[música] Bom dia, boa tarde, boa noite. Eu não sei em que momento você tá vendo esse conteúdo. você tá aqui no Juntas e Geniosas que tá virando uma spin-off aí da JGTV. Vamos ter um canal especial para juntas e geniosas. A gente hoje vai est falando aqui com as nossas queridas meninas, um papo super espontâneo. Como é que vocês estão desde o último programa? >> Tudo bem? >> Tudo bem? Tudo joia. Animadíssimos com >> animadíssimas com novo estúdio, né? Cheio de novidade. Muito. >> Tá tudo lindo aqui, ó. Até o lobo diferente. >> Pois é.
É, novidades totais. >> Bom, gente, a gente vai hoje falar de alguns temas eh temas distintos, mas que no fim a gente sempre amarra, né, as pautas, sempre acaba eh tendo correlação o tema do primeiro bloco, do segundo. A Gente vai falar de dois temas que são distintos, mas que acaba resvalando de alguma maneira eh eh na na comunicação, né? H, e no primeiro bloco a gente vai falar um pouquinho, vai lançar um olhar aí sobre mídia e sociedade, [roncando] ã, depois da repercussão do curso recém-lançado do ator Juliano Casarré, a forja e o farol,
o curso vai ser ministrado agora em julho, se não me engano. É um curso para acolher homens Que querem entender ou recuperar seu papel social, né? E afinal, o que que deveria estar nessa polêmica toda, né, meninas? eh, é o curso, é a ideologia do ator, é um novo modelo de masculinidade, né? Como que a a mídia tem tratado o tema, né? Teve um debate aí eh até o momento em que a gente tá gravando esse programa, é um debate até recente que houve com a Veria Conelli, eh, o jornalista Ismael dos Anjos, eh, mediada
ali pela Júlia do Alibe no debate Globo News, né? Eh, e esse debate foi bastante polêmico ali, porque acabou e eh deixando no ar uma discussão ali que virou uma discussão político-partidária, muito mais do que os temas, né, que eram para ser debatidos ali no no eh no âmbito do programa com a respeito do curso do Casaré, de tudo que toda a discussão que poderia ser aberta ali, né, nesse momento. E o que que a gente ganha? O que que a gente perde quando a mídia, a Sociedade, as redes sociais, quando tudo vira uma discussão
binária, um pensamento binário, uma discussão político-partidária e ainda mais em ano eleitoral. Então, a gente vai falar um pouquinho sobre isso. E no segundo bloco, nós vamos falar sobre narcisismo conversacional. Eh, não é um transtorno, mas é um fenômeno, né, na comunicação. É considerado até uma coisa eh natural em Algumas culturas. Ã, mas vem aí de um contexto em que as pessoas ã ficam só esperando a sua vez de falar, né? Ela, você tá conversando com uma pessoa que tá só esperando a vez dela falar, dela se colocar, dela ser o centito da conversa. Então
isso é chamado de narcisismo conversacional. >> Ou às vezes ela até te interrompe, né? >> Pois é, né? Você [risadas] conhece alguém assim aqui? A gente conhece algumas pessoas assim, né? >> Antes da gente começar, segue o canal no YouTube. [roncando] Somos dois canais agora. Somos o Juntas Geniosas no YouTube, somos a JG no YouTube, JGTV. Ã, e a JGTV também é mais. A gente tá toda quarta-feira às 10:30 na TV Mais, que é uma TV Web e uma TV que passa em diversos canais por assinatura na região do Rio Grande do Sul e de
Santa Catarina. Segue a gente, acompanha nas redes sociais, acompanha a TV Mais e fica com a gente aqui agora. Bom, vamos pro primeiro bloco, meninas. Vamos lá. Então a gente eh começa esse papo falando, explicando um pouquinho mais, né, que que é o curso do do ator Juliano Casarré. Eh, o farol e a forja é um curso que abre o papo sobre masculinidade eh contemporânea, mas é um é um discurso toda todo o conteúdo do curso, como a gente falou aí no comecinho, acabou o tema central acabou sendo meio que posto de lado pra gente
Discutir a ideologia que tá por trás do curso, a ideologia do Juliano Casarré, ã, tudo que tem em torno da da masculinidade contemporânea acabou virando uma discussão mais política de de nós contra eles, enfim, dos ideais mais conservadores contra os ideais mais progressistas do que seria uma masculinidade eh >> saudável >> saudável, né? Eh, enfim. E >> é porque o que a gente tem, o que a gente ouviu bastante nas coisas que viralizaram inclusive desse programa é que é um resgate da masculinidade >> profissional e conservadora, né? >> Isso. Na verdade, o que o Juliano
ele ele ele traz, né? Ele fala de espiritualidade, ele fala do dos de papéis considerados naturais pro homem, pra mulher, do resgate desses papéis. Então, a mulher foi feita para ser mãe, para ser esposa, para cuidar. E o homem Eh tem um outro papel, ele é provedor, ele tem eh eh uma função ali de de autoridade, né? Então, são são e eh realmente o resgate a papéis eh considerados comuns, né? eh na sociedade a >> tradicional, né? >> Há dois séculos atrás. >> Vou considerar que era tradicional, porque isso já tá ultrapassada essa visão, né?
