Olá seja bem vindo à página 99 eu sou a Carolina e eu sou a Lívia e hoje a gente vai falar sobre crônica da casa assassinada do Lúcio Cardoso bom pessoal como eu costumo e vamos começar falando um pouco sobre o autor um pouquinho sobre a vida dele e depois a gente comenta a obra O Lúcio Cardoso nasceu em 1912 em Minas Gerais mas em 1929 ele se mudou para o Rio de Janeiro da onde ele nunca mais saiu e esses dois lugares Minas e rios são bem importante para esse livro aqui são os dois
lugares Nos quais a história se passa em 1934 Lúcio publica o seu primeiro romance chamado maleta que é bem recebido pelos críticos um ano depois ele publica seu segundo romance chamado Salgueiro que também é bem recebido e em 36 ele publica o a luz no subsolo outro romance que dessa vez é o romance que vai estabelecer o Lúcio de vez nos círculos literários do nosso país além de romances O Lúcio também escrevia poemas novelas peças ensaios e críticas de arte e ele também tinha os seus diários que foram reunidos e publicados pela civilização brasileira com
edição do esma sobre Ribeiro na década de 40 Lúcia também começa reduzir para ter uma renda mais para se manter financeiramente ele traduz autores como Jane Austen Stoker gotta e Tolstói entre outros e ele também tava envolvido com outras formas de arte além da literatura por exemplo ele pintava e desenhada ele realizou algumas Exposições bem sucedidas e na década de 50 ele também lidou com cinema ele dirigiu produziu e escreveu o roteiro de alguns filmes inclusive nessa época ele trabalha em parceria com Paulo César CN e que em 71 após a morte do Lúcio Cardoso
vai fazer uma adaptação cinematográfica deste livro aqui mas voltando agora para a vida do Lúcio e em 58 a mãe dele falece isso acaba sendo um baque bastante grande para ele então nesse ano de 58 ele não publica nada mas foi em meio ao luto que ele começou a desenvolver o que seria a sua grande obra prima que é crônica da casa assassinada que seria publicado então em 1959 Esse foi Aliás o último concluído pelo Lúcio Cardoso apenas três anos após a publicação de crônica da casa assassinada que foi super bem recebido Aliás o Lúcio
Cardoso sofre um derrame cerebral isso deixa o lado direito do corpo dele paralisado então ele já não consegue mais escrever ele também já não consegue falar muito bem e é nesse momento que ele se volta de vez para pintura 6 anos depois disso ele sofre um outro derrame cerebral que dessa vez é Fatal então ele falasse a 56 anos em 1968 Agora vamos começar a falar sobre o livro crônica da casa assassinada como a gente comentou Esse livro foi publicado em 1959 e ele seria parte na verdade de uma trilogia os outros dois livros que
fariam parte dessa trilogia seriam O Viajante que nunca foi concluído pelo Lúcio Cardoso mas que foi publicado postumamente e no qual está Aliás o personagem André que é um personagem Central aqui desse livro e o outro livro que faria parte da energia é o racking que pelo que a gente viu nunca chegou a ser publicado Mas enfim a crônica da casa assassinada Foi recebido instantaneamente como sendo um clássico da literatura brasileira O que não impediu que houvesse certa polêmica envolvendo a sua publicação também a gente já já fala mais sobre os motivos dessa polêmica né
na recepção do livro mas é essa obra aqui que marca o início da maturidade literária do Lúcio Cardoso e ele hoje em dia visto como um dos grandes expoentes da literatura psicológica e intimista produzida aqui no Brasil entre as décadas de 30 e 60 em crônica especialmente que é considerado o ápice da ficção intimista do Cardoso a gente vê muito dessa exploração psicológica porque aqui a gente tem uma narrativa em primeira pessoa e não é só de um narrador nós temos vários narradores isso faz com que a gente consiga se aproximar muito da visão de
mundo de cada um desses narradores a exploração psicológica cada um deles é muito muito grande mas Além disso O Cardoso também criou o personagens aqui que tem uma atitude investigativa e muito confessional acerca do funcionamento das próprias paixões ou das paixões que eles percebem nos outros ao redor deles paixões estas que às vezes motivam ações que poderiam ser incompreensíveis de Fora às vezes até vistas de dentro e é isso que vai ter aqui a gente vai ver tudo isso de dentro a gente tem personagens muito turbulentos muito perturbados com muitos problemas com muitas coisas que
