Olá, acadêmico! Vamos conversar sobre o Tópico 2, o qual trata da utilização da tecnologia assistiva e o atendimento educacional especializado. No contexto educacional, a tecnologia assistiva tem por objetivo promover as condições necessárias para que o aluno com deficiência alcance as metas de seu plano pedagógico.
Podemos mostrar o contexto histórico de como esse tema foi ganhando espaço na educação. Podemos iniciar com a Secretaria de Educação Especial, que lançou o primeiro livro da coleção Portal de Ajudas Técnicas em 2002. Naquela época, o tema da tecnologia assistiva, então denominada “ajudas técnicas”, começou a ser conhecido e discutido pelos educadores como parte de uma ação educacional.
Esse documento mostra a existência de sete etapas para o processo de implementação da tecnologia assistiva. Conforme a imagem. Primeiramente, é necessário entender a situação que envolve o estudante: para isso é necessário escutar seus desejos, identificar as características físicas, psicomotoras e comunicativas, observar a dinâmica do estudante no ambiente escolar e reconhecer o contexto social, para só então gerar ideias.
Para tanto, é necessário conversar com os usuários, buscar soluções, pesquisar materiais que podem ser utilizados e pesquisar alternativas para a confecção do objeto. O próximo passo é escolher a alternativa viável. Deve-se considerar as necessidades a serem atendidas e a disponibilidade de recursos materiais e custos para a confecção do recurso.
E aí, então, representar a ideia (desenhos, modelos e ilustrações). Nesta etapa deve-se definir os materiais e as dimensões do objeto — forma, medida, peso, textura, cor. Feito isso, mãos à obra!
Construir o objeto para experimentação. É necessário experimentar o recurso na situação real de uso, ou seja, observar o aluno utilizando o material no contexto proposto, para só assim avaliar o uso do objeto. Deve-se avaliar se o recurso atendeu ao desejo da pessoa no contexto determinado e verificar se facilitou a ação do aluno e do educador, e também acompanhar o uso, verificar se as condições do aluno mudam com o passar do tempo e se há necessidade de alguma adaptação no recurso.
Em 2006, a Secretaria de Educação Especial publica um documento utilizando e conceituando o termo tecnologia assistiva. Este conceito é apresentado no documento que norteia a implantação das salas de recursos multifuncionais. As salas de recursos multifuncionais são ambientes dotados de equipamentos, mobiliários e materiais didáticos e pedagógicos para a oferta do atendimento educacional especializado.
Nesse atendimento educacional especializado, realizado dentro das salas de recursos multifuncionais, o educador e o aluno identificarão as dificuldades e limites encontrados no ambiente escolar. Limites estes que dificultam o aprendizado. Com essas informações, o educador buscará recursos, incluindo o de TA, que irão ajudar para o bom desempenho das atividades no ambiente escolar.
No mesmo ano, 2006, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, por meio da Portaria 142, instituiu o Comitê de Ajudas Técnicas, sob exigência do Decreto 5. 296, que se tornou o órgão responsável por mobilizar esse processo de mudanças e também pelo desenvolvimento da área da tecnologia assistiva no Brasil. Uma das ações já executadas pelo CAT (Comitê de Ajudas Técnicas) foi a adoção oficial da expressão "tecnologia assistiva".
Na documentação produzida está indicado que a expressão “tecnologia assistiva” seja utilizada sempre no singular, por referir-se a uma área de conhecimento e não a uma coleção específica de produtos. Além disso, o CAT foi responsável por elaborar o atual conceito de TA no Brasil, que pode ser conferido no excerto a seguir. Hoje em dia, algumas políticas públicas brasileiras colaboram para suscitar ações de TA em grandes proporções.
Uma delas é a Política Nacional de Educação Especial, na perspectiva da educação inclusiva, com seus preceitos e nortes para a inclusão de alunos com deficiência nas escolas regulares. Como já foi abordado, a tecnologia assistiva é uma terminologia utilizada para englobar todo o arsenal de recursos e serviços que cooperam para ajustar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência. Dessa forma, o uso de recursos de tecnologia assistiva no contexto escolar é recomendado para beneficiar a execução de tarefas, o ingresso aos conteúdos pedagógicos e aos ambientes escolares, amparando, assim, a aprendizagem dos alunos.
Existem inúmeras possibilidades de recursos simples e de baixo custo, que podem e devem ser disponibilizados nas salas de aula inclusivas, conforme as necessidades específicas de cada aluno com necessidades educacionais especiais presentes. A aplicação da tecnologia assistiva na educação vai além de simplesmente auxiliar o aluno a “fazer” tarefas pretendidas. Nela, notamos meios de o aluno ser e atuar de forma construtiva no seu processo de desenvolvimento.
A participação do estudante é fundamental para que se evite o abandono ou a subutilização posterior do investimento oferecido em TA. [Leitura da tela] A inclusão escolar implica em profundas mudanças que devem ocorrer na organização institucional, na remodelação do sistema educativo e pedagógico, os quais estão muito além das possibilidades de ação do professor. Percebemos por meio das leituras realizadas que a questão do treinamento e acompanhamento de professores para uso de tais recursos é um fator que tem implicado na efetiva implementação da TA no contexto escolar.
Vygotsky explica várias formas de mediação, relevantes para os processos de desenvolvimento e aprendizagem do ser humano, e que contribuem para perceber as diferenças entre a função da tecnologia assistiva e a função das estratégias pedagógicas com as tecnologias educacionais. Especialmente, com a distinção que ele faz entre as noções de mediação instrumental e mediação simbólica. Tecnologia assistiva é entendida como um tipo de mediação instrumental e está ligada aos processos que defendem, equilibram, potencializam ou auxiliam também na escola, as habilidades ou funções pessoais comprometidas pela deficiência, pertinentes às: [Leitura da tela] A partir dessa percepção, portanto, as dificuldades ligadas às funções cognitivas, mesmo quando afetadas por uma deficiência, estão relacionadas às estratégias pedagógicas e à tecnologia educacional para a promoção dos conhecimentos e ao aprendizado, e não à tecnologia assistiva.
Acadêmico, não existe uma receita pronta. A tecnologia assistiva não tem o intuito de trazer respostas e soluções prontas para os problemas na educação. O que é necessário é dar continuidade ao processo de aprofundamento e busca de uma maior precisão conceitual relativa à TA.
É importante que haja um olhar sensível e a vontade de pensar e agir em conjunto. Todos são importantes nessa caminhada: a pessoa com deficiência, a família, a escola, a universidade e as políticas públicas. Boas reflexões e bons estudos!