Feliz natal pai disse uma mendiga ao milionário enquanto lhe entregava uma foto ao olhar para a imagem o milionário ficou chocado A sala estava silenciosa com o som constante das máquinas cujo ritmo parecia acompanhar a respiração fraca de Ana o ar tinha um cheiro de desinfetante misturado ao leve perfume das Flores murchas que alguém tinha deixado no criado mudo ao lado da cama Maria Clara de apenas 10 anos estava Sentada numa dura com os pés balançando no ar porque não alcançavam o chão o rosto dela estava escondido por trás dos cabelos castanhos Mas dava para
ver que ela estava segurando o choro Ana sua mãe era uma mulher jovem mas naquele momento parecia tão frágil quanto o vidro a doença tinha tirado o brilho dos olhos dela mas não o amor que ela sentia pela filha mesmo com as forças quase no fim Ana tentou sorrir ela sabia que cada segundo com Maria Clara era Precioso vem cá meu amor Ana chamou com a voz baixa como se o próprio ato de falar exigisse um esforço enorme Maria Clara levantou devagar os olhos cheios de lágrimas e foi até a cama ela subiu no colchão
com cuidado tentando não se apoiar demais para não machucar a mãe Ana estendeu a mão e segurou a dela com uma delicadeza que parecia dizer tudo eu estou aqui para você mesmo assim mãe Maria Clara começou mas a voz falhou ela queria dizer algo qualquer coisa mas O Nó na Garganta era forte demais Ana deu um suspiro e o som parecia mais pesado do que o normal com a outra mão ela puxou um pequeno terço Azul debaixo do travesseiro era simples mas tinha um brilho especial nas contas como se guardasse histórias de gerações Ana olhou
para o objeto por alguns segundos antes de para Maria Clara quero que você fique com ele ele sempre me deu força Agora é sua vez Maria Clara pegou o terço com cuidado como se fosse a coisa Mais importante do mundo ela não sabia exatamente porquê mas aquele gesto parecia maior do que qualquer presente que já tinha ganhado o olhar da mãe o tom da voz dela era como se Ana estivesse confiando a Maria Clara um segredo poderoso você é muito corajosa sabia Ana continuou enquanto passava os dedos nos cabelos da filha eu sei que o
mundo lá fora pode ser difícil mas nunca nunca esqueça que você tem uma luz dentro de Você e isso ninguém pode apagar Maria Clara fechou os olhos segurando o terço com força ela queria acreditar nas palavras da mãe mas tudo parecia tão confuso Por que as coisas tinham que ser tão difíceis Porque ela tinha que perder a pessoa mais importante da vida dela de repente Ana começou a tcir foi uma tosse seca e longa que deixou Maria Clara em Pânico ela olhou ao redor mas não sabia o que fazer antes que ela pudesse chamar a
Enfermeira Ana segurou pelo pulso Não precisa ter medo minha pequena Ana sussurrou e uma lágrima escorreu pelo rosto dela eu vou estar sempre com você sempre as palavras ficaram gravadas na mente de Maria Clara mas naquele momento ela não conseguia entender o que isso significava Ana fechou os olhos parecendo Exausta mas ainda segurava a mão da filha Maria Clara deitou ao lado dela colocando a cabeça no Ombro da mãe como fazia quando era menor ficaram Assim por um tempo sem falar apenas os sons das máquinas preenchiam o silêncio da sala para Maria Clara parecia que
o tempo tinha parado ela queria que aquele momento durasse para sempre queria guardar o cheiro da mãe o toque da mão dela o som da respiração mas a realidade era dura e a despedida Estava mais próxima do que Maria Clara queria aceitar quando a enfermeira entrou para verificar os sinais vitais de Ana a Mulher olhou para Maria Clara com um misto de pena e preocupação Você precisa descansar querida enfermeira disse mas Maria Clara Balançou a cabeça eu não quero sair daqui quero ficar com a minha mãe Ana abriu os olhos mais uma vez e olhou
para Maria Clara apesar de todo o cansaço havia algo de forte naquele olhar tudo bem Ana disse à enfermeira num tom tão baixo que parecia um sopro deixa ela ficar Maria Clara passou a noite ali Segurando o terço e sentindo o calor da mãe Mesmo que o mundo dela estivesse desabando ela tentou se agarrar àquela sensação de segurança mas no fundo algo já dizia a ela que sua vida estava prestes a mudar para sempre e no dia seguinte mudou Maria Clara acordou com o toque suave da mão da enfermeira em seu ombro os primeiros Raios
de Sol entravam pelas frestas da cortina iluminando o quarto com uma luz fria e hesitante ela Ainda estava deitada ao lado da mãe sentindo o calor que restava Daquele abraço mas quando abriu os olhos e olhou para Ana percebeu a imobilidade definitiva o Coração de Maria Clara afundou e o mundo pareceu congelar o som das máquinas antes constante agora estava mudo a enfermeira puxou com delicadeza querida venha Vamos dar um momento para ela descansar em paz Maria Clara não se mexeu de imediato seus dedos estavam agarrados ao Terço azul e ela sentiu o peso dele
em sua Palma sempre com você as palavras da mãe ecoaram como um sussurro finalmente com um aceno hesitante ela se levantou embora sentisse como se estivesse deixando uma parte de si mesma naquela cama o dia estava nublado quando Maria Clara entrou pela primeira vez na casa da avó Rita o céu parecia refletir exatamente como ela se sentia por dentro PES sem cor sem esperança Sua mãozinha Segurava a alça da única mala que tinha e dentro dela estavam algumas roupas o terço azul e uma foto da mãe era tudo que tinha sobrado da sua antiga vida
Rita abriu a porta com uma expressão fechada ela era uma mulher alta de rosto duro e tinha uma postura tão rígida que parecia que estava sempre pronta para brigar com alguém assim que olhou para Maria Clara soltou um suspiro Alto da aqueles que deixam claro que você não é bem-vindo tá bom entra logo não Ten o Dia todo disse Rita com a voz impaciente enquanto segurava a porta aberta Maria Clara entrou devagar olhando ao redor a casa era velha e escura com móveis antigos e um cheiro estranho de mofo não tinha nada que lembrasse o
lar onde vivia com a mãe que sempre tinha um aroma doce de bolo ou flores era fria assim como a dona da casa sua mãe já foi agora é você quem tem que aprender a se virar Rita continuou enquanto fechava a porta com força eu Não tenho paciência paraa criança mimada entendeu aqui Cada um faz a sua parte Maria Clara apenas assentiu com a cabeça ela não tinha forças para responder e mesmo que tivesse não sabia o que dizer desde o momento em que sua mãe havia partido ela sentia como se uma parte dela tivesse
sido arrancada era difícil até respirar Rita levou até um quartinho no fundo da casa era pequeno e quase vazio com uma cama velha que rangia só de olhar no canto havia uma janela com Cortinas amarelas e rasgadas Maria Clara colocou a mala no chão e Ficou ali parada sem saber o que fazer é aqui que você vai ficar não quero bagunça não quero barulho e trate de acordar cedo porque amanhã tem muito trabalho para você trabalho Maria Clara perguntou baixinho mas Rita já tinha saído do quarto sem se preocupar em explicar naquela noite Maria Clara
se encolheu na cama e abraçou o terço azul o colchão Era duro e a manta tinha um Cheiro estranho mas o que mais incomodava era o vazio no peito Ela fechou os olhos e tentou imaginar o rosto da mãe o som da voz dela o calor do abraço mas a saudade era tão grande que virou um choro silencioso o tipo de choro que você tenta esconder até de si mesmo no dia seguinte a rotina na casa de Rita começou Maria Clara foi acordada pelo som de prato sendo empilhados com força na cozinha Anda logo menina
Rita gritou lá debaixo não vou deixar você Dormindo até tarde na minha casa Maria Clara se levantou e desceu às escadas Assim que chegou na cozinha Rita já estava com uma vassoura na mão vai varrer a sala depois lava os pratos e cuidado para não quebrar nada senão vai se arrepender Maria Clara obedeceu sem questionar ela nunca tinha feito esse tipo de coisa antes mas não queria irritar a avó enquanto varria seus olhos encontraram uma foto antiga pendurada na parede era da mãe dela ainda jovem na Foto Ana estava Sorrindo com um vestido floral e
segurando um buquê de flores Maria Clara ficou parada olhando para o sorriso da mãe como se fosse uma pequena luz num mar de escuridão não fica parada aí menina Rita reclamou tirando Maria Clara dos Pensamentos vai trabalhar os dias passaram e cada um parecia mais difícil que o outro Rita não demonstrava nenhum carinho nem mesmo um gesto de gentileza para ela Maria Clara era apenas um fardo Algo que ela tinha que carregar por obrigação e Maria Clara sentia isso ela sentia na forma como Rita falava como olava para ela como fazia questão de dar as
ordens mais duras mas havia momentos em que Maria Clara se refugiava em suas lembranas Noal do dia quando finalmente podia ficar sozinha no quartina pega Tero azul e segura contra o peito vezes sussurrava algumas palavras para a mãe como se ela ainda pudesse ouvir mãe eu queria tanto que você estivesse aqui ela Dizia baixinho enquanto uma lágrima escorria pelo rosto era uma tarde como qualquer outra na casa da avó Rita Maria Clara estava ajoelhada no chão do porão empurrando uma vassoura de um lado para o outro enquanto tentava controlar a irritação que sentia o cheiro
de mofo era forte e o lugar estava cheio de caixas velhas teias de aranha e coisas que pareciam não ser mexidas há anos não quero saber de preguiça aí embaixo gritou Rita da cozinha o som da voz dela Ecoava pelas paredes cortando silêncio Maria Clara suspirou Mas continuou sabia que se parasse Rita encontraria um motivo para reclamar Ainda Mais enquanto varria a vassoura bateu em uma caixa de madeira ela era grande com Ferragens enferrujadas e estava escondida atrás de algumas cadeiras velhas empilhadas no canto a tampa estava coberta por uma camada grossa de poeira Maria
Clara se aproximou curiosa com um pano rasgado Que encontrou jogado por ali limpou a tampa a madeira era escura mas havia algo gravado nela as iniciais a s Será que isso era da mamãe Maria Clara pensou sentindo uma mistura de ansiedade e esperança a ideia de encontrar algo que pudesse ter pertencido a mãe encheu de coragem ela puxou a tampa com força e as dobradiças soltaram um rangido alto como se reclamassem do tempo que passaram fechadas lá dentro havia uma porção de coisas roupas dobradas um diário de capa Desgastada e no fundo um envelope grande
e amarelado Maria Clara pegou o envelope o papel estava quase desmanchando de tão velho a abriu com cuidado e o que encontrou dentro fez seu coração disparar era uma fotografia na imagem sua mãe Ana estava grávida o rosto dela tinha um sorriso tão verdadeiro tão cheio de vida que parecia irradiar calor mesmo depois de tantos anos ela vestia um vestido floral como o da foto pendurada na parede da Sala mas dessa vez não estava sozinha ao lado dela havia um homem alto com um braço em volta dos ombros dela ele tinha cabelos castanhos e um
sorriso confiante os dois pareciam felizes quem é ele Maria Clara murmurou para si mesma o coração dela batia rápido como se já soubesse que aquele homem podia ser mais importante do que parecia ela virou a foto e viu algo escrito à mão no verso em uma caligrafia que reconheceu como sendo da mãe Ana e Carlos nosso futuro Em uma só imagem Carlos Esse era o nome dele Maria Clara repetiu o nome em voz baixa como se estivesse testando o som seria ele o pai que ela nunca conheceu de repente Ela ouviu os passos pesados de
Rita descendo as escadas Maria Clara no impulso rápido enfiou a foto dentro do bolso do avental seu coração estava na garganta se Rita visse a foto certamente ia tirar e talvez até destruí-la Maria Clara sabia que a avó nunca falava sobre a mãe Dela como se fosse um assunto proibido O que você está fazendo aí parada Rita perguntou assim que entrou no porão já acabou de varrer já já tô terminando respondeu Maria Clara tentando disfarçar Rita lançou um olhar desconfiado mas não disse mais nada pegou uma cadeira velha e subiu às escadas resmungando sobre como
ninguém ajudava de verdade assim que ficou sozinha de novo Maria Clara tirou a foto do bolso ficou olhando para ela estudando cada detalhe era como se Estivesse tentando gravar o rosto do homem para sempre na memória ela precisava saber mais quem era Carlos Por que a mãe nunca tinha falado dele e mais importante Ele sabia da existência dela mil perguntas começaram a surgir na cabeça de Maria Clara mas nenhuma tinha resposta quando terminou de varrer Maria Clara voltou para o quartinho no fundo da casa fechou a porta devagar certificando-se de que Rita não estava por
perto sentada na cama ela tirou a Foto novamente e a colocou ao lado do terço Azul olhou para os dois objetos por um longo tempo sentindo uma mistura estranha de tristeza e esperança era como se aquela imagem fosse uma pista um pedaço perdido de um quebra-cabeça que ela nem sabia que estava tentando montar será que ele é meu pai sussurrou para o vazio do quarto ela pegou o diário que também estava na caixa mas ao folheá-lo percebeu que as páginas estavam quase todas em branco era estranho como se a Mãe tivesse começado a escrever algo
