aula número 160 olha Marília as flautas dos pastores Manuel Maria Barbosa de Bocage olha Marília as frutas dos pastores que bem que soam como estão cadentes Olha o tej a sorrir-se olha não S os cai por entre as flores vês como ali beijando-se os amores incitam nossos ósculos ardentes eas de plante em plante as inocentes as vagas borboletas de mil cores naquele azul o roxinol suspira ora nas folhas a abelhinha para ora nos ares sussurrando gira que Alegre Campo que Manhã Tão Clara mas ah tudo que vês se eu te não vira mais tristeza que
a noite me [Música] [Música] causara [Música] esse Soneto que acabamos de ouvir eh do arcadismo do neoclassicismo ou seja novamente clássico lembra mais ou menos da evolução das escolas literárias o renascimento vamos dizer século X o barroco o século 1 de 1600 a 1700 e agora um movimento também revolucionário o neoclassicismo em que coloca na natureza a fonte de toda a beleza é na natureza que reside a simplicidade a ingenuidade a beleza o ardor a sensibilidade é o que ouvimos no poema de Bocage o maior representante do arcadismo português com duas características fulminantes como veremos
primeiro neoclássico árcade depois pré-romântico Porque alguns versos seus anunciam uma nova época um novo futuro Bocage se coloca então na posição de clássico e pré-romântico anunciando um novo mundo literário Vamos tomar a poesia de Bocage vamos ver a poesia de Bocage e tentar retirar dela todas as expressões ou qualquer movimento que nos lembre a poesia renascentista a poesia camoniana a poesia do Renascimento olha Marília a frauta dos pastores que bem Que soam bom frauta dos pastores pastores tocando flauta no campo Isso é paganismo isso é renascimento isso é Grécia antiga isso é neoclassicismo como estão
cadentes olha maril as faltas dos pastores que bem que soam como estão cadentes se você agora abrir o dicionário e procurar a palavra Cadente você há de ler o seguinte aquilo que cai por exemplo estrela cadente mas o autor não deu esse sentido esse sentido que o autor deu que você percebeu que tem Cadência que tem harmonia que está em conserto este sentido é um sentido Latino da palavra é o sentido que o latim dava a palavra e ao passar para o português ela ganha um outro significado daquilo que cai mas o sentido Latino da
palavra Cadente é Harmonia então ele usou uma palavra renascentista uma palavra que está mais próximo mais próxima do latim da nossa origem olha Marilha as faltas dos pastores que bem que soam como estão cadentes Olha o tejo a sorrir-se olha não sentes os zéfiros brincar por entre as flores zéfiros brincar por entre as flores também Deuses pagãos o o vento um vento Brando Zéfiro é um vento branco e o linguajar é clássico e o linguajar é Pagão vê como ali beijando beijando-se os amores incitam nossos ósculos ardentes também a palavra ósculo no sentido mais de
Latim beijo próxima mais da literatura Latina beijo ósculo eles de planta em plante de planta em planta as inocentes as vagas borboletas de mil cores as inocentes as vagas borboletas de me cores vagas é que vagueiam que voam que passam voando tudo bem as vagas borboletas mas Ines borboletas Vamos abrir o dicionário inocente aquele que não é culpado antítese de inocente culpado mas inocente Borboleta borboleta inocente ele foi buscar no latim o significado primitivo da palavra inocente que é precisamente ofensivo as inocentes borboletas as inofensivas não são borboletas ingênuas não são borboletas sem culpas não
longe disso mas no sentido de inocentes borboletas inofensivas que não fazem mal a ninguém naquele arbusto rinol suspira orha nas folhas a abelinha para ora nos ares sussurando gira que Alegre Campo que Manhã Tão Clara mas H tudo que vês se eu t não vira observe a colocação do pronome oblíquo T ele não ele não ficou tranquilo em colocar antes do verbo porque a oração é negativa comer uma próclise mas ainda permite uma próclise antes do da o advérbio de negação não esse eu t não vira eu t não vira ao invés de eu não