>> É. E aí a gente, assim, a gente Observando, né, toda a discussão então nesse curso, assim, a gente não conseguiu ver uma um debate com profundidade, né, do dos temas, assim, ã, o que que implica você resgatar esses valores? Eh, a gente precisa desse resgate, o que que a gente precisa de uma masculinidade eh contemporânea, né? E e quando a gente vê a mídia, né, a gente comentou aqui do debate da Globo News no comecinho do programa, a gente comentou quando a Gente vê a mídia completamente basbacada, né, diante de um tema como esse,
sem eh contribuir com essa discussão, sem aprofundar, o que que que isso implica na nossa sociedade, né? Quer dizer, a gente, se a mídia não consegue debater com profundidade, que dirá a gente nas redes sociais, a sociedade, né, como todo, >> e sem rebater também as as questões que estão sendo debatidas ali, que que acabam >> eh gerando uma inverdade e e os moderadores não conseguem trazer isso pra discussão, né? >> Sim. nem a própria desinformação, né, que surgiu no meio dessa discussão, desse debate, ainda que raso, eh nem a própria nem a própria desinformação
que surgiu ali foi eh resolvida, né? Ninguém trouxe os verdadeiros dados à tona. Isso assim, isso foi só um debate, né, gente? Mas a repercussão que aconteceu nas redes sociais desde que esse ator lançou O curso eh traz eh tanta desinformação quanto eh eh quanto a superficialidade nesse nesse discurso, nesse debate. E por que que isso acontece, Paulinha? Você que sempre nos traz aí referências super super. É, então, eh, a gente, eu acho que a primeira questão que surge dali, que me surgiu pelo menos, é, e que foi debatido assim quando saiu o curso e
a gente tá falando sobre isso novamente mais uma vez e como se a gente tivesse Propagandeando uma um uma situação dele, é, será que ele deveria estar em pauta nesse lugar, >> né? Então, é muito complexo e ao mesmo tempo eu fico pensando, ele achou muita ressonância, muita voz na sociedade, nas mídias e e tem essa questão da mídia contribuir para isso, uma vez que eh contribuir para pro que exatamente, né? A gente ter debates mais rasos que foram posições extremamente simplificadas, né? Então a mídia também se se usa disso. Daí ele também, o Casarré,
por exemplo, estava lá para fazer os cortes dele e para ter mesmo essa posição binária, né, de dois lados, o que ganha a atenção da das pessoas hoje em dia, né? E aí a gente ficou se questionando se o problema seria ele ser conservador, porque ele tem uma postura eh claramente conservadora, né, no nos posicionamentos dele. Quais é o a dificuldade que a gente tem de colocar isso em debate, sendo que tem uma ressonância muito Grande o assunto e ser um debate aprofundado com dados, com, né, a gente até viu no debate Globo News, eh,
a os participantes lá fazendo alguma alguma reflexão, >> a Vera e o Ismael, né, tentando eh rebater algumas coisas. Mas aí é tão absurdo eh o que ele traz que eu acho que até os próprios convidados ficaram chocados assim, né? >> É do do que eu percebi desse debate, ninguém fechou nenhuma guestal, né? Quer Dizer assim, todo mundo ã ficou com raciocínio insuspenso, né? Ninguém conseguiu concluir nada, nem o próprio Casarré. >> Uhum. >> Né? Então, >> não, ele ele era ele era fato, mas a Vera, por exemplo, tentou fazer isso várias vezes e ela
não conseguia concluir o a linha de raciocínio dela, porque era ela era eh cortada, assim, ela era interrompida muitas vezes até Com algumas sutilezas, né, dele até. Aí ele fala, não, ele até falava, vai não, tudo bem, pode concluir, pode. Mas aí a linha de raciocínio já tinha ido por que eu acho aqui fazendo até um adentro que não, eu acho que esse tipo de assunto que partiu até do curso dele, ele e o curso não é para debate. Eu acho que nem tava aberto. Eu não sei então porque deram eh espaço para ele. Não
existe um debate, eu acho, do curso dele, entende? Existe um uma demonstração do que é o Curso, mas não acho que é um debate porque ele não está aberto a debate. >> É, mas é porque eu acho que o tema ele tá ele tá em droga assim, é o tema é um tema um tema em aberto para debate na sociedade, né? Perdeu está aberto, eu acho. O o dono do curso não está aberto, né? Eu acho que até começa aqui depois que eu eu fui eu fui eh pensar a respeito o nome do curso, né?
A foja e o farol. Era ele, né? Venham a mim que eu serei a forja e serei o farol do que Vocês vão sair depois daqui, sabe? Me deu muito essa visão de que até vai ser o nosso próximo ali, nem tanto na no narcisismo do tipo, é isso, o homem é a forja e o farol da família e disso eu sou o primeiro. Olha, a mulher vem me como Então eu acho que como você vai debater isso? É, como é que eu >> fala isso bastante, faz esse contraponto bastante, porque assim ele fala, não
é sobre você, Casaré, é sobre a sociedade. Como que a sociedade lida com essas Questões da masculinidade hoje em dia, não dá pra gente trazer pro individual e falar: "Ah, eu sou um homem conservador que viva assim, assado". Não é você, é toda a sociedade, são os dados que a gente tem sobre o feminicídios, né? que é isso que a gente deveria, mas sim. >> Então, mas como você disse, essa narrativa encontra ressonância porque traz respostas simples para questões muito complexas. E é isso que a gente tá falando, essa complexidade não teve Lugar ali, porque
realmente não se não não se conseguiu aprofundar nada. modelo ali não per, >> quer dizer, o Ismael não conseguia trazer nem a Vera essa essa complexidade, né, da do que é a masculinidade, do que implica você eh da voz para uma postura conservadora no país em que você tem recorde de de feminicídio. O que significa você dizer que o homem é provedor e que ele tem um papel X quando Hoje a gente tem a possibilidade, oportunidade, mulheres e homens de assumir diferentes papéis por escolha, não mais por imposição de ninguém, né? Então é muito complicado
a gente não tocar nessas questões, né? Eu acho que eh é um pouco isso, né, Paulinha, que você tava é exatamente. E eu tenho uma uma observação assim da questão da masculinidade hoje, né? a tem uma fala da Manuela Dávila que diz que a crise da masculinidade tem a ver com eh a crise Do capitalismo. Então, a a essa mulher ela geralmente vive melhor do que a mãe dela. Por quê? Porque ela tem um espaço social maior, uma voz maior, ela tem mais escolaridade, ela tem outras posições no mercado de trabalho, né? E e o
homem ele tá querendo performar aquela masculinidade que foi aprendida, que é do provedor, do cara do farol e a Ford, né, daquele que domina a família. Só que ele não tá mais nesse lugar. Ele às vezes a maioria das vezes vive pior do Que o que o pai dele viveu, né? E aí traz uma questão do ressentimento de gênero, né? Que ela que eu acho muito eh muito pertinente aqui falar disso, né? essa questão de de como isso eh essa masculinidade fica tóxica por causa disso. Assim, o homem não tá preocupado em eh fazer a
transição, né, que que nos foi eh convocado há muito tempo das mulheres eh transacionarem para outro lugar. E os homens eles acabam fazendo esses cursos para se reunir num lugar e Justificar a não necessidade de mudança. Eles não querem sair daquele daqu desse posicionamento e querem voltar para que uma questão tradicional que era mais cômoda e que não necessariamente é melhor, né? A gente sabe os as >> nem para eles, né? Como você tá dizendo, essa questão toda, hoje eles não vivem melhores eh em situação melhor do que dos pais. Exato. Eles poderiam ir para
