Em algum momento, durante as últimas 24 horas, você viu um anúncio de bebida fermentada com cereais. É claro que o anúncio não chama o produto por esse nome, mas esse recurso pense nele como um feitiço de invisibilidade. É uma parte importante da magia, como vamos discutir aqui.
Observe que o anúncio não tentou convencê-lo dos méritos nutricionais desse líquido borbulhante e gelado, porque é até difícil pensar em algum benefício lógico para uma cerveja. O anúncio utilizou imagens a fim de despertar em você reações emocionais que, se não tem nada a ver com o produto, com certeza não são exclusivas dele. Quer dizer, vários outros produtos de bebidas fermentadas de cereais e até de não bebidas fermentadas de cereais poderiam usar a mesma imagem, um grupo de pessoas jovens, atraentes, saudáveis, de acordo com o estereótipo de saudável da época.
Ou seja, no nosso caso aqui, todas usam pouca roupa e são sexualmente desejáveis. Eles estão lá se divertindo muito. Seguram latas de água com fermento de cereais na praia ou no churrasco cercados de biquíes e sorrisos com clareamento.
Se eu tentasse convencê-lo de que engoli o conteúdo de uma dessas latas o deixaria jovem, atraente e gostosão, você reviraria os olhos e com razão. No entanto, essa é a mensagem que os níveis profundos da sua mente absorve e sem dizer uma palavra, você se vê desejando esse mesmo contexto, embora, claro, você vai dizer: "Não tenha nada a ver com a propaganda, porque você é um homem adulto e racional e jamais tomaria uma decisão baseado nisso. " Porém, o resultado é o seguinte.
Em termos mágicos, o anúncio enfeitiçou você, isto é, causou uma mudança na sua consciência de acordo com a vontade do anunciante. Isso funciona porque a mente racional é uma fina camada de gelo que os economistas baseados no racionalismo do século XVI inventaram para ser, digamos, o jeito certo de decidir as coisas na vida, o jeito adulto, o jeito socialmente aceitável. Tudo que foge a esse padrão é considerado irracional, com muitas aspas, com a ideia de que se você tomar uma pílula com açúcar ao invés de um medicamento científico e por força da crença no tratamento se curar, eles chamam isso de placebo, uma ação que não deveria causar um efeito, mas que causou pela força do seu pensamento mágico.
Você achou que era um medicamento com alguma com algum ingrediente eficaz? Mas não tinha, era simplesmente açúcar, mas a sua mente produziu o resultado. Então, tá vendo que basta perfurar um pouquinho essa camada para que você veja pular para fora todo o nosso passado biológico, pagão e mágico, que a maioria das pessoas nas sociedades industriais do século [música] XX gosta de fingir que superou.
Hoje todos nós gostamos de nos ver como pessoas maduras, sérias, racionais, que jamais tomam decisões com base em superstições. Mas a a exposição repetida a um feitiço, isto [música] é, um conjunto de imagens e palavras carregadas de emoção projetadas de acordo com as regras da magia ou da propaganda, crava na sua mente uma associação vaga entre o produto e os seus desejos. E a menos que você esteja ciente do efeito e se esforce muito para não ser encantado, as imagens vão te afetar.
E você pega aquela lata de água fermentada com cereais, mesmo sabendo perfeitamente que a única coisa que você obterá com isso, do ponto de vista científico seja uma barriga. Por quê? Em 1984, no seu sublime Eros e Magia na Renascência, o historiador romeno Petroculiano disse que a maioria dos países do mundo industrial moderno tinham trocado as botas de couro e os uniformes de sarja pelo controle social mais sutil que a magia permite por meio da propaganda.
As nações industrializadas do mundo, disse ele, [música] eram estados mágicos, nos quais a maioria das pessoas é mantida privada de direitos e recebe passivamente imagens manipuladoras e slogans projetados pelos meios de comunicação de massa. Quer dizer, o cinema ele criou por décadas em nós um ódio justo, mas limitado, contra os militares, mas nos deixou indefesos diante da propaganda da TV e agora das redes sociais. Eu acho que é bem fácil de ver isso.
Você pega um spray de pimenta e fica muito bravo, caso alguém de farda te obrigue a fazer alguma coisa, mas você aceita como um carneirinho. Quando alguém diz que você, se você não ama sua família, você deve fazer o curso dessa pessoa, porque do contrário, você vai morrer como um péssimo pai. Você sente vergonha, por exemplo, de não ser um milionário, de não ser rico, inteligente, bonito e com barriguinha de tanquinho.
