Módulo 7 aula 16 Agora que nós já falamos sobre os procedimentos de ensino envolvidos no DTT, geralmente eles são todos utilizados ao mesmo tempo, eles compõem as tentativas, eles vão ser utilizados em uma seção de DTT ao longo de várias tentativas, eles vão influenciar a apresentação ou não de dicas. Vamos falar sobre alguns aspectos práticos do DTT que muitas vezes são negligenciados. Um primeiro aspecto prático é a posição que você fica em relação ao cliente.
Muitas vezes as tentativas de DTT são realizadas em uma mesa, porque às vezes a gente precisa colocar alguns materiais sobre a mesa, a gente precisa mostrar algumas figuras. Isso não é um requisito básico para chamar um ensino de DTT, eu poderia realizar o DTT em outros contextos, em outras situações sem a necessidade de uma mesa. Mas muitas vezes a gente utiliza uma mesa e também pensando que muitas vezes a gente está preparando o nosso cliente, se você trabalha com intervenção intensiva e precoce, como crianças de 2 a 5 ou 6 anos, a gente está preparando esses clientes para um ensino mais formal, escolar.
Então vai haver uma carteira de escola, uma mesinha para que essa criança faça as atividades, escreva, leia e faça diversas outras atividades. Então muitas vezes a gente usa uma mesa nessas atividades, incluindo o DTT aqui. A maneira como a gente se posiciona em relação ao cliente é uma variável importante.
Então eu poderia fazer tentativas de DTT estando do lado oposto da mesa em relação ao meu cliente. Então qual é a posição em relação ao cliente? Eu posso estar do lado oposto da mesa e ele consegue me ver diretamente, ver os meus olhos, ver o meu rosto e ver os materiais de ensino.
Nessa posição eu posso ter um pouco de controle sobre os materiais de ensino porque eu posso colocá-los ao meu lado e o cliente está lá do outro lado da mesa, então ele vai ter um pouco de dificuldade de ter acesso aos materiais, a menos que eu disponibilize esses materiais para o meu cliente. No entanto, essa posição também pode trazer alguma dificuldade, que é por exemplo, eu dar alguma ajuda física para o cliente em algum ensino específico. Então essa posição do lado oposto da mesa pode ser inconveniente para alguns clientes, não favorecer muito o ensino, e talvez para o mesmo cliente eu precise usar posições diferentes a depender do que eu estou tentando ensinar para ele.
Por exemplo, se eu vou ensinar imitação de movimentos de pernas e pés, e estou do outro lado da mesa isso vai tornar difícil esse ensino e aí eu teria que adotar uma outra posição. Uma outra posição possível é estar na lateral da mesa ao invés do lado oposto da mesa. Então o cliente está numa posição e eu estou na diagonal do meu cliente.
Então na outra lateral da mesa pensando que essa mesa pode ser retangular ou quadrada, geralmente a gente tem esses dois formatos. Nessa posição do cliente eu consigo ver os pés, o corpo do cliente praticamente todo e ele também consegue me ver caso eu precise dar alguma dica de modelo ou uma dica gestual e eu consigo também estar mais próximo do cliente para dar algum tipo de ajuda física caso seja necessário. Nesse caso geralmente os materiais de ensino vão ficar do lado oposto da mesa, o cliente está de um lado e eu coloco do outro lado e ainda assim eu tenho acesso fácil a esses materiais de ensino e o cliente tem pouco acesso a esses materiais.
É muito importante a maneira como a gente posiciona os materiais em relação ao cliente para garantir que o cliente vai estar engajado e ele vai ter acesso aos materiais conforme nós vamos disponibilizando esses materiais para ele. Isso não significa que a gente não possa dar escolhas para o cliente, eu posso dar escolhas, mostrar um material, ele pode escolher qual é a atividade que ele quer fazer naquele momento. Então dar escolhas também é uma coisa interessante e pode ajudar com que o cliente se engaje nas atividades, mas é muito importante que a gente tenha controle sobre o material de ensino disponibilizando ou não disponibilizando dentro da minha sessão de DTT.
Uma terceira posição possível, seria estar ao lado do cliente do mesmo lado da mesa. Então eu não estou mais na diagonal, eu estou do mesmo lado da mesa em relação ao cliente e aí sim eu consigo ver o cliente todo, ele também consegue ver todo o meu corpo, se eu for fazer algum movimento mais complexo, eu posso fazer cócegas no cliente porque eu estou mais próximo dele, se isso for um reforçador para o meu cliente. Então eu tenho muito mais proximidade física com o cliente nesse momento e isso pode ser necessário para alguns clientes e alguns ensinos de habilidades.
Um outro ponto importante nesses aspectos práticos do DTT é como eu organizo os materiais de apoio ou os materiais de ensino. É interessante utilizar estantes, gaveteiros ou mesmo caixas organizadoras, para eu armazenar os meus materiais de ensino. Para ter uma sessão de DTT eu tenho que ter esses materiais bem organizados e à minha disposição para que eu faça a transição de um material para o outro rapidamente.
Pausas muito longas podem dar a entender ao cliente que nós encerramos uma sessão de DTT, e isso pode não ser verdade. Então é interessante que você tenha esses materiais preparados antes do início da sessão de DTT e a sua disposição. Com gaveteiros pequenos que possam te dar acesso rápido aos materiais, mas que podem dificultar o acesso para o cliente numa situação específica também podem ser bastante interessantes.
