Imagine uma faísca pequena, insignificante, quase invisível. Agora imagine essa faísca caindo numa floresta seca. Em questão de minutos, ela se transforma em um incêndio voraz que consome tudo ao redor: árvores, casas, vidas.
É exatamente essa imagem que Tiago capítulo 3 usa para descrever um dos menores membros do nosso corpo, mas também um dos mais poderosos e perigosos. O versículo 6 diz: "A língua representa um mundo de injustiça entre os membros do nosso corpo, pois contamina todo o corpo e incendeia por inteiro o curso da vida. Essa ilustração traz uma grande verdade.
As palavras têm poder. Não importa se são ditas num sussurro ou num desabafo. Elas deixam marcas.
Marcas que podem curar ou ferir. Marcas que podem unir ou separar. Vivemos numa época em que falar o que pensamos é muitas vezes visto como um sinal de coragem.
Mas a Bíblia nos ensina algo ainda mais valioso. Ter sabedoria ao falar é sinal de verdadeira maturidade espiritual. Foi por isso que o livro de Provérbios, conhecido por sua sabedoria prática, nos deixou conselhos diretos e profundos.
E no capítulo 11 encontramos três orientações específicas sobre o que não devemos falar. Esses conselhos não são apenas sugestões para uma boa convivência. Eles vêm do criador da linguagem, Jeová Deus, e tem como objetivo proteger nossa paz, nossos relacionamentos e até mesmo nossa espiritualidade.
Então, ao refletirmos juntos nesses conselhos, pergunte a si mesmo: "Minhas palavras estão construindo ou destruindo? O que tenho dito está alinhado com a vontade de Jeová? Posso me tornar uma fonte de palavras curativas, confiáveis e sábias?
Vamos então analisar com atenção os três conselhos baseados em Provérbios capítulo 11, que mostram porque a Bíblia nos diz com tanta clareza: "Não falhe". Primeiro conselho, Provérbios, capítulo 11, versículo 9, diz: "Com a boca o apóstata arruína seu próximo, mas pelo conhecimento os justos são salvos. " Esse versículo destaca um contraste claro.
Enquanto a boca do hipócrita destrói, o justo edifica com conhecimento. Mas como isso acontece na prática? Imagine a seguinte situação.
Um irmão ou irmã está enfrentando dificuldades espirituais. Talvez tenha cometido um erro ou esteja lutando para voltar às reuniões. Aí alguém talvez num comentário descuidado, diz para outro: "Você viu o que fulano fez?
Ele está sempre com problemas. Essa simples frase, que pode parecer apenas um comentário, pode manchar a reputação de alguém, criar desconfiança e, o pior, desencorajar quem mais precisava de apoio. Será que isso agrada a Jeová?
Será que nossas palavras têm ajudado a levantar quem caiu? Ou tem sido como pedras que jogamos sobre quem já está no chão? A revista A Sentinela de 15 de maio de 2002 explicou bem isso.
É possível usar palavras para enganar, insultar, espalhar boatos ou destruir a boa reputação de alguém. Isso é prejudicar o próximo. E como vimos, Jeová desaprova esse tipo de atitude.
Você gostaria que alguém falasse de você da mesma forma que você fala dos outros? Jesus nos ensinou: "Tudo o que vocês querem que os homens façam a vocês, façam também a eles. Pense numa parede feita de tijolos.
Cada tijolo representa a confiança entre duas pessoas. Leva tempo para construir essa parede, mas basta uma marretada, uma palavra maldosa para derrubar tudo. Você quer ser um construtor de relacionamentos saudáveis ou alguém que os derruba com uma palavra?
Ser cauteloso com o que dizemos não é ser covarde, é ser sábio e amoroso. Quando evitamos comentários que possam prejudicar nosso próximo, refletimos a justiça e o amor de Jeová. Segundo conselho, Provérbios, capítulo 11, versículo 11, nos diz: "Pela bênção dos justos, a cidade é enaltecida, mas a boca dos maus a derruba os moradores de uma vila ou cidade que seguem um proceder reto, promovem a paz e o bem-estar e edificam outros na comunidade.
De modo que a cidade fica enaltecida, ela prospera. Os que falam calúnias, coisas prejudiciais e erradas promovem desassossego, infelicidade, desunião e dificuldades. Isso se dá especialmente quando tais pessoas ocupam uma posição influente.
Uma cidade assim é assolada por distúrbios, corrupção, bem como decadência moral e talvez econômica. Você já presenciou isso? Às vezes começa com algo pequeno, uma crítica leve à maneira como um irmão conduz uma parte da reunião.
