Sejam todos bem-vindos e bem-vindas nesta nova entrevista. Aqui, nosso bate-papo hoje com a querida Ângela de Barros é um prazer enorme estar com a Ângela de Barros. Seja bem-vinda, Ângela.
Obrigada, obrigada, Roberto! É um prazer, sabe disso. E, para quem não sabe, a Ângela chama-se Ângela Maria de Barros.
A Ângela é atriz e diretora de inúmeros espetáculos teatrais, mas eu vou começar falando para vocês daquilo que muita gente não sabe. Ora, o que é? É que a Ângela, antes de tudo, foi professora.
Aliás, ela continua sendo professora até hoje. Mas ela é formada pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caba, que hoje é Uniso, em Estudos Sociais. Depois, é que ela foi fazer Arte Drmática na ECA da USP.
Enfim, eu vou contar um pouquinho para vocês dessa parte anterior e depois eu entro na parte dela de artista. Então, veja só: a Ângela, depois de cursar Estudos Sociais, passou a ser professora de História e Geografia no primeiro e segundo graus da rede estadual de ensino de 1979 até 1983. Depois, de 1983 a 1986, foi professora de Estudos Sociais e Teatro na Escola Oficina do Parque Dom Pedro I, destinada a meninos moradores de rua de São Paulo.
Aí, de 1988 a 1993, foi coordenadora pedagógica, supervisora técnica e assistente de direção nos programas "Enturmando Casa Moradia" e "Clube da Turma Casa Aberta", da Secretaria Estadual da Criança do Estado de São Paulo. De 1991 a 1992, ministrou o curso "Brincar de Teatro" na Fundação para o Desenvolvimento da Educação de São Paulo. Também, em 1993 a 1996, foi assessora artística da área de teatro no Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de Diadema e plantou ali 30 oficinas de teatro para crianças, jovens e adultos nos 10 centros culturais da cidade, além de oficinas de teatro para doentes mentais no Hospital Dia de Diadema.
Em 1997, foi professora de teatro na Escola Municipal de Iniciação Artística em Santo André, coordenadora geral do Programa Centros Comunitários da Secretaria da Cultura do Município de Santo André e coordenação de 22 unidades poliesportivas e culturais. Foi professora de Educação Artística no curso de especialização em Pedagogia na Faculdade de Filosofia e Ciências Letras da Fundação Santo André, orientadora do projeto Admar Guerra da Secretaria Estadual da Cultura de São Paulo. Em 1998-99, foi professora de teatro no curso de capacitação de educadores de rua, creches e casas abrigo, organizado pelo Núcleo Latino-Americano de Psicanálise de São Paulo.
Professora em oficinas artísticas, teve participação em cursos de capacitação do Programa Cultura Organizacional da Prefeitura Municipal de Santo André. Depois de 1998 a 2000, foi professora de teatro em oficinas da Prefeitura de Diadema e na Oficina Osvaldo de Andrade, da Secretaria de Educação e Cultura, e no Ateliê de Cristina Mutarelli em São Paulo. De 2001 a 2004, foi assessora artística na área de teatro, no Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de Diadema.
Em 2004, foi orientadora do projeto Admar Guerra da Secretaria Estadual da Cultura em Pereira Barreto e Ilha Solteira. Também, em 2004, foi professora de teatro no Atelier Cristina Mutarelli, na oficina Grande Hotel em Sorocaba da Secretaria Estadual da Cultura, e orientadora do projeto Admar Guerra da Secretaria Estadual da Cultura em Sorocaba. Professora de teatro na oficina Grande Hotel em Sorocaba, no espetáculo "Vereda da Salvação", de Jorge Andrade.
De 2006 a 2008, foi artista orientadora no projeto vocacional da Prefeitura Municipal de São Paulo. Em 2010, foi professora de teatro na oficina Grande Hotel de Sorocaba. Em 2011, foi professora de Interpretação para cantores líricos na Oficina Osvaldo de Andrade.
Em 2012, professora de teatro na oficina de Bauru, depois aqui na Grande Hotel de Sorocaba. Professora de Interpretação para cantores líricos na oficina Osvaldo de Andrade de São Paulo. Em 2013, foi professora de teatro na oficina Grande Hotel de Sorocaba.
De 2014 a 2015, foi artista orientadora de teatro no projeto vocacional da Prefeitura Municipal de São Paulo. Então, para vocês terem uma base de quanta coisa a Ângela fez nessa parte educacional, quer dizer, ela não é só uma artista, mas ela é, sobretudo, uma educadora. Agora, quanto a artista, pelo amor de Deus, o que essa mulher já fez, né?
Ela foi formada pela Escola de Arte Drmática, a EAD da USP, e foi indicada ao prêmio Shell 2005 na categoria de melhor atriz com o espetáculo "A Vida na Praça Roosevelt", sob a direção de Rosolen Garcia Vasques. Ganhou o prêmio de melhor atriz no IGUINI com o filme curta-metragem "O Presidente", de Luisa Favali, e prêmio de atriz coadjuvante por "Noia - Um Dia no Limite do Rio", no Festival Internacional do Rio, sob a direção de Alder Fraga. Em teatro, se destacam "Despertar de Primavera", "O Camareiro", "O Concílio do Amor", "Luzes da Boêmia", "O Abajur Lilás", "O Amor Sem Fim", "Álbum de Família", "Toque-Toque", "Inocência", "Divinas Palavras", com direções de Ulisses Cruz, Gabriel Vilela, Willan Pereira, Sérgio Ferrara, Jean Jac Muton e Alexandre Reineck, e Rodolfo Garcia Vasques, respectivamente.
