[Música] Olá, amigos. Estamos ao vivo nos Estúdios Flow, iniciando mais um Tramonta News. Programa sempre com um convidado especial, com muitas ideias, com experiências, com coisas legais, com muitas histórias para contar. O nosso programa, nós estamos no no Spotify, nós temos o canal de cortes, tem o programa que depois pode ser, você pode falar para os amigos, pô, assiste o Programa lá que tava legal, tal, tem um programa inteiro disponível no YouTube e vamos juntos fazendo este programa cada vez melhor. Quando a gente, quando a gente vê um time de futebol perdendo, depois tem aquela
entrevista coletiva, o técnico é obrigado a ir na entrevista coletiva, né? Aí o cara tá amarrado, a cara amarrada tá brava, aí o jornalista faz a primeira pergunta óbvia. Por que que vocês perderam o jogo? Ele fala: "Porque nós não marcamos gol, tá? É uma pergunta correta, mas cuja resposta não serve para nada, porque não ajuda a explicar, não ajuda a gente entender o que que aconteceu em campo." A mesma coisa, alguém pergunta, fala assim: "Por que que tá caindo tanto avião?" Aí a resposta é um pouquinho diferente. Não há uma explicação só, há muitas.
Pelo menos é isso que dizem os especialistas. Pelo menos é isso que diz esse cara aqui, ó. Aí. Fernando de Bortol que tá aqui com a Gente, cara que entende tudo de aviação, que tem que criador, apresentador, é roteirista, tem o programa Aero por trás da aviação, é uma das maiores mídias de aviação do país. Ela tem mais de milhão de inscritos no YouTube, mais de milhão de inscritos no Facebook. Eu não vou falar quantos mais do que 1 milhão, é mais de milhão, mais de milhão, tá? Então, cara, que tem credibilidade tem conhecimento. E
aí ele veio contar pra gente e vamos ficar junto porque talvez Nós consigamos entender por que algumas coisas acontecem e como elas acontecem. Tudo bem? Tudo bem, um prazer tá aqui. Obrigado por me receber, falar desse assunto que eu gosto tanto de desmistificar, né? Um prazer estar contigo aqui batendo esse papo. Eu não sou especialista nisso, eu sou eu sou um leitor deste assunto, né? Toda vez que alguém fala assim, mas tá caindo muito avião, eu falo: "Cara, tem carro batendo muito, tem ladrão assaltando muito, mas Avião caindo muito acho que não tem não, né?
Mas é é engraçado porque eu acho que toda vez que tem um acidente com determinada repercussão, com impacto grande na opinião pública, depois a imprensa aproveita e tendo algum outro acidente, ela noticia também. Tem algum outro noticia. É, e eu fico com a sensação de que isso leva as pessoas a acharem que tá aquilo tá acontecendo muito. Você também pensa isso? É exatamente isso. Exatamente dessa forma, Porque a aviação ela é muito midiática, né, quando acontece alguma coisa desse tipo. Então essa é a pergunta que eu e colegas da aviação mais recebemos nos últimos meses,
né? Por que que tá caindo tanto avião? Caindo tanto avião. Nossa, e assim, parece que tá caindo avião todo dia e da forma até que a estatística é publicada, né? Uma vez eu vi numa uma notícia ser publicada a estatística de que morre uma pessoa a cada 56 horas num acidente de avião. Eu sei como é que a Estatística é publicada, né? Mas se você for levar o pé da letra, parece que a cada 56 horas cai um avião e morre uma pessoa. E não é assim que acontece, né? Eh, na verdade, o ano passado
muito se aumentou esse número, principalmente por conta do trágico acidente lá da VO Pastne, que aconteceu em agosto, né? Eh, foram 62 vítimas ali. Mas o que tem acontecido é o seguinte. A frota da aviação, a frota de aeronaves no Brasil e no mundo tem aumentado muito, Principalmente nos últimos 10 anos. Sim. O Brasil tem a segunda maior frota de aviões do mundo ficando só atrás dos Estados Unidos. Quando eu falo só atrás, até um pouco engraçado, porque o Bras o Brasil é 10 vezes menor do que os Estados Unidos em termos de frota, né?
Então, Estados Unidos é muito, mas a frota do Brasil, desculpa, o Tito Europe, é a segunda maior do mundo, ganha até de países europeus que tem tráfego aéreo extremamente intenso, Viagens curtas, né, que pode sugerir que vamos botar mais avião, porque é rápido, é fácil a gente ir daqui para lá. Brasil tem a segunda falar. Sim. Na Europa, inclusive é até um pouco complicado determinadas coisas na aviação. Eles travam algumas coisas, eh, tem taxas para voos, por exemplo, tem países na Europa que cobram uma taxa por assento ocupado em um avião particular. Então você tá
com avião, você vai transportar o seu avião próprio, você vai Transportar seis pessoas no seu avião, você vai pagar uma taxa para cada assento, coisa que não existe no Brasil, não existe nos Estados Unidos, porque na Europa eles usam muito também o transporte terrestre com trens, né, e outras coisas, né? Então a aviação ela é muito forte lá, mas existem outros transportes eficientes dentro da Europa. Países com dimensão continental, como o Brasil, Estados Unidos, a aviação é o que leva o nosso país pra frente, né? Só Que os Estados Unidos é sempre muito maior em
tudo que a gente vai dizer. Então, a aviação no Brasil hoje nós temos aí contando todas as aeronaves executivas, eh, privadas, eh, comerciais, entre 15 e 20.000 aeronaves, né? Ah, esse número varia, mas fica mais ou menos por aí. Nos Estados Unidos tem muito mais aeronaves ah dentro do país do que aqui. É coisa assim de 10 vezes mais aeronaves, aviões executivos, aviões pequenos. Eh, só que no Brasil Tem crescido muito esse número. Então, obviamente, quando você aumenta a quantidade de operações aéreas, o número de horas de voo voadas, até dentro do relatório da ANAC,
esse cálculo é feito por litros de combustível eh usados na aviação de consumidos. Então, esse número aumentou muito, né? Tô falando de pelo menos dobrou de 10 anos para cá. Logo, é natural que aumente também os números eh relativos de incidentes e acidentes aéreos. Se a gente considerar Os números absolutos, ou seja, 2, 3 anos atrás aconteceu um determinado número de acidentes. Eu não lembro o número exato, mas em torno ele de 170 acidentes, eh, alguma coisa assim. Você até puder pegar para mim o número certo, eu não lembro exatamente, mas vamos supor que aconteceu,
vai, vamos colocar um número redondo para facilitar a conta. Hum. Ah, sem acidentes em 2020. Então, pera aí, deixa eu te interromper de novo. Ô, Thago, Vamos botar aquela tela, a última tela que eu pedi pra gente tirar, a tela que a gente desenhou que tem a acidentes fatais. Ah, tem os números nos números do painel Caier que vem do do SENIPA. Melhor que a gente fala com números exatos. Muito bem. 175 acidentes em 2024, dos quais 44 com vítimas fatais. E nestas e e nesses 44 acidentes com vítimas fatais, 152 pessoas morreram. Só para
as pessoas entenderem, fica mais Fácil com o número em vez de números hipotéticos. Desses 152 aqui, infelizmente 62 são num acidente só que foi o da Vo, né? Ah, 2023, um número menor. 2022 um número menor ainda. Você vê esse número, você fala: "Poxa, tá aumentando". É, porém a frota em 2024 já aumentou em relação a 2023, que aumentou em relação ao 2022, porque a gente tem que lembrar o seguinte, 2024 foi o primeiro ano que atingiu um número de voos de operações aéreas comerciais como Eh de pré-pandemia. Então, só em 2024 que a coisa
se normalizou. Ou seja, as operações eram 2023, 2022 foram menores. A quantidade de combustível consumido nesse período também foi menor. Então, se a gente comparar os números absolutos, que é o que a gente tá vendo aqui, de fato, teve um crescimento. Só que se a gente colocar os números relativos, quantos voos ah por 100.000 1000 habitantes ou quantos litros de combustível ou quantos aviões voaram, os Números relativos eles estão decrescendo, ou estabilizado ou decrescendo dos últimos 10 anos para cá. Então é o que eu falei, quando você tem o aumento da operação aérea, infelizmente existem
mais incidentes acontecendo e acidentes acontecendo, né? Agora, e tudo depende da pegada que do aproveitamento que você dá para os números, pros dados. Claro, dados, se você abordar um determinado dado, ele vai te indicar uma coisa. Se você Exatamente abordar, pegar outro dado, ele pode indicar outra. Exato. Que são os números relativos e os números absolutos. Então, eh, dificilmente você vai ver uma publicação falando de número de acidentes em centenas de voos ou milhares de voos, né? Mas se a gente pegar a estatística do ano passado de quantidade de passageiros transportados, a gente tá falando
aí de mais de 112 milhões de passageiros transportados no Brasil pela aviação comercial, no caso, Né? A gente teve 62 mortes em um acidente que aconteceu na aviação comercial, né? Então assim, é uma estatística muito baixa. É claro que quando a gente fala de vidas humanas é muito difícil a gente falar de estatística, muito difícil a gente tratar isso como número. E eu até costumo dizer o seguinte, para os 112 milhões de passageiros que foram transportados pela aviação comercial em 2024, é um número para aquele 62 é 100%. Claro. Então é muito difícil a gente
falar desse assunto. Agora existe um uma uma relação, uma quantidade de acidentes maior relacionados a aviação geral. Aviação de pequeno porte. Como vocês chamam de aviação geral? Aviação de pequeno porte. A aviação privada. Aviação que não oferece um serviço. Aviação que não é de linha aérea, que você não paga um ticket para estar lá. Proprietários. Isso, isso. O cara que tem uma fazenda, ele compra um Avião para, tem quatro lugares, inclusive com piloto, ou não seis lugares, com o piloto e ele voa pra fazenda dele, ele tem os negócios, ele vai, ele vem. Pá, é
isso aí. A aviação geral, primeiro de tudo, antes de entrar nesse assunto, nessa diferença, a aviação geral, que é essa que a gente tá falando, ela representa aí por volta de 15.000 aeronaves, 15 16.000 aeronaves ah no Brasil, né? Então, é a esmagadora maioria dos aviões que tem no Brasil. Eh, aviões comerciais mesmo que operam nas companhias aéreas, tal, esse número é muito baixo. Tô falando aí de por volta de 500 aeronaves, então contra 15, 16.000 é muito mais avião e da aviação geral do que avião comercial. Então, esse é o primeiro ponto que explica
um índice maior de acidentes aeronáuticos na aviação geral, a quantidade de aeronaves voando, né? O segundo ponto é a questão de legislação e regulamentação em cima desses diferentes tipos de Aviação, porque quem não é da área vê aviação com uma coisa só, né? A aviação é aquele avião da companhia aérea que a gente pega no aeroporto para ir do ponto A e chegar no ponto B em segurança. E a aviação é isso. E a aviação tá muito além disso, tá? Então quando eu eu falei disso outras vezes, falar: "Ah, então por que que não proíbe
avião aviação geral de de voar? Já que os acidentes são maiores?" Primeiro que não tem como fazer isso. Segundo que a aviação geral ela ajuda a impulsionar a economia do país. E um grande exemplo que eu dou em relação a isso foi na época de pandemia, que o país ele se sustentou por conta disso, da aviação de um pequeno porte, UTI aérea, transporte de órgãos, transporte de insumo, um monte de coisa. E o outro ponto também, outro exemplo que eu gosto de dar foi no ano passado no Rio Grande do Sul, quando deu toda aquela
tragédia em maio de 2024. E o que sustentou o Estado do Rio Grande do Sul, pelo menos na primeira ou primeira semana ou nas primeiras duas semanas, foram os aviões de pequeno porte, porque ninguém chegava, nem linha aérea chegava. Salgado filho inundou. Não existe, não existia outro aeroporto a não ser canoas e e eh um pouquinho de pois ali de de Porto Alegre, Caxias do Sul. É, não existe, não existe outro aeroporto naquela região com essa capacidade de receber aviões de linha aérea. Toda a Aviação geral se uniu e mandou centenas de aviões pro Rio
