[Música] boa tarde a todos senhoras acadêmica senhores acadêmicos queridos amigos e freqüentadores do nosso ciclo internautas que nos assistem em casa o presidente da academia domício proença filho ficou retido num outro compromisso e me pediu para substituí-lo na moderação da mesa que na qualidade de coordenadora geral desses ciclos e é um prazer estar aqui então hoje para apresentar a conferência de do acadêmico cícero sandroni sobre o alienista da psicanálise a ficção que vai encerrar o ciclo de literatura medicina aqui todos assistimos durante este mês de outubro cícero modestamente pediu que eu apenas dissesse que ele
é jornalista escritor e acadêmico não lesse o currículo todo claro que todos o conhecemos bastante aqui mas para não abrir precedentes de tratar os iguais de maneira diferente eu vou ler nem que seja resumindo lembrar um pouco se ser o corpo do sintro sandroni que foi presidente desta casa cursou jornalismo na puc e administração pública na na fundação getúlio vargas foi jornalista vida toda é chefe de reportagem do correio da manhã escreveu por cinco anos a coluna quatro cantos de oposição ao regime militar trabalhou na tribuna da imprensa no cruzeiro jornal do brasil foi de
todo o caderno b do suplemento de livros e de 76 e 83 escreveu o informe jb e nessa ocasião os vizinhos o corredor eu trabalhando do outro lado no jornalismo na rádio jornal do brasil foi também chefe de reportagem política da do diário de notícias foi fundador e criador e diretor da revista ficção junto com o acadêmico antonio lento e revista que foi responsável pela publicação de numerosos contos nos na década de 70 no aquele chamado boom do conto brasileiro em grande parte foi publicada na revista e ficção que cícero e laura sandroni e salimp
enfim com outros amigos também dirigia e nem vou dizer tudo ele teve trabalhou no ministério da cultura no departamento de ação cultural na fui participou de vários júris de de prêmios jornalísticos e de literatura e publicou vários livros entre outros austregésilo de athayde o século de um liberal cosme velho um passeio literário pelo bairro 50 anos do dia 180 anos jornal do comércio a arte de mentir batman não foi a búzios são livros de ficção com contos enfim está amplamente qualificado e vai nos brindar com uma palestra então sobre o alienista de machado de assis
em hindu da psicanálise é ficção com a palavra cícero sandroni [Aplausos] muito obrigado ana maria eu conheci mais nada iria dizer as minhas amigas e meus amigos acadêmicas e acadêmicos que hoje pela manhã de uma luta insana com o meu computador porque ele existia em não obedecer às minhas ordens acho que foi o melhor crítico do meu trabalho ao mesmo tempo é creio que ao aceitar um convite que afinal eu mesmo me fiz é para é fazer essa palestra no lugar de nossos queridos ao nosso querido amigo e muito mais preparado do que eu para
fazer que era um feudo bose é eu se estivesse em itaguaí o doutor simão bacamarte m internada na casa verde porque realmente é um trabalho que alfredo bose o sesi paulo a nec está aqui conosco poderia fazer com muito mais brilho do que esse jornalista e escritor e que não passa disso enfim é já que como como coordenando o ciclo e sob coordenação de ana maria machado resolveu então trazer o texto que eu vou pedir desculpas que está um pouquinho como descobridor início o computador não colocou bem nos lugares mas vamos ver então eu queria
dizer que essa palestra foi escrita em memória de uma grande escritora brasileira lúcia miguel pereira que foi de certa forma a nossa contemporânea amiga de minha mulher amiga do pai dela de ataíde e que então eu acho que ela foi uma das melhores estudiosos na sua época sobre machado e sobre exatamente o alienista apenas para contextualizar todo mundo já sabe é consabido mas é bom dizer que machado de assis nasceu em 1939 dizendo 17 anos após a declaração da independência do brasil e faleceu em 1908 21 anos depois da abolição da escravatura e 20 anos
depois da proclamação da república na seu filho de francisco josé de assis maria leopoldina ele operário é lavadeira ambos mulatos livros a mãe dele como todos sabem morreu cedo ea madrasta maria inês foi a primeira mestra na escola e levou para a escola pública foi tipógrafo passava horas e horas no gabinete português de leitura e de completar 50 anos já era considerado o maior escritor do brasil aos 58 foi eleito o primeiro presidente da academia brasileira de letras durante 11 anos consolidou a casa que ao nascer não tinha sede própria reunir se no escritório de
