[Música] [Música] [Música] [Música] São Tomé e príncipe Guiné Bissau Cabo Verde Angola e Moçambique esses cinco países t em comum além da língua oficial português uma Independência tardia que só se concretiza na metade da década de 19 o Caminhos da reportagem de hoje vai relembrar 40 anos depois como essas Nações conseguiram se libertar do domínio português nossa equipe de reportagem esteve em Angola Moçambique e em Cabo Verde e ouviu ex-combatentes pesquisadores e a população local que nos contaram histórias do passado e nos falaram sobre os desafios para o futuro [Música] 1415 Portugal conquista a cidade de cuta no norte da África e inicia a expansão marítima portuguesa pelo continente em 1446 os portugueses chegam à costa da Guiné Bissau depois a Cabo Verde as inabitadas ilhas de São Tomé e príncipe e Angola em 1498 chegam a Moçambique Portugal consolida assim o seu império na África tudo isso antes da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil É verdade o que diz que cada colónia tinha uma história diferente e acho que isso é muito importante que cada colónia temha uma história muito própria com sociedades particulares com histórias muito interessantes mas ao mesmo tempo também havia muitas coisas que as uniam não é Sobretudo o modo como foram lugares de de conquista de extração de matérias primas de exploração de trabalho ao contrário do que aconteceu na América a ocupação efetiva Portuguesa no continente africano se deu tardiamente apenas a partir de 1884 Portugal assim gradativamente foi transferindo estimulando a imigração sobretudo para Angola né os as outras colônias receberam menos pessoas provenientes de Portugal depois da Segunda Guerra Mundial os portugueses vão começar a investir mais nas colônias é após a Segunda Guerra Mundial que os movimentos pela independência das colônias portuguesas na África se intensificam em 1946 durante a ditadura aign deia e passa a chamar seus territórios decias ultramarinas passou de colnias a províncias ultramarinas para um pouco suavizar as críticas e império Português fundou-se muito nesta ideia de que era um colonialismo diferente isso é um mito não é um mito porque ajudado pel fre que é Voss compot [Música] a teoria do lz a tropicalismo não é que o português se misturava muito facilmente com os povos tropicais e que a ideologia eh do Salazar adotou esta essa teoria antropológica de Gilberto Freire para adaptá-la portanto a sua ao seu modelo de colonização mas não de forma nenhuma quer dizer os portugueses foram tão maus colonialistas como os outros todos ao nível de opinião era Portugal estava a criar novos brasis África veja lá os mulatos que lá existem e tal bom o facto de um Colono solteiro dormir com uma cidadão local não faz desse colonialismo um colonialismo integrativo porque as diferenças sociais continuavam a ser as mesmas 4 de fevereiro de 1961 marca oficialmente o início da Guerra Colonial o movimento popular de estação de Angola o MP apoiado pela união soviética atacou a prisão de São Paulo em Luanda sete policiais foram mortos Portugal declarou-se a partir dos anos 50 uma nação pluricontinental una e indivisível essa retórica levou o colonialismo português nunca aceitasse negociar com os movimentos de libertação que Começam a surgir nos anos 50 e por essa forma fosse paulatinamente conduzido para uma situação de guerra Colonial um dos fundadores e principal expoente do mpel foi Agostinho Neto poeta e médico Agostinho casou-se em 1958 com Maria Eugênia uma portuguesa ela relembra dout Neto eu conheci H em Portugal em Lisboa era uma figura conhecida pública no meio de de toda aquela diáspora que que estava lá sobretudo Os estudantes da casa dos Santos Império no ano seguinte os dois partem para Angola Agostinho vira dirigente do mpl vi para Angola quando Casi com meu marido eu nunca vim nunca tinha vindo à África não havia exatamente definições exatas de partidos e as pessoas davam-se entre entre elas mesmo de outra como é que quer dizer de outras tendências que não as do mpl mas as pessoas davam-se porque o o essencial era H era a independência e mais ou menos naquela altura toda