Quase entrei em depressão, mas como depressão não é doença de pobre, né? Se lascou comigo a depressão. Eu fiquei gozado.
Eu fiquei um mês Gugu, deitado na sala da minha casa, um colchão, né? A garrafa de café, comprei um ma cigarro, eu tinha parado de fumar. Então assim, eu eu me senti só.
>> Eu nunca [música] mais vou te esquecer. É verdade. É sim, senhor.
[música] Quem me contou ou ou foi para me sentar ou criou? >> Ô rapaz, você tem que me respeitar, pô. Afinal de contas, eu sou Pelé, pô.
>> Eu sou buu. E daí >> você até que uma pessoa atraente. >> Então dá beijinho, papai.
>> Quem dá beijinho papai? Quer do pedaço? Qual é o babato?
O babado é que a moça veio conhecer a cara metade dela. >> Nossa, se a cara metade dela for parecido com a cara dela, vai ter cara de bunda. >> Oh meu Deus.
>> Gente, a praça é nossa. Sempre foi aquele banquinho de madeira sinônimo de risada fácil, de bordão na ponta da língua. >> Que para passar pela Praça Nossa tem que ter charme, salvoação.
>> Certo? Mas e se eu te disser que para cinco dos nossos maiores ícones, aquele banco virou o lugar mais solitário do mundo? Eles nos entregaram a alegria, nos fizeram esquecer dos boletos, mas quando as câmeras desligavam, enfrentavam um show particular de terror.
Contas atrasadas, doenças que vieram sem aviso e o pior de tudo, o esquecimento. Artistas que morreram sem contrato, sem plano de saúde, alguns vivendo de favor. Hoje a gente não vai só lembrar, a gente vai desenterrar a história do que aconteceu quando o público mudou de canal.
A fama é cruel. Fica comigo até o final, porque a última história, a de quem partiu lutando contra a própria voz, é a mais forte de todas. E a gente começa com um homem que pagou um preço alto demais só por ser ele, o inesquecível Jorge Lafon, o eterno Vera Verão.
>> Querida, pois você fique sabendo que para passar pela Praça Nossa tem que ter charme, savção. >> O riso como ato de resistência. Antes de ser a força da natureza que atendia por Vera Verão, ele era Jorge Luiz Souza Lima, um bailarino de formação clássica, dono de um talento imenso e uma coragem que faria o conservadorismo da TV engolir o próprio chapéu.
Lafon não queria apenas ser reconhecido pelo seu talento, ele exigia ser amado por quem ele era. E quando ele sentou naquele banco da praça pela primeira vez em plena década de 90, o Brasil se dividiu e se rendeu. Aquele bordão, aquela gargalhada que atravessava o vidro da tela, os vestidos que pareciam costurados com purpurina e audácia.
A Vera Verão era um furacão, mas entenda, meu amigo, ela era muito mais do que um personagem de comédia. Ela era um ato de resistência em horário nobre. Ele foi o primeiro a levar o orgulho e a ironia para um país que ainda não sabia rir da própria diferença.
Só que o palco que o consagrou também o feriu. Para cada aplauso, havia um olhar torto, uma piada de bastidor que machucava, um colega que não aceitava o brilho dele. Aconteceu algo que o destruiu por dentro.
Ele foi retirado do ar ao vivo por um convidado que simplesmente se recusou a dividir a cena com Vera Verão. Sabe o que é isso? Ter existência validada por milhões e em segundos ser humilhado publicamente.
[música] A ironia é que a única coisa que ele não podia fazer era rir daquela dor. O corpo começou a cobrar o preço dessa guerra. A pressão alta, os problemas no coração, a depressão.
Os médicos imploravam para que ele parasse, mas Jorge se agarrava ao palco como um náufrago. Ele dizia: "Enquanto eu estiver em pé, eu vou fazer o povo rir. " E foi assim até o último suspiro.
