Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, no Evangelho de hoje, Jesus conclui o famoso capítulo 13 das parábolas do Evangelho de São Mateus, mas com uma parábola diferente, ou seja, Jesus deixou as multidões e foi para casa, então, na verdade, parece que o discurso terminou, acabou o discurso das parábolas, boa noite, tchau, mas, "Seus discípulos aproximaram-se Dele e disseram", então tem um apêndice, como se diz em música, tem uma "coda", tem uma última parte para fechar a sinfonia, eles dizem: "Explica-nos a parábola do joio" e, de fato, esta explicação é necessária para os discípulos porque é uma grande explicação de Jesus sobre a história da Igreja.
A história da Igreja é exatamente essa história do campo que é o mundo e Deus semeia boa semente, a boa semente é a Igreja, a Igreja é verdadeira, a Igreja daqueles que verdadeiramente são membros do Corpo de Cristo, aqueles que realmente pertencem ao Seu Corpo, só que desde o início, desde Judas, se é pra começar desde o início, sempre houve e haverá até o fim, dentro da Igreja aqueles cristãos que são só aparentemente cristãos. Judas, aparentemente, era um dos apóstolos, Jesus que conhece os corações sabia que não, qual é a vontade que nós temos, nós, seres humanos? É de purgar a Igreja imediatamente, ou seja, começar a selecionar, você dentro, você fora, você dentro, você fora, é claro, vejam, aqui eu não estou censurando a disciplina da Igreja, é necessário durante a história da Igreja, haver uma disciplina básica e fundamental, é necessário que haja excomunhões, é necessário que aqueles que clamorosamente são traidores da fé sejam colocados para fora, Jesus não está pedindo para nós sermos tolerantes ao ponto de aquilo que evidentemente não é trigo deixar crescer e transformar o campo da Igreja num matagal.
O que acontece é que isto tem um limite e o misterioso, que a parábola aqui não dá conta é que nós entendermos que existem almas que, num certo momento são joio, são falsos cristãos, são não profundamente convertidas, mas, por misericórdia de Deus, a um certo ponto elas se transformam em trigo e brotam dando grande fruto. Enquanto ao contrário também existe a outra realidade triste e infeliz, de gente que foi trigo, que realmente era verdadeiro cristão e vai perdendo a fé dentro da Igreja sem notar e sem perceber. Infelizmente isso acontece, a fé é uma realidade que muitas pessoas perdem e não notam que perderam, perdem a sua pertença ao Corpo de Cristo, interiormente, sem nenhuma testemunha, sem que ninguém ao redor note, perde a fé e já não pertence ao Corpo, como também acontecem transformações de gente que dentro da Igreja foi no oba-oba, começou, todo mundo está indo, eu quero participar também e, de repente, a pessoa faz o ato de fé, engata e verdadeiramente se torna um legítimo cristão.
Esse é o grande mistério da Igreja, do joio e do trigo que crescem juntos, nós gostaríamos de fazer a Igreja dos cátaros, dos puros, ou seja, purificar e deixar somente os justos, mas se nós formos medir com esta medida, quando acontecerá o basta? Jesus nesta parábola está nos dizendo que nós não damos conta de fazer esse tipo de purgação da Igreja, a Igreja enquanto peregrinar neste mundo será esta realidade mista de uma instituição visível, verdadeira, formada por Cristo, com gente com fé autêntica, mas que tem dentro da sua própria estrutura essa realidade um pouco parasita que faz parte também dos projetos de Deus para nos converter, nos purificar e fazer com que nós sejamos mais santos, mais pacientes, mais misericordiosos, mais apostólicos, mais missionários, tudo isso. Grande mistério da história da Igreja, nós então, quando chegarmos lá no céu, olharmos para trás, compreenderemos profundamente o sentido dessa parábola, por enquanto, inclinamos a cabeça diante do desígnio de Deus que permite que o joio e o trigo cresçam lado a lado.
Deus abençoe você. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.