a gente via no Agostinho Neto o nosso Moisés como eles diziam o libertador Maria Eugênia conta que muitas vezes teve medo de que o marido fosse assassinado houve uma altura Natal e ele não passou não passou com nós bom ele procurava nessas datadas estar essa não não não teve eu disse não vai eu e as lágrimas corriam para cara baixo mesmo sem eu sem eu poder conter eu não sabia porquê eu dizia não vai não vai não vai ele tem que ir tem que ir tem que ir por um trist eu tava tinha-lhe preparado uma coisa para me matarem por acaso não Talvez as minhas mãos foram sempre tive sempre a sensação que as minhas mãos ia que eu protegeu dessas coisas que a gente não sabe explicar e recorda as inúmeras prisões de Augustinho meu marido foi preso diversas vezes e eu sempre fui a pessoa quase a única a apoiá-la escrevia dia sim dia não e eu escrevia H essas cartas para para ele era como um um contacto humano de fora para dentro e dentro dentro para fora as lembranças da prisão ecoam na memória de Justino que também lutou pela independência de Angola Ele conta que foi preso várias vezes mas nunca sentiu medo Nós perdemos nosso pai muito jovem e muito pequenos ainda mas a minha mãe não nos ensinou a ter medos portanto a minha mãe e quase que nos empurrava para a luta portanto ela dizia que cada um de nós tem o seu papel na na na história na vida e que o processo de liberação era uma obrigação para todos nós foi ainda na adolescência que Justino decidiu entrar para o mpl eu quando tinha 12 anos eu já tinha perfeita noção do que se passava no mundo e especialmente em Angola porque tinha uma história familiar de intervenção política e também intervenção cívica e por isso mesmo foi muito fácil para mim perceber os fenômenos da é em 1961 quando começou a luta em Angola eu perdi um tio o irmão da minha mãe foi morto pelos portugueses e e a minha própria casa também foi invadida pela tropa Portuguesa e por isso mesmo foi fácil perceber que o meu lugar era do lado da luta e não do lado da indiferença José Jorge era também menino quando as guerras coloniais começaram mas se lembra bem de como era o domínio português havia sempre preferência pelos cidadãos portugueses que estavam cá para todas as situações quer para empregos para para regalias havia Os nacionais eram sempre colocados em segundo plano né lembro-me no tempo Colonial os cidadãos brancos nascidos em Angola são considerados bancos de segunda as guerras coloniais se arrastaram por 13 anos foi uma guerra que levou 40% em média do orçamento de estado além disso a guerra ocupou cerca de 1 milhão de pessoas levou 1 milhão de portugueses para a Guerra ao longo dos 13 anos o que significa a mização de uma percentagem da população ativa do país superior à mobilização dos Estados Unidos para a guerra do Vietname em 25 de abril de 1974 um movimento liderado por capitães que haviam participado da Guerra Colonial depõe a ditadura de Salazar este levante militar ficou conhecido como revolução dos cravos o movimento Militar de 25 de Abril é um movimento que interpretando o cansaço com a guerra derruba o regime com o objetivo de pôr fim à guerra e por essa forma e implantar impor um um regime de caráter democrático era preciso em última análise reconhecer o direito à autodeterminação e à Independência dos povos dacas Angola é declarada independente em 11 de novembro de 1975 foi primeira a lutar pela independência e a última das colônias a consegui-la a bandeira que hoje flutua é o símbolo da Liberdade fruto do sangue do ardor e das Lágrimas e do abnegado amor do povo angolano Este é um dos trechos do discurso de Agostinho Neto feito no dia da independência de Angola o comité central do movimento popular de libertação de Angola m procama perante a África e o mundo a independência da Angola a alegria foi tão grande dele dele e do povo não ele mas como um poeta poeta que idealizou esperou aguentou construiu foi muito grande foi uma alegria muito grande ha realizado esse sonho e e o fim de uma de uma época histórica também tinha chegado o momento dos africanos terem a noção de ser estávamos todos nós ali num pátio grande assistir eh e