No início de janeiro de 2003, com apenas 50 anos, a luz de Jorge se apagou em um infarto fulminante. >> O corpo do Jorge Lafon começa a ser transferido pro Rio de Janeiro. Nós vamos acompanhar a saída do corpo do local onde ele foi embalsamado, porque o Jorge Lafon passou toda manhã por um processo de embalsamamento, ou seja, ele >> um artista no auge da lembrança, mas que terminou os dias esquecido em um leito de hospital.
E como se não bastasse, depois da morte, o nome dele voltou aos holofotes, não para homenagear o legado, mas para brigar. disputas judiciais pela herança, confusão entre familiares e um ex-companheiro tentando provar ser o viúvo. Aquele circo de horrores parecia um último cruel golpe.
Jorge Lafon não teve filhos, mas deixou uma marca que o tempo não ousou apagar. Ele pagou o preço por ser autêntico em um país que só aceitava o riso padrão. Se você fechar os olhos e lembrar daquela gargalhada estrondosa, você vai entender.
O brilho de Vera Verão não sumiu. Ele só mudou de lugar e se tornou uma estrela eterna no céu da comédia. Enquanto o Brasil tentava absorver a ausência desse ícone, outro gigante da praça enfrentava um golpe duro, não da doença, mas de um telefonema frio e inesperado.
Moacir Franco. >> Moacir Franco foi apresentador de programa de TV, ator, humorista, cantor, autor e palmeirense de verdade. [música] E é por isso uma trajetória de vida fantástica.
e que sempre passou [música] pelo Palmeiras, que ele recebeu a homenagem do acervo. >> Moacir Franco não era só um humorista, ele era um artista com a maiúsculo, uma lenda viva do nosso entretenimento. No banco da praça, ele era sinônimo de humor elegante.
>> O 29 >> quê? >> 29. >> Você tá procurando o 29?
>> É >> aqui. >> Eu? >> Ah.
Ah. Ele >> a partir da semana passada virou 29. >> Ah, mas por quê?
>> Caso aumento dos combustíveis. A 24 passou para 29. de canções que despertavam aquela saudade gostosa de um tempo que não volta mais.
>> Se eu [música] tiver o coração. >> Ele era o tipo de profissional que se dedicava por inteiro. Chegava cedo, ajudava nos textos, dava o sangue pela qualidade.
Querido, respeitado, o alicerce de um programa de décadas. Franco, um super artista e palmeirense de honra, [música] o criador da música O amor é verde. >> E é exatamente por isso que a notícia veio como um soco no estômago.
Em 2017, depois de mais de 30 anos de casa, 30 anos, o telefone tocou. Do outro lado da linha, uma voz fria anunciava-te a demissão. Moacassir, aos 81 anos, ouviu que não fazia mais parte do programa que ele ajudou a construir.
A praça tinha virado a página sem um obrigado. O choque foi tão grande que a dignidade ficou de lado por um momento de desespero. Ele chegou a implorar.
ofereceu-se para trabalhar por apenas R$ 500 por mês ou até de graça, apenas para não perder o plano de saúde. Sabe a dor de um homem que dedicou a vida à arte e se vê reduzido a implorar por um direito básico de saúde na velice? O pedido foi recusado.
Sem o salário fixo, as contas vieram como um tsunami. Ele, que foi estrela, confessou em entrevista. Teve um ano na década de 80 em que as coisas andavam muito difíceis para mim.
Tive muitos contratempos financeiros, fiz bobagens, levei uns golpes e por causa da reessão tava difícil de fazer show. De repente, um monte de coisas [música] começou a dar errado. >> Hoje me cortaram a sky.
É difícil conceber aquele rosto que nos fez rir, agora preocupado com o básico, com o medo de envelhecer sem renda. E como se a demissão não fosse o suficiente, o destino lhe deu o golpe mais baixo. Em meio a essa fase sombria, Moacir Franco é a prova viva de que o sucesso pode ser efêmero e que o riso às vezes é só a maquiagem para uma dor imensa.
Mas o talento esse não morre. Ele não desistiu, seguiu fazendo shows, cantando. Ele sobreviveu à fama, a ingratidão da emissora e a saudade com a mesma dignidade.