joão ribeiro de rodrigo otávio e mais tarde no pedagógico na rua do passeio em seguida e em sede própria do silogeu onde ele foi velado funcionário público jornalista o senhor viu na lapa uma praia que tinha na praia da lapa depois foi aterrado alguns de nós eu me lembro bem doce lovell do prédio silo funcionário público jornalista manteve intensa correspondentes correspondência com escritores políticos intelectuais e artistas correspondência toda reunida por sérgio paulo rua em cinco volumes não não dá pra entender como esse homem que tinha tantas atividades escreveu tanto tinha tanto tempo para escrever cartas
né é tão difícil para nós hoje escrever um e-mail responder e meio mas ele tem uma correspondência em cinco volumes ativa e passiva foi leitor voraz de escritores de ficção e de sobre todos os assuntos que lhe interessavam em especial sobre os assuntos referentes ao tema dessa palestra os problemas do inconsciente conhecimentos que embasaram outros textos sobre a loucura e além de o alienista de machado de assis não leu froid nem floyd léo machado de assis o que foi uma pena pois ainda em vida machado foi traduzido para o francês e um alemão ea obra
poderia ter chegado às mãos dele alemão como nos ensina ronê froid era um leitor voraz aos de literatura de tanto ler e aproveitar o que leu nos seus estudos recebeu o prêmio nobel de literatura ele que sempre que sempre almejou o de medicina que ele não recebeu ele recebeu o de literatura em seu livro intitulado tão somente com o nome do escritor machado de assis publicado em 1936 em são paulo pela companhia editora nacional hoje referência indispensável para os que mais tarde caminharam pelos labirintos criados pelo bruxo lucia miguel pereira definiu bem o seu trabalho
aspas para entender a vida começou por estudar o homem mergulhado nos abismos da alma à espreita dos menores movimentos de lá raramente energia não lhe bastava saber como agiam pensavam o sentiam as suas personagens o que visava era saber por que o faziam e é o leitor só comunicavam a algumas de suas observações sem dar ao trabalho de explicar as relações entre elas quem não fosse capaz de concluir por si mesmo que fechasse um livro dez leitores talvez 5 bastavam aqui escrevi entre aspas com a pena da galhofa dia 30 ea tinta da melancolia lembro
me de um texto de mário de andrade que dizia machadinha si só deve servir depois dos 30 anos aí começamos a entender aí temos que ler durante a vida toda e o fim da vida talvez ainda fica alguma coisa por entender josé lins do rego escreveu sobre a obra de lucia miguel pereira não creio que exista outro livro que mostra com mais agudeza machado como homem escritor lúcia veio nos revelar um machado que está todo nos seus livros nos seus contos mas até o livro de lucia ninguém sabia disso não será casada com o historiador
otávio tarqüínio de sousa autor da história dos fundadores do império do brasil e ambos faltam a glória da academia brasileira de letras o casal morreu estavam juntos é claro no choque de um avião vai com da varig que vinha de são paulo para o rio em dezembro de 1959 um choque com um foca de treinamento da força aérea nacional lembro-me bem daquele desastre em que pereceram 39 pessoas entre as quais o repórter luciano carneiro que trabalhava para o cruzeiro eu era um dos jornalistas que durante uma semana escreveram sobre a tragédia as suas causas inquéritos
biografias das vítimas e entrevistas com parentes de escritores diretores e amigos do casal eu era fazer a parte então da equipe de repórteres do globo e me lembro bem que foi uma morte do fim do ano que marcou a passagem do ano de 59 para 61 forma indelével hoje 109 anos depois da morte de machado atenção nova diretoria o ano que vem são 110 anos da morte de machado milhões de brasileiros já leram o patrono das letras brasileiras e os inúmeros estudos sobre sua obra por certo a maior fortuna crítica da nossa literatura ajudamos na
compreensão da obra desse mestre do romance do conto da crônica e por que não dizer da poesia também no entanto para lúcia ainda é difícil concluir no sentido de compreender em toda a sua riqueza em suas páginas plenas de mistério o mais fortuito dos acasos caso a palavra cada ação ou peripécia tal frase deixado no ar um pensamento ensino ado uma vírgula um ponto final podem significar algo mais do que a simples leitura nos diz ou pode ter muitos significados ou pode significar nada trata se da mais estudar a obra literária brasileira sobre o qual
se inscreveu e se inscreve se inscreverá para desvendar omissão dável mistério da vida e mais difícil ainda da vida no brasil o segundo reinado e nos primeiros anos da república com reflexos muitos reflexos no brasil de hoje basicamente o tema está no título da conferência seria o alienista mas antes de discorrer sobre esse texto e gostaria de lembrar a opinião do escritor vladimir nabokov sobre a criação literária para ele a literatura de ficção não começou quando no neolítico o menino entrou na gaveta e gritou para a mãe lobo lobo lobo segundo o autor da lolita