outro lugar para ter outros papéis, né? Só que eles não estão preocupados em e Aí eles se ressentem e são violentos e tem essas posiços. E esse curso do Casahé, ele é muito nítido de de nessa direção assim, não, vamos voltar para ali, vamos juntar todo mundo pra gente ficar confortável aqui nesse lugarzinho de >> de não querer. Olha lá, né? Para justificar. lá como tá tudo errado. >> Olha como eu pertenço a um grupo que realmente pensa da mesma maneira e >> que tem razão, né? >> O que eu o que eu achei muito
importante que você disse nessa coisa da que a mulher foi chamada para essa mudança é que a gente busca a mudança e a gente quer trazer o homem junto. A gente quer mudar e quer trazer o homem junto para essa reflexão e pra gente chegar num lugar comum e que seja bom dos dois, né? Mas é os homens a gente vê nesses tipos de curso que eles querem voltar >> que eles não querem vir junto eles querem é que é que eu não sei se é só Por comodismo, né? Mas enquanto a mulher quer esse
movimento de uma melhora pros dois, que cabe todo mundo nisso, >> a mulher cabe melhor na sociedade assim assado e você homem também cabe assim assado. Vamos equilibrar. tem esse movimento de puxar e cada um, vamos voltar, voltar a ser o que era antes e cada um seu lugar e como se a mulher saísse para trabalhar e voltasse, como se fosse uma brincadeira, não toma aqui um dinheirinho, vai brincar, volta, Porque você tem o seu lugar aqui para continuar fazendo. Cuida do filho, cuida de mim, de mim, cuida da casa. O resgate da autoridade masculina
nesse dentro desse contexto deveria ser uma reorganização moral social da uma reorganização moral da sociedade. Eh, só que não tem essa essa reorganização, tem o resgate do que já era tradicional, do que já era conservador. Se houvesse essa reorganização, a gente já estaria falando justamente sobre um novo modelo De masculinidade. E não é, a gente a gente cai sempre no mesmo, na mesma questão que é, estamos de novo discutindo coisas conservadoras que não cabem mais numa sociedade que teve milhões de conquistas femininas e não só uma sociedade como um todo, até, não é só conquistas
femininas. a gente, se a gente olhar as décadas eh passadas, a gente tem mudanças sociais de casamento, de eh questões com eh número de filhos. Então isso isso envolve Homens e mulheres, não tem não envolve só decisões de mulheres, entendeu? >> Mas isso tem uma questão importante que a gente sempre fala que é o vazio de referência, né? O homem ele olha pro lado, ele fala: "Para onde eu vou, né?" né? É, acho que esses cursos eles são um lugar de ficar confortável porque eles não sabem para onde vão, assim, eles olham pro lado dos
pais, eles olham no cadê as referências, né, dos homens nesse contexto de para para uma mudança Propositiva, né, para uma mudança importante, uma transição mesmo, porque isso que a gente também comenta bastante, essa reação, ela existe porque existe uma transformação em curso, como você falou. precisa ser acolhida, né? Precisa de ser discutida. Não é só rebatida eh num lugar assim, nós contra eles, elas contra eles, eles contra elas. É, é, precisa ser colhida, é uma transformação na sociedade como qualquer outra, né? Essa dor patriarcado é ruim pros homens, né? E esse quando eles entenderem isso
e falarem: "Pô, vamos lá todo mundo junto". >> Vai ser >> essa dor dos homens. Ela é legítima. Ela não, ela não é eh >> ninguém tá dizendo que não existe, ela é legítima. Porque o homem, o patriarcado, faz isso desde sempre. Ensina o homem que ele não pode chorar, não pode falar sobre emoção, não sei o quê. Então ele Ele ele se se enxerga nesse lugar e para ele sair disso ele quebra paradigmas e não é fácil. Então essa dor ela é legítima. O problema é quando essa dor vira disputa. >> Sim. que é
o que que é o que tá acontecendo, exatamente, que >> a gente chega numa guerra dos sexos fenomenal, né, Gláusia? >> Sim. Uma disputa violenta, né? >> É que queria também dizer que não é uma disputa assim que nem tem muitos homens, Eu tenho muitos amigos e vocês também que entendem que seguem conosco assim, né, nessa transição, assim como tem mulheres que ficam na no patrecado, né? Então não é não é >> pão, pão, queijo, queijo branco, preto, branco e preto, né? Não tem esse, >> é uma transição, né? Como qualquer transição na sociedade, tem
homens que vão nessa transição e mulheres que ficam ali, né? >> Sim. Sim. >> Que as mulheres também estão reproduzindo esse papel do patriarcado muito, porque elas também, se elas mudarem, el os maridos terão que mudar juntos, os companheiros. >> É, quem quem já tá no jogo, não tem como mudar. Você percebe? Porque se ela quer quiser mudar, ela vai fazer o quê? Com o marido que não quer mudar? Não tem muito como, >> é, ela vai ter que, né, acabar com uma relação, por exemplo, é um Questionamento muito profundo também, muito profundo. É uma
zona de conforto importante, né, num bem bem um movimento de transição que realmente precisa ser acolhido, mas com uma uma debate mais complexo. Eu acho que essa questão do ressentimento de gênero é um ponto de partida, né, para essa para essa conversa. Então, quer dizer, eh, o homem sai de que lugar e para onde ele pode ir, né? Já sabemos o que está acontecendo, porque que ele está assim, Qual é a crise, né? Eh, como a gente pode ver esse homem melhor do que a geração passada, né? E, e o que ele entende por melhor
do que essa geração, né? Sim. >> Então, acho que é um é um ponto de discussão, né? Que os homens também não falam sobre isso, né? né? Ninguém consegue eh olhar pra geração passada e dizer: "Não, meu pai não não vivia bem, né?" Assim, eles não têm essa consciência, né? É uma coisa >> para minha humilde opinião, né? Não sou especialista em nada, mas eu acho que assim ess eh a gente tem que parar de tentar colocar as pessoas em lugares definidos assim, ah, porque o lugar da mulher é não sei onde, o lugar do
homem é de provedor, o lugar da mulher é de aceitar eh essa esse essa questão mais submissa, né? Enfim, de ser a bela e recatada do lar. Eu acho que a gente tem que parar de de eh montar caixinhas. Eu acho que as relações humanas elas têm Que entrar num num modelo de eh regras básicas, assim, de eh respeito, que é o que é o primordial, e um convite à construção, à parceria. É isso. É e é o que eu que a que geralmente a gente vê em discursos feministas, assim, a gente a gente vê
eh muitas feministas falando, a gente não, a gente não odeia homem. A gente só quer que o modelo mude, né? Porque o do jeito que é tradicional e conservador realmente não não se encaixa jeito que é o tradicional e o Conservador tem muito mais homem odiando mulher do que o contrário. >> Exatamente. Isso complicado. >> E o respeito, como você disse, ele é fundamental para qualquer posicionamento, para qualquer >> qualquer tipo de relação, né? É, em relação. >> Vamos para o momento clássico do programa da frase da vinheta. >> Lugar de mulher é onde ela
quiser. >> Pois é. [risadas] >> É isso aí. >> É isso aí. E aí vai sempre para um lugar de religiosidade, de uma coisa conservadora, sempre invoca a igreja, o pastor, a pastora, né? Aquela coisa eh complicada, né? que também seria um lugar de você vê quando a gente tá falando de transição, de mudança, de de eh de confusão, né, de de, né, que as pessoas não sabem para onde ir na sociedade, a religião ocupa esse lugar De de não só de fé, mas também segurança, né, de de organização social, reorganização social, de valores, enfim.
