No tema do nosso vídeo, né, dessa live aqui, a gente vai comentar um pouco mais a respeito sobre o que está por trás da remoção dos moradores da favela do moinho e o que você que está assistindo tem a ver com isso, apesar de não parecer. Então é importante que você fique nesse vídeo até o final para você conseguir entender o contexto de onde aparece esse movimento e o que que ele significa para você que está aí morando eh não só em grandes centros urbanos, mas também em cidades de uma maneira geral. Então, quero puxar aqui a matéria.
Vamos começar. Notícia que saiu hoje de manhã às 5 horas da manhã. Governo de São Paulo começa a retirar famílias da favela do moinho.
Ideia é fazer um parque no local. Batata. É mentira.
O governo estadual diz que se trata de uma mudança programada. União argumenta que a transferência do terreno está condicionada à garantia do direito à moradia das quase 1000 famílias. Então, para você aí que não sabe, para também para gerar uma contextualização, a favela do moinho é a última favela do centro de São Paulo.
É a última favela que tá ali naquela região e ela fica no bairro que hoje a gente chama de Campos Elíse, ali próximo é da Santa Efigênia, ali próximo da Avenida Rio Branco. E a favela ela fica bem atrás de um estacionamento da CPTM, tá? Ela fica bem atrás da linha do trilho.
A favela do moinho fica bem aqui, tá? É essa área bem próxima do trilho que vocês estão vendo do lado do da CPTM. Essa favela, ela começou a ser ocupada a partir do abandono dessa área que pertencia à família Matarazo, né?
Aqui funcionava um moinho, né? que é essa estrutura que hoje tá abandonada e que por isso recebeu esse nome, né? Então aqui nessa área habitam mais de 1000 famílias em condições profundamente precárias, em condições que são realmente ali bastante desafiadoras para qualquer pessoa viver.
Mas as famílias construíram as suas casas, seus barracos aqui nessa região. E o que acontece é o seguinte, essa área aqui, especialmente do centro de São Paulo, ela tem sido alvo da especulação imobiliária. O que que é especulação imobiliária?
especulação imobiliária é um movimento em que diversos interessados eh na área imobiliária, né, na área de construção civil, de terreno, etc. , começam a fazer movimentações para poder viabilizar, para poder garantir a valorização de determinados terrenos, colocar suas mãos nesse terreno e mais tarde vender eles a pretos exorbitantes para construtoras, para imobiliárias, para empresas que lidam com essa questão da moradia. E a favela do moinho, ela tá dentro de uma área bastante valorizada nesse sentido, especialmente nos últimos anos.
Porque o que acontece nos últimos anos, essa área do centro de São Paulo, para você aqui que é da cidade, que mora no centro, já deve ter se habituado, visto isso e tal, houve uma movimentação muito grande pra construção de novos empreendimentos imobiliários, desses grandes prédios, né, que tem ruft top, lazer e o a 4. Esse movimento é um movimento que tá acontecendo desde a implementação do plano diretor da cidade de São Paulo. O plano diretor da cidade de São Paulo foi implementado durante a gestão do Fernando Hadad e ele previa e a participação cada vez maior das construtoras privadas na organização e na construção de apartamentos ditos populares.
Então, o que foi acordado nesse plano diretor? Que essas empresas, né, esses grupos privados poderiam participar dessa reestruturação, dessa revitalização do centro da cidade, desde que houvesse a preocupação com a concessão de moradias populares para as famílias que habitam essa região. É claro, né?
Você não precisa fazer um esforço muito grande para descobrir que nada disso foi posto em prática, né? Pelo contrário, o que acontece é que a grande maioria dessas moradias acabou sendo destinada para a aquisição de fundos de bancos, de imobiliárias, de empresas privadas. Esse é um processo que acontece não só em São Paulo, mas que acontece em várias cidades do Brasil.
E aí o que o resultado disso é que esses vários apartamentos que são construídos acabam ficando na mão de poucos proprietários que vão ou comprar muitos apartamentos e revendê-los a preços astronômicos em eh metragens cada vez menores. Então, é muito comum você encontrar apartamentos aí de 24, 27, 32 m² e que vão acabar servindo para poder movimentar e ampliar a especulação imobiliária. E isso vai acabar fazendo com que esses apartamentos sirvam pra Airbnb, vão servir pra especulação, pra valorização local, etc, etc, etc.
