Eu tinha 17 anos quando eu conheci a Lúcia. Ela estudava no mesmo colégio que eu. Eu nunca fui um cara popular, aquele cara que chama atenção.
Eu era simples, gostava de estudar, jogar bola com os amigos, esse tipo de coisa. Por outro lado, a Lúcia chamava muita atenção por onde ela passava. Ela tinha um sorriso cativante, um olhar alegre e aquele jeito delicado que fazia qualquer um se encantar por ela.
Fui me aproximando aos poucos, começando com conversas rápidas durante o intervalo e depois vieram as trocas de mensagem pelo celular. A gente conversava todos os dias, no começo como amigos, mas depois a amizade virou namoro. Foi uma relação cheia de descobertas e tudo era novidade para mim.
Lembro como se fosse ontem o nosso primeiro beijo, tímido, desajeitado, mas cheio de significado, pelo menos para mim. A Lúcia era uma mulher firme e virtuosa. Dizia que só teria intimidades com alguém depois do casamento.
Queria se casar pura. Ela queria se preservar. Diz que o sonho dela era subir no altar de branco e, assim como a mãe dela, se casar virgem.
Eu, na minha ingenuidade adolescente e por respeitar muito os sentimentos dela, aceitei sem qualquer objeção. Nunca pressionei ela, nunca insisti. Ficamos um ano e meio juntos com abraços demorados, beijos longos e mãos dadas.
Não passava disso. Eu estava completamente apaixonado pela Lúcia e acreditava que ela sentia o mesmo por mim. A nossa confiança um no outro era gigantesca, tanto que durante nosso namoro, ela foi fazer uma viagem com a família, saiu de férias com os pais.
Eles foram passar duas semanas na praia, na casa de uma tia da Lúcia. Foi uma prova e tanto para mim, pois eu e a Lúcia nos vimos quase todos os dias. Nunca ficamos tanto tempo sem ver um ao outro.
Ela viajou com a família dela, mas me prometeu que me mandaria mensagem todos os dias. e realmente mandou, pelo menos na primeira semana. No entanto, depois de uma semana, as mensagens diminuíram.
Ela dizia que estava cansada, que passava o dia inteiro passeando com a família e que a internet da casa não era muito boa. Eu não queria ser chato, então eu não ficava insistindo. Engoli a saudade e fiquei esperando ela voltar.
Quando ela voltou, algo nela parecia diferente. Eu não sei explicar ao certo. Talvez fosse o jeito de me olhar ou o fato de que ela estava mais aberta, estava mais solta comigo.
Até no modo de se vestir, ela havia mudado. Começou a usar roupas bem mais ousadas. Eu, sem muitas experiências com relacionamentos, só pensei que era efeito das férias, do clima do litoral.
O que eu não imaginava é que essa viagem que a Lúcia fez marcaria minha vida para sempre, de uma maneira amarga. Algumas semanas depois, ela começou a ser mais carinhosa comigo. Aceitava coisas que antes não aceitava.
As carícias foram se intensificando. Até que em uma noite de sábado, após um passeio com os amigos, acabamos ficando sozinhos. Ela foi paraa minha casa.
Foi ela mesma quem começou me beijando, me beijando de uma maneira que ela nunca tinha feito, com mais entrega e bem mais intensa. Eu era jovem, inexperiente, eu nem pensei muito. Aquele para mim era o meu momento.
Era o momento que eu esperava meses. Nós acabamos indo além. Tivemos nossa primeira relação e confesso que eu me senti no topo do mundo.
Para mim era a prova que nosso amor estava ainda mais forte. Nos dias que se seguiram, ela se mostrou ainda mais próxima de mim. Eu estava feliz, já imaginava planos pro futuro, pensava em casamento, filhos e até casa própria.
É engraçado como a juventude tem o poder, o poder de nos fazer acreditar em tudo, que tudo vai dar certo e que quando amamos alguém não tem como dar errado. Mas as coisas começaram a ficar estranhas, ficarem esquisitas. Um mês e meio depois, a Lúcia me chamou para uma conversa.
Ela estava com um semblante bem sério. Lembro-me claramente de como ela olhou nos meus olhos e disse: "Amor, eu estou com medo. Eu estou grávida.
Descobri essa manhã. Eu fiquei congelado. Não consegui falar nada.
Eu fiquei sem reação. Meu coração disparou, as minhas mãos suaram e um nó se formou no meio da minha garganta. Eu tinha apenas 18 anos recém completados.