te vira isso é latim Isso é uma colocação arcaica Isso é uma colocação antiga mas há tudo que vê se eu te não vira mais tristeza que a noite me causara observe a conjugação verbal observa mas há tudo que vê se eu te não vira é se eu te não visse Ele usou mais que perfeito pelo imperfeito do subjuntivo mais tristeza que a noite me causara me causaria Ele usou o mais que perfeito pelo futuro do indicativo tudo isso é latim tudo tudo isso é clássico T tudo isso repousa no Renascimento Bocage volta aos ensinamentos
camonianos volta à literatura do século X isso nós chamamos Arcade o neoclassicismo o soneto embora clássico ele é coloquial olha Marília é um vocativo tá chamando a atenção da da musa da mulher da Moça ol mar não só chama atenção como diz olha o tej a sorrir imperativo olha não sentes tu não sentes tu mar não sentes os brincar por entre as folhas eas de planta em planta eas é coloquial o texto é coloquial apesar de clssico a natureza é o lugar ideal para o amor isso é clássico isso é clássico a natureza é o
lugar ideal para o amor onde que eu leio isso em Bocage vê como ali beijando-se os amores incitam nossos ósculos ardentes a natureza incita sexualmente o poeta ou sujeito lírico eu disse quec além decade é um pré-romântico raciocina comigo qual verso que eu posso retirar em que predomina a subjetividade o ilogismo e não a objetividade a razão Onde que eu posso verificar isso analise comigo o último terceto que Alegre Campo que Manhã Tão Clara agora Observe mas ah tudo que vês se eu te não vira mais tristeza que a noite me causara Então isso é
subjetivo se a donzela se a musa não estiver presente toda essa natureza brilhante elegante sente como vimos acolhedora que estimula o sexo toda essa natureza seria tal qual a noite eu queria ressaltar o seguinte alguns livros no último verso reproduzem mais tristeza que a morte me causaria outros mais tristeza que a noite me causaria Então se eventualmente você encontrar o último verso é porque alguns livros publicam mais tristeza que a morte me causaria Mas se a natureza mais tristeza que a noite me causa se eu não te vir isso é subjetivo Isso é o quê
romântico Isso é o quê pré-romântico Porque Bocage anuncia a vinda do Romantismo prosopopeia é uma figura de linguagem que consiste em dar personalidade ou sentimento a quem não tem eu digo chora violão pronto eu personifique o violão Vieira as estrelas foram chamadas e aqui disseram Aqui estamos as estrelas falam eu personifique a estrela Isso é uma figura de linguagem muito comum em poesia vamos ver as figuras de linguagem de personificação Ou prosopopeia vê comigo olha Marila o tejo sorrir-se o terro o tejo está sorrindo personificação olha sentes os zéfiros brincar por entre as folhas zéfiros
um vento Brando brincando por entre as folhas personificação vê como ali beijando os amores que é uma planta É uma planta geralmente uma uma planta de Branca geralmente branca no do campo vês como ali beijando os amores incitam nossos ósculos ardentes os amores as plantas incitam nossos ósculos ardentes naquele arbusto o rinol suspira personificação a isso nós damos nome de prosopopeia está no hino nacional brasileiro as margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um um povo heróico prosopopeia suponhamos que eu não conhecesse o autor desse poema então eu vou fazer um desafio um
pequeno desafio como que eu perceberia que esse poema é de um autor europeu e português primeiramente como é que eu percebo que o autor é porto português simplesmente português vamos procurar no texto procure comigo alguma coisa que me leve a Portugal já achou Olha o tejo a sorrir-se mais uma palavra que me leva para a Europa uma palavra que me leve pra Europa vamos procurar rinol rinol o habitate desse pássaro é Europa é possível que nós vejamos aqui em zoológico Mas é da Europa o habitato do rinol então o poema é europeu e português todos
os elementos da natureza est em concerto com o poeta a isso nós damos nome de har o texo é harmônico o som das flautas estão cadentes são agradáveis a água do Tejo é Clara a sorrir-se as brisas os zeros brincam por entre as flores Harmonia as borboletas tem mil cores num ambiente festivo até o suspiro do rinol e os murmúrios das das abelhinhas inspiram propriamente tristeza mas apenas não inspiram tristeza mas alegria no pensamento do autor todo esse ambiente idílico está em harmonia com o o Idílio de ambos namorados vê como ali beijando-se os amores