Então, a propaganda ela tem muito a ver com um negócio desagradável para os nossos ouvidos científicos hoje, que é a magia. E não pensa que magia como vassoura e varinha é isso. É mais ou menos como confundir ilusionismo com a física.
A magia aqui é a arte de causar mudanças na consciência de acordo com a vontade. Ela não significa soltar poder pelas mãos ou levitar objetos. Ela não afeta diretamente a matéria e não pode ser usada para contrariar as leis da natureza.
Contudo, dentro desses limites, ela pode realizar coisas bem surpreendentes, como, por exemplo, convencer as pessoas a comerem óleos vegetais quando esses óleos eram usados para lubrificar motores de caminhões e máquinas no Canadá, como é o caso do óleo de canola. Então, se você examinar sua própria experiência, você vai descobrir que apenas uma pequena parte dela depende dessas realidades materiais objetivas. Essa, por exemplo, é a base do argumento de que o dinheiro não traz felicidade, porque a posse de qualquer material pode ou não trazer qualquer satisfação.
Todos nós aqui já passamos pela situação de que a gente compra um produto que a gente jurava que era o último que faltava para nós, né, pra gente conseguir, né, a felicidade que a gente queria, mas no outro dia a gente acorda insatisfeito, buscando um objeto ainda mais interessante. Isso acontece porque o desejo não descansa. A maior parte da satisfação na vida depende de você perceber que tudo aquilo que você sente e pensa sobre o que acontece com você é o que determina o modo como você vai receber as coisas que lhe são dadas.
Você, por exemplo, não pode aumentar a velocidade do ônibus com o poder da mente, mas você pode alterar a percepção do tempo usando o seu celular para você assim estar em outro lugar. Não é à toa que você pode comparar a tecnologia à magia. Porque ela também é uma técnica de magia.
Você não pode interromper o processo de envelhecimento, mas você pode dar um novo sentido à maturidade. Você pode não ficar rico, mas você pode perceber sua condição atual como uma bênção em relação à aquilo que você já viveu no passado e por aí vai. Enquanto os elementos da realidade material são a matéria-pra da magia, as suas ferramentas são a vontade e a imaginação.
E esse e essa vontade e a imaginação, elas podem vir de muitas fontes das quais a emoção humana é geralmente a mais fácil de usar. E as formas que nós usamos para ter acesso a essa emoção humana são chamadas de símbolos e ações simbólicas. Um símbolo pode ser o crucifixo na sua parede e uma ação simbólica se ajoelhar para rezar.
Aqui o princípio básico pode ser declarado de forma bastante simples. Um símbolo mantido em uma mente carregado de vontade e desejo, pode afetar outra mente, mesmo quando não há maneira óbvia de o efeito ocorrer. Podemos explicar mais ou menos como os comerciais cerveja estimulam o consumo de cerveja, mas não com a precisão e racionalismo que gostaríamos.
A consequência disso é que as mentes humanas não estão tão isoladas assim umas das outras. É possível inculcar imagens em públicos muito amplos, como vemos nas eleições ou movimentos de massa. É pela educação que tornamos as pessoas menos suscetíveis a esse tipo de influência, mas na prática ninguém sai ileso da ação simbólica.
A parte importante é que a magia não pode vencer uma luta política ou militar sozinha e nem vender um produto sozinha. O que ela pode fazer é dar um forte impulso ao lado mais prático da luta ou da venda. E ela faz isso gerando energia, entusiasmo, lealdade e amor entre os apoiadores do seu lado, atraindo assim aliados em vez de fazer mais inimigos e fazer com que as pessoas do outro lado comecem a duvidar das próprias convicções por causa da extrema força de vontade e intenso desejo que as pessoas têm do outro lado.
Quer dizer, quando a o outro time começa a a a demonstrar que ele é tão tão convicto das suas ideias, você começa a duvidar das suas. E ao fazer isso, a magia pode fornecer a vantagem que faz a vitória acontecer, mas ela não pode parar uma bala com a força do pensamento. Não vamos ser idiota.
Um erro clássico de achar que a magia vai fazer tudo é o erro cometido pelo cara alemão bigodudo. Eh, o pessoal que seguia ele acreditava estupidamente que as regras da magia também se aplicavam ao mundo material e que o ódio poderia materializar a força física o suficiente para dispensá-los das regras da própria física. Então o Bigodudo fala lá numa página muito triste do minha luta, né, quando ele discurte tava discutindo ali, né, a ideia do ódio como fonte de poder.