a criação literária começou quando o menino entrou na caverna e eliton lobo lobo lobo a mãe correu para protegê lo mas não existia o novo nenhum assim ele vê a imaginação aquela imaginação de que todos os seres humanos são providos o menino que imaginou lobo que nos distingue dos irracionais não estou bem certo disso há controvérsias mas a imaginação na base no alicerce da construção literária pode ser ótimas excelente muito boa boa medíocre ruim ou muito ruim não importa mas a criação literária tem que ter uma criança o que me chama atenção na estrutura narrativa
e o alienista lembra muito nabokov o autor cria simão bacamarte personagem ken sem ser um alter ego em que ela encarna muito das idéias e machado sobre o cientificismo da época ele chega itaguaí e grita louco louco louco e afinal não havia louco nenhum a não ser o próprio bacamarte e por que não pode dizer o próprio autor vou ler agora o primeiro parágrafo do estudo sobre machado de assis escrito pelo crítico literário josé barreto filho para a história da literatura brasileira em vários volumes sob coordenação de afrânio coutinho diz barretto filho no decurso de
uma actividade literária ininterrupta que durou até 1855 quando publicar os seus primeiros versos a revista marmota até terminar o seu último livro o memorial do slide aires em 1908 machado de assis representa no brasil o primeiro eo mais acabado modelo do homem de letras a sua importância na vida intelectual brasileira não encontra paralelo pela qualidade e abundância da obra pelo caráter inconfundível do escritor que atravessou incólume todos os movimentos escolas constituindo um mundo à parte no estilo composto de técnicas precisas e eficazes e uma e uma galeria de tipos absolutamente realizados e convincentes as palavras
e barreto filho de uma forma de outras são compartilhadas por todos os que estudaram a obra machine machadiano mas um deles um crítico cruel de machado apesar de companheiro de fundação da academia brasileira de letras historiador jurista e poeta poeta respeito jurista respeitado poeta nem tanto sílvio romero não poupou em seu livro machado de assis e tobias barreto publicado exatamente 1897 ano da fundação da academia silvy faz um paralelo entre o romancista e tobias barreto com ataques amargos autor de brás cubas desde aqui um exemplo das palavras de crítica ao confrade presidente da bl até
então já considerado à época quer dizer é o maior romancista vivo do brasil às ruas para romero o estilo de machado de assis sem ser notado por um forte cunho pessoal é a fotografia exata do seu espírito da sua índole psicológica indecisa correto e maneiroso não é vivace nem rútilo nem grandioso nem é coerente é plácido é igual um uniforme com o passado sente se que o autor não dispõe profusamente espontaneamente do vocabulário e da frase vê se que ele a pauta e tropeça que sofre de uma perturbação qualquer nos órgãos da linguagem de cretino
machado de assis repisar repete torce redor se tanto às suas idéias das palavras que advertem que deixa nos a impressão de um tal ou qual qual tartamudear se roberto tocou e dois pontos talvez sem querer certamente de propósito e problemas pessoais e machado ao citar a sua índole psicológica indecisa machado epilético sofria crises nas quais perdi a consciência e ao acusá-lo de uma índole psicológica indecisa referia se a doença é doença que acompanha a humanidade desde o princípio e existe até hoje e ao falar que seu estilo tartamudear vá fazia referência direta ao fato de
machado ser gago segundo ainda lucia miguel pereira às afrânio peixoto notou engenhosamente que pode de fato existir uma influência das pausas respiratórias do autor sobre o seu modo de escrever os períodos redondos e longos dos estados dos oradores estariam assim em função do longo fôlego à língua e à língua direta e precisa de machado de assis trai sua dificuldade em falar se assim for abençoemos a gagueira de machado que nos valeu as mais límpida as frases do grande clássico brasileiro o seu estilo conciliador mas magoado machado não respondeu ao ataque e para sua surpresa nos
dias 25 e 30 de janeiro e 7 e 11 de fevereiro o jornal do comércio publicou quatro artigos e os desconhecidos assinado com assinados com pseudônimo de mabi ano na defesa do assista e no ataque à civil o homem achado de escrever seu amigo uma galinha zedu as do jornal do comércio a parecer um artigo resposta ao livro do filme tem o meu nome por título procure depois anos ciências várias não sei quem seja o autor quatro dias depois é manchete descobrir a verdade os artigos não eram como ele pensava do jogo de lafayette que
