[Música] Vamos abrir, irmãos queridos, a palavra de Deus na carta de Paulo aos Efésios, Capítulo 6, e ouçamos a leitura do verso 5 até o verso 8, onde nós basearemos a exposição da Escritura nessa noite. Efésios, Capítulo 6, de 5 a 8, dando continuidade à nossa série de exposições dessa carta. [Música] Quanto a vós, outros servos, obedecei a vosso Senhor segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo; não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus, servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre.
Até aqui a leitura da palavra de Deus. Essa é a palavra do apóstolo Paulo, é dirigida aos escravos que havia naquela época. Hoje, nós vivemos numa época em que, pela graça de Deus, não há, legalmente, sistema de escravidão, e essa é uma conquista pela qual nós rendemos graças ao nosso Deus.
Mas, na época do apóstolo Paulo, havia cerca de 60 milhões de escravos no império romano. Era uma situação de muita dificuldade para aqueles que eram escravos. Os escravos eram oriundos das guerras, eram oriundos de leis de alguns daqueles países que permitiam que a pessoa se vendesse como pagamento de dívidas.
Havia diversas outras situações; havia pais que vendiam os filhos por conta de pagamento de dívida, vendiam como escravos. A escravidão era generalizada no Império Romano. Os escravos eram considerados ferramentas de trabalho, pouco mais do que humanos.
Aristóteles, grande filósofo grego, escreveu em seus livros que o escravo é uma ferramenta viva e, ao descrever os instrumentos agrícolas, Aristóteles os classificou em três níveis: havia os instrumentos inanimados, que eram as ferramentas usadas na agricultura, como arado, inchada e pá; havia os instrumentos inarte, que eram os animais, como bois, por exemplo, que puxavam o arado; e havia as ferramentas articuladas, que eram os escravos. Esse era o conceito do escravo naquela época. O patrão tinha direito de vida e morte sobre os escravos e há relatos de atrocidades terríveis, como, por exemplo, um escravo com o olho vazado; o patrão mandava arrancar os dentes do escravo como punição.
Há registro de que um dos imperadores romanos mandou crucificar um de seus escravos porque ele inadvertidamente matou a codorna favorita do imperador. Os escravos fujões eram marcados a ferro na testa e podiam ser executados e mortos a qualquer momento pelo seu patrão. Havia exceções, mas geralmente o tratamento dado ao escravo era brutal e desumano.
Foram os escravos, em grande parte, que constituíram as primeiras populações cristãs da igreja no século primeiro. Quando o evangelho começou a ser anunciado, a quantidade de escravos que se tornou cristã é muito grande. O apóstolo Paulo se refere a mencionar escravos na cidade de Corinto, na cidade de Roma, em Éfeso, em Colossos e em Creta.
O apóstolo Pedro, escrevendo aos cristãos da dispersão do ponto Galáxia, Capadócia, Ásia, etc. , se dirige aos escravos que havia entre eles. A população da Igreja Cristã, no seu início, era composta em grande parte de escravos.
Hoje, se a Igreja Cristã goza de um período de destaque e de prestígio intelectual, financeiro, da nobreza e da realeza, como já aconteceu na história, isso é algo que ocorreu durante os seus dois mil anos de história. Porque, na sua origem, a Igreja era composta de escravos, pequenos comerciantes, órfãos, viúvas, agricultores, trabalhadores em geral, e é a eles que o apóstolo Paulo escreve aqui nesta carta, como eles deveriam se comportar agora com relação aos seus senhores. Qual deveria ser a atitude deles?
Essa era uma preocupação daquele escravo que se tornou cristão: "O que o cristianismo vai mudar o meu status? O que ele vai mudar nas minhas relações de trabalho? Como é que eu, agora que creio em Jesus Cristo, devo viver debaixo desse regime?
" No texto que nós lemos, Efésios 6, de 5 a 8, o nosso apóstolo dá orientações detalhadas sobre os deveres daqueles que serviam como escravos. É preciso, mais uma vez, lembrarmos, irmãos, que essas orientações estão dentro do contexto do Capítulo 5, verso 18, onde o apóstolo Paulo diz: "Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito". Após dar essa ordem para que nós sejamos cheios do Espírito Santo, ele nos explica de que maneira isso vai acontecer, essa plenitude do Espírito, como é que ela chega.
Isso está detalhado nos versos seguintes, versos 19: "Falando entre vós com salmos e hinos, louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais"; o verso 20: "Dando graças a Deus por tudo, em nome do nosso Senhor Jesus Cristo"; e o verso 21: "Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo". E a partir desse verso 21, ele expõe em detalhes o que é que essa sujeição significa. Ela é essencial para que nós sejamos cheios do Espírito Santo.