são interditadas com muitas coisas que não são permitidas pela moral pela ética Então a gente vai ver tudo isso muito de perto e é daí que vem esse elemento psicológico intimista como a narrativa tem esse caráter bastante confessional e os personagens fazem essa exploração deles mesmos e dos outros personagens também eles acabam fazendo um mergulho muito profundo dentro deles mesmo dentro dessas paixões que a gente comentou e eles acabam trazendo à tona algumas coisas meio subterrâneas digamos assim algumas coisas que estão interditadas tanto de se pensar quanto mais ainda de se fazer e não à
toa a questão do cristianismo e do pecado vai ser muito forte aqui nesse livro tem sempre uma luta entre impulsos caóticos e pecaminosos e a própria ideia de pecado que sugere então uma interdição uma proibição Olha só o que o Lúcio comentou acerca do título do livro voltando a discussão sobre o significado do título do romance nas palavras do próprio Lúcio Cardoso citadas por Walmir Ayala no título causa está no sentido de família de Brasão assassinada quer dizer atingida na sua pretensa dignidade pelo pecado Eis o ponto nerválgico do drama o pecado esse assassinato que
a casa sofre que é o assassinato também da família que vai ser retratado aqui tá intimamente ligado com alguns assuntos usou delicados que o romance aborda por exemplo Adultério incesto insanidade isso incide também essa aqui é uma narrativa que exploram lado muito tortuoso da natureza humana um lado bastante Sombrio da natureza humana e esse lado sombrio aqui se revela tanto na gana dos personagens por CD esses impulsos pecaminosos como também na rigidez necessária para reprimir esses impulsos dentro de si e as consequências maléficas que essa repressão pode causar no futuro vamos falar então sobre os
personagens e sobre a história que é contar daqui um crônica da casa assassinada a gente acompanha a família Menezes ou melhor dizendo o que restou dos Menezes os Menezes São uma família tradicional do interior de Minas Gerais é aqui que a história começa eles vivem Mais especificamente na cidade fictícia de Vila Velha e nessa cidadezinha pacata eles são o grande assunto dos meros mortais justamente por se tratar de uma família tradicional dona de muitas terras que já teve muitos escravos e que tem toda essa hora de nobreza e que é modelo do patriarcado só que
assim tudo isso é no passado porque quando a história começa a situação dos Menezes já não é bem essa quando a história começa os meses já estão num processo de decadência e de empobrecimento eles ainda têm a chácara na qual eles vivem Eles já não tem tantas terras quanto eles tinham a terra que eles têm não é bem cuidado Eles não conseguem plantar nada Eles não conseguem alugar as terras então não servem muita coisa e essa decadência financeira principalmente começou depois que o matriarca da família morreu Então os filhos não conseguiram gerir muito bem né
A chácara depois da morte da matriarca E aí começou esse processo de decadência a casa do título que a casa na qual eles vivem é quase que um personagem por si só ela é em volta atmosfera de sufocamento e de decadência e de empobrecimento e ela passa uma Vibe bem gótica porque ela tem toda essa opressão sabe quando os personagens estão ali dentro e é dentro dessa casa que a maioria das coisas vai se passar ou pelo menos no terreno ali dos Menezes tem essa pressão tem um mar muito pesado em cima desses personagens é
importante notar que a degradação que vai começar a acontecer com os Menezes e que a gente vai acompanhar assim os momentos derradeiros deles essa degradação Ela tanto física quanto moral para essa família então assim o terreno deles a casa deles tá caindo aos pedaços a casa já não é mais tão bonita já não tem festa já não tem vida dentro dessa casa basicamente mas também é moral porque junto com esse status social e econômico a gente também vê todos os valores que os meses representam enquanto família tradicional Mineira de caindo então de novo uma característica
meio gótica desse romance é que tem esse espelhamento entre a situação da casa da estrutura física e dos Menezes e dos valores que eles representam onescentes dos Menezes São então Três Irmãos é o Demétrio que é o mais velho o Valdo que é o irmão do meio e o Timóteo que é o mais novo o Demétrio vai ser o único dos irmãos que não vai ter voz própria aqui neste romance ele não vai ser um narrador a gente vai ver algumas falas diretas dele em diálogos e coisas assim mas nunca através da perspectiva dele sobre