tinha levado os originais do jornal mas o próprio conselheiro lafayette rodrigues pereira que no império foram jornalista presente a província deputado senador ministro e presidente um gabinete os artigos de lafaiete foram publicados sob o título the wyndhams disse é o senhor sílvio romero crítica e filho sol e filósofo em 1909 ele sucedeu machado de assis na cadeira 23 da academia então sob a presidência de rui barbosa essa polêmica é entre machado que se prosseguiu com outros escritores é defendendo ou atacando machado o tpi atacando se o homem provavelmente vem do fato é de machado não
ver com bons olhos as novas idéias científicas aspirar um poder inquestionável e que seco que só compartilharia com seus iguais a afirmação de simão bacamarte em o alienista não deixa dúvidas aspas meus senhores a ciência é coisa séria e merece ser tratada com seriedade não dou razão dos meus atos e alienista a ninguém salvo aos mestres e adeus à ironia machadiano utiliza pretensão dos cientistas de se igualarem a deus para fazer uma crítica ao poder que a ciência no cientificismo do século passar a conferir os adeptos no período final do império e também de voltou
a atenção especial aos nossos intelectuais e as idéias científicas em voga a partir do seu ensaio sobre a nova geração os escritores da nova geração de de 1879 mas foi na primeira década de 80 que se esmerou em criações ficcionais marcadas pela ironia e com relação ao fascínio de seus contemporâneos pelas persistência o criador de quincas borba era um dissidente em relação a esse modismo o que comprova a sua polêmica com sílvio romero é para continuar aqui eu devia dizer o seguinte é contar um pouco da história de que é era impossível de negar a
gagueira de machado ele nega mas evento vez em quando é é alguém contava uma anedota sobre um deliciosa sobre esse fato essa história vem do historiador max flores que foi presidente perpétuo do instituto histórico aspas um amigo comum apresentou apresentou uma senhora certa noite a machado é machado estava animado em boa veia e começou a conversar fluentemente espantou-se interlocutor era sem o menor tatu manifestou seu espanto ora veja o seu machado tinha me dito que o senhor era gago e ele gaguejando como nunca calúnias minhas senhoras calúnias a mim também me avisaram que a senhora
era muito estúpida e ver que não é tanto que no entanto o homem manso inofensivo por temperamento e por cálculo tinha também seus momentos de descontrole mas é um pouco sem regras se mostrava mesmo com os ritmos de uma habilidade discreta e fina e creio que a apple pode se dizer que hoje não é mais necessário existir sobre as relações existentes entre a arte ea psicopatologia o sentido de que as manifestações anormais e mórbidas do espírito tem dado origem a grandes criações no romance na poesia ou mesmo na pintura as ilustrações de portinari desenhado especialmente
para uma edição do alienista comprova eu acho que eu mostrando já o por cenário é e epilepsia como já disse é acompanha a humanidade desde o neolítico a palavra foi utilizada pela primeira vez por avicena no século 11 não posso deixar de lembrar que esse polima da nascido no território que hoje ao irã em sua época era um dos cientistas e médicos com fama mundial médicos e toda a europa e eu a peça para formar se com ele há um livro que talvez pudesse me fazer uma sessão sobre ele mas num só cinco anos 55
conferências o livro de existir traduzido em renan e erroneamente para o brasil como físico narra as aventuras de um médico jovem é estudante de médico inglês que vai estudar vai a pé se estudar com av cena quando londres era um pântano é um livro e um filme com muito interessante mostrando como esse de sena cujo nome em árabe é muito difícil de pronunciar ele já tinha dominado eu a aaa medicina de uma forma incrível é que sabia tudo sabia tudo a epilepsia de machado é definida com uma moléstia cerebral que se manifesta por acessos e
quando a abolição completa dos sentidos e da razão acompanhados dos movimentos com os fios ela foi tratada dentro de várias maneiras tem uma um quadro de hieronymus bosch que mostra como era tratada na idade média não sei se mostrou agora e estou dando uma imagem e que tem um doente sendo tratado com um uma espécie de formação e uma um martelo para tirar as pedras da cabeça dele para ser plebiscitária eram pedras que tinha dentro da cabeça então tcheco abrir a cabeça para tirar as pedras e parece que daí que vem a expressão louco de
pedra não sei mas é preciso pensar em machado é na sua origem né durante sua vida ele viu o país dividido entre monarquistas republicanos e monarquistas católicos e maçons o imperador liberal que se dizia neto de marco aurélio assediado por político reacionário que exigiam dele a censura à imprensa e repensarmos adversários um rei quase nulo mista cuja filha e herdeira presuntiva era carola e devotado à igreja a exemplo de sua avó dona maria a primeira denominada a louca cuja política colonial em relação ao brasil atrasou o país e pelo menos um século essa época é
