Olá, moçada! Bom dia! Baita prazer reencontrá-los aqui.
Obrigado pela audiência de vocês. Obrigado pela presença de todos vocês. Eu estive até ontem em São Paulo, passei alguns dias lá visitando alguns amigos, mas trabalhando também.
E acabo de chegar em Uberlândia já com as nossas novas meditações históricas e algumas reflexões históricas. Espero que vocês estejam bem! Ah, eu queria fazer um comentário sobre a meditação de ontem, que eu fiz lá do chamado Farol Santander, que é um dos mais altos prédios de São Paulo, um prédio bem alto do centro da cidade, e tem uma vista lindíssima.
Pena que não deu para eu gravar mostrando toda a vista, mas eu falava ali, e a meditação de ontem era sobre o presente, que é tudo que temos. E alguém falou assim: "Denis, dá mais exemplo sobre essa questão do presente. " E eu estava até recentemente falando com uma amiga sobre isso.
Ela me desabafava um pouco sobre a própria vida e estava falando sobre a relação com o pai, que tinha feito alguma coisa no passado. Isso a incomodava muito, e isso incomodava a mãe, e etc. E aí eu disse a ela: "E você pode fazer o que em relação ao passado?
O que pode ser feito em relação àquilo que o seu pai fez ou deixou de fazer, ou que você fez ou deixou de fazer, e que decepcionou, e que magoou, e que chateou? " Aí ela me respondeu assim, interessante: Ela respondeu: "Denis, mas é mais forte do que eu? " É, ela usou esse termo: isso é uma coisa involuntária, eu rejeitar, eu não perdoar completamente.
E eu respondi estoicamente, falei: "Não, isso não é involuntário. Isso é um ato de decisão. " Isso é um ato de decisão!
Se você sabe racionalmente que o seu pai não pode voltar ao passado e reescrever a história, você não pode, ninguém pode. Você só tem o presente para tomar uma decisão em relação a isso. Daqui a pouco seu pai morre.
Aí você vai dizer: "Ai, eu queria ter conversado mais com o meu pai. Na verdade, eu amava o meu pai, mas carregava mágoa. " Ou seja, historicamente você olha para tudo o que você tem e tudo que é o seu universo de ação.
Você só tem o agora para pegar o telefone e falar assim: "Cara, você foi um idiota no passado, você sabe disso. Ah, eu vou reconsiderar completamente a nossa relação. Amo estar com você e espero que você não seja mais idiota.
" Tá, pronto! Agora não quero mais. Vou romper, então rompa!
Mas não venha me dizer que isso assim, "Ah, porque as emoções, porque as paixões. . .
" Não! Porque isso você pode controlar. Isso você pode controlar!
Você não pode controlar uma série de coisas, mas se você toma um ato de decisão do tipo: "Vou perdoar porque isso faz sentido para mim. " Você só tem hoje para fazer isso. Esse é um exemplo.
Esse é um exemplo: "Ah, nossa, eu gostaria de estudar mais. Eu acho que eu passo pouco tempo estudando. " Mentira!
Mentira! Essa coisa de conjugar verbo no condicional: "Eu gostaria, eu faria, eu diria. " Não!
É mentira! Você sabe disso, porque isso está no regime da sua decisão. Se importa para você estudar mais, você vai ter mais tempo para estudar mais.
"Ah, não, mas eu não tenho tempo! " Tem, tem sim! Tem!
É uma questão de prioridade! É porque você não prioriza; isso é diferente. Eu, de vez em quando, escuto isso assim: "Oh, Denis, eu quero muito participar da Sociedade da Lanterna, mas eu não tenho tempo disso aqui, cara.
" Não, peraí! É muito mais fácil você me dizer a verdade: "Eu não tenho o interesse na Sociedade da Lanterna que eu tenho em outras coisas que ocupam o meu tempo. " É muito mais honesto, é muito mais bonito!
"Ah, que eu não tenho tempo! Ah, porque as minhas emoções me comandam. " Não, essa desculpa nós não podemos mais dar depois de tantas meditações históricas, depois de tantas reflexões históricas que nós fizemos até aqui.
Eu acho que com isso nós preenchemos bem a ideia da meditação do dia 15 de março: O presente é tudo que temos, e o melhor instrumento que nós temos para lidar com o presente é uma compreensão racional dele. E acabou! O resto é desculpa para boi dormir.