isso é relevante um comentário do próprio Cardoso sobre esse personagem ele disse assim Demétrio não fala não tem voz como a casa o Demétrio tem esse ar imponente silencioso como a própria casa O que torna ele Possivelmente mais Menezes dos Menezes apesar de ter um outro personagem que também poderia ter esse título a gente já vai falar mais sobre ela e é justamente por causa desse paralelo do de com a casa que ele é o Menezes que mais representa os valores dos Menezes os valores dessa família tradicional mineira faz sentido portanto que ele seja o
único dos irmãos como esse grande representante dos Menezes né do clã Menezes que não tem voz como coloca a Mayara Pinheiro Olha só silenciada metrio representante dessa tradição seria uma espécie de metáfora para representar a decadência do discurso patriarcal que estava em curso no período que crônica focaliza o outro membro da família Menezes que poderia receber esse título de mais Menezes dos Menezes é a Ana a Ana é a esposa do Demétrio e a história da Ana bastante triste porque ela foi escolhida ainda criança para ser esposa dele então ela foi preparada desde sempre praticamente
para ser essa mulher que vai ser esposa desse cara que é um representante do patriarcado A Ana é uma personagem muito conturbada a princípio Ela parece ser bastante sem graça parece que não importa muito para a história mas na verdade ela é muito conturbada ela é muito importante para a história eu acho que essa origem dela tem muito a ver com a raiva reprimida dela e com esse senso de falta de identidade que habita nela porque a Ana foi uma menina que foi preparada desde sempre para ser uma esposa perfeita para os Menezes que é
uma esposa recatada quieta que não expressa suas vontades ou sua feminilidade de forma alguma ela foi para mim sem dúvidas a personagem mais surpreendente desse romance e ela é uma Peça Central no grande quebra-cabeça fragmentado que é crônica da casa assassinada agora a gente a degradação dos Menezes ela foi amplificada com a chegada da Nina A chácara A Nina é uma moça do Rio de Janeiro e assim enquanto a Ana é a personagem mais surpreendente eu diria que a Nina é a mais misteriosa e incompreensível acontece que o Valdo que é o irmão do meio
ele foi para Rio de Janeiro acabou conhecendo essa moça né Nina se apaixonou por ela e disse para ela que ele era rico sei lá o quê lá né uma família bastarda de Minas Gerais ela acreditou nele e eles acabaram se casando quando ela chegou lá ela percebeu que não era bem assim eles não tinham tanto dinheiro quanto Valdo disse ela também não é bem recebida pelas outras pessoas pelo Demétrio pela Ana Então ela recebida com muita hostilidade e assim A Nina é uma mulher muito muito linda Isso é dito o tempo inteiro Todo mundo
que fala sobre ela não consegue não dizer que ela é linda e a beleza dela junto com a própria natureza dela própria personalidade dela que é intensa que é meio caótica que é impulsiva e que acima de tudo é muito livre acaba causando algumas reações nos meses que na verdade vai acelerar essa degradação porque na verdade ela já estava em curso essa degradação já estava em um curso devido a um outro elemento destruidor que está nesta família que é o irmão mais novo dos Menezes o útil o Timóteo é uma pessoa muito velada não dá
para compreender ele muito bem mas o que para mim ficou bastante Claro é justamente essa aura destruidora nele porque ele tem uma vontade de destruição muito grande o Timóteo tem uma relação muito muito conturbada com os seus dois irmãos né o Valdo e o Demétrio porque o Timóteo desde a juventude bebia muito festejava muito e acabava sujando o nome dos Menezes pela cidade então os irmãos se colocaram contra ele mas tem um Outro fator que talvez seja o fator principal aqui que é que o Timóteo se veste com as roupas da falecida mãe ele também
usa joias dela as maquiagens dela e obviamente isso não é bem recebido pelos irmãos então eles vem o Timóteo como uma grande vergonha para família e isso faz com que ele fique enfurnado no quarto dele ele raramente assim quase nunca mesmo eu acho que tem uma ocasião na qual ele vai sair nesse romance mas o resto do tempo ele tá no quarto ele não sai dali as empregadas levam as coisas que ele precisa ali ele fica só no quarto dele no escuro ele não abre as janelas ele não tem contato com a luz do dia
e ele passa a fazer isso porque os dois irmãos ameaçam diz herdar ele então deixar ele sem nada caso ele continuasse sujando no nome da família por aí então ele né começa a abolar alguns planos e resolve se recolher por algum tempo nossa que ridículo muito esses macho de sapatênis sabe Ah mano sério para né acontece então que o Timóteo acaba virando essa criatura meio subterrânea que fica sempre escondida no escuro e que é profundamente incompreendida né ele só conversa praticamente com a Beth que é empregada e ele também vai ver na sua nova cunhada