Ele diz assim que é por isso que ele lançou uma invasão na Rússia sem distribuir uniformes de inverno para a sua equipe. Ele odiava e desprezava tanto os russos que não acreditava que eles pudessem resistir à sua magia e aos seus exércitos. E aí o que aconteceu?
Todos nós sabemos que o exército foi dizimado por causa disso. Ele acreditou que a magia iria compensar sua falta de esforço. Quer dizer, você pode fazer a dança da chuva, mas você não pode esquecer de plantar a semente.
O pessoal da autoajuda que consciente ou inconscientemente são todos mágicos ocultistas, porque a origem da autoajuda é ocultista, lembram as pessoas que elas têm que se concentrar naquilo que elas desejam. Não naquilo que odeiam, temem ou querem se livrar. Por isso que elas falam tanto do pensamento positivo.
É claro que é uma razão para poucas pessoas terem um fracasso, mesmo fazendo isso, porque poucas pessoas sabem o que realmente querem. Então elas não conseguem se concentrar naquilo que é positivo. Então quase sempre as pessoas pensam assim: "Se ao menos X acontecer e X, claro, pode ser qualquer coisa, desde ganhar na loteria a perder 20 kg até casar com a pessoa certa, a minha vida será maravilhosa.
" Então se X acontecer, minha vida será maravilhosa. Então eles passam a vida inteira pensando no dinheiro ou no namorado ou na namorada que não tem e não conseguem concentrar sua vontade de imaginação. exatamente no tipo de mudança que desejam em suas vidas.
E quando as pessoas não sabem o que querem, é quando a propaganda faz mais dinheiro e toca o terror. Na caça as bruxas europeia, a bruxaria era invocada em tempos de pobreza ou de pandemia, quando as pessoas se sentiam privadas de direitos e quando as coisas pareciam inexplicáveis. por razões semelhantes, a um gosto crescente por táticas mágicas, porque a gente assim não lida muito bem com a justiça brutal do acaso ou profissões mágicas, né?
Elas buscam profissões mágicas ou até mesmo buscam ser um mago ou um ica, como a gente vê hoje num movimento crescente entre os jovens. Quando tudo parece desmoronar, os meios normais já não bastam. É mais ou menos assim.
Situações desesperadoras exigem atitudes desesperadas. E esse aumento pode vir de uma combinação de fatores. A bruxaria promete o acesso a um poder mágico invisível, capaz de mudar a sua vida de acordo com a sua vontade.
É esse é o grande desejo da magia. Ao mesmo tempo, chamar-se mesmo de mago, bruxa ou marqueteiro, lhe dá o poder capaz de manipular o destino das outras pessoas. E não é to que 99% dos autodenominados estrategistas de mercado digital escolhem o arquétipo do mago e alguns até trabalhavam como mago antes de virarem marqueteiros.
Então, além disso, essa identidade oferece um lugar reconfortante no mundo. Pertencer a uma comunidade com uma língua comum, um conjunto de rituais, um objetivo concreto, o sucesso, o poder, o respeito. O marketing digital fornece a estrutura reconfortante da religião para os não religiosos e uma comunhão de crentes para os incrédulos.
fazer marketing ou ser copywritter tornaram-se em categorias tão abrangentes e amorfas que podem significar tudo e qualquer coisa e às vezes até nada. Mas no fundo ainda resta essa tentação mágica de que mesmo você sendo uma vítima de opressões sociais, psicológicas ou genéticas, você pode obter um sucesso milagroso se possuir as ferramentas certas. E essas ferramentas são as ferramentas da magia.
A magia é a crença mais antiga da humanidade. Ela é anterior à religião ou à ciência. E embora ambas pareçam ter surgido dela, nenhuma conseguiu se livrar da sua mãe maluca.
Mesmo onde a fé desapareceu, a magia sobreviveu. Por magia, espero que tenha ficado claro. Não quero dizer tirar um coelho da cartola ou cerrar uma mulher no meio, mas sim o pensamento mágico, tal como tem sido pensado pelo homem há 1 milhão de anos, porque os seus pontos de referência são tão amplos e básicos que é difícil evitar nas relações humanas as suas referências.
A linguagem da magia é a língua do controle do desejo. A administração mágica em todas as eras está no centro das principais preocupações da época. Caça, agricultura, religião, política, comércio, nacionalismo, qualquer outra coisa.