Então, a sequência é essa: "enchei-vos do Espírito Santo, como se sujeitando uns aos outros". E o que essa sujeição significa, na prática? Aí ele explica, no verso 22: "às mulheres, aos seus maridos"; no verso 25: "os maridos amando a sua esposa"; no Capítulo 6, verso primeiro: "os filhos obedecendo a seus pais"; no Capítulo 6, verso 4: "os pais não provocando a ira dos filhos, mas criando-os na disciplina e na admoestação do Senhor".
E agora ele entra nas relações de trabalho, dizendo que aqueles que servem como empregados, os servos, devem fazer isso de todo o coração, como parte do seu culto a Deus, como parte da sua confiança de que Deus enviou seu Filho Jesus para ser o nosso Senhor. E depois, no verso 9, oramos no próximo domingo, se Deus quiser. Ele vai dizer quais são os deveres dos patrões, daqueles que tinham sob o seu controle domínio sobre escravos, como é que eles deveriam se comportar.
Algumas observações, então, já se fazem necessárias aqui. A primeira delas é que a palavra de Deus, o evangelho, o cristianismo, ele não é uma religião — desculpa em usar o termo — ele não é uma religião voltada apenas para a questão da redenção da alma. Muitas pessoas olham para o evangelho apenas como sendo aquele caminho pelo qual Deus nos reconciliou consigo mediante o sacrifício do seu filho na cruz do Calvário.
É claro que isso é a essência, mas o cristianismo é muito mais abrangente. Ele ensina de que maneira as pessoas que foram perdoadas, que foram alcançadas pelo evangelho, elas devem se comportar no casamento, na família e na sociedade, inclusive nas relações de trabalho. Essa dicotomia que as pessoas fazem: "domingo eu sou uma coisa, vou à igreja, eu sou religioso, mas durante a semana, no meu trabalho, aí eu vivo de acordo com outros padrões e outras regras", isso é completamente estranho à Bíblia.
Essa é uma visão pagã, não tem nada a ver com ser cristão. Nós somos cristãos de segunda a segunda, domingo inclusive, mas de segunda a segunda, tem gente que chega no trabalho, segunda-feira, fecha a porta e diz: "daqui para dentro as regras são outras, aqui eu posso mentir, aqui eu posso enganar, aqui eu posso ser injusto, aqui eu posso ser durão, aqui eu posso fazer isso", e deixo o meu cristianismo lá na igreja. Isso não é o cristianismo bíblico.
A palavra de Deus tem muita coisa a dizer, inclusive na relação que eu tenho com a sociedade, particularmente como eu ganho o meu pão. Segunda a observação que nós temos que fazer aqui é que aquilo que Deus nos orienta com relação ao nosso trabalho, que seja como empregados, que seja como patrões, que seja como escravos, que seja como dono de escravo, essas orientações que são dadas aqui, Deus espera que nós as cumpramos no poder do Espírito Santo. Nós não podemos esquecer que essas orientações e determinações estão ligadas lá ao capítulo 5, verso 18, onde o apóstolo Paulo fala da plenitude do Espírito Santo, do poder do Espírito Santo, como ele nos enche, como ele nos toma e nos capacita a obedecer a Deus.
Deus não nos dá essas ordens aqui esperando que nós as cumpramos na nossa própria força, porque nós não temos condição de obedecer a Deus nessas coisas. Aqui é preciso que nós sejamos cheios do Espírito Santo. Uma outra observação que nós podemos trazer aqui é que em nenhum momento o apóstolo Paulo está incentivando os escravos a se rebelarem contra os seus patrões, dizendo assim: "a escravidão é um sistema injust Questões sócio-político-financeiras e econômicas, mas só que a nossa abordagem é outra.
Nós vamos na raiz do problema. Nós sabemos por que há opressão econômica, nós sabemos por que há corrupção, nós sabemos por que o homem oprime seu semelhante. O problema é o coração do homem, e a igreja não é para estar passando um band-aid, remendando, querendo mudar um sistema por outro, porque sempre haverá corruptos, qualquer que seja o sistema ou partido.