a Nina uma possível aliada para destruição dos Menezes Porque sim o Timóteo tem um plano ele faz um pacto com um aninho ele quer ver os seus irmãos e os Menezes e tudo que eles representam Rui bom lembra que lá no começo do vídeo a gente falou que tinha incesto na sua história Esse foi o principal motivo da Polêmica envolvendo a recepção de crônica da casa assassinada lá no final dos anos 50 o Cardoso lida com esse tema aqui no romance de uma maneira bastante provocativa e até mesmo jocosa se a gente considerar o final
do livro né um personagem bastante Central para essa questão do enredo vai ser o André que a gente comentou antes que ele tá lá no livro O Viajante do Cardoso também e o André que nos apresenta como sendo filho do Valdo e da Nina então sim em algum momento ela vai engravidar para mim O André é um personagem bastante forte mas também surpresa muito conturbado dessa história ele nasce quando a decadência dos Menezes da casa enfim já tá em andamento né então ele é Como assim um filho do nada ele não tem nenhum valor fixo
ele não tem nada aqui se agarrar ele é um ser humano nascido em meio a dissolução dos valores e em meio ao caos então né gente falou que o André é filho Danilo estamos falando de incesto É isso mesmo que vocês estão pensando e André vão se relacionar românticamente e sexualmente aqui no livro isso Aliás não é spoiler tá gente isso aqui já fica muito Claro no primeiro capítulo do livro no primeiríssimo capítulo a gente já vai ver uma entrada do diário do André e ele vai falar um pouco né o diálogo dele com a
Nina vai revelar para gente que ele quase nunca chama ela de mãe que eles têm essa relação e também a gente já vê a Nina no seu leito de morte nesse primeiro capítulo então a história como dá para perceber talvez não é cronológica não é linear porque a gente vai ver desde a Nina chegando na casa dos Menezes e toda o caos que a chegada dela vai causar mas o primeiro capítulo da história a gente já vê ela no seu leito de morte a gente fica sabendo que ela vai ficar muito doente por algum motivo
e que ela acaba se relacionando com o próprio filho né então depois de estabelecer essas informações no primeiro capítulo que já são informações que já deixam a gente assim o que eu estou lendo o que está acontecendo a gente vai voltar no tempo então aí sim a gente vai ver ela chegando e essa reconstrução da história até chegar naquele ponto vai acontecer através de vários documentos diferentes e de vários narradores diferentes como a gente falou antes algo interessante de se notar aqui antes da gente falar sobre a narrativa sobre a estrutura do livro que enfim
foi algo que me chamou bastante atenção então acho que merece uma sessão aqui do vídeo para falar sobre isso é a questão do elemento feminino e como o feminino se liga a ideia do mal e do pecado nesse livro Então esse poder caótico e disruptivo da Nina ele vem muito do fato de que ela é uma mulher jovem muito bela e que afirma sua liberdade para fazer o que quiser quando quiser ela não se deixa domar por ninguém muito diferente da Ana né que na verdade Ana se deixa e não se deixa uma coisa meio
mas ali né mais explícita sobre as coisas ela realmente não se deixa tomar Ela é uma grande transgressora de todos os valores que os Menezes prezam e essa transgressão dela vai fazer também com que a hipocrisia das pessoas ao seu redor dos próprios Menezes venham à tona já a Ana como a gente comentou antes ela começa como uma personagem apagada meio sem graça aos poucos ela vai tomando o corpo ela vai tomando profundidade e a gente vai vendo as consequências dessa grande repressão Que ela sofreu desde pequena fazer essa mulher perfeita para um Menezes e
assim o ponto do que aconteceu com a Ana é sim apagar a feminilidade dela é sim apagar a voz dela enquanto mulher por ser mulher para ser essa esposa perfeita sabe então tem muito a ver com a questão do feminino e é muito Central não só para o conflito da personagem Ana como para história porque isso vai ter desdobramentos gigantescos e por fim a gente tem um elemento feminino como iniciador de caos no próprio Timóteo que é visto como um louco e como uma vergonha e como um doente por fazer o quê por se vestir
