Olá, aluno, olá, aluna da Eja, sejam muito bem-vindos, sejam muito bem-vindas a mais uma aula do nosso curso. Eu sou o professor Gregório Dantas Mendes, sou professor de língua portuguesa, atuando na área de linguagem. A aula de hoje tem como tema discurso reportado, certo?
Vamos lá saber do que se trata. Observe a seguinte situação. É início da manhã na comunidade Bom Destino, município de Porto Acre.
Seu Antônio, seringueira aposentado, chega da feira onde ouviu no rádio uma notícia importante. A Defesa Civil avisou que a cota do rio Acre subiu 2 m, atingindo os municípios do Alto Acre e pede que as famílias ribeirinhas retirem o gado da vársia e, se possível, colham seus produtos da beira do rio para evitar maiores prejuízos. Seu Antônio precisa avisar o compadre Raimundo que está numa colônia distante, sem comunicação.
Aí vocês já podem ver, ó, a imagem do seu Antônio correndo no ramal para avisar seu Raimundo. OK? Vamos paraa frente.
Então, existem três formas de se passar, de se comentar essa notícia, de se narrar essa notícia. Vamos ver o primeiro modo. Ele chega e fala exatamente com as palavras do locutor.
Comadre, o moço do rádio falou assim: "A cota do rio Acre subiu 2 m. Pedimos às famílias Pedimos que as famílias retirem o gado da váia para a parte alta e conhe os produtos da beira do rio que já estiverem prontos. A situação é de alerta.
Esse é o módulo um. Certo? Vamos pro modo dois do seu Antônio comunicar essa informação.
Ele conta com as palavras dele, resumindo, compadre. O moço do rádio disse que o rio Acre subiu 2 m e que é pra gente levar o gado pro terreno firme, colher o que já estiver pronto e ficar de olho na subida do rio. Olha aí outra forma de narrar esta notícia.
E o modo três, que aí já envolve uma terceira pessoa, né, que é a dona Maria. Dona Maria, esposa do esposa do Antônio, na cozinha mistura o que ouviu com o que ela mesma pensa e fala pra filha enquanto limpa o peixe. O que que ela fala?
Ela fala assim: "Socorro, teu pai chegou apressado. A Defesa Civil mandou avisar que parece que vai ter alargação. Meu Deus!
O rio não sobe assim, tem uns 5 anos. Será que a água chega no roçado que nem daquela vez? Temos que ficar de olho.
Então eu coloquei aqui entre aspas alagação, gente, porque alagação é uma palavra nossa típica do acriano, certo? Porque na no no dicionário mesmo você vai ter a forma alaramento, tá? Em outras regiões, vocês vai ver, você vai ver nos jornais e notícias por aí que eles vão falar alaramento, mas nós a crianos falamos alagação.
Sem problema, não. É só uma questão de regionalismo. OK?
Vamos lá paraa frente. Então, você viu essas três formas, né? Então, vamos ver a primeira forma que seu Antônio falou, que é o discurso direto, que é o discurso ao pé da letra, certo?
Quando é que ocorre esse discurso? Esse discurso ocorre quando a gente reproduz exatamente as palavras de alguém, como o seu Antônio fez do primeiro exemplo, falando exatamente as palavras do locutor do rádio. Na escrita, aí já vem, vou falar da escrita, né?
Na escrita, o discurso direto tem marcas específicas. Vamos ver dois exemplos. O primeiro exemplo, o presidente da cooperativa disse: "O caminhão da produção sai na segunda às 5 da manhã, sem falta.
Qual é a marca que nós temos aí? É o travessão. Qual é o travessão?
Ele está aqui, ó. Esta marca é muito utilizada nos textos literários para marcar as vozes dos personagens, OK? O segundo exemplo, nós temos aqui ou usando um signal gráfico, no caso aqui seria a fala da professora.
A professora avisou, a prova será na quarta-feira. Tragam suas calculadoras. Qual é a marca que tá dizendo aí que o discurso é dela?
São aspas aqui, ó. Certo? Estas marcas indicam que a fala é da professora, certo?
