Sejam todos muito bem-vindos de volta às nossas aulas aqui do Centro de Pós-Graduação Under Jumper. Nós estamos nesse módulo sobre o a ascensão e o triunfo do self moderno, o livro do C Truman. Nessa aula de hoje, eu vou começar o primeiro capítulo a explorar o que o Truman trabalha no primeiro capítulo.
Ah, eu dei o título para essa aula de reimaginando self e a gente vai começar a tratar um dos autores que ele lida profundamente no capítulo 1 e dois, que é o Charles Taylor, o sociólogo canadense católico Charles Taylor, que é um grande intérprete da modernidade. a gente precisa conhecer sua obra e a o livro do Cuman é uma boa porta de entrada para isso. Tá aí a gente vai continuar seguindo a o livro do Cherman e eu gostaria de colocar o problema que dá de novo, a pergunta que dá origem a necessidade de usar o Charles Taylor.
Ninguém se escolhe um intérprete, ah, porque ele vai mais ah com a cara dele do que outro. Não, assim, tem que ter uma pergunta, tem algo que faz com que eh eu queira usar esse autor. E a pergunta que ele busca responder é como é que a concepção de self que tá pressuposta naquela naquela frase, eu sou uma mulher presa num corpo de um homem, como é que ela ela se tornou intuitivamente plausível pro cidadão comum, mesmo sem informação teórica ou ideológica?
Porque uma coisa foi o que a gente disse na aula passada, essa afirmação outrora não era plausível e hoje ela é. Beleza? Agora, como como ela se tornou plausível?
E principalmente como que ela se tornou plausível e possível para um indivíduo que simplesmente não fez faculdade de ciências humanas, não cursou filosofia, história e sociologia, não teve assim formação ideológica, não frequentou assim um sindicato do partido progressista, não. Eh, os nossos as nossas crianças, os nossos filhos, os alunos das nossas escolas cristãs, os membros das nossas igrejas, eles assimilam. Eh, está, isso é plausível para eles.
Como se eles nunca leram Judith Butler, Michel Foucault, Jax Derrid. A questão central é uma mutação profunda no imaginário moral da cultura ocidental. A mudança de uma visão mimética baseada no mundo com ordens e finalidades dadas pelo criador para uma visão poética centrada na autoccriação e na manipulação subjetiva da realidade.
E é claro, eu vou explicar cada um desses conceitos. Esses conceitos são retirados da obra do Charles Taylor e é por isso que ele ah eh se tornou esse nosso primeiro intérprete. Então, o objetivo da primeira sessão do primeiro capítulo, é estabelecer as primeiras categorias analíticas fundamentais para interpretar a emergência do self moderno psicologizado e sexualizado.
Então, pra gente começar a interpretar isso corretamente, uma vez que, como a gente viu na aula anterior, as categorias do passado não nos ajudam, então quais são as categorias? O Truma então vai introduzir as noções de imaginário social e a distinção de mimeses e poieses, especialmente a partir da obra do Charles Taylor, a fim de demonstrar que essas ideias elitizadas se infiltraram na cultura popular e reconfiguraram os critérios intuitivos de plausibilidade moral, articulando como o ocidente deixou de conceber a realidade como algo a ser reconhecido e passou a imaginá-la como algo a ser moldado. Isso é, isso é assim to, toda a noção de criatividade que as pessoas têm, toda a noção de artista, ah, um artista cristão, ah, eu faço design, eu faço arte, eu faço música, tem uma uma noção de vocação.
Os criativos vocacionais, eles têm uma noção de criatividade que é poética, não é mimética. E a vida toda os cristãos foram miméticos e não poéticos. E então a gente vai explorar como é que se deu essa transformação.
Fiz um esboço do do argumento do C Truman para vocês irem seguindo. Lembrem, se vocês não estiverem usando a mesma eh edição que eu estou usando, uma nova edição do livro, então a edição em inglês, é só pensar aí duas, três páginas paraa frente, duas, três páginas para trás. No começo do capítulo, ele vai falar como que a sexualidade ela é a expressão do self moderno.