E e aí a gente vê também eh uma coisa extremamente racionária, né, com relação a esses papéis de homem, de mulher. nas religiões mais conservadoras, que é onde deveria haver um acolhimento, né, em um lugar de >> se transforma em ideologia. >> Se transforma em ideologia. >> Uhum. >> Né, Monique? >> Eu, na minha opinião, né, as religiões são conservadoras. Todas as religiões são conservadoras. Elas precisam ter os papéis ali dentro das religiões devem ser seguidos, né? Eu acho que ela e aquilo que é uma coisa de ordem, né, de a religião, diferentemente como a
gente até estava conversando na nossa reunião de pauta espiritualidade, né, que é uma coisa mais ampla, né, ela, eu acho que a religião, ela também é usada para dizer Pra sociedade o que é certo e o que ela é errado desde muitos anos, né? A igreja, principalmente, ela ela que falava para pros reis, pros impérios, ela era o braço direito das grandes massas. Eu ia falar até dos impérios, mas castelos ali, ela era o >> é um guia moral, né? >> Um guia moral. E tinha um interesse ali também que eu vou falar da da
das riquezas também, não era só o moral mesmo, né? >> Sim. tem a ver com uma com >> é, tem ver com a própria expansão do movimento da igreja, tem, né, de tudo, tudo. Exato. Eu acho que tem muito mais a ver com você ter a eh aquela coisa, o poder >> o poder >> na mão ali do que realmente a religião no sentido de vamos eh passar a espiritualidade para todo mundo. Tem isso, tem, mas eu acho que é muito mais de controle. >> Eu ia falar isso falar que tava me, eu tava tentando
chegar no controle. da questão ali de tudo. >> É porque até essa pauta eh dentro dessa do discurso de um curso como esse, de uma dessas narrativas todas ideológicas, a gente entra na questão da manipulação. >> Sim. >> Eh, bem ou mal, a gente acaba sendo direcionado a partir de uma crença, de uma religião, você é direcionado a um X Comportamento, entendeu? E e aí eu acho que bem complicado você tratar isso de uma forma ideológica e não >> dogmática, né? No caso da da das religiões, principalmente as mais conservadoras, de uma forma dogmática, né?
Que você >> eh se vê impelido a seguir sem discutir, sem que religião basicamente é dogma. Você não não discutir nos preceitos, não discutir, ela ajuda de certa forma a sustentar uma desigualdade até porque Ela mantém as castas, mantém a cada por anos e séculos. >> Uhum. e mantenha assim que assim vai. E acho que tem muito a ver com o que você o que a gente tá conversando aqui, né? Como que você vai mudar, como você vai pedir uma revisão, uma sem abalar estruturas, né? Então, >> e é muito complicado você também mexer com
a crença das pessoas, né? Porque você tá eh indo >> você questiona a organização da Religião, você questiona de repente o lugar de fé das pessoas. existe me >> não existe o meiotmo, né? Então, e e aí eu aí é onde eu acho que a essas pessoas chamam esse esse tema da espiritualidade eh invocando as as religiões mais conservadoras, porque é para não haver questionamento, >> né? Para você trazer um um valor ali, uma um dogma e não realmente não haver >> Mas aí o movimento movimento de Transformação fica muito comprometido, né? Porque aí você
não tem como transformação, porque não existe reflexão, existe um >> não é para ter >> uma manipulação. Exatamente. >> É para você manter como está e segue assim e vamos assim. E >> por isso que é o resgate da masculinidade, não é uma um convite a uma transformação. Exatamente. Por isso que a religiosidade tá tão atrelada nos Dias de hoje à questão conservadora principalmente, né, que tá sendo hoje super falada. Tem muita gente aí que virou super eh religioso, né, para justificar o discurso conservador, nãoé? Porque é a estrutural, né? Como a gente, como eu
falei antes ali, né? A a religião é estrutural e mantém e assim como o patriarcado é estrutural. Então você não mexe em coisas estruturadas a séculos. Você mantém, você mantém o poder, você mantém a Estrutura, você vai mexer, vai, >> vai levar muito tempo, >> vai desequilibrar tudo, vai causar >> questões e e ah, não sou homem, não vou. >> E vocês acham que as pessoas percebem isso do ponto de vista da comunicação? Porque a gente fala sempre que ai, ok, a mídia é >> não é imparcial. Eh, não, eu acho que assim, eh, as
mídias elas têm obviamente seu viés, né, e tal, mas são eh, Instituições que tem eh eh por obrigação tem que trazer todos os lados, né? >> Só que o que a gente vê hoje, a comunicação, ela não parte mais de instituições, ela parte de indivíduos. E aí a gente vê nas redes sociais, eh, cada um com a sua crença, cada um com sua polarização, com a sua verdade, cada um com seu lado, com a sua, enfim, com a sua ideologia. E aí é muito complicado, né, porque eh eh não tem só isso, né, assim, os
discursos São muito simplificados, né, nas redes sociais. E aí que eu acho que onde a superficialidade ela acaba prevalecendo e a gente não consegue avançar num debate de questões complexas como essa, né? Eh, e o discurso fica ali muito simplificado, porque ele precisa ser curto, ele vira um meme, né, e >> um recorte de de shot para pra rede social. >> É. E aí é onde >> sem contexto perde o contexto. >> Isso. E aí é onde a sociedade ela acaba sendo eh ela acaba existindo em função de uma memerização da comunicação. E aí o
que é pior, porque que a gente coloca toda essa nossa discussão aqui de homem, mulher, de ressentimento, de gênero, de não sei o quê, tudo lá no chinelo. Porque quando você vê, por exemplo, que o Casarré eh botou esse curso, tá ali apareceu no debate da Globo News, eh, e ganhou um, mesmo apanhando de todo mundo, ele Ganhou 1,2, eu tenho um número aqui, 1,2 milhão de seguidores em 30 dias, né, >> após esse debate. >> Após esse debate. Então, isso tudo vira um ativo, um ativo financeiro, um vira status, né? Então aí você se
questiona até que ponto a pessoa está defendendo uma ideologia, porque é uma questão social, até que ponto a pessoa não tem o interesse econômico, né, de crescer nas redes a partir de um discurso que faz eco. e faz ecco por gente os Conservadores, isso tem um estudo que até trouxe aqui da Universidade de Oxford, da do de um instituto que só estuda internet na Universidade de Oxford e de 2000 eh 2017 que analisou os discursos hiperpartidários, né, assim, os discursos de de eh políticos extremos, né? Então, extrema direita e discursos discursos bem orientados à esquerda.