Em cinema, participou dos longas "Rua Augusta", "Na Morte", "Taíse", "Quando Minha Vida", "Meu Álbum de Amores". Como diretora, encenou os seguintes espetáculos: "O Abrigo da Besta", "Valsa Número 6", de Nelson Rodrigues, "Frank 5to", "Flávia", "Cabeça, Tronco e Membros", "Não Flor Nem Fera", "Home Sweet Home" (isso daí em Amsterdã, na Holanda), "Harmonia em Negro", "Eles Preferem as Loiras", "O Diário de Anne Frank", "Pretas", "Por Ter", "Vestir o Pai", de Mário Viana, e uma intervenção poética para Carlos Roberto Montovani, de Sorocaba. Contribuiu como assistente de direção de William Pereira nas seguintes óperas: "Colombo", "A Vilva Alegre", no Teatro Municipal de São Paulo, e "Pescadores de Pérolas", no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e em teatro… E Julieta, a casa de Bernarda Alba, nossa vida em família, participou também das novelas, né?
Torre de Babel, Viver a Vida, de Manuel Carlos, direção de Jaim, Mon Jardin, com a personagem Celeste; e das minisséries Por Toda a Minha Vida e Caçadores na Globo, na Rede Globo; e as séries Rota 66 e No Mundo da Luna. Isso é um pouco daquilo que esta mulher fez, além do que ela continua fazendo, principalmente nos alegrando com tantas coisas boas. Atualmente, participando também, né, do grupo de dramaturgia aqui em Sorocaba, que depois ela vai contar melhor sobre tudo isso.
Ângela, querida, que prazer enorme você aqui! Sabe que prazer enorme, mesmo! Obrigado!
Mas conta para nós, primeiro: onde você nasceu? Eu nasci em Sorocaba. Sorocaba.
Não precisa contar o ano, tá? Ah, não, imagina! Mas, é bom, então, é interessante o ano, porque eu nasci em 55.
55 é no auge, estava Ângela Maria, né, cantando? Isso por isso só o nome Ângela Maria. Então, é.
. . Até fui ver um show da Ângela Maria uma vez, e ela falou: "Quem chama Ângela Maria aqui?
" Que delícia! Foi tão bonito! Olha, foi graças a você que eu tenho esse nome e tal.
Mas também tem um detalhe: minha avó chamava Ângela, Angelina, e Ángeles, né? Mas, enfim, e aí a minha mãe também queria fazer uma homenagem à minha avó. Aí ficou Ângela, sei, Ângela Maria.
Entendi. E daí você morava em que bairro? Bom, eu nasci, eu nasci, como se diz, eu nasci ali no Hospital da Santa Lucinda, né?
Santa Lucinda. E ah, fui para a Nogueira Padilha, que era o lugar onde minha mãe trabalhava. Minha mãe trabalhou ali 40 anos, eu vivi ali com a minha mãe, e ela trabalhava com uma família onde eu nasci, e eles viraram minha família.
Sou parte também dessa família da Nogueira Padilha. Mas a minha mãe morava com a sua mãe, que é minha avó, na Parada do Alto. Na Parada do Alto.
Então a gente ia, que era uma c. . .
é uma cidade, um bairro operário, distante, na época, né? Nós íamos a pé, é porque quase não tinha ônibus para aquele lugar. Enfim, uma vida difícil, vamos dizer assim.
Ahã. E acho que foi bom ter esse conflito, né? Assim, entre ter vivido dentro de uma classe média, com os modelos, as ideias, os pensamentos de uma classe média, e ter vivido dentro de uma classe social mais operária, pobre e tudo mais, certo?
E acho que isso, como dizia a Emília Ferreira, né? Educar é criar conflitos, né? Isso, acho que a Emília tinha razão, porque foi isso mesmo.
Porque aquilo te desperta, talvez, né, as coisas do mundo. Assim, você não fica vivendo um mundinho. É bem Paulo Freire também.
Também, mesma coisa, exatamente isso. Também resolução de problema, né? Resolução de problema de você criar.
E ali que você estudou? Da primeira série? Então, ali eu estudei, ali na região da Nogueira Padilha, porque minha mãe foi daquele Emi lá de cima, que era o parquinho infantil.
Não, não fui, infelizmente, mas eu tinha vontade de ter sido. Eu fui do Sesi, que tinha um parque infantil mesmo. Sei que chamava, né?
Jardim da infância. Jardim da infância, jardim da infância. E tive uma professora maravilhosa, paixão da minha vida.
Que bom! Se eu for falar do papel dos professores na minha vida, é de chorar, assim, né? E essa foi a dona Marlete.
