[Música] essa história ela incidiu o olhar na formação social ou seja colocava o foco menos no estado do que na sociedade ou seja colocava o foco na formação do povo brasileiro né Ou pelo menos numa ideia de [Música] povo você está ouvindo o história [Música] FM salve ouvintes do história FM Bem-vindos a mais um episódio desse podcast produzido pelo leitura obriga história eu sou iis Rodrigues e Hoje vamos falar sobre historiografia brasileira afinal de contas como é que se escreve história no Brasil e história do Brasil como é que isso vem sendo feito já desde
o século passado aliás do retrasado melhor dizendo E para falar sobre esse assunto eu convidei o Professor Fernando nicolá e a quem eu passo a palavra para se apresentar para Vocês então Fernando seja muito bem-vindo e fica à vontade para se apresentar pro pessoal Olá I tudo bem Queria saudar teus ouvinos enfim bom dia boa tarde boa noite né Não sei em que momento vamos ouvir dizer que é uma alegria e também uma honra participar do teu podcast né Já venho acompanhando os trabalhos do do Leitura obrigar história e usando como referência né indicando para
meus estudantes Então para mim é um um prazer Está aqui bom uma apresentação muito breve eu sou formado em história pela Universidade Federal do Paraná fiz mestrado e doutorado na urgs na Universidade Federal do Rio Grande do Sul fui também e professor de historiografia brasileira durante três anos na Universidade Federal de Ouro Preto uma instituição pela qual eu tenho um grande carinho e mantenho ainda saudosas amizades e agora atualmente Eu sou professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e também sou membro pesquisador do laboratório de estudos sobre os usos políticos do passado que
é o lupa Então é isso vamos conversar um pouco mais sobre a escrita da história no Brasil depois os comerciais [Música] e pessoal hoje a gente tem divulgação de livro aqui no história FM não apenas um mais dois livros e os dois livros eles tem temáticas parecidas eu vou começar com o primeiro deles a judicialização do Espiritismo o crime indígena de João Batista Pereira e a judici prudência de Francisco José Viveiros de Castro 1880 1900 Esse livro foi lançado pela editora multifoco e a autora é a Adriana Gomes e esse livro ele foi derivado da
tese de doutorado dela que analisa o pensamento jurídico do Francisco José Viveiros de Castro ou Viveiros de Castro como normalmente a galera chama né sobre o espiritismo e a criminalização de espiritismo no código penal de 1890 no Artigo 157 e o livro da Adriana ele vem discutir como é que o Viveiros de Castro interpretando o código penal de 1890 olhando a partir de um olhar positivista como ele formulava senten nas quais ele que era um cético defendia né a liberdade de religião mas não reconhecia a legitimidade no espiritismo Então esse livro Vem estudar essa questão
jurídica né A questão de direito espiritismo religiosidade especialmente ali no final do século X aqui no Brasil e o segundo Livro também é organizado pela Adriana o primeiro livro é de autoria dela esse aqui é organizado por ela pelo André Cil da Cunha e Marcelo gulão Pimentel e o livro se chama espiritis em perspectivas ele foi lançado pela Editora Saga E Ele Vem estudar não só o espiritismo em si né A questão filosófica religiosa epistemológica doutrina mas também as particularidades religiosas do Espiritismo inseridos na realidade brasileira né na sociedade brasileira Então a ideia aqui é
tentar olhar a relação do Espiritismo com o Brasil a partir de vários ângulos né de questões sociais questões religiosas culturais porque AF final de contas a gente tá falando de um país onde uma porcentagem pequena da população se declara como Espírita né mas muita gente que se declara como cristã ou como católica tem trânsito com espiritismo Então existe toda essa questão né desse não sei se eu posso chamar de sincretismo digamos Assim que é um dos pontos que o livro aborda entre tantos outros porque cada capítulo tem uma autoria diferente então se vocês se interessam
por história das religiões das religiosidades ou então história das religiões no Brasil e querem focar especificamente no espiritismo então fica aqui a dica dos dois livros lá no post desse Episódio em historia fm.com vocês se encontram os links paraa compra desses dois livros Caso vocês se interessem e se você quer Divulgar o seu livro aqui só entrar em contato pelo e-mail comercial @st fm.com e não vamos nos esquecer dos nossos colaboradores no opos que é o pessoal que financia mesmo esse podcast e eu sempre vou falar aqui Desse pessoal não só em agradecimento mas também
para convencer você que tá ouvindo esse episódio que esse programa vale a pena É financiado pelo trabalho de divulgação histórica divulgação Científica por ser um projeto Educacional gratuito sempre Foi eu nunca produzir absolutamente nada que tivesse que ser pago para ser consumido digamos assim então tudo que eu fiz até hoje foi de graça se você acha que vale a pena financiar esse projeto é só acessar apoia.se bobg história e financiar com qualquer valor a partir de R 2 por mês ou a partir de R 5 por mês que daí você pode ouvir os episódios do
história FM com antecedência e os nossos novos apoiadores e apo são Maria Basque Tarcisa Cruz Cláudio Queiroz Aline Pereira Gabriel Montano Ana Justino vor Lopes Gabriel Luiz Lucas deane Emanuel de Matos Flávio Veronese João Gabriel Belô Almir Feitosa Caio Teixeira Rafael brigeiro Lucas Santos e Pilar de Freitas Muito obrigado pessoal repito são vocês que financiam esse podcast e se você que tá ouvindo quiser colaborar com a gente é só acessar apoia.se bar obrigahistória e fazer a sua colaboração via cartão ou boleto ou então se você quiser fazer uma Doação pontual você você pode fazer isso
via PX com a chave leitura obrigahistoria @gmail.com repetindo leitura obrigahistória @gmail.com agora chega de papo e vamos para Episódio [Música] historiografia para quem tá ouvindo e não sabe é a escrita da história ou seja quando você ouvinte vai na livraria começa a olhar os livros de história na Instante aquilo que você tá vendo ali é historiografia e pra gente que é da área de história estudar a historiografia é importante não só para saber o que que já foi escrito e quem escreveu o que né mas também para entender como é que se escreve a história
através das décadas porque como eu vivo dizendo para vocês já falo isso desde a época do canal no YouTube não existe história neutra e também não existe uma história descolada do tempo em que ela foi escrita né e o Que a gente chama de historiografia brasileira começa a ganhar corpo no século XIX mas antes de chegar nesse ponto eu queria perguntar o que que se escrevia sobre o Brasil antes dessa historiografia do século XIX e aqui eu não tô pensando só em historiografia se a gente levar em conta que em 1627 já existia o livro
História do Brasil do Frei Vicente Salvador e tal mas também o que se produziu de fontes antes do século XIX como relatos de Viajantes por Exemplo Então eu queria perguntar queria começar essa conversa perguntando o que que se escreveu sobre o Brasil antes do século X bom acho que antes de mais nada né acho que algumas colocações a partir de tudo isso que você mencionou me parecem importantes pra gente discutir o tema da historiografia brasileira né então como você colocou a ideia de historiografia diz respeito a essa dimensão da produção do conhecimento histórico né A
partir daquilo que é o Produto Talvez o mais Evidente disso que é a escrita da história então talvez uma primeira distinção pelo menos paraa nossa conversa aqui que me parece que é importante de ser feita é justamente fazer uma diferenciação entre a noção de história como uma dimensão do processo histórico do campo da experiência humana né ou seja onde a ação histórica se dá o campo dos fatos dos fenômenos que a gente chama de história e essa noção de historiografia que seria um pouco o Relato desse processo histórico a narrativa das experiências humanas né ou
seja o conhecimento elaborado a partir desses fatos e desses fenômenos né mas aí inseriria uma terceira camada nisso né paraa nossa conversa aqui que me parece que é justamente por onde a nossa conversa vai girar que se trata de pensar uma história da historiografia ou seja uma reflexão um estudo a respeito da historicidade da escrita da história Então eu acho que se trata de considerar Que o conhecimento da História de que a escrita da história ou seja a historiografia ela tem também uma história né ou seja tem uma historicidade que merece ser estudada então assim
grosso modo a história da historiografia lida mais diretamente com a história da escrita da história né ou seja ela investiga historici os diferentes maneiras pelas quais os indivíduos buscaram em variados momentos elaborar uma narrativa sobre a Experiência do passado e é um pouco esse o campo de de pesquisa ao qual eu tenho me dedicado né em certa medida Eu gosto muito de citar de de mencionar para meus estudantes uma metáfora que o nietz o filósofo alemão do do século XIX usou quando ele disse que olha os historiadores precisam voltar contra si mesmos o ferrão da
história ou seja eles precisam historicizar sua própria prática Então acho que um pouco a tua pergunta vai nesse sentido né e eu gosto Muito dessa metáfora do niet porque ela Traz essa dimensão também da marca de um ferrão né Ou seja a marca que um ferrão deixa e e que mostra por vezes como que esse processo da gente historicizar o nosso próprio Ofício pode ser muitas vezes um pouco doloroso né então sempre quando a gente mexe no nosso passado e aqui falando enquanto um Historiador sempre que a gente pensa o nosso Ofício numa dimensão histórica
algumas certezas algumas familiaridades acabam se Perdendo né enfim e uma memória disciplinar que por vezes carrega né nos traz uma uma segurança né e uma segurança do que nós estamos fazendo ela acaba sendo colocada em suspenso né então eu acho que falando hoje num contexto de tantos ataques à história tantos ataques aos profissionais da história eu acho que repensar a nossa memória disciplinar ela é muito importante mas não para contribuir com esses ataques né obviamente mas pelo Contrário para encontrar os meios de reforçar a legitimidade a nossa legitimidade historiográfica enquanto produtores de um conhecimento legítimo
e um conhecimento que me parece ainda fundamental paraa nossa sociedade que se pretende democrática né Então tudo isso esse enfim um breve preâmbulo assim se você me permite para mostrar um pouco a importância também desse tema dessa discussão mais aberta e acho que é é muito bacana Trazer isso justamente num Projeto de comunicação pública da história como é o história FM né o leitura obriga a história de uma forma geral né então acho que isso de fato como diz o motte do programa de vocês é levar as ciências humanas a sério né então quanto a
pergunta propriamente dita que você coloca as produções de história antes do século XIX talvez depois a gente possa conversar mais diretamente sobre o porquê desse recorte do século XIX né Eu acho que de fato Há Muitos exemplos de formas de história antes do século XIX Então você mencionou a história do Brasil do Frei Vicente de Salvador que havia sido finalizada ali em meados do século X é um desses exemplos né então Frei Vicente de Salvador era um religioso Franciscano nasceu na Bahia né em médios do século X mas a obra dele foi ganhar relevância para
a historiografia brasileira ou para uma história da historiografia brasileira apenas no século XIX né nos Esforços que que foram feitos naquele contexto para se juntar Fontes a respeito da história do Brasil Então era um manuscrito que havia sido utilizado por alguns historiadores desde pelo menos o começo do século XIX mas que foi publicado pela primeira vez Em 1880 né então ele faz parte daquilo que o José Onório Rodriguez que é um dos grandes especialistas em história da historiografia brasileira chama de Enfim uma história geral escrita no contexto Colonial brasileiro cabe apontar também que enfim um
século antes já havia sido publicada a história da província de Santa Cruz do Pero de Magalhães gândavo em 1576 e é ele que o José nor Rodriguez coloca como um precursor como um iniciador da historiografia brasileira e ainda que tenha sido escrita por um português né então num contexto em que justamente o lugar do Brasil de fato não existia como tal né existe um império Ultramarino português eh enfim bom essas Questões das origens são sempre muito complicadas né mas mostra como que já havia textos voltados para o Brasil e pensando também de uma certa maneira
uma história do Brasil disso que hoje nós chamamos Brasil muito antes do século XIX né então além do Frei Vicente de Salvador do pedo de Magalhães gândavo que carregavam no título né essa noção de história muita coisa foi escrita do Brasil ou sobre a América portuguesa desde pelo menos a carta de Caminha né Então a gente pode mencionar crônicas relatos de Viajantes relatórios administrativos cartas jesuíticas notícias de guerra Enfim tudo que é um apanhado de fontes bastante preciosas para a história mas do ponto de vista mais específico de uma história da historiografia Eu acho que
