[Música] Olá seja bem-vindo bem-vinda a nossa disciplina educação e relações étnico-raciais eu sou a Professora Miriam coelho e trabalho essa disciplina junto com vocês hoje abordando o módulo 2 racismo e antirracismo a categoria raça em questão o nosso objetivo de aprendizagem nesse módulo é de estudar as bases epistemológicas para compreensão do racismo no Brasil destacando o papel da educação bom então nós organizamos o nosso material de estudo em duas unidades dentro desse módulo a primeira delas é intitulada base epistemológicas para compreensão do racismo no Brasil e o direito à igualdade na Perspectiva dos direitos humanos
e o segundo unidade é educação antirracista e a bncc desigualdades raciais no sistema de ensino brasileiro Então a nossa proposta de estudo traz em cada uma das unidades um texto de leitura obrigatória texto de leitura complementar e as vídeo-aulas que vocês poderão acessar para aprofundar as discussões nessa unidade que na unidade 1 do módulo 2 nós temos um texto intitulado racismo e racismo a categoria raça em questão então nós iniciamos lá no módulo 1 a discussão a respeito do conceito de raça né então nós fomos aprender né estudar que o conceito de raça surge historicamente
na Europa e é levado né os países colonizados pelos povos europeus e utilizado de uma maneira bastante inadequada trazendo muitas injustiças e muita crueldade com os povos E aí nós nesse módulo vamos dar um enfoque a questão do surgimento do racismo né como é que o racismo se constitui enquanto uma prática social é que nós percebemos né até hoje na realidade social do Brasil mas como é que isso surge como é que isso se estrutura cientificamente historicamente Então esse texto ele traz aí uma revisão teórica bastante importante a respeito do conceito de raça então ele
vai resgatar novamente essa discussão para que a gente possa ampliar a nossa compreensão né a partir de outras perspectivas vai né continua seguindo né a linha que nós temos né que os autores trazem né do surgimento da ideia de raça a partir do pensamento acadêmico europeu E aí vai trazendo também as reflexões desses próprios grupos e outros né de da produção do pensamento a partir desse olhar né do da raça enquanto um elemento constituinte de uma característica da sociedade e como é que isso reproduz ou produz né um pensamento que vai sendo disseminado entre os
povos né e gerando então né algumas formas de exclusão de discriminação de preconceito que aí nós convencionamos chamar de racismo né então como é que surge a ideia do racismo né então é para os autores para que a gente perceba né e compreenda a categoria raça né E como ela se constitui na realidade do Brasil a gente precisa né entender que historicamente a gente tem um emprego inadequado né dessa categoria desse termo e que a partir né do emprego inadequado desse termo dessa categoria as práticas sociais elas são feitas de forma completamente inadequadas cruéis e
que trazem né deixam as marcas e essas marcas elas se tornam estruturais né elas passam a fazer parte da prática e do discurso do povo brasileiro né enquanto organização do imaginário de um povo que vai olhar né para o outro a partir de estereótipos e de representações negativas né que foram construídas historicamente sobre esse povo né e a respeito disso a gente pode resgatar a gente não precisa nem recorrer ao texto mas o texto nos traz alguns elementos que a gente pode refletir sobre algumas características né e alguns termos que nós utilizamos é que são
próprios dos povos de origem africana né dos afrodescendentes por exemplo tipo de cabelo né E nós utilizamos o termo cabelo ruim para designar esse tipo de cabelo né então isso é uma produção do Imaginário que veio a partir dessa aplicação inadequada do conceito de raça porque o conceito de raça né do Povo afrodescendente tem na sua caracterização a ideia a ideia não né a descrição de um tipo de cabelo que é diferente do cabelo dos povos europeus né então não é um cabelo liso não é um cabelo claro é um cabelo encaracolado é um cabelo
mais escuro né Então essa é caracterização é construída de uma forma pejorativa e aí é designado como um cabelo ruim né para as pessoas que têm esse tipo de cabelo e não só a partir né dessas descrições e dessas características Mas a partir de comportamentos sociais também né Nós temos a erotização tanto da mulher como do homem afrodescendentes né a ideia de que eles são mais sexualmente potentes e ativos do que outros povos essa também é uma ideia produzida né uma ideia do Imaginário né não condiza uma realidade porque biologicamente nós temos né pesquisas que
