Olá, moçada! Tudo bem? Baita prazer reencontrá-los aqui.
Sejam todos muito bem-vindos a mais um dia de meditação estóica. Espero que todos estejam em paz. Hoje é um dia diferente, e vocês vão entender imediatamente o porquê.
O livro traz 366 meditações estoicas, pensando em um dia a mais para anos bissextos. Então, no ano bissexto, nós temos ali um dia a mais em fevereiro. Esse ano, nós não temos um dia a mais em fevereiro, né?
É o ano no qual estamos gravando ou oferecendo essas meditações, motivo pelo qual hoje eu vou deixar aqui para vocês duas meditações do dia 28 de fevereiro. Daqui a uma horinha, eu vou subir aqui no YouTube o dia 29 de fevereiro. Para quem estiver acompanhando o dia a dia e tiver um ano bissexto, que tem 29 de fevereiro, você simplesmente espera o dia seguinte para buscar lá.
Mas, no nosso caso, por exemplo, em 2025, vocês podem aproveitar e assistir a duas meditações em um único dia: 28 e 29 de fevereiro, tudo bem? Hoje, com uma reflexão de Epicteto, extraída dos seus discursos, meditação em que ele diz: "A alma é como uma tigela de água. A alma é como uma tigela de água e nossas impressões são como o raio de luz que incide sobre ela.
Quando a água é agitada, portanto, a alma está agitada. Parece que a própria luz também está se movendo, mas não está. " Ou seja, parece que as impressões que nós temos sobre a realidade também estão se movendo.
Mas essa é uma falsa impressão, porque, na verdade, quem está agitado, quem se agita, é a alma. E, às vezes, nós estamos firmes com as nossas impressões, só que não estamos lá muito seguros em relação a isso. Assim, quando uma pessoa perde o autocontrole, não são suas habilidades e virtudes que são perturbadas, mas o espírito em que elas existem.
Quando algo acontece e te tira do eixo, você imediatamente pensa: "Puxa, eu perdi as minhas habilidades! Perdi as minhas virtudes! Não sou mais uma pessoa virtuosa!
Eu vinha num caminho tão bom! " Não, não é isso. Você não se perdeu a esse ponto.
Você se encontra num momento de atribulação. E, no momento de atribulação, a alma se agita, e nós ficamos com essa impressão de termos nos perdido pelo caminho. Quando o espírito se acalma, essas coisas também se acalmam e nós voltamos ao nosso trilho de uma certa normalidade.
Dizem os nossos comentadores, os nossos autores: "Você fez uma pequena bobagem ou talvez até uma grande bobagem, e daí? Isso não muda a filosofia que você conhece. Todos nós cometemos erros.
" Ser humano. . .
Ontem, eu estava ministrando uma aula na universidade sobre isso. O ser humano é essa figura complexa que está entre o animalesco e o divino. Nós somos um ser de meio caminho, né?
Nós não somos completos como se só uma divindade poderia ser, e nós não somos completamente animalescos como os bichos na natureza, sem fazer nenhum juízo de valor. Até porque não se pode fazer juízo de valor sobre o modo como os animais se comportam; eles são biologicamente determinados. Nós não somos biologicamente determinados em tudo, especialmente porque temos a razão, que podemos acionar para escolher melhores caminhos do que outros.
Então, nós somos esse ser que, vamos dizer, é permeado pelo erro, que é permeado pelo desvio, que às vezes se dobra a elementos animais, a apetites, a caprichos, podendo fazer de forma diferente. Mas a gente não deve pensar que, porque nós erramos, isso deve nos fazer abandonar o caminho. Esse é o nosso maior erro, né?
Lembre-se lá daquela metáfora da dieta. Então, você come bem seis dias da semana, e aí tem o dia do lixo. Aí, no dia do lixo, você come até passar mal.
Aí você fala assim: "Ah, como eu já comi até passar mal, na segunda eu vou voltar a comer normal, a comer as porcarias de sempre. " Não! Errou, escapuliu.
É próprio do humano, não tem como. Nós não somos Deuses encarnados. Retoma, retoma!
Faz o certo no dia seguinte, na hora seguinte. Você foi você que abandonou temporariamente a escolha racional. Temporariamente.
Você não está condenado a abandoná-la para sempre. Lembre-se de que as ferramentas e os objetivos do seu treinamento não são afetados pela turbulência do momento. Pare, recupere o autocontrole, ele está à sua espera!
Enquanto eu preparava o comentário dessa meditação do dia 28 de fevereiro, eu me lembrei, até notei aqui, no mundo antigo existia uma lista que girava, a chamada lista dos sete sábios. E essa lista nos foi transmitida com alguns nomes que eram pessoas eminentes, pessoas notáveis na civilização grega, fundamentalmente, e frases sábias eram atribuídas a esses sábios, obviamente. E, então, essa lista, de modo geral, pessoas aparecem e desaparecem, independentemente da versão.
A única pessoa que está em todas as versões dela é aquele a quem é atribuída a origem da filosofia: Tales de Mileto. Tales de Mileto está em todas essas listas que giraram e que chegaram até nós. E, nesses ditos sábios, nessas máximas sábias, tem uma máxima, uma frase de Bias de Priene.
Esse cara era um pensador do VI século antes de Cristo; alguns vão colocá-lo na categoria de filósofo também, mas ele era uma espécie de advogado, um homem de cultura. Não é? E atribuem-se a ele algumas frases impactantes.
O que caracteriza os sete sábios? Uma delas diz: "Se cuidadoso na realização de um projeto. Uma vez iniciado, prossegue sem desfalecimento.
" Você pode abandonar diversos projetos na vida por diversos motivos: motivos conjecturais, motivos históricos, motivos econômicos, financeiros, motivos pessoais. Interessa! Mas tem um projeto que você deve abandonar em hipótese alguma: é você mesmo.
Você mesmo! Tomado enquanto o seu melhor e mais importante projeto, esse você não deve abandonar, porque se você se abandona, em última instância, há uma condição: o quê? Bárbara primitiva, grotesca, obscurantista.
Isso diz muito sobre quem o faz. Abi, enquanto projeto, não parece ser lá uma coisa muito inteligente, mesmo porque você está obrigado a viver com você até o último respiro. Então tá.
Se a vida te levou a abandonar outros projetos, porque se tornaram insustentáveis ou porque, de repente, não fizeram mais nenhum sentido para você, mas você precisa fazer sentido para você mesmo, né? Então não, não largue a ideia de se controlar, de ter autarquia, ou seja, de ser fundamento de si mesmo. Porque, em algum momento, você errou.
Passamos com o passado, a gente aprende. Temos só o presente para fazer as coisas corretamente, porque o porvir é incerto. O porvir é incerto.
Faça agora o seu melhor, mesmo sabendo que, às vezes, o seu melhor, em alguns momentos, te levará a errar aqui e ali, tá bom? Beijão para vocês, ótimo dia. A gente se encontra aqui.
Bom, para quem é de 29 de fevereiro, daqui a uma horinha eu já subo outro vídeo. Para quem já está entrando no próximo mês, no mês de março, amanhã a gente se encontra aqui. Beijão.