um um contexto de particular importância foi a primeira metade do século XVII né então novamente né reforçando isso a gente tá num contexto de Império Ultramarino Português né um império que se espalhava desde a Europa até a Ásia passando pela América pela África Enfim então era um contexto em que você tinha uma nação Portuguesa espalhada no espaço e marcada por uma heterogeneidade cultural social bastante considerável né enfim uma das formas que se tem para unificar aquilo que tá espalhado no espaço é juntar tudo isso no tempo né Ou seja a tentativa de se homogeneizar aquela
heterogeneidade social aquele espalhamento do império Por diversas regiões foi feita também por meio da escrita de uma história que fosse capaz de abarcar toda aquela pluralidade enfim colocando isso numa linha de tempo que colocasse Portugal né O Reino como o eixo dessa história ou seja uma história do império Português como talé então em 1720 foi criada a academia real da história e Portuguesa né que marca um momento importante de incorporação pelo estado português da tarefa de se escrever uma história Nacional ou seja era também uma forma de tentar unificar o conjunto dos relatos dispersos que
havia sobre Portugal e sobre as suas possessões e isso é importante para nós porque essa iniciativa teve reverberações na América portuguesa né então em 1724 foi criada na Bahia a academia brasílica dos esquecidos que teve uma existência bastante efêmera e no ano seguinte ela já tinha parado as suas atividades ela trouxe um pouco esse nome dos esquecidos No sentido de olha aqui é uma porção do império que tá um pouco ali né deixada de lado então tinha um pouco esse esse intuito de colocar a América portuguesa também conferia a América portuguesa uma determinada importância histórica
e ela também teve essa conotação oficial Porque ela foi apadrinhada pelo vice-rei do estado do Brasil né E tinha e ela se colocou como objetivo escrever uma história brasílica uma história brasílica que seria dividida em Temáticas como História Natural história militar história eclesiástica e história política né então foram escritas algumas dissertações sobre esses temas a partir de toda uma tópica que no século X Era bastante comum e uma tópica de letras e armas ou seja uma conjunção entre as formas de saber né Essa dimensão das letras que estavam diretamente ligadas ao exercício do poder ou
seja as armas né então e tudo isso novamente dentro do contexto do âmbito do império Português Na América Então essa história produzida na academia dos esquecidos ainda que uma história brasílica né porque dizia respeito a essa porção do império era uma uma história intimamente ligada ao contexto português né então era no fundo uma história de Portugal nos trópicos não é à toa que uma das principais obras de historiografia produzida também nesse contexto e por alguém que foi ou que havia sido membro da academia dos esquecidos um baiano também chamado Sebastião da Rocha Pita não vai
ser uma história do Brasil né ele intitulou a obra dele que foi publicada em 1730 como uma história da América portuguesa Então tudo isso indica também alguma uma produção anterior ao século XIX mas com essa particularidade né não era bem uma história do Brasil mas a história do portugueses nos trópicos né Depois desse exemplo do Dos Esquecidos em 1759 também na Bahia foi fundada uma outra academia chamada academia dos renascidos que Também não vingou teve uma duração bastante curta Então acho que para resumir um pouco a resposta antes do século XIX houve inúmeros escritos sobre
o Brasil né sobre a história do Brasil Brasil um material que atravessa também diversos gêneros de escrita como crônica tratado carta relatos de viajante e mesmo o gênero história né e houve também propostas com caráter Mais oficial ou seja propostas de escrita da história que estavam ligadas à Instância Do Estado né E no caso a monarquia Portuguesa e o que acho que que é importante destacar disso tudo é o fato de que o Brasil ou a ideia de Brasil como nação independente ainda não estava no horizonte de expectativa dessas modalidades de escrita da história então
a gente ainda tava num contexto português Imperial e essa história que se buscava escrever era no fundo Como Eu mencionei uma história de Portugal na América né e acho que o livro do Rocha Pita sinaliza muito bem para isso e acho que é por isso que o recorte no século X faz muito sentido não apenas porque é um contexto de institucionalização da história como um campo de saber científico como uma disciplina acadêmica pelo menos no contexto europeu mas também porque com a nossa Independência com o desenvolvimento dos estados nacionais ais dos nacionalismos essas questões vão
assumindo outras dimensões né e acho que só para indicar uma Bibliografia me parece importante desses estudos sobre o século XVII há um livro da Iris cantor né historiadora professora da USP chamado esquecidos e renascidos que é um livro precursor sobre as academias e Há também um livro do do meu colega aqui da ufgs o Pedro teres da Silveira intitulado O Cego e o coxo que também é um estudo sobre a historiografia do século XVII nessa época o nacionalismo moderno ele ganha muita força e o romantismo influencia as Histórias nacionais né então pra gente entender melhor
o surgimento dessa historiografia brasileira especialmente ali a partir do século XIX né Eu acho importante dar um subsídio para quem tá ouvindo então por isso eu queria pedir para você explicar para os ouvintes o que que seria esse nacionalismo romântico do século XIX e como ele influenciava as histórias das Nações Bom eu acho que não seria exagero considerar que o o nacionalismo enquanto uma Ideologia política se a gente pode definir assim ou mesmo como uma visão da sociedade a partir da Perspectiva da Nação né do Estado Nacional é Ou melhor foi de uma certa maneira
ainda é um dos principais fatores que definem a escrita da história ah sobretudo naquele contexto do século XIX né então eu acho que mas antes da gente entrar de fato nessa questão acho que vale a pena mencionar um elemento que me parece muito importante na passagem do século XVII para o 19 que é a conformação de um conceito moderno de história algo que um Historiador alemão chamado reinhard Kel que estudou e sobre o qual ele ofereceu uma interpretação que ainda é central hoje pra gente pensar essas questões que você tá trazendo então pro kelek um
dos principais fenômenos ocorridos naquele contexto e sobretudo considerando uma cosmovisão predominantemente europeia né então ele é um autor alemão tá estudando o contexto europeu foi a definição de um Conceito de história pensado como um singular coletivo ou seja se até então o que se tinha era um histórias particulares que nem sempre faziam parte de um todo significativo né então você tinha a história do reino tal da monarquia tal história de fulano de tal história eclesiástica história civil história militar como Campos assim que nem sempre dialogavam entre si a virada do século XV Pro X segundo
celec criou as condições paraa definição de uma História única né de uma história singular que pudesse abarcar o todo das histórias particulares então é a isso que o kelek vai chamar de um singular né uma história que é pensada como um processo linear único né ou seja aquela história com H maiúsculo como normalmente a gente coloca e na raiz dessa compreensão então obviamente estaria tanto um ideal de progresso que foi sendo sedimentado desde o século XVII enquanto um ideal de civilização Também né pensado numa perspectiva temporal ou seja o Caminho das sociedades é sempre o
caminho que leva a etapas históricas cada vez mais civilizadas ruma a uma a um enfim um um progresso das sociedades da espécie humana uma ideia de perfectibilidade né então de forma bastante resumida aqui esse conceito moderno de história ele pode ser definido como uma história singular mas que Abarca a totalidade das experiências particulares né ou seja e é Uma história que é processual ela é progressiva e ela é linear né então acho que uma a metáfora do trem da história né que articula enfim duas invenções do século XIX o conceito moderno de história e a
locomotiva a vapor é uma metáfora que ilustra bem essa compreensão né então todas as sociedades eram pensadas caminhando no mesmo trilho que estaria levando a uma direção determinada né claro as hipóteses sobre essas direções variaram Ah mas tudo isso Implica também relações de poder bem delimitadas né porque se a civilização é um ideal H sociedades que eram consideradas mais civilizadas que outras né e portanto havia sociedades consideradas como primitivas que precisariam ser civilizadas ou seja precisariam ser colocadas no tempo próprio da civilização Nem que fosse a força Então acho que os imperialismos do século XIX
dão exemplos disso né então se o trilho era o mesmo Para todos algumas estavam algumas sociedades estavam em estações mais adiantadas e outras nem chegaram talvez na estação de partida né pois bem é diante dessa compreensão de história que esses nacionalismos colocam as perspectivas de histórias nacionais né então tratava-se de um jogo bastante complexo Nesse sentido porque envolvia ao mesmo tempo delimitar as particularidades nacionais e situá-las no plano de um movimento mais geral que A gente poderia chamar de uma história Universal Então acho que o o desafio romântico digamos assim seria de instituir formas de
identidades nacionais e definir as especificidades das culturas nacionais situando elas no âmbito Mais amplo dessa história Universal ou seja dessa história enquanto um singular coletivo então a gente tá aqui num jogo numa tensão entre o particular e o Universal entre a cultura né na sua singularidade e a Civilização como esse processo mais amplo né E aí Considerando o nacionalismo romântico dentro da historiografia e aqui sem muitas pretensões de definir o que que seriam os limites desse romantismo né enfim é um conceito bastante amplo bastante elástico enfim mas acho que ele oferece os elementos para delimitação
de identidades nacionais pensadas como aquilo que uma autora francesa chamada an marit S chamou de ficções criadoras Né então para ela essas ficções criadoras elas se estruturavam em quatro eixos principais o primeiro deles é a escolha de ancestrais como ela coloca Ou seja a seleção nas vastas possibilidades que eram abertas pelas experiências do passado dos Pais fundadores de uma nação dos episódios marcantes que definiram os princípios dessa nação ou grosso modo dos mitos de origem dessas Nações né então por exemplo no nosso caso aqui colocar no início da história do Brasil A chegada de europeus
aqui e não a presença de populações originárias é uma dessas escolhas que definem uma certa ancestralidade então era como se nós fôssemos antes de mais nada descendentes de portugueses e e descendentes de portugueses que sofremos a contribuição de outros grupos ou outras raças né então o nosso passado primordial é o seria o passado europeu que foi complementado pelo contato com com essas outras experiências históricas né e o Que a a anima rts aponta com isso é que enfim não é um dado né tudo isso não é um dado é uma a criação é uma escolha
feita em algum momento né o segundo ponto que ela destaca é a definição de uma língua nacional né Isso tá muito ligado a esse romantismo Nacional do começo do século XIX né a língua como uma modalidade talvez a modalidade mais básica de expressão dos povos é um marcador identitário incontornável então no caso brasileiro esse tema ganha uma Complexidade na medida em que o estado nação que se torna independente a partir de 1822 fala a mesma língua dos até então colonizadores né então o josel lencar vai ilustrar muito bem isso e isso já na década de
1870 né que mostra então uma duração nessa questão quando ele se pergunta numa passagem mais ou menos conhecida da obra dele e se o povo que come a manga jabuticaba ou seja essas frutas tropicais se ele se esse povo Fala a mesma língua daquele povo que come a perira o Damasco né aquelas outras frutas de outras de outros climas e de outros ambientes né então identificar esses elementos linguísticos que dão peculiar idade ao português falado no Brasil em relação ao português de Portugal enfim de uma certa maneira define a especificidade da identidade brasileira diante da
Portuguesa era uma questão assim importante eu diria mesmo de longa duração né já no século XX no Começo do século XX o Gilberto Freire era um dos autores que ainda batia nessa tecla de pensar essa língua que Segundo ele foi amaciada aqui pelos indígenas pelos africanos Enfim então enfim como era preciso levar em consideração o que falávamos No Limite mesmo que fosse tivesse um nome de língua portuguesa uma língua um tanto quanto diferente né um terceiro ponto que anim marits eh e que ela considera como um elemento também dessas ficções criadoras é um discurso Sobre