Grande do Sul com insumos, médicos, medicamentos, de tudo. Eu fiz parte dessa operação e no primeiro avião que a gente mandou para lá foi no dia, foi na semana do dia 6 de maio e foi um avião cheio de água. Eu até costumo brincar que foi a água mais cara que alguém poderia ter, né? porque foi um avião particular só com água, mas era o único jeito de água chegar lá, né? Eu fui pro Rio Grande do Sul duas vezes, Né? Eh, acompanhar e levar coisas também, tanto com a forceira brasileira quanto com o jato
executivo. Então, a aviação, isso são alguns exemplos, né? Mas a aviação geral, ela existe para levar as pessoas, como o exemplo que você deu, de empresários, fazendeiros, a locais que a aviação comercial não chega. O Brasil é um país com mais de 5500 municípios, onde só tem por volta aí de 150 aeroportos que operam linha aérea, ou seja, é nada. Sem aviões de Pequeno porte, muitos municípios do Brasil não seriam acessados ou demoraria muito tempo de estrada ou barco, né? Então, a aviação geral, ela tem um papel fundamental e importante na aviação. Só que a
legislação, a regulamentação é diferente, porque não tem como você manter um avião particular ou mesmo que seja dentro de uma empresa, uma empresa X, Y, eh, com a regulamentação que tem, que gere a, a linha aérea, porque quando você fala de linha aérea, que ela tá Sobre um regulamento, né, o regulamento que é o RBAC 121, esse regulamento ele ele traz uma lista de exigências e fiscalização pesadíssima. Então, a linha aérea você tem que ter equipes grandes, tanto de tripulação, quanto de mecânicos, como despachantes de voo, tudo para fazer aquele ecossistema acontecer. Isso acontece também
no taxi aéreo. O taxi aéreo, ele tem uma legislação um pouquinho mais Branda do que de linha aérea, que é um RBA 135, mas ele também é pesado e tem várias exigências. A aviação geral, que é sobre o regulamento brasileiro de aviação civil, né, RBAC 91, já é mais brando. Por quê? Porque senão a aviação geral não voaria. Imagina um proprietário de aeronave ter que ter toda uma estrutura de uma companhia aérea para voar o avião. É inviável, sim, né? Então existem Algumas é um pouco mais brando o a legislação para permitir que essa aviação
geral continue voando. Só que muita coisa dentro da aviação geral ela é de responsabilidade do piloto, do operador, do proprietário da aeronave. E tem uma uma questão importante em relação a isso também, que a gente chama de assimetria de informação. Ou seja, o que que é assimetria de informação? Quando você vai comprar uma passagem aérea de um avião da Gol, da Latan, da Da Azul, você como passageiro não quer saber que avião quer, você não quer saber o nome do piloto, você não quer saber quem é o mecânico, você não quer saber nada. Você quer
chegar no aeroporto, entrar no avião e fazer o seu voo com segurança. Quando você tem um avião ou quando você eh trabalha numa empresa que a empresa te disponibiliza um avião, a assimetria de informação ela é muito muito menor. Você conhece o piloto, você conhece o avião, você se Você é o proprietário, você sabe ah quando que esse avião faz manutenção, aonde que ele faz manutenção. Então, por conta dessa informação que um passageiro de linha aérea não tem, tem uma regulamentação muito pesada em cima. para garantir que esse cidadão que não sabe nada e nem
quer saber, entre no avião e sabe que ele vai voar com segurança. Quando eu tô voando no meu próprio avião, eu sei tudo daquele avião, todo o histórico dele. Então, Qualquer coisa que acontece, eu sei que é minha responsabilidade. Então, eu sei como que eu tenho que lidar com a situação. Então, é mais ou menos esse o cenário que a gente encontra. E, e nesse sentido, quando a gente olha e só os números frios, número é uma coisa muito perigosa, né? Tem um jornalista amigo meu, que fala assim: "Números, quando torturados dizem o que você
quiser, né?" Mas se a gente botar os números friamente, número de acidentes Envolvendo aviões na aviação comercial no Brasil e da aviação geral, por exemplo, os números da geral são maiores. São bem maiores. São bem maiores, porque também voa muito mais. Voa muito mais. tem toda essa questão eh de operação que eu falei e também tem uma questão de treinamento dos pilotos, manutenção dos aviões, condições que esses aviões podem voar, aonde eles podem voar. Vou te dar um exemplo. Pode falar. E o dono, né? E o dono que o Piloto fala assim: "Doutor, o tempo
tá ruim, doutor. É, não vamos não, por favor, não, não tá legal, tô com a previsão." Aí ele fala: "Eu preciso ir. É, eu sou o dono do avião. Nós vamos voar". Exatamente. E essa atitude, seja do dono do avião de agir dessa forma ou do piloto de não falar não, eh, pensando no emprego que acontece muito, é onde pode dar problema, que já aconteceu várias vezes, né? Então isso é muito perigoso. Agora, eh, o treinamento de Pilotos da linha aérea, ele é periódico, né? Porque eu desconheço outra profissão, pode existir, mas eu não conheço,
que exija um treinamento periódico a cada 6 meses do piloto para mostrar sua proficiência, mostrar que ele é capaz, mostrar que ele conhece e que ele sabe o que fazer. Exatamente. Na aviação comercial, a cada se meses, os pilotos precisam fazer sessões em simulador de voo para treinar aquilo que eles nunca querem ver no dia a dia. Fogo No motor, choque com pássaros, perda de trem de pouso, né? Pousar de barriga, tudo que pode acontecer, o que a gente espera que nunca aconteça. O piloto tem que tá apto a resolver aquele problema. Então ele é
treinado a cada seis meses, ele é checado, ele é rechecado. A a as licenças dele vencem a cada ano, né? Então ele faz os treinamentos a cada seis meses, as licenças vencem, ele tem que ser reavaliado. Não é que nem quando a gente tira a carteira de motorista lá Com 18 anos de idade e nunca mais senta no carro com examinador, na aviação não, isso é anual, né? Então é uma profissão extremamente rígida nesse aspecto, porque uma coisa é o piloto ter experiência, outra coisa ele ter proficiência. A experiência. Ah, o cara tem quantas horas
de voo? Esse piloto tinha 10.000 horas de voo. Tá, mas quanto tempo fazer que ele não voava? Ah, ele não voava há um ano, então ele não tá proficiente, né? Ou o cara tem 500 horas de voo, mas ele tá ali com treinamento em dia, tal. Talvez a proficiência de um cara com menos horas de voo vai ser maior do que um cara com muito mais horas de voo, né? Então, todos esses aspectos têm que ser levado em consideração. E no caso da aviação geral, existe a obrigatoriedade do piloto fazer os cursos ou passar por
avaliações periódicas para demonstrar que ele está apto a tocar aquele voo? Sim, ele precisa passar por avaliações Periódicas, ele é reexaminado, mas você tem várias categorias na aviação. Então, se ele é um piloto privado, o que que é o piloto privado? Ele pode voar o próprio avião ou não ser remunerado. Ele não pode trabalhar como piloto. O piloto privado, a sua ah o seu recheque, que a gente chama, né, da da da habilitação, porque quando ele tem uma licença, né, vou vou vou voltar um pouco para separar para ficar mais fácil, tá? Você tem as
licenças dentro da aviação, então você Tem o piloto privado, que é esse cara que eu falei. Depois você tem a licença de piloto comercial, que é o cara que pode trabalhar como piloto. E depois você tem a licença de piloto de linha aérea, que aí já vai, né, pr pra linha aérea. Dentro das licenças, você pode tirar habilitações, né? A sua licença você nunca mais recheca. Então, eu sou piloto privado. A vida inteira eu serei piloto privado. Só que para eu voar aviões Motorizados, eu preciso ter uma habilitação para aquele determinado tipo de avião. Então,
por exemplo, tem habilitação de monomotor, habilitação de multimotor, habilitação de voo por instrumento. A habilitação de monomotor, ela vence a cada do anos. Isso significa que o piloto, ele vai fazer um reche para voar o monomotor só a cada do anos. Multimotor e voo por instrumento é todo ano, independente se linha aérea, independente do que for. Então existe um Tempo ali. Só que os aviões eh também são divididos em dois em duas categorias. Uma categoria é o avião classe. Que que é o avião classe? Um monomotor, ele tem um tipo que todos os outros monomotores
de outros fabricantes seguem aquele mesmo padrão. Então, se eu vo, por exemplo, um Cesna monomotor, eu também posso voar um Piper, eu posso voar um Bonanza. Eu posso voar uns cirros porque ele tá dentro da mesma classe de monomotor. E tem os aviões Tipo que aí você vai tirar uma habilitação exclusiva daquele modelo de avião. Então, se eu sou um piloto, por exemplo, de um jato executivo, eu tenho que tirar, além de ter piloto comercial, licença de piloto comercial, além de eu ter eh habilitação de multimotor, habilitação de voo por instrumento, eu preciso ter uma
habilitação daquele determinado modelo de avião. Aí você precisa fazer os recheques daquele modelo de avião de tempos em tempos. Sem Dúvida alguma é muito mais exigente do que tudo aquilo que a gente conhece de maneira geral como atividade. Muito mais não, com certeza. Agora tem umas coisas também que eu não sei até que ponto tem algum peso em acidentes, mas a gente tem visto algumas vezes eh o proprietário do avião pilotando. Sim, né? piloto, proprietário. Ele compra um avião, ele é um executivo, ele tem um piloto, mas ele fala: "Cara, mas eu vou ficar viando,
vou a vida inteira, eu também vou fazer O curso." Aham. Para eu pegar o avião de vez em quando, para, né? E este é um profissional que nem sempre está pilotando o avião, ele tá fazendo outras coisas. De vez em quando ele ele pilota o avião. E a gente vê em algumas situações, né? E a gente ouve dizer que eh fulano de tal, que era o proprietário, estava pilotando, né? Algumas vezes ele está ao lado do piloto, mas talvez ele estivesse pilotando também. Aí é uma especulação De minha parte, né? Mas este é um elemento
que pode também ser eventualmente um complicador. E nestes casos, até que ponto? Tempo ruim, por exemplo, más condições do tempo eh se tornam um elemento sempre agravante para um voo que é ou um voo visual que não é por instrumentos. Sim, isso é sempre um problema. A parte do voo por instrumento em condição instrumento. Hum. Porque hoje você pode perfeitamente voar por instrumento, não necessariamente estando Em condições de tempo fechado. A regra e voo sobre regra de eh regra sobre voo por instrumento ou voo sobre regra visual, o que diferencia é a altitude que você
vai voar, os pontos que você vai passar na sua na sua rota, né? e os equipamentos que você vai usar durante o voo, não necessariamente você voar por instrumento, quer dizer que você tá guardado dentro de uma nuvem, né? E é isso que muita gente confunde, principalmente piloto proprietário, que Aí entra a parte da proficiência, você voar por instrumento, em condição por instrumento, que na aviação a gente chama de IMC, né? uma sigla em inglês que é a condição meteorológica de instrumento. É muito diferente porque você não vê nada do lado de fora. Vou vou
te dar um exemplo. O helicóptero. Helicóptero é uma aeronave muito difícil para você voar em condição de instrumento. Se ela não tiver piloto automático, se ela não Tiver os todo o sistema integrado. Você manter um helicóptero num voo reto e nivelado, sem ver nada do lado de fora, eu diria que é quase impossível. Não é impossível, mas é muito difícil. Eh, mesmo que você tenha dentro do do do helicóptero ali, aquele horizonte artificial que te mostra o horizonte, não, eu vou pilotar aqui só olhando o horizonte artificial. Aquilo que a gente vê nos jogos, né?