Ninguém me engana com isso. Você não se engana com isso. Você pode se enganar assim, mentindo para si mesmo, mas quando você se olha no espelho, você sabe muito bem que isso daí é uma coisa que está sob seu arbítrio.
Tava com saudade de papai negão. Tava coisa linda! Vamos para a meditação de hoje, dia 16 de março: aquela parte sagrada de você!
Aquela parte sagrada de você, você vai querer deitar. Meditação de Marco Aurélio: considera sagrada tua capacidade de compreensão. Considera sagrada a tua capacidade de compreensão, pois nela está tudo.
Na sua capacidade de compreender, está tudo. Pois nosso princípio orientador não permitirá que entre nada que seja incompatível com a natureza ou com a constituição de uma criatura racional. Isso que eu disse sobre a meditação de ontem tem a ver com isso daqui.
Não porque as minhas emoções. . .
"Ai, porque o que eu sinto. . .
" Mas você é o quê? Você é bicho? Não, você não tem cérebro, você não tem intelecto, você não tem capacidade de entendimento.
Então, para! Arruma um terreno cheio de grama e vai passar. Se você não se propõe a dominar aquilo que você pode dominar pela sua melhor parte, não sou eu que estou dizendo; Marco Aurélio, eu só concordo com ele.
Então, você é escravo de uma dimensão animal, de uma dimensão bicho. Ah, via a fêmea, no cio, cruzo, deu fome, como até, entupi. Quer dizer, bicho!
Bicho nada pode entrar no cálculo da nossa vida, da nossa existência, que seja incompatível com. . .
A natureza ou com a constituição de uma criatura racional, que é o que nós somos. Só que, para sermos efetivamente racionais no nosso dia a dia, nós precisamos querer. É um ato de decisão no modo como eu vou lidar com as minhas frustrações pessoais.
Por isso, que eu fiquei aqui. Eu tô aqui, a querer dizer, daqui a pouco acaba o mês de março. Nós estamos falando de consciência.
Eu tô aqui há séculos dizendo: a raiva é uma péssima conselheira. O ódio é um péssimo conselheiro. A paixão é uma péssima conselheira.
Se aconselhe com o seu entendimento. Espera passar raiva, espera passar o ódiozinho, espera passar o chilique. Traga a razão pro cálculo que você não vai fazer nada que seja contra a natureza e a constituição de um ser racional.
Ela é o que exige a devida diligência. A capacidade de compreensão é aquilo que merece a nossa diligência, o nosso cuidado. Cuida disso como de um cristal.
O cuidado com os outros e a obediência a Deus. Lembrando aqui que Marco Aurélio não compreende Deus como alguns de vocês compreendem, como uma figura, ah, por assim dizer, pessoal, que intervenha em nossa vida. Não!
Deus é providência para os estoicos romanos, em especial para Marco Aurélio, nomeadamente esse Deus, eh, a realidade como é, as coisas como elas são, as coisas como devem acontecer. Não tem a intervenção, não. Ele usa uma linguagem metafórica.
Ele recorre a um vocabulário mítico para expressar uma dimensão racional de existência. Então, a esse Deus de Marco Aurélio, aqui não adianta você se ajoelhar e falar assim: "Me ajude a curar essa doença, me ajude a passar na prova. " Não tem ninguém te ouvindo, na visão desses estoicos.
Tem ninguém te ouvindo. A única pessoa que pode te ouvir melhor é você mesmo. Não espere que os outros ouçam e se dobrem porque você está precisando disso.
Não! O remédio tá dentro. A audição do que realmente importa está dentro, desde que você decida compreender a realidade de acordo com a melhor ferramenta, o melhor instrumento: a razão.
No comentário dos nossos autores, o fato de você poder pensar, poder ler este livro, ser capaz de raciocinar sobre uma situação, estando dentro ou fora dela, isso tudo é o que lhe dá a capacidade de melhorar suas circunstâncias e se tornar alguém melhor. Se você não traz nada disso daqui que a gente tá vendo pra sua vida, não tá adiantando nada. Desliga e vai embora.