a natureza Ou seja a elaboração sobre a paisagem nacional que permita individualizar pelo espaço o território de uma nação né e acho que agora vem na cabeça de todo mundo o o poema do Gonçalves Dias né as Palmeiras os Sabiás ali que eram cantados por aqueles poetas do século XIX né então e toda essa construção de um país tropical né que hoje bonito por natureza como que que essa construção acaba atravessando os séculos né e finalmente Um Quarto e Último ponto né se a natureza oferece os elementos identificadores de um povo com o seu lugar
né um quarto elemento dessas ficções criadoras é o que ela chama anim marits chama de uma escrita de um romance de Formação Ou seja a elaboração de um enredo de uma narrativa que organiza a experiência formadora desse povo dessa nação obviamente no Brasil a literatura do do século XIX foi um gênero bastante propício para issoé então uma obra como O Guarani do José de Alencar não deixa de ser também uma espécie de romance de Formação marcada né por aquele o chamado mito sacrificial do Peri que tem que se converter ao cristianismo para poder salvar cessi
enfim essa personagem Branca europeia de uma certa maneira né então a literatura acabou desempenhando esse papel então considerando esses eixos né edores da identidade nacional acho que a história a escrita da história vai ocupar um papel importante nesse processo né então Ela oferece os elementos para a gente selecionar no passado aquilo que pode interessar na escolha dos mitos de origem de uma nação e ela confere a essa escolha uma legitimidade documental né uma legitimidade que eu diria científica né então é uma estratégia de transformar aquilo que é uma invenção que é uma escolha num dado
né então a história ela acaba legitimando essas escolhas um segundo ponto é que a história também se voltou muito né letrados que se Dedicavam à história no século XIX se voltaram ao estudo da língua ou das línguas que formavam o acervo linguístico da nossa nação então Muitos historiadores muito deles ligados ao ihgb ao Instituto Histórico e geográfico brasileiro se interessavam por exemplo pelo estudo das línguas nativas das línguas indígenas que eram enfim encontradas aqui em diversas regiões do Brasil e a história também teve um papel muito importante na definição da Paisagem na Nacional né não
apenas pela descrição dessa paisagem nos textos de história que que eram escritos mas também funcionando como uma legitimadora das disputas diplomáticas né e na definição dos limites geográficos do Estado Nacional né daí o fato de que Muitos historiadores terem sido também diplomatas como por exemplo Francisco Adolfo de Van Haagen né E também não é despropositado o fato de que a principal instituição que aglutinava os esforços Historiográficos do século XIX era um Instituto Histórico mas também geográfico Brasileiro né então uma coisa tava muito ligada à outra enfim com relação a essa ideia de um romance de
Formação acho que fica evidente o papel da história né obviamente a história não não era literatura Ou pelo menos não era encarada como literatura no século XIX ainda que se valesse de elementos literários na sua escrita mas a narrativa histórica era também uma forma De organizar de uma organização discursiva do tempo da Nação ou seja um relato sobre o processo formativo sempre naquele jogo que Eu mencionei antes entre definir as especificidades nacionais sem perder de vista o movimento da história Universal Então acho que a a historiografia no século XIX era uma forma de escrita da
história completamente vinculada a um ideal nacionalista e a formação dos estados nacionais modernos né porque ela se Torna também um um discurso identitário né um discurso definidor da identidade nacional ou aquilo que um que um Historiador um enfim um colega um amigo meu chamado temisto CL César chama de uma retórica da nacionalidade né e acho que talvez a gente possa dar um passo além nessa reflexão indicar que mais do que uma coisa como se fosse um objeto simplesmente aguardando que a história representasse a nação também foi largamente criada e inventada pela História ou seja pela
escrita da história do século XIX né E esse foi de uma certa maneira O Grande Desafio daquela geração da primeira metade do século XIX né inventar uma nação após terem conseguido as bases para um estado independente então entre nacionalismo e historiografia no século XIX é uma relação diria de simbiose e de mútua determinação né ao mesmo tempo que o nacionalismo inventa historiografia ou uma determinada forma historiográfica Essa historiografia também inventa o nacionalismo inventa as nações e essas identidades nacionais e agora que a gente já deu um uma introdução pro pessoal entender o contexto acho que
a gente pode falar agora um pouco mais sobre essa historiografia do século XIX e para falar dela a gente precisa falar do Instituto Histórico geográfico Brasileiro né o ihgb em 1840 o ihgb criou uma competição descrita da História do Brasil e o vencedor foi um alemão chamado Carl frederich Philip Von Martius e aqui eu tenho quatro perguntas na verdade primeiro o que era o ihgb e como é que ele foi criado depois como é que foi essa competição quem era Von mares e o que que o Von Mares escreveu para ganhar essa competição e qual
foi o impacto desse material no desenvolvimento de uma história Nacional bom naquele esforço então que eu havia mencionado para inventar uma nação né Uma das principais medidas tomadas logo após a independência foi a criação de uma agremiação letrada voltada especificamente paraa escrita da história brasileira né Então essa agremiação foi justamente o Instituto Histórico e geográfico brasileiro que foi fundado em 1838 ele foi fundado a partir da Inspiração né do do Instituto hisor rque de de Paris que já havia acolhido alguns anos antes autores como por exemplo Gonçalves Magalhães que fará Parte do ihgb e a
ideia da sua criação né a ideia da criação do ihgb foi feita no âmbito também de uma outra instituição chamada sociedade Auxiliadora da indústria nacional que havia sido criada logo após a independência e que tinha como objetivo o fomento do desenvolvimento material brasileiro por meio de uma ideia de ciência né então atrelando o desenvolvimento digamos assim o desenvolvimento nacional com o Desenvolvimento da ciência e assim como as academias do século XVII que Eu mencionei o ihgb foi uma instituição também diretamente vinculada ao estado Imperial né então ele existia Como diz como constava na epígrafe que
ilustra as primeiras páginas da revista do Instituto ele existia debaixo da imediata proteção da Sua Majestade Imperial né que inclusive é um uma expressão que dá título para uma obra muito importante sobre o hgb que é o Trabalho da professora Lúcia Pascoal Guimarães então um estudo se eu não me engano de meados dos anos 90 então o ihgb foi criado com uma dupla incumbência né então em primeiro lugar e seria ele funcionar como esse lugar para escrita de uma história Nacional do Brasil ou pelo menos para se criar as condições para tanto né a partir
do incentivo da promoção da coleta e da organização de acervos documentais sobre o passado brasileiro n então ou seja Para escrever história Era preciso Juntar uma documentação juntar um acervo de fontes né e o o ihgb se colocou colocou a si próprio essa missão então nos estatutos da instituição já dizia logo que a sua primeira função era coligir publicar e isar essa documentação né tudo a partir de uma ideia enfim de um princípio científico ou um princípio de cientificidade do conhecimento histórico Essa metodização é enfim o aparato crítico que é Projetado sobre esses documentos mas
concomitante a essa tarefa de escrever história nacional e hgb também buscou eh de uma certa maneira nacionalizar a escrita da história ou seja propor uma escrita da história do Brasil feita no Brasil e pel uma por uma perspectiva brasileira Então já no curso fundador do ihgb o cônico Januário da Cunha Barbosa que é era o primeiro secretário da da instituição ele indicava essa necessidade né uma vez que havia outras Histórias escritas por estrangeiros como o poeta Robert sou né um poeta inglês que escreveu ao longo da década de 1810 havia uma outra história escrita por
um comerciante também em língua inglesa chamado John hermitage né então autores que foram estudados por exemplo pela fal viia Varela pelo André Ramos então ao longo de todo o século 19 o ihgb ele se transformou no principal centro aglutinador dos interesses historiográficos no Brasil né então ele Foi de fato essa instituição referência pro esforço de escrita da história que estava sendo feito aqui né então enfim aí é um dos temas mais trabalhados na nossa história da historiografia né junto com o trabalho da Lúcia Pascoal os trabalhos do Manuel Salgado Guimarães também são referências para compreensão
do que foi o hgb né mas ao mesmo tempo em que se colocaram como tarefa escrever ver a nossa história nacional e também nacionalizar essa escrita os letrados do Instituto não pararam também de se perguntar como que essa história deveria ser escrita acho que foram consideráveis os textos né um número considerável de textos voltados para essa pergunta né inclusive Então como você menciona no início da década de 1840 o ih hgb lança um concurso que premiaria o trabalho que apresentasse o melhor plano para a escrita da história do Brasil e é justamente nesse momento que
em cena esse cientista bávaro né um Botânico que Foi o f márcios o márcios já era uma figura conhecida em alguns meios brasileiros mesmo antes da independência né ele o seu parceiro de empreitada né um outro naturalista chamado Johan bapti Von SPS eles haviam sido enviados ao Brasil junto com a comitiva que trouxe a Princesa Leopoldina para cá em 1817 então eles vieram com o intuito de fazer estudo sobre a flora e a fauna brasileiras e no contexto daquelas grandes ões científicas que seguiam para As regiões que os europeus estavam haviam colonizado e enfim tinha
essa presença europeia e eles foram embora antes da independência né acho Eles foram embora em 1820 Mas eles seguiram escrevendo sobre o Brasil Sobretudo o Marcio né o spxs ele morre ainda na década de 1820 então nos anos 30 do século XIX o március ele publica os três volumes da sua enfim do seu relato da viagem aqui nos trópicos uma obra chamada viagem ao Brasil né e depois Enfim depois que o ihgb foi fundado ele se torna sócio correspondente da instituição então o márcios ele voltou pra Europa com algumas ideias sobre o Brasil né além
de ter levado também espécies animais vivas e mortas né levou espécies da flora brasileira também e inclusive ele sequestrou de fato duas crianças indígenas né ele levou pra Munique um menino Juri e uma menina miranha né do do um menino indígena e uma menina indígena que foram comprar Por ele na quando ele visitou a região amazônica né então enfim Essas foram de uma certa maneira as ideias levadas para ele pra Europa né enfim ele viaja por aqui conhece diversos lugares leva essas espécies leva dois indígenas e volta pra Europa com uma série de ideias sobre
o Brasil e foram essas ideias que municiar ele para escrever uma dissertação para esse concurso do ihgb uma dissertação intitulada como se deve escrever a história do Brasil né E aqui sem Desmerecer a importância do trabalho do mar márcios cabe notar que o concurso teve apenas dois trabalhos inscritos né o outro era uma memória que ficou no título como uma memória sobre a história antiga e moderna do Brasil escrita por um autor chamado Henrique Júlio de wallenstein que era também nascido na Europa era um diplomata prussiano e a proposta do wallenstein de fato era bem
precária né então um texto assim de menos de duas páginas quase e que Propunha que a história do Brasil fosse escrita pelo método das décadas né como titul Liv havia feito como João de Barros no século X havia feito que era pegar e escrever a história por décadas né Na década tal aconteceu isso na década seguinte aconteceu aquilo enfim e o parecer que avaliou os trabalhos pro concurso salientou ali a gente tem acesso a esse texto ele disz olha o Valentin não não entendeu direito do que que se tratava né O que que a gente
Queria Então era como se o március estivesse concorrendo apenas com ele mesmo né e o plano do a dissertação do do F mar era de Fato muito mais sofisticada né Muito mais per ente as ideias que o ihgb colocava a respeito da história naquele momento né então a ideia de uma história filosófica que fosse capaz de encontrar as linhas mestras da formação da sociedade e da nação brasileira a essa linha mestra o március deu o nome de lei particular das Forças diagonais Ou seja a história a ser escrita no Brasil deveria buscar ou deveria revelar
