Olá, moçada! Bom dia, tudo bem? Espero que sim.
Espero que todos estejam em paz, mas é ótimo, né? Mais um dia de fevereiro, mais um dia de fevereiro, porque sou melhor do que mais um dia de fevereiro. Parece mais culto, mais erudito; só não é português, né?
Mais um dia de fevereiro, dia 19 de fevereiro, um dia glorioso para todos nós. Espero que estejam gostando das nossas meditações hoje, com uma reflexão intitulada "O Banquete da Vida", extraída de Epicteto. Uma reflexão deste autor extraordinário que nós já temos acompanhado aqui há algum tempo.
Não se esqueça, por gentileza, de espalhar a boa palavra devocional da Razão do Café, com Denão. É uma forma de fazer desse projeto algo ainda maior, algo que chegue a mais pessoas. E eu sei que ajuda muita gente; isso é muito legal!
Tem ajudado muita gente. Denão, eu tô mais calmo, eu tô mais calma, eu tô mais controlado, eu tô mais controlado. Eu tenho recebido notícias assim, e eu fico muito feliz, porque eu também me sinto melhor fazendo essas meditações.
"O Banquete da Vida", de Epicteto. Cito: "Lembra-te de te conduzir na vida como se num banquete. Quando alguma coisa que está sendo servida chega a ti, estende a mão e pega uma porção moderada".
Essa ideia de moderação na vida é fortemente estóica. Vocês já perceberam isso, né? Essa altura do campeonato, o afastamento de tudo que é extremo, o afastamento de tudo aquilo que vai gerar desequilíbrio físico ou perturbação intelectual, se vocês preferirem, perturbação na alma.
Então, a moderação evita os males. Os excessos são defeitos que devem ser evitados: o defeito da falta e o defeito do que é demais, né? Então é aquela mediania virtuosa que nós devemos buscar.
Ela não te é oferecida. Não a detenhas se a vida não te ofereceu. Se num banquete aquele alimento não te foi oferecido, avança; ainda não chegou.
Não ardas de desejo por ela, mas espera que chegue à tua frente. Age dessa maneira com os filhos, com um cônjuge, em relação a status, a riqueza. Um dia isso te fará merecedor de um banquete com os deuses.
Se você se transforma nessa pessoa, isso só cabe a você. Ninguém pode fazer isso por nós. Essa pessoa paciente, essa pessoa que sabe se portar diante das coisas da vida, que controla os desejos, que controla as paixões, que não avança mais porque deseja algo, né?
Negócio tá lá do outro lado da mesa, você já vai passando por cima de tudo. Não, não! Não forçar a sua presença em ambientes para os quais você não foi convidado.
Eu já vi cada coisa patética: gente em família brigar porque não foi convidado para a festinha de aniversário do fulano ou do cicrano. É um negócio humilhante! É um negócio humilhante.
"Ah, teve a reunião, fulana de tal, e os alunos da quinta série, da qual eu fazia parte, todos se reuniram, ninguém me chamou". É básico: ninguém te queria ali. E qual o problema?
É um direito deles. Se isso te desestabiliza, o problema é só seu; o problema é seu de querer aquilo que não te toca naquele momento e de uma situação que você simplesmente não pode controlar. Então, coloque-se no seu lugar.
Recupere a sua autoestima, a sua centralidade em você mesmo e não queira alcançar aquilo que é inalcançável, porque isso vai te desestabilizar, isso vai te colocar em perigo, e isso vai te trazer tudo que nós não queremos aqui: a ausência de autonomia, a falta de amor próprio, de autoresponsabilidade. Os nossos autores comentam: "Na próxima vez que você vir alguma coisa que quer, lembre-se da metáfora de Epicteto do banquete da vida. Quando perceber que está afobado, disposto a fazer de tudo para obtê-la, o equivalente de estender o braço sobre a mesa e arrancar um prato das mãos de alguém, apenas se lembre: isso é falta de educação, e é desnecessário.
Mas é falta de educação, é muito mais do que isso. Aliás, eu não gostei tanto desse comentário aqui dos autores, por isso que eu nem vou ler inteiro: é muito mais do que simples falta de educação. Porque aqui eu vejo essa meditação de forma mais profunda".
Só terminando essa parte: depois, espere pacientemente pela sua vez. Eu vejo de forma mais profunda, porque eu vejo, por exemplo, numa situação limítrofe. Eu estou doente e recebi um diagnóstico que me diz que eu terei um longo tratamento pela frente.
O que sobrevém imediatamente? Um desespero, a desesperança, ou até uma coragem que ainda não se estabeleceu como tal, porque o tempo de tratamento me causa espanto. Mas é você querendo esticar o braço para pegar aquilo que não é seu, no sentido de que a vida não pode te oferecer aquilo que você desejaria no primeiro momento.
Então, acalme-se. Volte-se para o seu interior. O remédio está dentro, a vacina está dentro.
Reflita sobre aquilo que está ao seu alcance. O que está ao meu alcance? Numa meditação passada (não me lembro se de ontem ou de antes de ontem), uma meditação de Marco Aurélio, ele falando: "Faça o que deve ser feito".
É o dever em busca de um caminho virtuoso, considerando as pequenas atividades diárias. Não é isso? Sem esse entusiasmo que cega, que desestabiliza.
"Quero ficar rico"! Aí é onde o cara se perde completamente em jogos muito perigosos que vão causar eventualmente o contrário daquilo que ele desejava a princípio. E se nós lembrarmos de uma outra meditação que fizemos há poco, de que a felicidade e a ânsia por mais não podem andar juntas.
A felicidade é um olhar para o agora, para aquilo que eu tenho diante de mim. Mesmo situações muito difíceis, mas que podem ser lidas pelas minhas impressões de modo diferente. Sim, a situação é difícil, mas o que eu posso fazer com ela?
Como é que eu posso lidar com ela de forma a não me desestabilizar? Essa é a pergunta a ser feita. Lembre-se da metáfora do epíteto: diante desse banquete, a vida é esse grande banquete.
As coisas vão acontecer, algumas como nós gostaríamos, outras muito diferentes do que nós desejaríamos, mas elas vão acontecer como acontecem. Existe uma certa organização da realidade que se coloca diante de mim e, quando a coisa se me apresentar como alcançável, eu estico meu braço e pego. Quando ela está muito distante de mim, o máximo que eu posso fazer é: como eu posso me empenhar para me aproximar daquilo, se for legítimo?
Porque frequentemente, isso que eu desejo, na verdade, não é exatamente o que me importaria mais, se bem analisado, se bem contemplado, se fruto de uma boa meditação. É o famoso gato por lebre, né? Às vezes eu passei a vida inteira correndo atrás de uma coisa que simplesmente, no fim, nem era tão importante assim.
E lá se foram 10, 15, 20 anos. Não percamos tempo. Beijo grande para vocês, a gente se encontra aqui amanhã.
Faça um bom banquete da vida!