Na nossa época, a principal preocupação é o consumo de bens e serviços. É um trabalho difícil, mas para ajudar esse estado mágico, temos a maior força de persuasão coletiva que o mundo já viu, o marketing. [música] O marketing é um instrumento único na nossa época, mas ao mesmo tempo toca os temas mais antigos da humanidade.
E a razão é esta: no esforço de persuadir as pessoas da justiça da sua causa, seja ela qual for, ele vai ter que encontrar um ponto comum com os desconhecidos cuja opinião deseja alterar. Quanto mais pessoas você tentar persuadir, mais comum deve ser o denominador e o mais básico deverá ser esse apelo. Se milhares de anos atrás só era possível obrigando as pessoas a se reunirem fisicamente no lugar, agora você pode alimentá-las com imagens 24 horas por dia na sua intimidade com anúncios, [música] como se fosse um pato de foagrá.
Então, quando o produto é anunciado, é, ele é praticamente idêntico. Quando o produto anunciado é praticamente idêntico a dos seus concorrentes ou quando o valor do produto pro seu cliente é muito subjetivo, os apelos tornam-se tão básicos que se afastam dos fatos tal como uma pessoa normal definiria, tal como a ciência definiria. Eles vão além da razão para algo mais básico, o denominador mais comum de todos, a magia.
a magia do sexo, a magia do dinheiro ou a magia do sucesso. Então, vamos ver como isso acontece na prática. Pode parecer uma história esquisita, mas o livro mais lido por Marqueteiros nos anos 70 foi O ramo de ouro do James Fraser.
Larry dividiu esse uso mágico em duas partes, a magia teórica e a magia prática. A magia teórica tem a ver com a lei natural, por exemplo, o nascer do sol, a mudança das estações, o movimento dos céus, o aumento das marés. Essas explicações, essas são as explicações para os padrões recorrentes que vivemos todos os anos.
Então, na história humana oficial, a ciência desprezou a magia teórica como explicação desses fenômenos. Se você me perguntar por demorou tanto tempo ou porque não dava para conselhos dois, é bom lembrar que ainda há pessoas que acreditam que a Terra é plana. A magia prática, que é a nossa preocup principal preocupação aqui, é um conjunto de regras que os seres humanos devem seguir para alcançar os fins desejados.
Suas técnicas [música] estão entre nós e o marketing, ele mesmo, dedicado à satisfação dos desejos humanos, usa todas elas. O Fraser divide a magia prática vagamente no que ele chama de magia imitativa e magia contagiosa. Para ele, a magia imitativa pressupõe que os objetos que estiverem contato entre si continuarão a agir uns sobre os outros à distância após o contato físico ter sido interrompido.
Olha só, uns exemplos de magia imitativa são, por exemplo, a perfuração de voodus ou enforcar e figes ou réplicas que representam uma pessoa. A lógica é mais ou menos a do namorado rejeitado que rasga a foto da sua namorada, né, ou da namorada, né, que queima os presentes do ex-namorado, porque é como se o objeto que estava em contato com o modelo, ele tivesse sido contaminado pelas ideias, pelo energia do modelo e você precisasse rasgar aquilo para eliminar o contato com essa pessoa. Você pode ver esse tipo de uso em anúncios de produto de saúde em que achamos que porque certo animal representa algum [música] ideal de virilidade ou tem algum formato fálico, achamos que também teremos essa potência sexual e viril se consumirmos esse objeto.
Outro exemplo de magia imitativa é o uso do chifre de renoceronte em pó ou de qualquer outro animal viril, na verdade, né, que é valorizado no extremo oriente como um suplemento masculino. Olha como o rinoceronte é poderoso e tem um chifre longo, grosso e fálico. Então, é claro que ele vai fazer a mesma coisa por mim.
Olha, eu não sei quanto custa o chifre de renaceronante em pó, mas os seus usuários provavelmente acham que vale o preço. Não pense que é algo oriental apenas. Aqui no Ocidente usamos as raspas do chifre de [ __ ] para aumentar a testosterona.
é chamada velvesterona. Para que os homens não se sintam injustiçados, vejam o que aconteceu com a geleia real quando ela foi industrializada. Ela pode ser muito boa paraa saúde, objetivamente falando, embora eu duvide muito que algum consumidor possa explicar qualquer um dos seus benefícios em três linhas.
O seu apelo na hora de propagandear o produto usou outro tipo de magia na época, a ideia de que consume um alimento exclusivo da realeza e satisfazer um desejo feminino de ser a única adorada por todos. Será rainha da comeia? Ou será que as mulheres têm algum tipo de impulso profundo e inconsciente de a casa lá no ar?
