Afinal, o homem hétero só pensa em mulher >> quando ele tá feliz? Sim. >> Por que que você diz que as feministas odeiam os homens héteros?
>> Porque elas sempre contraram homens ruins. >> Esse homem hétero vai ser uma relíquia daqui a pouco. >> E as mulheres vão se matar por essa raridade.
>> É duro ser um homem hétero hoje em dia, Pondé. >> Só para os frouxos. >> Oi, Pondé.
Oi, Taís. >> Pondé, vai ser mais difícil responder essa pergunta sobre o que querem os homens do que foi responder sobre o que querem as mulheres? >> Possivelmente sim.
Mas antes eu queria dizer que provavelmente essa audiência que pediu esse programa foi de mulheres. [risadas] Afinal de contas, o que querem os homens, né? >> Ah, porque eles já sabem por acaso >> não, porque provavelmente os caras não iam nem pensar nisso.
Se perguntar o que eu quero saber o que que os homens querem. uma cerveja, por favor. >> Normalmente os homens querem saber o que as mulheres querem, né?
Mas tudo bem. Então, Thaís, eh, falando sério, acho que em certa medida sim, porque primeiro tem pouco material sobre isso. Eu digo material, a a digamos assim, a produção cultural, a discussão.
Normalmente a a imagem que se apresenta do homem é ou quando é uma imagem assim mais relaxada, é que que o homem hétero quer? Uma mulher e uma cerveja. E que ela venha pelada?
né? Isso no sentido mais relaxado, no sentido mais crítico, é o homem hétero, representado como idiota, bobo, babaca, estuprador, machista, ou seja, todo aquele universo que constituiu uma espécie de vilão. E os homens normalmente não falam muito sobre essas coisas.
>> E por que você falou que o homem, o homem hétero é visto como bobo, babaca e opressor. De onde veio essa imagem? Por que que o homem hétero virou essa espécie de vilão moderno?
>> Acho que muito pelo trabalho das feministas, né? Você acaba tendo ah todo esse debate na academia, por exemplo, ele é normalmente os homens héteros estão normalmente distante da produção desse repertório, certo? essa discussão sobre homens e mulheres ou patriarcalismo ou não sei o quê.
Normalmente quem produz essa discussão são pesquisadores ou pesquisadoras que não são homens héteros na sua maioria. >> Será que é por isso, Pondé? Quando eu fui me preparar para esse programa, eu procurei algumas pesquisas sobre o que desejam os homens, o que querem os homens, onde é que os homens estavam e do ponto de vista da academia.
E sabe o que eu encontrei? um monte de pesquisas sobre o que querem as mulheres. [risadas] É, o homem hétero, não é mais categoria de estudo, parece, né?
Eu acho que a rigor o homem enquanto gênero, como se fala, nunca foi exatamente uma categoria de estudo. E acho que aí já começa, digamos, uma diferenciação em termos de objeto, né, de pesquisa, eu quero dizer, talvez, inclusive por conta de que o homem sempre, a palavra homem sempre representou de alguma forma espécie, não só gênero, que é uma das grandes grandes críticas que as feministas fazem. Eh, então o homem sempre se pensou mais como representante da humanidade, então a história da humanidade, talvez, inclusive porque tomava isso como óbvio, né?
E então eu não acredito que o homem gênero tenha sido eh eleito como objeto de estudo tanto quanto as mulheres que quando começaram a se pensar ou pensar sobre si mesmas, já começaram a se pensar como apartadas da humanidade como um todo, como se fosse não o homem que representa a humanidade toda. Então tem um monte de trabalho sobre mulheres, inclusive porque esse trabalho tá envolvido com a ideia de emancipação feminina, mudança de papel e muitos deles inclusive reputando ao homem a culpa de tudo que existe na humanidade. >> Isso me lembra quando é o Terry Dillian, que foi integr Python, né, aquele grupo maravilhoso que infelizmente não existe mais.
Ele falou recentemente que ele, brincando, evidentemente, que ele gostaria de ser identificado a partir de agora como negra e lésbica, porque na qualidade de homem branco ele tava muito cheio de ser exatamente o que você falou, responsabilizado por tudo que acontece de mal no mundo. Você acha que ele exagerou? >> Não, acho que ele foi performático no comentário dele, né?
Performático, aliás, como Monte Python sempre foi, né? O grupo Mentos e Python sempre foi, porque primeiro, acho que tem dois níveis nisso que ele fala. O primeiro é esse nível, quer dizer, eu quero ser agora identificado como uma mulher negra lésbica.