Mas a tarefa da igreja é lidar com o coração do assunto: anunciar o evangelho e chamar ao arrependimento. Políticos, empresários, donos de empresas e empregados, aqueles profissionais liberais, todos têm que ser chamados ao arrependimento. A igreja tem que combater a violência, a injustiça, a opressão, a desonestidade e a corrupção, qualquer que seja um partido e qualquer que seja o sistema, porque a única entidade no mundo que pode fazer isso é a igreja, pois ela sabe qual é a raiz do problema, que é o coração do homem, a queda do homem e a corrupção da sua natureza.
E a igreja é que sabe qual o remédio para isso, que é a conversão a Jesus Cristo. Quando o empresário se converte a Cristo, quando um político, de fato, se converte a Jesus Cristo, isso vai fazer mudança na vida dele, vai fazer mudança na vida do empregado, na vida do patrão. Se nós não crermos nisso, devemos parar de pregar o evangelho.
Mas foi isso que Jesus disse: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura", e isso inclui poderosos, ricos e políticos. É por isso que eu não gosto daquele tipo de evangélico que faz uma opção preferencial pelo pobre, porque dá a impressão de que a preocupação de Deus é somente com o pobre. Não é.
Deus está preocupado com os pecadores, ricos, milionários e políticos também. A igreja tem que anunciar o evangelho a todos eles [Música] e chamá-los para se arrepender e viver de acordo com a palavra de Deus. É isso que Paulo está fazendo aqui; ele está dizendo para aqueles escravos, para aqueles cristãos que eram escravos, que eles deveriam se comportar como se estivessem na presença de Deus.
Lá na primeira carta aos Coríntios, no capítulo 7, ele diz assim, no verso 21: "Foste chamado sendo escravo. " Chamado pelo evangelho. Você foi chamado pelo evangelho sendo escravo.
"Não te preocupes com isso. Não te preocupes com o fato de que és escravo, mas se ainda podes te tornar livre, aproveita a oportunidade. " Claro, se você tiver a oportunidade de se tornar livre, então aproveita.
Se não, você vai servir a Deus como escravo do mesmo jeito. Verso 22: "Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto no Senhor. " Ou seja, existe uma escravidão pior do que aquele regime trabalhista, que é a escravidão do coração ao pecado e a consequente condenação.
Mas o escravo é livre no Senhor; e semelhantemente, o que foi chamado sendo livre, é escravo de Cristo. Ele faz um trocadilho, né? E a pessoa que não é escrava e que pensa que é livre, na verdade, quando ela é alcançada pelo evangelho, ela se torna escrava, mas escrava de Cristo.
Portanto, verso 23: "Fostes comprados por preço. " Cristo pagou o preço de vocês. Era costume, naquela época, se comprar escravos e alforriá-los; pagava-se o preço deles para os forrá-los, deixá-los livres.
Cristo pagou o preço da nossa alforria. "Não vos torneis, então, escravos de homens. " A escravidão de homens, que ele dita aqui, é escravidão a ideias erradas, ter a nossa consciência cativa a homens que nos ensinam erros e mentiras.
Paulo está pensando especialmente aqui no sistema judaizante, que escraviza a consciência e tira a nossa liberdade. O ponto é que isso resume essa parte introdutória, antes da gente entrar aqui na exposição dos detalhes, né, sobre o comportamento no trabalho. Em resumo, o que Paulo está dizendo é o seguinte: Deus chama pessoas de todas as situações, de todas as épocas, em todas as culturas, debaixo de todos os regimes e sistemas, e nós podemos servir a Deus, qualquer que seja esta circunstância.
Nós podemos viver para a glória dele. A igreja não depende desse tipo de circunstância; ela continua sendo a igreja de Jesus Cristo. E a minha palavra, então, nessa noite, é exatamente de encorajamento.
Nós ficamos pensando: nós estamos numa situação difícil no Brasil, e de fato está difícil mesmo, né? E os prognósticos aí não são muito animadores. Como é que nós vamos?
As relações no trabalho são difíceis; quando eu consigo encontrar trabalho, como é que eu vou viver? Como é que nós vamos nos conduzir? A palavra de Deus nos ensina, e o meu objetivo, então, é encorajar você a se comportar como cristão, qualquer que seja a situação em que Deus lhe colocou.
Então, vamos ver o que o apóstolo Paulo diz aqui sobre o comportamento no trabalho. Ele orienta os escravos aqui: obedecei aos seus patrões. Diz aí, no verso 5: "Quanto a vós, outros servos, obedecei a vosso Senhor segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo.