essa lei particular das forças diagonais que pressupunha que um um povo no caso aqui o povo brasileiro era formado pela junção de diferentes raças né e cada qual contribuindo de acordo com as suas aptidões físicas e Morais né e obviamente aqui o privilégio dado aos europeus né então a dissertação do Maros propõe um modelo de história que considera a contribuição das três Raças formadoras da nação brasileira né então os indígenas ou a raça cor de cobre como ele chama os portugueses ou europeus os brancos caucasianos e os africanos chamados por ele também de raça etiope
né então muita gente provavelmente já deve estar fazendo as contas e chegando ao resultado de que esse modelo de história também teve uma vida longa né então em certa medida o que o Gilberto Freire fará quase que Um século depois é justamente pensar a Formação brasileira a partir desse pressuposto da missena embora em certa medida invertendo os termos da da equação do Marcio né porque o márcios ele praticamente embora ele mencione mas ele praticamente desconsidera o lugar dos indivíduos dos africanos que vieram para cá escravizados né e que não ocupa na dissertação dele senão mais
do que dois parágrafos né então o Freire ele vai conceder dois capítulos ou melhor Vai destinar um espaço muito maior né Dois capítulos longos dentro do Casagrande szala para pensar as diferentes culturas africanas que vieram para cá pra América né então a importância do F Marcio foi de ter sido um dos primeiros a sistematizar uma perspectiva filosófica sobre a história do do Brasil a partir dessa dimensão racialista de pensar a história do Brasil por esse viés do contato entre as raças né da relação entre as raças dentro de um contexto em que o próprio Ihgb
buscava sistematizar a escrita da história né então o paradoxo é que no mesmo momento em que se tentava nacionalizar a escrita da história foi um europeu que não ficou nem meia década no Brasil que era premiado como o melhor modelo para se escrever essa história né então esse fato T vez diga mais respeito a nossa historiografia do que ao próprio F márcios né e uma outra obra importante dessa época foi a de um brasileiro Francisco Adolf de var Haagen queria te Perguntar quem era o War Haagen o que que ele escreveu E por que que
o que ele escreveu teve algum Impacto nessa época o Francisco Adolfo de Van Haagen enfim um um autor de origem germânica né o pai dele foi um militar um engenheiro que trabalhou veio para cá trabalhar na indústria do ferro a mãe dele não sei direito qual que era nacionalidade enfim se era brasileira ou portuguesa mas eles vieram para cá em 1809 o Van hag ele nasce em 1816 e em 1823 ele já parte Paraa Europa né o pai dele volta a família volta logo em seguida e esse foi o maior período de estada dele do
Brasil Então foi apenas em 1841 por exemplo que a partir de uma lei que o Pedro I havia estabelecido de repatriação de estrangeiros que ele obteve Então por decreto a nacionalidade brasileira Então ele era brasileiro mas a maior parte do tempo ele passou fora do Brasil né fez toda a formação Inicial dele em Portugal enfim e atuou muito em outros contextos Né E ele fez carreira como Diplomata né isso acho que facilitou muito o acesso a ele a muitos arquivos né sobretudo arquivos europeus então isso possibilitou a ele que ele realizasse de uma forma plena
talvez aquela tarefa por excelência que era colocada pelo ihgb né coletar metodizar e publicar Fontes paraa história do Brasil né e foi o que ele fez por exemplo ele uma obra como o Tratado descritivo do Brasil do Gabriel Soares de Souza que é um documento do Século X ganhou as páginas da revista do ihgb graças ao esforço do Van Haagen de estabelecimento desse documento né então o Van Haagen ele contribuiu não apenas escrevendo a história do Brasil mas também ajudando a aprimorar os mecanismos da erudição histórica né do trabalho crítico da prática efetiva da crítica
documental e de sistematização das fontes e foi também um autor muito prolixo né ele escreveu sobre diversos assuntos inclusive algumas teorias sobre A origem dos indígenas brasileiros né que ele faz remontar a guerra de Troia ele escreveu sobre a independência enfim entrou em várias polêmicas dentro ali do contexto letrado do ihgb mas talvez a sua obra mais conhecida seja a história geral do Brasil que foi publicada em dois volumes em 1854 e 1857 um volume em 54 e outro em 57 né então talvez seja uma das principais senão a princip princial e mais completa obra
escrita no ihgb pelo menos até a Geração seguinte né e a geração seguinte que começa a entrar em cena a partir mais ou menos ali de 1870 então enfim um autor que estudou com muita profundidade a obra do Van hag é justamente o temisto César né num livro chamado ser Historiador no século XIX em que ele se debruça sobre o caso van Haagen então van Haagen foi uma espécie de historiador oficial do império né alguém muito comprometido com a com a monarquia portuguesa com a casa de ança um anti Indigenista ferrenho quando ele vem para
cá no começo de da década de 1840 para buscar a nacionalidade brasileiro ele viaja pelo interior do Brasil e ali ele começa a desenvolver um sentimento muito negativo em relação aos indígenas né também não era alguém que tinha grandes apreço pelos africanos e um defensor de um modelo de história que se definia como Imparcial mas que se declarava ao mesmo tempo né uma história um Historiador patriótico um Historiador Monarqui um Historiador Cristão n um tipo de história que olhando hoje era um modelo historiográfico bastante conservador Então acho que creio que muitos dos fãs da empresa
Brasil paralelo devem ter uma gravura do Van haag na parede da casa ao lado ali do quadro do Olavo de Carvalho [Música] Obviamente você está ouvindo o história FM [Música] Um outro sujeito que teve um impacto grande na escrita da história do Brasil nessa época foi o Capistrano de Abreu aí eu queria te perguntar quem foi o Capistrano de Abril o que que ele escreveu que fez com que ele fosse lembrado como um desses percussores de uma historiografia nacional e tal o que que ele tá trazendo de novo em termos historiográficos o Capistrano ele já
faz parte da geração seguinte né então se é a primeira geração historiográfica que Vai consolidar a nação e a escrita Nacional da história no contexto logo após a independência o Capistrano faz parte da geração que vai fundar a república né aquela que normalmente é chamada como a geração de 1870 junto com autores Como José Veríssimo Silvio Romero entre vários outros né O Capistrano Ele nasce no mesmo momento que Van haen estava finalizando a história geral dele né então o Capistrano nasce em 1853 e quando o Van Haagen morre em 1878 Capistrano é um dos autores
que escreveu um necrológio sobre o o Van hag né sobre o o Visconde de Porto Seguro né porque o Van hag tinha conseguido esse título do Pedro I esse necrológio que o Capistrano escreveu Talvez seja um dos principais documentos da história da historiografia brasileira no século XIX né E que mostra as diferenças de pressupostos historiográficos entre as duas gerações Eu acho que o capistran ele conseguiu Sintetizar ali as expectativas daquela geração e conseguiu mostrar também como que a geração anterior como que a geração precedente aquela geração do vanen Haagen não tinha ainda os instrumentos conceituais
para dar conta da tarefa e esses instrumentos eram o acervo teórico metodológico oriundo das doutrinas filosóficas cientificistas europeias como positivismo evolucionismo a sociologia do Spencer enfim entre outras né Isso significa que o que se Buscava não era mais uma uma história geral naquele modelo oferecido pelo van hagin que ainda que tivesse sido pautada pelos princípios da crítica documental né então básico do trabalho historiográfico segundo capistran van Haagen não conseguiu avançar no sentido de uma síntese teórica sobre processo social então uma coisa era fazer uma história geral que tentar se dar conta do conjunto dos fatos
históricos de uma nação tentar colocar a maior parte Possível desses fatos numa narrativa outra coisa era tentar buscar para além da superfície desses fatos né para além daquela enfim do do que é o mais visível desses fatos tentar buscar o sentido profundo de formação das nacionalidades então se a história geral do Van Haagen tinha como Horizonte a criação do Estado Nacional E aí ele vai seguindo vai mostrando como que isso vai acontecendo a história buscada pela geração das últimas décadas do século XIX né Essa Geração da qual faz parte o o Capistrano essa história ela
incidiu o olhar na formação social ou seja colocava o foco menos no estado do que na sociedade ou seja colocava o foco na formação do povo brasileiro né Ou pelo menos numa ideia de povo então o que havia de novidade no Capistrano como em alguns outros da sua geração como Silvio Romero clides da Cunha era Justamente a incorporação de um ideário cientificista oriundo da Europa que forneceu as bases teóricas Para uma outra compreensão do funcionamento da sociedade a gente pode pensar aqui no naturalismo também que vai ter a sua repercussão na literatura né então você
pensar o funcionamento social a partir de teorias de conceitos oriundos da Ciência da natureza por exemplo né mas também que voltava o seu olhar pra formação do povo por meio de teorias raciais né e da própria história pensada como que estruturada por leis históricas fundamentais né isso de uma Certa maneira já tava lá no f marcios mas ainda era uma ideia de uma história filosófica né o que essa geração do final do século 19 vai fazer a transformar aquela ideia a partir de todo esse filtro do ideário cientificista europeu vai transformar isso num pressuposto de
uma síntese sociológica né então talvez seja possível a gente acompanhar o andamento da historiografia brasileira ao longo do século XIX como esse caminho que vai de Uma uma história filosófica para uma síntese propriamente sociológica Euclides da Cunha por exemplo na obra os Sertões que é logo os primeiros anos do século XX ele vai dizer olha o motor da história Era a luta de raças né então eles estavam buscando aquilo que eram as leis Gerais de funcionamento da história e no necrológio de 1878 é justamente essa distância entre as duas gerações que o Capistrano que de
resto ele ele era um Historiador que dominava de fato Os meandros da erudição histórica é justamente essa distância geracional que ele coloca em evidência então o Capistrano era esse Historiador erudito de crítica documental né ele faz é ele que edita a obra do Frei Vicente de Salvador ele também começou um trabalho bastante penoso de notação né ou seja de colocar notas e de da história Geraldo van Haagen que acabou ficando incompleto né estudos como da Rebeca Gontijo da Maria da Glória de Oliveira São Pesquisas importantes sobre a obra do Capistrano e ele também escreveu aquela
que talvez seja a obra mais conhecida dele né os capítulos de história Colonial um livro publicado em 1907 e essa é uma obra que percorre a história Colonial brasileira mas sem a pretensão de inserir todos os fatos nela né naquele modelo de uma história geral mas sim ele buscou operar uma síntese sobre o processo de ocupação do território ório brasileiro eu acho que aí temos já Um algumas novidades historiográficas em relação que o Capistrano nos traz né em relação à geração anterior né e tudo isso obviamente dentro de um contexto de né começando a geração
de 1870 ela se dá num contexto de efervescência política no País da intensificação do pensamento Republicano né ou do republicanismo como movimento social como uma força social importante todas as críticas ao sistema escravista né e enfim você tá criticando a monarquia criticando a escravidão você Tá criticando os fundamentos próprios do império né então o prefácio por exemplo que o Silvio Romero escreve paraa primeira edição da história da literatura brasileira que ele publica na década de 1880 né ele publica alguns dias logo após a abolição da escravidão é um documento importantíssimo para mostrar tudo que tava
em jogo ali tanto em termos políticos quanto em termos teóricos né então era justamente aquele mundo nacional que é escrita do Varnhagen mesmo que é morando à distância mas que ele ajudou a consolidar era esse mundo que agora ruía com a geração do Capistrano né E que dava espaço para que outras ideias né aquilo que alguns autores chamaram na época de um bando de ideias novas para que entrasse em cena essas novas ideias e que alimentasse outras expectativas para um novo modelo de historiografia né pelo menos para uma história pensada sobre outros princípios né E
essa Geração na busca que ela tem pela síntese Naci pelas linhas Gerais que atravessam não tanto a criação do Estado mas a formação da sociedade que vai criar as condições de possibilidade pra tradição do ensaísmo histórico que emerge ali na primeira metade do século XX né sobretudo nas décadas de 20 e 30 de nomes como Paulo Prado Oliveira Viana Gilberto Freire Sérgio borque de Holanda e o próprio Caio Prado Júnior né então Acho que essa foi uma geração bastante importante que trouxe de fato uma nova compreensão da história para a historiografia brasileira bom desses nomes