Então, o plano diretor veio com essa premissa e, evidentemente, não cumpriu essa premissa. Então, faz muitos anos que essa área do centro de São Paulo tem passado por um processo que a gente chama de gentrificação. O que que é a gentrificação?
A gentrificação, basicamente, é um fenômeno que vai acabar fazendo com que o valor do terreno de uma determinada região seja valorizada a partir da movimentação de outros setores que estão indo morar nesses lugares. Então a gentrificação, ela vai acompanhar o aumento do preço dos aluguéis, vai acompanhar o aumento do preço dos serviços regionais e ela é um instrumento que ajuda a promover essa especulação imobiliária. Ela tá muito associada a essa ideia de tornar o ambiente mais agradável, entre aspas, para poder ser vivido.
O que na prática significa a expulsão das famílias de trabalhadores, das famílias mais proletarizadas, né, que estão historicamente presentes nesses bairros, justamente porque elas não têm condições financeiras e econômicas para poder continuar morando nesses espaços. E aí esse processo de gentrificação, ele acompanha uma série de etapas, desde a instalação de estruturas, né, que vão valorizar principalmente camadas da pequena burguesia, até mesmo outras estratégias que vão buscar consolidar essa tática. Uma dessas estratégias que ficou muito famosa foi justamente as diversas movimentações que a prefeitura e o governo do estado fizeram com relação à chamada cracolândia.
Para você que não é de São Paulo, que não conhece essa história, a Cracolândia é uma região de São Paulo que é ocupada, né, que é ali eh que tem ali a presença de muitas pessoas que estão em situação de extrema vulnerabilidade social causadas eh principalmente pela dependência química, né, pelo enfim, porque a gente chama popularmente de vício em drogas, especialmente pelo craque, pelo K9, é por essas substâncias que são mais acessíveis, que causam efeito devastadores na saúde das pessoas e que são jogadas à margem da sociedade. Então, aqui na cidade de São Paulo, né, ou mesmo no estado, você não tem nenhum tipo de orientação, nenhum tipo de serviço, nenhum tipo de organização que vá tentar melhorar, né, que vai tentar diminuir a tensão e o problema que essas pessoas passam. Então o que acontece é que de tempos em tempos existe uma movimentação da área da cracolândia pelo centro de São Paulo.
Então já teve aí prefeito Fernando Hadad, João Dória, Gilberto Cassabe, Bruno Covas, Ricardo Nunes, um monte de gente que tá tentando levantar essa bandeira do fim da cracolândia, né, da destruição desse espaço tão terrível e que as pessoas estão ali habitando. E você vai fomentando um medo generalizado na comunidade e na cidade, né, em geral. para poder criar esse discurso que vai fortalecer práticas profundamente repressoras.
Então, é muito comum que a gente veja práticas de repressão por parte da Guarda Civil Metropolitana, da Polícia Militar e que vão tá associadas também a outros movimentos, como o movimento de vagabundos do MBL, de canalhas safados marginais, que conseguem crescer em cima desse discurso explorando o medo que é produzido por essa situação de caristia. Então você não tem uma movimentação no sentido de um cuidado dessas populações. O que que você tem majoritariamente hoje é o quê?
Presença de comunidade terapêutica. Você tem comunidades religiosas que estão tentando fazer ali aquela conversão forçada. você não tem aparelhos ligados ao CAPS, ao SUS, ao tratamento de saúde mental que permitiria que essas pessoas pudessem ter algum tipo de assistência e de atendimento.
Existem organizações e existem instituições, né, que fazem essa tentativa, como a organização da Craco resiste, mas elas são minoritárias. Mas aí o que acontece nos últimos tempos? A gente viu uma movimentação muito grande dessa nova área da cracolândia que começou a se expandir pelo centro de São Paulo, graças ao aumento da precariedade da vida no geral.
