Bom, na faculdade eu levei, nesta com essa, com esse ponto de vista, paralelamente aos trabalhos que fiz com o Roni e tudo mais. E aí tem um outro momento que é um momento muito crítico também, que é quando você termina, quando você sai da faculdade. É essa hora de ingressar no mercado de trabalho e, especialmente, eu estava numa situação que era um beco sem saída, porque tinha feito uma faculdade que eu sabia que não ia exercer, né, como arquiteto, como projetista e tudo mais.
O mundo [Música]. E foi um momento que eu estava morando em São Paulo, fazia cinco anos, e voltei para Sorocaba. Voltei para Sorocaba durante a faculdade.
Continuei fazendo teatro. A Nerd fez bastante coisa. A gente fez "Macumba" no Teatro do Sesi, que juntou toda uma galera do teatro amador.
Tinham, nesse Xavier, que era o diretor do Teatro Sesi Sorocaba, da unidade Sorocaba. Tinha Ademir Feliciano, era muita gente, era um elenco de quase 20 pessoas. Dirigi, fiz a cenografia, os figurinos.
Eu me lembro de mostrar, inclusive, por ser Roni, né, e eu tinha 20, mostrar o seu nono e pedi palpite dele, o que ele achava e tudo mais. A gente fez vários festivais de teatro amador com essa peça pra Ponta Grossa, enfim, vários lugares. Depois, a gente fez uma adaptação de contos de Edgar Allan Poe com esse mesmo grupo.
Quando terminei a faculdade, eu voltei para Sorocaba porque a gente estava preparando uma, conheço mesmo grupo, preparando uma ou de vídeo do jogo, que foi do chamado "Panaca". E aí aconteceu uma coisa muito curiosa, muito interessante, que eu não esperava que isso ia virar pra esse lado. Mas eu conheci uma.
. . a minha mãe tinha sido aluna do professor Tortello na faculdade, e eu conheci a filha dele, a Elza Tortello, e uma figura incrível, assim.
Ela tinha uma paixão pelo teatro também, pelas artes em geral, mas pelo teatro. E um dia ela falou assim: "Olha, eu estou muito atarefada na escola, eu dou aula que era a OZZI (Organização Sorocabana de Ensino) e você não quer assumir toda a parte de teatro? E eu fico só com a parte de educação artística, artes plásticas, que já era muita coisa.
" Eu falei: "Elza, mas eu nunca dei aula de teatro! Nelson, arquiteto recém-formado, que não quer ser arquiteto é. " E meu conhecimento de teatro, ele é basicamente empírico e autodidata.
Não era um autodidata em teatro, tirando o curso que tinha feito com o Serrano, em cenografia e figurinos. Eu era um autodidata. Ela falou: "Não, vamos lá, você vai, você vai tirar de letra, você vai gostar e tudo mais.
" E aí eu comecei a dar aula de teatro na OZZI. Eu tinha, nessa época, 22 anos e eu assumi todas essas turmas de teatro, da 4ª série do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio. Foi muito bom, foi muito bom!
Eu aprendi demais nessa época. Eu fiquei dois anos dando aulas nesta escola. Eu montei inúmeras peças com esses alunos, tanto com as crianças quanto com os adolescentes.
Eu fiz coisas que os alunos jamais teriam e que a escola mesmo jamais teria coragem de fazer. A gente montou "Gato" de Federico García Lorca com os alunos do terceiro colegial, a gente fez "A Casa de Bernarda Alba" num palco que foi improvisado dentro da quadra e a gente cobriu o palco improvisado com terra. O diretor da escola com certeza me achava um doido, né, o ator Fonseca.
Mas foi muito bom, porque eu aprendi com os alunos o que era uma aula de teatro. E voltei para São Paulo depois desses dois anos. Migrei de volta para São Paulo, muito, muito, muito, muito influenciado pela Fernanda Maia, que a Fernanda veio fazer alguns cursos em São Paulo com o Grupo Tapa e com Renato Borba.
Ela falou: "Você precisa voltar para São Paulo, você precisa, alguma coisa vai acontecer se a gente for para São Paulo. " Eu falei: "Fernanda, mas olha aqui, eu estou engajado, envolvido. Quiné?