Você já parou para pensar quantas vezes um sorriso na TV escondeu uma tragédia pessoal? Comenta aqui se você lembra de alguma música inesquecível do Moacir. >> Coragem para recomeçar.
[música] E se para Moacir o golpe veio da demissão, o próximo nome enfrentou um inimigo ainda mais cruel, Batoré. >> Batoré. >> E você [música] pensa que é bonito ser feio, que é bonito ser feio.
Que é bonito ser feio. >> Quando você pediu o guaraná, eu servi. Apareceu só o guaraná e a minha mão.
Só eu? Mas só eu e minha mãe sabia que aquela mão era minha. O palhaço que sofria calado.
Antes de ser o batoré da televisão, Ivanildo Gomes Nogueira era um garoto nordestino com um sonho gigante. >> Ivanildo, que era natural de Pernambuco, chegou a jogar futebol nas categorias de base em times paulistas. Ser jogador de futebol, chegou a vestir a camisa, a pisar no campo, mas o destino, com sua ironia peculiar, trocou a chuteira pelo chapéu de caipira após uma fratura no tornozelo.
E assim nasceu o batoré, aquele caipira invocado de chapéu pequeno e frases afiadas. Tu >> já foi enterro de pobre? Claro, lógico.
>> Todo mundo chora aí aquele silêncio quando aponta um amigo do defunto na porta. Ah, >> você pensa que é bonito ser feio? O bordão virou febre.
Era um humor de raiz, simples com a cara do povo brasileiro. Mas a vida, que parecia um roteiro de sucesso, mudou de tom em 2003. Ivanildo foi dispensado do SBT.
Mais um corte de elenco, sem aviso, sem despedida. >> Que houve a submemissão [música] da praça >> em 2003, o o SBT entrou num processo de de contenção de despesas. O contrato eu recém separado, pessoa falou: "Mas foi ele que colocou o seu nome?
" Aí eu fui na sala do Coberto. Aí eu já fui chorando, né? Porque você vê ali desmoronar tudo.
>> Ele se sentiu traído, magoado e o ressentimento foi maior do que qualquer piada. >> Entrei em desespero e tal e quase entrei em depressão, mas como depressão não é doença de pobre, né? Se lascou comigo a depressão.
Eu fiquei gozado. Eu fiquei um mês Gugu, deitado na sala da minha casa. >> Batoré se afastou da praça por anos.
Longe da TV, ele buscou outros caminhos, se aventurou na política e foi eleito vereador em Mauá. Batoré também foi vereador de Mauá, na Grande São Paulo. >> Parecia o recomeço, mas o tempo mais uma vez foi implacável.
Felizmente veio a redenção. Em 2016, o Brasil vibrou ao vê-lo na Globo. Bator [música] >> e em 2017, a cena que fez muita gente chorar.
O abraço emocionado de reconciliação com Carlos Alberto de Nóbrega. Dois velhos amigos unidos pelo perdão. >> Te amo, cara.
>> Eu te amo. Certeza. Independente de qualquer coisa, eu te amo.
Eu sou um cara completo. Eu também tenho muita saudade de você. >> Mas o que quase ninguém sabia é que por trás daquele sorriso recém conquistado havia uma luta silenciosa.
Diagnosticado com um câncer agressivo, Batoré decidiu esconder a notícia. Ele continuou trabalhando, sorrindo, como se nada estivesse acontecendo. Era o jeito dele, proteger os outros da própria dor.
Nos últimos meses, a saúde se agravou de forma brutal. Sem plano de saúde, sem a estrutura particular que a fama poderia ter bancado, ele se tratava pelo SUS, como a maioria dos brasileiros, e foi em uma UPA, uma simples unidade de pronto atendimento que o Brasil se despediu dele. >> Foi enterrado em Cabreúva, no interior de São Paulo, o corpo do ator e humorista Ivan Gomes, o batoré.