Quando a gente vai brincar de pilotar, né? Um jogo Qualquer, aí tem o horizonte artificial e você vai mantendo o a aeronave ali na linha. Exatamente. Fazer isso com helicóptero é muito difícil, porque o helicóptero é uma aeronave muito instável. Então, para você voar por instrumento de helicóptero, primeiro que ele tem que ter dois motores, segundo que ele tem que ter todo toda a instrumentação, evidentemente, ele tem que ter o piloto automático, né, para você ter essa condição. Então, é uma Aeronave, é um tipo de aeronave que quando alguém tem uma toda equipada com hoje
as telas são super comuns nas aeronaves, dá a impressão de que aquela quantidade de informação vai resolver tudo. E muitas vezes alguns operadores, alguns proprietários, piloto proprietário, acabam não separando isso. Hum. E aí que vem o problema. Então voar em condição IMC, né, de tempo fechado, ela exige uma proficiência muito muito alta. Você tem que treinar, você tem que Treinar em simulador, você tem que voar com um outro piloto, você tem que ter essa redundância também, né? Então, e quando a gente vê um helicóptero desses mais eh sofisticados eh turbo, né? E e esses helicópteros
eles têm melhores, mais fáceis e mais seguras condições de voo que a gente vê que algumas grandes empresas tem. E e aqui nessa região, por exemplo, onde nós estamos, a região do Brooklyn, na zona sul de São Paulo, Existe uma quantidade enorme de heliponto, de grandes empresas e a gente vê os helicópteros pousando, que são máquinas que nos deixa assim de boca aberta. Sim. E algumas outras vezes a gente vê outros helicópteros pequenos para duas pessoas, para quatro pessoas, né, que são bem menores. Esses maiores, mais sofisticados, são mais fáceis de pilotar e mais seguros
em relação às dificuldades que podem aparecer. Cada Máquina é feita para um determinado objetivo, né? O helicóptero é uma máquina difícil de pilotar, né? Então, seja um helicóptero de pequeno porte, um helicóptero de grande porte, claro que os maiores já têm alguns sistemas para facilitar a vida do piloto, mas a essência da pilotagem do helicóptero, ela é difícil. Então, eh, quando você pega um helicóptero como de grande porte para carregar 10 pessoas, né, um Airbus H14, sei lá, um Bell 429, ele já tem Várias integrações ali, tem piloto automático, muitos deles já t piloto automático
completo, o helicóptero já faz praticamente tudo sozinho. No Brasil ainda não é certificado, mas já existe sistema que o helicóptero faz o pouso sozinho, né, mas ainda não tem essa certificação no Brasil. Eh, então, claro que toda essa tecnologia embarcada facilita a vida do piloto e toda essa tecnologia embarcada traz mais confiança para você encarar determinadas Situações. Então, você vai cruzar a Serra do Maritoral, por exemplo, com um helicóptero desse tipo dá muito mais segurança. É um helicóptero que tem mais paz no rotor principal, então quatro, cinco passes. Isso dá mais manobrabilidade pr pra aeronave.
você tem mais segurança, eh, você consegue enfrentar melhor turbulências, coisas desse tipo. Quando você pega um helicóptero menor, vou dar o exemplo aqui do Robinson 44, que é um Helicóptero para quatro pessoas, não é um motor a reação, que é não é um motor a turbina, né? Ele é um motor a pistão, mesmo princípio de funcionamento de um motor de carro, um motor de Fusca, né? Sim. Hã, e ele tem duas PAS no rotor principal. Então ele tem, ele é um helicóptero mais frágil, vamos dizer assim, um helicóptero que não é para determinadas aplicações. Agora,
para que que existe esse helicóptero? Então, Paraa reportagem aérea, por exemplo. Reportagem aérea é feita com só com Robinson, porque é um helicóptero barato, vamos dizer assim. Ele, se ele é bem mantido, se ele é bem pilotado, ele tem a vida longa. Tem o nosso amigo, o comandante Hamilton, que voa Robinson 44, sei lá, acho que ele tem 8.000 horas de voo de Robinson 44 e tá todo dia voando com excelência. Então tudo é uma questão de qual que é a aplicação Uhum. daquela determinada máquina. Um Helicóptero para duas pessoas, um Robinson 22, para que
que serve? Principalmente para treinamento de pilotos. Ninguém vai virar piloto de helicóptero pagando hora de voo de um esquilo. Só se o cara for milionário, né? Então, cada máquina tem a sua determinada aplicação. Uma vez eu saí daqui de São Paulo num helicóptero da Globo para ir fazer uma reportagem da na Esquadrilha da Fumaça em Piraçununga. Sim, legal. Aí, então nós voamos aí uma Hora e pouco até Piraçununga, né? Não era um um helicóptero super. Aí eu cheguei lá, voei no avião da esquadrilha, fiz a reportagem e tal e na volta, cara, quando nós chegamos
aqui perto de São Paulo, fechou o tempo. Olha, devia ser o esquilo, né? Acho que era. Não, não, não me lembro nem em voos que que eu já peguei alguma turbulência mais pesada e tal. Não me lembro de ter ficado beando pânico, porque na hora em que você está dentro daquela caixa aí, Você acha que a caixa é muito menor do que você imaginava e você não enxerga. nada, nem para cima, nem para baixo, nem pros lados, nem paraa frente, nem para trás. Você fala: "Cara, eu posso estar embicando pro chão, eu posso estar indo
pro céu, eu posso estar indo de lado e eu não tenho a mínima noção." E aí faz o silêncio dentro do helicóptero, né? É silêncio dentro do helicóptero. O medo, rapaz, uma sensação muito ruim. Tal da É A tal da desorientação espacial. Desorientação espacial. O piloto ali, com certeza, ele tinha a informação para manter esse helicóptero reto e nivelado, porque se ele não tivesse, você não estaria aqui para contar a história, porque a desorientação espacial ela mata em um minuto. Se você entra numa nuvem e você não tem nenhuma referência do lado de fora, em
um minuto você vai bater em algum lugar, seja no chão, numa montanha, em algum lugar. É impossível o Ser humano conseguir se manter reto e nivelado sem estar olhando pro lado de fora. É impossível. Não adianta ninguém falar assim: "Não, eu consigo". Não consegue. O ser humano não é projetado para isso. Nós somos projetados para andar no chão, olhando o horizonte, né? Quando você tá numa máquina voando, as forças atuantes naquela máquina eliminam a sua sensação de gravidade e muda tudo. Subindo pode ser descendo para um lado, pode ser pro outro e vira uma coisa
de Maluco, né? Então isso é muito perigoso e é e é um grande problema porque infelizmente algumas pessoas enfrentam hoje em dia bem menos, mas já aconteceram alguns acidentes de pessoas que entraram em situações assim, né? Tem um exemplo ah trágico, né? Que aconteceu uns anos atrás daquele Robinson 44 transportando uma noiva pro casamento. Sim. E foi gravada a imagem. E você vê que o piloto ele entra naquela situação e coisa de poucos segundos depois você Vê o horizonte artificial do cara ao contrário. Ele se perdeu completamente na situação. Entra naquilo que eu falei: "Ah,
o helicóptero tem horizonte artificial, vou seguindo ele". Não vai, não vai, porque o helicóptero é diferente, né? Eu passei por uma situação antes do erro por trás da aviação. Eu precisei atender um cliente na época que eu produzia eh vídeos institucionais. Eu precisei atender um cliente em Santa Catarina. E em Santa Catarina, naquela época não tinha um helicóptero para colocar a câmera na frente, na bolha. Então a gente levou esse helicóptero daqui de São Paulo para lá. Nós decolamos umas 8:30 da manhã de do Campo de Marte. Aqui em cima tava tudo aberto, tranquilo. Quando
chegamos em Peruíbe, de Peruíbe para baixo, na região da Ilha Comprida, litoral do sul de São Paulo, tudo fechado no aeroporto. O aeroporto de Peruíbe ainda existia na Época. A gente pousou lá e ficou esperando. Bom, a camada subiu, deu umas 10:30 da manhã. Vamos, vamos tentar. Vamos. Beleza, subimos e ainda tudo fechado. Aí o piloto virou e falou: "Eh, vamos por baixo, né? Tá bom, vamos por baixo." Descemos. E a a o a altitude mínima que o helicóptero pode voar é mais baixa do que o avião, né? O helicóptero ele tem uma versatilidade grande
para pousar em qualquer lugar. Sim. Sim. E a gente começou lambendo o a Base da nuvem. 500 pés. Não, 150 m. E a foi andando um pouquinho mais pra frente. A e a nuvem descendo. A nuvem descendo. 300 pés. A gente aí, será que vai? E nessas 300 pés que eu te que dá uns 100 m, mais ou menos. Uns 100 m. Será que vai esse? Será que vai? É sempre a pior decisão. Será? Você tem dúvida, volta, né? Quando a gente andou mais um pouquinho para dentro, a nuvem engoliu a gente e o piloto
com muita maestria deu aquela, né? Baixou o Coletivo, baixou o helicóptero, a gente ficou guardado uns 5 segundos que pareceu uma hora. A gente não viu nada do lado de fora. Quando ele desceu e a gente saiu da nuvem, ele falou: "Vamos voltar e a gente voltou". Agora se naquele momento a gente fala, "Não, vamos mais um pouquinho, vamos mais um pouquinho, a gente vai até o ponto sem volta. A gente não consegue nem ir pra frente, nem para trás". É, eu me lembro de eh vários acidentes, no caso do Helicóptero, nós estamos falando, né?
A morte do deputado Ulisses Guimarães, segundo consta, foi uma situação e de tempo muito ruim do filho do do filho não, do Abío Diniz. Do Abí, filho do Abílio Diniz. É, não, o filho caiu, o filho nador. A noiva ou mulher ou namorada dele morreu afogada. El Isso, lá em Maresias. Maresias também era tempo ruim também. E recentemente teve a morte daquele empresário que saiu daqui para Ir pro Rio Grande do Sul, no avião. Sim. e pegou uma condição muito ruim de de tempo. E segundo que foi noticiado, isso pode ter contribuído de maneira muito
intensa para para aquilo que ocorreu, que foi a queda do avião e a morte das pessoas, né? Então, realmente agora do avião grande, na aviação comercial tradicional, esses aviões que fazem, né, entre os países que as pessoas tomam aqui em Guarulhos, no Galeão, pá pá, vão para tal lugar, Para outro país, né? Esses aviões, de maneira geral, eles não sofrem com tempo, não. Tempo ruim, não. De maneira geral. De maneira geral. Claro que existem limites, né? Tudo na aviação, tudo na vida tem limites. Nada é indestrutível, nada é impossível. Então, para operar o aeroporto de
Congonhas, por exemplo, aí já não vai nem da condição do avião, mas do aeroporto. O aeroporto de Congonhas, ele tá numa situação hoje eh já muito Segura. Com todas as melhorias que já foram feitas no aeroporto, com todos os e as reformas que estão fazendo nesse momento. O aeroporto é muito seguro, tem área de escape, né, que fizeram ali e tal. Só que ele tem uma limitação. Você não pode, pelo tamanho da pista, pela localidade do aeroporto, colocar uma condição de pouso por instrumento 00er, onde o piloto não vê absolutamente nada, você não consegue homologar
um negócio desse por segurança. Então, tem um Limite mínimo. No aeroporto de Guarulhos, esse mínimo já é bem mais baixo. No Brasil não existe nenhum aeroporto homologado pro zero, pro piloto ver a pista, ou melhor, o piloto pousar e não vê a pista, né? onde o avião faz tudo praticamente automático no sistema de piloto automático. Nos Estados Unidos tem, na Europa tem. Então tudo é uma uma questão de tecnologia de instrumentação do aeroporto, não por existir a tecnologia ou o Brasil não tem Condição de ter, não é isso, mas é por conta das condições daquele
determinado local. O aeroporto de Santos do Mon jamais vai ter a mesma capacidade de pouso por instrumento que um aeroporto do Galeão. Não tem como, né? Então tem certas limitações. Agora, claro, é por isso que aeroportos fashion, principalmente nessa época do ano, onde final de tarde em São Paulo cai o mundo, né? E o aeroporto de Congonhas fecha. Sim, por segurança, porque na aviação Não tem dúvida. Ou é ou não é. Dá para ir. Você tem 110% de certeza que é seguro. Sim, você não tem, então não vai. Eu passei por essa situação recentemente, voltando
do Rio de Janeiro, avião de linha aérea. Nós chegamos em Congonhas, mais uma turbulência ali incomodando, né? Os passageiros ficaram assustados. Uhum. E o avião começou a fazer espera, dar aquelas voltinhas, porque tava esperando o tempo abrir. Sei. Ele tentou aproximar Em Congonhas, não conseguiu. Ele arremeteu ainda em cima do Joquey. Ele arremeteu longe do aeroporto, fez mais umas voltinhas e anunciou, ó, estamos voltando pro Rio de Janeiro porque a Congense fechou. Aí você fala: "Poxa, mas a gente tá aqui sim e vai voltar, né?" "Ah, por que que não alternou eh Guarulhos? Por que
que não alterou Campinas?" Aí é questão da companhia aérea, né? Eh, e agora, então, eu nós estamos falando de mau tempo. Aham. Eh, Nesse pacote a gente pode incluir a turbulência ou a turbulência é um é um tá numa outra caixa de de ocorrência que atinge o avião, provoca um malestar nos passageiros eh suspende o serviço de bordo muitas vezes eh eh sempre eh eh se acende o aviso de apertar cintos, de ficar nos seus lugares, deixar o banheiro, né? Volta pro seu lugar. Exatamente. Tá no mesmo pacote de mau tempo ou não? Não, não