" Os patrões, aqui, são chamados de senhores, e segundo a carne, porque o escravo que é cristão já tem um outro Senhor, que é o Senhor Jesus Cristo, que é o verdadeiro Senhor dele. Mas pode ser que aqui, nesse mundo, ele tenha senhores segundo a carne, quer dizer, seres humanos que são senhores dele, que têm autoridade sobre ele, e a orientação de Paulo é que eles obedeçam a estes homens que, pelas circunstâncias, pela providência, Deus permitiu que exercessem autoridade e domínio sobre eles. A orientação é que obedeçam.
O que significa essa obediência? Há várias outras passagens no Novo Testamento a respeito dessa obediência. Na primeira carta a Timóteo, capítulo 6, versos 1 e 2, o apóstolo Paulo diz o seguinte: "Todos os servos, servos aqui, escravos, que estão debaixo de jugo.
. . " Debaixo dessa autoridade, é imposta: considerem dignos de toda honra o próprio Senhor.
O escravo crente era orientado a honrar o seu patrão. Considere como digno de toda honra o seu próprio Senhor, e a razão que Paulo dá é essa: para que a doutrina não seja blasfemada, ou seja, através do testemunho de obediência e de honra ao seu senhor. Aquele escravo que era cristão traria honra; Deus daria um testemunho que glorificaria o nome de Cristo.
Se ele fizesse o contrário, então seria o nome de Cristo que seria desonrado. Não é que os patrões iriam dizer: "Eu tenho um escravo aqui que se diz cristão, mas é preguiçoso, é respondão, é desobediente, não faz a tarefa dele. Se não for no chicote, ele não está fazendo nada.
Eu não sei o que é esse cristianismo, essa religião; que adianta? Ele tira o tempo que deveria estar me servindo, cantando o hino, lendo essa tal de Bíblia, e passa o tempo todo que deveria estar trabalhando fazendo isso. Então, eu não sei que religião é essa.
Qual o bom disso aí? " Então, os escravos tinham uma excelente oportunidade de testemunhar do nome de Cristo. Como Paulo está dizendo aqui, no verso 2, ele diz: "também os que têm senhor fiel".
A referência aqui é ao senhor que tem fé; aqueles escravos que têm um patrão que também é crente, que compartilha da mesma fé, não tratam com desrespeito. É muito fácil, né? Quando você é empregado e seu patrão é cristão, aí nós somos irmãos.
"Meu irmão, peraí! Não é você, nós somos irmãos. Por que você está me tratando assim?
Está exigindo que eu chegue no trabalho às 6 da manhã? Você não é meu irmão! " Incrível!
Cadê o amor fraterno? "Você está exigindo muito de mim". Então, o fato de que o patrão era crente não diminuía a obrigação do escravo crente.
Não, ele tinha que trabalhar; na verdade, era mais ainda. Ele tinha que trabalhar. Mas, ainda, ele diz aqui: "pelo contrário, quem está dizendo isso, aqueles que têm senhor fiel, não tratam com desrespeito porque é irmão.
Ao contrário, trabalham ainda mais. Se o seu patrão é crente, trabalha ainda mais em vez de ficar abusando do irmão, dizendo assim: 'Ele é meu irmão em Cristo, é da igreja, é tudo conhecido lá da igreja, nós frequentamos a mesma igreja. Então, assim, eu vou dar uma aliviada na.
. . '" Aí que você vai trabalhar mesmo!
Então, antes de você achar um emprego numa empresa cujo dono é crente, pense bem: você vai trabalhar dobrado lá. Bom, você vai trabalhar mais ainda do que trabalharia em outro lugar. Trabalha ainda mais porque ele partilha do bom serviço.
É crente e amado, ensina estas coisas. Então, você percebe que o cristianismo não abole essas distinções: o escravo continua sendo escravo, o patrão continua sendo patrão, o empregado continua sendo empregado e o dono da empresa continua sendo o dono da empresa. O cristianismo não abole a ordem social como algumas pessoas pensam ou gostariam que fosse.
Pelo contrário, nos ensina a servir a Deus na vocação que Ele nos deu. Se fui chamado como escravo, tenho que ser o melhor escravo possível. Se você foi chamado sendo patrão, precisa ser o melhor patrão possível.
Qualquer que seja a vocação que Deus me deu. Capítulo 2, verso 9: o apóstolo Paulo tem mais alguma coisa a dizer a respeito dos escravos. Ele diz: "quanto aos escravos, que sejam em tudo obedientes ao seu senhor, dando motivo de satisfação e não sejam respondões".
Isso significa, né, que tem empregado que gosta de bater boca. Tinha escravo que era respondão; para conseguir que ele fizesse alguma coisa, o patrão tinha um trabalho. Ficava dizendo as coisas: "Você, faz isso.