Então ela deixou apenas de ser um comportamento e tornou-se um critério de autenticidade pessoal. E é preciso identificar então os pressupostos que tornaram isso possível. Então ele começa recolocando o argumento dele, mostrando agora como é que como é que isso se deu.
Primeiro, o papel das ideias do Charles Taylor para o conceito de imaginário social. É o primeiro conceito que ele estabelece. Imaginário social molda práticas e percepções morais coletivas sem recorrer a teorias conscientes.
Isso aqui é o mais importante. O os habitantes do mundo contemporâneo, eles têm o seu imaginário social construído, moldado, sem que eles tenham lido nenhum livro da de qualquer teórico da teoria crítica, ah, dos estudos em sexualidade, gênero, não precisa. a fase identitária transgêner adotada, ela ela é adotada por causa de uma plausibilidade intuitiva e não de um sistema racional.
As pessoas não convenceram as outras por causa disso. E por quê? Por causa da formação cultural do imaginário entre elite e o povo, as elites intelectuais, as elites artísticas e o povo.
Então, as ideias das elites aí, as ideias do Marx, do Niets, do Freud, elas vão se disseminando através da mídia, da arte, da tecnologia. Então elas vão se tornando material da cultura popular. E sem os membros dessa cultura popular nunca terem lido os intelectuais elitizados, eles já assimilam o imaginário cultural.
É assim que o Charles Taylor, um sociólogo, ele explica como que eh essas ideias avançadas elas se tornam plausíveis entre os membros mais piedosos das nossas igrejas. A revolução sexual, ela tornou possível após o comportamento ser praticado, facilitado tecnologicamente e aí então legitimado socialmente. Essa ordem é muito importante, praticado, facilitado tecnologicamente e depois legitimado socialmente.
Ele continua a argumentação aí introduzindo um nova novo par de conceitos que é o conceito de mimeses e poies. São duas palavras gregas ah para imitação e para criação, a gente poderia dizer. mimeses, eh, a sair de uma noção de mundo, de paradigma de mundo mimético, é o mundo no seu sentido intrínseco, ao qual o ser o ser humano deve se conformar.
Então, ter um Deus legislador que ordenou todas as coisas, fez o homem para uma coisa, fez a mulher para outra, fez o casamento para uma coisa, fez a sexualidade para outra. Isso é uma concepção mimética da realidade. Eu eu faço uma mimés, eu imito, eu me conformo a essa estrutura dada.
A a poeses, a concepção de mundo poiética, ela vê o mundo como matéria plástica que o indivíduo molda conforme a sua vontade. CS Lewis, ele tem um um livro belíssimo, é uma pena que tá sem edição em português há muito tempo, que chama A Imagem descartada. O Lewis era professor de literatura medieval na Universidade de Cambridge e de Oxford.
A gente pensa que ele só ficava escrevendo corno de Canginar, né, os quatro amores, mas ele tem livros bem técnicos. E nesse livro, A Imagem Descartada, ele fala como que houve uma transformação do artista medieval pro artista moderno. O artista medieval, ele era mimético, ele nem assinava suas obras, ele não se encarava como um criativo.
A a obra de arte era uma maneira dele se conformar com a ordem do criador. O artista contemporâneo, ele é poético no sentido de que é a especificidade do self dele, da identidade. Ele é o criativo, é ele que dá forma ao mundo, a um momento do mundo.
Essa é uma transformação que cooperou pra gente chegar onde a gente chegou. A transformação tecnológica dá suporte à visão poética. Por quê?
Porque a tecnologia torna tudo disponível para nós. Há um outro filósofo alemão chamado Martin Heidegger. O Heidger tem um ensaio chamado que é a técnica, aonde ele vai dizer que a essência da técnica, a essência de viver numa era técnica, tecnológica, tal como nós vivemos, é ter tudo à sua disposição.