Estava terminando o ensino médio. Eu nem sabia direito o que fazer da minha vida. Mesmo assim, eu respirei fundo e a primeira coisa que saiu da minha boca foi dizer: "A gente vai dar um jeito.
Eu te amo e não vou deixar você na mão". Eu realmente acreditava que aquele filho fosse meu. Afinal, tínhamos ficado juntos há bem pouco tempo.
Mas então, quando ela me contou de quantas semanas estava, eu fiquei com uma pulga atrás da orelha. Eu fiquei com dúvidas. Eu não tenho experiência com relacionamentos, mas sou bom em matemática.
Fazia pouco mais de três semanas, nós tivemos nossa primeira relação. A conta não batia, não batia com o tempo de gestação que a Lúcia estava. Então eu perguntei: "Lúcia, tem certeza que isso está certo?
São quantas semanas mesmo? " Perguntei com calma, sem me alterar, e ela respondeu firme: "Sim, é isso mesmo. O médico confirmou.
Me deu até esse papel. E foi ali naquele dia que pela primeira vez eu senti que estava sendo enganado, que a Lúcia estava mentindo para mim. Eu relutei bastante, quis empurrar aquele pensamento para longe, mas a matemática era clara, algo não fechava.
Eu comecei a me lembrar da viagem da Lúcia, da diminuição das mensagens e da nossa comunicação na última semana dela lá. Eu tentei agir com naturalidade, mas nas semanas seguintes aquilo estava me incomodando. Até que um dia, em um misto de nervosismo e desespero, eu falei: "Lúcia, eu te amo muito e eu quero que você me entenda.
Quando esse bebê nascer, eu quero fazer um exame de DNA. Só pra gente ter certeza, para tudo ficar bem entre nós. Para ela, isso foi extremamente ofensivo.
Foi como se eu tivesse disparado uma bomba no meio da sala. Ela ficou em choque. Seus olhos se encheram de lágrimas e uma mistura de raiva e mágoa.
Ela disse: "Você está me chamando de mentirosa? " Eu respondi: "Não, Lúcia, não é isso. É que as datas, as datas não batem.
Rindo de maneira nervosa, ela disse: "Que datas? As datas do quê? Que molecagem é essa?
Tá querendo me deixar? Tá querendo me abandonar grávida? É isso mesmo?
Você tá achando que que eu saí com outra pessoa naquela viagem? Em nenhum momento eu falei da viagem e só o fato dela citar isso para mim ela se entregou. Eu apenas fiquei quieto.
O meu silêncio foi a resposta mais cruel que ela podia ter recebido. Ela sentou, se levantou, ficou andando na sala de um lado pro outro, começou a chorar e disse que não queria mais saber de mim. Ela foi embora.
Nosso namoro terminou ali. Ela bloqueou meu celular e se afastou completamente. Eu fiquei arrasado.
Parte de mim. Queria acreditar que eu estava errado, mas a outra parte mais realista sabia que eu estava certo. Os meses se passaram, eu continuei minha vida ainda chateado com o que aconteceu e segui em frente.
Quando finalmente o bebê da Lúcia nasceu, eu tirei um peso enorme da minha consciência. Não precisava nem de DNA. Bastou eu ver uma única foto da criança que acabou circulando em um grupo de WhatsApp.
E todas as minhas suspeitas foram confirmadas. Eu não era o pai da criança. O bebê não tinha nada a ver comigo, inclusive era de outra etnia.
Naquele momento, em vez de sentir raiva, eu senti uma mistura estranha de alívio e tristeza. Tristeza por ter confiado naquela pessoa. Pouco depois do nascimento do bebê, a família da Lúcia se mudou.
foi para uma cidade vizinha, talvez para recomeçar, talvez para evitar os olhares e os comentários dos conhecidos. Com um tempo, eu percebi que esse episódio na minha vida me ensinou lições valiosas, ainda que de forma dolorosa, eu aprendi muito. Aprendi que confiança não pode ser cega, que o amor não deve ser sinônimo de ingenuidade.
Eu acreditava que a desconfiança fosse o inimigo de qualquer relacionamento, mas aprendi que a desconfiança é seu maior aliado. Para você que chegou até o final desse vídeo, muito obrigado. Deixe seu like, deixe seu hype, compartilhe e se inscreva no canal.
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