[Música] Olá, pessoal! Tudo bem? Estamos aqui no nosso programa Filosofia e Cultura, e hoje eu gostaria de falar sobre um autor que geralmente quase ninguém trata, mas que é extremamente importante na história da cultura ocidental e da filosofia.
Eu estou falando de Marco Túlio Cícero. A grande questão do pensamento ciceroniano teve uma relevância e uma influência muito grande na cultura ocidental e, evidentemente, dentro desse contexto romano, muitas vezes a filosofia romana é deixada meio de lado nos estudos filosóficos. Hoje, no nosso programa, eu gostaria de falar um pouquinho sobre a vida de Cícero, a sua importância e alguns elementos do seu pensamento.
Mas, antes de entrar na vida e na obra desse autor, eu gostaria de te pedir, mais uma vez: se inscreva no canal se você ainda não se inscreveu, compartilhe o vídeo e depois deixe aí o seu comentário, a sua sugestão, para que juntos nós possamos cada vez mais divulgar elementos da cultura filosófica e outros pontos da cultura em geral. Então, Cícero é um autor, repito, que está dentro do contexto romano, mas é um grande expoente da filosofia romana. Ele nasceu no ano 106 em Arpino e morreu no ano 43 a.
C. , assassinado pelos soldados de Antônio. Ele foi um grande político, orador, defensor público, filósofo, etc.
A grande questão é que, por um lado, evidentemente, uma parte da sua educação foi na sua própria cidade, em Arpino, e depois ele foi para Roma; portanto, desde jovem, ele teve a possibilidade de se aproximar da filosofia. Com o tempo, também foi sendo levado à vida pública e, portanto, a questão de uma participação política. Ele via a importância e a necessidade de se desenvolver uma literatura filosófica em Roma, sendo um dos primeiros a fazer filosofia em latim.
Por isso, é muito comum você pegar livros de história da filosofia que tenham como subtítulo “Cícero: a filosofia que fala latim”, porque ele realmente teve a oportunidade de estudar com estoicos, com epicuristas e outras vertentes filosóficas, além de políticos, etc. Portanto, é inegável que ele foi um homem que teve, repito, essa oportunidade de estudar em Roma com tendências filosóficas diferentes, sendo uma pessoa profundamente que não só dominava toda essa questão do latim, mas também do grego. Assim, Cícero já mostra a sua relevância e importância.
Quando dizemos “a filosofia falando latim”, é porque muitos elementos do pensamento grego e até textos gregos, termos gregos, foram traduzidos para o latim, muitas vezes num primeiro momento, pelas mãos de Cícero, pelo seu trabalho. Então, essa passagem do grego para o latim, de uma filosofia profundamente grega para um contexto mais romano, que era um contexto mais prático, uma filosofia mais prática que valorizava ou tinha uma preocupação maior com questões políticas e éticas, e não tanto com questões metafísicas ou especulativas, é fundamental. Não é à toa que, por mais que Cícero tenha essa admiração pela filosofia e pela busca da sabedoria, ele, de fato, vai escrever até uma obra chamada “Hortensius”, testemunhada por Santo Agostinho, que era uma verdadeira exortação e elogio à filosofia, à busca de não se deixar levar apenas pelas paixões, mas sim de buscar, realmente, a sabedoria, a verdade, a compreensão das coisas.
Mas, no fundo, a gente vai percebendo também que, por mais que Cícero tivesse essa relação com a filosofia, ele se coloca dentro de uma tendência mais eclética, envolvido com o eclitismo e, mesmo, da Academia, que tinha tendências mais céticas. Em Cícero, nós vamos ver muito presente essa questão do ecletismo e de um certo tipo de ceticismo. Apesar disso, vemos que, à medida que ele se envolve com a vida pública e política, a sua paixão e preocupação têm muita vinculação com a retórica e a oratória, essa importância da figura do orador.
Ou seja, dentro desse contexto romano que Cícero viveu, sabemos que a educação romana, de certa forma, dava continuidade à paideia grega, à concepção grega de educação. Portanto, a humanitas romana também tinha aquele ideal de formar o homem, esse ideal educativo mais cosmopolita, mais universal. Quando falamos em humanitas romana, estamos nos referindo a uma proposta educacional que tem como finalidade ajudar o homem a ser cada vez mais homem.
Ou seja, a humanitas é aquilo que torna o homem mais profundamente humano. Então, é um ideal educativo, repito, cosmopolita e universal, que visa atingir um certo modelo de homem. E, do ponto de vista de Cícero, aqui entra realmente a figura do orador.
Ou seja, nesse contexto educacional, nessa concepção de educação, nessa problemática da humanitas, como era entendida nesse contexto romano, vemos que, para Cícero, a figura do orador é fundamental. Quando realmente se pensam essas questões e esses aspectos, encontramos a própria produtividade intelectual de Cícero em seus textos, que têm toda uma preocupação política, como “A República”, escrita por ele, mas também muitos textos com uma forte preocupação ética, como nas “Tusculanas”, e na sua obra sobre o sumo bem e o sumo mal, e nas leis. Assim, Cícero realmente tem uma preocupação com a realidade social e humana, e suas obras apontam para isso.