Então você tem aumento do preço do aluguel, o desemprego, a fome, o aumento do custo de vida em geral e que vai acabar sendo um vetor, né, de aceleração, de catalização para a marginalização dessas pessoas que vão sofrer violência, que vão sofrer caristia e tudo mais. E aí o que acontece? é que o poder público, que é o balcão de negócios, aonde essas imobiliárias, construtoras, incorporadoras, etc, etc, fazem seus negócios, acaba adotando uma estratégia que é a seguinte: movimentar a cracolândia de lugar, então expulsar essas pessoas de regiões em que elas estão mais presentes e deslocá-las para outros espaços.
Sob qual objetivo? Sobre o objetivo de desvalorizar o terreno local. Então, graças a essa desvalorização, os terrenos locais passam a ter menos circulação de pessoas que têm medo dos pequenos furtos e roubos que são realizados ali.
Eh, você tem uma circulação muito menor dentro desse espaço residencial, comercial e isso acaba fazendo com que o terreno seja desvalorizado. E aí, nessa desvalorização de terreno, essas incorporadoras, bancos, empreendimentos privados e tal, começam a avançar sobre os pequenos logistas, as pessoas que tm seus apartamentos e suas casas ali há muitos anos e que estão vendo o valor dos seus terrenos cair dia após dia. Então, essas empresas privadas começam a fazer uma pressão muito grande sobre esses moradores, buscando justamente comprar o terreno deles a preço de banana.
E aí depois que essa compra é feita e essas demolições são anunciadas e aí esses grandes prédios começam a ser erguidos, aí sim você tem uma nova movimentação por parte das forças de segurança pública que vão buscar expulsar essas pessoas da região. Então, há alguns anos atrás, a gente poôde observar a presença ali da cracolândia dentro da praça que fica ali ao lado do terminal princesa Isabel, aquilo ali que era uma cena assim terrível, né? Era uma cena muito triste e que representava realmente ali uma uma similaridade com um campo de prisioneiros, com um campo de concentração e que depois de um determinado momento começou a ter a expulsão dessas pessoas justamente sob esse discurso de revitalização do centro.
E aí, aonde que entra a favela do moinho nesse sentido? A favela do moinho, como a última favela do centro de São Paulo, é um território que vem sofrendo essa pressão por parte do governo do estado, da prefeitura. há muito tempo.
Então, não foi o Dória, não foi o Ricardo Nunes, não foi o Tarcino de Freitas que começou a buscar essa movimentação e pôr as mãos nesse território. Isso aconteceu desde a época da prefeitura do Fernando Hadad e tem um engodo em relação a isso que é o seguinte: o território da favela do Moinho é um território que pertence à União, ou seja, ele pertence ao governo federal e havia um mandato, né, judicial que permitia até o começo eh de não sei se era o começo desse ano ou final do ano passado, que permitia a continuidade dos moradores naquela área até que fosse expedido um novo mandato. Esse mandato acabou, ele expirou, ele não existe mais.
E aí isso acabou criando as condições para que a Polícia Militar e a GCM, comandadas pelo governo do estado e pela prefeitura, pudessem avançar e começar a a vacalhar a vida dos moradores. Qual foi a estratégia que a prefeitura utilizou para poder tentar expulsar os moradores dessa região? Oferecer acordos draconianos, né?
acordos que são uma merda para os moradores e que não garantem a moradia dessas pessoas na região. foi acordado, né, foi ofertado pela CDHU uma um bolso aluguel no município no valor de R$ 400 e o governo do estado também ofereceu um bolso aluguel de mais R$ 400 em que essas famílias receberiam esse dinheiro para poder pagar um aluguel ou para poder pagar o financiamento de um apartamento que seria prometido para essas famílias em áreas que estão longe do centro de São Paulo. Então essa estratégia ela é bastante comum.
A gente vê que essa, esses escritórios, né, essas secretarias que fazem esse tipo de projeto, jogam as famílias trabalhadoras em apartamentos que são muito longe do centro, apartamentos que também não vão ter acesso ali regionalmente a empregos em grande volume, a uma estrutura pública em geral e que geralmente são carentes desses serviços essenciais, como água e esgoto, eletricidade e vários outros que são fundamentais para que essas pessoas possam viver. E aí o que acontece é que esse movimento, né, da promessa da CDHU veio a partir de um profundo assédio contra os moradores. Então muitos moradores ali que, enfim, né, tem uma vida bem difícil, né, tem uma vida bastante complicada, especialmente porque a gente não pode romantizar a favela, né?