Ele quer dizer assim, então como mulher melhor do que como homem e lésbica e negbica, porque ele gostava de mulheres, então ele dizia que não podia ser outra coisa que não lésbica. >> Então, mas negra porque é melhor do que a branca. Aí entra o debate do lugar de fala eterno, né, na teoria da interseccionalidade.
Então, uma mulher tem lugar de fala mais do que um homem. Uma mulher negra tem mais lugar de fala do que uma mulher branca. Uma mulher negra lésbica tem mais lugar de fala do que uma mulher negra hétero.
Então você vai fazendo todo esses cálculos. Então, acho que tem essa a primeira coisa e depois tem uma outra camada no comentário que ele faz, que é essa ideia de que a pessoa se autodefine como quiser. Então, amanhã eu posso decidir que eu sou japonês, amanhã você pode decidir que é chinesa, certo?
Ou você pode decidir que não, a partir de amanhã eu me considero negra, índia, certo? Então, e que é também parte desse debate. Quer dizer, se uma pessoa amanhã disser que ela é um ET, então ela vai ter que ser tratada como ET.
>> Então, Pondé, vamos voltar aos nossos homens e os seus desejos. Vamos ver o que que eles disseram sobre o que os homens querem. Afinal, >> o mais importante na mulher não seria o corpo, não seria o jeito dela, o gênio, o modo de ser dela.
>> A princípio, pro homem é você é o visual, né? Então você vê, você se agrada e tal, mas assim, e isso para um relacionamento de curto prazo. Eu acredito que para relacionamento mais a longo prazo é o companheirismo, é o carinho, é a atenção.
>> A pessoa tem que ter afinidade, você tem que achar ela agradável do ponto de vista corporal. Não precisa ser um modelo, mas ela tem que de alguma forma te atrair, né? >> É a parceria, é o respeito, entendeu?
uma pessoa que me motive, que me ponha para cima, que me trate com respeito e que seja uma pessoa de preferência que inteligente seria a beleza e também o carisma, também a sinceridade, >> a conexão que ela tem com o homem, a parceria. Por quê? É, corpo você pode encontrar fácil, porém o caráter é para poucas.
parceria e a personalidade dela. Acho que beleza e os outros atributos sempre vão contar, mas acho que personalidade e a parceria com o homem é fundamental. >> Uma mulher inteligente, que converse legal, que troque ideia.
>> Acho que no começo, quando você conhece a aparência, essas coisas são relevantes, mas com o tempo eu acho que a parceria, a convivência, >> é, eu acho que eles sintetizaram bem, né? Sintetizaram bem. Eh, primeiro essa coisa da aparência física que normalmente é reputado aos homens e que é absolutamente verdadeiro, certo?
Dos homens ser atraído pela pela imagem física, né, pela beleza física, o que inclusive causa muito problema com o passar do tempo, porque acaba fazendo com que muitos homens fiquem fixados em mulheres mais jovens, justamente por conta da beleza física da mulher mais jovem. Agora, uma coisa que foi falado, acho que tem tudo a ver, é essa questão de que depende do depende do grau de investimento que você tá pensando na relação. Claro, como bem diz um deles, um dos entrevistados, é, ah, como é, se é um relacionamento de curto prazo, [risadas] se você tá querendo ali só um momento de diversão, você e ela, é provável que o investimento seja menor.
Quando o homem começa a se a se pensar ou a pensar nele num relacionamento que pode ser mais longo, é provável que o homem de fato vá para questões como ah, parceria, clicidade. Aí se aproxima muito de fala de muitas mulheres, né? Parceria, cumlicidade, confiança, né?
A confiança eh, no caso do do dos homens héteros ao longo da pré-história, inclusive, tem sido uma questão muito grande, porque para você ter filhos como a mulher, você tem que confiar que os filhos são seus, né? >> Você nunca sabe. >> Essa palavra parceria foi repetida em muitos dos depoimentos, né?
O que que é? Porque parceria tem quase uma conotação comercial assim de sociedade. É mais ou menos uma sociedade ou é parceria no sentido da lealdade?
Eu acho que as pessoas quando falam parceria, ah, eu acho que elas querem dizer mais essa coisa da lealdade, apesar de que a palavra nos leva ao universo da parceria comercial. É uma sociedade, o casamento, se não fosse, não tinha contrato, né? E mesmo que você não assine o contrato, o contrato decanta do tempo e do espaço, né?
Então é uma forma de acordo. Portanto, tem ali um vínculo comercial em jogo, principalmente quando começa a dar pau, aí o vínculo comercial começa a aparecer com mais força, né? Enquanto não.
