As narrativas compartilhadas têm o prazer de entrevistar hoje Teresa Baddini. Quem é Tereza Baddini? Cantora, compositora e professora de música e arte, regente de coral, ex-aluna do curso de Letras da Uniso e membro do grupo de teatro universitário Katharsis.
Logo no comecinho, quando nós montamos, já faz uns 31 anos. O nome completo da Teresa é Teresa Margareth Baddini Keller dos Santos, nascida em 13 de setembro de 1970, um número da sorte que também é o da sua data de nascimento. Natural de Sorocaba, ela, dentre a formação dela, também é graduada em Educação Artística, pós-graduada em Arte Comunicação e tem mestrado em Arte Educação, também pela Faculdade Paulista, lá de São Paulo.
Fez também o curso de locutor de rádio pelo SENAC, além de curso de teatro na Escola de Teatro do Everton de Castro e curso de piano clássico. Embora seja professora aposentada, atualmente ainda leciona no Colégio Objetivo, Portal Sesi, Colégio Humanus e lecionou também no Uirapuru, na base e na UniAraras, dando aulas no curso de graduação e pós-graduação. Além disso, ela vai contar a respeito da sua composição.
Gravou, agora há pouco tempo, um clipe belíssimo, "Basta Um Olhar", que é o nome da música. Teresa também tem uma banda e participa de vários eventos, principalmente animando o carnaval, como o Bardos Carnaval de Sorocaba, que acabou de acontecer. Ela tem história para contar a respeito disso.
E mais uma coisa muito boa: ela vai estar agora, no final de março, com a Orquestra Sinfônica Jovem da Fundac, apresentando um concerto de samba sinfônico. Vejam, samba sinfônico! Então vamos aguardar um pouco disso.
A Teresa não sabe muito bem, mas eu lembro dela desde o tempo em que estava na barriguinha da mamãe, né? Porque eu morava na Rua da Penha e a Teresa morava no mesmo quarteirão da família dela. Então tinha o avô dela, Álvaro Baddini, grande advogado, de uma família respeitadíssima.
Ele tinha seis filhos; na verdade, sete, mas não vou enumerar todos. Um deles, o Nenezão, que era o Francisco, é um grande amigo meu, porque estávamos juntos e brincávamos na escadaria da casa dos avós dela. Nós brincávamos, um dos filhos dela ficava ali sentado na varanda e, de vez em quando, eu escutava alguém tocando piano lá dentro e isso me arrepiava, já que éramos crianças.
Crescemos, e essa beleza do que acontecia lá dentro me marcou. Enfim, depois eu tive o prazer de encontrar uma das filhas do Álvaro. Às vezes, via o Álvaro Filho, que fazia parte principalmente dos shows do Recreativo.
Depois, a Rosa Baddini foi dar aulas comigo na Escola Municipal Doutor Getúlio Vargas, onde foi uma grande companheira e idealizadora do grupo do Festival Interno Teatro Getúlio Vargas do Pau. Eu assisti a um total de 48 peças em que eu e a dissertação do mestrado desenvolvemos esse momento de felicidade em encontrar a Teresa. Logicamente, encontrei a mãe dela inúmeras vezes e depois ela apareceu lá no curso de Letras também, por ser aluna e acabou entrando no grupo de teatro Katharsis.
Então, ela fez parte de uma das peças e depois tem uma série de coisas para contar. Teresa, a palavra é sua agora. Conta desde o começo onde nasceu.
Esqueça tudo que eu falei, e você começa a falar tudo de novo. É um prazer enorme encontrá-la, estou resgatando o meu passado. Essa nossa conversa que nós tivemos antes das câmeras, e eu tenho sim bastante coisa para contar.
É bom! Sou sorocabana da gema, nascida e criada na Rua da Penha, no centro da cidade; minha vida toda começou ali. Eu estudei no Antônio Padilha, que você também estudou, lá também, que era, né, no mesmo quarteirão.
Bastava virar a rua. Eu ia todas as manhãs sozinha. Sempre curti muito aquela escola, tenho muita história lá dentro.
Depois de lá, fiz o fundamental e fui para o Osny, que também é na Rua da Penha, e lá eu concluí os meus estudos do fundamental II. Já ingressei no magistério, porque eu queria ser professora. Minha mamãe Rosa Maria sempre dizia que eu ia ser professora.
No princípio, achava que queria ser advogada, porque sempre fui muito comunicativa, queria falar. Mas fui percebendo que me apaixonei pela educação. Nem terminei o magistério e já comecei a lecionar.
O Osny foi o meu primeiro lugar para lecionar a disciplina de musicalização. Essa disciplina, na época, não tinha escola nenhuma, pelo menos nas particulares. Foi meu renascimento lá dentro.
A Rosa tenho muita saudade, ela foi a primeira coordenadora da minha escola que me deu a primeira oportunidade; eu devo muito à Organização Sorocabana de Ensino, porque cheguei lá dentro há mais de 20 anos, tanto como aluna quanto como profissional. E, com 15 anos, eu tive meu primeiro registro em carteira. Precisei levar meus pais ao banco para fazer a autorização, porque eu era menor para poder receber meu salário.