A gente não pode achar que a favela é um espaço lindo, perfeito, maravilhoso, que a gente tem que defender aquela estrutura, porque quem entra numa favela, como o trabalho que o PCBR faz ali da célula dos campos elíse, sabe qual é o grau de precariedade que essas pessoas vivem, o grau de violência, o volume de doenças que existem circulando ali pela falta de acesso ao saneamento, pela falta do recolhimento correto do lixo, pela pelos perigos representados pela estrutura muito precária. Então, o grande discurso que vem para a retirada dos moradores da favela é de justamente o perigo que esses moradores estão passando. E esse perigo ele acaba sendo representado pelos diversos casos de incêndios que rolaram na favela do moinho, não só na favela do moinho, né, mas em várias favelas do centro de São Paulo e que acabam servindo como argumento para os grandes veículos de imprensa, para os grandes poderes políticos locais se utilizarem para dizer que ali é uma área perigosa, né?
sem levar em consideração que boa parte desses incêndios são feitos, realizados amando justamente dessas incorporadoras, dessas construtoras, de pessoas que são pagas para poder tacar fogo na favela e assim eh descampar aquele território e tornar a presença dos moradores trabalhadores naquela região cada vez mais difícil. Então esse movimento ele vem a partir de casos de violência, a partir de casos de invasão da favela, em que a polícia, né, em que as autoridades de segurança que estão ali reforçadas pela CDHU, pelo argumento da CDHU, vão est ali retirando os moradores. Então o que que a CDHU fez?
Ela ofertou esse acordo de bosta pros moradores. Muitos moradores, né, que ali estão querendo sair, estão querendo uma outra vida, caem no papo da CDHU, que fica sediando para eles assinarem contratos. E aí, nesse processo, uma pressão contra esses moradores se intensifica cada vez mais contra a organização coletiva dos moradores da Papela do Moinho, que é representada pela associação de moradores e que vai sendo atropelada dia após dia.
E esse movimento ele acontece então no sentido primeiro dessa gentrificação que a gente já falou que vem acontecendo há muitos anos no centro de São Paulo que busca aumentar o valor das incorporadoras e dos terrenos ali naquela região e que acaba levando a uma concentração das propriedades imobiliárias na mão de poucos agentes, de poucas pessoas. E um segundo projeto que vai ser fundamental para poder levantar e dar cabo esse discurso, né, da mais materialidade para ele, é justamente a mudança da sede do governo do estado que tá passando ali do bairro do Morumbi para a região dos campos elíse, né? Então é muito interessante que o governo do estado faça também essa movimentação, faça essa articulação para poder vender a ideia de que o centro de São Paulo é um centro limpo, é um centro que não tem perigo, é um centro que tá ali respirando a civilização, né?
tá respirando o progresso. E no meio desse progresso, esses moradores e essas pessoas vão sendo retirados à força, vão sendo presos, vão sendo agredidos, vão sofrendo toda a sorte de violência para poder garantir o cumprimento desses interesses privados. Então, várias favelas aí do centro que existiam antes em São Paulo foram desocupadas a partir do incêndio, do assédio imobiliário, das forças de segurança para poder viabilizar esse projeto de gentrificação, para poder viabilizar esse projeto de valorização do terreno e que acontece em várias áreas de várias cidades do Brasil.
A favela do moinho é só um caso em particular que ajuda a gente a analisar esse fenômeno da a partir da sua totalidade. Então isso aqui não é exclusivo do centro. Isso tem no Rio de Janeiro, em Salvador, em Recife, em Porto Alegre, em Manaus.
Isso tem em todas as capitais do Brasil. E isso é esse movimento que demonstra também pra gente o quanto a classe trabalhadora tem sido empurrada cada vez mais pra situação de aluguel, para uma situação de carestia, pro afastamento da moradia do centro, onde tem esses empregos, onde tem essa movimentação econômica e para uma situação de cada vez mais segregação social do espaço urbano, né? uma segregação que acontece fruto justamente da prevalência, da dominância dos interesses do capital privado e dos seus interesses da especulação imobiliária contra um projeto de moradia urbana e popular.