A gente já tinha feito uma outra peça no ar depois do Panaca, que era uma adaptação de uma peça, do jantar de uma peça por outra. A gente também fez vários festivais com essa peça e parecia que estava tudo ok ficar em Sorocaba da forma que eu estava. " E a Fernanda insistiu.
Ela falou: "Não, vamos, vamos, vamos! Eu tô, você precisa conhecer o Renato Borba, o relatório precisa se conhecer. " E no processo do curso do Renato Borba, que a Fernanda estava fazendo, teve uma apresentação.
Eles estavam apresentando "Hamlet" e eu acabei conhecendo Renato. E o Renato falou assim: "Por que não venha aqui cuidar um pouco do espaço? A Fernanda falou que você aqui é, tu que você estudou com Serrone, dá um jeito aqui no espaço da apresentação final do curso.
" Foi quando conheci o Borg e a gente se dá super bem. Então eu acabei fazendo isso e isso alavancou um pouco a minha volta para São Paulo. E aí eu vim pra cá de novo.
Eu tinha feito uma matéria na USP, junto com a Fernanda, que era teatro inglês no pós-guerra. Fiz essa matéria como aluno especial. Eu não era nem aluno especial, eu era ouvinte da professora Regina Alfar, na Letras.
E aí eu falei: "Tá, então eu vou voltar para São Paulo, mas eu vou voltar a estudar. " Contatei o professor Clóvis Garcia e ele me aceitou como aluno especial, na época, na Escola de Comunicação e Artes. No semestre, fiz uma matéria com ele, como aluno especial.
No semestre seguinte, eu já fiz a prova e já entrei no mestrado em Artes Cênicas, né? Então eu voltei porque daí eu ia estudar de volta de novo e comecei a tentar me encaixar neste cenário novo. E aí com sendo.
. . Aluno do mestrado, comecei a conhecer algumas pessoas, e a Mônica Grando, que é sorocabana e que fez teatro lá, qual é de 6 no Sesi, fez muitas coisas interessantes.
Eu tenho uma montagem dela, que ela fez, uma ideia que a Mel dirigiu, que é inesquecível para mim, ficou gravada na minha memória, me marcou muito. A Mônica Grando tinha feito Artes Cênicas na Unicamp, e ela falou assim: "Olha, por que você não leva o seu currículo para uma escola onde eu estou dando aula? Quem sabe você começa a dar aula também?
" E assim foi. Eu comecei a dar aula de teatro numa escola técnica profissionalizante chamada Recriarte e comecei a conhecer várias outras pessoas. E, durante o mestrado, estava na Recriarte, fazendo coisas com esse grupo que era oriundo do curso do Enoblog.
E, como fim nessa junção de pessoas, vamos dizer assim, a gente teve a ideia de se inscrever no edital para fazer uma peça, para fazer uma montagem de uma peça de Shakespeare, que era "A Comédia dos Erros". Era uma peça que tinha encenado na Ozzy com os alunos, e a gente ganhou esse edital; era o edital estadual, chamava Limpa, não existe mais. Eu me lembro até hoje que era um valor superior, mas a gente foi o primeiro dinheiro público de um edital e a gente se sentiu muito feliz, muito importante.
Essa peça rendeu durante três anos inteiros; a gente fez mais de uma centena de apresentações. A gente rodou o país com essa peça, que se passava numa carroça, e que eu projetei, desenhei a carroça muito, muito fortemente inspirado por uma obra, por um filme do ator escola chamado "A Viagem do Capitão Tornado". Era uma carroça de Comédia del'arte.
A gente encenou "A Comédia dos Erros" como se fosse um espetáculo de Comédia del'arte no século 16. E, por incrível que pareça, a gente precisava dessa carroça, um veículo. Ela tinha placa, pagava o IPVA, tinha que ter luz de ré, luz de freio, pisca-pisca certo, tudo.
E a gente precisava de um veículo para puxar a carroça, porque era muito pesada, um trailer praticamente. Eu me lembro que, na época, o meu pai, que nunca foi um grande entusiasta de que eu tivesse sido o que eu sou, ele queria que eu fosse médico, engenheiro ou advogado, nas três profissões bem básicas. O meu pai, nessa época, era muito bonitinho, assim, muito já engajado em tudo que estava acontecendo.