Eu acho que é a primeira opção. Um pouco diferente na sua aplicação é a magia contagiosa. A ideia aqui é que um objeto que foi associado a uma pessoa um dia continuará associado a essa pessoa para sempre.
Então restos de unhas e cabelos poderão ser usados, não é, na preparação de uma poção do amor. Mas também funciona de outra maneira menos assustadora. Uma coisa também pode carregar consigo quaisquer qualidades que a pessoa que a possuiu tocou ou usou tenha.
Assim a ideia de que tal cadáver santo tenha o poder de cura ou uma mecha de cabelo da Ter Swift vai te deixar mais próximo dela ou de que autógrafos ou toda aquela, enfim as pessoas, as meninas do Fens vendem pros seus fãs como urina e calcinha usada. E é por isso que o guru tira foto encostado na Ferrari. Se é alugada ou não, pouco importa.
Ela foi contagiado, magicamente falando. Então, por exemplo, eu posso comprar o mesmo tênis usado pelo Neymar. ou se você se acha menos influenciável o mesmo prato, roupa ou produto de limpeza da Lara Nesteruk, que se eu fizer isso de alguma forma eu sinto que eu vou adquirir algo do ser dela.
Eu sei que é tola a comparação entre ser e ter. A ideia aqui é que nós queremos ter para ser. Queremos ter as coisas que as pessoas que admiramos tmos como elas quando elas usam essas coisas.
Toda a publicidade de produtos de gene baseia-se na ideia da magia prática. Assim como a poção do amor, ele promete que você será irresistível. Se você passar axe no seu filho, saiba que está condenando o pequeno a ser uma ameaça sexual, solteiras, casadas e fêmeas de toda espécie.
Se uma garota usa qualquer sabonete facial francês, ela tem a certeza triunfante de um casamento glorioso com um jovem rico e sem espinhas, com 1,90 m de altura, dentes brilhantes e sem entradas capilares. Seus produtos de higiene pessoal os uniram. Deveria haver um banquinho na primeira fila em todos os casamentos para santas marcas casamenteiras.
Também está implícito nesses exemplos, né, a sugestão ameaçadora de que quaisquer benefícios que o produto possa proporcionar serão negados se você não os comprar. Se você não usa axe, todas as garotas podem não te perseguir, elas podem te odiar, não gostar de você. Esse é um risco que você tá correndo por não usar Ax.
Mas explícita é ameaça contida na na publicidade de enxaguatórios bucais. Não só as meninas não irão persegui-lo, mas você as afastará a menos que você use Colgat PLX 12. Isso é ainda mais mágico do que a outra ameaça, porque embora você possa cheirar seu sovaco fedido, é muito difícil sentir o cheiro do próprio á.
Você não tem como saber se está arruinando sua vida amorosa ou destruindo a sua carreira. O o enxaguatório bucal torna-se assim um amuleto com o qual você pode evitar consequências terríveis. O bom disso é que você nunca saberá se funciona ou não, porque ninguém vai te falar que você não tem bafo com ou sem mau hálito.
Isso nos leva a outro aspecto da magia, o tabú. Aqui vemos a publicidade criando e nomeando tabus. Segundo Freud, a base do tabu é uma ação proibida paraa qual existe uma forte inclinação no inconsciente.
Isso quer dizer que temos um desejo profundo de violar o tabu e de nos colocarmos acima dele, fora do alcance das suas restrições. Eu acho que a indústria cosmética lê Freud não como um aviso, mas como um manual. O mais famoso tabu é a alitose, que é o nome de doença inventado pelo marqueteiro Claude Hopkins.
O mau hálito e odor corporal sempre existiram, é claro, mas como questões individuais. Transferi-los para tabus tribais é de fato um truque de mágica. Isso fez de Hopkins, é claro, um mágico milionário.
O autor é da ciência, da publicidade não poderia estar mais longe da ciência nesse sentido. ou considere os nomes dos perfumes Scandal, Pecado, Irresistible, Proibida, My Sin, Black Magic e até, claro, o famoso tabu e muitos outros dos quais tenho medo de lembrar. Você consegue imaginar que em algum lugar no subsolo dessas empresas há bruxas em um caldeirão preparando todas essas poções mágicas sobre grossos volumes das obras completas do Senr.
Freud. Algumas propagandas sutiãs também exploram o desejo de violar tabus. Contudo, a publicidade moda como um todo aposta em outro tipo de mágica.