mas nunca tivesse terminado no entanto no canto de uma das páginas havia algo rabiscado quase apagado pelo tempo um endereço Maria Clara sentiu um arrepio talvez aquilo pudesse levá-la a mais respostas talvez até levá-la ao tal Carlos a ideia de fugir da casa de Rita de sair daquele lugar frio e sem amor começou a tomar forme em sua cabeça Ela guardou a foto e o terço com cuidado escondendo sob o travesseiro deitou na Cama mas o sono não vinha ficava olhando para o teto com o coração acelerado e a mente cheia de planos era como
se uma Faísca tivesse acendido dentro dela pela primeira vez em muito tempo ela sentiu que talvez houvesse uma saída uma chance de encontrar algo ou alguém que trouxesse de volta o calor que tinha desaparecido com a morte da mãe Maria Clara estava Exausta de tanto limpar cozinhar e ouvir os gritos da avó Rita tudo nela parecia apertado o coração a Garganta até as lágrimas que insistiam em sair quando ninguém estava olhando a vida naquela casa já não era mais só difícil já era insuportável cada dia parecia mais uma eternidade e ela tinha apenas 10 anos
mas naquele dia algo mudou enquanto lavava os pratos suas mãos pequenas mergulhadas na água fria Maria Clara começou a lembrar da fotografia que tinha encontrado no baú escondido no porão aquele homem ao lado de sua mãe Carlos Quem ele era a ideia de que ele pudesse ser seu pai parecia cada vez mais real e se ele for bom e se ele quiser me ajudar a possibilidade acendeu uma Faísca dentro dela era isso ela tinha que encontrá-lo naquela noite no quarto gelado onde dormia em um colchão fino no chão Maria Clara comeou a planejar sua fuga
a mente dela Apesar da pouca idade era esperta e ágil Primeiro ela precisava de coisas básicas para sobreviver comida roupas e algo Para se proteger do frio ela sabia que não podia simplesmente sair correndo sem pensar se fizesse isso poderia acabar ainda pior do que já estava com o som da TV da sala baf seus movimentos Maria Clara pegou uma mochila velha que encontrou no mesmo porão onde tinha achado a foto Ela escondeu debaixo da cama nas noites seguintes sempre que Rita não estava por perto Maria Clara ia até a cozinha e colocava pequenos pedaços
de pão na mochila às vezes um Biscoito ou uma maçã que estava começando a estragar ela sabia que era pouco mas era o que tinha mas não era só a comida Maria Clara precisava de um mapa ela lembrou que em uma gaveta da cozinha Rita guardava um panfleto com o mapa da cidade que usava para achar os endereços dos clientes de certa tarde enquanto Rita estava distraída no quintal com as galinhas Maria Clara abriu a gaveta com cuidado tentando não fazer barulho lá estava o Panfleto ela o dobrou rápido e guardou no bolso Seu Coração
batia tão rápido que parecia que alguém ia ouvi-lo outra questão era o horário Maria Clara Sabia que não podia fugir durante o dia quando os vizinhos poderiam vê-la e contar para a avó a melhor H seria a noite quando Rita já estivesse dormindo a velha tinha sono pesado Depois de tomar os remédios de pressão então esse seria o momento perfeito no entanto Maria Clara sabia que o mundo lá fora seria duro o frio da Rua as pessoas estranhas a solidão tudo isso assustava mas o medo de continuar naquela casa era ainda maior a cada tapa
a cada grito a cada noite em que ela ia dormir com fome por que Rita dizia que não merecia comer Maria Clara ficava mais determinada nos dias que se seguiram ela começou a montar um plano detalhado Primeiro ela fingiria que estava tudo bem continuaria obedecendo as ordens da Avó limpando a casa e fazendo o que fosse necessário para não levantar suspeitas depois esperaria a noite perfeita uma em que a vó estivesse mais cansada do que o normal enquanto isso ela se preparava mentalmente sentada em seu canto enquanto descascava batatas para o jantar Maria Clara se
imaginava fora dali andando pelas ruas encontrando Carlos ouvia em sua mente sor diend quetinha procado por ela vida toda fotog Erer únic pç de es ao qual sear noite enquanto estava deitada tentando dormir Maria Clara ouviu Rita falando ao telefone com uma vizinha ela estava reclamando que teria que sair cedo no dia seguinte para comprar mantimentos aquilo era perfeito se Rita saísse de casa bem cedo Maria Clara teria a chance de pegar as últimas coisas de que precisava sem ninguém por perto na manhã seguinte antes de avó sair Maria Clara fingiu estar com dor de
Cabeça disse que precisava descansar Rita não parecia se importar muito apenas deixou a comida no fogão e saiu a porta Maria Clara então agiu rápido colocou na mochila a foto de Carlos o terço azul que sua mãe tinha deixado e mais algumas roupas que encontrou em um armário antigo era hora de se preparar para partir ela passou o resto do dia em silêncio comendo pouco e ouvindo os barulhos da rua pela janela do quartinho onde dormia a ansiedade Crescia mas ela se mantinha firme Quando a Noite Chegou Maria Clara esperou até ouvir os Altos de
Rita então respirando fundo pegou a mochila e abriu a porta da casa com o maior cuidado possível o coração dela parecia que ia explodir mas ela sabia que não podia olhar para trás era o começo de uma jornada que Maria Clara ainda não sabia onde iria terminar mas naquele momento ela tinha uma certeza não ia mais viver como prisioneira Quando soube que Maria Clara Havia fugido de casa em vez de preocupação Rita sentiu alívio para ela era uma coisa menos com que se preocupar a noite estava escura e o vento frio parecia atravessar a jaqueta
Fina de Maria Clara como se ela nem estivesse usando nada ela caminhava pela calçada com a mochila pendurada nos ombros e o terço Azul apertado na mão as ruas estavam quase vazias e as poucas pessoas que passavam pareciam com pressa sem nem olhar para ela Maria Clara tentava Parecer confiante mas por dentro estava apavorada cada som cada sombra parecia esconder um perigo o ronco distante de um motor o barulho de latas caindo no beco até o próprio Eco dos Passos dela faziam o coração disparar Depois de andar por horas Começou a sentir as pernas pesadas
o corpo pedia por descanso mas não tinha ideia de onde Poderia parar olhou ao redor e viu uma praça pequena com alguns bancos sentou-se ali Abraçando a mochila como se fosse um escudo contra o mundo o frio era insuportável e ela esfregava as mãos tentando esquentá-la vai ficar tudo bem sussurrou para si mesma mas a voz dela parecia fraca sem muita certeza na manhã seguinte o sol ainda não tinha nascido quando Maria Clara acordou o chão duro do banco tinha deixado suas costas doloridas e o estômago roncava pegou a maçã que havia trazido e deu
mordida Pequena tentando economizar o máximo possível mas era difícil a fome era maior que o medo de acabar com a comida rápido demais enquanto mastigava viu um homem alto se aproximar ele tinha roupas rasgadas e andava com um saco cheio de coisas nas costas Maria Clara segurou a maçã com força o coração batendo rápido o homem olhou para ela e parou por um momento como se estivesse decidindo algo ei menina sozinha por aqui perguntou ele com a voz rouca eu tô bem só esperando Minha mãe respondeu Maria Clara tentando não demonstrar medo o homem deu
uma risada curta e Balançou a cabeça Claro claro cuida do que é seu a rua não é moleza ele continuou andando e Maria Clara soltou a respiração que nem percebeu que estava segurando naquele momento entendeu que não podia confiar em ninguém pelo menos não tão rápido as ruas tinham suas próprias regras e ela ainda não as conhecia enquanto o dia avançava Maria Clara tentou encontrar Algo para fazer pensou em pedir ajuda mas cada vez que chegava perto de alguém era ignorada um senhor passou por ela e Maria Clara tentou falar moço por favor eu tô
perdida pode me ajudar ele só deu um olhar rápido e apertou o passo como se ela fosse invisível mais tarde tentou falar com uma mulher que carregava sacolas de compras Mas recebeu um olhar de desprezo antes que a mulher dissesse sai daqui menina não tenho nada para você aquilo Doía mais do que ela imaginava Maria Clara não esperava ser tratada como uma princesa mas a indiferença das pessoas fazia parecer que ela não era ninguém sentada na beirada da calçada começou a chorar as lágrimas escorriam silenciosamente Enquanto Ela olhava para os carros passando todos tinham um
destino um lugar para ir menos ela à noite o frio voltou com força Maria Clara encontrou um canto entre duas paredes de tijolos perto de um mercado Que já estava fechado sentou-se ali com a mochila no colo tentando se proteger do vento Mas o pior não era o frio e sim o medo não sabia o que Poder acontecer se alguém apareceria para machucá-la ou roubar suas poucas coisas cada som parecia ser um alerta vai dar tudo certo vai dar tudo certo repetia para si mesma como um mantra enquanto segurava o terço azul na madrugada o
barulho de Passos a despertou dois homens estavam conversando e rindo alto e pareciam Estar vindo na direção dela Maria Clara congelou segurou a mochila com mais e encolheu o máximo que podia torcendo para eles não a vissem o que temos aqui disse um dos hom frente US boné suo e tinha um siso queha tá perid respu Out olando para Maria Clara como fos não quero problem só T passando disse Maria Clara tentando manter a voz firme mas o medo era Claro passando a rua não é lugar para gente Bonitinha como você vai acabar machucada por
aí ou pior disse o primeiro homem dando um passo na direção dela antes que eles pudessem fazer algo o som de um assobio alto ecoou na rua os dois homens olharam para o lado e xingaram baixinho Tô de olho moleques gritou alguém mais ao longe era um homem idoso que estava sentado em um de grau com uma Bengala na mão ele parecia estar prestando atenção em tudo os dois homens deram risada e se Afastaram sorte sua garota mas cuidado e desapareceram na escuridão Maria Clara olhou para o senhor que ainda observava ele não disse nada
só apontou para um lugar mais iluminado como se estivesse dizendo para ela sair dali e procurar algo mais seguro ela sentiu com a cabeça dizendo um Obrigada que não sabia se ele tinha ouvido quando o sol começou a nascer Maria Clara sentiu que tinha sobrevivido à sua primeira grande Noite nas ruas Mas aquilo era só o começo as Dificuldades eram muitas e a solidão parecia crescer a cada passo que ela dava mesmo assim dentro dela ainda existia uma Faísca ela segurava o terço azul e sussurrava para si mesma eu vou achar o Carlos eu vou
conseguir Maria Clara estava sentada em uma praça pequena com a mochila no colo e o olhar perdido no chão já era o terceiro dia nas ruas e a fome parecia apertar ainda mais do que o frio o pão que ela havia trazido já tinha acabado e não havia Mais maçãs enquanto tentava ignorar a dor no estômago pensava no próximo passo não tinha ideia de onde procurar Carlos ou de como continuar a cada hora que passava parecia que suas forças diminuíam ela observava as pessoas passarem de um lado para o outro apressadas como se tivessem mundos
inteiros para cuidar e ela não tivesse nada foi então que percebeu uma movimentação estranha três crianças um pouco mais velhas do que ela estavam Paradas perto de uma barraca de frutas eles cochichavam olhando para o vendedor que estava distraído com um cliente Maria Clara não queria acreditar no que viu em seguida um dos meninos que parecia ser o líder correu até a barraca e pegou duas bananas enquanto o vendedor estava de costas foi tudo muito rápido ele voltou para o grupo com um sorriso satisfeito e os outros começaram a rir Maria Clara ficou chocada mas
ao mesmo tempo não consegi desviar o olhar a cena Deixou claro que aquelas crianças não eram tão diferentes dela também estavam sobrevivendo como podiam antes que percebesse os três estavam vindo em sua direção Maria Clara tentou parecer ocupada arrumando sua mochila mas era tarde demais Ei você tá sozinha perguntou o garoto que tinha roubado as bananas ele tinha cabelo bagunçado roupas sujas e olhos vivos que pareciam observar tudo ao mesmo tempo eu eu tô bem obrigada respondeu Maria Clara Tentando disfarçar o nervosismo não perguntei se você tá bem perguntei se tá sozinha insistiu ele cruzando
os braços Pedro deixa a menina em paz disse uma das outras crianças uma garota de cabelos cacheados e olhar curioso Você tá assustando ela Pedro deu de ombros e mordeu uma das bananas enquanto olhava para Maria Clara com um sorriso provocador relaxa a gente não vai morder disse ele Qual é o seu nome Maria Clara hesitou Mas sabia que não Tinha escolha eles não pareciam estar com más intenções e No fundo ela precisava de qualquer ajuda que pudesse encontrar Maria Clara respondeu baixinho eu sou o Pedro aquela ali é a Joana e o grandão ali
atrás é o Rafa você não parece ser daqui fugiu de casa perguntou Pedro indo direto ao ponto Maria Clara olhou para Joana que parecia mais amigável e depois para Rafa que era realmente enorme para a idade ambos esperavam por uma resposta mas não Pareciam ameaçadores sim disse Maria Clara com a voz baixa eu precisava sair de lá Pedro riu e deu um passo para trás bem-vinda ao clube Maria Clara todo mundo aqui tá fugindo de alguma coisa quero uma banana perguntou Joana oferecendo a segunda que Pedro tinha pego Maria Clara hesitou Mas a fome venceu