Ela foi uma pessoa encantadora, além de muito bonita, talentosa como professora, dedicada apaixonada pelo dever, pela missão, sabe, da educação? E ela pegava a gente na mão, assim, e falava: "Ó, a vida é aqui, vamos para lá. " Isso, eu era muito novinha, tinha 5, 6 anos, né?
Ah, então, ainda foi na pré-escola. Pré-escola? T, tal.
Exatamente, entendi. E era em frente ao ginásio de esportes também? Que ginásio, naquela esquina ali, então?
Da frente, na lateral da casa. E dali eu saía, passava pelo ginásio de esportes. Então a gente tinha acesso à bola, não sei o quê, e estava sempre a gente ali.
Minhas primos jogavam a bola, eu joguei um pouco de vôlei, vamos dizer assim. Eu era meio autona, assim, na época, para minha idade. E acho que teve algum professor que falou: "Não, você vai lá pro Sesi treinar.
" Eu fui, eu fui um fiasco, mas eu tinha medo da bola. Mas você ficou durante um tempo, né? Eu fiquei um tempo.
Fiquei um tempo, mas eu morri de medo da bola, impressionante. Falou: "Não, você não vai dar certo. " Né?
E bom, então, aí na Nogueira Padilha, depois eu fui estudar no Senador Vergueiro, fiz o primário, né? Lá, eh, que foi muito interessante, que eu tenho algumas histórias interessantes, eh, foi muito. .
. E aí, eu acho que na Nogueira Padilha, eh, bom, tá ali, é toda a estrutura da minha vida de ter vivido, [Música] com muitos imigrantes, né? E esses meus avós postiços, vamos dizer assim, eles eram espanhóis, sim, e se falava espanhol dentro da casa.
Então, eu tinha contato já muito pequenininha com outra língua, né? E do lado tinha um árabe que ele falava turco, no caso, né? Sim.
Eh, na frente, outro turco. Eh, então, tinha outras nacionalidades ali, né? Italianos, sim, e a minha avó era muito amiga dessas pessoas.
E eu ia com a minha avó nessas casas que ela ia visitar, acho que tomar um café, chá, aquela coisa de certo final de tarde, não sei o que foi. Então, eu tive uma convivência enorme com muita gente que falava outras línguas, sim. Então, foi muito interessante isso, assim, de ter essa.
. . E aí, o primeiro, o primeiro ano e o segundo, você já fez ali?
Eu fiz na no. . .
Senador Vegue, é lá que eu tenho uma história engraçadinha. Eu me lembro que, como eu já tinha uma coisa assim, eu era muito exibida, né? E, claro, né?
Eu me colocava para fazer as coisas voluntariamente. Sabe, eu era uma pessoa assim, e eu me lembro que minha professora da época lá no Senador Fueiro falou: “Olha, vai ser o Dia da Bandeira, vem o padre aqui rezar e tal, e eu quero que você decore um texto. Procure uma poesia aí para você ler.
” E eu falei: “Mas pode ser qualquer uma que eu quiser? ” “Pode. ” E eu decorei "Plutão".
Verdade, "Plutão". Ah, Plutão. .
. Plutão! Esqueci, gente, como é o nome dele.
. . Ai, meu Deus!
O Lav Bilate. . .
lá, lava aí, o Lava Bil. E aí eu falei: "Ué, vou fazer o Plutão. " É uma tragédia a história do Plutão, que é um cachorro do menino que, piriri, pororó, não sei o quê.
No fim, o cachorro morre. Ó, não! O menino morre e o cachorro vai viver com ele no cemitério.
Essa história é o final. Eu terminei, estava lá o padre, meus professores e as crianças começaram a chorar. Ai, que legal!
Nossa, que drama que eu devo ter feito, porque todo mundo brutal. . .
as crianças, sobretudo as pequenininhas do primeiro ano, sabe? Você já estava mostrando ali sua condição de artista, né? De dramática, né?
Aí foi muito engraçado isso. Isso foi uma coisa que me marcou profundamente. Assim, bom, participava do coral da escola, que era orfeon, né?
Orfeon, exato! Era o orfeon. Então, a gente tinha contato com a música e tal, e eu estava sempre nessa coisa muito artística, sabe?
Tempo inteiro. É, então literatura era uma paixão, né? Português, né?
Sim. Então, quando era para ler em voz alta, era uma maravilha! Eu adorava ir lá na frente e ficar lendo.
Então, exibicionismo puro! Claro! Mas, através do exibicionismo, fui também conhecendo o mundo, né?
Ai, interessante. E qual a primeira coisa que você lembra? Você fez assim já mais conteúdo, uma coisa mais consistente, mais duradoura, vamos dizer assim?
Como assim? Depois, na escola, ali mesmo, na sala de aula, você teve alguma pecinha teatral, alguma coisa assim? Já fez?
O que foi a primeira que você lembra? A primeira peça eu escrevi, eu dirigi e acho que atuei porque eu também não sabia, gente. Eu não tinha noção do que era teatro.
Aliás, naquela época não havia, né? O que a gente via era um pouco de televisão. Às vezes, era televizinho também, porque não era todo mundo que tinha televisão, né?
Então, eu era uma típica "televizinha", sabe? Eu ia nos vizinhos para ver televisão. Ver "Irmãos Coragem", por exemplo, assistia a novela inteira no vizinho, sentada.