Isso eu nunca esqueço, foi no mesmo dia em que me formei no magistério. Continuei dando aulas e, desde pequenininha, acho que dentro da barriga da minha mãe eu já respirava arte, porque minha mãe conta que, quando eu era bem pequena, meu tio Teco, o Antônio Eduardo, que já faleceu, era gêmeo da outra minha tia, Carmem Lúcia, que está viva. Ele tinha aula de violão com saudoso violonista, um dos maiores da cidade, seresteiro, e ele ia à casa dos meus avós para dar aula particular de violão.
Meu último. . .
Discoteca maravilhosa! Os melhores nomes da música popular brasileira. A minha mãe conta que, sem pretensão alguma, eu pedi para o professor que eu ficasse assistindo às aulas do meu tio no violão.
Ela conta que eu ficava sentada no tapete, só escutando, brincando ali de boneca ou de qualquer outra coisa, sem atrapalhar em nada. Olha, eu ficava escutando, escutando, em todas as canções que eu canto hoje, e eu devo ao cancioneiro do Zé bastante tudo isso. E devo também porque, à noite, praticamente assim, meus pais trabalhavam o dia todo.
Então, quem me criava durante a semana era meus avós, e eu morava em frente à casa deles. Eu ficava à noite; minha mãe lecionava no Getúlio Vargas e meu pai trabalhava fora. Meu avô ficava na discoteca dele, escutando Gardel, Cartola, Noel Rosa e grandes nomes, e eu ficava escutando com ele.
Ele, às vezes, dizia: “Olha, filho, escuta essa canção”, e eu prestava atenção. Mas eu não tinha a pretensão de sair cantando, nem ao menos de querer aprender um instrumento, embora minha mãe sempre tenha sido uma exímia pianista. Ela estudou com a melhor — na minha opinião, acho que Sorocaba tem que fazer essa referência — que é a Maria de Oliveira Cordeiro, que foi nada mais, nada menos, professora de Fábio Luz, professora Denilson Lombardi, minha mãe, sou aluna dela, e João Batista de Leão, e também no João Patrício, viu?
Né? Que ela dá aula. Quem a perdeu não estava lá na casa dela, é verdade, é a Vitória.
E a minha mãe falou na dela. E aí tinha um piano nessa sala maravilhosa do meu avô, filho, e que eu brincava. Nesse ano foi aí que minha mãe começou a observar: “Essa menina tem jeito, vamos colocar lá para estudar música”.
Então, na escola, minha mãe conta que eu já era sempre comunicativa, adorava brincar em casa de professora, fazendo teatro. Eu reunia os meus familiares no final de semana, eu obrigava todo mundo, após o almoço, a ficar sentado assistindo, alguns quietos, enquanto eu fizesse conjunto com os meus primos. E minha mãe conta que eu sempre ali, Deus sempre queria ser professora e sempre quis aparecer, e era bem isso mesmo.
É bonito. E só o meu tom de voz, que eu falo que dentro do meu peito tem um trombone, né? Sol, a loja, potencializadas.
Já acabava mandando em todo mundo ali, né? Essa lembrança maravilhosa. Aí o que aconteceu?
Eu comecei a estudar, então, piano com a mestra professora da minha mãe, Leu Maria de Oliveira Cordeiro. Aos seis anos de idade, eu dei o meu primeiro concerto de piano que foi gravado numa fita cassete que eu tenho até hoje, ou melhor, minha mãe tem até hoje. E depois passamos para o CD.
E quando eu escuto aquilo, falo: “Não é possível que eu tenha tocado tudo aquilo”. Oi! E aí continuei estudando música; não pensava em nenhum momento em cantar.
Mas dava as minhas aulas ou ia lá na loja de música e estudava o meu piano. Oi! E o tempo foi passando.
Naquela rua da Penha, eu chegava às 8 horas da noite, eu parava de fazer o que tivesse fazendo, ia para a calçada, me reunia com os meus amigos que moravam ali, os vizinhos. Oi! E aí eu virava criança; a mulher com a Teresa.
Ah! E eu tinha um violãozinho desse tamanho, assim, três, quatro, pequenininho e a gente sentava na calçada. Eu sempre sabia tocar, porque eu sabia um acorde, porque eu vi o meu tio tocar e ficava gritando que estava tocando e todo mundo cantando sentado na calçada, na rua da Penha.
E ela sempre, das 8 às 9:30, 9:31, eu ia apanhar se eu chegasse em casa depois das 9:30 da noite; isso era sagrado. Mas todo mundo cantava, viu? Sempre a intenção de pensar em querer cantar, profissionalizar.
Imagina que ela, tá bom? Vamos fazer faculdade, Teresa. Vamos, mamãe!