depois escutamos a o discurso de Agostinho Neto e foi o momento muito emocionante a Fortaleza de São Miguel foi a primeira fortificação militar portuguesa em Luanda no século X daqui de cima era possível observar Toda a Bahia da cidade mas Este foi o primeiro e o último local de resistência dos portugueses em 1975 depois da Independência Eles foram expulsos e obrigados a ver sua Bandeira dar lugar a da recém liberta Angola em 75 pug história dos dos retornados do regresso dos retornados e que foi cerca de meio milhão de pessoas que vieram das das colónias e até Portugal que era um país que para muitos deles nem sequer conhecia ou seja eles eram de origem portuguesa filhos de portugueses ou netos de português mas já tinham nascido e crescido em África Francisco é angolano mas de família de portugueses topógrafo ele teve que deixar Angola depois da Independência eu tinha uma empresa minha de topografia tinha sete topógrafos na altura a trabalhar em diversos pontos de Angola tive que recolher a todos paguei e fiquei sem nada Ele conta que ao chegarem em Portugal foram hostilizados vocês estão aqui porque estavam lá a explorar Os Pretos e tal nunca foi isso porque explorava o o ultar era o Portugal mas o Portugal montado pelo governo não era mais ninguém nós éramos explorados pelo governo [Música] português depois da Independência o país enfrentou uma longa guerra civil três movimentos disputavam o poder o movimento pela libertação de Angola o mpel financiado pela então União Soviética e cuba a unita união pela Total Independência de Angola financiada pela África do Sul e a frente Nacional de libertação de Angola fnla que perde L nos primeiros anos da Guerra porque as superpotências à época existente não queriam perder o controle de Angola que é um país riquíssimo em petróleo em diamantes e portanto a disputa de Angola foi uma disputa [Música] muito duradora em 1975 o mpl assume o poder tendo Agostinho Neto como seu primeiro presidente todos os contrários a ele são considerados dissidentes e perseguidos é dissidência eu percebi isso no terreal que essa era o fim porque percebi que havia muita muito problema acumulado muita falta de entendimento e havia pessoas que tinham como objetivo apenas a independência eu não tinha como objetivo apenas a independência eu tinha como a independência e transformações sociais que nos levassem a maior librada em 27 de maio de 1977 uma tentativa de golpe ao governo de Agostinho Neto acaba no maior massacre ocorrido em Angola Esse é um um fato emblemático na história recente de Angola pós Independência né havia aí um grupo de de militantes do mpla liderados por Nito Alves que queria uma uma uma orientação política diferente e houve de fato uma ameaça de golpe por parte deles e a repressão se fez assim de uma forma assustadora é uma história não contada ainda mas os números são assustadores 60. 000 mortos 50. 000 mortos na repressão o 27 de maio foi uma chaga muito grande muitos jovens e ficaram perdidos e neste lençol de sangue e E como sabe quando há uma rotura no tecido humano de uma sociedade eh leva muito e muitos anos a recompor a vilva de Agostinho Neto nega que a ação tenha sido comandada por ele o povo Sabia que não tinha sido ele porque quem ama não [Música] mata a guerra civil atingia todos os angolanos Até quem não militava por nenhum dos dois grupos José Domingos perdeu um em um confronto entre a unita e o m Houve uma guerra que a unita e m se encontraram então naquele mesmo momento atacaram carro onde estava Meu irmão foi daí que ele falu e quer saber que existe uma guerra Ele conta que a família tinha que se mudar Seme por causa da Guerra não tinam um bom suo às vezes fugíamos de um sítio para outro porque estamos nessa província tendo lá a guerra intensa Então vamos para outra província ficamos naquela província estamos ver que não tá dar certo também vamos para outro Vimos que meu irmão foi atacado pelo pela unita e acabou Nós também temos medo que também podos ser atacado o brasileiro Lu Alberto chega em Angola em 1981 também durante a guerra um país que estava em guerra recém eh eh feito a independência mas