Ele trocou o carro dele, né? Então, ele vendeu o carro que ele tinha e, com o dinheiro, comprou uma caminhonete para que eu, quando precisasse, pudesse emprestar a caminhonete para puxar essa carroça. E "A Comédia dos Erros" foi, pessoalmente, considero que foi a minha entrada no teatro profissional.
A gente se apresentou em lugares como a Praça do Relógio na USP, na Vila dos Velhinhos em Sorocaba, no Hospital do Câncer Infantil em Sorocaba, em Florianópolis, na frente da Catedral Municipal, e em uma comunidade paupérrima na periferia do Recife, com animais circulando. Eu me lembro de sair de cena e, no mesmo dia, de me deparar com um porco imenso, né? Foi uma experiência extraordinária.
Eu dirigi de São Paulo até Campina Grande, imagina, dirigindo com essa caminhonete, puxando a Fernanda. Trabalhei nessa peça, a Fernanda fez a música da peça, também era atriz da peça. Eram dez pessoas, um elenco de dez pessoas, e a gente fez essa peça.
A gente ficou em cartaz em São Paulo na Funarte, foi uma longa temporada, atingiu mais de seis meses. A peça ganhou vários prêmios, enfim, foi muito importante, assim. E esse processo de "A Comédia dos Erros" não só porque a gente foi fomentado de certa forma por um edital público, então a gente minimamente pôde receber para fazer esse espetáculo, como pela repercussão que ele teve do ponto de vista de festivais, né?
Da própria penetração que ele teve junto à classe teatral, porque as pessoas da classe teatral começaram a ir assistir e falar: "Olha, tem esse pessoal que está fazendo alguma coisa. " Então eu considero que eu comecei no teatro profissional foi aí, foi com "A Comédia dos Erros". E agora começa um caminho enorme que não sei se eu vou lembrar, que é esse caminho do teatro profissional propriamente dito, que começa em 92 e que vem até hoje.
Então, são 27 anos. É uma coisa que eu acho que é interessante desses 27 anos é que, desde que eu comecei a dar aula, anos depois aqui em São Paulo na Recreativa, assim, não era uma disciplina de atividades teatrais, era uma disciplina que não era facultativa para 4ª e 5ª séries do ensino fundamental, e que passava a ser optativa a partir daí até o 3º ano do ensino médio. Tinha, tinha, tinha, botinha, obviamente que à medida que ia chegando perto do vestibular, diminuía um pouco esse número de alunos, mas mesmo assim, sempre tinha um corpo que a gente conseguia fazer coisas.
Já é interessante ver algumas pessoas que seguiram. Por exemplo, tive uma aluna, não sei se você conhece, a Nosi Anei Adade. A Nosi Adade, verdade, desde a mulher, diga isso, o americano.
E hoje está no Sul, e tiro em Curitiba. Eu me lembro, na verdade, ela era uma aluna, a Nosi, brilhante, brilhante. A gente fez duas peças; peguei anos que na 7ª série e depois na 8ª série, ou na oitava, no primeiro colegial, uma coisa assim.
Então é muito interessante. Ver que tem algumas pessoas que já têm é esse ele, isso. Mas, a partir do momento que comecei a dar aula, na hora, depois vim pra cá e comecei a dar aula.
Recriarte uma coisa interessante é que eu nunca parei de dar aula; eu dei aula na Recriarte durante muitos anos. Daí, da Recriarte, passei para o Macunaíma, que é uma outra escola de formação profissionalizante de nível técnico. Aqui, fiquei vários anos.
O Macunaíma teve um curto período que dei aula como professor convidado na Unicamp de caracterização e, depois do Macunaíma, passei a dar aula no Estúdio Wulff Maia, na Escola do Wolf Maya, é onde estou até hoje. Agora faço parte do corpo de professores da escola, mas estou afastado por compromissos profissionais. Tenho ido à aula regularmente lá no Núcleo Experimental, que a companhia, o que eu e a Fernanda acabamos formando aqui em São Paulo, que desde sete anos atrás temos um teatro próprio.
Nesse teatro, temos cursos regulares de aperfeiçoamento para atores.