necessariamente, porque a turbulência ela não derruba Avião, né? Começa por aí, você não tem sua turbulência trelada a ma tempo. Muito pelo contrário, as turbulências mais perigosas são a que a gente chama de turbulência de céu claro, que é aquela que acontece com avião voando no céu azul. É uma corrente de jato, algum outro fenômeno que acontece ali, ele não é previsível, ele não é visto no radar. É um fenômeno fenômeno meteorológico que você o avião ele tá voando em um fluido que é o o ar. Se esse ar tá em Movimento, quando ele passar
por esse ar, ele vai movimentar junto. E a turbulência de céu, claro, por que que ela é perigosa? Não é porque ela é mais forte ou mais fraca, não é isso. É porque é um momento que os o sinal de atar cintos não tá aceso. É um momento que o serviço de bordo pode tá serv sendo servido. Ah, pode ter gente no banheiro, pode ter gente caminhando, porque um voo de 12 horas daqui pra Europa, por exemplo, você vai esticar as Pernas e quando ela acontece é onde as pessoas se machucam. Quando ela é previsível,
quando a turbulência tá atrelada a uma nuvem de tempestade ou um mau tempo, aí já tá no radar, já sabe que vai passar por aquilo, então as a tripulação do avião fala: "Ó, todo mundo fica sentado com cinto afivelado, ninguém levanta por segurança." Então, quando dá a turbulência é mais uma questão de desconforto dos passageiros. Você tá em uma cabine fechada, sem Referência do lado de fora. Então, um movimentinho de 50 cm pro passageiro vai aparecer 5 m, né? Então tem um pouco essa sensação. O nosso labirinto fica meio maluco quando acontece uma situação dessa,
mas a turbulência em si, ela não derruba o avião. Então ela pode estar atrelada ao mau tempo ou não, como é o caso da turbulência do céu. Claro. Uhum. E toda vez que eu vou que eu tô voando pro rio, que é hora que que a hora em que o avião se aproxima e o avião vai se Aproximando da água da água da água do porta-aviões do Rio de Janeiro. Aí eu fico olhando para ver um cantinho das pedras ali na ponta da pista. Fal: "Ufa". Não é a mesma coisa aqui em São Paulo quando
tá voltando, especialmente voo grande, né? Tá tudo fechado e tá chovendo. Aí você vai, o avião vai baixando, você não enxerga nada, nada, fala: "Não, mas vai aparecer uma luzina". vai aparecer. A hora que aparece a primeira luz, fala: "Tô salvo, Tô salvo." O piloto também já viu. Piloto já viu. É o o toda operação de avião de linha aérea, ele é feito por ela é feita por instrumento, né? Então a aproximação em Congonhas, ele já segue um sistema de aproximação por instrumento. Ah, mesmo em tempo fechado, por mais que o piloto não esteja vendo
a a não consigo ler, precisa aumentar. Por mais que o piloto esteja, não esteja vendo a pista, ele tá vendo tudo ali no no computador dele, Né? Em situação de tempo fechado, o cara nem olha para fora, né? mesmo com o tempo aberto, toda todo o voo dele acontece no na nas telas, né, atualmente. E e o Rio de Janeiro tem uma uma particularidade interessante que é o Santos do Mão é um aeroporto tão complicado, é, é um aeroporto de pista curta, onde as aeronaves que operam lá tem que ter alta performance. Para você ter
uma ideia, a Gol encomendou pra Boeing na época que eles começaram um Avião específico certificado para operar numa pista do tamanho do Santos do Mon. Eh, só o comandante do avião faz o pouso no Santos do Mon. E os caras fazem isso porque quem quem voa ponte aérea nas nas companhias aéreas, eles só fazem ponte aérea, né? Eles só fazem Rio São Paulo. Então o cara faz isso cinco vezes por dia. O cara ele tá tão acostumado com aquela situação que ele já escolhe tá até qual rodinha que ele vai tocar primeiro, né? Brincando ali
com isso. Mas eles estão muito acostumados. É muito é feito muitas e muitas e muitas vezes aquilo por ser um aeroporto complicado. É por isso que por mais complicado que o aeroporto seja, não acontece problemas lá. Eventualmente um incidente ou outro, mas é muito raro, assim como Congonhas, né? Então tem um nível de exigência para esses aeroportos muito maior pros tripulantes que estão lá operando o avião. Saindo um pouquinho da nossa da nossa questão ligada Especialmente ao equipamento e as pessoas que comandam os equipamentos, os pilotos, a a equipe de piloto, copiloto, engenheiro de voo
e tal, mas pensando no comportamento das pessoas, a gente tem visto muito mais agora eh as pessoas eh primeiro de cara cheia, fazendo bobagem. Outro dia eu vi que tinha uma mulher que tirou roupa dentro do avião, né? Aí a pessoa que se levanta e tem entra em pânico, quer abrir a porta do avião. Aí outro que quer bater na na lá na porta Para entrar na cabine do piloto. A gente não via no há alguns anos a gente não via tantos relatos de comportamento completamente, é, eu surpreendente, vamos chamar de surpreendente, né? para não
usar outro adjetivo. Eu não sei o que tá acontecendo com as pessoas, realmente. Um pouco também se deve por hoje tudo virar mídia, tudo ser publicado. Então, esses muitos incidentes desses aconteciam e mas não era tão publicado. Só só um parênteses Que eu vou dar aqui, como se fala de choque com pássaros, né? Desde que aconteceu o acidente em dezembro do ano passado lá com a Jejuer na Coreia do Sul, que um dos fatores foi o choque com pássaros, toda a mídia começou a bater muito em cima do choque com pássaros, como se estivesse acontecendo
isso agora. E não é choque com pássaros, é um problema na aviação que já acontece desde que a aviação é aviação, esse mesmo. Ah, mas é muito mais reportado Hoje em dia. Eh, agora falando dos passageiros, acho que tem um pouco isso, né? Tudo vira vira notícia, não só notícia na mídia, mas notícia nas redes sociais. Todo mundo publica isso. E de fato eu acho que as pessoas estão enlouquecendo com o tempo, né? Por quê? Eh, teve cara que tentou abrir a porta do avião em pleno voo, não mais não uma vez só nos últimos
tempos, mas várias vezes, o cara que abre a saída de emergência com o avião ainda no chão e Vai dar uma volta em cima da asa do avião. E isso é crime. Qualquer coisa que atenta contra a segurança de voo, é crime. O cara vai preso. Teve um em Los Angeles, é crime federal, sim, federal. E teve um em Los Angeles que ele saiu correndo, acho que pelado, atrás do avião, no aeroporto de Los Angeles, no pátio do avião do do aeroporto. É, é uma loucura, né? E então tem acontecido. Agora a gente tem que
fazer uma análise de comportamento humano. É, de vez em Quando alguém conta de de um, isso aí, vou chamar de religioso para não falar bobagem sobre não quero, não me interessa que religião é, mas o cara vem pregando, né, em altos brados, o voo inteiro. Eu não sei se isso é pior ou você pior. Vez, uma vez eu viajei com um cara que contava piada, tava num grupo. Aham. Depois de duas horas ouvindo piada, uma atrás da outra, ninguém mais ria. E o cara continuava cantando piada, até que ele Descansou. Mas demorou para ele descansar,
viu? Acho que foi uma válvula de escape para ele, né? Encar o voo. Eu esse esse do Rio de Janeiro, quando a gente tava voltando para cá, que deu uma turbulência e foram pequenas turbulências de moderada para forte em coisas de segundos. Ah, ficava ali uns 10 segundos mexendo, parava. Numa dessas, uma mulher gritou: "Socorro!" Aí todo mundo já começou a ficar desesperado. Aí eu pensei comigo, Socorro para quem, né? Que ela tá gritando socorro. Mas tudo bem. O avião voltou pro Rio de Janeiro, por volta de umas 40 pessoas desembarcou do avião. E a
companhia fala, a comissária falou: "Olha, a companhia vai eh dar toda a assistência quando o voo terminar". O voo não terminou. A gente vai voltar paraa Congonhas. A gente só tá fazendo uma parada técnica para abastecimento e voltaremos para Congonhas. Quem desembarcar aqui é por si. Umas 40 Pessoas foram embora de medo de continuar naquele voo. Olha só. E isso é um problema, porque quando a pessoa desembarca, a bagagem tem que desembarcar junto. Então causa um tumulto na logística ali grande. Aham. E a e a a tripulação tem todo o poder sobre decisões e atitudes
a tomar em relação aos passageiros. Sim. Euiro, por exemplo, teve um caso recente da atriz humorista Ing Guimarães. Aham. Que foi ameaçada de ser retirada e presa de um Voo da American Airlines que estava decolando em Nova York quandoestino o Rio de Janeiro. Uhum. Porque a a a tripulação considerou aquela ela devia ceder o lugar dela para outro passageiro. Sim. E ela não queria ceder. Não queria ceder. Até que alguém falou: "Você poderá ser presa por causa disso". Sim. A tripulação tem todo o poder em termos de decisão sobre o voo e comportamento dos passageiros.
Sim, o comandante do avião, ele é a última Palavra em qualquer coisa que acontece dentro do avião. Se o comandante esver transportando o presidente, o chefe de estado, quem for de um determinado país, o a palavra final é do comandante. Depois que pousar o avião, se quiserem punir o comandante, né? Aí é uma questão jurídica que eu desconheço o pós, mas dentro do avião quem manda no voo é o comandante. Então, numa situação como essa da Ingrid Guimarães, pelo que ela reportou, teve um assento quebrado na Classe executiva e aí aquele aquele passageiro teria que
tomar o lugar dela, ela foi escolhida ali e ela teria que ir pra classe classe econômica. Porque numa situação como essa, a companhia aérea vai reembolsar ou dar um bônus, dar um valor ali que de fato aconteceu, ela mesmo falou isso no vídeo dela, que foram 300 foram 300 para ela usar num outro voo da American Airlines. Exatamente. Mas a companhia era ela tem sim a soberania de determinar o que Precisar em nome da segurança de voo. Então se isso foi uma questão de segurança de voo ou não, aí claro que tem que ser averiguado
depois, tal, mas naquela situação, eh, isso pode acontecer. Um exemplo que isso acontece é quando um voo tá mais vazio e você precisa fazer um remanejo de passageiros ali dentro por conta de peso e balanceamento do avião. Hum. Então, por exemplo, você e todo o seu time de futebol comprou as últimas poltronas do Avião e aí só tem vocês dentro do avião e tá todo mundo lá atrás. vocês vão ser obrigados a mudar de lugar, querendo ou não, porque é uma questão de segurança. Isso vai impactar diretamente o peso e balanceamento do avião. O avião
ele funciona como uma gangorra, como se ele tivesse um eixo no meio onde estão as asas e ele, né, é uma gangorra. Se você colocar muito peso atrás, o avião não vai não vai funcionar. Então você tem que distribuir esse peso. Então, por Questão de segurança, o comissário ele pode eh solicitar ou até exigir que o passageiro mude de lugar. E se o passageiro bater de frente, falar que não, não quero, não vou, ele vai ser preso, ele vai ser retirado do avião. Isso, isso acontece. Ele fala: "Mas eu lotei tanto pela minha janelinha. Ai,
a tal da janela. Ai, a minha janelinha. A janelinha outro dia deu uma briga lá com outra bolsa lá." Pois é, ficou famosa com a história. Ficou Famosa por causa da história da janelinha. Que coisa maluca, né, cara? É muito maluca. as pessoas, as pessoas deixa, deixa falar, acho que as pessoas estão enlouquecendo. Ô, Fernando, na maior parte dos, dos acidentes, eh, depois de de terminada a investigação, as conclusões de maneira geral, na maior parte dos casos, levam para questões que envolvem eh falha mecânica ou falha e de cisão, chamada falha humana. Uhum. Fatores humanos.
Fatores humanos. Sim, a gente sabe sempre que tem uma conjugação de fatores. Tem sempre muita coisa envolvida ao mesmo tempo. Exatamente. Mas muitas vezes tem alguma coisa que detona todo o resto. E aí, eh, da maior parte das vezes é são questões mecânicas ou questões humanas. Uhum. Grande parte dos acidentes, em torno de 45% dos acidentes aéreos dos últimos 10 anos aconteceu por fatores humanos, né? H aí você tem fatores, fatores humanos, Tem fatores operacionais, tem uma série de coisas que envolvem isso. Daí quando a gente fala de falha mecânica, tem que ver também se
não é um fator humano, um fator eh um fator humano atrás daquilo, porque se é uma fala de manutenção também entra como um fator humano aquela situação. Então, de fato, a maior parte dos acidentes aéreos acontece por decisão humana em algum momento. Como você falou, um acidente aéreo não acontece por conta de um problema só. é O que a gente chama de fatores contribuintes. Então são várias coisas que vão se alinhando, vários fatores que vão se alinhando até resultar no acidente. Vou dar um exemplo e que aconteceu recentemente no Galeão, aquele avião que atropelou a
caminhonete lá no na pista de Galeão. Ah, o avião que atropelou a a camionet eu saí de Ubatuba. Que eu tava lá no dia, eu cheguei depois no dia seguinte eu fui ver ali o o local. Eh, aquele que atropelou a caminhonete, ele foi, tiveram vários fatores contribuintes se somando, que ainda tá em investigação para entender por que a cam aquilo é um absurdo. Uma caminhonete tá na mesma pista do avião e a e o avião decolar onde tem a caminhonete, né? Então tem uma investigação ocorrendo pelo SENIPA para entender o que que levou aquilo.
