A identificação com o corpo e a personalidade, criam a escravidão; ao se colocar como observador de ambos, tudo se resolve e existe a liberdade. De certa maneira o corpo é como um instrumento musical que deve ser afinado. Isto é, a mente deve chegar a um estado de silêncio, completamente vazia.
Vazia de medo, desejo e de todas as imagens. Isto não pode ser produzido pela supressão, mas pela observação de todo sentimento e pensamento sem qualificação, condenação, julgamento, ou comparação. Seja consciente dos processos de seu corpo e de sua mente, e você começará a compreender a si mesmo.
Não há diferença entre esta compreensão e a compreensão da totalidade do universo. Observe e Não Faça Nada. Jean Klein.
Na escuta total, a atenção sem memória, não há conflito, não há nada para aceitar ou rejeitar. Há apenas visão. Na escuta silenciosa, o que é dito, o que é ouvido e o que surge como resposta e reação, está dentro de seu próprio Eu.
Esta percepção da totalidade é a atenção real e não há nela nem problemas nem condicionamentos. Há simplesmente liberdade. Sua percepção se abre completamente para a Realidade em sua plenitude.
Primeiro, devemos ver que não podemos querer ser abertos porque a abertura é a nossa própria natureza. Qualquer pequeno resíduo de vontade, de querer estar aberto, nos afasta do que somos. Portanto, a única maneira de se livrar desse círculo é vislumbrar a verdade de que a abertura é o estado sem ego, que é aqui e agora.
Portanto, não force sua mente. Apenas observe seus vários movimentos como você olharia o voo dos pássaros. Neste olhar despreocupado, todas as suas experiências emergem e se esclarecem.
Pois a visão desmotivada não apenas gera tremenda energia, mas libera toda tensão, todas as várias camadas de inibições. Você vê a totalidade de si mesmo. Observe e não faça nada.
Se a atenção desmotivada está funcionando, o censor deve desaparecer. Deve existir apenas uma observação serena sobre o que a mente elabora. Ao descobrir os fatos como eles são, a agitação é eliminada, e o movimento dos pensamentos se torna lento; podemos observar cada pensamento, e à medida que surge, podemos observar sua causa e seu conteúdo.
Na atenção silenciosa, a mente está completamente vazia e o que é ouvido penetra profundamente. Nós nos tornamos conscientes de todo pensamento em sua integridade e, nesta totalidade, não pode existir conflito. Então, apenas a atenção permanece, apenas o silêncio no qual não há nem observador nem observado.
Quando a mente vê suas limitações, as limitações do intelecto, surge instantaneamente um entendimento de humildade, uma inocência que não é uma questão de cultura, acumulação ou aprendizado. Você vê o desamparo, vê que nada funciona, e nesse momento, você chega ao ponto da rendição, uma parada, onde você está em comunhão com o silêncio, a verdade derradeira. E é esta Realidade que transforma sua mente, não o esforço ou a decisão.
Ao reconhecer suas limitações, você pode pensar: “Creio conhecer algo de mim mesmo, tenho certa consciência de minha força e debilidade psicológica, e também sinto uma falta de satisfação perfeita. Mas e agora? Há algo que eu possa fazer?
” Se você observar, verá que está sendo violento com sua percepção. Você interfere constantemente ao tentar controlá-la e dirigi-la. O controlador faz parte do que é controlado; ambos são objetos, e um objeto não pode conhecer outro.
Portanto, você deve progressivamente permitir que a percepção se expanda, dando-lhe a liberdade completa. Se você permitir que a percepção se expanda, cedo ou tarde ela o trará de volta para você mesmo. Deixe-a ir para que se revele a si mesma e o dinamismo para produzir desaparecerá.
Testemunhe suas atividades ininterruptamente, a vigilância limpa da mente e mais cedo ou mais tarde o colocará além dela. Fique conscientemente em silêncio sempre que puder e você não será mais uma presa do desejo de ser isto ou aquilo. Você descobrirá nos eventos cotidianos da vida o significado profundo por trás da realização do todo, pois o ego está totalmente ausente.
Quando os momentos atemporais o solicitarem, aceite o convite. Vá fundo neles, até que você se encontre em sua ausência. A Liberação é viver livre na beleza de sua própria ausência.
Você vê, em um instante, que não há nada visto, nem a ser visto. Então, você vive isso. É estar livre de si mesmo, livre da imagem que você pensa que é.
Esta é a liberação. É uma verdadeira explosão ver que você não é nada, e então, viver em perfeita harmonia com esse nada. Uma vez que você tenha, em totalidade, visto a verdade de alguma coisa, não há mais como escapar.
Você vive com ela. Com este entendimento completo, a mente não pode evitar a mudança e a transformação que ocorrem. Observar tudo com plena atenção torna-se um modo de vida, um retorno a seu ser meditativo original e natural.
Você está funcionando e o “eu” está ausente. No momento em que o pensamento do “eu” aparece, você se torna autoconsciente e é dominado pelo conflito. Na ausência deste pensamento, não há nem quem fale nem quem escute, nenhum sujeito controlando um objeto.
Somente então há harmonia completa e adequação a cada circunstância.