a vergonha pegou a fruta e deu uma mordida pequena tentando não parecer desesperada embora seu estômago agradecesse como se fosse um banquete tá Vendo já tá melhor disse Pedro com um sorriso satisfeito a gente não é tão ruim assim enquanto comiam Maria Clara começou a ouvir as histórias do Trio Pedro era o mais falante ele contava como tinha saído de casa porque ninguém entendia ele Joana por outro lado parecia mais calma e tinha um jeito protetor disse que fugiu porque não aguentava mais o padrasto que era cruel e agressivo Rafa mal falava mas Joana explicou
que ele estava ali porque era Mais seguro do que o lugar de onde veio e você perguntou Pedro olhando para Maria Clara o que te trou para essa vida ela ficou em silêncio por alguns segundos não queria contar tudo mas também não podia mentir minha mãe morreu agora eu tô procurando alguém meu pai respondeu Maria Clara encarando o chão seu pai ele sabe que você existe perguntou Pedro com curiosidade enquanto Joana deu uma cotovelada nele que tipo de pergunta é essa Pedro deixa ela em Paz disse Joana revirando os olhos tá bom tá bom só
queria entender respondeu Ele rindo apesar do jeito provocador de Pedro Maria Clara começou a se sentir um pouco mais à vontade pela primeira vez em dias havia alguém com quem conversar alguém que sabia o que era estar perdido Joana Foi a que mais se aproximou dela perguntando se precisava de ajuda ou se tinha algum lugar para dormir Maria Clara contou sobre a foto e o endereço e Joana ouviu com atenção sabe a gente conhece bastante dessa cidade talvez a gente possa te ajudar a achar esse lugar disse Joana com um sorriso Gentil Maria Clara olhou
para ela surpresa não sabia se podia confiar mas algo no jeito de Joana parecia verdadeiro sério você faria isso perguntou Maria Clara Claro mas com uma condição interrompeu Pedro você fica com a gente não tem moleza na Rua e sozinho você não vai durar muito Maria Clara pensou por um momento a ideia de ficar com eles parecia assustadora mas ao mesmo tempo era melhor do que enfrentar tudo sozinha tá bom eu fico respondeu com um pequeno sorriso naquela noite pela primeira vez desde que fugiu Maria Clara não dormiu completamente sozinha eles se acomodaram embaixo de
uma Marquise com caixas e pedaços de papelão para se proteger do frio Joana ficou ao lado dela enquanto Pedro e Rafa revezavam para vigiar Maria Clara ainda sentia medo mas com eles o mundo parecia um pouco menos hostil o sol começava a se pôr pintando o céu de tons alaranjados e Dourados enquanto Maria Clara caminhava ao lado de Joana e Pedro pelas ruas movimentadas Rafa tinha ficado em um dos pontos que eles chamavam de base cuidando das poucas coisas que o grupo conseguia juntar eles estavam na parte mais movimentada da cidade onde as pessoas Pareciam
estar sempre com pressa carregando sacolas e falando ao celular para Maria Clara era um cenário intimidante Você vai mesmo pedir ajuda perguntou Pedro parando ao lado de uma banca de jornal ele parecia cético essas pessoas não ligam para ninguém muito menos pra gente eu preciso tentar respondeu Maria Clara segurando o terço azul com força não posso ficar na rua para sempre Joana olhou para ela com uma expressão Encorajadora Tenta comear com alguém que pareça mais tranquilo não escolhe os apressados eles nem vão te ouvir Maria Clara respirou fundo e observou as pessoas que passavam seus
olhos pararam em uma mulher com um vestido florido que empurrava um carrinho de bebê a mulher tinha um sorriso no rosto enquanto olhava para o bebê e Maria Clara sentiu um pouco de esperança talvez aquela pessoa fosse Gentil ela se aproximou devagar com as Mãos suando de nervosismo Com licença disse Maria Clara a voz saindo baixa e hesitante a mulher olhou para ela mas o sorriso desapareceu quase inst O que foi perguntou a mulher com um tom distante já segurando o carrinho com mais Firmeza eu eu tô precisando de ajuda não tenho para onde ir
e estou procurando meu pai Maria Clara começou mas antes que pudesse terminar a mulher Balançou a cabeça desculpa mas não posso Ajudar ela nem esperou uma resposta antes de sair empurrando o carrinho apressada Clara ficou parada sentindo o rosto esquentar de vergonha ela olhou para Joana e Pedro que estavam um pouco mais atrás Pedro fez um gesto como quem eu avisei enquanto Joana deu um sorriso de apoio Tenta de novo nem todo mundo é assim disse Joana Maria Clara sentiu engolindo o Nó na Garganta ela precisava continuar tentando dessa vez escolheu um homem mais velho
que estava sentado ado Em um banco Comendo um lanche ele parecia mais calmo Sem pressa e Maria Clara achou que talvez tivesse mais paciência para ouvir Oi moço começou ela se aproximando com cuidado o homem olhou para ela e franziu a testa o que foi menina tá vendendo alguma coisa Não eu só queria é que eu tô procurando meu pai e eu não sei como chegar no endereço que eu tenho Será que o senhor poderia me ajudar perguntou Maria Clara segurando a foto Com Carlos na mão o homem deu uma olhada rápida na foto e
depois nela não sou táxi garota vai procurar a polícia ou sei lá não posso fazer nada por você ele se levantou jogando o guardanapo no lixo e saiu sem nem olhar para trás Maria Clara Ficou ali segurando a foto sem saber se sentia mais raiva ou tristeza era como se cada não pesasse um pouco mais nas costas dela tornando a caminhada ainda mais difícil Pedro que tinha se encostado em um poste Rio de Leve eu disse Maria Clara Essas pessoas só pensam nelas mesmas ninguém vai ajudar de graça para Pedro disse Joana irritada você não
tá ajudando não tô atrapalhando também respondeu ele com um sorriso ador Maria Clara olhou para a foto e depois para Joana mesmo com o apoio da nova amiga ela sentia que estava completamente sozinha nessa busca só mais uma vez eu vou tentar só mais uma vez disse Maria Clara mais para si Mesma do que para os outros dessa vez escolheu uma senhora que saía de uma padaria carregando uma sacola cheia de pães a mulher tinha cabelos grisalhos e um jeito cansado mas ao mesmo tempo parecia ser do tipo que sabia ouvir Boa tarde senhora disse
Maria Clara com a voz mais firme por favor eu preciso muito de ajuda minha mãe morreu e eu tô tentando encontrar meu pai ele tá nesse endereço mas eu não sei como chegar lá a mulher parou e olhou para Maria Clara Com atenção ela não parecia apressada nem desconfiada na verdade parecia mais surpresa Você tá sozinha perguntou a senhora com a voz baixa tô mas eu só preciso encontrar ele eu prometo que não quero incomodar ninguém respondeu Maria Clara mostrando a foto de Carlos A mulher ficou em silêncio por um momento olhando para a foto
e depois para Maria Clara por um Instante Parecia que ela ia dizer algo mas mudou de ideia sinto muito querida não conheço esse lugar e com um sorriso triste seguiu o seu caminho Maria Clara não conseguiu mais segurar as lágrimas sentou-se na calçada e começou a chorar Joana Correu para ela enquanto Pedro ficou parado sem saber o que fazer Ei não fica assim disse Joana colocando a mão no ombro de Maria Clara Às vezes as coisas demoram Mas isso não significa que você não vai conseguir mas parece Que ninguém se Maria Clara solu eu só
preciso de uma chance só uma pessoa que me escute Pedro suspirou e sentou-se ao lado delas as ruas são assim Maria Clara se você quer alguma coisa tem que aprender a lutar por ela nem todo mundo é ruim mas quase ninguém vai te ajudar de graça se a gente quer sobreviver a gente aprende a depender de nós mesmos e agora você tem a gente Maria Clara enxugou os olhos e olhou para eles talvez Pedro tivesse Razão Talvez o caminho não fosse fácil mas com Joana e ele ao seu lado pelo menos ela não estava mais
sozinha a chuva caía pesada encharcando as ruas da cidade Maria Clara andava ao lado de Joana e Pedro os três com os cabelos grudados no rosto e as roupas completamente molhadas Rafa tinha se separado deles mais cedo dizendo que ia tentar arrumar algum dinheiro perto da estação de trem mas agora Maria Clara só conseguia pensar no frio que parecia Cortar sua pele cada passo fazia seus sapatos encharcados soltarem um som molhado e o vento Fazia tudo parecer ainda pior não dá para ficar assim Maria Clara a gente precisa achar um lugar seco disse Joana segurando
a mão dela onde não tem onde ir respondeu Pedro irritado ele também estava tremendo mas tentava disfarçar a menos que a gente queira dormir Embaixo de uma ponte de novo Joana olhou para ele com raiva ficar na Chuva vai ser pior e se ela ficar doente ela já tá fraca Pedro Pedro suspirou Mas sabia que Joana esta certa desde que Maria Clara tinha se juntado ao grupo eles estavam tentando protegê-la o máximo que podiam mas os recursos eram poucos e as ruas eram duras foi quando Joan apontou para uma placa iluminada no fim da rua
que tremulava no vento era um letreiro simples que dizia abrigo Comunitário São Francisco ali disse Joana puxando Maria Clara pela Mão a gente pode tentar lá Pedro hesitou parando na calçada ele sabia como esses lugares funcionavam nem sempre eram ruins mas mas também não eram fáceis muitos tinham regras duras e algumas pessoas nos abrigos não eram tão diferentes das que andavam pelas ruas você sabe que esses lugares T hora né não é só entrar e pronto e quem disse que vão deixar a gente ficar perguntou Pedro não custa tentar retrucou Joana Determinada eles caminharam em
direção à entrada e Maria Clara sentiu uma mistura de alívio ismo a porta era grande e feita de metal com uma campainha enferrujada ao lado Joana apertou o botão e o som ecoou alto depois de alguns segundos uma mulher abriu a porta ela era baixa com cabelo preso em um coque apertado e um olhar sério mas não parecia ostil Boa noite o que vocês querem perguntou a mulher examinando os três de cima baixo um lugar para passar A noite tá chovendo muito E a gente não tem para onde ir explicou Joana a mulher ficou em
silêncio por um momento depois deu um passo para o lado segurando a porta aberta entrem mas não façam bagunça entenderam e só temos lugar para dormir nada de comida agora eles entraram e o calor da sala foi um alívio imediato O Abrigo era simples com paredes brancas e um piso de azulejos antigos o cheiro era uma mistura de produto de Limpeza e algo que Maria Clara não conseguia identificar Algumas pessoas estavam sentadas em cadeiras de plástico enroladas em cobertores enquanto outras conversavam em voz baixa vocês estão encharcados disse a mulher balançando a cabeça tirem os
sapatos e deixem ali no canto para secar vou ver se consigo cobertores para vocês Maria Clara fez o que ela pediu tirando o sapato molhados e colocando a mochila em cima de uma das Cadeiras sentou-se ao lado segurando o terço com força a sensação de estar finalmente em um lugar seco e relativamente seguro era boa mas ela ainda sentia o coração apertado estar ali Não significava que seus problemas estavam resolvidos a mulher voltou com três cobertores finos e os entregou para eles meu nome é dona Teresa sou voluntária aqui não temos muito espaço Mas vocês
podem dormir no chão da sala grande Junto com os outros Obrigada Dona Teresa disse Joana puxando o cobertor para se aquecer Maria Clara olhou ao redor a sala estava cheia de pessoas algumas pareciam amigáveis outras evitavam contato visual ela não sabia o que esperar mas se sentiu aliviada por ter Joana e Pedro ao seu lado mais tarde enquanto todos se acomodavam no chão Maria Clara viu dona Teresa passando com uma sacola cheia de pacotes de biscoito era Claro que não havia comida Suficiente para todos mas ela parecia determinada a ajudar como podia aqui querida não
é muito mas é alguma coisa disse Dona Teresa entregando um pacote de biscoitos para Maria Clara Obrigada respondeu Maria Clara surpresa com o gesto Dona Teresa se abaixou um pouco olhando diretamente para Maria Clara você parece muito nova para estar aqui O que aconteceu com você perguntou com a voz mais suave agora Maria Clara hesitou Ela não queria contar tudo mas sentiu Que podia confiar um pouco em Dona Teresa minha mãe morreu e eu tô tentando encontrar meu pai explicou Dona Teresa ficou em silêncio por um momento depois deu um pequeno sorriso Espero que você
o encontre mas enquanto isso se precisar de ajuda é só me chamar tá bem Maria Clara sentiu e dona Teresa seguiu para atender outras pessoas Pedro que estava deitado ao lado dela virou para olhar essa aí é diferente disse ele não são todos que ajudam assim Joana Concordou ajeitando o cobertor ao redor dos ombros pelo menos aqui é a gente tá seco e ela parece legal Maria Clara olhou para o terço na mão sentindo uma pontada de esperança talvez aquele lugar não fosse a solução definitiva mas pelo menos por uma noite ela estava longe da