Mas esses fatores eles foram se alinhando até o momento que a que a a o avião Bateu na caminhonete. A tripulação muito ah ligeira ali abortou o pouso. A pista do aeroporto de Galeão era era comprida, né? Eu acho que é a pista de era de 10 km, né? A de 4 km, né? A cabeceira 1 no z0, se eu não me engano, que é de de 4 km. Eh, então tinha tempo de sobra pro avião parar. Então você quebrou a corrente ali, você não terminou os fatores contribuintes para resultar num acidente. Agora, como a
gente fala dos ISIS quando tem um acidente, ah, e se Não tivesse feito isso, e se tivesse feito aquilo, né, não resultaria no acidente. Então, vamos noss ao contrário. E se não fosse Galeão? E se fosse Santos Dum? O avião teria varado a pista. E se não fosse um avião como Boeing 737 Marx da Gold? tivesse sido um jato executivo, teria dado de frente com a caminhonete, provavelmente teria sido uma tragédia muito maior. Então você vê que alguns fatores foram se alinhando, mas teve uma quebra ali, ninguém morreu, Teve danos materiais, a caminhonete virou uma
panqueca ali, né, pelo tamanho do impacto que aconteceu, não tinha ninguém dentro da caminhonete, OK? Mas tem que ser investigado para que isso não aconteça novamente, né? Agora, eh, quando a gente fala em em acidentes de maneira geral, dificilmente você tem uma um problema da máquina. Você normalmente acaba tendo um problema operacional, que é a maioria, segundo as estatísticas. Você pega o voo do da Air France 447, que caiu no Atlântico, saindo do Rio de Janeiro para Paris em 2009, né? um caso emblemático, né, que a a caixa preta ficou sumida por uns tempos, depois
conseguiram achar, tal. Eu até conversei com o pessoal da Airbus quando tava para sair o relatório final, para discutir um pouco o que aconteceu. Eh, aquilo lá foi um fator operacional. Isso já Isso tá no relatório, que foi o congelamento. Então, o congelamento foi um fator contribuinte, mas o acidente em si, ele acabou sendo por um fator operacional. Problema de gerenciamento de cabine, conversa entre tripulantes, falta de comunicação, porque o congelamento, segundo relação, a peça que é tubo de pitô, tubo de pitô, isso, né? Que que era uma espécie de sensor que indicava uma série
de coisas pro avião com a velocidade. Isso. E aí ele congelou. Exatamente. E e aí ele congelou, só que Ele ficou congelado por 58 segundos. E o avião não caiu em 58 segundos. E naquela região onde aquele avião passou, outros aviões passaram antes e depois ou desviando da tempestade, não, exatamente do mesmo ponto. Então, depois na investigação, chegou-se à conclusão que teve um problema de gerenciamento de cabine. Quem estava na no comando do voo naquele momento eram os dois primeiros oficiais, o comandante estava descansando. Hoje em Dia um voo desse não é feito mais só
com três tripulantes, agora sempre com quatro tripulantes. Então, mudou uma série de regras na aviação por conta de um acidente como esse. Então, sim, o congelamento do do tubo de dos tubos de pitô fator contribuinte, mas foi se agravando por conta de uma questão de gerenciamento de cabine, assim como o acidente dos mamonas assassinas lá em 96, a mesma coisa, fator humano, como saiu no relatório. Então, a grande Maioria, não tô falando que são todos obviamente, mas a maioria dos acidentes acabam tendo um fator humano em algum ponto da equação. Ah, mas foi um problema
de manutenção. Às vezes o problema de manutenção pode acontecer um um problema no motor. Às vezes o problema no motor pode acontecer por uma falha de manutenção. Agora, quando você quebra essa essa sequência de fatores contribuintes, quando tem um choque com pássaros, por exemplo, e o piloto, os Pilotos com bastante experiência e bastante treinamento, conseguem fazer um pouso perfeitamente seguro e nada de ruim acontece. Estraga o motor, vai pra manutenção, OK? Mas todo mundo sai em segurança, né? Então, e a tripulação muitas vezes não fica nem sabendo. E a tripulação é a tripulação nos passageiros.
Os passageiros às vezes não ficam nem sabendo, como é um caso desse daí, por exemplo, que os os passageiros não conseguiriam nem ver. Esse Aparentemente um urubu ali que se chocou com esse avião. Mas quando é um choque no motor, alguma coisa desse tipo, a aviação tem muita redundância, tem muitos sistemas, tem muitos protocolos, tem muitas sequências. Se não dá certo esse, você vai para esse, se não dá esse, você vai para esse. Tem vária, um leque gigantesco de possibilidades. Inclusive, a presença de duas pessoas na cabine de um avião hoje é também questão de
redundância, divisão de carga de Trabalho e redundância. Desde o acidente que aconteceu com a German Wings, eu não lembro o ano exato, mas quando o copiloto ficou sozinho na cabine de comando e jogou o avião nos Alp suíços, né, e acabou, infelizmente, matando todo mundo. Desde aquele momento já se mudou uma regra que nenhum tripulante pode ficar sozinho dentro da cabine de um avião. Então, se um dos pilotos precisa sair para ir no banheiro, fazer alguma coisa, um comissário precisa entrar na Cabine e ficar lá até o outro voltar. Então é uma regra que mudou,
porque no final das contas o a investigação de acidentes aeronáuticos por parte de órgãos aeronáuticos como SENIPA no Brasil, ah, NTSB nos Estados Unidos, eh tem o objetivo de prevenção. Por isso que SENIPA quer dizer centro de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos, porque se encontram os fatores contribuintes para que novos acidentes não aconteçam por aquela mesma Razão. Não tem uma uma razão punitiva ou nada ou nada desse tipo, né? German Wings foi em 2015, né? Só para 2015. 2015, 10 anos já. Nossa, março de 2015, acabou de fazer 10 anos. Eh, então não tem
um objetivo punitivo. Quem faz isso é polícia federal, polícia civil, é outra coisa com outro objetivo na aviação é evitar que novos acidentes aconteçam. E é justamente por isso que eu sempre digo que a aviação hoje é mais segura que ontem e a de amanhã vai ser Mais segura que a de hoje. Se a gente comparar o que acontecia nos anos 50, anos 60 com a aviação, com o que existe hoje, a própria legislação já mudou, a regulamentação aeronáutica no mundo inteiro já sofreu várias alterações por conta do que tem de segurança hoje. Você já
voou no Himalaya? Não, ainda não. É uma experiência inesquecível. Imagino. Eu já vou em outros picos grandes assim como Cordilheira dos Andes, Rochosa. Não, pousar lá não. Pousar no Himalaia. Himalaia, vocês sabem, a maior cadeia de montanhas do mundo. Fica lá, né, na Ásia. Você tem ali entre a China, sul da China, Nepal, Paquistão, ali estão o Evereste, o K2, né? E eu fui até o Evereste. Você foi pelo por Lucla? Pro Lucla. Aí você tá voando naquele monte de montanha, tudo branco, aquele gelo. Aí de repente você olha lá embaixo, tem um pequeno, parece
que é um curativo, um espadrapo. Lá no fim você fala: "Não é possível, não é possível". Você fala: "Não, não é, não, não é". Aí o avião faz assim, vira e vai. E aí ele afunda e ele começa a subir. A pista tem 400 m, algo assim. Ela é muito curta e é morro acima e termina. que ela é morra acima e termina num paredão rochoso. Então ele vem aí, ele dá uma alinhada, ele toca na pista e sai brecando, sai reduzindo a velocidade e para junto ao paredão. E você com outros 7, 8, 10
malucos naquele avião, né? Aliás, e a no avião você eh recebe Algodão para botar no ouvido. Algodão. Algodão. Foi algodão no ouvido. É uma experiência na cri. Essa é uma experiência que eu ainda quero fazer. Olha, é o Lucla é considerado o aeroporto mais perigoso do mundo. É. Tá vendo? Só fiquei sabendo agora. Ainda bem que você não sabia quando foi para lá. Talvez se eu soubesse antes, Lucla fica no Nepal. Você vai para Catandu. Uhum. Né? Catmandu é a capital. Aí você pega um aviãozinho e aí sempre os Problemas de tempo, né? mau tempo,
você vai pro aeroporto, aí não sai o avião, fica lá 3 horas, o avião não sai, aí volta no outro dia, depois de três, qu dias você consegue e encontra esta situação. Mas pelo menos, já você fala do do que você conhece de Luca, pelo menos na saída para partir é fácil porque a pista fica assim, você morra, é morro abaixo, então ele vai, de repente ele fica o vazio. Você fala, mas agora ele vai recuperar a força e vai subir e Ele sobe e vai. Você tava contando, é, é o aeroporto mais perigoso do
mundo. É o aeroporto mais perigoso do mundo por conta da alta altura, tem uma imagem ali. Aeroporto de Lucl com K. Isso. Ver se a gente consegue uma imagem aí. É um aeroporto. É uma região que ele tá ali a 10.000 pés mais ou menos de altitudes dá mais de 3.000 m. Então é mais alto do que qualquer aeroporto no Brasil, por exemplo. Pista extremamente curta, numa condição muito assim adversa. Morro Acima para pousar, morro abaixo para decolar, o muro que você falou ali na no final da pista. Condição climática péssima, porque você tá ali
num lugar, uma cadeia de montanhas, né, que não precisamos nem explicar o que que é. Ah, obviamente não opera por instrumento, né? Mas para pousar lá, o piloto tem que ser certificado para operar em Lucla. Eu acho que é uma coisa assim de uns 15 pilotos no mundo que podem operar lá com esses aviões, porque é uma operação Muito muito complicada. e com aviões que a gente chama de st. St é uma sigla inglês para decolagem e pouso curto. Então é um avião projetado, tem o Twin Otter, o The Revlon, um avião canadense lá projetado
para para pousar em pistas muito curtas. Então é feito para isso. Tanto é que o índice de acidentes lá lá é é pequeno. Considerando a gravidade do lugar, né? Olha aí, ó. Que esse é um twin otter. Twinotter. Tem um acidente Recentemente e as nuvens ali te esperando, ó. Pois é. Aí você chega aqui nessa ponta, volta com uma outra imagem. Lá na ponta, aí o avião tá descendo, né? Aí você desce, ele cai no vazio e assim que ele consegue subir, ele entra nas nuvens. Af. É, é, tem isso. Mas eu quero muito conhecer
esse lugar. Eu nem quero ir para Evereste. Tô longe do Evereste. Mas eu quero ir para lá só para conhecer. Eu conheço alguém que vai querer ir junto. É, eu eu não Sei quanto essa foto é nova. Eu já estive lá já tem pouco mais de 10 anos, né? E não sei se mudou alguma coisa ou muito ali. Não tem muito para onde crescer não. E é a porta de entrada para quem quer escalar o Evereste, né? Todo mundo acaba passando por Lucas. Todos os outros e todas as outras grandes montanhas que ficam no Nepal,
né? Não só o Evereste, mas outras tantas como Calapatar e outras tantas. Eh, eh, Anapurna e tudo mais. K2, né? K2 é Paquistão, mas você tem caminhos. Eh, eh, o maior acidente da aviação brasileira dos últimos 17 anos foi V e Paz, né? Sim. Uhum. que foi dia 9 de agosto de 2024, no ano passado. Daqui a pouquinho será terá a data de um ano, né, após esse esse acontecimento trágico. Eh, o mecânico que não foi identificado falou no Fantástico que o problema na manutenção dos aviões da companhia eram frequentes e e que este avião
já tinha apresentado problemas Antes. Uhum. Né? Esse tipo de declaração é levada em consideração pelos investigadores quando eles vão verificar e inspecionar e descobrir o que que ocorreu daquele voo para para terminar daquela forma. o os investigadores do SENIPA, eles fazem o trabalho eh de maneira, vamos dizer assim, meio offline ali, no sentido de é um trabalho deles e eles vão buscando as peças e incorporando no quebra, no grande quebra-cabeça de acordo com Aquilo que eles julguem necessário ou não. Uma declaração como essa, ela é muito vazia. Uhum. Porque vou dar um exemplo. Esse avião
aí ele tava eh ele tava com problema em uma das packs do ar condicionado. De ar condicionado. Todo avião comercial tem duas packs de ar condicionado. O que que é a pack de ar condicionado? É um sistema de ar condicionado. Então você tem duas, principalmente por questão de redundância. Como eu falei, na aviação Tudo é muito redundante. H, só que pelo manual do avião, ele poderia voar com uma PCEC, um, vamos dizer assim, um aparelho de ar condicionado, não é isso, mas só para ficar mais fácil de entender, de ar condicionado inoperante, desde que ele
fosse fizesse um voo limitado até 17.000 pés, que aí dá mais ou menos uns 6, 5500, 6000 m, mais ou menos por aí, 5500. Eh, então isso tava em manual, ele é certificado para isso. Se você olhar a Toda a telimetria do avião, do voo, ele tava 17.000 pés. Então, ter uma PEC não operacional estava dentro do manual de operação do avião. Ah, mas o avião passou por também outras situações que em outras e momentos, acho que foi um Tail Strike, uma coisa assim, né, que aí precisou parar o avião por um tempo, tal. Só