mais conhecidos da historiografia brasileira um nome que a gente simplesmente não tem como escapar é o do Gilberto freir né o Gilberto Freire ele foi um das figuras mais importantes dos estudos sobre história e sociedade no Brasil super aclamado inclusive no exterior e quem conhece a obra do Peter Burk por exemplo sabe que o burk elogia muito o Freire inclusive atribui a ele inovações que anos depois seriam acreditadas a historiadores franceses dos análises e tal e pro burk o freir já fazia algumas dessas coisas que o pessoal do os análises vieram a fazer já fazia
antes deles mas provavelmente por ser um acadêmico de um país da Periferia Global não recebeu os devidos créditos por inovação pelo menos o que eu já vi o burk argumentar né só que ele também é Um um autor que divide muito opiniões ele tem muitos críticos também especialmente entre adeptos de uma historiografia mais plural do ponto de vista racial que acusam freir de ter dado uma contribuição forte há uma série de Visões equivocadas sobre as Relações raciais no Brasil né e de que ele não teria compreendido e escrito direito sobre as relações entre brancos e
negros entre senhores e escravos então eu queria pedir para você explicar quem é Que foi o Gilberto Freire Quais as obras mais importantes dele por que elas são consideradas importantes né E para explicar melhor pra gente que críticas são essas que ele recebe se você acha que essas críticas são justas enfim o que que a gente pode falar do Gilberto Freire O Freire de fato é um autor Central pra história da historiografia brasileira né então e aqui a gente já tá num contexto de uma geração seguinte do AC Capistrano né o Freire ele nasce em
1900 ou seja ele nasce já num contexto Republicano né uma república que naquele momento estava em crise verdade né mas enfim ele começa a trajetória intelectual dele efetivamente na década de 1920 e ganha ressonância sobretudo a partir de 1933 com a publicação de Casagrande szala então quando Casagrande czal é publicado praticamente toda a geração anterior já havia falecido né Capistrano tinha morrido silv Romer também José verí me Cris da Cunha Joaquim Nabuco Machado de Assis enfim vários daqueles nomes super importantes já não estavam mais em cena e o Casagrande senzala também é uma obra publicada
num contexto de uma grave crise política no Brasil então contexto dos anos 20 e 30 Foi bastante conturbado politicamente a ponto do Freire ter precisado se exilar na Europa após os eventos de 1930 e o Freire então falando mais propriamente da obra dele é um autor Com certas particularidades né Algumas idiossincrasias digamos assim quando a gente coloca ele junto com alguns outros da sua geração né então ao contrário de muitos dos seus contemporâneos né que ou eram historiadores diletantes ou eram bacharéis em direito ou em outras áreas como engenharia medicina num contexto em que ainda
não havia Universidade no Brasil nenhuma formação acadêmica especializada na área de história ou das Ciências Sociais como um todo o Freire Ele teve uma formação Universitária nos Estados Unidos né justamente nas Ciências Sociais então ainda que ele não fosse apenas isso ele era de fato um sociólogo de formação e Ele defende então uma tese na universidade de Colúmbia em 1924 eh uma tese sobre a vida social no Brasil do século XIX que depois com muitas transformações mas de uma certa maneira já é ali talvez com muita distância mas um embrião Zinho do que seria o
Casagrande cala e eu acho Que essa particularidade dele nos faz repensar formulações como essa do Peter burk né de encarar o Freire como um precursor dos anal né porque no fundo eu pessoalmente eu acho que mais do que trazer o Freire pro centro esse tipo de formulação acaba mantendo os anales no centro né porque é a revista francesa são seus autores que servem de referência para avaliar a pertinência ou a qualidade da obra do Freire né eu digo isso sem deixar de reconhecer a enorme Importância da revista A enorme importância do dos Z anal enquanto
movimento intelectual Central na historiografia do século XX né mas nesse caso os análises são referenciados para dar conta de uma história mais voltada pro social menos pro político atenta aos movimentos culturais ao que depois vai se chamar mentalidades a a questões do cotidiano etc né mas a experiência que o Freire teve nos Estados Unidos colocou ele em contato com autores da chamada Nova História estadunidense né New History n e quem estudou muito bem o contexto do Freire aí nesse caso foi o Gustavo Henrique tuna inclusive também a Maria Lúcia Palhares burk né então quem orientou
o Freire em Colômbia foi um Historiador especialista em América Latina chamado William sheffer e lá ele também tem contato com essa nova história norte-americana autores como Charles beard James Harvey Robinson Frederick Turner muito chamados por Alguns estudiosos de historiadores progressistas né E que estavam também deslocando a história da sua dimensão mais da factualidade política para processos econômicos e culturais né então além dessa a tradição historiográfica a relação que sempre é lembrada do Freire com a antropologia do Franz boas né possibilitou a Ele o direcionamento do olhar ou o redirecionamento do olhar sobre o nosso passado
né Isso também sem falar no Diálogo do Freire com toda a tradição intelectual brasileira que ele conhecia muito bem né como pensamento social brasileiro então é sempre importante a gente matizar essa perspectiva que enfim no intuito de valorizar autores ditos periféricos né acaba reforçando um certo lugar ali de uma uma predominância europeia então o Freire foi de Fato muito reconhecido pela obra que ele elaborou e isso durante a própria trajetória né durante a própria vida Dele ou seja não foi um reconhecimento póstumo né pra sorte dele Que adorava que falassem dele né ele dizia que
adoro elogios como quem gosta de bombons né então ele gostava muito que falassem dele e ele falava dele também muito né então por exemplo autores como Lucian fevre Fernand brodell ou Roland Bartes né para ficar apenas na cena francesa escreveram textos muito importantes e elogiosos sobre o Casagrande senzala quando o livro é traduzido pro francês Em 1952 ele vem com o prefácio do lucen fevre né E no ano seguinte o Roland B escreve uma resenha então ele teve de fato esses créditos né E mesmo no Brasil né recepção do Freire ainda que carregada de crítica
né como não poderia deixar de ser foi também uma recepção com muitos adeptos né e muitos seguidores Então eu acho que os créditos foram recebidos mas também foram os débitos né né então acho que de qualquer forma eu creio que a obra mais Importante do Freire dentro de um conjunto de um acervo que é é realmente monumental tenha sido A trilogia né sobre a história do Brasil e o processo formativo de uma Sociedade Rural patriarcal e a suas transformações para o meio urbano né E para outras lógicas sociais que é a trilogia composta pelo Casagrande
senzala pelo sobrados e mucambos e por ordem e progresso né uma trilogia publicada entre 1933 e 1900 57 né E que percorre a história brasileira Desde a colônia até a república né Eu acho que a originalidade do Freire ela tá nessa busca por elementos cotidianos íntimos da vida social ele vai buscar isso lendo processos inquisitoriais cartas pessoais diários íntimos conjuntos arquitetônicos lápides receitas culinárias então o leque de fontes históricas pro Freire era realmente bastante amplo variado quase que inesgotável né agora não basta apenas que as fontes sejam inovadoras né Se o olhar que se projeta
sobre essas Fontes não é N E aí também creio que nesse ponto o Freire também faz pensar muito né porque ele enfim um dos traços importantes das suas obras historiográficas e aí casagrand sensal é um exemplo muito nítido disso é uma compreensão de um tempo histórico que não é puramente processual ou linear e aqui a gente já começa a notar brechas naquele modelo de um enfim do conceito moderno de história que eu havia Mencionado antes né então o tempo pro Freire esse tempo histórico freiriano é um tempo em que passado e presente se complementam mutuamente
né de uma forma Quase que homogênea de temporalidade que indica permanências do passado no presente e faz crer também em certas presenças do presente no passado né Isso se revela na própria escrita dele né que a escrita dele não segue uma organização cronológica o freir ele não existe para ele não é um problema em saltar do Século X Pro século XIX e depois voltar pro século XVI para tratar de algum tema seja qual for esse tema né E ao mesmo tempo e isso é uma estratégia de escrita muito eficaz da parte dele ele sempre escreve
como quem estivesse presente a cena que tá sendo narrada né então é como se fossem os olhos do do Gilberto Freire atravessando os os olhares dos Viajantes que serviram de fonte para ele como se fossem os olhos dele que estivessem ali presenciando alguma ação Por exemplo que passasse numa casag grande do século X e é por isso que eu falei de certas presenças do presente no passado às vezes parece que o Freire né ele cria esse efeito textual no livro dele parece que o Freire estava realmente lá né olhando tudo aquilo tocando em nervos aquele
passado como ele escreve né então da mesma forma como não há uma fronteira rígida entre os tempos na compreensão freiriana de história também não é uma fronteira tão Rígida entre os gêneros de escrita né o freir transita com muita facilidade pela história pela etnografia pela sociologia pela literatura e esse é um dos traços enfim definidores da tradição ensaística né que pro caso do Freire foi muito bem estudada pelo Ricardo benzaquem de Araújo né num livro fundamental sobre o Freire que é o Guerra e Paz né então o Freire ele trabalhava a partir de uma ideia
que o benzaquen reforçou muito na análise dele que era a ideia de um Equilíbrio de antagonismo que é um dos fatores que definia a plasti idade da sociedade que se formou aqui nos trópicos né A partir dessa relação entre europeus ameríndios e africanos né O problema é que essa noção o levou a suavizar em larga medida violências da experiência Colonial então um antagonismo racial equilibrado numa sociedade profundamente separada entre senhores e escravos entre homens e mulheres entre colonos e indígenas foi o Caminho que o levou a pensar a noção de uma suposta democracia racial nos
trópicos né então eu acho que o fre apreendia muito bem as relações entre brancos e negros no Brasil né entre senhores e escravos mas ele compreendia isso a partir da lógica da manutenção das estruturas sociais e não de uma profunda transformação dessas estruturas Então os olhos do giberto Freire eram em larga medida os olhos senhoriais olhos meio nostálgicos com aquelas Transformações que o século XX estava trazendo né então aquele tipo de olhar que vê a nossa sociedade da varanda de uma casa grande né isso talvez explique porque muitos atores da Extrema direita hoje ligados Inclusive
a esse governo federal mobilizem muito o Gilberto Freire para criticar por exemplo medidas de ações afirmativas no nosso espaço público né e é por isso que enfim se o se o Freire levou os créditos pela sua obra ele também pagou os débitos por ela Né E são foram débitos que também se deram em razão dos seus elogios ao imperialismo português a sua defesa do salazarismo o seu denuncismo durante a ditadura que se iniciou aqui em 1964 enfim e algumas outras posições e manifestações políticas dele né então Freire foi Acho que ao fim e ao cabo
um personagem muito conturbado da nossa história intelectual né enfim com a sua genialidade própria né com um talento de escrita sem igual e a recepção dele Também foi marcada digamos assim por esse equilíbrio de antagonismo né sempre foi uma teve os grandes fãs do Gilberto Freire mas também ele foi muito duramente criticado também por diversos outros outros intelectuais [Música] né entre os anos 1920 e 1930 a forma de se fazer a história do ihgb ela foi perdendo um pouco de força e as Universidades passaram a ser o centro intelectual do desenvolvimento Historiográfico né de crítica
de aproximação entre diferentes áreas das ciências humanas e aí é nesse contexto de revisão de um olhar um pouco mais crítico em relação à história do Brasil que o Sérgio Barque de Holanda ganha destaque E aí eu queria te perguntar o que que o Sérgio Barque de Holanda tava escrevendo nessa época e por que que ele se tornou um clássico para se pensar a história do Brasil o Sérgio Buarque de Holanda ele dizia né que é até mais ou Menos a década de 1960 ele era esse ele era reconhecido como um Historiador importante autor de
obra super importantes no nosso pensamento social e depois dos anos 60 ele se tornou simplesmente né como se fosse pouca coisa o pai do Chico Buarque né o Sérgio buar ele foi da mesma geração do Freire né um pouco mais novo que o Freire e eles compartilharam esse contexto intelectual mas talvez não tenam compartilhado totalmente uma mesma visão De mundo né o o Sérgio ele inicia sua trajetória no campo do ensaísmo digamos assim que era um campo que prescindia de uma instituição propriamente dita para se sustentar né então você não precisa est vir vinculado a