chuva do frio e do Medo constante o dia amanheceu com os raios de sol entrando pelas janelas do Abrigo comunitário mas a tranquilidade durou pouco um homem de terno e uma mulher com uma prancheta Debaixo do braço chegaram cedo andando de forma apressada e com expressões sérias Eles eram da Assistência Social e todos no abrigo já sabiam o que isso significava perguntas ordens e quase sempre problemas Maria Clara estava sentada em um canto ao lado de Joana e Pedro eles comiam os Biscoitos que Dona Teresa havia dado na noite anterior tentando ignorar a movimentação mas
a mulher da prancheta Notou o trio rapidamente ela parou e olhou para eles com uma sobrancelha arqueada quem são essas crianças perguntou a mulher com uma voz cortante que parecia atravessar o ar Dona Teresa que estava distribuindo café para os outros se aproximou tentando manter a calma são novos aqui chegaram ontem à noite estavam na chuva completamente encharcados a mulher estreitou os olhos Como se estivesse avaliando a situação novos Onde estão os responsáveis por elas Pedro bufou baixinho e sussurrou para Joana lá vem problema Joana deu um beliscão no braço dele pedindo silêncio enquanto Maria
Clara olhava para a mulher tentando se encolher atrás de Joana A gente não tem ninguém respondeu Pedro sem esconder o Tom desafiador a mulher se aproximou mais ajustando os óculos isso é inaceitável crianças como vocês não podem Simplesmente andar por aí sem supervisão vocês serão transferidos para um abrigo oficial imediatamente Maria Clara sentiu um frio na espinha transferidos o que isso significava antes que pudesse perguntar dois funcionários do Abrigo entraram e começaram a organizar as coisas tudo aconteceu rápido demais em menos de uma hora Maria Clara Joana e Pedro estavam sendo levado em uma van
cinza para um Lugar completamente diferente quando chegaram o prédio parecia mais uma escola antiga com paredes de concreto e portões altos o lugar era cercado por grades e tinha câmeras de segurança nos cantos a sensação era de prisão e o rosto de Pedro mostrava exatamente o que todos estavam pensando isso aqui não tem nada de abrigo parece mais uma cadeia murmurou ele a mulher da prancheta os levou para uma sala pequena com mesas alinhadas e cadeiras duras sentou-se na Frente deles e começou a falar com a mesma voz fria de Anes meu nome é Marta
sou a coordenadora aqui as regras são simples obedeçam Sigam as instruções e não criem problemas aqui nós temos horários para tudo não toleramos indisciplina entendido Maria Clara sentiu timidamente enquanto Joana dava um sorriso nervoso Pedro no entanto cruzou os braços e encarou Marta e se a gente não gostar das regras perguntou com um sorriso Desafiador Marta ajustou os óculos de novo sem parecer nem um pouco impressionada Então você terá consequências e se continuar com essa atitude talvez precise aprender isso da forma difícil Pedro ficou quieto mas Maria Clara sabia que ele estava com aquilo não
ia acabar bem os dias no abrigo eram sufocantes tudo tinha hora marcada café da manhã banho tempo para brincar dormir não havia espaço para Escolhas e Maria Clara se sentia cada vez mais presa Mas o pior não era a rotina e sim o jeito como Martha tratava as crianças ela era rígida exigente e parecia não ter paciência para nada um dia enquanto estavam no refeitório Pedro tentou pegar um pão Extra Marta apareceu do nada como se estivesse esperando por isso e agarrou o braço dele o que você pensa que está fazendo perguntou ela com os
olhos brilhando de raiva só tô com fome respondeu Pedro tentando se soltar Aqui nós seguimos as regras você não vai pegar nada que não foi autorizado ela puxou o pão da mão dele e para a porta sala de isolamento agora sala de isolamento tá brincando eu não fiz nada gritou Pedro mas ela não estava brincando dois funcionários apareceram e o levaram à força enquanto ele se debatia Joana tentou intervir mas Marta levantou a mão cortando qualquer Tentativa mais alguém quer quebrar as regras perguntou olhando para as outras crianças o silêncio foi a única resposta Maria
Clara sentiu um nó na garganta ela queria ajudar Pedro mas não sabia como quando Joana se sentou ao lado dela ambas ficaram quietas sentindo o peso da situação mais tarde enquanto estavam no dormitório Maria Clara sussurrou para Joana a gente precisa fazer alguma coisa não dá para ficar Aqui Joana sentiu mas parecia preocupada eu sei mas o que a gente pode fazer se eles pegarem a gente vai ser pior no dia seguinte Pedro voltou da sala de isolamento estava mais calado do que o normal mas havia um fogo nos olhos dele quando mar passou perto
ele murmurou eu vou sair daqui não importa como Maria Clara não sabia se ele estava falando sério mas no fundo sentiu que ele tinha razão aquele lugar não era um Lar e eles precisavam encontrar uma saída antes que fosse Tarde Demais os dias no abrigo eram longos e pesados cada passo parecia vigiado cada palavra analisada Maria Clara sentia que o ar ficava mais sufocante a cada dia como se o prédio alto e cinza fosse feito para engolir as crianças que viviam ali mas então uma nova pessoa apareceu era uma manhã qualquer quando uma mulher jovem
entrou pela porta principal ela era diferente tinha um Sorriso sincero cabelos presos em um rabo de cavalo desarrumado e um jeito leve que contrastava com o Tom rígido do lugar enquanto atravessava o corredor Algumas crianças pararam de fazer o que estavam fazendo só para olhar Marta estava ao lado dela como sempre com os passos firmes e o olhar Severo Essa é a Laí nossa nova assistente social ela vai observar as rotinas e ajudar com alguns casos disse Martha sem qualquer entusiasmo Laissa sentiu mas parecia Estar prestando mais atenção ao redor do que em Marta seus
olhos percorriam cada canto cada criança quando seu olhar encontrou Maria Clara Ela sorriu foi um sorriso diferente do tipo que dizia eu te vejo eu realmente vejo você Maria Clara desviou o olhar desconfiada Afinal era difícil confiar em qualquer pessoa ali especialmente alguém que estava ao lado de Marta mais tarde durante o recreio Laí começou a se apresentar para algumas crianças ela Sentou-se no chão com um grupo que brincava de desenhar com giz riu com as piadas deles e diferente de Marta parecia genuinamente interessada em escutar o que ela tá fazendo aqui perguntou Pedro observando
de longe com os Bros Cruz Parece legal disse Joana mas Pedro riu incrédulo legal ninguém que trabalha aqui é legal ela só tá tentando parecer boazinha pra gente confiar nela Maria Clara ficou quieta ela também não sabia o que pensar mesmo assim não conseguia tirar aquele sorriso da Cabeça no dia seguinte enquanto Maria Clara organizava os livros de uma prateleira no pequeno passo que chamavam de biblioteca Laí entrou ela estava sozinha desta vez sem Marta ou qualquer outra sombra pairando atrás dela Ei Maria Clara né disse Laí sentando-se ao lado Maria Clara olhou para ela
com surpresa não sabia como Laí sabia seu Nome mas assentiu lentamente eu sou a Laí Acabei de chegar aqui mas quero conhecer vocês melhor Posso sentar aqui com você Maria Clara hesitou Mas acabou assentindo de novo Laí pegou um dos livros que estava no chão e começou a fi-lo como se fosse uma conversa casual depois de um tempo Falou em um tom baixo eu ouvi sobre você sobre a sua história você tá procurando seu pai não é o Coração de Maria Clara quase parou como Laí sabia disso ela tinha Contado apenas para Joana e Pedro
quem quem te contou perguntou com um fio de voz Dona Teresa do Abrigo comunitário ela falou de uma menina corajosa que tava tentando encontrar o pai achei que pudesse ser você respondeu Laí com um sorriso suave Maria Clara apertou o terço na mão sentindo uma mistura de medo e esperança seria seguro falar com Laí não precisa se assustar eu só quero ajudar mas para isso preciso Saber mais pode me contar sobre ele perguntou Laí inclinando-se para a frente com os olhos fixos nos de Maria Clara Depois de alguns segundos de silêncio Maria Clara tirou a
foto de Carlos do bolso era um gesto hesitante mas ela colocou a foto na frente de Laí a mulher pegou com cuidado e estudou a imagem Ele parece alguém importante para você sabe onde ele está perguntou Laí Maria Clara apontou para um pedaço de papel amassado com o endereço que estava No Diário Laí pegou o papel e o leu atentamente vou te ajudar a descobrir se ele ainda mora lá mas preciso que confie em mim tudo bem Maria Clara olhou para Laí por um longo momento havia algo no jeito dela na paciência e na sinceridade
que a fazia querer acreditar Então finalmente ela sentiu tá bem nos dias que se seguiram Laí passou mais tempo com Maria Clara Joana e Pedro ela fazia perguntas sobre suas vidas mas nunca parecia forçar as respostas com Maria Clara Ela era ainda mais cuidadosa sempre tentava mostrar que estava ali para ajudar não para julgar uma tarde enquanto Marta estava com outro grupo Laí chamou Maria Clara para uma sala pequena e fechou a porta consegui uma informação sobre o endereço disse Laí tirando um papel da bolsa parece que esse lugar ainda existe mas eu não tenho
certeza se ele ainda mora lá como eu posso ter certeza perguntou Maria Clara sentindo a esperança crescer Vai levar um pouco de tempo mas eu posso continuar investigando Enquanto isso você pra ser forte não desista tá bem disse Laí colocando a mão no ombro dela pela primeira vez em muito tempo Maria Clara sentiu que havia uma chance real de encontrar o pai e apesar das dificuldades Laí era como um raio de sol no meio de tantas nuvens os dias no abrigo pareciam mais curtos agora que Laí estava ali e Maria Clara sentia uma Esperança crescente
ela sabia que com o tempo poderia contar mais com a nova funcionária mas as perguntas sobre o pai ainda atormentavam foi em uma tarde que finalmente Laí trouxe algo que Maria Clara não esperava Laí chamou Maria Clara para um canto distante dos outros e falou com uma voz Suave e cuidadosa eu consegui descobrir algo sobre o seu pai carlos ele ele vai ao mesmo restaurante quase todas as semanas Sempre acompanhado de uma mulher Maria Clara olhou para ela surpresa mas sem demonstrar sinais de ciúmes ela estava apenas tentando entender a situação Como você sabe disso
perguntou Maria Clara com um fio de voz ainda tentando processar a informação Laí respirou fundo olhando ao redor antes de continuar eu tenho algumas Fontes Maria Clara algumas pessoas que me passaram essa informação mas elas não podiam falar muito abertamente o que sei é que ele ainda frequenta esse Restaurante e está Sempre acompanhado mas não sei quem é essa mulher Maria Clara ouviu atentamente Sem demonstrar raiva ou ciúmes Apenas uma curiosidade tranquila ela queria entender o que estava acontecendo porque seu pai estava longe e com quem ele estava ela não se sentia rejeitada apenas confusa
você vai descobrir mais sobre ele perguntou Maria Clara com esperança no olhar sorriu suavemente reconhecendo a Serenidade e força da menina vou continuar procurando Maria Clara vou tentar descobrir mais sobre ele e se ele ainda mora lá o importante é que Enquanto isso você continue com fé estamos um passo mais perto da Verdade Maria Clara sentiu sentindo que apesar das dificuldades ela estava mais próxima de encontrar as respostas que tanto desejava Laí com um olhar cheio de cuidado colocou a mão no ombro de Maria Clara Não desista tá bem você é muito Corajosa e eu
vou te ajudar a descobrir o que aconteceu estamos nisso juntas Maria Clara sorriu timidamente sentindo uma sensação de acolhimento que não sentia há muito tempo ela sabia que com Laí ao seu lado havia uma chance real de reencontrar o pai e descobrir a verdade sem precisar lidar com o peso da dor e da Solidão só Maria Clara Joana e Pedro não conseguiam mais suportar os dias no abrigo o ambiente pesado a vigilância constante e A falta de liberdade faziam com que se sentissem cada vez mais presas quando Laí contou a Maria Clara sobre o restaurante
e a possibilidade de encontrar mais informações sobre o pai Um Fio De Esperança se acendeu Mas a vida no abrigo não permitia que ela tivesse tempo para esperar era preciso agir uma tarde enquanto mar estava distraída em uma reunião e Laí estava fora Maria Clara se aproximou de Joana e Pedro o Coração batia rápido mas ela Estava decidida eu não aguento mais aqui disse Maria Clara sua voz baixa mas cheia de determinação eu preciso sair preciso encontrar meu pai Joana que sempre fora mais cautelosa olhou para ela com hesitação mas Pedro o mais impulsivo do
grupo concordou Eu também não aguento mais vamos sair daqui e procurar o que é nosso Pedro disse com um brilho de coragem nos olhos mas e se eles nos encontrarem e se der Errado Joana perguntou apertando as mãos nervosamente eu confio na gente respondeu Maria Clara a gente sempre se ajudou não vai ser diferente agora Pedro assentiu e os três começaram a planejar a fuga sabiam que o abrigo ficava perto de uma rua movimentada e se conseguissem sair sem serem vistos poderiam encontrar uma maneira de chegar até o restaurante que Laí mencionara eles se esconderiam