dona maria havia um outro rei louco que era o rei jorge o terceiro ela era louco e durante o seu reinado a inglaterra perdeu as colônias americanas nessa época george washington não conseguiu fazer as 11 onze dos colonos independentes quando jorge terceiro voltou da loucura durante perguntou e as minhas colônias a o primeiro ministro mas quero pitt respondeu olha as colônias já eram presidente havia um terceiro louco era napoleão que pensava que era napoleão de todos da mesma época do brasil teria esse país com geografia unificada atribuída a colonização portuguesa é o império mas dividido
em regiões onde a economia populações hábitos raízes e e artes em geral e tantos outros aspectos discrepar vão poderia ser visto por esse menino rapaz o homem que jamais saiu de janeiro a não ser para ir á a nova à nova friburgo para tratar um país um país pouco contemporâneo e coetâneo um país que parecia homogêneo unitário mas mais tarde na tese de jacques lambert na tese ademar baixa uma belíndia até zeca zelândia falava em dois brasis né a bíblia fala em dois brasis também belos e aparece agora mudar os países em baixa depois de
explicar ou na visão de guerreiro ramos um conjunto de regiões e microrregiões vivendo cada um em seu tempo histórico e isto e agora em tempo em termos psicanalíticos um país unitário com personalidade íntegra ou um país bipolar ou multipolar na fronteira ea esquizofrenia e essa situação tão multifacetada de um país que na cena não de uma revolução libertária mas sob o signo de uma espada que cortou o seu cordão umbilical com a mãe colônia e mais tarde encontrou-se órfã de pai quando não perdesse primeiro hebe ficou e participativa para outras aventuras então como eles é
joaquim perdeu pai e irmão lá novo sendo educado por uma madrasta e se casou com uma marineze que deu a ele os princípios da educação comentário de um estudioso da obra de freud afirma que o fato de viver no império austro-húngaro aquele império que se formou de uma maneira mas é bem dividido e depois ficou mais dividida ainda com a sérvia croácia e hungria eslovênia e eslováquia teria influenciados as sereias de freud sobre a bipolaridade mental e até os estudos sobre esquizofrenia não sei se isso tem alguma racionalidade mas enfim se beber trovato enfim com
afirmou ortega se o homem é ele sua circunstância diante do exposto influente inteligência excepcional talento de um gênio talvez essa circunstância de divisão quase esquizofrênica não escaparam machado de assis não só por isso pela extensão de sua obra ele permaneceu como autor brasileiro até hoje com a exclusão de alguns atores como josé nery machado escreveu louco de kate ou josé cândido de carvalho que escreveu porque lulu bergantin é não atravessou o rubicão que a história de um louco faz uma boa administração da cidade de uma cidade onde chega depois de repente ser uma ambulância pêgolo
bergantin leva o hospício e tinha fugido do hospício mas tinha sido um excelente administrador então ele machado terá sido mais é que mais falou de loucura né no espelho e quincas borba no alienista brás cubas né em várias outras momentos por exemplo em braz cubas há um momento em que o autor defunto dá uma parada na narrativa de sua vida e convida o leitor a exemplo do que faz e fez laura cisterna entre sandy introduzindo uma depressão que se intitula razão e sandes a casa da razão metáfora do cérebro é ocupada pela sam disse o
verdadeiro terror para a proprietária com medo que a intrusa pergunta sobre a sua existência está no brás cubas a razão expulsa sandy se não lhe cedendo nenhum cantinho no souto no entanto lá no fundo no local ignorado pela consciência plena isto é razão acende se encontra escondida mas carnavalesca plena de fantasias para o autor defunto hassan diz a ação disse há quem cogite do é quem cogita dos profundos problemas humanos ela está na pista do mistério da vida e da morte mas fecha se em copas enquanto do seu lado obscuro vai mandando o comportamento mando
mandando a razão as fases as falas bom nem outro momento ele tem um delírio mas eu creio que é toda essa essas desses livros que lhe deu um dos livros mais interessantes pelo menos para quem leu e para baixar o de ter sido muito interessante é o elogio da loucura de erasmo de roterdã é a própria senhora natura que se autoelogiar vá por ser a mãe de tudo de todas as coisas coisas sem as quais o ser humano não teria qualquer sentido seria um bípede e não não seria mais nada quer dizer à loucura faz
parte da nossa vida é o tese escrita em latim por erasmo e hoje comentada aí a de naus machado leu e deve ter acreditado muito disso o título é comum em economia um mora e título homenagem a thomas more que era muito amigo de erasmo e autor da utopia como todos cabem e que foi decapitado pelo e jorge henrique 8o e hoje é santo da igreja católica o elogio é uma das mais divertidas obras filosóficas escrita e termos satíricos e críticos inclusive para os tempos e hoje eu queria passar aqui pro o espelho porque o