Depois, outro comenta sobre uma decisão dos anciãos. Logo, um grupo começa a olhar desconfiado para outro grupo. Em pouco tempo, a harmonia que existia na congregação se esfria, o amor se apaga.
Tudo isso por causa de palavras que causam divisão. Será que estamos colaborando com a paz ou estamos, sem perceber, ajudando a causar rachaduras na congregação? Imagine uma embarcação atravessando um mar agitado, todos remam juntos, mas se um dos tripulantes começa a furar o casco com um prego, mesmo que secretamente o barco inteiro está em risco de afundar.
Da mesma forma, comentários que promovem divisão são como pequenos furos na nossa embarcação espiritual. Podem parecer inofensivos, mas aos poucos causam grandes danos. Será que vale a pena criticar sem necessidade e arriscar a unidade do povo de Jeová?
A Bíblia nos incentiva a nos esforçar pela paz. Isso inclui falar de forma que une em vez de separar. Quando ouvimos alguém criticando ou reclamando, será que podemos suavemente mudar o foco para algo positivo?
Podemos lembrar a essa pessoa de tudo que Jeová tem feito pela congregação? Será que em vez de criticar poderíamos oferecer ajuda ou ser uma parte da solução? Lembre-se, Satanás quer dividir.
Jeová quer unir. Cada palavra nossa pode mostrar de que lado estamos. Terceiro conselho.
Provérbios, capítulo 11, versículo 12 e 13 nos alerta: "Quem não tem bom senso trata seu próximo com desprezo, mas o homem que tem verdadeiro discernimento se mantém calado. O caluniador espalha segredos, mas quem é confiável guarda confidência". Esses versículos mostram claramente o valor do autocontrole e da confidencialidade.
Há um ditado popular que diz: "Quem conta um conto aumenta um ponto". E, infelizmente, muitas vezes, esse ponto a mais quebra a confiança, machuca reputações e até destrói amizades. Você já confiou um segredo a alguém e depois se arrependeu?
Ou talvez ouviu alguém dizendo: "Não conta para ninguém". Mas esse tipo de frase costuma prececeder algo que não deveria ser dito. E quando esse segredo chega aos ouvidos errados, o estrago já foi feito.
O que motiva alguém a revelar algo confidencial? Às vezes é por querer parecer importante ou por não ter domínio sobre a língua. Mas Provérbios diz que quem revela segredos anda espalhando calúnias.
Ou seja, Jeová não vê isso como algo leve ou inocente, mas como algo sério. Imagine uma represa que contém milhões de litros de água. Quando bem mantida, ela gera energia, traz vida e benefícios.
Mas se uma rachadura for aberta, mesmo pequena, a força da água pode abrir um buraco gigantesco e causar uma enchente destrutiva. Assim é a confiança de alguém. Quando guardada com cuidado, ela fortalece os relacionamentos, mas uma única indiscrição pode abrir rachaduras difíceis de reparar.
Será que somos o tipo de pessoa que outros sentem segurança em conversar? Ou será que tem medo de confiar em nós por sabermos que falamos demais? Se alguém nos confiar um assunto pessoal, será que temos o autocontrole de guardar isso com lealdade, como se fosse um tesouro?
Quando sabemos de algo sensível sobre um irmão ou irmã, será que resistimos à tentação de contar só para um amigo próximo? Podemos nos perguntar: se fosse comigo, eu gostaria que esse assunto fosse comentado com outros? Ser uma pessoa discreta e confiável é um grande sinal de maturidade espiritual.
E mais importante, agrada ao coração de Jeová, que valoriza aqueles que guardam com lealdade aquilo que foi confiado. Quando escolhemos ficar calados diante de assuntos confidenciais, demonstramos amor, sabedoria e profundo respeito por Jeová e pelos nossos irmãos. E isso, com certeza fortalece a unidade e o espírito de confiança dentro da congregação.
Não fale. Não é uma ordem para o silêncio total. É um convite à reflexão e responsabilidade sobre o poder das palavras.
Não fale para machucar, não fale para dividir. Não fale para trair confiança. Em vez disso, use suas palavras para abençoar, encorajar e edificar.
Afinal, como disse Jesus, de toda palavra inútil que os homens disserem, prestarão contas. As palavras certas ditas no espírito certo são um presente valioso. E todos nós façamos parte dos que usam a língua para curar e não ferir.