no lado de trás do prédio até a noite cair naquela noite depois que as luzes Do Abrigo se apagaram e todos estavam dormindo Maria Clara Joana e Pedro se levantaram silenciosamente deslizaram pelas escadas evitando os corredores iluminados e chegaram à porta dos fundos era só uma questão de empurrar o trinco e sair para o mundo lá fora onde ninguém os vigiava quando finalmente atravessaram a porta o ar fresco da noite os envolveu eles se olharam sentindo uma mistura de medo e excitação agora vamos em frente até Encontrarmos as respostas disse Maria Clara sua voz firme
apesar do nervosismo eles caminharam pelas ruas desertas sem saber exatamente para para onde estavam indo mas com a certeza de que não podiam mais ficar no abrigo o objetivo era Claro encontrar o restaurante descobrir mais sobre o pai de Maria Clara e entender o que havia acontecido com a sua vida à medida que se afastavam do Abrigo uma sensação de liberdade embora temporária os envolvia mas ao mesmo Tempo havia o medo de serem pegos a cidade parecia tão grande e desconhecida e por mais que quiser seguir em frente a realidade de estarem fugindo os pressionava
se algo acontecer vamos ficar juntos disse Joana olhando para os dois sim sempre juntos respondeu Pedro com um sorriso tenso mas enquanto caminhavam sem saber os desafios que os aguardavam Maria Clara não podia deixar de pensar em Laí Será que ela entenderia o que estavam fazendo Será que Laí os Ajudaria mesmo estando longe ela sentia que de alguma forma Laí acreditava nela mas estava ciente de que estavam sozinhos agora pelo menos por enquanto naquele dia Carlos chegou em casa tarde mais uma vez o dia no trabalho tinha sido caótico como sempre mas a verdadeira tempestade
estava dentro dele assim que abriu a porta encontrou Regina sentada no sofá com um copo de vinho na mão e a televisão ligada em algum programa qualquer ela Não parecia ia estar assistindo os olhos estavam fixos no nada e a expressão no rosto dela era de Puro cansaço mas não era o tipo de cansaço que o sono resolvia chegou tarde de novo Carlos disse ela sem desviar o olhar da tela não era uma acusação mas também não era um simples comentário era um misto de frustração e resignação tinha muita coisa no escritório respondeu Ele enquanto
tirava o palitó e afrouxava a gravata Ele queria mudar de assunto mas sabia que não adiantava o problema que rondava os dois não tinha ficado no trabalho estava ali no ar no silêncio desconfortável que dominava a casa Carlos sentou-se Ao Lado Dela no sofá mas Regina se afastou um pouco cruzando os braços o copo de vinho tremia levemente em sua mão mas ela tentou disfarçar Você pensou no que a gente conversou perguntou Regina sem olhar para ele Carlos suspirou ele sabia Exatamente do que ela estava falando mas não tinha uma resposta que fosse agradá-la Regina
eu tô pensando mas isso não é simples ele passou a mão pelos cabelos tentando aliviar a tensão que parecia crescer no peito Regina finalmente virou o rosto para ele seus olhos estavam marejados mas ela se esforçava para manter a firmeza não é simples para você Carlos porque você já tem tudo Carlos ficou parado por um momento mergulhado em seus Pensamentos seu passado atormentava anos atrás havia se envolvido com uma Muler chamada Ana mas devido a uma mentira Cruel os dois tiveram uma briga feia e Ana desapareceu de sua vida desde então ele nunca mais a
viu Carlos lembrava dos boatos espalhados por falsos amigos que diziam que o filho que Ana esperava não era dele até hoje ele carregava dúvidas sobre isso e se arrependia profundamente de suas atitudes na época no entanto Decidiu seguir em frente o silêncio que veio depois foi insuportável Carlos sabia que ela estava certa mas também sabia que não era tão fácil como ela fazia parecer eles tinham tentado de tudo consultas médicas tratamentos caros uma série de ex Dolorosos e invasivos no início havia Esperança mas a cada teste com resultado negativo essa esperança foi se transformando em
algo mais pesado agora era um buraco entre os dois Regina eu sei o quanto isso dói Para você mas adotar não vai apagar o que a gente perdeu não vai mudar o que você tá sentindo disse Carlos Tentando escolher as palavras com cuidado Regina levantou-se do sofá visivelmente irritada não é sobre apagar nada Carlos é sobre construir alguma coisa eu não aguento mais viver nessa casa vazia com esse silêncio o tempo todo eu quero eu preciso de algo mais Carlos ficou olhando para ela sentindo-se impotente ele sabia que Regina estava sofrendo ele Também estava mas
para ele a ideia de trazer outra criança para aquela casa parecia mais assustadora do que consoladora eu não quero que a gente Tome uma decisão por desespero disse ele levantando-se para ficar frente a frente com ela isso tem que ser certo hag para você para mim para qualquer criança que entrar nessa casa Regina respirou fundo tentando se controlar as lágrimas agora escorriam livremente pelo rosto dela sabe o que é pior Carlos Eu sinto que Você nunca vai porque no fundo você já teve isso uma vez você sabe como é segurar um bebê nos braços e
chamá-lo de seu eu nunca vou ter isso nunca ela apertou o copo de vinho com tanta força que parecia que iria quebrá-lo Carlos sentiu o peso daquelas palavras como um soco no estômago ele sabia que Regina tinha razão ele tinha tido Ana mesmo que por pouco tempo e sabia o que era ser pai mas também sabia o que era perder e o Medo de passar por aquilo de novo era algo que ele não conseguia superar amor eu quero que você seja feliz eu quero que a gente seja feliz mas eu também preciso ser honesto com
você eu não sei se estou pronto para isso disse ele a voz quase um sussurro Regina Balançou a cabeça dando um passo para trás você nunca está pronto para nada que não seja Carlos talvez seja por isso que a gente tá aqui presos nesse mesmo lugar há anos Carlos tentou se aproximar mas ela Levantou a mão pedindo espaço só me deixa sozinha Carlos por favor ele ficou parado por um momento sem saber o que fazer depois pegou o palitó e saiu da sala deixando Regina sozinha assim que ele desapareceu ela desabou no sofá abraçando um
travesseiro como se fosse a única coisa que a mantinha inteira naquela noite Carlos ficou sentado no escritório por horas olhando para a foto de Ana que guardava em uma gaveta sentia que estava falhando com Regina mas não Sabia como consertar aquilo e ao mesmo tempo sentia que o vazio que separava os dois estava crescendo tornando-se cada vez mais difícil de atravessar do outro lado da casa Regina chorava em silêncio segurando o prospecto de uma ência de adoção que tinha pegado no mês anterior era como se cada um deles estivesse em uma ilha diferente gritando por
socorro mas sem saber como se alcançar a noite estava fria e as luzes da cidade brilhavam Como Estrelas nas vitrines dos Prédios altos Maria Clara segurava a foto de Carlos com força o papel já gasto pelos dias de aperto e esperança Joana estava ao lado dela olhando para o restaurante à frente era um lugar Grande elegante com mesas cobertas por toalhas brancas e pessoas bem vestidas conversando atrás das janelas de vidro é aqui perguntou Joana tentando esconder o nervosismo é o que dona Laí disse ele vem aqui quase toda semana sempre nesse horário respondeu Maria
Clara sentindo o Coração bater mais rápido ela olhou para as portas grandes e douradas do restaurante era o lugar mais bonito que já tinha visto na vida mas também o mais intimidante Pedro estava mais afastado encostado em um poste observando as duas com os braços cruzados vocês têm certeza disso ele pode nem estar aí hoje e mesmo se tiver e daí você vai só aparecer do nada e dizer poi sou sua filha perguntou ele com o tom provocador de sempre Pedro para de falar besteira Cortou Joana irritada deixa ela tentar Maria Clara olhou para a
foto mais uma vez Carlos estava sorrindo na imagem mas ela não sabia como seria vê-lo ao vivo depois de tudo E se ele não a reconhecesse e se não quisesse saber dela ela tentou afastar esses pensamentos tinha chegado tão longe precisava tentar eu vou entrar disse Maria Clara firme antes de dar um passo em direção à porta o calor dentro do restaurante era um alívio imediato mas o Ambiente Parecia um mundo a parte havia luzes suaves penduradas no teto garçons andando de um lado para o outro com bandejas prateadas e o som de copos te
lint acompanhava o burburinho das conversas Maria Clara sentiu os olhares de algumas pessoas caírem sobre ela com suas roupas simples e mochila velha Sabia que não parecia pertencer aquele lugar ela caminhou pelo salão passando pelas mesas até que seus olhos o encontraram Carlos estava sentado em uma Das Mesas no canto ao lado de uma mulher elegante que Maria Clara reconheceu como Regina ele parecia tão diferente da foto os cabelos estavam mais curtos o rosto mais sério mas ela sabia que era ele sentiu um aperto no peito vai lá você consegue sussurrou para si mesma como
se tentasse reunir corag quando chegou perto da mesa Carlos e Regina Ainda não tinham percebido sua presença ele estava lendo algo no celular e Regina parecia distraída com o Cardápio Com licença disse Maria Clara a voz baixa e hesitante Carlos levantou os olhos surpreso ao ver uma menina parada ali Regina franziu a testa já incomodada O que foi você tá perdida perguntou Regina direta antes que Carlos pudesse dizer algo eu eu preciso falar com você disse Maria Clara olhando diretamente para Carlos o coração dela parecia que ia sair pela boca Carlos olhou para a menina
confuso não a Reconheceu mas algo na expressão dela o deixou intrigado me falar sobre o quê perguntou ele enquanto Regina suspirava impaciente Maria Clara respirou fundo e tirou a foto do bolso com as mãos trêmulas colocou-a sobre a mesa virando-a para ele sobre isso disse ela Carlos pegou a foto e por um momento ficou paralisado seus olhos se fixaram na imagem dele e de an ele passou o dedo Pela foto como se tentasse entender porque aquela garota tinha algo tão pessoal Regina inclinou-se para ver melhor e ficou ainda mais desconfiada quem é você e de
onde tirou essa foto perguntou Regina olhando de Maria Clara para Carlos eu sou sou Maria Clara eu acho que você é meu pai disse ela a voz quase falhando a mesa ficou em silêncio Carlos Parecia ter perdido o fôlego Regina no entanto se levantou Furiosa isso é algum tipo de golpe uma Brincadeira como você ousa aparecer aqui e dizer algo assim Regina levantou a voz atraindo olhares de outras mesas Não não é golpe eu só eu só queria falar com ele Maria Clara tentou se explicar as lágrimas começando a brotar nos olhos Carlos colocou a
foto na mesa ainda em choque Ele olhou para Maria Clara e depois para Regina Como se não soubesse o que fazer Carlos alguma coisa insistiu Regina Furiosa eu eu não sei respondeu Ele perdido um garçom se aproximou preocupado com a confusão está tudo bem aqui senhor perguntou olhando para Carlos Regina virou para o garçom não não está essa menina está nos incomodando por favor tire a daqui disse ela não por favor eu só quero falar com ele eu não vou machucar ninguém implorou Maria Clara enquanto o garçom assegurava gentilmente pelo braço para afastá-la Carlos observava
tudo em silêncio mas Algo dentro dele parecia gritar Maria Clara olhou para ele uma última vez antes de ser levada para fora as lágrimas já escorriam livremente pelo rosto dela lá fora Joana e a esperavam assim que a viram correram para ela o que aconteceu Ele falou com você perguntou Joana preocupada Maria Clara Balançou a cabeça tentando controlar o choro não ele não disse nada respondeu ela sentindo o peso da rejeição enquanto isso dentro do Restaurante Carlos ainda segurava a foto Regina continuava falando irritada mas ele não ouvia seus olhos estavam fixos na imagem e
o rosto de Maria Clara não saía da sua cabeça havia algo nela que ele não conseguia ignorar uma semelhança que ele não podia negar Carlos estava sentado em sua mesa de escritório mas os papéis espalhados à sua frente não tinham a menor importância naquele momento na mão ele segurava a foto que Maria Clara havia deixado no Restaurante já havia passado uma noite inteira desde aquele inesperado mas ele não conseguia tirar a imagem da cabeça cada detalhe parecia gritar com ele o sorriso de Ana o rosto ansioso de Maria Clara as palavras dela eu acho que
você é meu pai ele passou os dedos pelo papel envelhecido a memória de Ana veio como um raio nítida e dolorosa Fazia anos desde que ele a tinha visto pela última vez mas a expressão dela naquela foto parecia Idêntica a que ele guardava na Lembrança e aquela garota ela parecia ter algo de Ana um brilho nos olhos um jeito que ele não conseguia explicar mas que eu fazia questionar se ela estava dizendo a verdade Carlos você está ouvindo a voz de Regina interrompeu seus pensamentos Ele olhou para cima e viu a esposa na porta do
escritório Regina estava visivelmente irritada os braços cruzados e o rosto tenso ele sabia exatamente o Já falei Carlos isso é absurdo essa menina pareceu do nada com uma história que não faz sentido é claro que é uma mentira ela entrou no escritório pegando a foto das mãos dele Carlos suspirou tentando manter a calma Regina a foto é real eu me lembro desse dia foi antes de eu e Ana terminarmos isso não é mentira e o que você vai fazer Procurar a Garota Abrir sua vida para uma estranha Regina jogou a foto de volta na mesa