Você já se perguntou porque que as modelos de moda tm aquela aparência? Se você perguntar a alguém do ramo porque as modelos são assim, ele dirá que as meninas magras exibem melhor as roupas. Eles dão essa razão lógica para não ficarem mal na fita, porque a verdadeira essência de sua aparência sobrenatural é simplesmente esta.
Elas parecem sobrenaturais. Elas passam fome pela beleza da alfaiataria e nesse sacrifício há uma intenção mágica. As suas atitudes são como se estivessem em transe, como se estivessem congeladas naquelas poses bizarras por um feitiço.
São feitas para deixar claro que pertencem à outra dimensão, uma superior. E desafio você a explicá-las de outra forma. Se elas parecem feias ou esquisitas hoje, é só porque deixamos de acreditar em anjos, mas nunca deixamos de acreditar em demônios.
Mas ainda outras formas de você invocar essas figuras sobrenaturais na publicidade. O poder do mago sempre foi o seu comando do que poderíamos chamar de sobrenatural próximo em oposição ao sobrenatural remoto. O mago ou marqueteiro aqui, ele não ora e nem implora essas forças sobrenaturais acessíveis e próximas para ajudá-lo.
>> [música] >> Ele as domina com seu conhecimento e poder superiores. Ele é o mestre delas e elas atuam sob a sua vontade. A publicidade invoca essas entidades sobrenaturais de muitas formas e algumas delas bem óbvias.
O Mister Músculo, por exemplo, ele se materializa a pedido do homem ou neste caso da mulher e funciona como mágica. Pensa agora no número de vezes que você viu as palavras como mágica em anúncio ou até as suas variações como transforme tal coisa em tal outra, como, por exemplo, transforme palavras em dinheiro, transforme livros em dinheiro, transforme, enfim, qualquer coisa em dinheiro. Não é essa a promessa da alquimia?
a transformação de um objeto que aparentemente é pouco valioso em algo muito valioso de uma maneira mágica. Esses dispositivos funcionam porque o domínio do sobrenatural é um dos sonhos mais antigos da humanidade. É a base da literatura desde os primeiros mitos do homem até às 100 noite, Fausto, Superman.
Algumas dessas manifestações maturais são obviamente muito mais sutis do que o Mr Músculo. Algumas das nossas figuras mais estimulantes são aquelas figuras que nós podemos chamar de mefistofélicas. O Mefistófoles é uma versão suave, imperturbável e mundana de alguém que conhece o coração do homem, mas que já não tem prazer nas suas atividades.
Ele tá no mundo, mas não é daqui. Ele simplemente simplesmente está lá. Ele se materializou e quer te ajudar a conseguir essas coisas, mesmo sabendo que não são essas coisas que vão trazer a satisfação total para você.
Ele geralmente ele traz uma marca que o diferencia dos meros mortais. Pode ser um chapéu estranho, uma barba comprida, uma tatuagem ou quem sabe um tapaolho preto para vender camisas. Ele é um demônio que gosta das pessoas.
Ele gosta de ajudá-las a conseguirem o que querem ou o que por causa do seu charme tentador elas passaram a querer. O Mefistófales concede uma bênção. Vida eterna, juventude, coragem, união, a realização dos seus sonhos mais profundos, mas ele cobra um preço.
E quando se trata de uma coisa tão pequena como um maço de cigarros, um refrigerante ou um batom, por que que a gente não deveria arriscar? A gente vê essas figuras mefistofélicas no cowboy da Malboro, no homem da camisa Hatway, nos anúncios de perfumes com celebridades sedutoras. Já o sobrenatural remoto é aquela força que está muito além do nosso controle, a morte, o desastre, o azar.
O sobrenatural remoto, ele não pode ser evocado à vontade ou usado como uma ferramenta. Não há nada que podemos fazer e ainda assim precisamos fazer alguma coisa. Essa é a ideia do sobrenatural remoto.
Então, fazemos rituais de prosperidade, sacrificamos nosso sono, construímos casas, cruzamos os dedos, economizamos dinheiro pros dias difíceis e compramos seguro de vida. Com certeza comprar um seguro é uma atitude adulta e preventiva, mas os motivos para comprá-lo já não sei tanto. Em primeiro lugar, economizar para um dia ruim é uma questão bem diferente de economizar para um propósito concreto, como comprar uma casa ou fazer uma viagem.
As pessoas economizam para o dia ruim sem, na maioria dos casos, ter certeza de quando ele chegará ou mesmo se ele chegará. Os otimistas acham que jamais chegará os pessimistas que não suportarão. E todos conhecemos pessoas que não mexeriam nas suas poupanças, mesmo quando chegasse o dia terrível.