com as roupas da mãe por se vestir com roupas de mulher né com roupas consideradas femininas eu perguntei esses dias para minha saia saia você é masculino ou feminino Ela não me respondeu Pois é né que coisa e assim a questão do Timóteo é muito Nebulosa porque a gente não sabe nem se a do Timóteo ou da Timóteo porque a questão da sexualidade dele e do gênero dele não fica muito bem esclarecida e isso provavelmente muito por causa do contexto da época e da Falta de Liberdade da repressão que esse personagem sofreu tem um outro
caso aqui de um outro personagem que é o antepassado dos Menezes que também traz essa questão da sexualidade do gênero que também fica meio nebuloso que é a Maria Sinhá ela como eu disse foi o antepassada né dos Menezes e ela foi outra pessoa que foi completamente escondida da família o quadro dela fica num porão escondido ela era considerada uma vergonha e porque porque ela se vestia com roupas consideradas masculinas e ela se comportava como um homem seja logo que isso queira dizer então percebam como esses três personagens ali na Ana e o Timóteo a
gente consegue ver como feminino se liga uma ideia de mal de pecado e como tá muito ligado com a destruição dos Menezes nessa força feminina e várias manifestações do feminismo estão muito ligadas com a destruição dos Menezes com a moral deles e essa é uma junção uma conexão que tá no próprio mito de origem do Cristianismo como a gente falou a religião é muito importante aqui para essa história né Então faz todo sentido que esse elemento esteja presente aqui então aqui a gente tem uma mulher que age com um Total Liberdade que faz que quiser
quando quiser que não deve satisfação para ninguém a gente tem uma pessoa que nasce com um sexo masculino mas que tem uma expressão de gênero feminino e isso é um problema para aquelas pessoas e a gente também tem uma pessoa que nasce com sexo feminino mas que tem a sua expressão de gênero mais puxando para o masculino e que não se encaixa nas expectativas que vem com o seu sexo de nascimento então enfim qualquer manifestação do feminino tanto alguém que nós conseguemos masculino e resolve se expressar assim ou então alguém que nasceu feminino também não
segue as expectativas tudo isso vira um grande problema para essa família agora a gente vamos falar um pouco sobre a narrativa sobre a estrutura desse livro que são aspectos muito muito marcantes desse romance e que influenciam totalmente a nossa experiência de leitura como a gente comentou lá no começo em crônica a gente não tem só um narrador pelo que eu contei a gente tem 11 narradores e a gente tem vários gêneros textuais a gente tem por exemplo cartas depoimentos confissões livros de memórias diários e isso quer dizer que a gente nunca chega a conhecer a
história dessa família a história da queda dessa família em parcialmente a gente sempre vê tudo através dos olhos de alguém e de alguém que está de alguma forma ou outra envolvida nessa queda nessa história essa estrutura narrativa formando através de vários prismas e também de vários gêneros textuais de vários documentos que foram coletados faz com que o livro seja um grande quebra-cabeça como várias críticos já notaram o leitor vai aos poucos descobrindo mais informações expandindo o suspense que envolve essa história e é muito interessante como ao mesmo tempo que cada narrativa cada perspectiva mais expande
a nossa compreensão e traz essa nova visão para adicionar aqui também nos deixa mais confusos porque tem muitas contradições e contrastes entre as perspectivas então um personagem fala uma coisa outra personagem vai adicionar algo que o outro Deixou passar o que o outro nem sabe tem mentiras Enfim gente é um quebra-cabeça e tanto é como afirma Pinheiro no seu artigo ela diz o seguinte dessa fragmentação estrutural dos discursos dos personagens narradores eles acabavam muitas vezes se completando e se contradizendo como peças de um quebra-cabeça que não tinha como resultado formar uma imagem única pelo contrário
o principal intuito era mostrarmento da família tradicional mineira agora já que a gente está falando de narrativa queria tirar o momento do vídeo para comentar uma crítica que aparentemente é bem comum a esse livro apesar de não manchar em nada o seu status de obra-prima e de clássico da literatura brasileira mas o que alguns críticos notaram é que não existe uma variação de tom de voz e de estilo Entre esses vários narradores então o próprio Manuel Bandeira A gente vai deixar o link na descrição para essa entradinha no jornal que ele escreveu mas ele falou