uma alguma instituição para escrever esses ensaios e de fato muito desses autores não estavam naquele primeiro momento mas ele acabou ingressando como professor universitário né acabou fazendo uma carreira também dentro da Universidade Então logo em 36 que é a data de publicação do livro mais conhecido dele o raiz do Brasil ele já se torna Professor assistente na então Universidade do Distrito Federal al no Rio de Janeiro que depois acaba se tornando o frj Claro com uma série de desvios pelo caminho né mas logo nos primeiros momentos ele já táa nos primeiros momentos de existência da
Universidade ele já tava vinculado a ela de alguma forma né depois ele tem uma Carreira profissional ligada a instituições culturais importantes como o Instituto do livro A Biblioteca Nacional o Museu Paulista ele vai atuar em universidades fora do Brasil e desde da década de 50 ele se torna catedrático na Universidade de São Paulo né Ele defende uma tese ali o visões do Paraíso um trabalho super importante também sobre enfim a a mentalidade colonial no Brasil então de fato Sérgio Buarque de Holanda ele transitou muito bem do Ensaísmo não institucionalizado digamos assim pra carreira acadêmica institucional
né então a trajetória dele em certa medida se confunde com o movimento geral da historiografia brasileira no século XIX né claro colocando aqui numa visão muito Ampla muito talvez resumida dessa história e como eu disse a obra mais conhecida dele mais celebrada é a raiz do Brasil né que faz parte desse esse cânone do pensamento social brasileiro e da nossa Tradição ensaística né E que foi publicado pela primeira vez sob os auspícios do giberto Freire numa coleção chamada documentos brasileiros que o Freire organizava pra editora José Olímpio né então o raiz do Brasil é o
primeiro é o título que abre essa coleção e nele No resto do Brasil o Sérgio Bararque de Holanda ele parte de um certo paradoxo né como é que uma cultura europeia conseguiu se instalar nos trópicos em condições que eram muito Distintas de tudo que havia na Europa né como que se se tudo tivesse mais ou menos fadado a dar errado aqui e não é à toa que desde o início do livro ele escreve uma frase que se tornou clássica né somos ainda uns desterrados em nossa terra e é uma formulação que então ele escreve isso
em 1936 e 1955 na terceira edição do livro e ele vai modificando o livro As edições a conforme elas vão aparecendo ele coloca um reforço né Ele diz lá ó somos ainda hoje uns Desterrados em nossa terra né ou seja ainda que ele tenha alterado profund ente o livro ao longo das edições a ideia norteadora ainda permanecia né ou seja o passado da nossa herança ibérica ainda nos diz respeito no século XX né e acho que é importante fazer um parêntese a partir disso que que eu tava mencionando né porque ler a obra do Sérgio
boar que estudar essa obra requer alguns estudos porque muita gente acaba lendo edições mais recentes do Raiz do Brasil e projeta como se esse fosse a formulação do pensamento do Sérgio barca de Holanda em 1936 e pode pode ter algumas passagens que de fato não estava em 36 ele alterou outras né então é um livro que também tem uma historicidade própria né ele vai ele vai sendo transformado ao longo do tempo e uma das mudanças bem consideráveis do livro é que o Sérgio por exemplo vai apagando Gilberto Freire do livro né Ele simplesmente vai tirando
o nome vai Tirando os elogios que estava ali na primeira edição da obra essa distância em relação ao freira é importante porque ao contrário do Casagrande szala né que busca homogeneização com passado e a reprenta um verdadeiro elogio da nossa estrutura patriarcal e senhorial o raiz do Brasil ele buscava encontrar os meios da descontinuidade temporal ou seja como é que a gente pode fazer para superar aquele passado Agrário aquela herança ibérica e essa estrutura não moderna né Que emperravam deobra livre não no espaço rural e uma modernização também que deveria se dar pela transformação das
relações sociais também e das relações de poder que estruturavam a nossa sociedade não pela sua manutenção Então se é possível jogar talvez impunemente aqui com as palavras e fazer um paralelo meio grosseiro né se o Freire pensava em termos de uma democracia racial com uma certa nostalgia pelo passado o Sérgio Boar que ele pensava em termos de uma democracia social buscando uma abertura pro futuro não é a toa que os dois últimos capítulos desde a primeira edição do livro foram intitulados novos tempos e a Nossa revolução né então ele tava buscando as formas de se
superar aquele passado né que nos transformou em indivíduos ainda hoje desterrados em nossa própria Terra então enfim o Sérgio boara que foi um um intelectual historicamente muito ligado ao Pensamento de esquerda né foi um dos fundadores do PT no final da vida ele interpretava o passado buscando compreender o nosso processo social para pensar como transformar esse processo né como superar esse passado né como superar essa herança e uma herança que era fundada na cordialidade né que é um dos conceitos mais conhecidos da obra dele né ou seja Ah um uma sociedade que era fund que
é de uma certa maneira ainda fundada numa visão de mundo que Confunde o pessoal com o impessoal o público com o privado e que encara a vida pública né o espaço da rua ou seja o espaço da política como uma simples extensão das relações pessoais do espaço da casa né uma enfim é uma compreensão uma interpreta ação da história que guarda ainda hoje uma perturbadora eu diria uma perturbadora atualidade né então é um livro que nos nos diz muito ainda hoje né E para ele Enquanto essa estrutura se mantivesse o país estaria Fadado a ser
não moderno né a ser uma um país arcaico e a Democracia permaneceria entre nós como ele diz um um grande mal entendido e um outro nome importante dessa época é o nome do Caio Prado Júnior né E aí meio que seguindo na sequência do que eu tenho perguntado né quem é o Caio Prado o que que ele escreveu que fez com que ele entrasse para esse rol de grandes nomes da historiografia brasileira né O que que ele traz de inovador bom então com Freire com Sérgio boar que agora Caio Prado a gente mais ou menos
fecha né O que uma espécie de uma Tríade do Cânion dos ensaístas históricos né E aqui acho que vale um comentário né Eu nunca acompanhei mais de perto as recepções conjuntas desses três autores no nosso cenário intelectual Né desde o momento em que eles começam a publicar mas há uma hipótese que me parece bastante pertinente que indica que a definição desse cânone né dessa Tríade como hoje Nós conhecemos né uma espécie de três pais fundadores das Ciências Sociais No Brasil se deu sobretudo a partir da década de 1960 quando Antônio Cândido ele escreve um famoso
prefácio pro raiz do Brasil em 67 e coloca esses três nomes juntos como aquelas principais referências para a geração dele então o Caio Prado ele ele regula de idade com Freire com Sérgio né ele também foi formado em Direito enfim oriundo de uma família bastante abastada de São Paulo Eh mas né ele teve esses desvios de uma elite de uma burguesia Paulistana ele foi filiado ao partido comunista no Brasil ele teve no Marxismo né uma das principais referências teóricas e ele publica em 1933 no mesmo ano do Casagrande szala um ensaio que teve uma repercussão
importante né intitulado evolução política do Brasil cujo subtítulo era justamente ensaio de interpretação materialista da história do Brasil e que era muito distante Daquela história mais tradicional do polí ritmo buscava compreender os movimentos sociais que eclodiram no na colônia e no império e talvez seja um dos exemplos daquela transformação que eu havia comentado antes né que abandona completamente o modelo da história geral e busca a síntese do processo histórico o Caio Prado Júnior ele escreve Exatamente isso no prefácio do texto né ele ele assinal diso aqui é um ensaio porque eu não quero fazer uma
história Geral tô procurando a síntese do processo né ele também vai ter uma atuação parlamentar assim como o Freire né o Freire havia sido deputado federal o o Caio Prado vai ser deputado estadual pelo PCB e foi caçado durante o estado novo né então o Caio Prado ele teve essa atuação intelectual dele escrevendo obras super importantes mas também teve um um papel parlamentar importante numa atuação política importante e a obra que é sempre mencionada dele é o formação do Brasil Contemporâneo né de 1942 que é enfim que essa ideia da síntese estrutura toda a obra
né então tem um primeiro capítulo no livro que traz a ideia do uma espécie de categoria chave que estrutura toda a obra que é o que ele chama de um sentido da colonização né ou seja ele tava buscando pensar os elementos estruturantes da nossa experiência histórica aquilo que é a base material do nosso processo formativo e nessa estrutura estaria ali O sistema colonial de exploração da matériaprima né ou seja do enfim do sistema colonial de exploração da colônia né Ou seja a partir desse tripé econômico da grande propriedade da monocultura do trabalho escravizado né daquela
exportação dos excedentes econômicos paraa Europa né um modelo que pensava a história brasileira a partir das suas condições propriamente materiais pelo funcionamento econômico da sociedade a partir da experiência Histórica da plantation né e enfim é uma interpretação que acabou sendo funcionando como um modelo explicativo com uma ampla repercussão na própria Universidade né então por exemplo uma tese dos anos 70 como a do Fernando noval sobre o antigo sistema colonial é muito devedora também da obra do Caio predo Júnior né E também vai ser uma uma obra que obviamente vai ser criticada por outras perspectivas historiográficas
como aquelas do do João Fragoso mas isso Já na no contexto dos anos 90 né Mas de fato ele ele fecha um pouco esse cânone da da década de 30 40 né dos grandes ensaios interpretativos nacionais e talvez o ponto distante ali da em relação aos outros é que ele tem um pé muito mais arraigado no materialismo histórico né no referencial marxista para interpretação da história [Música] se você quiser colaborar com o stor FM você pode fazer isso via PX usando a Chave leitura obrigahistória @gmail.com e assim você colabora para manter esse projeto Educacional gratuito
no ar [Música] ainda no século XX eu queria trazer o nome de dois acadêmicos aqui que também ganharam notoriedade que é o Nelson Verne Sodré e o florestan Fernandes aí eu queria te perguntar assim Quais você acha que são as maiores contribuições deles pro conhecimento histórico no Brasil Bom enfim o que eu poderia comentar desses dois autores também super importantes no nosso pensamento social Brasileiro ao longo do século XX né enfim o Nelson Verneck né apesar de todo dos estudos da carreira militar ele teve uma formação de um intelectual muito ligado também ao Marxismo né
ao materialismo histórico né então E além disso ele teve uma atuação muito intensa na imprensa tem uma obra muito variada né Vai desde estudos sobre literatura Até obras propriamente historiográficas sobre a independência sobre o contexto Republicano mas acho que um fato interessante da da trajetória dele é que ele participou ente do iseb né o Instituto Superior de estudos brasileiros que era uma instituição foi criada ali no contexto do juselino kubek e muito ligada ao pensamento desenvolvimentista né ou seja era uma instituição promotora desse pensamento né E o Nelson vernek ele dava aulas ali E colocando
assim em termos nos nossos termos talvez contemporâneos o isb foi uma espécie de think Tank do desenvolvimentismo Brasileiro né então eu confesso que eu não sei direito como é que era o funcionamento das formações do isb Ali desses cursos mas o que é importante notar é que se tratava de um momento em que o o pensamento sobre o Brasil ele ganhava de fato uma dimensão propriamente institucional né Eu acho que esse é um traço distintivo e em Relação àquela geração dos ensaístas dos anos 20 e 40 né alguns deles ocuparam depois lugares institucionais importantes mas
aqui nós já temos essa institucionalização do pensamento social de uma forma mais intensa né seja nas universidades seja no isbi ou no final dos anos 60 no crap né que é o centro brasileiro de análise e planejamento né e o Sodré então foi um desses autores cuja preocupação que era compartilhada com muitos outros naquele contexto era o De encontrar os meios os caminhos para uma revolução no Brasil né buscando compreender o papel das classes sociais na nossa história né então enfim com a chegada do golpe de 64 que extingue o iseb e extinguiu o isb
o o Sodré também teve os seus direitos políticos caçados né enfim e esse pensamento sobre a evolução sobre as nossas classes sociais também ocupou muito a reflexão do próprio florestan Fernandes né que era um pouco mais novo que o Sodré mas que Teve uma atuação muito mais diretamente ligada à universidade né então ele se foram em Ciências Sociais na USP na década de 1940 já ingressa como professor assistente de sociologia mas o interesse dele também era muito amplo né ele tinha um enfim a tese dele a gente pode situar como uma tese na área da