em guerra interna tudo era controlado você não podia usar a máquina fotográfica porque era proibido havia o recolher obrigatório que você à meia-noite tinha que estar recolhido em casa e só saí às 6 horas da manhã no dia seguinte se precisasse algum urgência você corria riscos de vida nessa altura a guerra civil acaba em 2002 27 anos depois de ser proclamada a Independência hoje 13 anos depois do fim da guerra civil e há 40 anos independente Angola tenta se reestruturar o território angolano ainda está contaminado por minas terrestres segundo o programa das Nações Unidas para o desenvolvimento o penude mais de 80.
000 pessoas morreram ou tiveram algum membro amputado em decorrência das minas desde 1975 o mpela está há 40 anos no poder Agostinho Neto morre em 1979 na Rússia onde se tratava de uma doença no fígado desde então José Eduardo Santos governa o país e recebe críticas É verdade que ter o mesmo partido no poder ter a mesma pessoa no poder quer dizer é um é um vício despótico que terrível que tem consequências nefastas porque não há há essa cultura da Democracia instalada não é em todos os setores da sociedade não é só na política tinha outra maneira de ver e ver os problemas O Mundo Mudou também socialismo acabou eh mas o facto do socialismo acabar não quer dizer que os ideais das pessoas morrem superar isso E demora tempo e o a transformação desses países de um aredo de estados socialistas que tentaram ser para o capitalismo que são hoje essa transição em muitos casos fo uma espécie de transição selvagem e ISO são problemas que existem porque há falta de democracia e de vigilância e de crítica e de liberdade de opinião mas só se curam com democracia com liberdade de opinião com vigilância cidadã sobre os seus dirigentes mas para poetisa Amélia apesar de ainda longe de ser o país sonhado a independência angolana deve ser sempre comemorada Há sempre um Muito obrigado a todos aqueles que lutaram pela independência e pela Liberdade porque eu hoje já posso escrever ter um livro publicado ter um bilhete de identidade de cidadão de primeira é graças a esta [Música] liberdade e no próximo bloco a independência de Moçambique contada por um de seus ex-combatentes e pelos olhos de seu maior escritor Mia Couto Voltamos [Música] já banhado pelo Oceano Índico Moçambique tem cerca de 26 milhões de habitantes Quem olha a capital Maputo hoje não imagina que há pouco mais de 40 anos ela tinha outro nome Lourenço Marques e fazia parte do domínio português pela proximidade com a África do Sul e o zimbábue e países de colonização inglesa Moçambique assimila de forma diferente a cultura portuguesa é claro que as cidades mais desenvolvidas mantiveram alguma tradição eh deixada poros pelos portugueses Mas a nossa ocidentalização na é é é totalmente portuguesa é uma ocidentalização também passar que passa pelo pela influência dos vizinhos colónias britânicas até à altura da Independência enquanto que Angola havia mais de 1 milhão de colonos Portugueses e Moçambique havia menos de 250. 000 mesmo assim as desigualdades sociais eram sentidas como relembra o professor aposentado Oscar Monteiro Filho de indianos Ele conta que vivia parte da sociedade moçambicana não estamos completamente integrados na sociedade moçambicana porque estamos a viver naquele nosso Limbo um Limbo intermédio nem somos totalmente aceitos na sociedade portuguesa mas também não nos misturamos com a sociedade africana se eu quero encontrar uma imagem que define a situação é a miséria a Extrema a submissão dos negros perante todos os outros Oscar conseguiu uma bolsa de estudos e foi fazer a faculdade de direito em Lisboa mas afirma que mesmo assim a discriminação persistia nós éramos Discriminados e e senhora pode me perguntar mas então você até foi estudar para Portugal é verdade Fi estudar como bolseiro nós sentíamos e paradoxalmente mais você está próximo mais sente a discriminação por exemplo ser expulso de um clube não é morte de ninguém no entanto é uma humilhação terrível ver os seus colegas terem certas festas falar entre eles mas você saber que nunca há de ir àquela festa é neste momento que ele