>> Ivan Gomes sofreu duas paradas cardiorrespiratórias na tarde desta segunda-feira. O ator ficou famoso pelo personagem Boré de A Praça Nossa. >> Batoré se foi em silêncio.
Ivanildo deixou a lição. Por trás do palhaço há sempre um ser humano que ri por fora, mas sofre calado por dentro. E enquanto o Brasil ainda se emocionava com a partida de Batoré, outro rosto querido da praça tentava recomeçar do zero.
Buiu, >> psicóloga autodidata. Ué, mãe de santo agora mudou de nome. >> Edvan Rodrigues da Silva, nascido no dia 9 de outubro de 1981 na cidade de Caetité, Bahia, mais conhecido como Buil, é um ator brasileiro.
Começou a trabalhar com apenas 6 anos de idade no humorístico A [música] Praça é Nossa, >> o menino que cresceu demais. Pouca gente tem a dimensão da história de Edivan Rodrigues da Silva, o eterno Buyu. Nascido na Bahia, ele conheceu a pobreza, chegou a viver nas ruas de São Paulo até ser acolhido por uma família.
>> Segundo contou, a mãe biológica fora abandonada pelo companheiro ao saber de sua gravidez e após nascimento, foi levado para um abrigo em Caetité. A mãe, que bebia, deixava o menino na rua. E quando ele tinha 4 anos, um comerciante [música] vindo de São Paulo em visita aos irmãos se encantou com o menino e, tendo a concordância da genitora, levou-o consigo para [música] o sul.
Lá, a esposa do comerciante não aceitou a ação do marido que lhe tensionara fazer uma surpresa. Ele morou por um mês em casa de uma vizinha e [música] quando passou a morar na casa de seu benfeitor, era maltratado pela mulher dele. Ele ficava no bar do pai adotivo com uma pequena viola.
>> E foi ali, na rua, que o destino o encontrou. Ele falou: "Meu pai, ó, leva ele segunda-feira lá fazer teste na TVS que o moleque tem jeito, vai que passa". Aí meu pai me desconfiadão, segunda-feira o Wilson Vasco passou lá e pegou a gente.
>> Cheguei lá na TVS, mesma situação, eu na salinha de espera, a galera da figuração brincando comigo e tal, quem passa? Arn Rodrigues. >> Arnold Rodrigues.
>> Aí o Arnô viu, começou a bater um bate-papo comigo ali, falou: "A partir de hoje você é o Buiu da praça, vem comigo. " E me levou pro C. Com apenas 6 anos, Buyu foi descoberto e em pouco tempo estava sentado no mesmo banco onde os gigantes do humor faziam história.
Pequeno, carismático, engraçado, sem esforço. Tudo aqui apasta para mim sentar. Criou.
>> Ô rapaz, você tem que me respeitar, pô. Afinal de contas, eu sou Pelé, pô. Eu sou daí.
>> O Brasil se apaixonou por aquele garotinho que contracenava com a Vera Verão. >> Nos anos 90 ele era o mascote da praça. Ele cresceu diante dos olhos do país.
Mas aqui está a grande armadilha da TV. Buiu cresceu demais para o papel. Em 2003, logo após a morte de Jorge Lafon, o programa mudou de formato e Buyu foi dispensado.
Ele foi demitido da emissora que passava por dificuldades [música] financeiras. Sem outra formação e tendo trabalhado somente ali, teve que se sustentar vendendo pastéis [música] ou como servente de pedreiro. >> E o tom mudou de comédia para drama de sobrevivência.
Aquele nome famoso, que era motivo de orgulho, não pagava o aluguel. Mas o carisma não se apaga. Em 2007, ele foi contar sua história na TV e o público o reencontrou.
Em 2007, [música] por intercessão de Márcia Goldmith, foi contratado pela Rede TV e atuou [música] nas pegadinhas de Joan Cléber. Voltou ao SBT em 2010, interpretando [música] um garçom no mesmo programa em que iniciou a carreira. Logo vieram novos convites, pequenas participações e em 2010 o retorno triunfal à praça.