que você simplesmente falar publicamente que a manutenção era ruim, sem dar dados dessa máquina específica, Que é o que o SENIPA vai investigar, está investigando, acaba sendo uma coisa muito vazia. Então, quais são os dados? Os manuais de manutenção, os relatórios de manutenção. Ah, os investigadores vão na empresa levantar tudo isso. A ANAC groundeou agora, né? Não, não deixa mais voar a a voaz justamente por uma questão de de suspeito. Agora, né? de março porque ah, mas nossa, então deveria ter parado antes. Não, calma, existe todo um protocolo sendo seguido e como eu falei, Na
aviação tem que ser mais de 100%, você é 99,9% para. É o que aconteceu com Boeing 737 Max em 2018 e19 que caíram dois numa diferença de três meses entre um e outro. Caiu o primeiro lá na Indonésia e depois caiu o segundo que eu estava lá inclusive em Adizabeba, na Etiópia. Quando caiu o segundo, o mundo inteiro parou de voar o 737 Max. Pô, mas todos os aviões estão com problema? Não sabemos. Então, na dúvida não voa. Na Aviação é assim, na dúvida não vai. Então, se existem dúvidas em relação à condição de operação
dessa companhia para para esclarecer. Não é porque já tá confirmado que tá tudo ruindo. Então, claro que eles estão numa situação, infelizmente, muito delicada agora, né? Eh, mas é uma questão de segurança. Então, uma simples declaração falando, ah, manutenção era ruim, isso não significa muita coisa. Porque o que tem que ser, o que tem que ser colocado é o Que que é uma condição do avião para ele não poder voar, que impacta diretamente a segurança de voo, o que na aviação a gente chama de no go, ou seja, não vá, ou que é uma condição
que não muda em absolutamente nada a segurança de voo, por exemplo, uma poltrona solta, um descanso de braço quebrado, isso não impacta em nada a segurança de voo, uma janela caindo, solta, uma cortininha Isso impacta na imagem da companhia aérea. Você como passageiro, você senta Numa poltrona, pô, o descanso tá quebrado, a janela não abre a poltrona, você fala, né? Tá tá ruim o negócio. Só que isso não são e eh itens no go. O avião pode continuar voando e pra companhia aérea não compensa parar aquela máquina para arrumar pequenos detalhes que não impacta a
segurança de voo, né? Isso tem um custo tanto do avião, tanto do da manutenção em si, quanto do avião fora da malha. Qualquer avião que não tá voando é dinheiro Parado, né? Então isso vai ser arrumado e uma próxima manutenção. E eu ouvi na época muita gente falando: "Nossa, porque a poltrona isso? Porque o avião tá sujo, mas isso impacta diretamente a segurança de voo?" Paraa ANAC ter groundeado a companhia aérea e não deixado voar, é porque tem coisas ali que precisam ser analisadas, obviamente. Agora, será que o acidente aéreo aconteceu por conta de um
problema de Manutenção? Nós não sabemos. A gente precisa esperar. uma um relatório de conclusão do SENIPA. O que nós temos hoje é um relatório preliminar do SENIPA, que saiu 30 dias depois, por volta de 30 dias depois do acidente, que diz ali conversa entre os dois tripulantes que tinha um sistema inoperante de degelo, que os alarmes estavam acendendo, tal. Só que essa essa discussão de ah, tá inoperante, isso aconteceu uma hora antes do Acidente. Então se será que isso foi a causa, né? Primeiro que não existe uma causa, existem fatores contribuintes. Então o que a
gente precisa é aguardar um relatório final do CINPA pra gente ter esse quebra-cabeça construído por eles, pra gente entender quais foram esses fatores. Mas uma declaração solta numa reportagem, alguma coisa assim, difícil, não tem peso, né? não tem muito peso. Tem, o que tem o que ajuda muito hoje são imagens, né, fatos. Então você vê a maneira que o avião caiu já. Eh, quem tá trabalhando na investigação já tem um dado muito importante ali, né? Como aconteceu no acidente lá do do King Air, que caiu em na avenida caiu não, ele fez um pouso forçado
na avenida em São Paulo, lá perto do Campo de Marte. Você tem imagens para tudo quanto é lado. Então essa tecnologia e esse excesso de imagens gravando tudo pros investigadores ajuda. Mas para Investigador isso é mais um item. Porque o investigador ele não trabalha só em cima disso. Ele trabalha em cima de vários profissionais. Eles montam uma equipe que tem profissionais de várias áreas, inclusive fabricante do avião, eh pessoas da manutenção, médicos, psicólogos. É, ali dá para ver claramente que esse foi um pouso forçado, né? É. Agora, por quê? Não faço a menor ideia, é
o CENIPA que vai. Então o avião ele não caiu da forma Que aconteceu com o avião da Vo, né? É uma situação diferente. A Folha de São Paulo publicou há alguns dias ah um um texto que, segundo a Folha, é um um relatório da ANAC que ainda não foi tornado público com com indicação de irregularidades e falhas operacionais nas empresas de aviação em 2024. Vamos mostrar, Thago, aquela outra tela que eu copiei aqui pra gente ver. Então, este, segundo a Folha de São Paulo, esse documento não foi Tornado público. Então, por isso as as companhias
não quiseram nem se manifestar. Falou só na hora em que a NAC protocolar isso junto às autoridades, ao Congresso que vai receber e tudo mais, nós vamos falar. De toda forma, a Folha de São Paulo teve acesso ao documento que publicou. Então, segundo este que seria um documento inicial, né, em 2024 foram registradas irregularidades Ou falhas de manutenção. Teve 217 casos. Tem falhas de pouso, decolagem, voos razantes ou manobras arriscadas e outras e outras, né? O que que você acha disso? É por aí mesmo? Esse esse é um documento que na prática vai ser isso
que vai ser tornado é, eu também não tive acesso ao documento não, mas falando de uma maneira bem superficial, evidentemente falhas acontecem, porque em qualquer coisa que O ser humano está inserido é passivo de falha, o ser humano erra. E é justamente que na aviação existem muitos protocolos para diminuir, mitigar esses esses erros e mitigar o risco. Qualquer atividade que a gente faz é uma atividade de risco. Você andar na rua a pé, você corre vários riscos. Você pode ser atropelado, você pode ser assaltado, você pode pisar num buraco, você pode ser atingido por uma
descarga elétrica. Só que quantas vezes a gente sai de casa Pensando nisso? Nenhuma. Na aviação não. Tudo que é feito na aviação é feito pensando no que pode dar errado, porque as falhas acontecem, elas vão continuar acontecendo para sempre. Não existe uma uma atividade onde o ser humano está envolvido que seja 100%. Então, não sei quais são as falhas dessas 200 e pouco que foram citadas ali no relatório, com certeza vai ter, mas se é uma falha de motor na decolagem, por exemplo, e o Avião voltou e pousou de forma segura, então a aviação trabalhou
da forma correta. Teve uma falha, mas teve redundâncias e seguiu protocolos e procedimentos para que o pouso fosse seguro, né? Ah, põe de novo ali só para eu ver o os outros. Aí fala em pouso e decolagem. Vamos supor que aconteceu agora, essa semana, um avião da Latan varou a pista e parou no gramado lá no aeroporto de Chapecó, né? Todo mundo saiu andando. Então teve uma falha, Poxa, e por que que não terminou numa tragédia? Porque a aviação ela tem muitas redundâncias, muito treinamento para sair de determinadas situações, né? Ah, vou usar as antes,
manobras arriscadas. Isso daí pode ser da aviação geral que acontece, né? O cara vai fazer um voo numa praia. Teve um tempo atrás aí que eu vi um cara que é um avião que tem o mesmo modelo do meu avião. Quando isso acontece, eu recebo uma tonelada de mensagens, né? O cara decolou de uma Praia lá em Santa Catarina. Eh, um avião anfíbio, decolou da água, fez a curva e deu um rasante em cima dos banhistas. Poxa, eu olho aquilo, fala: "Precisa?" Não precisa. Aí vem as mensagens. Ah, mas tá errado, não sei o quê.
Uma vez eu fui, eu fui pr, pra Ibitinga, onde mora meu irmão, né? E onde eu morei também. Aham. E nós somos de avião, partimos aqui de São Paulo para fazer uma reportagem pro Golar Nacional no dia de Corpus Criste, Porque a cidade também tem a tradição de fazer aquele tapete, enfeitar as ruas com o tapete. Aí fizemos a reportagem e fomos pro aeroporto para pegar o avião e voltar para São Paulo a tempo de botar no Jornal Nacional a reportagem, né? E no momento em que nós levantamos voo, a processão tava começando, tava saindo
e o piloto deu dois voos rasantes em cima da processão, cara. Eu só vi aquele povo, aquele povo fazendo assim, ó. E o avião e o povo só fazendo assim na na Precisa. Falou: "Cara, pelo amor de Deus cara, olha que maluquí. Irresponsabilidade." É sim. Irresponsabilidade, né? É, não, aquela história que você vai pegar o bug lá na Duna e o piloto piloto motorista em com emoção ou sem emoção. É, é bem por aí. Claro que na na aviação você, por exemplo, fazer uma decolagem de alta performance, eh, que é correr mais a pista e
decolar, né, mais inclinado, são coisas que estão dentro da segurança do Avião. Tudo tem limites e os pilotos tripulantes, eles sabem quais são esses limites para seguir, né? Mas uma coisa que todo mundo fala é são os acidentes que acontecem. Agora, o que que foi evitado por conta de toda a segurança envolvida na aviação, que a segurança é o valor número um e qualquer empresa que tem avião voando, mesmo ass avião voando, tá na aviação, segurança é o valor número um. Então, quantos acidentes aéreos não foram evitados por Conta de todo esse ecossistema que existe
hoje em dia, onde você tem ali 240 e tantos casos de falhas? E a gente não tem 240 e tantos acidentes por conta dessas falhas. Claro que tem que ver o o relatório, ver quais são essas falhas, mas muita coisa no dia a dia da da aviação deixa de se tornar um acidente ou nem começa a criar fatores contribuintes por conta de toda ah todos os processos que hoje são utilizados como exemplos em outras áreas. Agora, Nas feiras de aviação e nos festivais com exibição, de vez em quando tem acidente. Sim. Esses nesses dois ambientes,
os protocolos não são exatamente seguidos. São seguidos, são seguidos. Mas quando você tem uma apresentação de show aéreo, para você fazer um show aéreo, você tem que ter aquele espaço reservado com um negócio que a gente chama de NOTAN na aviação, que é uma notificação para todos os operadores que aquela região está tendo Alguma apresentação. Só que um show aéreo, apesar dos profissionais que fazem isso saberem muito o que eles estão fazendo, você aumenta o risco, porque você tem uma proximidade com o solo muito maior. Por isso que não é qualquer piloto que faz, né?
São pilotos muito bons, muito treinados, mas às vezes por uma falha ou por questões eh fisiológicas, como já aconteceu, de pilotos que apagaram em voo por algum motivo, você naquela proximidade do solo Acaba tendo um acidente. Infelizmente, no ano passado, num evento que a gente tava, nós e o evento acabou no domingo lá em Bauru e no dia seguinte, quando todos eh tava indo embora, né, dos aviões, tal, um dos pilotos acabou tendo uma uma falha, né, um piloto super experiente, um cara muito bom. E ele teve uma falha na decolagem, não era nem na
hora do show, ele foi decolar o avião e teve uma falha e ele acabou caindo em frente. Infelizmente ele acabou Falecendo. Mas eh durante o show aéreo existe essa essa proximidade maior. Só que vamos dar um exemplo. Esquadrilha da fumaça. Você já voou? Eu tive oportunidade de voar também. Você viu o que que é aquilo? Nossa gente, ó. Você entrar num avião, tá aqui. Aí vem um outro e faz assim, ó. Vira de ponta cabeça e a Carlinga, deixa eu ver se não esqueci o nome. A Carlinga é transparente. Aí você olha para cima, tem
uma cabeça aqui a 1,5 m de distância Que imagino eu, voando junto. Você fala: "É". E aí o piloto, o piloto eu não me esqueço que o comandante da esquadrilha, daquele momento em que eu voei, eu eu me lembro que ele eu ouvia pelo rádio, ele dava falava o nome da manobra. Aham. E aí ele falava, acho que 3 do e aí ele já já. E aí todos fazem o que foi treinado ao mesmo tempo. Então aí vai um para um lado, outro pro outro. Um vira para cá, o outro vira para lá. Mas é
uma experiência inacreditável e você sai de Lá considerando os caras, os caras são muito bons. Eu falo assim: "Cara, vocês são demais, né? É, são os melhores pilotos." Ia contar da tua experiência. É essa experiência que você lembra qual que era o número que você tava? Rapaz, não lembro. Tava, eu tava no, no avião do comandante. Ah, então você tava no número um, que é o comandante é o um. Eh, eu tava no número quatro. Ou um ou sete, aí depende da Mas enfim, eu tava no número quatro. Só que eles fazem isso Tantas vezes.