Ele trabalha o termo alemão gestel, que é é disposição. Tudo tá à nossa disposição. Eu quero me locomover.
Eu eu eu prescindo, saber dirigir, chegar no lugar. Eu abro um aplicativo, clico onde eu estou, clico onde eu vou chegar e eu simplesmente vou até lá. Eu quero comer determinada coisa, eu clico no que eu quero comer e ela chega na minha casa.
A tecnologia alimenta a visão de que tudo está à minha disposição para eu moldar o mundo ao invés de me moldar. Ele vai dando vários exemplos na agricultura, no transporte, na medicina, na comunicação, como é que elas vão transformando a nossa relação com o tempo, com o espaço e com o nosso próprio corpo. E a plausibilidade da autoccriação vai alimentando o imaginário moderno.
O colapso com o transcendente no imanente torna possível a identidade como um processo de autoinvenção. Eu eu não fico só intervindo no mundo, eu passo a intervir em mim mesmo. Eu faço o que o Foucault chamava de uma estética de si.
Eu faço uma hermenêutica do sujeito. Eu vou começar então a não só a pensar que nem eu nem a realidade se conforma aos planos originais de Deus, mas eu posso moldá-la. Eu posso como um artista dar forma a ela ao ponto de achar que até o meu corpo onde eu nasci tá errado, porque na verdade eu sou uma mulher num corpo de um homem.
O self moderno ele é poético, ele se cria, ele não se descobre. A pessoa não se descobriu eh eh homoafetivo, tendo atração pro outro. Ele não se descobriu com a mulher, ele está se criando.
É uma noção arraigada. Eu fiz uma tabelinha para vocês, para vocês entender. Depois vocês podem consultar com mais calma, mas só para vocês entenderem, na esquerda eu coloquei as categorias, né?
natureza da realidade, relação com Deus, teleologia, ou seja, finalidade do ser humano, autoridade moral e como que cada uma dessas categorias foi profundamente modificada, saindo de uma visão mimética para uma visão poética. Por exemplo, natureza da realidade para a era mimética é uma ordem dada, criada por Deus, com estruturas e significados objetivos, próprios e inalterados. Na poética é uma matéria bruta que tá disponível para minha manipulação subjetiva.
A minha relação com o mundo antes era de conformação, agora de criação. A minha teleologia era uma finalidade externa e transcendente. Deus dava para mim, por exemplo, qual que era a finalidade?
A finalidade de todo homem é glorificar a Deus e desfrutar dele eternamente. E passa a ser uma fidelidade autodefinida. Eu invento o meu próprio propósito, eu corro atrás da minha própria vocação.
E aí vai mudando tudo e dando base a o self contemporâneo. Essa mudança é fundamental. Primeiro, há essa mudança sai do mimético para o poético e em segundo lugar isso é difundido no imaginário cultural.
Então, são esses três conceitos que o Charles Taylor trabalha e que o Cman pega dele. Peguei uma citação lá na página 39, eh, aonde ele descreve, é muito interessante que ele descreve aí como é que esse processo ocorreu de uma forma bem simples de discernir. Primeiro, houve um comportamento promisco.
Isso tem desde os tempos do apóstolo Paulo, desde os tempos dos filhos de Noé. Depois houve uma tecnologia que facilitava esse comportamento promisco na forma de anticoncepcionais, antibióticos, aplicativos de encontro, sites de pornografia. E aí, como a tecnologia permitiu que os sexualmente promiscos evitassem as consequências naturais, por exemplo, gravidez indesejada, doenças, estigmas, aquelas razões que justificavam o comportamento tornam-se mais plausíveis.
Não, eu faço isso, mas eu eu não eu não tô gerando um monte de filho, eu faço isso, mas aqui é aqui dentro da minha casa é uso recreativo de pornografia. Eu não eu não afeto ninguém. E aí, finalmente o comportamento se torna aceitável.