indicam que não existe é uma característica que seja biológica de um povo todo né a respeito da do comportamento sexual né que isso são característica individuais de cada pessoa mas nós vamos colocando né isso tudo não Imaginário que produz uma determinada ideia de um povo né E que de uma maneira geral tem uma conotação negativa depreciativa e que segrega essas pessoas para um determinado lugar de inferioridade né então pensar né na categoria raça enquanto um fator que historicamente teve um lugar de segregação de exclusão É nos ajuda a entender então como é que nós construímos
né culturalmente a prática do racismo então quando eu discrimina uma pessoa ou quando eu identifico uma pessoa pelos seus traços identitários né Eu estou de certa forma discriminando essa pessoa né discriminando no termo literal da palavra né Estou diferenciando essa pessoa dos demais mas o problema disso é que Por conta desses estereótipos negativos que foram sendo criados historicamente né no Brasil Essa é identificação essa caracterização coloca o outro num lugar de inferioridade e esse movimento de colocar o outro num lugar de inferioridade então fomenta né a prática do racismo da discriminação e da exclusão então
por isso que para nós é tão importante né conhecer esse cenário e trabalhar no sentido de combater essas práticas né e por isso nós falamos tanto e fomentamos a educação antirracista né porque nós as pesquisas hoje nos mostram né que embora é seja muito importante nós caracterizarmos o racismo nós falamos do racismo do racismo enquanto uma prática enquanto uma realidade estrutural da nossa sociedade nós precisamos praticar e encorajar uma educação antirracista né é os teóricos e os ativistas eles nos inclusive nos dizem né que não basta ser não basta não ser preconceituoso e não ser
racista é preciso ser anti-racista e nós enquanto profissionais da educação temos ainda um compromisso né muito maior no sentido de termos práticas antirracistas no contexto da sala de aula no contexto da escola porque nós temos leis que garantem direitos né a todos os povos Independente da sua origem e dependente da sua característica física étnica ou racial e aqui eu trouxe né um gráfico para demonstrar que é um dever uma obrigação Nossa até enquanto Uma demanda legal né trabalhar com a questão da educação anti-racista mas que nós ainda Temos uma dificuldade muito grande para colocar em
prática o que nós precisamos colocar né em termos de atingir aí né uma educação que trate dessas questões né como elas devem ser tratadas é de forma aberta é que a gente possa ter ações né que diminuam né a exclusão das pessoas negras as pessoas indígenas na educação Então olha só aqui esse estudo que tá lá no texto né então a gente pode consultar lá no texto eu trouxe que só a título de ilustração ele nos diz que pesquisa que foi realizada entre professores brancos e professores negros a respeito dos alunos brancos e negros a
expectativa dos professores a respeito né do conto os seus alunos irão conseguir concluir os estudos do né do ensino médio e chegar ao ensino superior ela é diferente entre professores brancos e negros né enquanto o professor negro a respeito do aluno negro tem uma expectativa maior em termos né de conseguir cumprir os seus estudos o professor branco tem uma expectativa menor né bastante menor ali 28% dos professores que participaram dessa pesquisa acreditavam que os alunos negros conseguiriam concluir o ensino médio e 58% que iriam chegar né ao ensino superior e completaram o ensino superior enquanto
o professor negro tinha expectativas mais positivas em relação a chegada dos alunos negros a esses mesmos níveis né então isso aqui nos demonstra né que nós professores né muitas vezes inconscientemente Lógico que muito motivado pelos contextos mas nós também às vezes somos de certa forma não tão comprometidos com o sucesso dos nossos alunos e a questão racial muitas vezes é um fator que nos faz acreditar mais ou menos no potencial do aluno né e isso é algo que está comprovado pelas pesquisas e que a gente tendo consciência disso pode ter uma conduta né uma prática
diferente no sentido de transformar né Essa realidade mas também transformar a nossa própria prática a desigualdade entre brancos e negros na educação é muito grande é inquestionável nós sabemos que historicamente nós temos é um percentual pequeno ainda de estudantes negros nas escolas e Menor ainda nas universidades né então os dados do IBGE de 2020 eles apontam que do grupo de 75,2 de pessoas que se formam na universidade os negros representam apenas 10% né Então olha só dentro de um de um grupo né de pessoas que conseguem chegar a educação superior o percentual de pessoas negras