E atualmente ele está na Praça É Nossa, ao lado de Carlos Alberto de Nobrega no SBT. >> Como é que é tal o seu personagem hoje? Hoje eu tô no bairro da praça.
[música] Eu sou garç praça. >> É o garçom da praça. >> Isso.
>> Hoje ele leva uma vida simples em diadema, sem luxos, mas [música] com uma paz que o dinheiro não compra. Buyu aprendeu que a felicidade não está na fama, mas em ter o que comer e com quem contar. Ele mesmo costuma dizer sorrindo de um jeito que só ele consegue.
A gente aprende que fama passa. O importante é não deixar de ser gente. Ele é um sobrevivente que nos ensina que dá para cair, levantar e seguir de pé.
O Buiu renasceu, >> traduzindo torcedor são paulino. >> Mas nem todos conseguiram se reerguer. O próximo artista lutou contra um inimigo silencioso que lhe roubou a principal arma de trabalho.
A voz Viana Júniorem. >> Tá aqui dentro do jornalzinho. >> É isso.
É bom. >> Quais são as novidades? >> Novidade nenhuma.
Tá te vendo de violão. >> Isso aqui é pro meu filho. Ele que gosta, meu filho.
Vou dar para ele. É, >> você sabe que eu também gosto de cantar com meu filho. Ele toca violão.
É só que ele canta as músicas, né, mais modernas. Eu canto aquelas antigas, né? A ló do sertão.
>> Quais? Ah, bom. Isso é hino nacional.
>> Você sabe aí? >> Eu acho que eu sei. Deixa eu ver aqui.
>> Fere um ré aí. Fere um ré. F um ré.
>> O mestre que perdeu a voz. Sabe aquele tipo de cara que chega na rodada de amigos e parece que o problema dele é só se dar bem? Na praça é nossa, esse era o Bronco, a criação genial de Viana Júnior, um dos nomes mais marcantes da história do humor.
Ele era o contraste perfeito, o alívio cômico que a gente esperava toda semana, principalmente nas eternas confusões com a querida dona Cotinha. >> Eu conheço vocês de algum lugar. De onde é mesmo?
É, é, é. >> Começou a confusão. >> Ah, da televisão, né?
E escuta o que que vocês fazem lá na televisão. >> Ô, a senhora é maluca da pira. >> A dupla caipira.
Eu adoro. >> O público amava a leveza dele. Viana Júnior não precisava de palavrões ou piadas complexas.
O talento dele estava no gesto, no olhar, naquela voz. >> Mas é surda. Pior que torta.
>> Ah, tá com a cabeça torta, né? >> Ah, a voz, a principal ferramenta de um comediante, o sopro que transforma um roteiro em risada. Mas a ironia do destino, meus amigos, é sempre mais cruel que qualquer roteirista.
Depois de décadas dedicadas a nos fazer esquecer dos problemas, Viana Júnior começou a sentir que a voz, a sua marca registrada, [música] estava lhe sendo roubada. O diagnóstico de disfonia crônica veio como um golpe silencioso. Pense bem, para um comediante era perder a identidade, o direito de estar naquele banco.
Ele lutou, tentou se adaptar, mas a ferramenta de trabalho, aquela que ele usou para nos fazer gargalhar, já não obedecia mais. Aos poucos, o Bronco sumiu do cenário. Sem atuar sem o salário, o homem que um dia reinou na TV precisou do básico, um teto.
O talentoso Viana Júnior, o artista que o Brasil aplaudia, teve que viver de favor, contando com a generosidade de amigos e parentes. Uma estrela que se apagava trocando os aplausos pelo silêncio constrangedor da dependência. E o final é um tapa na cara da fama.
Viana Júnior nos deixou em 7 de junho de 2010, aos 68 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos. Ele se foi em um silêncio quase anônimo, longe dos holofotes, sem o reconhecimento que ele tanto merecia. Pode parecer que só a gente lembra, mas a memória dele está viva em cada gargalhada guardada.