Eu tomava banho. . .
Eu até contei isso pro Tarcísio Meira, porque eu trabalhei com ele. Foi, acho que, meu último trabalho em São Paulo, né? Eu falei: "Olha, qual foi?
Até perfume para assistir você assistiu! " Ai, que legal! Aí ele morreu de rir, chorou de rir.
É porque, bom, imagina, né? Ver uma TV em 1960 era a mesma coisa que ir pro cinema! Nossa!
Era uma preparação, né? Você se preparava! Você tomava banho, punha roupa.
Parece que, o que a gente tinha na cabeça quando era criança, ninguém explicava o que era televisão, como funcionava. Acho que ninguém sabia também, né? Aham.
Então, a gente via a TV e imaginava que a outra pessoa estava te vendo. Sim! Aí eu tinha certeza absoluta que o Tarcísio Meira estava lá me vendo!
[Risadas] Entendeu? Menos viu depois. Pois é, a vida é engraçada, né?
A vida, D. Cada volta que você dá, inacreditável! Enfim, não sei mais onde eu estava, mas aí é contando dessa montagem que você fez, você fez tudo?
Ah, então, e essa foi uma professora da. . .
como chamava aquela escola? Na Barcelona, que abriu meu. .
. do estado pro ginásio. Eu fiz meu ginásio lá na Barcelona, no bairro da Barcelona.
Francisco, Frasco? Pode ser Monteir? É, acho que é isso.
E eu tive uma professora de português chamada Eleni, Elen. . .
Eleni, mas é a Elen Maciel. Elen Maciel, que depois foi professora na faculdade. Ela, bom, decidida, é.
. . que tinha um sorriso assim, lindo e os olhos.
Eu também era muito apaixonada por ela, porque ela foi uma grande pessoa, uma grande professora, magistral! Eu dizia isso pra ela: “Professora, é um pouco mãe e pai da gente, né? No sentido de que aquilo que os pais não têm, ainda, como bagagem, como curso, né?
Que poderiam ter e tal, infelizmente, são os professores que trazem e que dão isso pra gente, né? ” É, e a Eleni Maciel bem assim. .
. Deve ser ela mesma! É, ela é, ela!
Então, a Eleni era essa pessoa assim, ela pegava todos nós pela mão, sabe? E falava: “Olha, você tem que conhecer isso, saber aquilo e tal. ” E foi nela que eu comecei a fazer esse negócio de teatro, que eu praticamente nem sabia muito o que era isso, né?
Com exceção de uma pecinha que eu fiz na igreja do Bom Jesus. Tinha uma. .
. Ai, como é o nome dela agora? Me perdoe.
. . Ah, não vou lembrar, mas era uma figura assim da igreja que montava as pecinhas sobre Jesus, sim, os amigos.
. . não sei que.
. . de Jesus e tal.
E eu lembro que eu fiz lá uma santa. Ah, também não sei que santa que é, não, mas enfim. Então eram essas as expressões, entende?
Que eu tinha contato. E o meu fazer começou assim, brincando com isso. Mas a Eleni, ela foi muito especial, porque foi com ela.
Que que eu conheci, Drmon, né? Isso foi, é com ela que eu conheci "Vidas Secas", foi com ela que eu conheci Veríssimo, foi com ela que eu conheci muita gente muito boa. Uma coisa assim que foi abrindo o mundo à leitura para mim, né, no ginásio, sétima série, sexta série, tinha 12, 13 anos, isso, e lendo.
Então isso acabou, ela foi minha amiga e nós começamos o mestrado juntos aí em Campinas. Depois, ela foi diretora do colégio no Aguirre; ela foi diretora, professora e diretora, e ela. .
. chou Ah, muito pertinente. Claro, perfeita, uma pessoa especialista.
É, ah, no meu coração e na minha consciência, é claro, né, na construção do que eu sou, né? Acho que é isso. Então, eu fico pensando assim, né, onde tá o teatro?
Aí tá nesse lugar, tá na educação. Sim, foi lá que eu acho que tudo começou, né? Com as brincadeiras de criança, de C.
E aí você. . .
então, esses poemas, e você fazia, então também, montagens com poemas assim em sala de aula. Tudo isso fazia. Fazia coral, fazia, sei lá, fazia tudo com o poema.
Até a oitava série, na época, nossa, eu fiz até aquele poema "Tudo fica um pouco", lá do Drmon, sim, é do meu medo, do teu asco, dos gritos gagos da Rosa. Ficou um pouco. Eu fiz um coral com isso, entendeu?
A gente. . .
na aula da Helênia, foi isso que eu nunca mais, o poema sai da cabeça, né? Sim, porque é para sempre. Então, acho que ele tem um poema também chamado "Tá sempre", é, tem.
Pois é, então acho que é isso, né? A grande função da educação e da arte, né? E quando há uma educação cultural, né?
Porque acho que a gente tem que pensar numa educação cultural ampla e restritamente aberta. Ela te constrói de tal modo que favorece a tua escolha na vida, né, nos mínimos detalhes dessa escolha, né? Sim.
Então, é isso, acho que ela tem esse papel importantíssimo, fundamental. E aí, o colegial. .
