha tese de doutoramento que foi na área de linguística eh chama-se construções discursivas de resistência um estudo sobre maras de mulheres no Brasil eh eu dialoguei com Paulo Freire não do ponto de vista da teoria dele sobre como que os seres humanos aprendem mas da teoria dele sobre a própria humanidade então do meu ponto de vista Paulo freira Ele oferece
pra gente um construto muito robusto teórico metodológico eh de base essencialmente filosófica pra gente entender como que o que é o ser humano o que caracteriza o que que nos caracteriza como seres humanos e qual a importância da do aprendizado dentro dessa nossa eh estrutura enquanto seres eh que são capazes de conhecer né que são capazes de falar sobre que conhecem então o Paulo Freire ele vai propor pra gente que o que nos caracteriza como seres humanos O que define a humanidade é a potência do ser mais nós somos seres humanos porque nós somos capazes
de sermos mais do que nós éramos Há alguns minutos antes isso é muito potente isso é muito bonito porque nos mostra como nessa nesse processo de sermos mais as trocas sociais o aprendizado com com os demais seres humanos eh vai nos oferecer ferramentas para desencarde em nós esse desenvolvimento do que nós somos essa ampliação do que nós somos E aí ele vai falar que o ser humano é um ser aprendiz é um ser que aprende que apreende a sua realidade dando nome às coisas do mundo eh entendendo essas coisas do mundo e aí ele vai
ter toda uma reflexão eh do ponto de vista daigualdade social em que ele vai nos explicar Que Nós seres humanos eh em função da ele nos termos bonitos do Paulo freir da malvadez de alguns que detém algum tipo de poder eh podemos ser tolhidos dessa nossa potência de ser mais e ele vai falar essencialmente das eh políticas para alienação das pessoas em relação ao ensino ele vai dizer categoricamente que o ser humano ao ser impedir de ser mais ele é despido da sua humanidade ele é transformado num ser humano de segunda categoria Quando a gente
pensa no histórico das minorias E aí eu me coloco como uma das minorias Eu sou uma mulher como demorou para que nós mulheres pudéssemos acessar espaços de saber como demorou para que nós mulheres pudéssemos ser doutoras como demorou para que nós mulheres pudéssemos ser professoras né E aí eu não tô dizendo professora é cuidadora de criança porque esse lugar do da afetividade do Cuidado da criança sempre foi delegado a nós mulheres não só dos cuidados das Crianças mas também aos mais velhos tô falando professora lato senso né pedagoga professora de licenciatura professora de Universidade enfim
como demorou para que isso pudesse ocorrer e o que tava por trás desse nosso não acesso à nossa alienação à nossa potência de ser mais mesma coisa aconteceu com as comunidades que foram racializadas sejam elas as comunidades indígenas sejam elas as comunidades eh que vieram sequestradas o continente Africano eh houve um cerceamento categórico ao que permitia que as pessoas pudessem ser humanas e como que eu impeço isso por exemplo uma das estratégias mais brutais que foi empregada tanto para o controle das populações ameríndias quanto para o controle das populações trazidas do continente africano a força
para uma vida de miséria nesses lugares que a gente vive foi dividir as pessoas por grupos étnicos e grupos linguísticos então por exemplo um feitor de escravos ele comprava pessoas eh separando as famílias e separando pessoas que pudessem se comunicar pessoas que compartilhassem a mesma língua ao fazer isso ele roubou dessas pessoas pelo menos num primeiro momento a capacidade da Solidariedade a capacidade da troca do afeto do Riso compartilhado eh do aprender uma com a outra quando ele faz isso quando esse eh esse movimento político econômico destrói a capacidade dessas pessoas que estavam sendo escravizadas
naquele momento delas trocarem informações por meio da linguagem ele as despe da sua humanidade E aí fica muito mais fácil você transformar seres humanos em coisas em eh objetos que podem ser descartados podem ser violentados podem ser massacrados porque são coisas não são seres humanos são menos do que bichos né e a gente vê aí a centralidade da linguagem voltando para Paulo Freire então quando ele diz pra gente que nós somos nós somos seres humanos porque nós temos a potência do ser mais e ele diz nessa potência do ser mais o que nos o que
nos permite ser mais é o fato de nós sermos seres aprendizes ele tá diretamente dialogando com essa reflexão que eu tô trazendo para você vocês de que nós somos capazes de apreender a realidade porque nós desenvolvemos uma ferramenta de compartilhamento social dos nossos conhecimentos que é a linguagem então a linguagem e aí eu vou abrir um outro parentese Zinho pra gente entender a matéria da linguagem o que o que é essa linguagem a linguagem ela é essencialmente metafórica durante muito tempo e os filósofos gregos lá Aristóteles entendiam Que Nós seres humanos éramos capazes de racionalidade
porque nós organizávamos o mundo então nós colocávamos as coisas do mundo em caixinhas por exemplo meu filho mais velho ele antes de aprender a falar mamãe ou papai que são as bilabiais né então todas as crianças elas bo abusam primeiro B que é o som mais fácil de ser produzido pelo ser humano Fora as as vogais né a e i o u u enfim são sons vocálicos que não tê necessidade de articulação Ou seja eu não preciso colocar a minha boca de uma determinada forma para travar o ar e formar consoantes Então as consoantes mais
fáceis são essas que é é o balbucio até o próprio eh fato de nós sermos mamíferos né de nós mamarosa a fazer esse movimento que vai nos dar o b p m enfim antes enfim do meu filho mais velho aprender a falar mamãe ou papai ele aprendeu a falar Bá que era o nome da minha cach eu tinha uma cachorra chamado baleia obviamente porque eu sou uma nerde de e linguística e letras Enfim então a minha cachorra chamada baleia em homenagem a Vidas Secas ele aprendeu então a falar Bá na casa que que a minha
mãe morava tinha muitas daquelas enfeites que são umas Araras que pendura no teto que a gente compra em cidade litorânea e tinha algumas que você puxava uma cordinha Ela balançava a asa então ele ao tocar nesses objetos e ao conviver com a baleia ele conseguiu muito bebezinho ele tinha 8 meses e depois a gente vem entender que o fato dele falar muito precocemente enfim era porque ele era ele é uma pessoa neurodivergente né Eh ele conseguiu classificar ba é bichinho de quatro patas e a que era arara é bichinho que voa quando a gente saía
na rua com ele ele via gatos e ele chamava de Bá E ele via pombos e chamava de A tá aí feita a classificação então Teoricamente essa esse causo que aconteceu comigo reforçaria esse conceito do Aristóteles de Que Nós seres humanos somos seres que conseguimos entender o mundo porque nós classificamos esse mundo então seria um funcionamento classificatório do cérebro no entanto a partir dacada de 70 teve uma virada cognitivista dos estudos sobre o funcionamento da mente Então a gente vai comear a entend Como que o processo de compreensão das coisas o processo cognitivo funciona e
dois eh especialmente um um cognitivista um linguista chamado leov eh vai propor pra gente que não pera aí nós nosso cérebro ele não funciona de maneira categórica apenas a categorização ela vem posteriormente nosso cérebro é antes de tudo um cérebro metafórico e isso é lindo em tantas camadas que vocês tem ideia eu vou explicar a capacidade de metaforizar E aí ele se juntou com outro linguista também né que é o Johnson e eles têm um texto que chama metáforas da vida cotidiana bom vocês viram que os animais resolveram se comunicar agora todos eles ao mesmo
tempo eu vou dar uma pausa e retomo esse vídeo no próximo vídeo