Vamos fazer? Oi, mãe, eu tô com dúvida. O que eu vou fazer?
Eu quero sobre advocacia, para espelhar. E eu acho que você tem jeito realmente para continuar na estatura. Vamos fazer Letras?
A minha mãe falou, né? Que eu falei: “Verdade, mãe! ”.
E toda feliz, fiz uma vestibular, entrei na Uniso. Tenho uma recordação tão gostosa e comecei meu curso de Letras. E aí surgiu uma oportunidade; foi inaugurado o grupo de teatro, do qual Roberto Ero era o nosso diretor.
E quando surgiu essa oportunidade, eu falei: “Mãe, eu quero fazer. Eu quero fazer! Vai fazer, ainda mais que com Roberto, teu d'orme, tá?
” E foi assim que eu lavei a minha alma nesse curso de teatro que eu fiz. É porque tudo que eu tenho hoje, tudo que eu sou hoje, enquanto arte, do cantor, enquanto cantora e compositora, eu devo às suas aulas, Roberto. Mas, gerado, eu devo, sim, porque aquele teatro me formou não só pelo conhecimento, mas como formadora de opinião.
O conhecimento, de perto, do que era realmente subir no palco. A palavra, quantas pessoas você falava: “Você tem que falar para a velhinha surda que você está lá na última fileira”. E os personagens.
. . eu nunca esqueço de uma peça que nós fizemos chamada “Zebra”.
Mas, antes disso, a minha mãe fazia grandes festivais de teatro no Getúlio. Oi! E eu tenho uma recordação muito forte, é que às vezes, à noite, eu não tinha com quem ficar em casa e eu também pedia para minha mãe que ela me levasse à escola, no Getúlio, quando era época de festival.
Oi! E ela me levava. E naquele teatro, aquelas cadeiras de madeira antiga, fazendo.
. . Hein?
Epa! Aqui eu ficava sentado ao lado de um piano que tinha lá. Eu vou esquecer e eu queria mexer.
No piano, a minha mãe deixava mexer no piano. Quando era hora do intervalo, eu ficava tocando, e antes de começar os espetáculos, eu tocava piano e ficava ali. Ó, a minha mãe conta que a primeira peça que eu assisti lá foi "O Pequeno Príncipe".
E ela conta que eu assisti ao festival; eu tinha 12 anos. Quando eu cheguei em casa, minha mãe conta que eu fiz todas as falas de todos os personagens. Eu falei a peça inteira com a fala de todos os personagens.
A mãe falou assim: "Você estudou o texto? " Falei: "Não, eu só vi. " E eu tenho recordação dos "Saltimbancos", que minha mãe conta que eu decorei todas as palavras.
Devem ter gasto a paciência dela. E na época também tenho algumas peças que eu não entendia, o terror dela pela metade, né? E quantos anos você tinha?
12. Humm. .
. e mais aquilo era, para mim, o encantamento. E eu vi Marcelo Marra começar ali; ele sempre foi o Henrique.
Henrique! Eu vi o Henrique fazendo os temas para com ele também. Ah, e tem uma peça que, como eu disse, eu não entendi nada.
Mas uma peça que eu nunca mais esqueço foi de autoria do Marcelo, que foi "Moto". Continuou? Tô conhecendo você sem.
. . e eu decorei essa peça inteira sem entender, o tema que era uma fala da ditadura, né?
Isso. Eu decorava as músicas que eram a sua totalidade de Chico Buarque: "Construção", "Roda Viva", né? E eu cantava tudo isso em casa.
Eu chegava em casa, pegava o violão ou piano e cantava as músicas de Chico que eu não aprendi nas. . .
é limpeza dele. Essas que eu aprendi assistindo às peças, e eu lembro de quase todas. E minha mãe ficava abismada de ver como é que eu consegui decorar, se eu não tinha participado nem de ensaio.
E eu dizia para ela assim: "Mãe, eu amo isso. Adoro isso! " Né?
É isso que eu disse para você, que o teatro, para mim, foi uma construção da personalidade na minha vida. Eu vi aquilo; eu não tenho a pretensão de estar lá no lugar deles, não. Naquele momento, eu queria era ficar encantada com aquilo que eu via.
Ah, e outra: eles eram amadores, eram alunos que hoje viraram profissionais. Eu tenho orgulho de ter visto eles amadores. Eu e o Henrique de Paula temos uma história com ele.
Por quê? O que é. .
. Recebi, depois que eu saí do curso de teatro da Uniso de Letras, o Henrique fez o convite para que eu participasse de uma peça que ele estava montando, que eu lembro muito bem que era "Esperando Godot", de Samuel Beckett. "Esperando Godot".
Píf. . .
bom, e quando ele convidou eu falei: "Henrique, você tem certeza que eu. . .
você quer participar? " Então, nós vamos fazer uma pequena pausa e você vai contar agora esse seu envolvimento com "Esperando Godot". Então, até já!
Logo, logo, estamos continuando com Teresa Amadinei.