espelho fala todos nós né nós gostamos do espelho como nós nos vemos no espelho os mais vaidosos mais ou menos - mas a história do espelho é isso conhecem do do garoto que em jovem pobre que logo é promovido a alferes e com aquela farda de alferes ver se olha no espelho e ver uma outra figura ele ele fica sozinho e perde a sua identidade ele passa a ser outro não consegue reconhecer o serve ou seja não conhece a sua verdadeira imagem de moça pobre ele está ali encantado com a imagem dele e aí machado
insere uma série de alternâncias entre objetividade e subjetividade entre concreto e abstrato de tempo cronológico e psicológica entre narrador em terceira pessoa uma pessoa bipolaridade esquizofrenia procura é como disse o meu computador seja umas coisas aqui que nunca mas eu acho que é importante a gente conversar um pouco sobre também o delírio e braz cubas delírio de brás cubas é algo é que talvez por isso que esse romero falou à inconsciência do machado mas o delírio é uma das melhores páginas de machado e e esse seria talvez quem sabe a valec é o daqueles fluxos
de consciência que depois james joyce e e em beckett usar um tanto vamos fazer apenas um pequeno resumo todo mundo conhece né segundo roberto fax além do seu caráter enigmático capítulo representa exemplarmente a volubilidade da narrativa machadiana e de repente escreve aqui o capítulo 16 não não tenho nada para escrever o capítulo 16 então passamos para o capítulo 17 por externa pura loucura puro machado é o narrador não permanece igual a si mesmo por mais de um curto parágrafo melhor muda de assunto opinião estilo de cada frase a mudança no pinada faz o caráter do
orador uma forma uma célula elementar do dispositivo liderar a volubilidade a volubilidade narrador volúvel que monta no hipopótamo de repente passa a conhecer tudo a caixa de pandora todo o passar do tempo e que que a mostra é segundo alfredo bosi é nem o tópico nem conformista a razão machadiano escapa das propostas importantes do não e do sim à lumia e sombreia um só tempo espelha esfumando e arquiteta fingidas teorias que mal encobrem fraturas reais a perspectiva de machado é da contradição que se diz pista o terrorista que se finge de diplomata é preciso olhar
para máscara e para o fundo dos olhos que o corte da máscara permite às vezes entrever esse jogo tem o nome de um nome bem conhecido o bom humor creio que pra dar uma notícia sobre o alienista seria bom entender que ele tá na randon quer dizer todo mundo sabe é chover no molhado a história do doutor simão bacamarte o grande alienista respeitado médico que se a boa forma em portugal espanha no brasil ele é casado com a viúva dona evaristo que ele julga ser uma boa mulher para gerar bons filhos o que acaba não
acontecendo e acontece muito nas obras de machado ele que não teve filhos não passou aquela maldição que ele fala dos personagens e eles realmente se não têm fins né então levar isso é uma delas em casa com os irmãos esperando-se mão esperando que a filha não tiveram a casa verde é um lugar onde todos os loucos foi filmado pelo neo superando santos 1 a 0 muito louco onde os loucos ou entrando todo mundo sabe e vai colocando um novo motor um louco atrás do outro baseado na autoridade na sua é a sua de prova que
o rei ainda é o rei de portugal lidera para fazer o que quisesse no brasil igor isso vem de encontro vem de uma forma totalitária autoritária qualquer pessoa que tivesse um toque um método mesmo ramo black que tinha uma loucura mas havia um método na loucura de ambos ele qualquer qualquer coisa que tivesse eu me lembro de uma história do interior de minas gerais e que tinham esses loucos que tinham métodos mas eram pessoas absolutamente normais se é um sujeito que estava comendo na jantava e de repente se ele pegou um garfo de uma maneira
em vez de pegar de uma maneira mais educada pegou assim ou a colher ea mulher reclamou de paz você pegando a colher desse jeito não é possível ele disse é então seis meses com colher assim e assim ficou seis meses segura de colher tomava banho segura da colher com minha segunda colher ea dormir chegou a colher seis meses se passaram seis mesmos e que passados seis meses ele largou colher largou então agora né então mais seis meses quer dizer havia um método era louco mas havia o medo mas não era louco era o método né
se um outro que só andava na contramão quando o cheiro as primeiras estradas e os carros no coronel da região sondava na contramão as pessoas sabiam um local não adianta ele só anda na contra mão então tento ver que é deixar é o alienista é aquela história do da autoridade da autoridade e tem um momento do alienista que eu gostaria de comentar aqui que é o seguinte em um momento em que eu os os as pessoas que estão lá vendo ele agir de uma forma inteiramente arbitrária resolvem s eu voltar e chamam que se chamou