Essa preocupação é também com aqueles elementos do eclitismo ou de um certo tipo de ceticismo, como eu mencionei aqui. Mas, nesse contexto todo, é nítido que a figura do orador ocupa um lugar extremamente importante. Ou seja, há um certo tipo de ideal que deve se buscar e que perpassa justamente, né, por essa questão da figura do orador.
Tanto que Cícero vai ter uma obra chamada "De Oratore", sobre o orador, né, onde ele procura mostrar que o verdadeiro orador é aquele que tem, evidentemente, toda uma capacidade de falar, toda uma capacidade retórica, toda essa questão da eloquência, mas também é preciso ser portador de uma riqueza de cultura, né, e, portanto, ter toda uma capacidade de participar na vida social e na vida política; ou seja, na estrutura, né, do discurso da oratória. Cícero vai deixar bem claro, né, que nós temos três elementos que são importantes: ou seja, o ensinar, que é uma necessidade; o deleitar, que é um prazer, né; e o comover, que é uma vitória. Então, quando ele de fato pensa nessa questão da oratória, na figura do orador, ele vê claramente essa importância de ter essa capacidade, né, de ensinar, de deleitar e de comover ao mesmo tempo.
Ou seja, o grande objetivo, né, o essencial do orador, seria justamente a instrução, mas, para isso, ele tem que saber não só ensinar, mas também conseguir deleitar e conseguir comover para que, de fato, ele atinja o seu objetivo. Por outro lado, Cícero também deixa bem claro que um orador não pode ter apenas um domínio técnico; ou seja, um orador deve ser um homem de bem. Ele deve ser, portanto, possuidor de uma sólida preparação cultural.
Mas, mais que isso, né, além dessa sólida preparação cultural, essa capacidade de viver na sociedade, de se envolver com a questão política, né, de ser. . .
dizer que ele é um. . .
precisa ser um homem de bem, significa que, por um lado, evidentemente, as qualidades técnicas são fundamentais, né; ou seja, se eu quero ser um verdadeiro orador, evidente que eu preciso ter toda uma capacidade de eloquência, eu preciso saber usar as palavras, eu preciso ter uma formação ampla, eu preciso conseguir persuadir e dominar determinadas técnicas. Mas, além disso, ou seja, além do domínio da técnica, além das qualidades técnicas, tudo isso precisa estar ligado às qualidades morais; ou seja, o elemento aqui da virtude também vai ser um componente extremamente importante ressaltado por Cícero, né. Então, a justiça, a honestidade, a grandeza de espírito, etc.
, etc. , vão ser muito salientados por ele, mostrando que, de fato, nós precisamos, né, o orador, ele tem que ter as qualidades técnicas, mas profundamente vinculadas às qualidades morais. Ele tem que ser não só apenas alguém extremamente competente que domina a arte da eloquência, mas que também seja alguém de bem, portanto alguém virtuoso, né.
Suposto, nós vemos então que em Cícero, né, vamos encontrar, por um lado, um representante do eclitismo; ou seja, um representante dessa corrente filosófica no contexto romano. Mas o que seria esse eclitismo ciceroniano, né? Foi um verdadeiro método usado por ele que, do ponto de vista de Cícero, por intermédio desse método, ele procurava fazer o quê?
Ele procurava analisar e selecionar várias teses oriundas de escolas diferentes, né, de sistemas diferentes, né, de pensadores diferentes: Platão, Aristóteles, estoicos, epicuristas, céticos, etc. E, na medida em que ele selecionava teses distintas provenientes de escolas diferentes, ao mesmo tempo, ele procurava reunir tudo isso num todo, de uma forma nova e original, né. Esse é o método eclético de Cícero.
Mas, ao mesmo tempo que ele tem esse eclitismo, ele tem também um certo tipo de pitadinha cética, digamos assim, é um o que alguns vão chamar de ecletismo acadêmico, né. Ou seja, os acadêmicos, eh, também eram um certo tipo de céticos, né; ou seja, provenientes da Academia de Platão que seguiam um ceticismo mais probabilístico. Ou seja, Cícero vai pegar aquele tipo de ceticismo que defende a ideia do provável, a ideia do razoável.
Ou seja, eu vou olhar o pró e o contra, né, vou fazer esse jogo, vou examinar teses distintas e vou ver em que sentido se contradizem, em que sentido elas concordam, né; e, a partir disso, então, escolher aquilo que é mais provável, né. Então, no fundo, Cícero vai defender um certo tipo de ecletismo acadêmico ou de probabilismo, e para ele, isso é extremamente importante. Então, isso mostra que Cícero não é só eclético, ele segue também um certo tipo de ceticismo moderado.
E por que que para ele tudo isso é importante? Porque, em primeiro lugar, o verdadeiro mesmo é inalcançável, né. E, no entendimento dele, o dissenso dos filósofos já mostraria isso.
Porém, sobra o quê? Sobre o que resta o verossímil, o provável que, se não são o próprio verdadeiro, são o que deles mais se aproxima. Então, eu não atinjo o verdadeiro, mas atinjo o provável, né; e, portanto, ele entende que é isso que nós temos.