Agora, uma outra coisa que um dos entrevistados fala que eu acho interessante é a referência à inteligência, né? Que aí eu acho que depende muito de caso a caso. Ah, inclusive talvez muitos homens eh fiquem até assustados se a mulher demonstrar muita inteligência.
Agora, muitos homens falam isso porque hoje é bonito dizer, mas é muito possível que muitos homens tenham medo que a mulher ganhe mais do que ele, que a mulher demonstre mais inteligência do que ele, que ele se sinta de alguma forma acuado pela inteligência explícita da mulher no âmbito do trabalho e tal. Então, acho que esse terreno é um terreno, tá? Isso que eu quero dizer é o seguinte, acho que a fala tá indo na frente do que de fato acontece.
Quando homens falam: "Eu quero uma mulher inteligente, eu quero uma mulher inteligente, eu quero uma mulher inteligente". A maior parte tá falando pra torcida. Porque se a mulher demonstrar de fato uma inteligência maior, uma capacidade maior, acho que mesmo a molecada fica com rabo entre as pernas ainda.
Ainda é uma questão. >> Pondé, você sabe o que é um heterodonte? dica não tem a ver com a anatomia animal.
[risadas] >> Heterodonte. Então, hetterodonte você pode imaginar que talvez tenha um campo semântico variado, né? Porque héterodonte a ideia de um de um hétero que na realidade é pré-histórico.
Então tá ali perto dos que eram tiranossauro, Rex, >> parente deles. É >> parente é a ideia do hétero que é radical, tipo hétero que que não aceita mulher trans, por exemplo. >> É o contrário de heterolite, >> é o hetterolite é aquele hétero que já dialoga com transgressões de gêno e hetterodonte não, ele é, digamos, conservador no foco.
A ideia de que os homens falam menos palavras do que as mulheres ainda é um pouco de controversa, um pouco discutível, mas é fato que os homens falam menos sobre emoções e sentimentos do que as mulheres falam, né? Isso é ruim para os homens o fato de eles falarem menos sobre as suas emoções e sentimentos ou é pior para quem tá do lado deles? Hoje em dia, a Thaí, talvez por conta do império absoluto das mulheres em na maior parte do debate que transita por comportamento, né?
Eu tenho a impressão que pode vir a se transformar numa questão, mas por pressão, né? no sentido de que o homem vai sendo pressionado a achar que se ele não fala das suas emoções, então tem algum problema com ele. Ou ele deve ser mais perigoso, ou ele é menos confiável, o que nunca foi necessariamente.
>> Mas as mulheres acham que os homens que não falam não falam porque tem problemas, que o normal é falar. >> Então eu não sei se as mulheres sempre acharam isso. >> Hum.
Hum. >> Certo? Porque se isso sempre foi assim durante muito tempo, eu acho que isso de entender a tem inclusive um livro chamado Cultura da Terapia de um sociólogo húngaro inglês que ele trata desse assunto.
Quer dizer, isso em no começo dos anos 2000, ele fala, quer dizer, a a partir da época, então começo dos anos 2000, é melhor que os homens comecem a treinar palavras como angústia, ansiedade, eh aconselhamento psicológico, palavras como isso me deixa desconfortável, né? incomodado. Quer dizer, que são palavras que ah estariam longe do vocabulário masculino e que na medida em que as mulheres vão tomando o espaço público nesse assunto, vai fazendo com que pareça que se o cara não fala isso, ele tem problema, tem alguma coisa errada, ele é um seral killer, entendeu?
Eu acho que isso é uma uma questão e uma demanda criada a partir do momento que o discurso público se tornou feminino nesse assunto. Agora, é claro que tem homens que falam mais de questões pessoais do que outros, como tem mulheres que são mais altas do que homens, a maioria é mais baixa, entendeu? Não acho que é universal e absoluto.
>> Ele fala lá que o homem só conhece os sentimentos da raiva, alegria e prazer. E teria que aprender a vocalizar sentimentos como tristeza, angústia, ansiedade. >> Se você tem um grande amigo seu que tá sofrendo porque a namorada deu um pé na bunda dele ou a mulher deu um pé na bunda dele, certo?
Você sabe que ele está sofrendo e você sairia para beber com ele, por exemplo, ele incharia a cara e você levaria ele até em casa e jogaria ele na cama para ele dormir ou jogava ele dentro embaixo do chuveiro, certo? Porque ele tava meio bêbado, certo? Ou você ah levava o seu amigo, arrumava umas meninas para vocês se encontrarem.
Isso daí acabou sendo desqualificado como cuidado. O cuidado é compreendido agora só dentro da chave da exposição da vulnerabilidade. Isso que eu chamava de marco feminino do da relação com o problema.