a atenção da câmara dos vereadores não é possível continuar assim está colocando todo mundo na casa verde ea câmara diz assim não tem uma medalha num não tem jeito que a casa verde hoje é uma instituição pública é uma gestão pública e ele tem o diploma do rei que lhe permite fazer isso ea câmara dos vereadores não pode declarar que ele não pode fazer isso nem a câmara digamos assim termos de hoje declara o ipp timã do doce mombuca marte nem as manifestações populares está nuno instalar no nosso eu o alienista é bom nessa parte
traseira de um de maturidade perfeita nem a câmara nem as manifestações populares enfim no fundo eu pude tirar um pouco do do que eu lhe escrevi aqui o computador salvou não foi um exercício escrever chamou a si a tarefa de interpretar a vida por intermédio da expressão literária nem um mero passatempo encontra se em sua arte ao mesmo tempo em que distantes dos excessos sentimentais do romantismo da frieza do naturalismo e do cientificismo o traço próprio das grandes vocações artísticas a capacidade de fazer objetos perfeitos aptos a provocar o espectador aquela suspensão administrativa e essa
espécie de sabor particular que o espírito encontra nas obras do espírito machado foi exatamente um fiel essa concepção do ofício de escrever e pode por isso depois e por isso em sua longa vida realizar-se como tipo humano a deixar a melhor obra literária produzido no brasil para um dos maiores estudiosos e críticos de machado de assis no brasil nosso confrade alfredo bose que estaria aqui se não fosse o seu luto pela perda dessa mulher extraordinária que foi clara bose em alienista em o alienista a um desenho claro de situação de força situação de força itálico
e assim alfredo bose descreve o bacamarte filho da natureza na terra ele traz para a coletânea nomeada de maior médico de portugal e das espanholas protegido pelo rei foi convidado para reger a universidade de coimbra ou se preferir se despachar os negócios da monarquia ele pode itálico executa exercícios tar os projetos a ciência que observa será o status de nobre e portador do vale mento have seu estatuto de nobre e portador do blog medo e transforma em ditador da pobre vira de itaguaí o eixo da novela está portanto no arbítrio do poder antes de ser
um capricho de um cientista de olho metálico também é ele ele diz mas quando um grupo popular se insurge contra a tirania o médico marcha até à câmara baixa até a câmera esse que eu acabei de dizer exige o fim do do da câmara responde à câmara missão pública que a ciência não podia ser emendada por votação administrativa - ainda por movimentos de rua em um altar o trono o saudoso há dois anos é um livro foi premiado pela academia afirma a figuração da loucura e seus correlatos políticos são com certeza uma das linhas a
força de o alienista mas não a única nem a principal a denúncia irônica do poder ea investigação humorística da loucura exercem função secundária em argumento mais a bandeira abrangente se dê mais importância na dinâmica da história o texto incorpora a insana como condição para discutir não apenas um exercício mas sobretudo a constituição da autoridade assim o texto deve ser lido como imitação burlesca da história do mundo particularizada no passe do processo da hierarquiza são de uma cidade nessa dinâmica destaca-se o padre lopes alegoria da igreja desde o início ele ambiciona desautorizar a marte neutralizar as
verdades da ciência ratificar a teologia e manter o controle da cidade a tensão entre o padre o cientista compõem o fio central da trama deixando se interpretar como paródia do velho debate entre a tecnologia ea ciência empenhados com igual obstinação em apresentar a melhor hipótese sobre a origem do mundo e os meios de governar ao por essa perspectiva o enunciado artística do violinista que deveria ser lido como intervenção caricatural de machado de assis no grande debate entre o altar e o trono ao otário trono ocorrido por ocasião da tensão religiosa 1872 1875 em que pedro
2º teve que se curvar aqui não sei se concordo muito com ele diante do poder internacional do clero neste conflito poderá também ser interpretado como uma espécie de riso e desencantado diante da austeridade da encíclica de pio nulo santa cura movimento que desencadeou a crise entre os poderes político e religioso no brasil e as senhoras e meus senhores estou terminando por aqui mas não quero terminar é um pouquinho pensar o seguinte o que queria floyd city se tivesse lido em vida o alienista poderia talvez ter lido hoje o conto já havia sido traduzido para o