que o que ele percebia através de todos esses personagens não era senão o estilo do próprio Lúcio então o Lúcio não conferiu uma voz única uma maneira de expressão única para cada um dos narradores todos eles se comunicam da mesma forma que segundo manual Bandeira é a forma do próprio Lúcio tem vários artigos comentando a questão da polifonia que nesse romance eles reconhecem que essa planificação estelística pode ser um ponto negativo para a questão da polifonia Mas também sempre é apontado que os contra entre os personagens e esse grande mosaico que é formado por vários
pontos de vistas diferentes que se contrapõem muitas vezes é um ponto Positivo né sobre a polifonia no romance isso não me incomodou muito no início da Leitura eu pensei que eu conseguia distinguir a voz de cada um deles e também diferença no gênero textual que cada um dos narradores escrevia mas ao passo que eu fui avançando a leitura eu fui notando que o estilo era praticamente sempre o mesmo conteúdo muda muito isso acaba influenciando mas assim o estilo era sempre o mesmo tom era sempre o mesmo sempre uma coisa muito carregada muito intensa muito ornamentada
que é a prosa do próprio Lúcio Cardoso e os momentos que me incomodaram um pouquinho foram com relação ao André porque o André é um adolescente Ele é bem mais novo que os outros personagens e ver eles se expressando da mesma forma que os outros e tendo pensamentos que são muito complexos meio que quebrou a ver a semelhança para mim em alguns momentos mas não foi um grande problema e não foi algo aconteceu pelo livro inteiro também teve alguns momentos em que o estilo do Cardoso me incomodou um pouco porque dava para notar pela estrutura
da frase pela escolha de palavras pelos milhões de advérbios usados que ele tava tentando conferir uma gravidade um peso até o cena e até o sentimento e assim esse é um livro muito opressivo como a atmosfera muito forte muito psicológico e intimista como a gente falou antes sabe então essa questão de conferir gravidade fez as coisas ele vai acontecer o livro inteiro mas para algo ter gravidade peso não necessariamente precisa ter uma estrutura de frase muito ornamentada usar uma linguagem muito ornamentada sabe então também não foi algo que me incomodou muito aconteceu talvez menos de
cinco vezes provavelmente durante a leitura de um livro com mais de 500 páginas Então realmente não foi um grande problema para mim mas foi algo que em alguns momentos eu pensei assim essa frase poderia ter terminado antes ou não precisava dessa caracterização essa coisa Às vezes anos é mais enfim agora para contrabalancear essas críticas um elogio uma coisa que eu achei muito muito incrível na escrita do Cardoso é a atmosfera que ele conseguiu construir principalmente no que tange essas características compartilhadas com o gótico Como eu disse antes a casa tem essa atmosfera opressiva sufocante isso
é muito incrível e toda a questão de a casa espelhar os seus habitantes e a situação que seus habitantes estão passando o tema do Incesto o tema de Uma Família que se destrói por dentro que ela mesma se destrói tudo isso lembra muito um conto que é clássico do gótico que é a queda da casa de Usher do ederlan Paul inclusive tu falou né sobre isso eu acho quando a gente começou assim então isso é muito incrível e eu acho que o Cardoso conseguiu passar essa atmosfera muito muito bem outra coisa que eu adorei é
que teve algumas passagens que me pareceram muito cinematográficas e assim eu sei que a maioria Francis tem descrições visuais de cenas e personagens enfim só que as inscrições aqui não são simplesmente emergéticas elas são cinematográficas é como se a gente estivesse vendo a cena de um filme com toda a arte que o cinema envolve então a gente consegue perceber luz a gente consegue perceber ângulo e até som nas descrições desse livro aqui é incrível de verdade depois de terminar o livro quando eu descobri que o Cardoso mexia com cinema ali né ao longo da década
de 50 que ele mexeu com cinema e aí esse livro sendo final da década de 50 eu pensei é isso é por isso que esse livro eu tenho um tom tão cinematográfico às vezes porque ele entendia de cinema né então não sei não vi ninguém falando sobre isso mas foi algo que me ocorreu e agora para finalizar eu queria comentar um negócio que eu achei genial nesse livro aqui como a gente comentou antes a narrativa desse livro não é cronológica nem linear e isso se deve muito ao fato de que tem um organizador implícito aqui