eh, e mostrou como essa esse hiperpartidarismo, como ele explora bem Questões eh de comunicação que viralizam, né? Então, normalmente, principalmente nos grupos conservadores, eles fazem melhor do que os grupos mais progressistas nas redes sociais, na comunicação de forma geral, segundo esse estudo aqui da Oxford, eh tem algumas, eles exploram uma certa angústia social, né? estão sempre explorando valores que tão sendo ã que estão eh estão eh eh sendo reformulados na sociedade, que estão Perdendo espaço, enfim, sempre traz essa angústia social com esses valores. Eles têm uma coesão narrativa, né, do de tudo aquilo que eles
eh todo o discurso que eles reproduzem, toda a lógica que eles querem trazer é linear, é fechadinha, é amarrada com o cotidiano das pessoas. Então eles fazem isso muito bem, simplificam a luta, né, que assim nós contra eles, o povo contra o sistema, né, eles conseguem fazer um ter um alcance muito grande porque eles têm uma Repetição de símbolos e de questões relacionadas àquilo que eles defendem eh com hashtags, com bandeiras, com eh linguagem, por exemplo, quando você ouve a palavra narrativa. Uhum. >> Né? Eh, os conservadores usam isso o tempo todo porque são narrativas,
são narrativas da esquerda, são narrativas de gênos, são narrativas disso, narrativa daquilo. Então, e isso cai no no no vocabulário geral, né, como aquelas aquelas eh palavras que a gente Usa muito, quem usa chattou com uma questão parecida, né? Agora estão falando muito isso. Agora é a palavra robusto. >> A palavra tá sendo extremamente falada e e foi trazida pela pelo uso do chatt na comunicação. É uma coisa parecida, né? >> Ã, e aí você tem uma questão também. Eh, você cria bolhas digitais, né, a partir desses elementos, cria um senso de pertencimento na galera,
faz as pessoas atuarem como se fossem Verdadeiros exércitos morais, né, desses valores, dessas questões que essas pessoas defendem. Vira um comportamento militante, é uma bolha que se retroalimenta o tempo todo, né? E e isso eh eh você vê, a gente tá falando aqui de uma questão de gênero, uma questão de gênero que revala em uma discussão entre conservadores e progressistas. Aí uma discussão de gênero que usa eh todo esse eh tá dentro de uma bolha digital e que usa todo esse recurso de comunicação, Né? E quando a gente usa todo esse recurso de comunicação, um
sistema de retroalimentação, um sistema que viraliza, um sistema que impacta e além de tudo um poderio econômico para eh de repente já foi por meio de milícias digitais, não sei se se as milícias digitais vão continuar atuando nesse ano eleitoral, eh mas você usa todo um poder econômico para impulsionar tudo isso na comunicação, o impacto que isso tem na na política e no ano de eleição Né? Então, pra gente ver como o debate precisa ser muito mais aprofundado, né? Eh, assim, é muito além de uma questão de gênero, é uma questão que resvala realmente na
comunicação, no modo como a gente eh eh trata a mídia, no modo como a gente traz dados que são importantes, informações, eh, em dados que a gente não desmente, dados que a gente viraliza, né? Então, isso tem um impacto muito grande, né? Não pode ser tratado de uma forma assim eh superficial. Sim. E e isso tudo, gente, quando você pega, por exemplo, eh, vamos pegar o caso da IP, né, que teve aí a teve o seu seus produtos retirados de venda por conta de um comunicado da Anvisa, né, e, enfim, ã, isso foi explorado na
mídia, explorado não no sentido de informar a população. População, eu eu sou parto da população, eu uso detergente, eu uso desinfetante e eu fiquei perdida. Eu falei: "Que que eu faço com os produtos da IP, >> né? Que que eu faço? Compro, não compro. Dessa vez eu não tinha em casa e eu ficaria sem saber o que fazer, né, se eu tivesse na minha casa. Enfim, você não ia tomar, né? Com certeza. >> Não, tomar não. Com certeza não. Tomar [risadas] não. Mas assim, eh, entre a visa soltar o comunicado, a empresa se defender e
a mídia informar direitinho, muita coisa. aconteceu e aconteceu de uma forma assim que não informou, que polarizou e que trouxe de novo uma coisa Do cotidiano, uma coisa que nesse caso não era nem um debate social complexo, como é o caso da questão da nova masculinidade. Trouxe a coisa para um debate e eh para um para uma conversa ideológica, partidária, binária. >> Uhum. >> Né? E e aí a gente continua reforçando essa comunicação binária, partidária e e nas redes em ano eleitoral. por meio de um descuido. É, divulguei ali um negócio da IP que tipo
>> uma coisa que deveria ser de saúde pública, >> de saúde pública, de interesse geral. A gente sabe que a mídia tá sucateada, nós somos da comunicação, sabemos que a mídia tá sucateada, que tem muito estagiário aí postando porcaria na na rede social, enfim. >> Eh, mas eh isso não é não é descuido, você percebe? Isso tem um interesse. As pessoas querem viralizar, as pessoas querem estar des impactar, crescer suas Mídias, né? que ponto essas bolhas e esse tipo de coisa aliena? Tá trazendo alienação, entende? Não traz uma informação, as pessoas apenas replicam, replicam padrões,
replicam comportamentos e que no fim tá alienando, né? Alienando. >> É que a gente vê que as informações estão muito fáceis de conseguiro, >> mas as pessoas continuam repetindo, né? Tem >> o tipo de informação que tá vindo, né? Que nem Ai, você viu, gente? Vou dar o o exemplo de IP, né? Vi pessoas tomando o detergente, uma atitude imbecil. Desculpa alienada, né? E isso é um exemplo. Que outras que a gente vê por aí que a pessoa >> até que ponto Elenada? Até que ponto a pessoa não fez isso para viralizar, para ganhar dinheiro
nas redes sociais? >> Então a primeira, né? Mas o outro que o a primeira que fez, >> o outro viu que primeiro viralizou e fez Também >> e fez e fez. O coitado lá que tá na ponta às vezes vai tomar e até que ponto tudo isso não vira só uma discussão econômica de comunicação e e e impacto econômico. Então, mas é o que a Paulinha falou que, ah, a gente tá vendo que as informações estão mais fáceis, estão chegando de forma mais fácil para as pessoas, mas aí a gente tem que de novo falar