" "Não, patrão, o que é isso, patrão? Não é assim que faz, não. " E eu estou cansado, patrão.
Eu trabalhei muito, eu preciso de descanso. Se eu passo o tempo todo pedindo coisa. .
. O crente, que era escravo, não podia ser respondão; ele tinha que dizer: "Tá bem, farei isso". Capítulo 2, verso 10: "Não furtem".
Muitos roubos, pequenos roubos, eram praticados pelos escravos porque eles trabalhavam na casa do patrão, trabalhavam na empresa do patrão, trabalhavam na fazenda do patrão; tinham acesso às coisas do patrão e, de vez em quando, sumia alguma coisa. O escravo crente não podia subtrair nada do seu patrão; não roubei! A tentação do empregado é muito grande fazer isso.
A tentação do empregado é muito grande: "Tira um pouquinho aqui", dizendo assim: "O patrão já tem tanto, né? Ele nem vai notar, nem vai sentir falta. Não vai faltar nada para ele.
Tira um pouquinho aqui, tira um pouquinho ali, vai beliscando ali, desaparece uma coisa, desaparece outra. " Diziam uma pequena soma. Paulo parece que conhece bem a situação.
Ele diz: "Olha, o escravo crente não pode estar furtando; ao contrário, deve dar prova de toda fidelidade, honestidade, a fim de ornarem em todas as coisas a doutrina de Deus, nosso Salvador. " Ornarem, embelezar, como por exemplo, esse vaso aqui que está embelezando o cenário aqui na frente. Então, a obediência do escravo glorificava a palavra dele, porque ele ia dizer a um patrão: "Eu creio em Jesus Cristo, filho de Deus.
Eu sou discípulo de Jesus Cristo" e ele embelezava aquilo, ele ornava essa doutrina através das suas obras, do seu serviço dedicado, através da sua obediência e da sua singeleza. É isso que é exigido. E, queridos, veja só: era exigido até quando o patrão era ruim.
Pastor, aí é muito "é não". Primeiro de Pedro, primeira carta de Pedro, capítulo 2, 18 a 21, o apóstolo diz: "Servos, seres submissos com todo temor ao vosso senhor, não somente aquele que for bom e cordato, mas também ao perverso. " Que poderia ser que um escravo que tinha um patrão perverso se convertesse a Cristo.
Ele poderia então ser levado a pensar: "Mas esse homem é perverso, esse homem é ímpio, será que eu tenho que obedecê-lo, honrá-lo, respeitá-lo? " Eu não posso responder para ele. Eu tenho que trabalhar com alegria para esse homem que é ímpio, que é perverso, que é um pagão.
Sim, diz o apóstolo Pedro, você tem que fazer isso mesmo quando ele for perverso. A razão? Verso 19: "Porque isso é grato a Deus, que alguém suporte tristeza, sofrendo injustamente por motivo de sua consciência para com Deus.
" Pois que glória há, se pecando e sendo esbofeteados, por isso o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e suportais com paciência, isso é grato a Deus. Pedro pergunta ao escravo crente de um homem injusto: "Qual é a glória de você ser esbofeteado pelo seu patrão?
" Porque o patrão se esbofeteava mesmo, né? "Qual é a glória de você ser esbofeteado pelo seu patrão se você de fato errou? Se você for desonesto, desobediente, preguiçoso, e o patrão chegou e meteu-lhe a mão na cara?
E você tá aí dizendo: 'Ó Deus, estou sofrendo injustamente'? Não, você não tá sofrendo injustamente. Qual é a glória de você sofrer se foi por causa dos seus erros?
" Glória é quando você tá sofrendo porque você é crente, porque você está obedecendo à palavra de Deus, porque você está fazendo o que é certo. Aí, a perseguição vem, o sofrimento vem. Então, esse sofrimento, sim, é motivo de glória.
A aplicação é evidente para nós hoje, né? Nós que temos patrão, que trabalhamos numa empresa. De vez em quando, o crente tá chorando, né, dizendo assim: "Ah, tô sendo perseguido na empresa, orem por mim, né?
É perseguição religiosa, eu sou crente e tudo mais. " Aí, a gente vai investigar, vai conversar com o patrão, vai ver que chega atrasado, não dá conta do trabalho, tá o tempo todo da empresa lendo a Bíblia, orando. Não é quando ele vem, tá trabalhando e fazendo um monte de outras coisas, ele tá até levando o tempo do patrão.
