Na prática, diz, compartilhadas em prazer, continuar ouvindo Fernanda Maia, que agora vai contar do momento em que ela sai da faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do colégio, vem para São Paulo. É sempre. .
. eu comecei a estudar teatro aqui, foi total teatro. Começaram a me chamar para trabalhar os projetos que a gente fazia em Sorocaba, e começaram a vir pra cá.
Nós entramos em cartaz em alguns teatros aqui em São Paulo. Então, nós resolvemos, José, alugar um apartamento. Ainda tinha uma outra pessoa; dividimos um apartamento.
Eu passava uma parte da semana em Sorocaba, dando aula, e outra parte da semana eu vinha para São Paulo para fazer as atividades que ficariam em cartaz. Trabalhava no final de semana, né? E aí começaram a me chamar pra dar aula em uma escola de teatro.
Aí eu comecei a dar aula em uma escola de teatro, e começaram a aparecer os héteros, trabalhos com música. A minha formação em Letras e Música, letras de música só pode dar teatro, né? Enfim, acho que foi uma continuidade mesmo dessa formação.
E aí chegou um momento em que as coisas aconteciam mais aqui. Obviamente, que a gente está numa capital, e porque existe essa questão de uma efervescência cultural, né? A ansiedade é maior, então as oportunidades estavam muito mais aqui.
Eu acho que é uma pena eu ter que sair da minha cidade natal para poder exercer a profissão, a que. . .
eu acho que isso, né? Acho uma pena, mas infelizmente foi assim. Eu tive que sair de Sorocaba pra poder exercer sua profissão, para trabalhar com arte, para ser artista e para ter oportunidade.
Então, vir para São Paulo me deu oportunidades que em Sorocaba não teria, né? É desenvolver projetos, fazer coisas, inclusive porque eu acho que houve realmente uma diminuição da população de Sorocaba vendo, assistindo e prestigiando os artistas locais. Quando existe um artista de fora, aí sim as pessoas vão a um concerto, a um show, a uma peça de teatro, mas dos artistas locais isso é um pouco mais raro, né?
Os artistas locais, como disse, faz muito tempo que eu saí, não sei como é que está esse movimento agora. Mas todo esse movimento que era muito estimulado pelo festival Porteiro, né? Pelos festivais de teatro estudantis em Sorocaba, pela ligação das escolas, eu acho que isso acontece muito quando as escolas também começam a se afastar desse movimento por questões também práticas, estruturais, de demandas, né?
Os coordenadores ficam com medo de entregar a chave, existe uma cobrança. . .
ah, como é que se. . .
eu achar. . .
enfim, todas essas questões práticas fazem com que, não só as questões práticas, mas acho que é uma questão de cultura neoliberal também, né? Existe uma cultura, um neoliberalismo, que acha que a arte é uma perfumaria, né? E eu acho que as pessoas, a população, começa a conhecer cada vez menos os próprios artistas.
Então eu tive que vir pra cá, né? Chegou um momento em que as demandas eram muito grandes aqui, e aí eu falei: "Esse voo, vou de vez, vim pra cá. " Foi difícil no começo, não é?
Era bem complicado. Eu vim pra cá para ser atriz, né? Porque era ainda o que eu estava fazendo.
E de repente os trabalhos. . .
naquela época também era o começo da cultura de musicais, que começou a voltar também em voga. E aí, aquele ator que sabia um pouquinho mais de música era a pessoa que ajudava os outros, quando a peça tinha uma música que fazia trilha, né? Ainda não se sabia muito sobre a função de direção musical.
Na medida em que as coisas foram evoluindo, eu fui começando a aparecer esse trabalho de direção musical, preparação vocal. Eu dava aula de canto até por uma questão de sobrevivência aqui, né? E aí eu promulgo.
. . durante um certo tempo eu briguei um pouco com esse trabalho de direção musical; ficava que as pessoas me chamavam mais para ser diretora musical do que para atuar.
Claro que há poucos dias tinha pouca direção musical, tinha pouca gente fazendo direção musical. As pessoas não sabiam, né? Até hoje você não tem uma literatura de direção musical em português, e tem muitos livros estrangeiros que ajudam a falar sobre isso, que falam sobre a direção musical, o teatro.
Em português, quase não tem, né? Então, esses trabalhos começaram a surgir. No começo, eu me irritava muito mais, porque precisava, né?
E, mais, esse trabalho. . .
à medida em que essas trajetórias foram acontecendo, esses trabalhos foram acontecendo, eu percebi que eu, de certa forma, era uma escort. Cada vez que eu pensava num projeto pra mim, eu pensava num projeto com música. Pensando.
. . aí, aos poucos, foi aparecendo a questão da dramaturgia.
Eu quis trabalhar com um. . .
muito custo das peças infantis. Então comecei a escrever espetáculos infantojuvenis que apresentavam compositores para crianças, né? Então aí comecei a ser indicada para os prêmios por conta desses espetáculos.
Ninguém, uma pessoa, né? O prêmio da APCA, Associação Paulista de Críticos de Arte, por causa de um espetáculo baseado no repertório de Luiz Gonzaga. Então, aí a gente vai fazendo a coletânea das nossas histórias, né?
Então, falar sobre ato também é visitar a própria trajetória, né? Escrevi um espetáculo chamado "Menino Lua", que ganhou prêmio FEMSA, que ganhou na época a APCA, por conta de um pai nordestino que cantava músicas de Luiz Gonzaga quando era criança e que depois eu fui estudar o Nordeste. Depois eu fui, né?
No último ano, neste ano, tive uma parceria com o dramaturgo Newton Moreno no espetáculo "As Cangaceiras: Guerreiras do Capitão Nilton", que é considerado um dos maiores dramaturgos brasileiros vivos. Estou escrevendo para o cinema, tal e foi. .
. mas foi. .
. Uma experiência muito interessante! Esse espetáculo deve voltar.
Tive a oportunidade de trabalhar com grandes diretores aqui em São Paulo. Trabalhei com o CPT, com a Martin Babo, que é o único texto escrito pelo outro Luís, filho que faleceu nesse ano, o Lamartine Babo. O utilizador, a Vala Martini, escreveu "O Norte", que ficou 56 anos em cartaz e me deu o Prêmio Shell.
Também há. . .
Enfim, trabalhei com muitos diretores. Foram experiências muito bacanas, né? Tem um espetáculo que quebrou de capitais, um dos últimos da catástrofe.
Luiz Villaça e o solo da Denise Fraga, chamado "Eu e Você", foi uma experiência também muito, muito interessante. Trabalhar com a Denise é uma atriz muito dedicada, muito disciplinada. Enfim, mas eu também tenho um trabalho paralelo com um grupo contínuo.
Esse trabalho começou em Sorocaba há 27 anos com os Agentes de Paula, veio para São Paulo e essa parceria ainda continua. A gente fundou aqui um grupo que veio de Sorocaba e se chamava EGBA, o Sul e GTA, Grupo Drmático Alternativo. Veio para São Paulo e virou o Núcleo Experimental Foco.
Então, pequeno após o negócio. . .
é bom da história. Em seguida, no procedimento. .
. tchau.