uma coisa que a gente já Falou em outros programas, é qual é a fonte disso, >> porque a informação ela chega, mas qual é, por exemplo, foi foi o que a Ju falou, eh, o comunicado da Anvisa não não tinha não tinha sido eh oficial ainda e a gente já tava eh sendo eh bombardeado Todo mundo já sabia o que tava acontecendo com a IP, mas o comunicado oficial mesmo do que era realmente que estava acontecendo, ninguém sabia. >> Pois é. É aquela aquela coisa que a gente também já falou, né, que é um propósito
específico das redes serem bombardeadas de informação e ficar todo mundo confuso. >> E a gente acha que, ah, não, são as pessoas que não têm muito acesso à informação, que ficam assim, mas a gente que tem informação, que tem o o intuito de sempre buscar, checar, a gente também fica confuso. >> Mas a confusão ela é proposital, você Entende? Com certeza. E aí é o o espaço que a gente tem para informação hoje, que você tava falando de coisas complexas, do que a gente deveria aprofundar no debate, será tem espaço para isso, né? Aquela >>
espaço tem, não tem vontade, né? As pessoas nem [risadas] vontade, >> então porque uma coisa leva a outra. As pessoas também vão em busca de vídeos cada vez mais curtos, informações mizadas, enfim, enfim. E é isso que Chega. E é muito mais fácil quando não tem reflexão, essas, né, quando o as mentiras fake news, elas chegam muito mais fácil porque elas não precisam. E aquela aquele vídeo que você mandou sobre Mari Krueger, Mari, eu não lembro >> Mar Krueger, que é que fala de >> ela fala sobre divulgação científica >> e ela diz qual é
o trabalho que dá para fazer um vídeo de eh sério, com dados, com informações. E qual é o trabalho que dá >> de alguém inventar uma fake news e e circular? Ela faz, ele faz 10. Qual o trabalho que dá alguém beber detergente e filmar, gente? Nenhum. >> Exatamente. Então assim, é óbvio que essas informações elas vão estar mais disponíveis para as pessoas, né? >> E mais isso gera uma coisa que brasileiro adora, que são os memes todos, entendeu? E e aí você é informado pelos memes, que é que é uma coisa doida. Mas mas
tem alguns que eu vou vou Ser sincero, eu ri. Teve um dos standups aí, acho que foi o Maurício Meelles que que divulgou um que ele falou uma frase que eu achei sensacional. Ele falou assim que o cérebro tá proibido pela Anvisa também. [risadas] Ah, e outra, ele também falou que as as esposas estão achando maravilhoso essa questão da EP, porque estão vendo os maridos lavarem louça. [risadas] >> É, pela primeira vez. >> É, então quando vem um humor inteligente A gente dá risada, né? Agora o problema é quando >> quando é para desenformar, né?
É, usa o meme e leva para como informação, né? >> Uhum. Muito complicado, gente. Muito complicado. Mas é isso aí. A gente fica aqui entre a cruza e a caldeirinha, né? Sem saber para onde correr. E essa >> não entre a forja e o farol. >> Não entre a forja e o farol, né? Se você Tá aqui com com a gente até agora, clica aí no sininho, continua seguindo a gente, continua acompanhando. Nós vamos agora pro segundo bloco, vamos falar do segundo tema. E agora no segundo bloco, eu pergunto para vocês, você já conversou com
alguém que só esperava a sua vez de falar? Nos anos 70, o sociólogo Charles Derber definiu isso como narcisismo conversacional, que é a tendência de direcionar a conversa sistematicamente para si mesmo. tá Conversando sobre, sei lá, eh, dor de barriga e a pessoa não teve dor de barriga, mas ela arruma um assunto para est na conversa e, ah, porque, sei lá, o amigo do amigo do amigo teve o dor de barriga, ela inventa um um uma maneira de >> atenção de você também, né? >> De puxar a atenção para si, gente, mesmo que não faz
sentido, né? Mesmo que não faz nenhum sentido. Isso é tão chato. Isso é tão chato. Eu conheci gente Assim, né? Conheci pessoas. Eu tinha uma colega jornalista que é assim, onde ela chegava, eu lev embora porque virava um monólogo e e não é que é só um monólogo, não é que a pessoa só fala o tempo todo, ela só fala de si. >> Uhum. >> Né? E vira uma terapia, a pessoa acha que você tá lá para para ouvir, para dar solução, sei lá, o que que a pessoa espera, né? Fala ali o tempo todo.
Enfim, >> acho que todo mundo conhece alguém assim, né? Que puxa para si uma uma conversa, alguma coisa. Você tá às vezes tentando contar alguma coisa, a pessoa, nossa, mas aqui foi assim, comigo é assado, coisas boas e ruins inclusive, né? Você fal, ah, eu peguei um resfriado, nossa, mas eu tive um pior, assim, >> uma disputa, né? aquela disputa. >> Disputa, [risadas] >> não. E eu acho que depois desse programa Vai ter gente que inclusive vai identificar depois de entender a nossa discussão aqui, vai identificar coisas sutis do tipo, nossa, eu no ano novo
eu fui para pro Rio de Janeiro. Aí aí a pessoa, em vez de perguntar para você, aí você gostou, como é que foi? Não, ela joga. Nossa, mas quando eu fui pro Rio de Janeiro também eu conheci tal lugar, tal lugar, tal lugar. Então as as pessoas >> as pessoas vão se eu tenho certeza que Depois desse programa, comentem aí por favor nos comentários depois desse programa falem se vocês identificaram pessoas na sua ciclo de de social, né, ciclo de amizade, família, se vocês se identificaram pessoas assim. Mas até eu quando a gente tava conversando
da pauta, né, eu fiquei: "Meu Deus, quando eu tô falando aqui, será quando alguém tá conversando e eu falo: "Meu Deus, será que o meu exemplo aqui que eu quero conversar é um narcisismo conversacional Ou eu tô participando da conversa, né? Até quando que qual é o limite aqui, né? Será que eu sou narcisista, né? >> Quando a gente tava discutindo a pauta e eh ficou aquela coisa, né? Todo mundo fazendo auto >> autoanálise, >> autoanálise, né? né? Ali eu eu até me identifiquei com umas conversas. >> Foi uma reunião de pauta ou foi uma
terapia em grupo? >> Pois é. É, [risadas] pois é. Eu até me Identifiquei ali e tal, que eu até eu até não vou, eu vou sair um pouco em off dessa conversa. Eu vou deixar a Paulinha falar que eu fiquei, >> tô aqui com medo de ser narcisista. Vamos lá. né? Mas não pode falar que a Jo é narcisista, que ela não gost não gostou não quando a gente começa. [risadas] >> Bom, gente, eu acho que é importante aqui a gente diferenciar o narcisismo conversacional do Transtorno de personalidade narcisista, que é inclusive uma coisa que