etnologia né uma tese sobre o os Tupinambás a função da guerra no pinamba E aí enfim dentro da Universidade já como docente catedrático ele organiza Também projetos de pesquisa muito importantes alguns deles ligados a a pensar as relações étnico-raciais no Brasil ele foi o o orientador da das teses do Fernando Henrique Cardoso sobre a escravidão no Rio Grande do Sul de foi orientador do Otávio Iani sobre a escravidão em Santa Catarina então de fato El ele teve uma Ele formou uma geração que né que teve uma uma importância fundamental também pro desenvolvimento das instituições da
Universidade do pensamento sociológico Brasileiro né enfim também escreveu alguns trabalhos com o Roger bastide que foi um desses autores estrangeiros que vieram para cá atuar no nos começos das Universidades no Brasil né um sociólogo e antropólogo francês e junto com Basti então eles pensavam muito essa questão da Integração das pessoas negras na sociedade né e o que normalmente se destaca do do florestan Fernandes eu mesmo fiz isso um pouco na Minha tese né E acabei levando um puxão de orelha de uma uma das pessoas que estavam na banca porque não deixa de ser uma visão
muito simplista né mas a gente acaba falando muito em termos a a escola sociológica Paulista né coloca o florestan Fernandes ali como um desses pais da escola sociológica Paulista que fazem parte do FHC o otaviani mas isso acaba reduzindo muito que foi né o ambiente de efervescência sociológica ali dentro da própria Universidade né ah mas enfim o o Que me chama atenção é o papel que esses autores tiveram propor um deslocamento em relação à aquele ensaísmo sociológico ou ensaísmo histórico de um Gilberto Freire sobretudo de o Freire mas também Sérgio Buarque talvez em menor medida
um Caio Prado e defendendo digamos a ideia de uma sociologia mais profissional né mais comprometida com protocolos disciplinares mais comprometida com protocolos disciplinados né e mais ligada a dimensão acadêmica das Ciências Sociais cujo lugar propriamente é a universidade né então o florestan chega a escrever sobre isso em algum lugar que eu não me recordo mais onde mas que as condições para essa sociologia profissional estavam nas universidades no meio urbano e sobretudo numa cidade como São Paulo né então tanto o Sodré quanto o florestan nesses dois autores A grande questão de fundo que era muito próxima
da do Sérgio Buarque era próxima do Sérgio Buarque mas que eles Enfrentaram de outras maneiras né talvez com outros referenciais teóricos era também o problema da superação do nosso passado né marcado novamente uma herança agrária escravocrata senhorial patriarcal né E por todas essas relações sociais daí decorrentes até agora a gente falou de vários nomes importantes da historiografia brasileira desde o século XIX né esses sujeitos que são sempre lidos debatidos estudados que são vistos como responsáveis pelas bases Mais fundamentais né da historiografia brasileira inclusive se vocês que estão ouvindo isso aqui procurarem um artigo sobre historiografia
brasileira na Wikipédia vocês vão achar todos esses nomes que a gente conversou aqui lá no na Wikipédia e o que todos esses nomes têm em comum é que eles são todos homens e aí eu queria saber também quais foram as mulheres que contribuíram pra consolidação de uma historiografia brasileira e com quais obras né a gente Tem vários nomes aí como a Alice canana brava Maria da Linhares Júnia Ferreira Furtado Maria liia Prado Lilia schwarz entre tantas outras né E já aproveito até para fazer um meia culpa aqui do história FM que de fato a gente
tem menos convidadas do que dados né um negócio que eu tenho tentado trabalhar para mudar isso nem sempre é tão fácil mas inclusive até convidei uma professora para estar conosco aqui nesse Episódio infelizmente ela não respondeu Mas como vocês estão ouvindo Fernando é muito mais do que gabaritado para falar desse assunto não quero puxar teu saco Fernando mas eu tô adorando e não vou fazer de conta que o problema não existe até no meu próprio podcast né mas eu acho que a gente precisa tocar nesse assunto tocar nessa ferida né então quando que as mulheres
começaram a ter espaço na Academia Brasileira a ponto de poder produzir conhecimento e ter oportunidades de destaque e Reconhecimento Nacional entre os pares e tal e quais as grandes contribuições que você considera que precisam ser mencionadas aqui IES essa é uma questão de fato fundamental né Eu acho super importante você trazer pro debate alimentar a partir do teu canal né a partir desse projeto que vocês desenvolvem né de divulgação de comunicação pública da história eu acho que enfim acrescentaria até além desses marcadores de gênero né que com forma a Nossa história da historiografia seria importante
também trazer pra discussão marcadores de raça por exemplo né Porque além de só falar de normalmente só falar de homens normalmente brancos né a gente acaba Resumindo também muito em na Fala dessas pessoas brancas né Isso é bastante significativo e acaba tendo efeitos muito profundos da forma como a gente compreende não apenas a história como a historiografia como a própria história da historiografia né No Limite Falando aqui então enquanto um Historiador na forma como a gente lida com a nossa memória disciplinar e isso acaba ecoando nos nossos próprios programas de disciplina né nas listas de
referências bibliográficas que a gente mobiliza ou como você mesmo mencionou né nas pessoas que são convidadas para participar de podcasts né teria algumas pesquisas recentes agora com dados de 2018 que mostram né que no plano geral assim não apenas na história mas na Docência no ensino superior a predominância É de fato de homens né enfim cerca de 55% quase e de pessoas brancas né E aí o número é 77 78% né isso num país que demograficamente tem uma população predominantemente de mulheres e de pessoas negras né então acho que no que se refere à atuação
das mulheres na historiografia eu recuperaria que uma situação ocorrida ainda no século XIX quando em 1850 uma mulher uma poetisa chamada Beatriz Brandão ela tentou ingressar no ihgb e se tornar membro daquela instituição né e a proposta havia partido de alguns sócios homens da do ihgb e ela acabou sendo negada sobre o argumento de que ela deveria buscar uma agremiação mais adequada aos anseios literários dela como poetiza o fato curioso é que um dos signatários do parecer que negou o ingresso dela era ninguém menos que Gonçalves Dias que enfim era um poeta né e o
outro era o Joaquim Manuel de Macedo Que entre outras coisas era um romancista enfim as interpretações sobre esse episódio variam um pouco né O que tudo indica ela Ela escrevia poesias mas não tinha muita coisa pbl ada né então no parecer isso é mencionado mas o fato é que o próprio ihgb só passou a aceitar mulheres na agremiação a partir de 1965 e eu aproveito para fazer menção aqui um artigo de uma colega minha aqui do Rio Grande do Sul né que se formou junto comigo aqui na pós-graduação a Gabriela Correia da Silva em que
ela trata disso Ela estudou essa dimensão bom Salvo engano embora muitas historiadoras atuem diretamente nos meandros institucionais do Instituto acho que Salvo engano nenhuma mulher até hoje ocupou a residência da casa né no caso das Universidades a gente também tem algumas situações que que de fato me parecem ser que podem ser colocadas nessa ideia de uma discriminação de gênero né Talvez o termo não seja tão pesado assim né você Mencionou por exemplo o nome da Alice cana brava né ah uma grande historiadora estudiosa da da história Econômica no Brasil né E que foi a primeira
mulher que se tornou professora até onde eu ser foi a primeira mulher que se tornou professora catedrática na USP em 1951 mas ela teve que se vincular para tá isso a Faculdade de Ciências Econômicas né então em 1946 ela tentou um concurso na faculdade de Filosofia e Ciências e Letras né enfim ali onde estavam Historiadores e ela obteve de fato as melhores notas né ou seja teve a maior média final mas a banca considerou que ela tinha enfim que tinha havido Um empate e acabou decidindo em favor de um homem o Astrogildo de Melo ou
seja houve de fato ali uma escolha por critérios que vão além do simplesmente dos critérios simplesmente acadêmicos então cabe notar aqui que um dos membros da banca era o Sérgio barca de Holanda né então o que se interpreta disso é que Enfim muitas mulheres formadas na universidade enfim e elas ocupavam ali como estudantes como professoras assistentes desde dos primeiros momentos da Universidade então elas seguiram trajetórias com pesquisadoras da história né produzindo obras que são incontornáveis no nosso quadro da historiografia você citou alguns poucos nomes que já indicam isso né e muitas delas se tornaram professoras
assistentes nas universidades pelo menos No caso da USP em meados do século XX a posição de catedrática ainda parecia ser um posto predominantemente masculino né enfim e a lista que você de nomes que você mencionou dá conta né de mostrar Justamente a vasta e avariada produção historiográfica feita por historiadoras na nossa historiografia né algo que acompanha a própria história das Universidades no Brasil né então não há dúvida de que para além das questões puramente intelectuais ou seja a partir Da história efetivamente produzida ainda Infelizmente há muitos entraves que não são apenas institucionais também mencionar mais
um um exemplo aqui mais particular do Campo Onde eu me situo de uma forma mais geral dentro da historiografia que é o campo da teoria da história da história da historiografia e que tô mencionando aqui um um artigo publicado na revista de história da historiografia pela Flávia Varela que é uma professora da Universidade Federal de Santa Catarina Ela escreve esse artigo mostrando como que na própria revista de história da historiografia o principal periódico nessa área né de teoria de história da historiografia entre 2008 que é o ano em que a a revista começa a funcionar
em 2018 quase 70% dos artigos publicados eram de autoria masculina e quando os artigos tinham por objeto falar de algum autor ou de alguma autora aí quase que a totalidade deles falava apenas de Autores homens né cerca de 95% dos artigos tinham esse tema Então essa produção intelectual feita por mulheres ela acaba sendo também um pouco mencionada e silenciada nesse sentido né porque ela é pouco referenciada né então acho que um outro ponto que Eu mencionei Logo no início diz respeito também aos marcadores raciais né porque caberia colocar também nessa lista autoras de que tem
formação história mas Muitas delas atuaram em outros contextos como a Lélia Gonzales né que enfim também se tornou filósofo a Beatriz Nascimento uma historiadora e pensadora do Quilombo como sistema social mais contemp Oran nós Vlamir Albuquerque né Fernando Oliveira historiadores do pós-abolição enfim só para citar alguns poucos nomes mas que também são significativos são exemplos significativos também de dessas historiadoras negras que tem um papel importante no nosso contexto né E isso ainda para complementar mais ainda E Complexificar essas questões caberia mencionar autores e autoras indígenas por exemplo né não há como deixar de reconhecer isso
a nossa cena pública mostra bem isso autores como Ailton krenak e David né mas quem mais Quais são os outros nomes que estão aí né saindo um pouco da história por exemplo penso sempre num autor como Jen baniwa que é um antropólogo da Universidade Federal do Amazonas uma pessoa que eu conheci que eu presenciei uma fala dela Muito impactante num evento em Belo Horizonte agora no no começo do ano a avelin BNC cambá né que é uma socióloga que atua ali no no contexto de Minas Gerais enfim né Então na verdade uma pergunta que P
coloca como é que nós temos lidado com a produção com a intervenção desses autores e dessas autoras né então acho que esses dados a situações que Eu mencionei desde o século XIX né dão mostras de uma situação que de fato concordando muito Com o que você colocou precisa ser cada vez mais discutida debatida e colocada nas nossas discussões né nos nossos debates não apenas acadêmicos né mas nos debates Públicos como esse espaço né então talvez mais do que ficar vou pedir licença né mas mais do que ficar apontando dando aqui as contribuições de historiadoras paraa
nossa historiografia talvez deixar aqui simplesmente essa reflexão no nosso cenário né ou seja convidar os ouvintes convidar ouvintes a Se perguntarem né quem são os autores Quem são as autoras que estão lendo né e sobretudo pensar que contribuições para o bem ou para o mal né damos nós historiadores aí me colocando aqui como um Historiador um homem branco para a manutenção desse cenário né então de fato é um ponto incontornável nas nossas reflexões atuais [Música] [Aplausos] eu tinha pensado em fazer uma pergunta Sobre as universidades brasileiras sobre como elas foram produzindo conhecimento do século XX