Você já Pensou no que isso pode fazer com a gente Carlos olhou para a foto novamente ignorando a indignação de Regina ele sabia que para ela isso era mais do que um incômodo era uma ameaça mas para ele era algo que precisava de resposta Regina eu não vou ignorar isso se ela está mentindo eu preciso saber e se não estiver ele hesitou sabendo que aquilo não seria fácil de dizer se não estiver ela é minha filha e eu tenho uma responsabilidade Regina Balançou a Cabeça em descrença Faça o que quiser Carlos mas não espere que
eu fique aqui assistindo você destruir nossa vida por causa de uma história sem pé nem cabeça ela saiu do escritório batendo a porta Carlos ficou sozinho o silêncio da sala mais pesado do que nunca ele pegou o telefone e começou a procurar algo tinha que descobrir quem era aquela menina onde ela estava e acima de tudo a verdade sobre o que ela tinha dito no dia Seguinte Carlos decidiu começar pelo restaurante Voltou ao local esper encontrar algum funcionário que tivesse visto para onde Maria Clara foi depois que foi retirada O garçom que tinha lidado com
a situação se aproximou com um olhar de surpresa Senor Carlos posso ajudar com algo sim você pode Carlos colocou a foto sobre a mesa essa menina você se lembra dela ela estava aqui ontem à noite o garçom olhou para a foto e assentiu Sim senhor ela foi retirada por minha ordem como solicitado por sua esposa Ela estava muito nervosa chorando Carlos sentiu uma pontada de culpa ele lembrou dos olhos marejados de Maria Clara quando ela foi levada ele tinha ficado paralisado sem saber o que fazer mas agora isso parecia imperdoável viu para on ela foi
perguntou não senhor mas ela saiu acompanhada de duas outras crianças eles Pareciam estar esperando do lado de fora Carlos agradeceu e deixou o restaurante enquanto dirigia de volta para casa sentiu uma mistura de ansiedade e determinação precisava ir mais fundo havia algo real na história dela e ele não podia descansar até descobrir o que era mais tarde no escritório Carlos decidiu procur curar registros antigos tinha uma caixa guardada com fotos e documentos daquela época mas Fazia anos que não mexia nela quando abriu o cheiro De papel Velho encheu o ar lá dentro encontrou cartas de
Ana bilhetes antigos e finalmente uma cópia da mesma foto que Maria Clara havia mostrado ele virou a foto e viu as palavras no verso Ana e Carlos nosso futuro em uma só imagem Era exatamente igual que estava na foto da menina um arrepio percorreu sua espinha aquilo não podia ser coincidência Carlos sabia que precisava de mais informações Decidiu ligar para uma Pessoa que talvez pudesse ajudar Dona Teresa a mulher que Ana tinha mencionado brevemente em uma das cartas antigas ela havia trabalhado em um abrigo comunitário e pelo que ele sabia ainda estava lá alô dona
Teresa aqui é o Carlos você se lembra de mim começou ele nervoso Carlos Claro que me lembro faz muito tempo o que você precisa respondeu ela com um tom Caloroso Carlos explicou rapidamente sobre Maria Clara sobre a foto e o encontro no restaurante Dona Teresa ouviu tudo em silêncio antes de responder Carlos ela esteve aqui no abrigo é uma menina boa mas passou por muito perdeu a mãe e está sozinha ela acreditava que você era a única pessoa que poderia ajudá-la as palavras atingiram Carlos como um soco ele se encostou na cadeira Processando o que
Tinha acabado de ouvir você sabe onde ela está agora perguntou Não exatamente mas ela estava com duas crianças de Rua Pedro e Joana eles costum circular pela região central se quiser encontrá-la é um bom lugar para começar Carlos agradeceu e desligou ficou um momento em silêncio segurando o telefone algo dentro dele dizia que a vida estava prestes a mudar de um jeito que ele não imaginava era fim de tarde e as sombras dos prédios altos cobriam as ruas Movimentadas do centro da cidade Maria Clara Joana e Pedro estavam na calçada discutindo sobre o próximo lugar
onde poderiam procurar abrigo o estômago de Maria Clara roncava mas ela tentou ignorar os Biscoitos que tinham conseguido no abrigo já tinham acabado há dois dias e encontrar comida estava cada vez mais difícil eu conheço um lugar disse Pedro com um sorriso que Maria Clara não gostou ele tinha aquele olhar que usava quando estava tramando Alguma coisa que lugar perguntou Joana cruzando os braços confiada é um galpão abandonado lá perto da ponte Tem um pessoal que às vezes aparece por lá mas eles não incomodam se a gente não encher o saco deles Maria Clara sentiu
um arrepio Pedro sempre parecia saber onde ir mas dessa vez algo na voz dele não parecia certo não parece seguro disse ela hesitante nada nessa cidade é seguro princesa respondeu Pedro revirando os Olhos Mas você quer ficar aqui no meio da rua ou quer um lugar para dormir Joana olhou para Maria Clara e deu de ombros como quem dizia que não tinham muitas opções relutante Maria Clara seguiu os dois quando chegaram ao galpão o lugar parecia abandonado as janelas estavam quebradas e a porta rangia ao ser empurrada lá dentro havia caixas empilhadas e alguns colchões
velhos espalhados no chão o cheiro de poeira Era forte e o ambiente estava escuro com apenas algumas frestas de luz entrando pelas paredes viu tranquilo disse Pedro jogando Mocha em um Joana e Maria Clara se sentaram em um dos Colchões mas ocio do lugar faz os pelos do braço de Maria Clara se arrepiarem ela ol ao R senti que algoa errado antes que pudessem relaxar vozes começaram a ecoar pelo galpão eram grossas hpas e estavam ficando mais próximas Pedro levantou-se rápido os Olhos arregalados Quem tá aí perguntou uma das vozes grave e ameaçadora de repente
três homens surgiram no fundo do galpão eles tinham roupas gastas tatuagens nos braços e um jeito que deixava Claro que não estavam ali para fazer amigos o líder um homem alto com uma cicatriz que cruzava o rosto segurava um cigarro entre os dedos e encarou os três com um sorriso frio olha só o que temos aqui crianças Brincando no meu território ele deu uma risada curta e assustadora vocês acham que isso aqui é Parque desculpa a gente não sabia começou Joana mas o homem levantou a mão interrompendo a não quero saber de desculpa quero saber
o que vocês têm para oferecer aqui ninguém fica de Pedro tentou parecer corajoso mas a voz dele tremeu a gente não tem nada só estamos de passagem nada o homem deu um passo à Frente e os outros dois a seguiram como sombras então talvez vocês possam ajudar de outro jeito Maria Clara sentiu o coração disparar tentou puxar Pedro pelo braço para que fosse embora mas ele não se mexeu que perguntou Pedro a voz quase um sussurro o homem com a cicatriz deu uma risada baixa tá vendo aquelas lojas no fim da rua quero que vocês
entrem lá e peguem o que puderem dinheiro comida qualquer coisa de valor façam isso e talvez eu Deixe vocês irem roubar Maria Clara disse horrorizada a gente não pode fazer isso ah pode sim princesinha pode ou fica aqui comigo escolha rápida o Tom dele era calmo mas a ameaça era Clara Pedro olhou para Maria Clara e Joana visivelmente assustado ele não queria fazer aquilo mas sabia que discutir não era uma opção tá bom tá bom a gente faz só deixa elas fora disso Disse ele Bonitinho você tentando ser o herói mas não funciona assim todo
mundo ajuda ou ninguém sai o homem apagou o cigarro no chão e cruzou os braços esperando Maria Clara sentiu medo crescendo mas também uma raiva que não conseguia controlar ela sabia que isso era errado mas o que podiam fazer se não obedecessem aqueles homens poderiam machucar luz ou pior quando saíram do galpão o grupo estava em silêncio Pedro chutava pedrinhas no chão enquanto Joana Olhava nervosamente para os lados Maria Clara segurava o terço com força tentando pensar em uma solução a gente não pode fazer isso Pedro disse Maria Clara finalmente parando no meio da calçada
e o que você quer que a gente faça respondeu Pedro girando para encará-la você viu o tamanho daqueles caras se a gente voltar sem nada já era tem que ter outro jeito insistiu Maria Clara mas as palavras pareciam vazias até para ela mesma eles continuaram Andando até chegar perto das lojas Pedro e Joana começaram a discutir um plano mas Maria Clara mal ouvia sua mente estava trabalhando rápido tentando encontrar uma saída foi quando ela viu uma viatura da polícia estacionada na esquina os policiais estavam dentro do carro conversando Maria parou sentindo o coração acelerar era
Riscado mas podia ser a única chance de escapar fiquei aqui eu já volto disse Maria Clara Correndo antes que Pedro ou Joana pudessem detê-la quando chegou perto da viatura bateu na janela com força um dos policiais abaixou o vidro olhando para ela com surpresa O que foi garota tem homens no galpão ali atrás eles eles querem que a gente roube para eles por favor me ajudem disse ela a voz cheia de urgência os policiais trocaram olhares e saíram do carro rapidamente Maria Clara os guiou de volta ao galpão com Pedro e Joana Correndo atrás dela
quando os policiais entraram no galpão os homens tentaram resistir mas não foram longe em poucos minutos estavam algemados e sendo levados Maria Clara Pedro e Joana ficaram do lado de fora observando em silêncio você foi corajosa disse Joana quebrando silêncio Pedro por outro lado parecia dividido entre raiva e alívio isso podia ter dado muito errado disse ele mas sem a mesma convicção de antes Maria Clara olhou para os dois ainda Tremendo mas com um estranho sentimento de alívio pela primeira vez em dias sentiu que tinha feito algo certo a noite estava gelada e as luzes
de Natal brilhavam em todas as casas do bairro Maria Clara caminhava pela calçada com o terço azul na mão apertando-o como se aquilo fosse lhe dar coragem Joana e Pedro tinham insistido para acompanhá-la mas dessa vez ela disse que precisava fazer isso sozinha Quando virou a esquina avistou a mansão era enorme com Portões de ferro altos e um jardim perfeitamente aparado as luzes natalinas piscaram nos arbustos e no telhado e uma árvore gigantesca iluminava a sala visível pelas janelas Maria Clara sentiu o estômago embrulhar tudo aquilo parecia tão distante da sua realidade tão impossível de
alcançar só mais alguns passos sussurrou para si mesma tentando controlar o medo cada passo parecia mais pesado que o anterior quando chegou ao Portão segurou as grades Frias e olhou para dentro lá estava ele Carlos estava parado na sala conversando com Regina Maria Clara reconheceu ambos de longe ele parecia preocupado gesticulando enquanto falava e Regina estava sentada em uma poltrona com os braços cruzados era agora ou nunca Maria Clara respirou fundo e apertou o botão da campainha ao lado do portão o som ecoou pelo jardim e seu coração começou a bater como tambor Depois de
alguns minutos que pareceram Horas uma empregada apareceu na porta da casa ela olhou em direção ao portão e franziu a testa ao ver uma menina parada ali quem é você perguntou a mulher se aproximando eu eu preciso falar com o Carlos é muito importante por favor a voz de Maria Clara saiu mais alta do que esperava mas tremida o suficiente para revelar seu nervosismo a empregada hesitou mas voltou para dentro da casa Maria Clara ficou Esperando sentindo o vento frio cortando sua pele finalmente Carlos apareceu na porta ele parecia cansado como alguém que já tinha
enfrentado muitas batalhas Naquele dia quando seus olhos encontraram os de Maria Clara ele parou por um momento você de novo murmurou andando em direção ao portão ele destrancou o então e abriu devagar observando Maria Clara como se ela fosse um quebra-cabeça que ele ainda não sabia como montar o que você tá fazendo aqui Perguntou ele com um misto de preocupação e exasperação Maria Clara engoliu em seco e tirou a foto do bso estendendo para el eu vim por porque preciso saber a verdade eu preciso saber se você é meu pai carlos pegou a foto mas
dessa vez não desviou o olhar dela algo no tom de Maria Clara parecia diferente mais urgente mais desesperado eu já vi essa foto disse ele mais para si mesmo do que para ela e eu Tô tentando entender tudo isso Maria Clara Balançou a cabeça as lágrimas comeando a se formar eu não tô mentindo eu perdi minha mãe e eu tenho quase certeza que um senhor é meu pai eu não ten mais ninguém por favor só me escuta Carlos passou a mão pelos cabelos claramente confuso antes que pudesse dizer mais alguma coisa Regina apareceu na porta
com um casaco de lã e uma expressão de Puro descontentamento o que tá acontecendo Aqui perguntou ela olhando de Carlos para Maria Clara Essa Menina De novo por que você tá ouvindo isso Carlos Regina só um minuto disse Carlos levantando a mão mas Regina não estava disposta a esperar Ela desceu os degraus da entrada rapidamente parando ao lado dele olha garota eu não sei o que você tá tentando fazer mas essa história não faz sentido Carlos não tem nenhuma filha Perdida isso é um absurdo a voz dela era fria cortante eu não quero nada de