a gente tem falado mais hoje em dia e que a gente viveu, né? A gente vive, viveu nas nossas relações também, a gente aprendeu a identificar >> Uhum. eh, que é uma patologia, enfim, de uma das pessoas que que tem um um padrão de só pensar em si mesmos, enfim, né? >> Um excesso de alta importância. >> Um excesso de alta importância. E e muito curioso como a gente conseguiu Identificar muitos problemas, né, sociais, assim, da dos nossos círculos também, identificando o narcisismo. Então, é uma coisa também que a gente fala bastante hoje em dia,
mas eu mas eu acho que é importante diferenciar porque essa o narcisismo conversacional acho que ele tem mais um apelo de >> comportamento, >> de comportamento, de insegurança, né, de de eh de tentar preencher um vazio que Muitas vezes vem da conversa, >> do desespero, >> do desespero, né, >> do silêncio, desespero do silêncio, pessoa que não consegue ficar em silêncio. Então, eh, e, e aí eu me lembrei, né, falando da, desse assunto sobre os cursos de comunicação não violenta, que eu participei do Marosberg e que fala da escuta ativa, da escuta empática, né, que
é quando você não fica com o Galvão Boana ali na cabeça, ele no Nos cursos que eu fiz eh com Dominique Bartter falava isso, né, assim, para você não querer responder, para você ouvir de verdade. escutar com atenção, né? Eh, e nos materiais também de socioemocional que eu fazia, era bonitinho quem falava: "Você não tem que ouvir com ouvido, é com o coração, né?" Então é uma boa referência para isso, porque a empatia na conversa ela leva para lugares inimagináveis, né? O Marshall tem Exemplos livro dele de situações de guerra que ficam mitigadas às vezes
por uma simples escuta. E como essa conexão é poderosa quando você faz uma conexão empática e verdadeira, né? Então o narcisismo conversacional ele acaba fugindo dessa disso. Por quê? Porque fica chato, que nem a Ju falou, é uma, você vai conversar com a pessoa, você nem quer conversar, porque >> você nem convida para festa, você Esquece, não. Esse daí >> as relações elas são trocas, né? A gente >> você acaba não conversando com ela assuntos importantes, porque você sabe que ela vai levar para para ela, né? Então você frivolidades, ai fim na feira porque sabe
que o negócio, você sabe que você não pode contar para ela coisas suas, né? contar com ela como uma amiga, um ombro amigo, >> porque ela vai puxar. >> Não, você vai ser sempre ombro amigo, >> não tenha dúvida. É para essa pessoa >> que ela só vai falar de si e você vai ouvir. >> Mas às vezes a pessoa fala simplesmente por falar, ela não quer um conselho, ela quer >> pôr o lado dela acima do seu, né? Eu fiz você, eu fiz ali é mais ou igual do que o seu ali. Pronto, acabou
o assunto. Não quer, né, compartilhar. Você falou do da comunicação não violenta e da empatia. Seria o empate então oposto do Narcisista? Vocês acham? >> Não, não. A a psicologia, psiquiatria fala que o narcisista não tem empatia. >> Uhum. >> E aí quem quem eh tem empatia, né? Quem olha o outro, enxerga o outro, não tem, não tem propensão a transtorno narcisista. >> Agora, ou quem tem o transtorno, estou falando, não tô falando do narcismo, quem tem o transtorno é é não é é falta de tem falta de empatia total assim Pelo, porque ele ele
enxerga só ele, ele não enxerga o outro, >> mas é muito mais patológico do que é uma questão da da conversa simplesmente, né? Vai muito além assim. Eh, eu acho que hoje em dia o que a gente precisa talvez pensar um pouco com mais profundidade é que a Paulinha falou eh que as relações, toda qualquer relação, né, seja ela familiar, afetiva, tal, ela é uma troca, né, que realmente a gente tem, quando a gente chega nessa coisa da escutativa, a Gente tem chega num num nirvana. Sim, eu acho que a gente, mas hoje em dia
é muito difícil você ter esse esse tipo de troca em qualquer relacionamento, tá? Eh, justamente por causa dessa coisa que a gente estava falando da da ideologia, dessa desses embates todos que a gente chega, todo mundo hoje quer ser validado e aí a partir do momento que você quer ser validado, você já não escuta mais. você conversa para responder, você conversa para ser eh justamente jogar os Holofotes para aquilo que você precisa lustrar o seu ego, a sua. E >> e tem uma questão também, né, GL, que as pessoas perderam uma habilidade de conversar, né,
essa coisa de conversar online, da gente ter, sei lá, um vocabulário reduzido a meme, a emoji, a enfim, você tem uma perda comunicacional aí muito grande. As pessoas falta interpretação de texto, as pessoas não conseguem conversar. né? Então é um contexto complicado. Você Tem o narcisismo, você tem essa falta de habilidade, né? Você tem a falta de de tempo, uma rotina corrida, como que você estabelece, né, essa conversa, essa relação? >> A falta de vontade, de vínculo, de troca, porque onde que você troca com alguém, você vai criando algum vínculo, >> falta de repertório. As
pessoas não têm repertório, né? Loucura de vontade também, né? É, >> a questão da rede social, eu acho que Talvez até tenha influenciado nessa questão do narcisismo conversacional. Por quê? Que gente, é muito mais fácil enfiar a cara ali no nos aplicativos que você vai na vai comentar qualquer coisa do jeito que você quiser, ninguém vai te interromper. Então isso vai criando não só para, né, pras conversas, pessoas estão com preguiça de sair de casa, né, porque enfrentar o outro, enfrentar um, né, um relacionamento é mais difícil do que tá com a cara enfiada lá,
>> não, porque se relacionar dá trabalho. A gente já falou isso em outra outros programas também. Aí as pessoas não estão dispostas, >> não estão dispostas, mas porque tem uma dopamina ali mais fácil. >> Mas eu acho também que isso é uma questão cultural que a gente não aprende mesmo, né? até comentei dos materiais socioemocionais que eu acho muito muito importante que as crianças aprendam a lidar com a emoção desde do, né, da Infância lá do na escola, porque a gente não aprende mesmo, a gente não não foi ensinado. Então é uma coisa que eh
para repensar mesmo assim de como a gente escuta o outro. É um treino e é um treino difícil porque porque a gente não aprendeu e não não tá acostumado, mas é muito muito bom assim, o resultado disso é é interessante assim. >> E como é que a gente identifica esse narcisista da conversacional? Acho que a Monique juntou uns umas informações aí Dos sinais, né? Essa pessoa dá sinais, né, amor? >> Dá sinais. Eu vou ler. >> Pode ler >> porque é uma matéria da Fords de 2024. legal. >> Eh, que traz uns sinais interessantes para