A acusação é de desonestidade contra ele. E ele chega na igreja e diz aos irmãos: "Orem por mim que eu tô sendo perseguido no trabalho porque eu sou crente. " Não, você tá sendo perseguido porque é um mal empregado.
Isso é um mal empregado. "Ore por mim porque eu perdi o meu emprego, o patrão me mandou embora porque eu sou crente. " A gente vai dar uma olhada, não mandou embora porque você é mal empregado.
Você é um empregado que não trabalha direito, não tem hábitos disciplinados, não cumpre o que é dito, não presta contas. E aí, perde o emprego. E vai, Paulo, Pedro pergunta: "Qual é a glória se você ser esbofeteado porque você fez o que é errado?
Glória é você perder seu emprego, ser perseguido no emprego exatamente porque você faz o bem. " Como Daniel na Babilônia, que foi perseguido pelos inimigos dele, que foram achar acusações contra ele na religião. Acusaram Daniel de estar orando a Deus e fizeram um edito para o rei Dario que proibia qualquer oração que não fosse ao Rei Dario durante 30 dias.
E Daniel continuou e desobedeceu ao rei, continuou orando a Deus. Ele não oraria ao Imperador. Aí, sim, ele foi jogado na cova dos leões, mas não foi porque ele cometeu pecado.
Ele não sentiu diante de Deus. Mas às vezes o crente é jogado na cova dos leões porque merece mesmo, ou na fornalha ardente, e a culpa é dele. No trabalho, a culpa é dele.
Pedro pergunta: "Qual é a glória de você sofrer tudo isso se é por conta dos seus erros, da sua desonestidade, enfim, de todas estas outras coisas? " Então, querido, está aqui esse princípio que a palavra de Deus coloca para nós que temos patrão, nós que trabalhamos, que servimos a outra pessoa que tem autoridade sobre nós. Nós temos que fazer isso com alegria, temos que fazer isso com honestidade, temos que fazer isso com diligência.
Nós devemos ser o melhor empregado daquela empresa. Você tem que ser o melhor empregado daquela empresa. Você tem que ser um homem de confiança, uma mulher de confiança, o melhor naquilo que você faz.
Porque é dessa forma que você vai dar testemunho do Evangelho de Cristo Jesus aos incrédulos que ali estão e que assim se comportam. A razão que o apóstolo Paulo dá para isso, aos escravos, é de que eles devem ver aquilo que estão fazendo como parte do serviço que eles prestam a Jesus Cristo. Vamos voltar para o verso 5.
Ele diz: "Efésios, capítulo 6, verso 5: Servos, obedecem ao vosso senhor segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo. " Como se você estivesse servindo a Jesus Cristo. Essa foi a base, essa passagem, e outra foi a base bíblica usada pelos reformadores para acabar com aquela distinção entre leigos e religiosos.
Na Idade Média, no catolicismo da Idade Média, havia a ideia de que os religiosos, as ordens monásticas, ser padre ou ministro da igreja, aquilo colocava você em um emprego sagrado, né? Era sagrado, e os demais tipos de trabalho eram profanos. Então, o sacerdote, por exemplo, inclusive o sacerdócio é um dos sacramentos da Igreja Católica, o sacerdócio era visto como sendo.
. . O sacerdote era virgem, como tendo um nível acima, ou mais níveis acima da humanidade comum.
Acima da humanidade comum. Era considerado que o trabalho dele era sagrado, e o trabalhador que pegava na. .
. Enxada era considerado como profano. A Reforma Protestante chegou e aboliu essa distinção, porque está escrito aqui, ó, que o trabalho escravo é um trabalho a Cristo.
Quando você está servindo, quando você está trabalhando debaixo da autoridade de alguém, você tem que ver aquilo como parte da sua devoção a Jesus Cristo. Portanto, é sagrado. Um motorista de táxi, professor, você trabalhar na agricultura, ser vendedor de picolé na rua; aquilo faz parte da sua religião.
Você faz aquilo como se estivesse servindo a Jesus Cristo. Precisa de médico, precisa de taxista, precisa de cobrador de ônibus; precisa de gente em todas as áreas. Então, o seu serviço, a sua profissão, ela é tão sagrada quanto a do pastor ou do presbítero.
Não tem essa diferença. Na igreja cristã, nós somos chamados por Deus para servir a Deus em diferentes vocações. Ele me chamou para ser pregador do Evangelho, chamou você para ser professora numa escola pública.
[Música] Eu acho que fui mais sortudo do que você na escola pública, né? Brincadeira. Mas, diante de Deus, é a mesma vocação.