vocês eu Só quero saber a verdade Maria Clara deu com a voz embargada mais firme Carlos olhou para Regina depois para Maria Clara era como se estivesse tentando juntar todas as peças de um quebra-cabeça impossível finalmente ele respirou fundo e se virou para Maria Clara entra a palavra saiu simples mas carregada de significado o quê perguntou Regina chocada você não pode simplesmente deixá-la entrar Carlos Regina chega eu preciso resolver isso ele abriu a porta do portão completamente e fez sinal para Maria Clara entrar Regina suspirou indignada mas não disse mais nada entrou na casa claramente
irritada enquanto Carlos guiava Maria Clara até a sala a menina sentiu o calor da casa envolvê-la um contraste enorme com o frio que estava do lado de fora ela olhou ao redor fascinada pela decoração a árvore de natal enorme os enfeites Dourados as Luzes brilhantes senta disse Carlos apontando para o sofá ele sentou-se na poltrona em frente e segurou a foto nas mãos eu preciso entender começou ele Se isso for verdade se você realmente for minha filha a gente pode resolver isso mas para isso eu preciso de provas Eu preciso de um teste Maria Clara
sentiu sentindo as lágrimas escorrerem pelo rosto eu faço qualquer coisa eu só eu só quero saber se você é meu pai carlos Olhou para ela e pela primeira vez Maria Clara viu algo diferente nos olhos dele não era só dúvida era um lampejo de esperança misturado com medo aquela véspera de Natal que deveria ser apenas mais uma noite comum para ele e Regina estava prestes a mudar tudo os dias que se seguiram à véspera de natal pareciam se arrastar como semanas para Maria Clara desde que tinha entrado na mansão tudo era novo e desconfortável as
paredes eram decoradas Com quadros caros os móveis pareciam feitos para um museu e as refeições eram cheias de pratos que ela não conseguia nem pronunciar Mas mesmo com todo aquele luxo ao redor ela sentia um peso constante como se estivesse sempre andando na ponta dos pés Carlos tinha cumprido o que prometeu no dia seguinte ao Natal ele a levou até uma clínica para fazer o teste de DNA o médico explicou que o resultado demoraria alguns dias e enquanto isso Maria Clara ficou na mansão não porque Carlos tinha insistido ele até ofereceu colocá-la em um hotel
para que ficasse mais confortável mas Maria Clara recusou queria ficar ali perto dele mesmo que Regina tornasse tudo mais difícil Regina não escondia o descontentamento desde que Maria Clara chegou ela fazia questão de mostrar que não gostava da situação seu Tom era Sempre frio suas palavras afiadas como facas você acha mesmo que pode aparecer do nada e mudar tudo perguntou Regina certa noite enquanto Maria Clara tentava ajudar na cozinha Maria Clara ficou em silêncio tentando ignorar o aperto no peito não tinha resposta para aquilo e mesmo que tivesse sabia que Regina não ouviria Carlos por
outro lado parecia dividido ele era educado até tentava se aproximar mas ainda parecia distante passava a maior parte do tempo no Escritório ou saía para reuniões como se estivesse usando o trabalho como uma desculpa para evitar a tensão crescente em casa uma tarde enquanto estava sozinha no quarto que Carlos tinha preparado para ela Maria Clara pegou a foto de Carlos e Ana que tinha guardado na mochila sentada na cama ela passou os dedos pela imagem pensando na mãe será que Ana teria imaginado que tudo isso aconteceria Será que tinha acreditado que Carlos um dia Aceitaria
uma batida na porta tirou Maria Clara dos Pensamentos era Regina preciso conversar com você disse entrando sem esperar convite o Tom era sério quase duro Maria Clara colocou a foto de lado e sentou-se reta esperando o que viria a seguir Olha eu não sei o que você acha que vai conseguir aqui mas eu vou deixar uma coisa bem clara eu não quero essa confusão na minha casa se o resultado do teste der Negativo você vai embora Imediatamente entendeu Maria Clara sentiu um nó na garganta mas assentiu não queria piorar as coisas mesmo que a Raiva
estivesse se queimando dentro dela Regina cruzou os braços observando Maria Clara por um momento antes de sair do quarto batendo a porta atrás de si naquela noite Carlos finalmente sentou-se para jantar com Maria Clara ele parecia cansado mas havia algo diferente no olhar dele como você tá se sentindo perguntou quebrando Silêncio Maria Clara olhou para o prato de comida evitando o olhar dele eu tô bem só ansiosa Carlos assentiu mexendo na comida com o garfo Eu também é muita coisa para processar sabe mas eu quero que você saiba que independente do que acontecer eu tô
aqui para conversar Ele olhou para ela esperando uma resposta Maria Clara finalmente ergueu o olhar obrigada eu só eu só quero saber a verdade Carlos deu um pequeno sorriso Mas era um sorriso triste carregado de dúvida e preocupação os dias seguintes foram cheios de pequenos momentos de tensão Maria Clara tentava se manter ocupada ajudando na cozinha ou organizando os livros na biblioteca mas a espera pelo resultado do DNA parecia interminável Em alguns momentos ela pensava em fugir talvez fosse mais fácil voltar para a rua do que lidar com a incerteza e o desprezo de Regina
mas mas sempre que Pensava nisso olhava para o terço azul que sua mãe tinha lhe dado era como um lembrete para não desistir mesmo quando tudo parecia difícil uma manhã enquanto Maria Clara estava no Jardim Regina apareceu novamente desta vez o Tom era diferente ainda tinha uma ponta de frieza mas havia algo mais uma espécie de cansaço você realmente acha que ele vai aceitar você perguntou reg com os braços Cruzados Maria Clara olhou para ela tentando encontrar as palavras certas eu não sei mas eu preciso tentar Regina ficou em silêncio por um momento depois suspirou
e foi embora sem dizer mais nada finalmente o dia do resultado chegou Carlos entrou na sala com um envelope na mão Maria Clara estava sentada no sofá com as mãos suando e o coração batendo tão rápido que parecia que ia sair pela boca Regina estava ao lado de Carlos com uma expressão fechada Ela não dizia nada mas o olhar dizia tudo queria que aquilo acabasse logo Carlos sentou-se na poltrona em frente a Maria Clara e abriu o envelope seus olhos percorreram o documento e ele ficou em silêncio por alguns segundos parecia estar Processando o que
estava lendo então começou ele olhando para Maria Clara o silêncio na sala era tão pesado que parecia preencher cada canto Maria Clara mal conseguia respirar enquanto esperava A resposta que mudaria tudo o resultado do teste de DNA mudou tudo quando Carlos olhou para Maria Clara e disse as palavras que ela tanto esperava você é minha filha algo dentro dela Parecia ter se quebrado e se reconstruído ao mesmo tempo a verdade era um alívio mas também trazia um peso enorme agora ela e Carlos precisavam descobrir como viver com isso nos dias que se seguiram a casa
parecia diferente Carlos começou a passar mais tempo com Maria Clara tentando Conhecê-la entender Quem era aquela menina que de repente fazia parte da sua vida Mas as coisas não eram simples Maria Clara ainda se sentia deslocada como se fosse uma visitante em uma casa que não era sua e Carlos parecia estar aprendendo a lidar com a ideia de ser pai novamente uma manhã Carlos decidiu levar Maria Clara para conhecer seu escritório era um prédio imponente no centro da cidade com janelas de vidro que refletiam o céu Ele queria mostrar a ela uma parte da sua
vida talvez na tentativa de encontrar um ponto de conexão e aí o que achou perguntou ele enquanto subiam no elevador Maria Clara deu de ombros olhando para os botões iluminados é grande respondeu ela tentando não parecer intimidada Carlos riu percebendo o nervosismo dela grande demais às vezes mas é onde eu passo a maior parte do tempo quando chegaram à sala dele Carlos mostrou a vista da janela lá de cima Dava para ver quase toda a cidade Maria Clara ficou em silêncio por um momento observando é bonito mas também parece meio distante sabe como Se Tudo
Fosse pequeno lá embaixo Carlos olhou para ela surpreso pela profundidade da resposta ele sorriu e passou a mão pelo ombro dela é eu acho que você tem razão apesar dos esforços de Carlos havia Momentos de tensão Maria Clara ainda se sentia insegura Especialmente quando Regina estava por perto o desprezo dela era Difícil de ignorar e Maria Clara Não queria causar mais problemas isso fazia com que às vezes ela se afastasse de Carlos mesmo sem querer certo dia Carlos percebeu que Maria Clara estava mais quieta do que o normal ele a encontrou sentada no jardim com
o terço Azul nas mãos sentou-se ao lado dela sem dizer nada por um tempo você quer conversar perguntou ele finalmente Maria Clara olhou para ele Tentando segurar as lágrimas eu só não quero ser um problema parece que tudo ficou mais complicado desde que eu cheguei Carlos franziu a testa e Balançou a cabeça você não é um problema Maria Clara é minha filha e eu sei que não é fácil mas vamos resolver isso juntos eu prometo Maria Clara queria Acreditar nele mas as palavras de Regina ainda ecoavam em sua mente mesmo assim ela sentiu guardando o
terço no bolso conforme os dias passavam pequenos Momentos começaram a aproximá-los uma noite Carlos sugeriu que assistissem a um filme juntos ele escolheu uma comédia antiga que costumava assistir quando era jovem e pela primeira vez Maria Clara riu ao lado dele tá vendo não sou tão chato assim brincou Carlos enquanto ela ria de uma cena boba não é tão ruim respondeu Maria CL com um sorriso tímido esses momentos se tornaram mais frequentes Carlos A levava para passear No parque ensinava coisas sobre o trabalho e até começou a mostrar como cozinhar pratos simples aos poucos Maria
Clara começou a se sentir mais à vontade como se aquele lugar pudesse realmente ser um lar Mas nem tudo era perfeito um dia Maria Clara viu uma foto de Ana em uma gaveta do escritório de Carlos era uma foto antiga parecida com a que ela tinha mas emoldurada você ainda pensa nela perguntou Maria Clara pegando a foto Carlos suspirou sentando-se na cadeira Penso sim ela foi muito importante para mim e mesmo depois de tanto tempo Acho que uma parte de mim nunca vai esquecer Maria Clara olhou para ele sentindo uma conexão diferente ela era a
melhor mãe do mundo e falava de você como se você fosse incrível Carlos riu mas havia um brilho de tristeza nos olhos dele eu cometi muitos erros Maria Clara não fui o homem que ela merecia e acho que é uma Parte de mim tem medo de não ser o pai que você merece Maria Clara ficou em silêncio por um momento depois colocou a foto de volta na gaveta e fechou a você tá tentando e isso já é mais do que eu podia pedir Carlos sorriu emocionado e bagunçou Os cabelos dela obrigado filha foi a primeira
vez que ele a chamou assim e Maria Clara sentiu algo aquecer seu peito era estranho mas ao mesmo tempo bom a relação entre eles ainda estava Sendo construída com altos e baixos mas Carlos estava determinado a fazer aquilo dar certo ele sabia que não podia mudar o passado mas queria garantir que o futuro de Maria Clara fosse diferente melhor e mesmo sem dizer em voz alta Maria Clara estava começando a acreditar que talvez ela realmente tivesse encontrado um pai a tensão na mansão crescia a cada dia e o ar parecia ficar mais pesado sempre que
Regina e Maria Clara estavam na mesma sala mesmo depois Que o teste de DNA confirmou que Carlos era o pai de Maria Clara Regina não conseguia aceitar para ela a presença da menina era como uma rachadura na vida que ela tinha tentado construir com tanto esforço e Maria Clara sentia isso em cada olhar frio em cada palavra cortante que Regina deixava escapar uma manhã enquanto Maria Clara tomava café na cozinha Regina entrou de repente ela estava impecavelmente arrumada com o cabelo preso em um coque e usando um Vestido de lã pegou uma xícara no armário
Mas sua presença já parecia dominar o ambiente vejo que você está bem confortável aqui disse Regina sem nem olhar diretamente para Maria Clara Maria Clara que estava passando manteiga em uma fatia de pão congelou por um momento ela sabia que aquilo não era um elogio o Carlos pediu para eu ficar aqui até a gente resolver tudo respondeu Maria Clara baixinho tentando evitar mais atrito Regina riu mas foi uma Risada seca sem humor resolver tudo e o que exatamente isso significa você é acha que vai ficar aqui para sempre tomando o café da manhã como se
fosse parte da família Maria Clara sentiu o rosto esquentar e as mãos começaram a tremer tentou manter a calma mas era difícil eu não quero causar problemas só estou tentando encontrar meu lugar seu lugar não é aqui essa é a minha casa minha vida e você está virando tudo de cabeça para baixo Regina Colocou a xícara sobre a bancada com força fazendo um barulho seco Maria Clara ficou em silêncio por alguns segundos ela queria gritar queria defender a si mesma Mas sabia que Regina não estava disposta a ouvir mesmo assim não conseguiu segurar as palavras