Primeiro que já são pilotos muito bons, né? Segundo que eles treinam isso incansavelmente, não vou dizer todos os dias, mas muitas vezes. E a mesma posição, piloto do um é o sempre, do começo ao fim, do dois é o dois. Sei, ele pode até sair pro número sete, que é o isolado, né, que é aquele avião, porque são sete e todas as manobras normalmente são feitas com dois, com três ou com seis, porque quando eles vão Se reposicionar, eles saem de cena e o set vai fazer uma acrobacia isolada para entreter o público enquanto os
outros estão se reposicionando. Então o set ele acaba sendo também uma posição que possa vir o piloto de outra, mas eh fora essa parte, cada posição aquele piloto só vai fazer aquilo. Isso. Qualquer piloto de acrobacia, ele treina aquilo, ele tem a o voo mental que a gente chama. Quando você vai num campeonato de acrobacia, por exemplo, é comum você ver os pilotos Fazerem uns movimentos de olho fechado, tal. Ele tá com o voo mental. Então, quando você vê a apresentação, seja num show aéreo, seja num campeonato, seja na esquadrilha da fumaça, aquilo que ele
tá fazendo não é nada de improviso. Ele sabe exatamente o que e como ele vai fazer. Por isso que dá certo, né? Aham. Existem acidentes, aconteceu recentemente aí, onde que foi aquele na do esqueci, aconteceu agora na acho que foi nos Estados Unidos que ele foi fazer Uma um tunô e acabou caindo aí. Ah, acabou caindo. Então, tem que ver também qual foi o fator ali que chegou naquilo, tal. Eu fiquei muito surpreso em descobrir que quando a gente fica de ponta cabeça no avião, eu tô usando um termo bem bem, né? É quando a
gente fica não, esse é o da Arcanada, não foi, esse foi um avião de acrobacia num show aéreo que teve recentemente. Eh, eh, quando a gente fica de ponta cabeça no avião, a gente não fica perdido, a gente não fica Completamente, né? Você acha estranho porque você não está mais vendo o céu, mas está vendo o chão e a cabeça. E a, é, mas é uma é uma experiência eh única única. Oar na esquadrilha é uma experiência única. E eu vou dizer, eu não recomendo, não recomendo muita, é muito mais bonito ver de fora, porque
estar lá dentro é força G, é mais G, menos G, a força, o G negativo, que o sangue todo vem pra cabeça, parece que seu olho vai saltar Para fora. É uma coisa bem esquisita. Bem, eh, eh, Fernando, até que ponto cansaço, fadiga de de piloto, tripulação, eh hoje também as companhias têm problemas econômicos, tem redução de funcionários, muitas vezes as escalas são seguidas, nem sempre a tripulação descansa o quanto deveria, né? Até que ponto isso pode ser considerado fatores contributivos, fatores que Contribuem para os problemas em voos e até para acidentes? Isso entra na
parte de fatores humanos, né? Porque tá ligado diretamente à condição da pessoa. Hoje a legislação é muito rígida, principalmente na linha aérea e na aviação de taxi aéreo, tá? Eh, até na aviação geral, quem não tá trabalhando como piloto também tem um limite de horas voadas no mês. Tem pilotos que não sabem disso, né? pilotos da aviação geral, mas você tem um Limite. Eh, só que na aviação regular, na aviação de linha aérea, isso é muito fiscalizado. Então, é o que a gente chama de jornada do piloto, aquela jornada de de 8 de 12 horas,
aí tem a horas de voo, 8 horas de voo, então tem uma limitação de jornada, que é quando ele sai de casa e quando ele chega em casa, né? e a limitação de horas dentro do avião. E ele não pode passar um minuto dessa jornada, que é o que a gente chama de hora regulamentada. Se Passar, regulamentou as horas, a empresa vai ser vai tomar punição, o profissional também pode tomar punição. Não pode passar justamente por conta de um problema sério que a gente viu acontecer naquela época do apagão aéreo no Brasil. Ah, o acidente
dos mamonas assassinas teve isso como fator contribuinte também, tripulação cansada. Então hoje isso é muito regulamentado. Agora quando voa de 10 horas, 12 horas, isso já tá previsto. Já tá previsto. Por Isso que tem um negócio chamado de tripulação de revesamento, que dentro do avião tem quatro tripulantes. O avião lá na frente tem dois assentos, do piloto e do copiloto, só que tem quatro. Então, justamente para que no meio do voo exista uma troca. Os pilotos decolam juntos, os quatro. Ah, no meio do voo existe um período que dois ficam lá e dois vão descansar.
troca essa essa a jornada deles e pousam todos juntos. Então, sim, tem um momento de descanso Em voos mais longos, né? Ah, justamente pensando nessa questão de de fadiga. Isso é muito sério, né? A gente não raciocina quando tá muito muito cansado. E a escala formada eh de mês a mês dentro das companhias aéreas, ela é construída de uma forma que dê o descanso necessário, as horas de descanso contra as horas de jornada. Ah, então o piloto ele não vai voar todo dia. Vão ter dias que ele vai estar de descanso, vai ter dia que
ele vai estar Só de sobreaviso, então ele fica à disposição em casa que ele pode ser acionado para ir fazer o voo, mas ele teoricamente não está trabalhando ali naquele momento. Por que que isso acontece? Ou tripulação de reserva que, qual que é a diferença do sobreviso e da reserva, né? Sobreviso, ele tá em casa, se for acionado, ele se prepara, ele tem um tempo para chegar no aeroporto para assumir o voo. A reserva é que ele já vai pro aeroporto uniformizado, pronto, Como se ele fosse voar, mas ele não voa, ele fica ali à
disposição da empresa. Ele ganha para isso, ganha as horas ali, porque se der algum problema na tripulação que está operacional, ele automaticamente já substitui, né? Então tudo isso é previsto, porque o piloto ele pode ter um problema, sei lá, ele entrou no avião, deu uma dor de cabeça, deu um problema fisiológico ali, não, não vou conseguir voar. Então, segurança em primeiro lugar, a companhia aérea já Está contando com isso, tira essa tripulação e coloca a outra no lugar. Claro que a tripulação de reserva, ela vai est disponível nos hubs, nos centros, onde aquela companhia aérea
tem a sua estrutura, né? né? Então, se a companhia aérea opera São Paulo, interior do Mato Grosso, aquele aeroporto, de repente não vai ter uma tripulação de reserva ali. Por isso que às vezes pode atrasar o voo, pode cancelar o voo por falta de tripulação, Mas aí a companhia desloca uma outra tripulação para assumir aquele voo, seja horas depois, seja no dia seguinte. Então tudo isso já é previsto, principalmente depois de todos aqueles problemas que a gente teve lá entre 2006, 2007, no tal apagão aéreo, que tiveram dois acidentes graves, né? nem foi culpa da
tripulação que se chocou com o avião em voo lá da Gol em 2006, o Legacy, o Legacy, né? Mas teve o do A320 em Congonhas, vindo de Porto Alegre em 2007, em julho de 2007, que aí isso também foi um fator contribuinte, não foi a única coisa, mas aí que acendeu um alerta em várias partes da aviação. Opa, temos que mexer em alguma coisa aqui porque o negócio tá tá tá complicado. E mudou muito, né? A aviação de hoje não tem mais nada a ver com aquilo que era naquela época. Uhum. Aquele aquele eh acidente
que ocorreu em Tenerife é considerado o maior acidente aéreo da história. Sim, sim. Que foi Dois aviões bateram, né? Exatamente. Um bom, uma ilha espanhola ali no Atlântico e 583 pessoas morreram, né? Exatamente. Esse caso é considerado o maior acidente da história porque foram dois aviões, um Boeing 747 gigantesco com muitas pessoas e o acidente ele aconteceu por uma um problema operacional no aeroporto, onde um avião ele foi liberado para cruzar uma pista em um momento que o tempo estava muito Ruim, muito fechado e o outro avião que foi liberado para decolar. Então, um cruzando
a pista, o outro decolando. Os dois se chocaram ainda em solo. Tá ali, ó, 747 da KLM decolando e ali bem no meio da acho que foi um 07, não lembro qual que foi o outro avião da Panã. É. E aí ele, o 47, bateu em cheio no avião da Panã, na decolagem, por conta de uma falha operacional ali no aeroporto. Por que aquele avião estava ali naquele momento? Por que que esse outro foi Liberado pra decolagem? Tanto é que um acidente como esse não aconteceu mais, né, dessa maneira. 727. Ah, os dois 747, tá?
Eu não lembrava que os dois 747. É. Eh, de vez em quando a gente ouve falar ou se noticia as dificuldades de comunicação entre eh tripulação os aviões e os que estão operando na torre, né, determinando, ó, você desce pro nível tal, você vai subir, você vai descer, você vai esperar, você pode cruzar, você pode Partir e tal, por causa da língua, a língua oficial inglês. Sim. Aqui no Brasil mesmo já teve muita denúncia de várias vezes, né, de de operadores da aeronáutica que estavam em diferentes pontos de de torres. e falava muito mal o
inglês, né? Sim. Agora, eu acredito também que talvez entre pilotos, em função de origem da língua mãe, talvez nem todos também entendam ou falem eh o inglês fluentemente. Sim, né? Isso ocorre com muita frequência? Sim, isso Ocorre na aviação. Não sei se é com muita frequência, mas ocorre, né? Eu não sei te dizer a frequência, não tenho dados para isso, mas assim, ocorre principalmente em países asiáticos, né? Por isso que até em companhias aéreas asiáticas contratam muito piloto de fora, né, para fazer voos internacionais. Ah, no Brasil, isso tem um um certo uma um certo
agravante essa questão da língua para tripulações Externas, eh, estrangeiras, mas não só por uma questão de comunicação entre o piloto e o controlador que rola ali em inglês, mas a consciência situacional daquele piloto em relação ao que tá acontecendo em volta. Eu já voei com piloto de fora no em Congonhas, decolando com um jato de um cliente nosso. Eh, e naquele momento tava uma assim uma falação na na no tráfego aéreo e os dois pilotos só falavam inglês. Então, a fonia deles, a Comunicação era em inglês, o controlador correspondia, né, tudo certo. Só que naquele
momento a Força Aérea estava fazendo um voo de verificação na pista de um órgão deles chamado Jave, né, para de de aferição de instrumentação e, né? E esse avião, quando ele passa nas pistas, nos aeroportos, ele faz voos conforme aquilo que ele precisa fazer. Então ele vai decolar no sentido contrário, vai fazer uma passagem assim, quem olha de fora parece uma bagunça, Mas é o protocolo ali que ele tá seguindo. A gente tava indo para decolar na cabeceira 17 de Congonhas, que é pro lado da Avenida Bandeirantes, tá? E era aquela cabeceira que tava aprovada
para decolar, né? que tava operacional naquele momento. E eu ouvi, eu tava na cabine com os pilotos e eu tava ouvindo o controlador falar que o Jaiv da Força Aérea faria uma passagem do sentido contrário, do lado do Jabaquara pro norte, né? Só que os pilotos, Evidentemente, não entenderam porque ele foi, isso foi falado para todo mundo em português e os caras não entendem português. Ah, mas até aí tudo bem, porque a controladora, ela falou assim: "Eh, mantém a posição." Eles mantiveram a posição e tava lá esperando alguma coisa acontecer. Eles liberarem e nisso o
Jave passa. Agora você imagina para um piloto estrangeiro que não entendeu nada que foi falado por aí, né, na no rádio geral, que tá autorizado para você Decolar desse lado, de repente passa um outro avião no sentido contrário. Os caras olharam isso, é, e baixo, o avião tava muito baixo. Os caras olharam, eles tomaram um susto, rolou um fw ali, né? Que que tá acontecendo aí? Não, aí eu expliquei para eles, não, calma, tá acontecendo isso. Então, a consciência situacional do que tá em volta desses caras é muito complicada. E é por isso que em
muitos países na Europa, independente da língua, como a Europa Tem países pequenos, a fonia, a a comunicação é feita em inglês. Na Alemanha é feito em inglês, na Bélgica é feito em inglês, em muitos países é feito em inglês justamente para não dar esse tipo de problema. Mas é um, mas pro cara operar um, um avião falando inglês, ele tem que fazer uma prova internacional, que é da pro a prova da organização a da aviação civil internacional da ICA. E você tem que tirar uma nota mínima para você ser a Ser apto a fazer voos
internacionais. Então, se eu sou um piloto e eu não tenho essa prova, eu não posso sair do Brasil para fazer forem inglês, mesmo que o meu inglês seja fluente, não pode. Porque assim como o português, a frase que a gente chama, ela é uma coisa muito específica. Então, mesmo pessoas que não tm inglês fluente, se o cara ele é bom de frase, ele consegue fazer uma uma comunicação muito eficiente português. Quem não entende Frase em português não fala com controle de tráfego aéreo, porque é uma coisa bem específica aeronáutica, né? Aquele linguagem aa aeronáutica, né?