Então, esse projeto de moradia urbana e popular que a gente ouvia muito falar sobre a desocupação de imóveis desocupados, aliás, a expropriação de imóveis desocupados e a construção de moradias populares, de repente virou um tema que ninguém mais fala, né? De repente virou um tema que ninguém mais aborda e o centro do debate sobre espaço urbano se tornou garantir o acesso das famílias a financiamentos de imóveis via Minha Casa, Minha Vida ou via outros programas aí do governo do estado ou do município. E por que que isso não é bom?
Por que que isso é um problema? Porque isso significa endividamento das famílias trabalhadoras. Muitas dessas famílias não t nem recurso para conseguir pagar um aluguel.
Quem dirá conseguir pagar um financiamento de maneira permanente? Porque muitas dessas famílias estão em situação de informalidade, vendedor de coisa na rua. Muitas delas estão inseridas em dinâmicas de trabalho da escala 6x1.
Muitas dependem de programas de auxílio social como Bolsa Família. Então você jogar essas pessoas para essa lógica, para essa estratégia do financiamento, é você jogar essas famílias pra própria sorte. é jogar essas famílias para uma condição que você não sabe se elas vão ter dinheiro para poder pagar isso.
E aí hoje o que que tá acontecendo hoje, graças a esse acordo draconiano, esse acordo safado, vagabundo, que a CDHU fez os muitos moradores aceitarem, agora isso tá permitindo com que eh haja uma pressão e um assédio cada vez maior das forças de segurança para retirar as as famílias de trabalhadores da favela do moinho e assim garantir que o governo do estado coloque as suas mãos sobre esse terreno que tem um alto valor local e que vai ser fundamental para poder viabilizar esse processo de gentrificação e esse processo de higienização que existe contra os trabalhadores historicamente na cidade de São Paulo, mas também em todos os centros urbanos. um projeto de higienização, um projeto de higienismo social que vai resvalar, que vai afetar, como sempre, as camadas mais marginalizadas, mais subalternas da classe trabalhadora, que são compostas por mãe solo, muitas vezes negras, e que são as principais vítimas desse tipo de política e desse tipo de movimentação. Então, sem pensar um programa estratégico que vise a expropriação dessas desses prédios que estão inutilizados, devendo milhões de reais de PTU, em que nada acontece feijoada, a gente não vai ver uma solução concreta e prática pra resolução da situação dessas famílias que vão continuar sendo vitimadas pela violência estatal, que é a violência transmissora das vontades e dos desejos de lucro e de acumulação da burguesia.
Então, eh, mais uma vez aí reforçar que esse processo não é um processo exclusivo da favela do Moinho, não é um processo exclusivo que acontece em São Paulo, mas ele pertence à ordem geral das coisas. A gente vê as reformas urbanas no Rio de Janeiro no começo do século XX, a expropriação das propriedades que o Cloves Moura relata no livro dele, Brasil, as raízes do protesto negro, na região da Liberdade, do bairro da Liberdade aqui em São Paulo. A gente vê a expropriação de eh de terreiros em muitos locais no Rio de Janeiro, em Porto Alegre, que vão servir para poder fomentar essa especulação e essa movimentação que no final das contas acaba afetando quem?
justamente as camadas mais marginalizadas da classe trabalhadora. E agora eu quero saber de você, né, que tá vendo esse corte, de você aí na live também que tá assistindo, quais foram os casos de expropriação e de expulsão que aconteceu aí na cidade de vocês. Comenta aqui embaixo.
Isso é muito importante pra gente poder compartilhar essa visão e mostrar que esse projeto de genticação e esse projeto de higienismo social, ele não é um ponto fora da curva, ele não é só da responsabilidade do governador Tarcísio ou da prefeitura do Ricardo Nunes ou do governo federal, que demorou muito para poder garantir um mandato de segurança para permitir que as famílias do moinho tenham garantia de moradia. Esse é um processo histórico e que diz respeito à própria formação do espaço urbano e a própria formação das moradias e da própria concepção das cidades por todo o Brasil. Tá bom?
É isso. Obrigado por ter assistido. Não esqueça de se inscrever e também não deixe de acompanhar toda a movimentação que os moradores e a Associação dos Moradores do Moinho está fazendo neste exato momento pelo perfil do Instagram deles que eu vou deixar aqui na tela do vídeo para você poder dar uma olhada, tá bom?
É isso, gente. Muito obrigado.