incitam nossos ósculos ardentes Tecnicamente Se eu olhar o poema Tecnicamente ele retrata um poema camoniano Tecnicamente quer dizer ele volta ao rigor do poema clássico camoniano observa a rima pastores flores cadentes e sentes rima interpolada está presa a pastores a cadentes B sentes b e Flores B agora observa o seguinte se eu dei o som de a e esse som de A lá é pastores ores embaixo ele é obrigado a repetir o som do primeiro Quarteto então eu falei pastores embaixo amores eu falei cadentes embaixo ardentes eu disse centes embaixo inocentes eu disse flores embaixo
cores então a mesma posição da Rim e a mesma sonoridade do primeiro estrofe é mesma que se vê naa estof então ai daim na primeira estof Abba e na segunda estrofe a vejamos agora o que el faz nos tercetos faz o que Camões faz na mesma posição Olha suspira eu chamo de c que é um som diferente de a e de B suspira gira vira chamei de c e vou chamar de D para Clara causara D então a posição da Rima CDC dcd Camões é essa posição clássica o clássico tem o seguinte pensamento ele é
universal para ser racional O que é beleza na Europa é beleza nas Américas O que é beleza no continente é beleza nas ilhas ao homem Insular a beleza é universal então ele é racional para ser universal para beleza não ter um comportamento de acordo com a mudança geográfica do poeta quem há de fazer poesia no mundo na época clássica ou neoclássica faça da maneira que bocaj fez vamos insistir que os versos são dec sílabos heróicos há 10 sílabas em cada verso com pausa na sexta e na 10ma olha Marilha as frutas dos past eu desprezo
a última todo verso grave eu dispo a última sílaba se o verso fosse Agudo como a palavra oxítona eu contaria a última sílaba e num verso que termina por uma palavra proparoxítona eu desprezo as duas últimas sílabas como no hino nacional brasileiro Ouviram do pirangas margens plá vamos Recordar um pouquinho de análise sintática olha Marília a fralta dos pastores Qual é o sujeito dessa oração tu e marilo o que que é vocativo professor e se eu respondesse numa prova que o sujeito era María se acertou o sujeito lógico mas não sujeito gramatical aquele que tá
escrito aí tá escrito que é tu porque o verbo no imperativo Olha tu Olhe você olhemos nós olhai vós Olhe vocês a língua portuguesa tem essa beleza eu eu dizendo olhai eu sei que é voz a terminação do verbo me deu o sujeito olha María as frutas dos pastores frutas dos pastores objeto direto núcleo do objeto direto flautas dos pastores um adjunto adnominal restr a palavra flautas um atributo a flautas que bem que soam aí Bocage fez uma uma liberdade poética de repetir a a conjunção q Ou melhor o pronome relativo que as frutas dos
pastores que bem que sou ou seja fralta dos fatores que sou bem ele fez um que de Realce até pleonástico Como estão cadentes Como estão harmoniosa Olha o tej a sorrir-se olha não sentes os zeros brincar por entre as flores vê como ali beijando-se os amores incitam nossos óculos ardentes observa vê como ali os amores incitam nossos oscos ardentes Então essa oração como os amores incitam nossos oscos ardentes é o objeto direto do verbo ver e esse v o sujeito é tu vê tu veja você vejamos nós V de vós vejam vocês beijando-se quando se
beijam uma temporal reduzida do gerúndio temporal eas de planta em planta as inocentes as vagas borboletas de mil cores naquele arbusto o rinol suspira ora nas folhas a abelhinha para orha nos ares chuando gira como se chama mesmo oração coordenada ligada pelo Ora ora nas folhas a abelhinha para ora nos ares sussurrando gira como chama essa oração ou trabalha ou estuda ora trabalha ora estuda coordenada aditiva adversativa alternativa alternativa que Alegre Campo que Manhã Tão Clara mas há tudo que vês se eu t não vira condicional se eu t não vira condicional tudo aquilo me