. bom, aí no colegial, eu fui fazendo no Seon, Seon, que é tudo meio por perto, né, lugares mais que a gente podia ir a pé, voltar e tal, né? Isso, estudei no Seon.
Aí, chegou na metade do ano, ah, não sei o que aconteceu, que eu me desliguei um pouco da escola. Fiquei meio amarga, não sei, não lembro por quê. Eu acho que eu repeti o ano e a minha mãe ficou doida, se for tirar você dessa escola.
Porque, claro, ela achava que era a escola o problema e não, né? Aquela coisa de adolescência. Difícil.
A vida de adolescente é muito difícil, acho que é a pior fase da vida de um ser, né? A adolescência é. .
. nesse sentido, é, né? É.
. . busca muita descoberta, entendeu?
É tão difícil. E a passagem é também, eu acho, porque, exatamente, né? Fisicamente falando, psicologicamente, são mudanças muito radicais, né, que acontecem.
E aquele receio daquilo que você vai ter que assumir, né? Começa a abrir a parição, já. .
. qual que você vai fazer, quem você vai ser, né, quando crescer. E só que você já tá crescidinha, aí você já tem que tomar um rumo, né?
Uma loucura. Enfim, então, acho que tem tudo isso. Eu lembro que aí eu fui estudar no.
. . minha mãe conseguiu uma bolsa para mim, eu fui estudar em Ciências Elétricas.
Ciências Elétricas. É porque era uma escola particular na época, mas muito boa também. E lá eu conheci um grande professor que foi o Trujilo, ah, Trujilo, meu professor de história.
Que todo o conteúdo político, assim, de entendimento do mundo, vem nele, sei? Né, vem nele. Não tem outra forma de ser, tá?
É diretriz da minha vida, né? De entender esse pensamento assim, do quanto é importante a política, o quanto ela é transformadora, quando tem que ser, né? Sim, e na ausência dessa política transformadora, é a tragédia, certo?
Eu acho que é isso, entendi. E, Alice, você chegou a fazer alguma atividade também? Então, bom, eu aí comecei a ter uma atividade política junto com outros estudantes, que também era uma fase de ditadura militar no Brasil.
Sorocaba, todo lugar tinha ditadura. Aí foram anos difíceis. Você tá assim, entrando numa coisa de ser adulto, né?
Ainda sem ser na adolescência. E. .
. você impactada com uma vida de impedimento, que era a vida dentro de uma ditadura. Bom, pelo menos no meu entendimento, né?
Não sei. E nem aconteceu nada de teatro ali. Então, naquele momento de teatro, sim aconteceu, porque aí eu conhecia o Mantovani.
Ah, mas ele estava lá dentro. Então, não dentro da. .
. do Ciências e Letras. Não, não, não.
Ah, bom, não, eu conheci o Mantovani fora do Ciências e Letras, mas era mais ou menos nessa época. Eu conhecia ele desde adolescente, que ele passava na frente da minha calçada, sei porque ele morava mais acima, entendi? Lá de cima na Nira Padilha.
E a gente foi se conhecendo e tal. E um dia eu me lembro que o Bovan me convidou para ir no. .
. Como é que chama ali, gente? O gabinete de leitura.
Gabinete de leitura. Também fez. Uau!
Grande descoberta. Sorocaba tinha um gabinete de leitura, sabe? Assim, então, horas lendo lá no gabinete de leitura.
Legal! E fui ficando amiga das pessoas que iam por ali, né? Eh, e conheci o.
. . Como chama.
. . os nomes?
Amando. Ah, conheci o Amando, conheci. .
. Bom, o Armando também foi meu professor, outro magnífico, lá no Ciências. Amando de Oliveira Lima.
Frequentava, claro. Então, mas conheci o Amando e o Celso Ribeiro. CS Ribeiro é o marvadão, hoje, né?
Que conhece isso. Então, o Celso também aí faz, só fazia teatro. Aí eu fui ficando com as pessoas de teatro, sabe?
E política também, porque eram dois grupos que se encontravam dentro do gabinete de leitura. E era interessante, porque era uma disputa, assim, né? De "v cá você vai lá, não sei o que, e EUA", nos dois lugares.
E dei um jeito de continuar por um lado, uma atividade política, e por outro lado, uma atividade teatral. Aí, o Celso queria montar um trabalho que era "Se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come", do Vianinha, e que era um texto maravilhoso. Era, não é, mas que não foi possível a gente montar.
E eu não sei porque cargas d'água resolveu-se montar o "CLU", que é do Sartre. Imagina, teatro amador fazendo Sartre, né? Naquela época, o niilismo e tal, a gente estudando niilismo, né?
Tentando conhecer, saber o que era aquilo, e a política dizendo que niilismo. . .
O que entenderam? Vocês têm que entender que é realismo e tal. Enfim, tinha essa briga, né?
E aí eu sei que a gente montou "Entre quatro paredes". E aí conheci o Felizi, né? Ah, ai meu Deus, ela me falou a que fazer atriz.
Oh, meu Deus, esqueci, desculpa, perdão, mas, gente, tem coisa que não dá para lembrar mesmo, é muita coisa, muita gente. É muito a Cristina Labron. .