Vai fazer outra coisa: vai comer, vai beber, vai passear; não tá servindo para nada. Se você não tem sido capaz de trazer, pouco a pouco, esses elementos pra sua existência, isso para você não serve para nada. Você tá agindo como um bicho que não tem margem de evolução, de melhora, de uma existência diferenciada com base em reflexão racional.
A gente tá fazendo isso daqui para melhorar as nossas circunstâncias e nos tornarmos seres melhores. É importante valorizar isso, porque se trata de uma capacidade genuína que só nós temos. Nem todos têm tanta sorte.
Tem gente que passa uma vida inteira como um autômato, um bicho, um troço, um pedaço de alguma coisa, sem pensar a própria existência. De verdade, o que você dá por garantido, outros nem sequer sonhariam em ter. Essa oportunidade que nós temos aqui de conversarmos a respeito de filosofia alta, isso daqui é filosofia alta.
Quantas pessoas estão realmente interessadas nisso aqui? As pessoas estão atrás de respostas fáceis. As pessoas estão achando que basta você se ajoelhar, pedir para algum fantasma no céu, e tudo vai se resolver, e se esquecem de fazer aquilo que está no arbítrio delas.
Nada vai te salvar a não ser você mesmo. Dedique um pouco de tempo hoje para se lembrar de que você foi abençoado. Eu não gosto dessas terminologias abençoadas, cara.
Não! Você foi ah, determinado naturalmente. A natureza te oferece isso; uma condição natural.
Não é uma benção. Não tem nenhum anjinho que desceu do céu e te ofereceu isso, assim como não teve nenhum anjinho que desceu do céu e deu as garras para um urso, para que ele seja um caçador. Ele veio assim.
E nós somos assim. O entendimento racional da realidade são as nossas garras, as nossas presas. Se nós abrimos mão disso, nós somos gatinhos manhosos tomando uma surra da vida.
Uma surra da vida, com a capacidade de usar a lógica e a razão para abrir caminho em quaisquer circunstâncias. Isso lhe dá um poder inimaginável de alterar sua condição e de outros. E lembre-se de que com o poder vem a responsabilidade.
Estamos falando do grau de compromisso que nós temos com nós mesmos, tá? É isso! Lembra que eu falei lá atrás que nós somos o nosso maior projeto?
Tem gente que lida com o seu maior projeto com descaso, com desinteresse. Ah, hoje sim, amanhã não, depois eu vejo e tal. OK.
Cada um faz da sua vida o que bem entender. Depois, não reclame. É só isso.
Eu já comentei aqui a frase do meu pai, que eu já até coloquei em livro: a vida é um grande supermercado, onde tudo tem seu preço. Então, se você entra no supermercado, pega uma coisa aqui, pega uma coisa ali, você pode pegar coisas baratas, coisas caras, você pode pegar coisas que valham a pena, coisas que não valham a pena. Não interessa o que você vai pegar lá dentro.
Lembre-se só que, ao final, você tem que passar no caixa e você vai pagar o preço por todas as escolhas que você fez lá dentro. E a vida é assim. Nós vamos pagar o preço pelas escolhas que nós estamos fazendo, de acordo com os instrumentos que nós temos à disposição.
Eu quero ser uma pessoa exclusivamente mística. Eu quero achar que os raios de sol emitidos pelos fantasmas do céu vão. .
. Conta da minha vida e tudo vai se resolver. OK?
Não, eu quero tomar as rédeas do que eu consigo ter, a rédea, o domínio do que eu consigo ter domínio e compreender que o mundo não se importa comigo. Eu estava dentro de um metrô em São Paulo, e ainda comentei com a Bárbara: "Amor, olha o tanto de gente dentro de um vagão de metrô em São Paulo! Olha como nós não temos importância nenhuma para o mundo, cada um com seus planos, cada um com seus objetos de vida, cada um com seus anseios, com suas angústias.
Então, é diante dessa desimportância que eu tenho que desarmar esse ego e viver da melhor maneira possível. É só isso que esses filósofos históricos estavam tentando nos oferecer com base nas suas reflexões. Podemos ignorar isso e ter um outro tipo de vida.
Eu prefiro não. Por isso, eu continuo aqui diariamente com vocês. Não se esqueçam de comentar, de xingar, de ouvir, de amar.
E nós vamos continuar. Amanhã a gente se encontra por aqui. Beijão!
Tenham um excelente dia!