perceber essa dinâmica, como ela deixa de ser conexão e vira central no outro. Tudo volta paraa pessoa. São três sinais. Tudo volta pra pessoa. Um dos Sinais é quando a conversa invariavelmente retorna para aquela pessoa. Não importa o tema, ela sempre redireciona da própria experiência, a própria dor, a própria opinião ou a própria narrativa. E às vezes isso acontece de forma muito sutil. A pessoa até faz perguntas, mas só como ponte para voltar a falar dela mesma. Sinal dois, falta de interesse real pelo outro. A FORBS também fala sobre a Ausência de engajamento gênoa. A
pessoa demonstra pouca curiosidade sobre a vida do outro. Ela espera a vez de falar. E isso tudo produz uma sensação muito específica nas relações, a sensação da invisibilidade. Você sai da conversa pensando, eu fui ouvida, mas eu não fui percebida. >> Sim. >> E não adianta fingir, né? Tem que ser genuína, como você falou. Às vezes, eh, às vezes a pessoa até tenta falar e Demonstrar que está interessado, mas não tá interessado para ela repetir, né? Ela não vai saber repetir a sua, o que você falou para ela, né? Ou então você consegue até repetir,
mas sem >> significado nenhum, né? Sem conexão nenhum. três, a tentativa de se relacionar que vira centralização. E esse talvez é o mais complexo, porque muitas pessoas realmente acreditam que estão sendo empáticas quando interrompem Para contar uma história própria. Só que existe um momento em que o compartilhamento deixa de construir ponte e começa a deslocar o centro emocional da conversa. Então eu tô acontecendo, eu sou o centro, tô conversando com você e você o narcisista e de repente o centro é você >> e eu que tô precisando às vezes conversar, desisto e você, enfim, é
o focoem sempre você fala aqui com a minha mão, né? >> E nem sempre você está precisando conversar o narcisista, né? Precisando do hombre simplesmente quer ser o centro das atenções, né? É aquilo que eu falei da validação, ele quer ser validado, ele não quer conversar, né? Ele não tá, >> mas tem uma tem uma linguista chamada Debra Tan uma análise, né? Ela é uma das principais referências mundiais aí. professora da Georgetown University, ela faz uma análise que eh de que Depende da cultura, porque, por exemplo, em algumas culturas a escuta ela é silêncio, ela
é ah pergunta, ela é um outro tipo de coisa. Em algumas culturas a empatia ela é ela é ela é transformada em eh eh em conversa, né? Quer dizer, se eu vier para você e disser que eu ã passei pela mesma coisa que você e tal, em algumas culturas isso não é aceito como narcisismo conversacional. Isso não quer dizer que eu estou tentando tomar Atenção para mim na conversa. Isso tá dizendo que eu estou sendo empática, estou compartilhando e eh uma experiência com você. >> Você tá acolhendo? Tô >> acolhendo. Eu tô te dando pertencimento,
eu tô te dando identificação, eu tô validando a sua experiência, né? Então, em algumas culturas, isso não é de verdade um problema, não é um, não é um traço eh pra gente se preocupar, né? Acho que desde que você a o outro escute Você de fato e conte a sua experiência depois ou mesmo que haja uma interferência ali dupla, é uma conversa, né? >> Sim. >> Aí não é o narcisismo conversacional, né? >> Ela não roubou a cena, né? O lofot não foi para ela. Eu acho que é a grande diferença desse exemplo que você
tá dando, né? >> Não, não, na verdade não. Ela, na Verdade, ela ela entende que, por exemplo, que você tá falando de escuta, né? Particamente você escuta, escuta tem significados diferentes em diferentes culturas, entendeu? Então tem cultura que se se eu tiver te ouvindo e tiver faz cenando e eu te fizer pergunta e tal, talvez eu esteja não esteja demonstrando suficiente interesse daquilo que eh >> se você não verbalizar, >> se você não verbalizar, olha, tô Concernado, olha, eu também passei por isso, olha isso, olha aquilo. Então eh eh tem essa essa essa diferença cultural,
>> não é só escutar, entendeu? tem essa tem essa esse esse olhar que ela coloca eh em diferentes culturas, né? [roncando] Agora, gente, a gente tá chegando ao ao finalzinho do nosso programa. debatemos aí dois temas importantes, eh, do ponto de vista da comunicação, Que é o nosso nosso meti, nossa expertise aqui. Somos todas comunicadoras e a Gláuscia se comunica por meio de citações, de frases, de músicas e e agora é o momento ansiosa. >> Cita citações da Glaus, a gente precisa criar um criar uma vinheta para esse momento tão esperado. Eu trouxe aqui uma
reflexão que até não é uma citação tão eh simples assim, até pra gente sair da Simplicidade dos cursos e discursos eh que a gente criticou tanto aqui. Eh, aí eu trouxe uma, como dizia de Javan, né? Todos queremos caitanear com o que há de bom. Eh, então trago um famoso tema da música do Caetano sobre Sampa, que fala um pouco da questão do narcisismo, né? Eh, é o que Narciso acha feio que não é espelho, que a gente inclusive fala na reunião de pauta, a gente falou muito isso, né, que o que é que às
vezes a gente conversa com essa questão de Querer responder, é coisa do espelho mesmo. Eu tô espelhando aquilo que a pessoa tá tá falando. Eh, e aí eu completo com o Chico para fechar o trio impecável e talvez amarrar esses dois temas, né, que falamos super importantes. é que quando o Chico cantava cálice, né, que é uma uma música super referência da época da ditadura, eh, que ele denunciava o silêncio imposto da época, eh é curioso porque hoje a gente não vive mais o silêncio, É, pelo contrário, a gente vive o excesso da fala, das
certezas impostas por esses discursos. >> Sim, muito bom. Traz conexões importantíssimas, gente. Vale muito a pena tentar. Aí >> convidamos o nosso nossa audiência aí a fazer essa essa lição de casa, né, e depois contar pra gente o que que achou dessa experiência >> escuta [risadas] de comunicação e Entender que o cálice agora é outro. >> É, >> gente, >> obrigada para você que ficou com a gente aí até agora. >> Sim, >> a gente termina aqui nosso programa. Valeu, meninas. Nosso brinde tradicional. sempre bom vocês. Iso.