. Ah, Cristina! E o que era?
Ela foi comissária de bordo também, ali. De outras coisas. Cheguei a encontrar lá dentro do avião.
É mesmo? Ai, que maravilha! É maravilhosa!
Mas eu assisti à Cristina Labron, muito querida. E o Roberto? Não, Roberto Gil.
O Gil Camargo Jar também era desse grupo, e o Armando de Oliveira. Aí a gente foi para o palco juntos. Ai, que maravilha!
Não é incrível? Eu lá com meu professor no palco! E aí foi meu debute, né?
Foi a primeira peça que eu fiz. Isso foi onde? No Recreativo?
Não, isso foi no Getúlio Vargas. Ah, no Getúlio! Tá vendo?
No Getúlio Vargas, eu me lembro que tinha uma coisinha em cima, assim, do palco, e tinha uma porta de vidro que o Mantovani bateu, quebrou no meio da peça. Foi um negócio. .
. Nossa! Tinha um diretor que ele ia matar a gente!
Como ele chamava esse diretor? É o Dr Pedroso. Ah, o Dr Pedroso era bravo.
Uma pessoa maravilhosa, temida! Pois é, mas era temido. Ele bravo, mas é um dos responsáveis pela Fundec.
Hum, e ele que tinha que. . .
A Sinfonia Juvenil, foi ele que criou. Pedro Cameron Coral. E aí vai!
Que maravilha! Nessa fase, ele era bravão, tal, mas depois ele virou uma doçura de pessoa. Impressionante!
E por ele, era doutor. Ele era mesmo, ele era diretor, né? Não, doutor.
Doutor, ele dava aula na Faculdade de Direito. Hum, então o pessoal lá chamava, né? Doutor, porque ele era professor.
Ele era Professor Doutor, né? É, ele era. E advogado.
E além disso, era professor lá dentro. Ah, tá, mas foi uma pessoa brilhante, né? Ele era bravão, mas tanto é que, só para você ter uma noção, ele chegou um dia para mim, eu estava desenvolvendo essas atividades.
Aí, ele chegou para mim um dia e falou assim: "Roberto, você não quer colocar no curso como redator auxiliar de arte dramática? " Uau! E no ano seguinte eu fui com o Gil para São Paulo.
Nós fomos comprar o material para usar lá dentro do salão do Getúlio, que na época não tinha uma série de coisas, né? Então ele mandou eu para São Paulo comprar as coisas para começar a dar aula lá dentro. Que coisa, salão incrível!
Que maravilha! Arte dramática, então, sugestão dele. Você deixava ter o festival de teatro lá de Sorocaba, de mais não sei do que.
E eram debates, tinha uma efervescência no Getúlio magnífica! Tinha, foi, foi o lugar que nos abraçou, né? Nós, artistas sorocabanos na época, era o lugar que existia, sim, que era acolhidos, né?
Que a gente era. . .
não tinha em outros espaços. Não, não existia. Não, e depois dessa peça, qual que foi a que veio depois?
Então, aí, ah, depois veio. . .
Bom, aí conheci Hilário, Feir, Avante, Maria Elena, Gazza, Mar Bonad, né? Ana Edna! Ana Edna Jesu, que foi minha professora também, minha também é.
É a Ana Edna, grande Ana Edna! Marcinha, Márcia Azini, Marinha, Márcia C, cantora. Não, ela não!
Não, não, não! A Márcia, a outra Márcia! Fala, Marta!
É, não, não, não! A Marta, não! Não, sim, a Márcia Azini!
Sim, e o irmão dela também foi meu aluno, o Fran. Sim! Ah, foi meu amigo a vida inteira, um grande amigo, muito gente boa!
Meu maior amigo, assim, de, sim, é. . .
de cópia, de Cruz, sei! Foi. .
. E assim, aí a gente. .
. O Hilário tinha um espaço, quis montar um teatro. E aí a gente criou o Maia Teatro Livre.
Isso, nessa época, lá na Capital, Grandino. E foi uma coisa inacreditável que a gente fez ali. Foi um espaço de cultura, de arte e cultura.
E ali foi montado "CLT", "Brisa", "Serração" e "Ventania", que foi um infantil. Eu fiz uma substituição da Mari, porque a gente ia montar com o Mantovani o "Álbum de Família", do Nelson Rodrigues. E o Nelson Rodrigues, ele queria conhecer o diretor para ele liberar a peça.
E aí o Mantovani foi com ele, e daí a Mari quis ir com ele, e aí eu fiquei no lugar da Mari para fazer a Clotilde, sei? E assim, da noite para o dia, foi uma. .
. Loucura! E eles foram conversar com Nelson.
Olha que incrível! Sei, imagina conversar com Nelson Rodrigues! Não é possível!
É, e eles foram. E então, o Montavani monta "O Bobo de Família", mas que infelizmente a gente acabou não fazendo, porque ah, aquela conversa política de que era uma peça pequeno-burguesa e que a gente precisava fazer uma coisa revolucionária. E tinha tudo isso, né?
Naquele momento vamos fazer a revolução com a pressa e a necessidade do momento de juventude, assim, né? Enfim, não fizemos a peça e nem revolução, e estamos aí! Ai, Roberto, muito engraçado essas histórias!