Então, deve, portanto, não apenas levar em consideração as ideias das elites culturais, mas também observar as instituições da sociedade que foram formadas e que vão dando lugar a isso. As ideias em si são apenas parte da história. Não adianta a gente só ficar lendo Foucault, lendo Marx, lendo Freud, lendo Charles Taylor, Philip Reef.
A gente também tem que entender as práticas e as transformações tecnológicas. Por quê? Porque isso transformou cada crente também dentro das igrejas.
A maneira como a gente lida com o nosso corpo, como a gente lida com o nosso tempo, a maneira como a gente lida com a nossa igreja, a gente tem que estar consciente desses processos e dessas dinâmicas. Eu quero que vocês saiam daqui a sabendo de na ponta da língua pelo menos quatro conceitos fundamentais desse trecho do primeiro capítulo. Primeiro é imaginário social, que é o entendimento comum que torna possíveis práticas comuns em um senso amplamente compartilhado de legitimidade, levando em conta imagens, histórias, lendas, práticas, ritos.
Outro conceito é o de mimeses. Uma visão mimética considera o mundo como tendo uma ordem e um significado dados. O ser humano deve se conformar essa ordem.
Por exemplo, a visão reformada. das Escrituras, de criação das Escrituras, ela é mimética. A poieses enxerga o mundo como uma matéria-pra a partir do qual o significado do propósito podem ser criados pelo indivíduo.
Ou seja, a visão naturalista da realidade, ela é poética. E o conceito de autoccriação, o self moderno é plausível apenas com o mundo poético, só no mundo assim que dá lugar a um selfie tal como a gente conhece, no qual os propósitos dados colapsam mais do que os propósitos decididos de criar ou escolher para mim. E agora eu queria eh terminar com vocês ah fazendo algumas aplicações bem práticas de tudo isso que a gente ouviu e que nos toca assim intimamente.
Primeiro lugar, uma avaliação crítica das estratégias que a gente tem ministeriais que reforçam o imaginário poético ao invés de enfrentá-lo. Pastores, líderes de igreja, eles devem discernir o quanto eles usam linguagens e métodos que reforçam essa lógica da autocriação. culto como experiência individual, discipulado como autorrealização, vocação como a minha autoexpressão no mundo.
O evangelho não é um projeto de autenticidade subjetiva. Então a gente tem que tomar muito cuidado com esse tipo de linguagem, porque nós somos frutos desse tempo também. discipulado como formação contracultural do imaginário.
A igreja precisa formar os seus membros, não apenas na doutrina, é óbvio isso, mas com práticas, histórias, afetos e imaginário e de uma visão mimética da realidade, ordenada por um telos enraizado na autoridade, na criação e das escrituras. Então, a gente não tem só que falar o que que tá errado. A gente tem que mostrar para eles, mostrar casamentos, criação de filhos, maneiras de lidar com o dinheiro, com a tecnologia que se conforma na ordem dada.
ao invés de ser expressões de uma realização e de um projeto autocentrado e principalmente pregação com sensibilidade epistemológica. A pregação reformada precisa ser sensível ao fato de que o ouvinte moderno das nossas igrejas, todos eles, não rejeita a verdade bíblica por argumentos racionais. Não é assim aqueles debates antigos com eh teólogos e filósofos ateus, não.
Eh eh mais porque ele ele tem a impressão de que não faz sentido para mim, no qual ele tá operando dentro de um imaginário social. O pastor então deve confrontar apenas crenças, mas também intuições, sensações, sentimentos, percepções. E como é que ele faz isso?
empurrando a realidade com outra pessoa, mostrando que não faz sentido, mostrando que é um é é ilegítimo, não é autêntico isso. Então, essas categorias ajudam a gente a lidar e redefinir melhor a nossa nosso serviço a Deus, nos conformando com sua vontade no tempo em que ele nos colocou. M.