Então os materiais precisam estar organizados e de fácil acesso para você durante as sessões de ensino. Você sempre vai tentar colocar o material, em uma posição em que você tenha fácil acesso, mas o cliente não tenha fácil acesso. Se você quiser dar acesso a ele, você pega o material e coloca sobre a mesa, e o cliente pode ter acesso conforme você disponibiliza isso para ele.
Onde as sessões de DTT devem acontecer? Elas podem acontecer em muitos lugares, elas podem acontecer como a gente vem falando aqui, numa mesa de atividades, numa carteira de escola ou numa mesinha apropriada para o tamanho e idade da criança, e também apropriada para o tamanho do terapeuta, muitas vezes a gente vai ter que pensar nesses móveis para que eles também dê conforto para o aplicador, mas essas sessões também podem acontecer no parquinho, no balanço ou mesmo num tapete de EVA. Isso pode acontecer praticamente em qualquer lugar porque o DTT, em sua definição, não inclui local.
Esse local deve ser de preferência, com pouca estimulação, um local mais tranquilo para favorecer a atenção da criança, mas não existe um requisito físico de mobiliário, desde que eu consiga controlar a situação, o ambiente, as tentativas, e consiga produzir o engajamento do cliente. As questões de mobiliário, local e contexto onde o DTT vai ocorrer podem variar bastante. Quais são algumas vantagens do DTT?
Primeiro é um procedimento que permite muitas oportunidades de ensino em um espaço de tempo pequeno. Então eu consigo fazer várias tentativas, várias oportunidades para o cliente responder num período curto de tempo. Ele é muito amparado como um procedimento na literatura científica.
Então é um procedimento que é eficaz desde que utilizado corretamente com todos os componentes que nós falamos aqui nesse módulo. O DTT também permite acompanhar o desempenho dos clientes com uma precisão muito grande. Então eu consigo ver quantas respostas corretas, incorretas, qual nível de ajuda que eu estou dando, se o cliente está ou não dependente de dica.
Então é como se eu conseguisse observar o aprendizado com uma lupa, percebendo se o cliente está ou não está avançando e qual é o ritmo desse avanço do aprendizado nas habilidades que nós estamos ensinando. O DTT também tem algumas desvantagens. Então a primeira delas é a rigidez desse procedimento.
Pode gerar algumas dificuldades de generalização. Então como é um procedimento muito estruturado e quem inicia as tentativas é o terapeuta, pode ser difícil para o cliente exibir essa habilidade aprendida num contexto de tentativas discretas em uma outra situação natural de convívio, de interação não estruturada com o próprio terapeuta ou com outras pessoas. Então o DTT pode não produzir facilmente uma generalização da habilidade aprendida nesse contexto e pode criar também uma dependência de dicas para responder corretamente, se não for conduzida adequadamente.
Aparentemente ele não é difícil, mas quando a gente vai implementar, ver, entender, olhar, observar, aqui está fazendo uma correção de erro, aqui é a dica, está fazendo a retirada gradual de dica. Perceber o procedimento é uma coisa e conseguir executar o procedimento é outra. Então é um procedimento complicado, difícil de observar os componentes, por isso a gente vai explicando aqui, mas executar, praticar esse procedimento é uma etapa necessária, porque as coisas acontecem muito rápido e eu preciso garantir que a criança se mantenha engajada.
Essas limitações do DTT podem ser contornadas. Com essa inflexibilidade, essa rigidez, ela pode ser contornada com programas de generalização, eu posso elaborar programas que favoreçam a generalização combinando DTT com outros procedimentos, por exemplo o ensino incidental ou videomodelação, eu posso combinar o DTT com outros procedimentos para que eu diminua essas desvantagens. O que não deve acontecer é usar apenas o DTT.
E já que nós estamos falando disso, existe um mito em torno do ensino por tentativas discretas do DTT, de que DTT é igual a ensino na mesinha. Isso é um mito, não tem nada que demonstre isso, talvez a prática de algumas pessoas de terem aprendido a fazer DTT, mas não terem aprendido outros procedimentos de ensino, isso faz com que essas pessoas só façam aquilo que elas aprenderam a fazer, e isso não reflete o que são as terapias baseadas em ABA. Os procedimentos são muito maiores, muito mais complexos do que ensinar sentado numa mesinha de frente para criança.
Então DTT é diferente de ensino numa mesinha. Eu posso fazer ensino incidental, naturalístico na mesa. A mesa não define o DTT e o DTT não se resume ao ensinar na mesinha.
Como nós já falamos, esse ensino pode ocorrer em vários contextos sem ter uma mesa, no parquinho, no balanço, em qualquer lugar onde a criança esteja, dentro da escola, no intervalo de aula, em qualquer lugar pode ser feito ensino por tentativas discretas, e eu não devo de modo algum concentrar todo o meu atendimento em ensinar na mesinha. Geralmente o DTT é mesclado dentro de uma sessão de atendimento baseado em ABA, eu vou ter momentos de ensino em tentativa discreta e momentos de ensino naturalístico. Então DTT é diferente do ensino na mesinha.