decide lutar contra o colonialismo e participa da fundação da frelimo frente de libertação de Moçambique em 25 de Setembro de 1964 começa a guerra anticolonial no país alguns dos movimentos que tinham participado na Fundação da Ferlim tinham já uma certa base no campo e a Guerrilha obviamente tem mais facilidade se desenvolver inserida no campo porque tu não estás ali escondido à espera que a polícia te venha apanhar como acontece na cidade eu chavar passou por aqui que achava que a luta devia ser eh eh rápida Urbana com atentados Como foi na América Latina dos anos 60 70 eh mas a teoria que afre limo eh adotou a a seguir a oo segundo congresso o primeiro congresso foi em 62 o segundo congresso foi em 67 h adotou-se o o o a teoria chinesa de luta prolongada de desgaste do inimigo e de amadurecimento da consciência política das populações havia para o mundo em geral uma cortina de silêncio ninguém sabia o que se passava aqui Eu recordo quando fui representante da frimo em certos países eu tinha que ir com um mapa para explicar onde é que estava Moçambique porque era completamente desconhecido portanto ao longo desses anos todos nós tínhamos ficado digamos congelados em termos de conhecimento portanto se nem sabia o que era moço muito menos o colonialismo e o moçambicano Mia Couto também lutou pela independência do país Ele relembra que a divisão entre brancos e negros não passou despercebida a seus olhos quando ainda era um menino em beira município onde nasceu que era uma cidade Colonial portanto ali naquela rua que passava em frente à minha casa aquilo não era uma rua aquilo era uma fronteira ali ficavam os negros a África deste lado ficavam os brancos a Europa não é e e portanto Sempre fomos ah aprendemos sem nunca nos ter sido dito Ah que era preciso vencer aquela fronteira e que só seríamos felizes se Se pudéssemos estar de um lado e do outro Mia se muda para Maputo e adere aos movimentos de libertação Nacional eu vivia nesse núcleo e eu saltei para o mundo pela primeira vez eu percebi que havia essa coisa maior né passei um pouco mal porque porque primeiro porque eu sabia que eu não vinha estudar era era uma quase uma mentira eu vinha a lutar pela independência eu eu vinha a fazer de conta que eu estava estudando mas eu queria queria juntar-me ao movimento estudantil depois a Através disso a um movimento da Independência no início dos anos 70 depois de um ano e meio vivendo na capital moçambicana Mia entra para frelimo o movimento da Independência era um movimento clandestino E altamente reprimido e e eu vinha de uma história que o meu pai foi preso também e e e nós meu pai depois ficou desempregado e e passamos ah Passamos um período muito difícil na nossa vida eu tive um tempo de de militância na clandestinidade mesmo e aí pediram-me para eu H continuar a fazer de conta que estudava e coisa que eu já fazia muito bem mas que depois deveria infiltrar o termo era esse infiltrar um órgão de informação o jornal e e aconteceu então que eu que eu hã tornamos jornalista Por esta razão né o governo provisório português instaurado depois a revolução dos cravos propõe um cessar fogo e um plebiscito geral para que o povo inclusive os portugueses que viviam em Moçambique decida pela independência ou não do país Samora machel considerado o maior líder da libertação nega o acordo e afirma que a paz é inseparável da Independência as negociações seguem Até que em 7 de setembro de 1974 em aca na Zâmbia o governo português e representantes da frelimo assinam um acordo o documento dizia que o estado português tendo reconhecido o direito do povo de Moçambique à Independência faz a transferência dos poderes que detém sobre o território determina que a independência completa de Moçambique será solenemente proclamada no dia 25 de junho de 1975 cria um governo provisório e promete dinamizar o processo de descol mas uma reação contrária acontece quase que imediatamente à assinatura do acordo uma população branca que não aceitava a descolonização que não aceitava a Fré lim como interlocutora do Povo moçambicano desencadeou movimentos insurrecionais até contra o poder