É isso que é o possível, é isso que é o mais próximo, né. E, para se atingir de fato a sabedoria e conduzir a própria vida, nós precisamos, querendo ou não, de um critério de verdade, né. Ou seja, para Cícero, a filosofia deve buscar a sabedoria, e buscar a sabedoria significa, de uma certa forma, conseguir apontar qual é o sumo bem, qual é a natureza do sumo bem, onde ele está, em que consiste, né.
Mas como que a filosofia, veja, vai nos ajudar a buscar a sabedoria? E, para buscar a sabedoria, tem que estabelecer com a natureza do sumo bem. E, ao estabelecer a natureza do sumo bem, é óbvio que aí a sabedoria, a filosofia, estaria ajudando a vislumbrarmos de uma certa.
. . Forma: qual é o fim do homem?
Qual é a finalidade da vida humana? Então, a filosofia precisa apontar qual é o fim da vida humana, qual é o fim último do homem. Bom, se ela precisa apontar qual é o fim último do homem, ela precisa apontar, de fato, qual é esse caminho da sabedoria.
Ela precisa apontar qual é a natureza desse sumo bem, porque o fim último do homem, de uma certa forma, está vinculado a essa sabedoria, a esse sumo bem. Para isso, é preciso estabelecer, né, um critério de verdade, e o critério de verdade para Cícero, né, é o testemunho dos sentidos, não como certeza absoluta, mas como algo provável, né? Ou seja, no nível da probabilidade, o sentido comum, ou seja, o consenso universal dos homens, né?
Então, serviria também como critério; ou seja, esse sentido comum. O fundamento dele é a natureza humana, que nos deu não só disposições naturais para a virtude, mas que também gerou aprendizados de grandes coisas para alcançar as mesmas virtudes, né? Ou seja, determinadas noções nos foram dadas naturalmente, né?
Então, parece até que alguns vão defender um certo tipo de natismo em Cícero, né? O que é interessante é que nós encontramos, eh, em Cícero, de fato, repito, né, um autor que faz essa transposição da filosofia para o contexto latino, né, que vai traduzir muitos termos gregos para o latim, que entende que deve-se estabelecer toda uma literatura filosófica no contexto latino. E ele vai pegar, seguir, né, muito mais essa coisa do ecletismo e do ceticismo moderado, né?
Então, com o seu método eclético, com o seu ceticismo moderado, ele vai entender, né, que de fato nós precisamos. . .
o verdadeiro não vamos atingir, mas podemos atingir o que é provável, o que é verosímil, né? Que é o mais próximo do verdadeiro. E para isso, tudo isso vai nos ajudar realmente a estabelecer qual é o fim último do homem, qual é a natureza desse sumo bem, que é o seu fim último, eh, o que é a sabedoria e qual é o caminho que nos leva a essa sabedoria.
E os grandes critérios, entendido por ele, vai ser o testemunho dos sentidos, não como uma certeza absoluta, porque isso não é possível, e o sentido comum, que é esse consenso universal dos homens, né? E a partir disso, então, Cícero diz: nós podemos trilhar esse caminho da busca da sabedoria, da busca do sumo bem, nos aproximando, né, mesmo que seja de maneira apenas provável, eh, esse fim último do homem. Então, a gente vê como, de fato, né, em Cícero você tem duas coisas que vão chamar muita atenção, ou seja, do ponto de vista educacional da humanitas, essa grande defesa da figura do orador, né?
Mas, nessa defesa da figura do orador, a gente vê um outro componente que é fundamental na vida dele; ou seja, não é só a questão da política, mas a questão da ética e como que uma vida virtuosa, né, uma. . .
como ele diz na sua famosa obra, né, eh, dos deveres, né, é importante, de fato, ter claro quais são os princípios, quais são as virtudes que devem nortear e conduzir a nossa vida. Então, infelizmente, é um autor muitas vezes pouco estudado, né, pouco mencionado, e eu espero que esse vídeo ajude você a se interessar pela obra de Cícero, né, seja pelas suas Tusculanas, seja pela sua obra chamada Acadêmicos, né, seja pela sua obra chamada Do Sumo Bem e do Sumo Mal ou A Natureza dos Deuses, quando ele discute a problemática da religião, ou o destino, a adivinhação, as leis. Então, praticamente todas essas obras já foram traduzidas para o português, né, e são fáceis de ser encontradas; que você possa, então, estudar e compreender um pouco mais o pensamento de Cícero, ele que influenciou profundamente, né, o mundo ocidental, a cultura ocidental, e graças a Deus, eh, no meio acadêmico, está voltando a se estudar um pouco mais o pensamento de Cícero através de alguns mestrados ou doutorados, etc.
Tá bom? Muito obrigado pela sua atenção, um forte abraço, né? E se você puder compartilhar esse vídeo, se inscrever no canal, deixar o seu comentário, isso nos ajuda muito.
Eu agradeço. Tchau, tchau, e até nosso próximo episódio do nosso programa Filosofia e Cultura. Até mais!