Me diz aí nos comentários de forma bem sincera, qual foi a cena do bronco que mais te fez chorar de rir. É o nosso jeito de dizer a ele que, apesar da televisão ter esquecido, nós não esquecemos. E para fechar, a história de quem conseguiu transformar o caos em recomeço.
Mateus Ceará. >> Vem aí, Mateus Ceará. >> [música] >> Eita!
Fala pig, tudo bem? Bem, graças a Deus. Ô, Mus, você foi açogueiro, foi no Ceará ou quando você já veio para Campinas?
Já >> é no interior de São Paulo. Chamo Itubi. >> Itubi?
>> Ah, bom. Mas você nasceu em Fortaleza mesmo. >> Eu nasci em Fortaleza, morei em Itubi, morei em Casa Branca.
>> O riso como remédio. Mateus Ceará, hoje um dos maiores nomes do humor brasileiro, teve uma caminhada que foi qualquer coisa menos engraçada. Começou o adolescente fazendo graça em praças e bares, onde o cachê às vezes era só um lanche.
Mas de festivais na Record ao Faustão, o personagem do retirante nordestino virou fenômeno na praça. >> Minha que é mulher de amigo meu é igual travesseiro. Cada vez como eu só boto a cabeça.
[risadas] Como é que tá canção velho? [risadas] >> O público ria, se via nele e o garoto tímido virou estrela. Mas o riso de novo, escondeu a dor.
A rotina pesada, a pressão constante, a necessidade de ser sempre engraçado fizeram Mateus entrar em colapso. >> Aí o vinho começou a viciar mesmo, porque tudo era tomar um vinho. Ah, tomar um vinho.
Ah, vinho. >> E é caro, né? Tomar vinho não é baratinho.
É >> caro tomar vinho. Vinhozinho bom é carinho. Só que tomava três numa sentada.
Eu tomava dois e abria a terceira garrafa. Ela come >> crises de pânico, ansiedade profunda e um mergulho perigoso no álcool. >> E esses gatilhos de de ansiedade, porque a bipolaridade minha é o que puxa a depressão, ansiedade e pânico.
Então, se eu >> Ele chegou a beber litros por dia. >> No filme do Elvis, eu tomei 24 longck de Heinek. >> da grande, não, da pequena.
>> Quase 7 L de cerveja em duas horas. É, E e não me se mijava, não é? >> Tentando desesperadamente anestesiar o caos que sentia.
O comediante que fazia o Brasil rir já não conseguia rir de si mesmo. A ironia da vida, mas veio a virada. Com o apoio da esposa Bianca e da filha Ive, >> chegou um tempo que eu comecei a fazer um propósito com Deus, porque tava tava muito, tava muito mesmo.
>> Ele buscou o tratamento, parou de beber >> e eu não imaginava que o Mateus fosse parar de beber um dia, sabe? E eu só pedia para Deus, Deus, me dá sabedoria porque tá muito ouv >> trocou o vício pela academia. A culpa pela disciplina.
Ele se curou e redescobriu o prazer de viver. >> É a única coisa que eu tomo remédio hoje é paraa bipolaridade. E com exercício físico, com a dieta, com tudo, eu cortei três remédios, né?
>> Hoje, fora da praça, ele se reinventou. Empreendedor, pai presente e artista maduro. Ele provou que é possível transformar a dor em força.
Mateus é talvez o retrato mais atual do humorista brasileiro. Alguém que riu do próprio caos, mas que aprendeu que o verdadeiro sucesso não está na fama, sim em sobreviver a ela. No fim, depois de todas as cortinas fechadas, o que fica é sempre o silêncio.
[música] Aquele silêncio que engole a gargalhada. Quando o público finalmente vai embora, as luzes se apagam e o artista fica ali sozinho no palco vazio. A praça é nossa, é um tesouro nacional, mas por trás daquele banco de madeira existe um museu de histórias reais que o público nunca viu.
Histórias de artistas que deram a alma para nos fazer rir e que em troca conheceram o lado mais cruel da fama, o esquecimento. Gostou do vídeo? Compartilha com os amigos, deixa o like e se inscreve no canal.