Assim como o travessão indicava que a fala era do presidente da cooperativa, OK? Aqui no quadrinho ao lado, voltando lá, nós temos a expressão ipsis litteres. Vocês já ouviram falar dessa expressão?
Pois então, é uma expressão em latim que significa com as mesmas letras, certo? É como se dissesse também falasse assim, ao pé da letra. alguém falou assim, ele disse assim, ips ipsis litteres ao pé da letra, ok?
Então foi um discurso direto. Ela vai fazer um discurso direto, né? Vai usar a palavra de outra pessoa.
Vamos paraa frente. Então, temos o discurso indireto. E aqui já é com suas palavras.
Isso quer dizer, não é mais com as palavras de outra pessoa, mas sim com aquela daquela pessoa que está falando ou aquela pessoa que tá escrevendo. Vamos ver. É quando recontamos o que alguém diz adaptando a fala aos nossos termos.
A informação é a mesma, mas a forma muda. OK? Vamos ver aqui um exemplo.
Nós temos aqui um exemplo, um discurso direto. O seu João declarou: "Vou tirar a saíra amanhã aqui na grota do jacaré". OK?
Você vê aí que tem as marcas do discurso direto, as aspas ali que nós vimos anteriormente. E como é que ficaria na forma indireta, no discurso indireto seria assim: Seu João disse que amanhã vai colher açaí lá na grota do jacaré, OK? Você vê que não tem marcas, não tem marcas no discurso.
A pessoa que está narrando, a pessoa que está contando, usou a sua forma, a sua própria forma de dizer o que se o seu, o seu João disse. OK? Vamos lá.
Tem mais uma informação aqui. Nos trabalhos acadêmicos e escolares, chamamos isso de citação indireta ou paráfrase, né? Vocês já devem ter ouvido falar da paráfrase, quer dizer, com as suas palavras o que outra pessoa já disse.
Vamos ver o exemplo. As comunidades extrativistas preservam a floresta ao mesmo tempo em que geram renda. Aí tem aqui a fonte, né?
Costa 2021. Vocês veem que não há nenhum tipo de marcação. Quem falou aquilo foi a pessoa que escreveu mais, dizendo com as palavras dela o que o autor Costa em 2021 disse.
OK? Essas marcas aqui, ó, aqui indica o autor e aqui o ano da obra, certo? 2021.
Isso veremos mais adiante numa próxima aula. Aqui do lado nós temos um resumo do que é o discurso indireto. É falar ou escrever do nosso jeito o que alguém já falou ou escreveu, dando crédito a essa pessoa, principalmente nos trabalhos acadêmicos escolares.
Se você for utilizar, fazer um discurso indireto, você pode falar com as suas palavras, mas dizer quem foi que disse aquilo. Certo? Vamos lá.
O discurso indireto livre. Aqui é outra forma, tá? O discurso indireto livre é uma técnica narrativa em que a fala ou pensamento de uma personagem aparece misturada à voz do narrador sem o uso de marcas tradicionais como as aspas ou verbos de elocução.
Disse, pensou, certo? é mais utilizado em textos literários, como romances, contos, novelas, etc. Vamos ver aqui um exemplo.
Macadeia pensava que talvez fosse feliz. Feliz? Mas o que era ser feliz?
Não sabia. Note como a narrativa desliza para dentro da mente da personagem. Feliz.
Mas o que era ser feliz? é o pensamento dela, da personagem, mas aparece integrado ao fluxo narrativo. Então, gente, veja aí, o narrador ele vai misturar a voz dele com a voz do personagem ou o pensamento do personagem, sem marcação nenhuma, tornando o fluxo mais eh dinâmico, né?
Há uma confusão de vozes, tanto do narrador como personagem. Tanto é que esse tipo de discurso não é utilizado em textos literários ou em textos acadêmicos, perdão, eh, ou de escolares, porque ele vai fazer confusões das vozes e isso não é muito muito utilizado, não é utilizado para esse tipo de trabalho nosso, por exemplo, que nós somos estudantes, certo? Então, ele vai acontecer onde?
Nas literaturas. OK? Olha aqui a dica.