Porque o fato dos homens entre seus melhores amigos a não falar do que eles estão sofrendo não significa a priori que os caras não se cuidem entre eles, >> mas se cuidam ao seu modo, >> se cuidam de outro jeito, sabem muito bem quando o amigo tá mal, certo? Então essa é a típica falha que eu me referia antes, é você assumir que a priori só existe uma linguagem que seja uma linguagem que passe pela exposição da vulnerabilidade. Com isso, eu não quero dizer que fazer análise não seja bom.
Com isso, eu não quero dizer que não possa ajudar a muitos homens se eles falarem do que eles sentem. Com isso, eu quero dizer que não é só essa forma dos homens se cuidarem entre amigos. E veja, a humanidade é muito velha.
Alguém acha que os amigos homens nunca se cuidaram, nunca foram atenciosos com seus melhores amigos? Claro que são. Tanto é que todo mundo fala da famosa fidelidade masculina.
Tem esse grupo de homens que para não ser mais chamado de tóxicos, eles resolveram então abandonar as mulheres ou deixar as mulheres de lado, ou melhor abandonar o papel clássico de pai, provedor e e enfim marido, não é? Esses homens eles se autodenominam ms e eles foram inspirados por aquela escritora que a gente já falou aqui, a Smith, né, que escreveu Man on strike, homens em greve. Então, esses migals, eles acham que as mulheres basicamente não são confiáveis e que se eles casarem e pior se separarem, eles vão levar pior e vão ficar a vida inteira, por exemplo, pagando pensão.
Então, eles não querem mais casar e tampouco eles querem ter filhos. Você acha, Pondé, que esse esse grupo que se recusa a cumprir esse papel social e ancestral de pai, provedor e marido, pode crescer ou é também uma bolha simplesmente? >> Olha, eu ainda acho que pode ser uma bolha, né?
Agora eu entendo que esse grupo, ah, os bigs, eu acho que men go in their own way, né, que é o o curto, né? Eh, para essa expressão os homens que seguem seu próprio caminho. Eh, acho que é uma reação típica a muito desse discurso que a gente ouve herdado do feminismo.
Por isso que eu acho que os mictaus eles são uma produção do excesso do feminismo. Eu acho um movimento que tem um certo caráter de ressentimento, tem um certo caráter de ah um certo medo e receio de como lidar com a mulher e muitas vezes nos movimentos em que as mulheres fazem socialmente. Mas o discurso deles é de que a posição masculina que investe na mulher hoje é uma posição que os exaure.
Essa questão da lei, das leis, por exemplo, é um tema que a Helen trata, né, de que você tem um conjunto de leis, uma série de jurisprudências que foram se articulando e cada vez mais acuando o homem do ponto de vista jurídico. E isso é bem importante para ela, é bem importante essa coisa, porque muitos homens jovens que eram casados, tiveram filhos e se separaram e sofrem muito, inclusive com relação aos filhos. uma uma ideia comum de migal que já tem casado e filho, é coisas do tipo, olha, eh, se eu não se se não se eu não me submeter a minha ex-mulher, nunca mais vejo meu filho.
Ou, como muitos homens sempre fizeram, separou da mulher, esquece dos filhos do primeiro casamento e investe nos filhos do segundo casamento. Porque a única forma dele não ter que ficar colado e obedecendo a ex-mulher o tempo inteiro é se ele desencanasse, dá dinheiro, mas desencana. Porque afetivamente, se ele ficasse ligado afetivamente os filhos do primeiro casamento, ele ia ficar submetido à autoridade da ex-mulher.
Quer dizer, é como se a situação que o homem se sente submetido ao discurso de que o homem é mal e abandona a família e não sei o quê, ele prefere simplesmente abandonar os filhos. O que é uma situação que hoje eu tenho a impressão que isso tá sendo resolvido da seguinte forma: não vamos ter filhos. >> Aos homens só é permitido admirar a inteligência das mulheres.
>> Não, acho que os homens continuam admirando a beleza física das mulheres e o farão até enquanto eles forem homens heterossexuais, né? Agora existe um outro nível que todo homem sempre soube que uma coisa é quando você tá falando entre homens. Mulheres também sabem disso.
É que hoje se mente muito sobre essas coisas, mas quando você tá entre homens, você falam determinadas coisas. Quando você tá diante de mulheres, você fala de outro jeito e fala outras coisas. tanto por conta de uma questão de educação doméstica, que eu acho que falta muito hoje em dia, muita educação doméstica que fica se tentando substituir por pautas políticas de comportamento, certo?