ainda é muito pequena e isso tem a ver com um problema estrutural né Nós temos que reconhecer que o acesso à educação apesar de hoje a educação ser um direito de todos o acesso e a permanência do aluno durante a educação básica depois no ensino médio computador ela vai diminuindo Quando nós vamos chegando né nas populações negras ainda nesse momento histórico né no momento em que nós estamos vivendo isso ainda é uma realidade apesar de termos tido avanços né discutivelmente as políticas públicas têm avançado nesse sentido mas ainda há muito a ser feito porque o
acesso à educação nós sabemos que a educação é o caminho para uma transformação social além de dentro da realidade do Brasil a educação é um direito de todos né então nós precisamos criar estratégias e políticas públicas para garantir não só o acesso mas a permanência dos nossos alunos em todos os níveis da educação Então esse precisa ser um compromisso de todos nós junto com essa discussão né da educação anti racista porque a educação anti-racista precisa ter alunos negros na sala de aula isso é importante eu não posso ter um discurso de educação antirracista e uma
realidade de sala de aula embranquecida porque então eu estou sendo contraditória se nós sabemos que a população brasileira é maioritariamente de negros e pardos E se eu tenho uma população escolar que é maioritariamente branca existe algo de errado entre o discurso e a prática então se nós temos um compromisso com uma educação antirracista nossas salas precisam ser multi étnicas e multiculturais né Então essa é uma demanda é um compromisso que todos precisamos fazer né de garantir que os nossos alunos efetivamente consigam alcançar né os níveis mais avançados de educação para que a gente modifique esse
cenário nós temos uma legislação específica né a lei 10639 que garante a discussão de algumas temáticas que estão relacionadas a história e culturas Africanas a história e a cultura indígena no contexto da sala de aula em todos os níveis da educação essa legislação ela é fundamental né é importante que a gente tenha conhecimento mas que principalmente a gente coloca em prática efetivamente O que é discutido porque nós podemos né muitas vezes temos situações em que nós estamos empenhados em lutas né nós fazemos o dia da consciência negra mas quando nós vamos verificar os indicadores Quando
nós vamos olhar para a realidade da nossa escola ou até mesmo para o currículo da nossa escola nós percebemos então que nós não incluímos tanto a história e a cultura dos povos afrodescendentes e dos povos indígenas né Então essa é uma demanda para nós educadores é dentro dessa perspectiva de uma educação antirracista de uma educação que combate às desigualdades raciais né e essa legislação vem nos chamar né para isso e nos colocar o desafio de implementação no currículo dessas temáticas né que as diretrizes curriculares elas efetivamente sejam desenvolvidas e sejam contempladas no currículo da Educação
da educação superior com a discussão né da temática afro-brasileira africana cigana quilombola indígena entre outras né então nós precisamos Trazer isso para a pauta do nosso currículo e para a prática no contexto da sala de aula então fica aí né como um desafio para todos nós no sentido de nos apropriarmos dessa discussão né que é tão importante e que cada vez né demanda mais a participação da sociedade como um todo porque a gente não pode admitir né que em pleno século 21 nós tenhamos índices tão baixos da presença de povos indígenas né dos nossos alunos
afrodescendentes nas nossas salas de aulas da Educação Básica nas nossas salas de aula da Universidade né então é um desafio para nós professores educadores pesquisadores mas é também né a partir das políticas públicas e da legislação que já existe e já contento é isso é então um momento de nós pensarmos né Quais são as oportunidades né que nós podemos criar para fazer essa transformação no nosso contexto dentro da nossa realidade né e a ação de cada um de nós faz toda a diferença numa mudança que é necessária e que é urgente bom então Esperamos que
esse material de estudo e a proposta de estudo do nosso módulo 2 possa contribuir né para ampliação da compreensão e do conhecimento de todos vocês e nós nos encontramos no próximo modo Muito obrigado [Música] [Aplausos] [Música]