Não sei você, mas isso não parece um ato muito parecido com sacrifícios para apaziguar a fúria de um deus pagão, um suborno para sorte, um ato muito além da mera prudência. Da mesma forma, compra de seguros é uma reação de pura angústia diante do desconhecido e um ato mágico de crença na sorte. Uma pólice de seguro é mais do que uma aposta contra as as probabilidades, né?
Ela também assume as propriedades de um talismã para neutralizar o desastre ou impedir a morte. Você vê isso no rosto tranquilo e garantido de quem paga seguro quando descobre que outra pessoa ainda não tem nenhum. Quem não tem seguro está pedindo por um desastre, está tentando os deuses.
Esse instinto mágico pode influenciar a compra de qualquer seguro, seja de vida, de piso laminado ou do seu silicone. Mas o seguro de vida é o único que o único em que a magia tem pouca ação. Compramos seguro de vida porque sabemos que vamos morrer.
A única questão é quando agora um seguro contra incêndio, se você não mora na Califórnia, é um ato de suborno do destino e assim que se vende seguros. É mágico também o uso do cartão de crédito. A compra a prazo é um convite para pensar magicamente sobre o dinheiro.
De acordo com o Ven Packard, [música] os cartões de crédito são mágicos, pois servem como dinheiro quando alguém temporariamente não tem dinheiro. Tornam-se assim símbolos de poder e potência inesgotável. Imagina a propaganda tem uma forma mais perniciosa naquilo que Martin Meer chamou de o ingrediente a mais, o molho secreto, o segredo que não querem que você saiba.
Esta propriedade a mais, o plus, é tão abusado que todo o ser e a autoridade do produto residem no seu marketing. O produto é sua propaganda. E como chamamos um objeto que carrega propriedades mágicas?
Ah, verdade, um objeto encantado. Um produto tenderá a ser encantado quando sua autoridade excede os simples fatos. O mantra de não são os melhores produtos que vendem, mas os produtos com o melhor marketing quer dizer apenas isso.
A fonte dessa aura mágica varia, mas em geral vem da crença na ciência, nas instituições ou nos outros por meio de um mecanismo de transferência psicológica. Se é fulano que está vendendo, então logo deve ser muito bom. Pense no semáforo vermelho.
Ele é apenas um pedaço de vidro colorido com uma lâmpada atrás. Ele significa parar. Mas como aponta o senhor Hayaka [música] o semanticista?
Na prática, muitas vezes é parar. Lembre-se de como você se sente culpado quando ultrapassa um semáforo vermelho, [música] obviamente travado ou piscando, como acontece em toda a cidade do Brasil, mesmo tarde da noite, sem ninguém a vista, em um raio de 50 km em qualquer direção. É a mesma coisa com o produto.
Você sente que sem ele sua vida não pode continuar sem culpa. Outro exemplo, se você ficasse pelado em público apenas com um pedaço de pano, a polícia iria querer te prender e algum psiquiatra te internar, desde que o pano em questão fosse a bandeira nazista. A exceção é quando quebram santos ou destróem imagens religiosas.
Aí não acontece nada. A bandeira, nesse caso, não simbol não simboliza apenas um movimento. Ela é um movimento e desse jeito é um encanto.
Você deve defender isso aí. Da mesma forma, itens humildes, como a pasta de dentes, sabonetes e cigarros, [música] eles são amuletos. A publicidade impregnou cada produto do nosso dia a dia com a positividade e emoção que vão muito além de qualquer justificativa razoável.
Agora, fazer esse tipo de trabalho de bruxaria não é tão fácil quanto você imagina. Quando tudo parece saturado, só existe uma direção para cima rumo ao sobrenatural. É muito fácil ver isso em slogans do tipo abra a felicidade ou viver sem fronteiras.
Com a repetição, qualquer slogan perde todo o sentido que tenha e vai sobreviver como uma litania mágica, uma reza, uma [música] repetição mais ou menos oca, como um abracadabra que ativa sua vontade em certas situações. Mesmo para um slogan bom como Just do It, ele se torna ao longo do tempo uma frase repetida para explicar milhares de momentos na sua vida que nada tem a ver com o tênis ou Nike. Mas como uma oração que você repete para se automotivar, para superar certas dificuldades, você acaba usando esse slogan em várias outras situações que por causa daquele produto tem muito pouco a ver com [música] a própria situação que você tá passando ali, né?