causara tristeza tudo que vê se eu t não vira uma condicional o sujeito dessa condicional eu e esse t o objeto direto nós vimos o movimento árcade no meu livro de literatura curso de literatura consultando meu livro de literatura eu faço um resumo para os alunos O que é o movimento árcade o movimento árcade a razão é o único guia infalível da sabedoria a razão dois o universo é a máquina governada por leis inflexíveis a ordem natural não comporta Milagres ou qualquer forma de intervenção divina a religião o governo as instituições econômicas deveriam ser expurgadas
de todo artificialismo e reduzidos a uma forma coerente com a razão e a liberdade natural não existe o pecado original o homem não Nasu conit depravado Esse é o entendimento filosófico do neoclassicismo do Iluminismo o Iluminismo de Voltaire Então as características desse movimento árcade retorno ao mundo grego e romano e Por conseguinte ao mundo de Camões dois Retorno à simplicidade pela comunhão com a natureza três busca da perfeição formal quatro despojo dos elementos inúteis abandono portanto das metáforas hipos em exagero construção exagerada cinco a arte seria a imitação da natureza teoria de Aristóteles já que
se procura no campo o tema pastoril e Campestre seis predomínio da razão e da ciência sete a poesia deve voltar-se para a natureza que é onde Residem a beleza a pureza a naturalidade a portanto a poesia deve ser pastoril bucólica ingênua e inocente lê comigo o poema lê comigo em voz alta você lê aí eu ouço você lendo lê comigo o poema olha Marília a flalta dos pastores que bem que soam como estão cadentes Olha o tejo a sorrir-se olha não sentes os zéfiros brincar por entre as flores vês como ali beijando-se os amores incitam
nossos ósculos ardentes eas de planta em plantas inocentes as vagas borboletas e mil cores naquele azul o rochin não suspira ora nas folhas a Belinha para ora nos ares sussurrando gira que Alegre Campo que Manhã Tão Clara mas ah tudo que vz se eu t não vira mais tristeza que a noite me causara a minha aula a de hoje é número 160 Então temos já 160 aulas no vídeo toda quarta-feira existe uma aula do professor da aula número um até 82 eu fiz uma revisão de toda a literatura portuguesa e brasileira aquela programação do colégio
aquela matéria que normalmente se pede no vestibular toda a literatura o trovadorismo renascimento Barroco arcadismo romantismo Realismo parnasianismo simbolismo modernismo surrealismo Dad dismo expressionismo Impressionismo FZ uma uma uma revisão de toda a matéria da aula número 82 até a 150 eu fiz uma revisão de da gramática da língua portuguesa tem toda a programação do colégio e de vestibular morfologia análise sintática a sintaxe de concordância de Regência de colocação a pontuação uso da vi ponto final a ver a metrificação a versificação a arte de fazer versos e agora eu estou iniciando a aula de interpretação de
texto todo exame que existe nesse país existe a interpretação de texto todas as perguntas feitas pelos exames do Enem da Fuvest São perguntas extraídas de um texto previamente anunciado tudo de texto aliás a vida é uma interpretação de texto o aluno que sabe interpretar um texto ele sabe ele sabe L um texto de química um texto de física um texto de biologia tá no texto quando éramos jovens ou então jovens lá do ginásio antigo faziam Cola porque ele fazia Cola porque ele Lia e não sabia o que estava lendo aquele indivíduo que l e sabe
o que está lendo precisa fazer cola se ele leu um texto e sabe o que está lendo ele vai responder as questões o problema é maior do que esse é que lê e não sabe o que está lendo aí a dificuldade Então vamos a aula de interpretação de texto hoje nós interpretamos um texto de bcar e vou fechar a aula com texto de Bocage contendo os mesmos princípios que nós agora expusemos a natureza a ingenuidade da natureza a belza da natureza é arte neoc e Bras Ant Gonzaga ées Dessa arte Manuel Maria Barbosa de boc
o l do passarinho que goria da alma exprimindo a Cida Ternura o rio transparente que murmura e por entre Pedrinhas serpenteia o sol que o céu diáfano passeia a lua que lhe deve a formosura o sorriso da Aurora Alegre e pura a Rosa que entre o zéfiros ondeia A Serena amorosa Primavera o doce autor das glórias que consigo a Deus das paixões e disit Tera quando digo meu bem quando não digo tudo em tua presença degenera nada se pode comparar contigo a minha Pátria é a língua portuguesa Y