eu não pedi para isso acontecer eu só quero conhecer meu pai é pedir demais Regina finalmente olhou para Maria Clara os olhos cheios de frustração e algo mais profundo algo que parecia dor você não Entende tudo que eu e o Carlos construímos agora você aparece do nada e bagunça tudo você acha que é só sobre você não é não tô tentando bagunçar nada eu só queria Maria Clara parou sentindo as lágrimas começarem a se formar eu só queria não me sentir sozinha as palavras ficaram suspensas no ar por um momento Regina parecia impactada mas logo
Voltou ao Tom frio de antes bom talvez você devesse ter pensado nisso antes de entrar na nossa vida assim e saiu da Cozinha deixando Maria Clara sozinha mais tarde naquele mesmo dia Carlos percebeu que algo estava errado encontrou Maria Clara no Jardim sentada no banco de Pedra com os olhos vermelhos ele se aproximou e sentou-se ao lado dela o que aconteceu perguntou preocupado Maria Clara hesitou antes de responder eu acho que a Regina me odeia Carlos suspirou passando a mão pelos cabelos Ela não odeia você ela só ele Parou tentando encontrar as palavras certas ela
tá tentando lidar com tudo isso assim como eu mas o jeito dela é diferente Maria Clara olhou para ele as lágrimas escorrendo silenciosamente pelo rosto ela faz eu me sentir como se eu não devesse estar aqui como se eu fosse um erro Carlos sentiu o coração apertar ele sabia que Regina estava sendo dura mas ouvir aquilo de Maria Clara fez com que algo dentro dele despertasse você não é um erro você é Minha filha e eu quero que você saiba que tem todo o direito de estar aqui ele colocou a mão no ombro dela eu
vou falar com a Regina isso precisa mudar naquela noite Carlos decidiu enfrentar Regina eles estavam no quarto e ele a encontrou sentada na poltrona lendo um livro quando ele entrou ela levantou os olhos já percebendo que ele queria falar algo sério precisamos conversar sobre Maria Clara começou ele direto Regina fechou o livro e suspirou Se é sobre eu tentar ser mais Gentil Já te digo que não vou fingir que está tudo bem Carlos franziu a testa sentindo a frustração crescer Regina ela é só uma menina ela perdeu a mãe passou por coisas que nenhum de
nós consegue imaginar E agora só quero um lugar onde possa se sentir segura e você está dificultando isso Regina levantou-se cruzando os braços e eu você acha que eu não estou passando por nada isso é fácil para você porque é o seu Sangue mas para mim É como se eu estivesse perdendo tudo que a gente construiu Carlos Balançou a cabeça você não está perdendo nada Regina Maria Clara não está aqui para tirar seu lugar mas se você continuar assim vai acabar criando um abismo entre a gente Regina ficou em silêncio por um momento ela sabia
que Carlos tinha razão mas admitir isso era mais difícil do que ela Aria eu não sei se consigo Carlos eu não sei se consigo aceitar tudo isso aceitar ela Carlos se aproximou pegando as mãos dela eu não estou pedindo para você amar a Maria Clara de um dia pro outro só estou pedindo que você Tente por mim por ela Regina desviou o olhar mas assentiu lentamente era um começo mesmo que pequeno nos dias seguintes Regina tentou de forma hesitante se aproximar de Maria Clara ainda havia Momentos de tensão mas de vez em quando surgiam pequenas
faíscas de entendimento entre as duas o caminho para a paz não seria fácil mas Pela primeira vez havia uma chance de que algo novo pudesse nascer entre elas a mudança começou de forma Sutil quase despercebida Regina ainda mantinha seu jeito distante falando pouco com Maria Clara e evitando o máximo de interação possível mas havia algo diferente em seus olhos como se ela estivesse começando a observar a menina de uma forma que nunca tinha feito antes não era mais apenas como uma Intrusa mas como alguém que talvez também estivesse Tentando encontrar seu lugar certa tarde Regina
estava no Jardim regando as flores cuidadosamente o Jardim era seu refúgio um lugar onde ela sentia que podia organizar os pensamentos e pelo menos por um tempo esquecer as tensões dentro da casa Maria Clara apareceu segurando uma pilha de livros que pegara na biblioteca ela parou ao ver Regina hesitando antes de dizer qualquer coisa você gosta de flores perguntou Maria Clara a voz baixa mas curiosa Regina levantou os olhos surpresa pela pergunta pensou em ignorar mas algo a fez responder gosto sempre GO cuidar delas me ajuda a pensar Maria Clara sorriu de leve o tipo
de sorriso tímido de quem não sabe ao certo se está sendo bem-vinda minha mãe também gostava ela dizia que flores eram como pessoas algumas são mais difíceis de cuidar mas todas podem crescer se a Gente tiver paciência Regina olhou para Maria Clara e por um momento não soube o que dizer voltou a regar as plantas Mas aquelas palavras ficaram na sua mente por um tempo nos dias que seguiram Regina começou a reparar em detalhes que antes ignorava ela viu Maria Clara ajudando na cozinha mesmo quando ninguém pedia observou como a menina dobrava cuidadosamente suas roupas
ou passava horas organizando os livros da biblioteca não era uma atitude de alguém Que queria invadir um espaço mas de alguém que queria pertencer a ele uma noite enquanto Carlos estava fora em uma reunião Regina encontrou Maria Clara na sala sentada no sofá com o terço azul na mão a menina parecia concentrada os olhos fixos no objeto Por que você sempre carrega isso perguntou Regina sentando-se no sofá oposto Maria Clara olhou para ela surpresa pela pergunta pensou por um momento antes de responder minha mãe me deu antes de Morrer ela disse que ia me proteger
e que eu nunca deveria esquecer que sou mais forte do que penso Regina ficou em silêncio observando Maria Clara havia algo na voz dela que fez Regina sentir um aperto no peito era um tipo de dor que ela conhecia bem a dor de perder algo que se ama deve ser importante para você disse Regina num tom mais suave do que o normal é é a única coisa que me lembra dela além da foto Regina sentiu ainda Processando o que estava Pela primeira vez percebeu que Maria Clara não era apenas uma menina que tinha aparecido para
bagunçar sua vida era alguém que já tinha enfrentado mais sofrimento do que uma criança deveria enfrentar a transformação de Regina começou a se tornar mais visível quando ela decidiu convidar Maria Clara para ajudá-la no Jardim Foi algo simples mas significativo quer me ajudar a plantar Essas flores perguntou Regina segurando uma pequena na pá Maria Clara regalou os Olhos surpresa pelo convite sério Claro quero sim enquanto cavavam a terra e colocavam as mudas no chão Regina começou a falar mais sobre si mesma contou como sempre quis ter filhos mas nunca conseguiu falou sobre as tentativas frustradas
de adoção e como aquilo a fez se sentir insuficiente não é que eu não goste de você Maria Clara é que tudo isso é difícil para mim eu demorei muito tempo para aceitar que não podia ser mãe e Quando finalmente aceitei você apareceu foi como abrir uma ferida que eu achava que tinha fechado Maria Clara ficou em silêncio absorvendo aquelas palavras depois de um tempo respondeu eu não quero te machucar só queria não me sentir sozinha Regina parou por um momento olhando para mim ela enxergou algo ali que nunca tinha permitido a si mesma ver
antes uma criança que não queria tomar nada dela Mas que só precisava de um lugar para ser aceita as mudanças continuaram em pequenos gestos Regina começou a preparar o prato favorito de Maria Clara sem que ela pedisse passou a conversar com ela durante o jantar perguntando sobre os livros que estava lendo ou os passeios que fazia com Carlos um dia até levou Maria Clara para para comprar roupas novas algo que ela mesma sugeriu você não pode andar por aí com essas roupas velhas disse Regina com um Sorriso tímido vamos dar um jeito nisso Maria Clara
aceitou a oferta com gratidão mas o que realmente marcou foi o jeito como Regina parecia mais aberta menos rígida não era só o ato de comprar roupas era mensagem por trás disso Regina estava tentando o momento mais marcante desceu em uma noite tranquila quando Maria Clara teve um pesadelo ela acordou chorando assustada e Regina foi a primeira a entrar no quarto sem dizer nada sentou-se ao lado da cama e segurou A mão da menina até ela se acalmar você está segura aqui disse Regina num tom que Maria Clara nunca tinha ouvido antes naquele instante Maria
Clara percebeu que algo realmente tinha mudado Regina não era mais apenas a mulher fria que havia como um problema ela estava começando a se tornar alguém em quem Maria Clara podia confiar e Regina pela primeira vez em muito tempo Começou a sentir que poderia ser uma mãe não do jeito que sempre imaginou mas talvez de Um jeito ainda mais especial era uma tarde tranquila e o sol entrava pelas grandes janelas da sala de estar iluminando cada canto Maria Clara estava sentada no sofá com Regina ao lado enquanto Carlos Lia alguns papéis no escritório já fazia
alguns meses que a vida de todos tinha mudado mas agora a casa começava a parecer um lar de verdade Maria Clara olhava para uma foto que tinha tirado recentemente ela Carlos e Regina juntos no Jardim era estranho Mas pela primeira vez parecia natural ela tinha encontrado uma família algo que pensava ser impossível mas mesmo com essa nova felicidade havia uma pontada de preocupação em seu coração ela pensava em Joana e Pedro desde que tinha saído das ruas não parava de se perguntar como eles estavam se estavam bem se ainda tinham com quem contar Naquela tarde
ela não conseguiu segurar mais e decidiu falar Carlos eu preciso conversar com você sobre uma coisa Carlos olhou para ela percebendo a seriedade em seu Tom e se aproximou sentando ao lado Regina curiosa ficou em silêncio esperando é sobre os meus amigos Joana e Pedro eles eram como minha família antes de eu vir para cá eles me ajudaram quando eu não tinha mais ninguém e agora agora eu fico pensando se eles estão bem disse Maria Clara com a voz embargada Carlos olhou para Regina e os dois pareciam entender que aquilo era importante para Maria Clara
você sabe onde eles estão perguntou Carlos com um tom preocupado eu acho que ainda estão por aí nas Ruas Dona Laí me disse que eles fic perto do abrio é difíc saber Carlos suspirou pensando no que fazer Regina que costuma mais relutante col a mão nobro de Maria Clara Eles foram importantes para você A gente devia tentar encontrá-los disse ela surpreendendo até a si mesma no dia seguinte Carlos Usou todos os contatos Que tinha para procurar Joana e Pedro ligou para Dona Laí visitou o abrigo comunitário e até pediu ajuda a alguns conhecidos na assistência
social foram dias de busca Mas finalmente conseguiram uma pista Joana e Pedro estavam no mesmo lugar Maria Clara os tinha deixado quando chegaram lá Maria Clara doé eles Joana sgu de uma loja fechada enquanto Pedro mexia em uma mochila rasgada Quando viram Maria Clara seus rostos se iluminaram Maria Clara gritou Joana Correndo para abraçá-la você sumiu princesinha brincou Pedro mas havia um alívio Genuíno na voz dele Maria Clara explicou tudo o que tinha acontecido sobre o teste de DNA sobre a mansão sobre Carlos e Regina eles ouviram com atenção surpreso e felizes por ela mas
ainda assim com um certo ceticismo e o que você veio fazer aqui perguntou Pedro eu vim buscar vocês Pedro riu achando que era uma brincadeira mas o olhar sério de Maria Clara fez parar espera Você tá falando sério perguntou Joana com os olhos arregalados Maria Clara sentiu meu pai quer falar com vocês quando Joana e Pedro Entraram na mansão estavam visivelmente desconfortáveis olhavam para os móveis caros e a decoração Impecável como se fossem de outro planeta Carlos no entanto os recebeu com um sorriso caloroso Regina embora ainda parecesse um pouco nervosa também fez questão de
ser educada Carlos Conversou com eles por horas ouvindo suas histórias entendendo suas dificuldades ele viu nos dois Algo que o tocou profundamente a mesma resiliência que tinha visto em Maria Clara depois de um tempo ele se virou para Regina Como se pedisse aprovação ela respirou fundo pensando em tudo que tinham passado mas ao olhar para os rostos de Joana e Pedro algo mudou dentro dela Eles não eram apenas crianças sem rumo eram amigos Leais de Maria Clara que tinham feito o Possível para protegê-la acho que já sabemos o que precisamos fazer disse Regina finalmente com
um sorriso poucas semanas depois tudo estava oficializado Carlos e Regina adotaram Joana e Pedro trazendo-os para mansão Foi uma mudança enorme para todos mas pouco a pouco a casa se encheu de Risadas brincadeiras e até algumas discussões bobas naquela noite de natal a casa estava mais cheia do que nunca Maria Clara Joana e Pedro ajudaram a Decorar a árvore enquanto Regina preparava ceia Carlos olhava para tudo aquilo sentindo-se grato por ter escolhido dar uma chance à Vida que nunca imaginou ter agora sim somos uma família disse Maria Clara abraçando Joana e Pedro e pela primeira
vez Carlos e Regina sentiram que aquele Natal era realmente especial a casa não estava mais vazia e seus corações também não ah [Música]