político de que resultaram choques militares e civis população branca com população africana com muitos mortos e como havia um grande racismo em Moçambique eh a ideia de ser governado pelos negros era muito era quase insustentável para a maior parte dos Colonos daí que os colonos por um lado nalguns casos até Sabotaram algumas algumas situações mas fundamentalmente abandonaram rapidamente o país o que está por detrás disso não são os pequenos acontecimentos minha opinião é que provavelmente os portugueses Nunca aceitavam que um negro pudesse dirigir este país porquê Porque o negro para ele era o moleque da casa dele ele dizia mas o meu moleque agora é que vai ser presidente e em 25 de junho de 1975 Samora machel faz o discurso mais esperado pelos moçambicanos que lutaram por mais de 11 anos pela independência proclama solenemente a independência total e completa de mo a recordação mais emocionante que eu tive do Dia da Independência foi ver baixar a bandeira Portuguesa pela última vez no meu país e subir a bandeira moçambicana Independência Esse foi um momento realmente inesquecível na vida mas o que se segue depois da Independência foi uma dura guerra civil entre a frelimo que estava no poder com o presidente Samora machel e os militantes da renamo a resistência Nacional moçambicana apoiada pela África do Sul o conflito começou do anos depois de proclamada independência do país a África do Sul e a Rodésia do Sul eh armaram a renamo que foi um movimento que não foi de ação nacional e que surgiu para contrariar a frimo e a mambi também atravessou um longo período de guerra civil desorganizou completamente o país essa guerra civil e nela direta ou indiretamente morreu quase 1 milhão de pessoas e e e e foi uma uma grande tragédia Nacional quem viveu aquele período de guerra civil não se esquece Foi um tempo Tenebroso foi um tempo terrível porque porque a guerra inviabilizou tudo a estrada o comércio a produção este país ficou partido como é como como se tivesse ficado paralisado e e saímos para a rua sem saber o que é que víamos que que V que que tínhamos para para comer ao jantar ao almoço porque não havia nada absolutamente nada nas lojas esta miséria Esta esta esta esta ausência de tudo né se dura um mês já é muito ou se dura 16 anos foi que durou a guerra Celina também lembra bem das dificuldades causadas pela guerra civil Sim era difícil mesmo era dif porque aquilo era tenta sorte basta você acordar viva dizer obrigado Deus por exemplo assim que a guerra parou e pá estamos melhor naquele lugar a guerra tinha morto a estrada pelos caminhos só as hienas se arrastavam focinhando entre cinzas e Poeiras a paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas em cores que se pegavam à boca Assim começa o livro Terra sonâmbula de Mia Couto que descreve a guerra civil moçambicana Ele conta que começou a escrever para conseguir conviver com o sofrimento que presenciava todos os dias o único livro que que me custou escrever doeu porque aquilo que eram as as as as mortes mais recentes meus colegas de serviço muitos jornalistas morreram ah estavam ali não não me deixavam dormir então eu eu eu era impelido eu eu quase chorava Para Não Para para que para que eles me largassem Porque era porque era era muito desgastante a guerra civil e a fome Mataram mais de 1 milhão de pessoas embora não haja dados oficiais e em meio à guerra que os moçambicanos perdem um seus maiores líderes o líder da Revolução Samora machel também foi o primeiro presidente aqui de Moçambique entre 1975 e 1986 quando morreu em um acidente de avião os seus restos mortais estão enterrados nesta praça em Maputo mas a causa do acidente até hoje é questionada pelos moçambicanos em 1992 já desgastados pela guerra e depois da queda do muro de Berlim renamo e frelimo assinam acordo de paz apesar de ter adotado um sistema multipartidário Moçambique é governado pela frelimo desde sua independência e a África de uma forma geral acabou por adotar o sistema multipartidário como um uma fatalidade não é que haja uma grande convicção eh o sistema multipartidário ou monopartidário não não beneficia grandemente as