É mágica, né? uma associação de ideias que são aparentemente importantes, mas logicamente irrelevante. A ciência comportamental ou a retórica tradicional gosta de chamar esse tipo de uso mágico nos slogans de efeito kits ou efeito de ritmo e rima.
Mas não seria curioso que esse efeito de ritmo e rima fosse justamente o mesmo de rituais religiosos e, em última análise, mágicos? Qualquer um que já estudou a poesia antiga sabe disso. São usos milenarmente anteriores à descobertas do Daniel Caman e pensando rápido e devagar.
A ciência explicaria um outro tipo de associção mágica pelo nome de efeito vejamos os clássicos e nunca superados anúncios da Shell. A empresa de petróleo pagou para os artistas mais prestigiados da época criarem obras de arte que de alguma maneira representassem o impacto da empresa no mundo. É claro que o impacto bom, a parte boa.
Esses anúncios são feitos com muito talento e mostram que eles, a Shell também fazem um bom trabalho. E aqui notamos a magia imitativa, a Shell como empresa e a Shell do artista e também a magia contagiosa, a qualidade do artista transferida para a qualidade da Shell por associação. Se somos culpados por fazer essa associação, essa associação mágica, então a habilidade de fazer a associação em geral também é.
Temos culpa por fazer esse tipo de associação, temos culpa por sermos gente? Isso não quer dizer que os fatos por trás desses produtos ou serviços sejam ilusórios. Às vezes são, claro, mas não duram muito.
Eles precisam ser reais para que a magia permaneça. A tribo que faz a dança da chuva nunca se esquece de plantar a semente, nem a mulher que vai até benzedeira [música] para engravidar esquece de transar. O marqueteiro que aposta tudo na sua magia e ignora o produto, escolheu o caminho do charlatanismo e do fracasso em longo prazo.
Não dá para construir castelos no ar. No entanto, devemos distinguir aqui entre a magia branca e a magia negra da publicidade. A diferença depende principalmente de a técnica a ser usada como meio de ilustrar uma característica do produto ou constituir um fato em si.
Por exemplo, nove em cada 10 dentistas recomendam, em que o anúncio quer dizer apenas que você é livre para destruir seus dentes se quiser ir contra a autoridade médica odontológica de todo o planeta. não tem nada a ver com o produto. A magia branca usa imagens mágicas que intensificam algo real no produto.
A magia negra sugere o pensamento mágico, o faz de conta. Então, enquanto o uso da magia branca pode prometer algo como te fazer mais criativo, o que é algo hipotético até que você bote a mão na massa e que só pode fazer por você mesmo, por melhor que sejam os professores, a magia negra vai dizer que essa é a única profissão que garante R$ 30. 000 R$ 1000 por mês escrevendo.
Ela estimula em você esse pensamento mágico de mudar sua vida completamente com a aquisição de algum item encantado. Um exemplo de pensamento mágico clássico é a pirâmide. Ela sugere a ideia de uma expansão infinita, ou que pressupõe um público sempre crescente, consumindo cada vez mais.
Isso é claramente impossível. O que você deseja passar é a ideia, Ana de estar no topo o mais rápido possível e esperar que não desmorone enquanto você chega lá. Mas qualquer que seja a sua forma, a magia da publicidade é ou era relativamente lúcida.
Ela nunca deve confundir a sua [música] missão, que é vender. Agora você pode se perguntar se é impossível evitar esse tipo de associação. Supõe que sim, no sentido de que todas as pessoas vivas empregam de alguma forma o simbolismo mágico.
Por que seria ruim melhorar a experiência das pessoas com o produto? Antecipar um produto é uma técnica de mar de marketing comum para aumentar o seu desejo pelo produto ou serviço. Isso é errado.
Perfumar um restaurante de frutos do mar com cheiro de mar é uma trapaça para melhorar a sua experiência com camarões no centro de São Paulo? Fazer trailers para antecipar o filme é um jeito safado de fazer as pessoas se entusiasmarem para vê-lo. Se esse uso é mais escancarado, repetido e até mal feito nos anúncios, é porque a propaganda é mais sem vergonha, ela é mais evidente, ela aparece mais.
Pelo mesmo motivo, os enredos de novela são mais clichês, porque alguns públicos são mais simplórios, mas o mecanismo é exatamente o mesmo nas grandes obras. Assim como o piano tem as mesmas teclas para quem toca bá e toca funk. A magia da propaganda é uma ferramenta que pode ser usado para o bem ou para o mal.
Ela só não pode ser evitada.