a gente vai chamar ele de arranjador eu acho que essa terminologia faz bastante sentido o Eduardo Silva propôs esse nome o artigo dele vai estar linkado na descrição E percebam que esse arranjador não é o Lúcio Cardoso Esse arranjador é um personagem é uma figura ficcional que arranjou que coletou e organizou todos os depoimentos que formam o próprio livro então ele é uma figura que funciona dentro do próprio universo ficcional de crônica da casa assassinada pelo que a gente pode ver de algumas pistas que aparecem em alguns dos relatos dos personagens esse arranjador é do
sexo masculino tem dois personagens o médico e o padre que vão se referir a esse interlocutor Em algum momento eu acho que um chama ele de meu senhor ou outro chama de meu amigo então não fica muita dúvida sobre se tratar de um homem e o que fica sugerido é que este homem ele coletou todos os documentos que a gente vê aqui por exemplo diários cartas coisas que foram produzidas na época que a história se passou mas ele também entrou em contato com pessoas que estiveram envolvidas aqui de alguma forma por exemplo o padre farmacêutico
médico ele entrou em contato com essas pessoas muitos anos depois da história que é contada que ia acontecer então é dito que ele entre em contato talvez com uma Sede de Justiça para esclarecer o que realmente aconteceu porque como a gente já falou tem um suspense aqui tem tudo um drama dessa família Então parece que essa figura queria realmente esclarecer as coisas e coletar tudo e juntar para formar essa história tem algumas teorias que falam sobre quem poderia ser essa figura quem poderia ter um interesse em esclarecer essas histórias todas principalmente no que tangelina e
tudo caos que ela causou ali com os Menezes Mas a gente não vai falar sobre isso por questões de spoiler mas saibam que se vocês quiserem saber mais sobre isso é só pesquisava que algumas coisas aqui na descrição também aqui vão abordar essa figura do arranjador mas agora eu fiquei com uma pulguinha atrás do ele aí eu queria colocar essa pulguinha atrás da orelha de vocês também que é será que esse arranjador queria mesmo esclarecer o que aconteceu porque convenhamos a forma que esse arranjador manipula e organiza os textos cria uma atenção que não necessariamente
estaria ali se eles fossem organizados de outra forma o próprio desenvolvimento não cronológico e não linear sugere uma intencionalidade por parte desse arranjador porque as coisas não estão em ordem cronológica conforme escreve o Eduardo Silva no artigo que vai estar na descrição É desse modo que a figura incógnita se comporta ela dispõe dos registros escritos os personagens a sua maneira oferecendo ao leitor a sua própria visão da história conduzindo pelo labirinto da narrativa que ela própria embaralhou temporalmente para mim o que mais sugere uma manipulação intencional por parte desse arranjador é o texto ele escolheu
para ser o primeiro capítulo do livro que é aquela entrada no Diário do André que já sugere para gente o incesto e o incesto é uma questão muito Central para o suspense que é contado aqui e essa questão só a esclarecida no último capítulo do livro que é um pós escrito numa carta do Padre Justino para quem lê o livro e sabe qual é a reviravolta que o último capítulo traz fica muito claro a manipulação que é colocar aquele Capítulo do André como primeiro do livro e como esse primeiro capítulo já te prepara para ter
uma determinada visão sobre tudo que vai acontecer tudo que a gente vai ler depois E aí no final é claro a gente tem aquela grande surpresa aquela grande reviravolta mas só no último capítulo que também é algo incrível bom gente por hoje era isso sobre este livro era isso na verdade tem muito mais coisa para a gente comentar mas o vídeo vai ficar gigantesco então para quem quiser continuar pesquisando se aprofundar mais a gente vai deixar referências na descrição a gente recomenda muito que vocês deem uma olhada na revista opiniões da USP eles fizeram um
dossiê acho que esse volume Saiu em 2020 um dossiê em comemoração dos 60 anos de publicação da crônica da casa assassinada e tem muitos muitos artigos muitos textos lá pensando e discutindo essa obra então fica recomendação para quem quiser se aprofundar mais a gente gostaria de agradecer os nossos apoiadores o apoio de vocês essencial para a gente manter o canal no ar para a gente continuar trazendo o conteúdo para cá então muito obrigada de verdade e se tu que tá assistindo gostaria de receber conteúdos exclusivos e ainda apoiar o trabalho que a gente já faz
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