É a mesma vocação. Você serve a Deus da mesma forma, onde quer que Deus lhe colocou, desde que seja uma profissão decente, uma profissão honesta. Desde que seja isso, Deus então use isso aí para a glória dele, para o avanço do reino dele.
Então, os escravos, diz aí no verso 5, deviam fazer isso como se tivessem fazendo para. . .
E aí, como é que isso influenciaria o trabalho deles? Verso 6: "não servindo à vista como para agradar os homens", ou seja, só fazendo o trabalho quando o patrão está vendo. Porque o verdadeiro patrão sempre está vendo, que é Jesus Cristo.
Ele sempre está olhando você no trabalho. O patrão humano pode não estar lá, mas o Senhor dos Céus, que é o seu verdadeiro Senhor, ele está lá no seu trabalho. Ele está vendo cada momento que você está lá na empresa, no seu trabalho, na companhia, enfim, onde você estudar, onde você trabalha.
Ele está lá e está vendo tudo. Então, você tem que trabalhar e fazer sua parte como se estivesse servindo a Cristo. Ele é o seu verdadeiro patrão.
Você quer agradá-lo, por isso você faz isso. Final do verso 6: "de coração", né? "Com os servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus.
" Verso 7: "servindo de boa vontade como ao Senhor e não como aos homens. " Essa ideia é revolucionária, e foi isso que mudou a Europa quando os reformadores começaram a ensinar isso; que toda ela é sagrada e que o homem se realiza no trabalho, e que ele faz o trabalho como sendo parte da religião dele. E aí, as pessoas começaram a dizer: "Puxa vida!
Então Deus se preocupa! Eu me sentia tão miserável aqui; eu sou um catador de lixo, né? Meu trabalho.
. . eu trabalho como gari, mas Deus olha para isso e Deus considera isso como parte do meu serviço".
Ele sim, Senhor, considera assim. "Eu estou me sentindo honrado por Deus, então Deus se importa por mim. " Sim, eu pensei que ele só se importava com os padres, os pregadores, o Papa, o Cardeal.
. . não, não.
O seu trabalho é tão importante para Deus quanto isso. Deu dignidade ao trabalhador. E não é à toa que, para o bem ou para o mal, juntamente com a Reforma Protestante, surge um novo sistema econômico, né, que mais tarde vai ser chamado de Capitalismo, com seus erros e tudo, mas ele nasce exatamente da valorização do trabalho e do uso correto do capital.
E tem livros, né, que documentam como as ideias da Reforma Protestante deram origem não somente à sociedade moderna, à liberdade de expressão, e à abolição da escravidão, mas também a esse sistema econômico que é característica de quase a maioria dos países civilizados e desenvolvidos do mundo. Mas a ideia é essa daqui: que você, como escravo, você está servindo a Deus. Quanto mais você que está no país como o nosso, né, em que não é um sistema de escravidão, em que você tem muito mais liberdade do que naquela época, deveria estar servindo com alegria, dando graças a Deus que você tem trabalho, louvando a Deus por isso e aproveitando aquela oportunidade que Deus lhe dá, porque nem sempre há trabalho para todo mundo.
Era isso que os escravos deviam ter em mente: que eles estavam servindo a Cristo, em última análise. E a última recomendação de Paulo. .
. nós vimos aqui três pontos, né? Primeiro, o que significa obediência; segundo, a razão para ela é que nós estamos, em última análise, servindo ao Senhor Jesus; e, por fim, os escravos sempre deveriam contemplar aquela recompensa final que seria dada pelo Senhor dos Céus.
Está no verso 8: "certos de que cada um se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, que seja escravo ou que seja livre. " Ou seja, o nosso Senhor está vendo o nosso trabalho. E, ainda que o nosso salário não seja justo, que a nossa recompensa não seja adequada, que nós tenhamos um subemprego, servimos a Deus dentro das nossas possibilidades.
E um dia a verdadeira recompensa será dada por aquele que é o verdadeiro Senhor e que está no controle de todas as coisas. Devemos ter isso no coração. Isso ajudaria.
. . essa palavra de Paulo ajudaria os escravos a suportar com mais paciência a escravidão, até aparecer uma oportunidade em que eles podiam ser livres.
Também, da mesma forma, essa confiança de que o nosso Senhor um dia verá e nos recompensará, ela também nos ajuda a suportar as dificuldades no trabalho, a pobreza e outros males com paciência. Eu quero terminar, meus queridos, trazendo uma palavra em primeiro lugar àqueles que gostariam muito de trabalhar, mas não têm tido oportunidade. Nós estamos vivendo uma época difícil no nosso país, nós sabemos disso, em que.