A gente fala que é o inglês aeronáutico. Inglês aeronáutico. Mas às vezes o sotaque pega. Eu tava tava olhando antes da nossa conversa da naquele acidente do avião da Vig que decolou de Narita, aeroporto de Narita no Rio de Janeiro. Isso foi em 1979, né? Eh, o avião nunca mais foi Encontrado. Esse foi ele caiu no Ele caiu no É um avião da Varig, né? Ele transportava 20 toneladas de carga, né? De carga com seis tripulantes e ele caiu do mar. Não, não foi esse aí. Aí é outro, né? É, esse aí foi não, esse
que tá na foto seguinte é o outro, é outro acidente, né? Esse caiu no mar pouco depois de decolar e pelo que eu li, os tripulantes foram declarados mortos sem que seus corpos tivessem sido encontrados. E é mais ou menos como Aconteceu com o Malaysian Airlines, né, na em 2014, né? Eu não conheço a fundo esse esse esse acidente, mas Uhum. Às vezes tem esse esses acontecimentos, como aconteceu com aquele avião da Malage Airlines, que até hoje não se encontrou nada, né? Tem um caso de um avião brasileiro que caiu e que até hoje que
desapareceu, não foi encontrado? Não teve não. Eu tô misturando as lendas aéreas agora. Acho que o mais dramático ligado À aviação foi o do o da tragédiaes, não? Ah, sim. Uhum. Né? Foi e foi em outubro de 72, sim. O avião ia de Montevidel para Santiago, né, com o time de rugby, né? O time de rugby e os seus familiares. Ele caiu na cordilheira dos Andes. As pessoas ficaram 72 dias lá. Uhum. Até serem encontrados, né? Encontradas. 16 foram 29 mortos, 16 escaparam. Inclusive, teve um filme recente aí, né, que mostra essa essa história. É
bem interessante esse filme. Eh, a Sobrevoar a Cordilheira dos Andes é realmente um desafio até pros aviões atuais. É uma região de muita turbulência, turbulência severa. Eu conheço pilotos de de linha aérea que já passaram várias vezes por lá e assim pegaram turbulências muito fortes, né? Porque claro, é uma região ali de cordileira, onde você tem uma uma turbulência orográfica muito eh pesada, né? Nesse caso era um avião da Força Aérea Uruguai, né? Que tava fazendo esse Transporte e era um avião turboélice antigo, né? 72, né? 72. Então ele acabou entrando numa condição de tempo
ruim, acabou entrando numa condição de extrema turbulência, eh, somada a, ah, perda de visibilidade, desorientação espacial, e ele acabou se chocando ali na no meio da da da cordilheira. Não foram todos os passageiros que morreram ali no momento do impacto, mas o grande problema foi o quão remota era era essa área, né? Porque o avião ele ele ele deslizou para Para um vale e você encontrar naquela imensidão branca, naquela condição onde os aviões de busca e salvamento não conseguem enxergar muita coisa numa época que não tinha os sistemas de localização que tem hoje, né? Então,
encontrar aquele avião acabou sendo meio que um milagre assim, mas só aconteceu também porque dois passageiros resolveram sair à luta, né? Então eles iam todos morrer ali porque ninguém mais encontravam. Eles deram as buscas como Encerradas porque ia ser outro avião que sumiu, né? Até que dois passageiros resolveram falar assim: "Ou a gente vai morrer aqui ou a gente vai morrer tentando". E aí eles saíram e eles conseguiram chegar numa uma um vilarejozinho onde já estavam bem debilitados e onde o cara ali do vilarejo encontrou. E o que que aconteceu? Eles contaram a história. Aí
eles pegaram helicópteros e voltaram para aquela localização e começaram a Fazer os resgates ali. Mas realmente foi porque esses dois passageiros tiveram ali o a coragem de sair no meio dos andes sem equipamento nenhum. Porque você tá dentro de um avião, o que que você tem de equipamento para passar 72 dias? Todo avião que vai fazer um voo sobre uma determinada área tem a os kits de sobrevivência para aquele determinado local. Então, no Brasil existem kits de sobrevivência na água, kit de sobrevivência na selva, porque é a Maioria do nosso do nosso espaço aqui. Aviões
que vão fazer voos sobre o deserto também tem alguma coisa relacionada a deserto. Treinamento de tripulantes pro deserto e neve a mesma coisa. Só que naquela época não era tão bem assim. Era um avião pequeno, sistemas completamente eh muito mais eh precários do que que a gente tem hoje, né? Aviões muito mais precários do que o que a gente tem hoje. Estamos falando de mais De 50 anos atrás, né? Então, realmente, o que salvou a vida dos sobreviventes foram esses dois caras que foram lutes viveram uma experiência dramática. Eles acabaram se alimentando da carne, da
carne dos de algumas pessoas que faleceram no acidente. Eles eles não tinham alternativa porque senão todos iriam morrer, né? É. E no filme é é interessante ver o filme porque no filme retrata muito isso, que foi realmente a Última instância dos sobreviventes. Ninguém queria comer a carne do outro, né? Então, rolou muita discussão. Eh, poxa, não, isso eticamente isso não pode, mas se a gente não fizer, a gente vai morrer porque não tem comida, né? Então, é bem interessante. Eu indico o pessoal assistir esse filme, eu não lembro o nome do filme, eh, Sociedade da
Neve. Isso. Sociedade da Neve. Você sabe que não tive coragem, né? Não tive coragem, Cara. Porque mas a parte essa parte trágica de comer a ele, eles deixam bem foi feito de uma forma muito delicada, foi muito cuidadosa, né? Foi foi muito cuidadosa, não mostram nada, não é assim, porque também envolve algo que é presente na vida deles, porque eles estão vivos. Exato. E os familiares, né? Claro. Então, assim, claro que precisou citar isso no filme, porque acho que essa informação é a que mais ficou conhecida nessa tragédia, né? Mas eles envolvem várias outras coisas
e a acho que a principal mensagem do filme é essa coragem que eles tiveram de se manter vivos durante esse tempo todo. Em um momento ainda que teve avalanche e quando eles estavam com o avião para fora, né, os destroços do avião e usando os destroços para sobreviver, vem avalanche, enterra tudo e foi bem dramático. Eu acho a a a aviação algo fabuloso. Toda vez que eu estou dentro de um avião, é, especialmente avião Grande, viajando com a família, tal, eu olho aquilo, falo: "Cara, que coisa fabulosa que é isso?" E como é que você
bota aí? Você olha ali na frente, eu tenho pena dos tripulantes que tem que dar comida para 200 pessoas. Você fala assim, eles estão trabalhando mais do que qualquer garçom de par no fim de semana em São Paulo, que tem 200 pessoas ali fomeadas que reclamam da comida e ele servem um, serve outro, serve bebida, serve não sei o quê, recolhe não Sei o quê, não sei o quê, não sei o quê. Mas então a a a aviação eh exerce um fascínio muito grande nas pessoas em geral, né? Sim. E tanto é que ainda hoje
você vê as pessoas eh quem nunca teve oportunidade de viajar vai ao aeroporto para ver os aviões, né? Sim, porque são máquinas maravilhosas. É. E a minha ideia criando o aero por trás da aviação foi justamente essa, aproximar as pessoas desse universo. Porque como eu falei lá No começo, as pessoas comuns que não são da aviação, leigas no assunto, elas sempre ligam o termo aviação com aviação comercial. E a aviação, ela tá inserida em praticamente tudo que existe na sociedade. A gente não teria hoje a sociedade que existe se não fossem os aviões, né? Transporte
de carga, inspeção de linha de transmissão para garantir energia elétrica, transporte de órgãos. Eu tô envolvido num projeto muito bacana que chama transplantar, Onde se viabiliza aviões executivos, aviões que ficam muitas vezes ociosos, né, em aeroportos para transportar de maneira gratuita órgãos. A gente até participou recentemente de uma, já foram mais de 30 vidas salvas com esse com esse projeto exclusivamente, porque um empresário que tem o seu avião que ele pode disponibilizar para transportar um coração para salvar uma vida, ele vai disponibilizar e a adesão dos empresários tem sido de 100%. Então, a gente participou
recentemente de uma que foi uma captação de um coração em Presidente Prudente para um um receptor em São Paulo. Então, a gente envolveu um avião executivo e um helicóptero para fazer essa logística toda. De Presidente Prudente para São Paulo de carro dá 6 horas de viagem, 5, 6 horas de viagem. Isso já inviabiliza o aproveitamento do órgão que vai ser transplantado. Exato. O o tempo de vida de um coração fora do corpo é 4 horas. Então, se não tiver avião, aquele receptor não receberia aquele órgão e o órgão daquele doador provavelmente seria descartado. Então, a
aviação, e por isso que eu uso a frase que todo mundo usa e precisa da aviação, mesmo nunca tendo entrado num avião na vida. Eu não conheço nem o receptor e nem o doador. Não sei qual que é o histórico deles, mas e se esses caras nunca voaram de avião na vida? Esse aqui teve a vida dele salva por conta de um avião e de um Helicóptero, né? Isso é um exemplo eh eh visual que eu tô dando, né? Mas existem muitos e muitos serviços que a aviação presta diariamente. Então é realmente um negócio fascinante,
onde voltando ninguém fala das operações que dão certo. Uhum. Como a do Rio Grande do Sul, que foram enviadas centenas de aviões para lá e foi tudo feito com maestria, sem um único incidente, né? Ah, e quando acontece um acidente aéreo, é o que vira Pauta, é o que vira notícia. É, e aí as pessoas, como você falou no começo, poxa, mas não é que tá caindo tanto avião, é porque é tudo muito midiático de fato. É, né? Aquele acidente de uma carreta, de um ônibus que aconteceu em Minas, que matou 42 pessoas agora no
começo do ano, não foi tão midiático quanto o acidente do King Air que caiu aqui em São Paulo e acabou matando duas pessoas. Então o o avião ele traz essa, né, essa curiosidade, mas o meu papel é Mostrar todo esse lado do que a aviação faz e tornar isso cada vez mais fascinante para que as pessoas entendam, respeitam e falam e falem assim: "Sem isso a gente não vive". E de fato o mundo não acontece sem aviação. Eu não sou especialista. Especialista Fernando. Eu não sou especialista, mas gosto da aviação e acredito e confio. É
isso aí. Então eu não tenho nenhuma dúvida. Então aquilo que eu falei no começo, tá caindo muito avião, tá não, tá não. Vocês viram Aqui, né? Tá não. Fernando, com o teu conhecimento, cara, com a sua experiência, nós poderíamos fazer aqui um programa de mais ou menos umas 18:30. Vamos falando, né? Mas e não tá, a gente guarda para um outro dia, muito bem. para uma outro horário pra gente continuar conversando, mas principalmente não não mas principalmente e numa outra vez a gente se encontra novamente para poder aproveitar desse teu conhecimento, a Experiência e a
tua disposição em contar essas coisas e falar das coisas da aviação, que isso sem dúvida é muito importante. Legal. Tô sempre à disposição. Tem muita história para contar. Eu gosto muito de história da aviação também. Tem bastante coisa interessante aí que que aconteceu. Pode me chamar que eu venho mais vezes falar de um assunto que eu sou suspeito, né? Eu adoro, falo disso dia inteiro. Então só tem uma pessoa que gosta mais do que Eu, que é a minha produtora ali, que ela ela é um nível a a mais assim de qualquer aviador que eu
conheço. Que ótimo. Grande abraço para você. Muito obrigado. Grande abraço. Bom trabalho. Muito mais sucesso. Valeu. Obrigado. Igualmente. Está terminando o nosso programa. Curtam, compartilhe e se inscrevam no canal e a gente continua juntos fazendo o Tramonta News. Abraço.