As citações longas, curtas e indiretas são utilizadas em textos acadêmicos, escolares e jornalístico. O discurso direto também pode se aparecer nesses gêneros, mas o discurso indireto livre é característico dos textos literários, OK? Então você que vai ler muita literatura por aí, você já fique atento que existe esse tipo de discurso, discurso direto, indireto, perdão, discurso indireto, livre.
OK? Vamos lá. Vamos praticar então.
Leia com atenção o trecho abaixo retirado do trabalho de uma aluna da EJA. Entrevista à nossa turma, o agricultor João das Graças afirmou que a produção de farinha havia caído muito na última safra por causa da cheia do rio. Agora, assinale a alternativa correta sobre o tipo de discurso utilizado pela Luna.
Vocês viram aí qual é o discurso que foi usado, né? Ela fez uma entrevista com o agricultor João das Graças e ela colocou aí uma fala do João das Graças, mas como é que foi que ela utilizou? Vamos ver.
Agora nós temos a alternativa A. É um exemplo de discurso direto, pois reproduz fielmente as palavras do agricultor apenas sem aspas. Olha aí, gente, os discursos diretos eles precisam estar marcados, eles precisam estar, entre aspas, ou utilizando o travessão, certo?
Então, não vai haver discurso direto sem essas marcações, sem esses sinais, OK? Então, não é a letra A. Vamos pra letra B.
é um exemplo de discurso indireto, pois a fala do agricultor foi recontada com adaptações feitas pela Luna. Olha aí, parece que essa é a alternativa, não é, gente? Porque veja bem, ela afirmou que a produção de a ele afirmou que, né, afirmou que a produção de farinha havia caído muito na última safra por causa da cheia do rio.
Como é que o seu João falaria isso numa entrevista? Ele poderia falar assim: "Vixe, a farinha caiu muito na última sápa por causa da da do que o rio encheu e aí como é que ela colocou no seu trabalho? " A aluna ela colocou de outra forma, adaptando pro seu trabalho, né?
Então, utilizando um discurso indireto. OK? Vamos então vamos pra letra C, ver o restante das alternativas pra gente aprender mais.
A letra C é um exemplo de discurso direto livre, porque o discurso se confunde com a voz do narrador. Essa está completamente errada. Primeiro porque não existe discurso direto livre, só existe o discurso indireto livre, certo?
Não existe discurso direto livre. Então, e aí você vê que o o a voz do narrador não se confunde com a voz do entrevistado, não tem nada a ver. Vamos pra letra D.
É um exemplo de discurso indireto, pois a Luna destacou a fala do entrevistado com travessão. Isso ocorreu no nosso exemplo? Não, né?
É um discurso indireto. É, é, é um discurso indireto, mas não tem esse destaque do contraversão e nem com aspas. Olha aí, a letra E é um exemplo de discurso indireto livre, já que a aluna misturou a voz do agricultor com seus próprios pensamentos.
Ocorreu isso na fala, um exemplo mostrado aí, não, né? Você vê que ela colocou, afirmou que a produção de farinha havia caído na ú na muito na última safra por causa da cheia do rio. Então ela foi eh ela foi precisa nas na informação, na mensagem que o agricultor passou para ela, não sem fazer comentários, sem pensar, sem entrar na cabeça do do agricultor.
Então não há confusão confusões de falas aí, certo? Então, veja bem, um discurso indireto, não vai haver a marcação aspas ou travessão. Ele vai ser eh apenas o narrador vai dizer que ouviu daquele jeito, né?
Por exemplo, no caso aí, João das Graças afirmou que a produção de farinha havido havia caído muito na última safra por causa da cheia do rio. Essa é uma afirmação que passou pela adequação da aluna, certo? Ela adequou aquele discurso, né, a sua prova, mas a mensagem continua a mesma.
Ok, entendido? Aí então a letra e a B, discurso indireto, pois a fala do agricultor foi recontada com as adaptações feitas pela aluna. Então, chegamos ao fim da nossa aula e aqui no na nosso no nosso slide tem as nossas referências, OK?
Espero que todos tenham aprendido, feito suas anotações para na aula com o professor vocês puderem poderem tirar as dúvidas de vocês, OK? Então, até a próxima.