. . Empregos!
Eles não são fáceis de conseguir, e eu sei que muitos irmãos, pessoas que aqui estão, lutam com dificuldade para trazer o pão para suas famílias e colocar o sustento na mesa. Nós oramos pela igreja, oramos pelo nosso país, oramos pelos governantes, de acordo com o que Paulo ensinou em Efésios, perdão, na primeira carta a Timóteo, no capítulo 4, que já foi motivo, inclusive, desculpe, capítulo 2, quando ele diz, verso primeiro e segundo: “Recomendo que se use a prática de súplicas, orações, intercessões e ações de graças em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. ” A palavra de Deus nos estimula a orar pelas autoridades constituídas, para que o povo de Deus tenha como ganhar o seu pão e viver uma vida tranquila.
Nós devemos lembrar disso e orar e pedir a Deus. E, ao mesmo tempo, lembre-se de que, antes de você dizer que não há emprego, realmente, que você esteja com a consciência tranquila de que você explorou todas as possibilidades. Às vezes, não é um emprego ideal; às vezes, não é aquele emprego dos seus sonhos; às vezes, não é aquilo para o que você se preparou durante quatro anos na universidade.
Mas, de repente, se abre alguma porta em que Deus vai lhe dar condição de complementar sua renda. Ajude, pois as situações mudam. Se a porta está aberta, não vacile!
Aproveite a oportunidade! Se é um emprego justo, se é um emprego decente, se é uma possibilidade boa e correta, então não fique assim dizendo: “Ah, mas eu me preparei quatro anos e queria uma coisa melhor, né? ” Mas, adiante, Deus pode abrir uma porta para você.
Mas, querido cristão, lembre-se do que estou dizendo aqui: o cristão pode servir a Deus, ainda que como escravo. Eu sei que você gostaria de começar sendo o patrão, mas talvez tenha que começar nessa situação difícil, pensando naqueles crentes do primeiro século e como Deus os abençoou; também esteve com eles. A segunda palavra é para os empregados que estão ganhando seu pão em alguma empresa, trabalhando debaixo de autoridade.
Você encara seu trabalho como sendo um serviço a Cristo? Queria que você pensasse nisso. Você já pensou nisso?
Que aquilo que você faz durante a semana, no seu local de trabalho, faz parte da sua profissão de fé, daquilo que você professa, do que você acredita? Você encara seu trabalho como sendo isso? E, se você encara, qual é a diferença que isso faz em você quando está no seu trabalho?
Isso muda sua vida no sentido de que você diz: “Eu quero ser o melhor empregado, eu quero ser fiel, quero fazer meu trabalho com dedicação, quero agradar meu patrão, porque, em última análise, eu estou agradando meu Senhor Jesus Cristo. ” Você trabalha de boa vontade, de coração, é honesto, respeitador, cumpre o seu horário, cumpre a sua função e está disposto a confiar em Deus e tomar posição ao lado de Cristo na hora em que seu patrão sugerir que você faça alguma coisa errada. Lembre-se de que o verdadeiro Senhor está nos céus, não é isso?
Quando o Senhor, segundo a carne, me quer obrigar a desobedecer o Senhor do céu, lembre-se daqueles que, no passado, preferiram antes agradar a Deus do que aos homens. José, no Egito, fugiu da sua patroa, que queria só um momento de intimidade com ele, e José fugiu, deixando a capa com ela. “É melhor perder uma boa capa do que perder a consciência.
” Ele disse: “Patroa, isso aí não pode; mande-me prender, fui preso, mas isso não vou fazer. ” Não é? José é um exemplo para nós de resistência, não é?
Patrões desonestos ou que querem fazer com que nós façamos aquilo que é contra o nosso patrão, que está nos céus. Daniel, na Babilônia, e tantos outros exemplos, os apóstolos em Jerusalém, tantos outros exemplos que poderiam ser trazidos para mostrar que nós podemos confiar em Deus, de que Ele estará conosco se tivermos de sofrer no trabalho por conta da nossa lealdade e amor a Ele. Que Deus nos abençoe, queridos!
Que Ele ajude cada um de vocês que está no ambiente de trabalho, na situação de subordinado ou autoridade, que, pelo testemunho e pelo trabalho, vocês possam anunciar o evangelho de Cristo Jesus de maneira eficiente, de forma que o nosso nome de Deus não seja a próxima ofensa, amado por nossa causa. Vamos orar.