Então, acho que daí eu decidi. Ah, falei: bom, vou levar a sério esse troço. E o Fran, que é o irmão da Márcia, a gente também, no Maia, foi muito interessante porque a gente tinha dança, né, de Newton PIS, umas mudanças.
Acho que a gente fez uma coisa com Denilton de dança que apresentou lá. Jorge Bner e Jacobina vieram tocar nesse teatro. Não dá para acreditar que na época Jorge Bner esteve em Sorocaba, no Teatro MA!
Não te é. Enfim, a gente produziu muita coisa naquela época, e também era um momento, assim, de. .
. eu acho que de queda já da ditadura, porque era final dos anos 70, né, para os anos 80. E as pessoas tinham muitas atividades políticas, aí, que usavam muito aquele espaço para reuniões, era da PESP, era reunião da Anistia.
Bom, enfim, a gente foi misturando política e arte, e tal, e revolução e essa coisa toda. E no fim, o teatro acabou. E não sei como é que foi esse final.
Eu não lembro muito bem, mas foi uma pena ter perdido esse espaço, esse teatro. E aí, em seguida, eu acho que. .
. bom, o Hilário foi para São Paulo, depois foi o Fran, que eram muitos meus amigos. E eu falei: ah, também quero fazer alguma coisa em São Paulo.
Mas aí o Hao me convidou para fazer uma. . .
como é que se diz. . .
para fazer com ele um teste no Antunes, no centro de pesquisa teatral, que era o Centro de Pesquisa CPT, né, famoso. Depois ficou CPTh. E acho que foi a primeira turma do CPT.
E o Hilário estava lá já morando em São Paulo, e ele me chamou: "Não, você tem que vir! Você vem, vem fazer, vem fazer! " E eu já era professora aqui, dando aula e já vivendo, né, da minha própria vida, entendeu?
Do meu próprio salário. E eu dava aula em Votorantim nessa época. Eu me lembro que dei aula em Pilar do Sul, dei aula em Votorantim, em Sorocaba.
. . História.
Eu dava aula de Geografia porque eu podia: Estudos Sociais, Educação Moral e Cívica da época, dessa lei. . .
Ai, meu Deus! Era uma coisa que a gente tinha que fazer um. .
. né, um "salameleque" ali para não poder ser muito idiota, né? Mas dessa coisa patriótica.
. . bater no peito, né?
Como se a humanidade precisasse disso, né? Então, enfim. .
. E bom, o que mais que aconteceu? Ah!
E aí fui para São Paulo, fiz o teste e fui aprovada no Antunes! Daí, eu falei: "Nossa, meu Deus! E agora, o que eu vou fazer da vida?
" E eu liguei no orelhão para minha mãe: "Eu passei no teste! " "Parabéns! É isso aí!
Você vai embora para São Paulo! " É isso. Falei: "É, acho que é.
Você tem que ir mesmo. " Minha mãe era positivíssima, maravilhosa, uma mulher totalmente arrojada, fora do tempo dela, né? E aí eu falei: "Então eu vou!
" Fiz minha malinha, minha mãe ajudou a fazer a malinha e fui embora. Quer dizer, embora é. .
. agora tô de volta. Aí cheguei no Antunes de cara, sem saber nada de teatro.
Basicamente nada! E foi aquela pauleira, né? Na cabeça, porrada para tudo quanto é lado, porque, no sentido cultural, sim, porque sabe, o nível era altíssimo, né?
E coisas que eu não sabia, eu desconhecia plenamente, né? E aí foi um impacto, entendeu? Um enorme impacto ter começado a entender coisas que eu não compreendia ainda e nem sabia que existiam.
Então, foi incrível, foi uma coisa incrível, mas eu já vi também que o Antunes não era uma coisa que ia me dar muita solidez, vamos dizer assim, de sobrevivência e tal. Eu falei: "Olha, eu acho que eu tenho que me profissionalizar, né? " E, neste interim, abriu a prova para a Escola de Arte Drmática, e aí eu fui fazer também.
Aí passei e fui fazer a Escola de Arte Drmática. Fiz! E aí foi bom.
Aí foi isso, fui estudando. E junto com isso, quer dizer, meu diploma de professora. .
. sei, é que eu, por onde eu ia mesmo, de fato, sobreviver. .
. porque é, né? É.
. . até hoje eu digo isso para os meus alunos: "Quer fazer teatro?
Vai estudar primeiro! Arruma uma profissão paralela para você sobreviver, porque o teatro vai ser muito difícil, né? " É.
. . quem não precisa, ótimo!
Mas quem precisa, precisa fazer as duas coisas. Então, eu falo até hoje para eles. Eles morrem de rir!
E é verdade! Ainda continua sendo verdade, infelizmente. Suporte financeiro, né?
Não, não, não dá! É realmente. .
. O Antunes já dizia: "Quer fazer teatro? Tem que ser rico!
" "Você é rico? Então não vai fazer teatro! Vai trabalhar, porque pobre tem que trabalhar!