para cá de como foi a criação de universidades fora do sudeste entre outros assuntos do tipo só que esse roteiro já tinha ficado muito grande e rendia muito assunto né e uma pergunta sobre a história dos cursos de história do Brasil acho que abre uma brecha para para amente um episódio inteiro novo né então eu resolvi reformular essa questão e perguntar Sobre a Academia Brasileira no campo da história nos anos 90 para cá você que poderia pontuar alguns trabalhos importantes grupos de pesquisa enfim o que que se tem produzido de mais importante sobre a história
no Brasil nos últimos 30 anos bom de fato é uma uma pergunta extremamente Ampla né abre inúmeros caminhos para reflexão Eu acho que o que eu pontaria é justamente que esse contexto de 1990 para cá né um contexto em que se pode dizer que se Trata da da consolidação da historiografia acadêmica no Brasil e da Universidade como principal lugar social de produção de conhecimento histórico no Brasil e dando né Mais um detalhe nisso da universidade pública né que acho que enfim os dados são muito nítidos nesse sentido né então é uma historiografia acadêmica disciplinada né
que se inicia no momento da criação das primeiras universidades na década de 1930 que vai se sedimentando ao longo das décadas né Ganha um impulso importante com a criação dos programas de pós-graduação nos anos 70 e 80 lembrando também que no na década de 50 São criadas as agências de financiamento que nós temos até hoje como a Caps O CNPQ a anpu é criada nos anos 1960 então dos anos 90 para cá essa estrutura institucional essas redes que interligam que articulam historiadores e historiadoras eh no Brasil né ainda que se transformando com o tempo mas
acho que ela já estava plenamente formada e Consolidada e um ponto que é importante de tá agora acho que é sobretudo depois da aprovação da Lei de regulamentação da profissão de historiadora em 2020 é justamente as relações que serão mantidas entre essa dimensão disciplinada a história e a dimensão profissional se até então profissão e disciplina eram vistas como coisas justapostas a historiografia Profissional ou seja aquela historiografia disciplinada produzida Nas universidades então era quase como que duas categorias dois sinônimos Talvez o quadro mude agora nos próximos anos nas próximas as décadas a partir das possibilidades abertas
pela enfim por outras demandas públicas em relação à história mas também por aquilo que a própria lei pode acarretar né então enfim é algo que a gente tem que ficar muito atento Mas para não me alongar muito para além daquilo que eu poderia comentar com mais propriedade e deixando Aqui né sobretudo algumas impressões que não são amparadas por estudos mais cuidados Eu apenas mencionaria três situações que se não caracterizam completamente o nosso contexto atual eu diria que pelo menos alguma coisa de bom elas trouxeram nessa nossa última década Então a primeira delas é um fato
realmente transformador dos nossos ambientes acadêmicos que foi a implementação de políticas afirmativas nas universidades públicas né Isso Realmente mudou a universidade não apenas e está mudando a universidade não apenas porque possibilita o acesso a pessoas que talvez não tivesse essa oportunidade sem as cotas mas porque os efeitos disso né O que talvez ainda não tenhamos muitos elementos para avaliar com mais propriedade porque se trata de fato de um processo de mais longo prazo de uma duração mais longa é que novas demandas sociais em relação ao conhecimento histórico foram trazidas Para esse ambiente né que de
fato são responsáveis pela esses ambientes são responsáveis pela produção do conhecimento histórico né Então essa questão que você trouxe assim dos marcadores sociais que caracterizam a produção da história que certamente não é uma questão nova mas que foi bastante potencializada a partir dessa situação também a demanda por currículos menos eurocêntricos né por outras formas de se pensar história por outras Epistemologias que amparem o nosso pensamento histórico é algo recorrente que a gente enfrenta no bom sentido né que nos instiga a pensar nos tira de uma zona de conforto a todo momento né e acho que
isso é muito devedor desse pensamento que foi sobre as Universidades desde enfim não apenas da implementação da das cotas mas de todo um processo de reestruturação das universidades que a a gente viu nos últimos na última década ou na última Década e meia né Eu acho que isso toca também num segundo ponto que eu mencionaria né que é uma é uma abertura cada vez maior ainda que não de todo fácil e também não Desprovida de problemas e de dilemas que é uma abertura da historiografia para o espaço público Então acho que essa as ações afirmativas
nos fazem pensar e eu mesmo diria que que tornam isso incontornável pensarmos sobre as funções públicas da história paraa sociedade que vivemos é Uma sociedade que certamente não é mais aquela de 1990 por exemplo Então as redes sociais o universo digital tá aí para mostrar isso né e é interessante a gente pensar essa concomitância né ainda que me pareça difícil estabelecer uma lógica de causalidade entre elas mas essa concomitância ou essa contemporaneidade entre a implementação das cotas e a intensificação dos debates em torno de história pública entre nós aqui no Brasil né que é um
debate que Ganha um fôlego renovado ali a partir de né 2010 11 e que enfim se torna também um tema nas nossas agendas de pesquisa e nas nossas agendas de discussão incontornável né então isso são debates que não não se resumem apenas a gente pensar as formas de divulgação histórica mas acho que sobretudo algo que me parece ser um princípio norteador por exemplo o trabalho que vocês fazem no leitura obriga história né que é pensar a história como uma comunicação pública Ou seja trazer os públicos da história pro primeiro plano né então o público ele
não é essa entidade passiva que está ali apenas aguardando que a história seja divulgada para ele com uma linguagem mais acessível né numa plataforma digital né então eu tenho um um certo desconforto com essa ideia de o grande público como se fosse uma coisa homogênea para fora das Universidades né esse público ele é muito plural ele é muito variado ele tem demandas Expectativas em relação à história que são muito abrangentes e heterogêneas né É por isso que eu acho que essa ideia da comunicação pública ela nessa ideia da da comunicação pública tá contida a possibilidade
do Diálogo né ou seja de escuta dessas demandas e dessas expectativas né então acho que a gente precisa cada vez mais conhecer esses públicos inclusive pensar as nossas modalidades de intervenção pública a partir da história né que linguagem a Gente pode utilizar hoje para conseguir né expandir as nossas audiências alargar os públicos que se interessam pela história acho que há um público considerá há públicos consideráveis no Brasil que se interessam pela história né Eu acho que enfim empresas que comercializam talvez não da forma mais honesta conteúdos históricos mostram que há uma uma demanda por isso
né e acho que é por isso que queem é tão importante um canal como esse que é é de Divulgação mas é também de comunicação desse diálogo histórico com esses públicos né E talvez só para para fechar isso um terceiro ponto que eu que eu mencionaria e que é mais um comentário também para saudar essas iniciativas diz respeito às formas de trabalho coletivo que a gente tem visto hoje na historiografia né então vou dar três exemplos apenas eh mencionaria ali os colegas os amigos do Núcleo de Estudos em história da historiografia em Modernidade que é
ligado à Universidade Federal de Ouro Preto e que é um grupo assim é um coletivo que eh de fato boa parte do que nós temos no campo da teoria da história da história da historiografia e toda essa consolidação dessa área que é uma área extremamente qualificada No Brasil se deve às atividades que esse núcleo que esse coletivo vem fazendo há mais de uma década né eu também mencionaria aqui o coletivo humanas pesquisadoras em rede Né que é uma rede de pesquisadoras é nem todas historiadoras mas Muitas delas sim né que vem promovendo discussões fundamentais pro
nosso momento intelectual inclusive discussões essas que a gente havia conversado agora a pouco né e da mesma forma né um um coletivo que eu tenho procurado acompanhar pela as redes sociais eh e também pelo pelo pelo YouTube né pelas Produções e pelos textos é historiadores e historiadoras negras negros enfim eles Usam o x ali né então não tem muito como pronunciar mas é um coletivo que já tem sei lá mais de meia década Acho que uns 6 7 anos de trabalho e que vem promovendo uma série de atividades né enfim eu não sei quando que
os ouvintes Vão ouvir esse podcast Mas eles agora nos próximos dias vai iniciar a jornada Beatriz Nascimento né então que é trazendo esses temas também que nós abordamos aqui pro debate público eles também TM vários textos que são Importantes e que são de dá para acessar na internet né então acho que muito brevemente ess são algumas das movimentações interessantes que vem ocorrendo atualmente [Música] [Aplausos] [Música] [Aplausos] recomendações de leitura para quem ouviu esse episódio até o final e quer entender mais a historiografia Brasileira mas também um pouco de história do Brasil né Por tabela O
que que você recomendaria Bom enfim as possibilidades bibliográficas são realmente consideráveis né mas no caso de uma história da historiografia no Brasil eu não não poderia fugir de alguns clássicos assim sobretudo pelo conjunto de informações que traz né então acho que a obra do José Onório Rodrigues é uma referência então talvez para quem quer começar a se interar Sobre esse tema eu acho que a história da história no Brasil é um volume importante né enfim já tem uma certa idade né a compreensão de história ali pode ser discutida mas a gente encontra muita informação importante
ali né também tem um livro mais recente publicado pelo Thiago Lima nicodemo pelo Pedro Afonso Cristóvão dos Santos pelo Mateus Henrique de Faria Pereira que é uma introdução à história da historiografia brasileira em que eles Pegam o período que vai entre 1970 e 1970 né Então esse é um livro mais recente tem debates mais atualizados e finalmente se me permite I eu vou sair um pouco da esfera sair mas não tanto da esfera da historiografia e queria indicar também com muita convicção Aos aos ouvintes e às ouvintes um livro que eu li já eu li
em 2020 mas que permanece comigo aqui ecoando né um livro que eu montei também um programa de uma disciplina só para trabalhar com esse Livro que foi escrito Ito por uma historiadora mas que ela é mais conhecida pelos romances e pela obra poética que é a Micheline verun n uma historiadora Pernambucana em 2020 ela publica esse livro som do rugido da onça né não é bem um livro de historiografia mas é um livro que trata de uma forma bastante Sutil e intensa de historiografia e talvez da nossa história né então a história do március por
exemplo o século XIX está ali mas o Século XX também tá e eu diria que é um livro para os nossos tempos de de fúria né porque como ela escreve lá em algum momento é justiça de onça se faz é no dente né então acho que é uma obra que nos faz pensar o que que nós precisamos hoje para a nossa sociedade né O que que a história tem para nos oferecer em termos desse pensamento então seriam essas as dicas que eu daria aí para os ouvintes e ouvintes Então é isso Fernando você tem alguma
consideração Final não enfim só agradecer mais uma vez né reforçar essa alegria e de fato assim sem nenhum protocolo aqui me senti realmente muito honrado de ter sido chamado para participar do história FM então te parabenizar pelo teu trabalho você acho que é um trabalho fundamental assim como eu disse né não apenas de divulgação mas esse cuidado te acompanho nas redes sociais esse cuidado que você tem com os públicos da história Então acho que de fato agradecer mesmo por Você ter aberto esse espaço aí para podermos conversar né então muito obrigado fico muito grato por
isso então é isso gente muito obrigado por terem ouvido até o final não seque esqueçam que vocês acham os nomes desses livros citados aqui no final no nosso site storm.com no post desse Episódio você pode seguir a gente nas redes sociais @ obrigahistória no Twitter e no Instagram ou @fm comfm maiúsculo no Twitter e claro apoiar a gente com qualquer valor A partir de r$ 2 aí em apoia.se bar obrigahistória com R 5 por mês você ouve os episódios do histor FM com antecedência e você pode colaborar também via pix na chave leitura obrigahistória @gmail.com
Então é isso muito obrigado e até a [Música] [Aplausos] [Música] próxima este podcast foi financiado por Nossos colaboradores no apoia-se acesse apoia.se bar obriga a história e contribua para manter ess projeto Educacional gratuito no ar