nossas massas camponesas as nossas massas camponesas não lhes diz absolutamente nada em outubro de 2014 a frelimo conseguiu eleger mais uma vez o seu candidato à presidência da república já são 40 anos no poder mas as eleições têm sido contestadas pela renamo principal partido de oposição que chegou a propor uma divisão do país entre Norte e Sul que gerou uma grave crise política houve eleições entramos logo num conflito pós eleitoral e a linguagem é sempre a mesma se não me dão razão daquilo que eu estou a exigir eu volto de novo para a guerra então nós eh vivemos sempre assim o que é que vai acontecer amanhã né O que é muito mal paraa democracia em Moçambique também H Tem havido eleições regulares desde 1992 todos os 5 anos tem havido eleições essas eleições têm decorrido com a a a com a presença da Comunidade Internacional há sempre contestação Por parte dos vencidos Mas isso é penso que é uma coisa quase é uma coisa que também vim encontrar no Brasil portanto não é uma coisa propriamente africana hoje aimo recebe críticas de quem também ajudou a construí-la mas depois também a frim de quem eu fiz parte não não falo como se fossem eles não é mas cometemos erros terríveis porque tinha nós tínhamos idealizado um país que não existia e esta coisa do Marxismo ah de quem eu tenho muito respeito com ideologia mas acho que o estava muito equivocado era uma coisa muito simplificada não é o mundo era simples havia as classes sociais e o operariado tomava o poder e e nascia um homem novo não não não é assim o que aconteceu é que nós tivemos que estar muito tempo no poder porque ainda não havia camadas formadas nós durante aqueles anos formamos e fomos um grupo muito avançado mas era preciso saber um certo momento sair portanto nós tivemos e temos esse problema Moçambique é um dos países mais pobres do mundo e tem uma expectativa de vida que não ultrapassa os 41 anos de idade ah vale dar muito das coisas porque o que falta assim Isto aqui de nós vendermos e nós também gostaríamos de ficarmos aí ouou apanharmos um emprego trabalhar deixarmos isto aqui de ficar aqui na estrada tem muita fome aqui em Moçambique Sim há muita fome por exemplo Este ano não choveu bem muito mhor que E aí para comer tem que comprar e dinheiro também H falta de dinheiro Moçambique ainda tem 54% da população em situação de pobreza absoluta e é muita gente a educação ainda está muito incipiente quer dizer a qualidade de educação é muito fraca é um modelo típicamente Colonial que se mantém ainda ainda vivo mas com uma taa de crescimento Dee 8% na última década os moçambicanos hoje vivem um pouco melhor eu assimilei muito esta cultura moçambicana de não não ver o futuro aqui grande parte das línguas de Moçambique línguas indígenas africanas de Moçambique não há não há palavra para dizer futuro então é como se fosse um território sagrado não não não se antecipa Mas o que o que eu posso dizer é que Moçambique nesses 40 anos tem tem tem avanços muito grandes em coisas muito pouco tangíveis não é Ah eu quando eu revejo as fotos da minha infância Eu via as pessoas que que viviam nesses baros viviam descalças não tinham sapatos viviam uma situação de miséria que já perdemos já perdemos memória a miséria não terminou em Moçambique ainda as zonas rurais onde há muita muita muita miséria mas não é comparável gostaria que as liberdades fundamentais fossem respeitadas liberdade de opinião liberdade de expressão o direito à educação o direito à saúde direito à habitação paraos jovens o direito ao emprego e as infraestruturas nós fizemos qualquer coisa de bom neste país então não podemos deixar que as coisas desapareçam nós queremos ser um país melhor do que e os [Música] outros e no próximo bloco vamos a Cabo Verde um dos únicos países que não enfrentou uma guerra civil depois de sua independência Voltamos [Música] [Música] já São Tomé e Príncipe Cabo Verde em comum o fato de serem países insulares e os únicos a não terem passado por uma guerra civil logo após a [Música] independência São Tomé e príncipe é composto por Duas Ilhas principais e várias ilhotas habitadas por uma população de cerca de 160.