Como todo homem sempre soube que quando tinha mulher perto e se ele tivesse interessado em alguma mulher, é evidente que ele ia usar um vocabulário diferente. Ele não ia virar e dizer: "Não, porque eu, para mim, mulher tem que ser gostosa. " Qual jogo a mulher contemporânea tá escondendo dos homens?
>> Bom, bem, eu não acho que é propriamente esconder um jogo. A mulher contemporânea não deve est escondendo um jogo, mas eu acho que ela tá jogando errado às vezes, sabe? Por exemplo, quando ela condena todo e qualquer comportamento masculino e chama esse comportamento de tóxico, de violento, de agressivo, de retrógrado, né?
Quando ela rotula tudo assim, ela tá de alguma forma condenando também ou desperdiçando algumas qualidades, algumas virtudes do homem. E daí eu concordo com o colega que foi entrevistado aqui quando ele fala, por exemplo, da virtude da coragem, da força física, da virilidade. Essas são qualidades que as mulheres sempre gostaram nos homens, né?
Qualidades que sempre encantaram as mulheres nos homens e que pode ir embora junto com todo esse pacote, mais ou menos como jogar a criança junto com a água da banheira, né? Você acha que o feminismo de alguma forma pode ser também a libertação do homem? >> Olha, Thaís, eu acho que uma das provas, quem poderia dizer isso para você melhor, é um big, né?
Dizer que o feminismo produz uma libertação do homem porque fez muitos homens perceber que eles não deviam investir em mulheres. É, não é o tipo de libertação que as feministas imaginaram, mas eles se consideram emancipados. É claro que eu acho que eles são super ressentidos.
Mas eu acredito que o feminismo também evoluiu para um enorme ressentimento na discussão sobre homens e mulheres. Então, eu não acredito que o homem precisa do feminismo para se emancipar. Eu acho que o processo de transformação social que a gente vive nas últimas décadas, ele é um processo orgânico e o feminismo faz parte dele.
Então, é claro que também influencia o comportamento masculino. É óbvio. O que o homem quer, na verdade, você acha que é uma dama na sociedade, uma na cama?
>> Com toda a certeza, Pondé. E de preferência que saiba cozinhar e fazer massagem. Não é quem não quer.
[risadas] >> Muito bem. É isso aí, >> Pondé. Mas então, afinal, o que são essas tais novas masculinidades?
Essas novas masculinidades são um conceito cunhado no âmbito do debate identitário, das identidades, da ideia que masculinidade, assim como feminilidade, são conceitos socialmente construídos, sem nenhuma plataforma biológica determinante a priori, né? e que portanto você pode ter uma transformação, como alguns gostam de falar, evolução. Eu não acho que o mundo tá evoluindo, não porque o passado era melhor, porque eu acho que o mundo não vai para lugar nenhum, mas quando se fala em novas masculinidades, se pensa numa nova construção social da identidade masculina.
Ninguém sabe, mesmo que as coisas tenham construção social, ninguém sabe como a construção é feita. Essa é a grande falha da teoria. Eu posso supor que há que existem elementos que são construídos socialmente no bojo da história, mas isso não implica que eu sei o processo da construção, certo?
É esse pressuposto falso que alimenta toda a engenharia social em cima das questões de gênero e outras também. Eu acho que na realidade nova masculinidade é muito mais ah o sentido consistente são meninos jovens perdidos, confusos, porque não sabem lidar com mulheres, têm vergonha do que eles sentem. Ah.
Ah. e desaguam um pouco nessa imagem do do MIGTA que fica ressentido, que tem raiva da mulher, que acha que não vale a pena, que não quer investir. Eu acho que as novas masculinidades, na verdade, são meninos perdidos, mas que se empacota para presente, fazendo com que alguns caras por aí queiram provar que eles podem usar um seio artificial e dar de mamá pro filho.
Tem coisa mais ridícula do que essa. Mas no mundo ideal dos ideólogos da nova masculinidade, como que é esse novo homem? Descreve em termos práticos, >> fala dos seus sentimentos.
Ah, sabe cuidar de uma criança tanto quanto a mulher. Então, a nova masculinidade é alguém a um cara que exige que a mulher ganhe tanto quanto ele ou que a mulher o sustente e que não teria vergonha disso, não se sentiria humilhado por isso. É o homem que fala dos seus sentimentos o tempo inteiro.
Eh, a ideia de um homem que tem um vocabulário subjetivo e vulnerável. Eu acho que esse é o centro da nova masculinidade proposta por aqueles que acreditam que ela seria uma evolução.