Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos, minhas queridas irmãs, no Evangelho de hoje, nós iniciamos a leitura do capítulo 5 de São João e inicia-se com uma cura, uma cura especial de um homem aleijado, que está lá na piscina de cinco pórticos, perto da Porta das Ovelhas, chamada piscina "probática", "probaton", em grego, que quer dizer "ovelha".
E Jesus faz uma cura que, digamos assim, sai do padrão das curas que nós estamos acostumados a ver nos Evangelhos. Ontem nós lemos o Evangelho em que Jesus cura o filho do funcionário do rei, ali tem um processo de fé, o homem começa a buscar Jesus por fama, depois ele sabe que Jesus faz milagres, começa a ter fé e, finalmente, ele crê com toda a sua família. Mas, o paralítico da piscina probática não parece ter fé, ou seja, ele é curado e nem sequer sabe quem o curou, quando os judeus questionam por que ele está carregando o seu leito, ele diz "o homem que me curou está mandando eu fazer isto", então, parece e, não somente parece, pelo desenvolver do capítulo, nós vemos que é o eixo de tudo que Jesus está fazendo, parece que aqui nós temos um esquema diferente, Jesus não causa a fé na pessoa para então curá-la, mas Ele cura e com esta cura, Ele quer levar todas as pessoas a refletirem sobre a Sua identidade.
O homem não sabe quem é Jesus, então é como se nós começássemos um mistério, uma investigação, quem é este homem que curou no dia de sábado, que violou o sábado e que fez com que um outro carregasse o seu leito no dia de sábado, que autoridade é essa? Aqui começa todo um questionamento, toda uma angústia por parte das pessoas ao redor e por parte dos chefes dos judeus que começam a odiar Jesus, porque Ele vem e vem para perturbar uma ordem estabelecida, bom, o que Jesus quer mostrar é exatamente a Sua autoridade e a Sua autoridade divina. No Evangelho de amanhã nós iremos ler com mais clareza que Jesus não somente violou o sábado, mas Ele começa a falar de Deus como Seu Pai e aí os judeus então querem matá-Lo, por quê?
Porque Ele não somente violava o sábado, mas Ele se fazia igual a Deus. Eis aqui a finalidade, então, da cura deste homem na piscina dos cinco pórticos, Jesus quer levar não somente a ele, o chefe dos judeus, as pessoas ao redor, a uma compreensão de que Ele não é somente o Messias, Ele não é somente alguém que tem um poder divino e milagroso, Ele é o próprio Deus que Se fez homem. Este processo é um processo que cria sim escândalo, e é aqui que está o centro do Evangelho de hoje, a fé em Jesus é um pouco ou bastante escandalosa para o mundo, sim, o mundo parece não ter dificuldade de crer em alguma espécie de deus, está todo mundo disposto a crer num Deus, a crer numa "força", como diria "Guerra nas Estrelas", todo mundo acredita numa força, mas que este Deus tenha se feito homem historicamente, nascido em Belém, morrido em Jerusalém na Cruz e ressuscitado subiu aos céus e hoje é Senhor do Universo, isso o mundo não está disposto a aceitar.
É escandaloso, é escandaloso que Deus Se faça carne, que Deus venha na nossa história, por quê? Porque, é claro, não tem outra saída, se Deus se fez homem, a única religião verdadeira é aquela que segue Jesus Cristo, e quem segue Jesus Cristo com a fé que Ele deixou, com os sacramentos que Ele deixou, com o ensinamento que Ele deixou há dois mil anos, esta é a única e verdadeira Igreja de Cristo, é ali que está a salvação. Eis aí porque o mundo está disposto a aceitar um deus, creia em alguma coisa, o importante é acreditar em alguma coisa, mas o mundo não está disposto a crer no escândalo que é Jesus, Deus que Se fez homem, Deus entra, mas parece que entra para incomodar, Jesus rompe a ordem pré-estabelecida, estava tudo em paz até que veio e esse Jesus, estava tudo na quietude de um sábado, até que Deus veio operar e realizar a obra de nossa salvação, rompendo o descanso do sábado.
Deus abençoe você. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.