" E de fato, isso é uma verdade, mas não tão absoluta, né? Tanto é que eu consegui ir lá, fazer, estudar e tal, e tantas outras pessoas, né? Que não eram ricas, não foram ricas, e também conseguiram.
Paulo Bet, né? Um exemplo nosso, maravilhoso! Elian Jardine, né?
Foram e desbravaram esse mundo, sim! É. .
. el mundão, né? Quem me mata é Deus.
Quem. . .
Me, como chão, o próprio Zé Henrique. Zé Henrique, pois é, Fernanda Mar, Fernanda maravilhosa. Bem, quer dizer, pois é, Teatro Municipal também, tanta gente, né?
E os teatros de São Paulo, todos, para que os bons teatros, eles estão presentes. Uhum, uhum. Mas não é fácil, a gente sabe disso, a luta deles permanece, uhum, né?
E nisso, nessa coisa de eu ter que sobreviver, eu, obviamente, fui para o caminho da educação, continuando, né? Então levei meu diplominha embaixo do braço e falei: "Olha, é delegacia de ensino, né? Que hoje acho que nem chama mais isso, né?
Ainda é? É delegacia. " E aí, bom, comecei a.
. . aí me chamaram.
A Ângela, uma amiga daqui de Sorocaba, ela também já trabalhava com educação, falou: "Vai ter um teste para uma coisa super específica em educação. Eu não sei o que é, um projeto novo para trabalhar com meninos de rua. " Eu falei: "Oi, desafio era comigo.
" Assim, sempre fui uma pessoa que gostou do desafio. Falei: "Meninos de rua? Hum, então o quê?
" E eu fui. Era um projeto do Estado de São Paulo, do governo Montoro, que foi um grande governo, né? Na época.
Esse trabalho era criar uma escola para meninos que dali da Praça da s daquela região que pudessem ter acesso à alfabetização, à escolaridade minimamente. Então era uma escola, um projeto inacreditável de uma modernidade para a época. Assim, porque não era uma escola seriada, os meninos podiam escolher o que eles queriam dentro de uma grade possível para o dia, o que que eles gostariam de fazer.
"Ah, quero ir lá na aula de história agora. " Então tinha um professor que ficava ali, né? Para dar aula para menino.
E a coisa mais, eu acho, significativa é que a gente começou a concorrer com a rua, né? Hum, e tirar esses meninos da rua, da violência, da mortandade que acontecia, que era uma coisa terrível. Hã, eles eram massacrados, né?
São ainda, sei, ainda são. E aí, a escola-oficina foi uma coisa, uma passagem que é um capítulo à parte, né? Porque imagina, a gente ia abordar os meninos, dizer para eles irem para uma escola, quer dizer, que é o primeiro lugar que diz não, uhum, né?
É o primeiro não, né? É. .
. daí tem o não da família, o não do pai, o não. .
. quando tem, né, pai em casa. É o não da mãe, da avó, da tia, da irmã, sei lá, de quem.
E são todos os nãos, o resto da vida, para tudo, né? Então eles não acreditavam nessa possibilidade. Então a abordagem era uma loucura.
A gente tinha que ser muito, eh, muito esperto para falar com os meninos. Então a gente também foi treinado para isso, aprendeu a falar a a a a língua deles, né? Língua.
. . é, dizer, né?
A brincadeira. Mas, eh, eles tinham como chama isso. .
. eles tinham um dialeto, né? De rua.
Tinha aquela gíria. É, mas é um dialeto. É, vamos dizer que é um dialeto.
Então a gente aprendia todas as gírias, o jeito de ser, de falar e tal. E a gente chegava nos meninos assim. Uhum.
E foi uma coisa inacreditável. E uma das responsáveis por esse projeto foi a Miriam Jorge Vard. Não sei se você conheceu.
Ela foi da PUC, foi uma professora magnífica na da educação, né? Uma pessoa incrível. E ela daí tinha um cara que também era o Jairo, que já morreu.
Ah, Jairo de Oliveira. Ele foi secretário de educação de Santos, depois veio trabalhar com os meninos de rua. E na FEB também trabalhou.
Grande educador, grande brilhante, um cara que tinha uma abordagem única com os meninos, uma coisa impressionante, uma experiência incrível. Foi, foi porque era muito violenta também, muito, muito impactante. Tudo, tudo era muito impactante, né?
O grau de exposição à violência desses meninos é inaudível, assim, é inacreditável. É, é, sabe, não dá para. .
. São histórias que a gente enlouquece para ouvir. E, enfim, eu também dei aula de teatro para eles, para essas crianças, para esses meninos, fora geografia.
E eu também dava teatro e história. E teve alguma atividade interessante que fizeram, foi marcante. Ah, tinha sempre.
. . né?
Eu acho que a atividade interessante foi que o menino escreveu um livro. Ah, então você já vai contar essa história para nós. Nós vamos dar uma pequena pausa e aí você vai contar essa história para nós.
Legal, então, pessoal, um pouquinho só, né? Nós vamos dar uma pequena pausa agora, né, para que a Ângela também tome uma aguinha. E aí nós já voltamos.
Ela vai contar um pouco mais dessa história dos garotos ali de rua que acabaram escrevendo um livro lá em São Paulo, né? É, então, até já, um momento só.