francês e até lajeado por um autor júlio senna ele fez um ponto em que contava mais ou menos a mesma coisa só passar na frança mas não sabemos o que sabemos clássicos dos seus contemporâneos como nos provou ale mas um texto de cervantes que tanto froid como machado ler um talvez pudesse dar um pouco a ligação entre os dois é a história dos a conversação de luz perus das novelas exemplares de cervantes nessas nessas conversações os perus dois cães adquirem por 24 horas a possibilidade de falar no caso espanhol então eles começam a conversar e
uma pergunta para o outro como é a sua vida com o nosso dolo o outro disse não quero falar da minha vida aliás vamos fazer o seguinte você senta e conte a sua vida eu fico aqui fazendo observações sobre como foi sua vida quais são os seus problemas os seus anseios e se a conversão de luz pedro cervantes e que floyd afirma que a base é fundamental a semente que levou a interpretação dos sonhos foi esse texto de cervantes machado também escreveu um texto em que dois burros conversam mas a conversa dos bulls é outra
a conversa dos burros mostra o machado quase como um marxista falando na mais-valia falando na velhice os problemas da aposentadoria que eles iam acabar em açougues porque estavam velhos e cansados e não teria outra coisa para fazer e não tinha uma reforma da previdência que o salvasse então essa conversão de luz peru ea conversação dos burros me dá um pouco a há a idéia de que machado muito bem agora para encerrar mesmo eu queria dizer que esse ciclo que ana maria é coordenou todos os ciclos e me deu a oportunidade de coordenar esse infelizmente bose
não pôde eu vim aqui falar um pouco do que eu sei do que estudei do que pesquisei é que foi uma homenagem aos 27 médicos que ocuparão cadeiras nessa casa se me permitem eu vou ler rapidamente os nomes só em ordem alfabética frame contínua luiz de castro afrânio peixoto antónio sérgio antônio da silva melo barão de ramiz galvão carlos chagas filho claude souza clementino fraga constâncio alves deolindo couto fernando magalhães francisco de castro gonçalves de magalhães guimarães rosa e vai lhes ivo pitangui joaquim manuel de macedo laurindo rabelo maciel monteiro manoel torres de almeida maurício
de medeiros miguel couto miguel osório de almeida quem mais deus o nosso querido moacyr scliar que foi um dos únicos homenagear o único homenageada oswaldo cruz peregrina júnior qualquer espírito teixeira de melo fundador da minha cadeira número 6 isso fica uma sugestão para o próximo ciclo da cadeira 41 são mais de 27 e quase que uma academia nacional de medicina que esteve aqui conosco mas nada dizer muito obrigado por toda a atenção e desculpe se eu me ensinou atende há uns que vocês esperavam muito obrigado [Aplausos] muito obrigada a cícero sandroni por essa conferência que
começou e acabou tão redondinha ele acabou falando na insanidade na insana do poder autoritário e arbitrário e começou falando na luta insana contra o computador esta manhã então ele já entrou na insanidade cedinho e estava bem à vontade pra poder falar nisso fez esse apanhado geral da obra de machado não só do alienista e vou só completar com que ficou de fora que eu acho que é o dom casmurro que é um livro que também o autor aborda a loucura no romance em primeira pessoa contando como pouco a pouco o personagem vai se desligando da
da realidade e construindo uma realidade paralela e enganando todos nós leitores ou não mas fingindo que não está ficando louco diferente do diário de um louco do gogol por exemplo que é outro exemplo né de medicina loucura insanidade em sania e literatura enfim mas nos trouxe cícero sandroni hoje essa excelente reflexão tão completa sobre esses diferentes aspectos do alienista que talvez seja de certo modo relato mais atual na obra de machado como ele mencionou no que se refere à análise de nossa sociedade nas tentativas não na na psicologia mas nas tentativas de julgar o outro
de julgar o diferente de desqualificá-lo de silenciá-lo de tirar do convívio comum a todos nós e sempre merece uma releitura machado faz isso de maneira tão brilhantes sempre só uma última menção terminando aqui a outra doença que é pelo psi que é doença do machado que ele mencionou também a eu queria recomendar aos que tiverem interessados nisso a leitura de um excelente livro que saiu no ano passado chamado exatamente machado de silviano santiago em que ele estuda e analisa o estilo de machado de assis à luz da análise do que seria sua fé do que
seria uma análise da epilepsia com tropeços trambolhões convulsões desvios deslizes e como isso todos esses processos físicos da convulsão epilética vão se refletindo no estilo de machado é muito interessante é um livro muito bonito ou seja machado é inesgotável sempre na saúde e na doença na alegria na tristeza e em todos os momentos que fazemos com ele [Aplausos] agora convido todos para a próxima conferência dia 7 de novembro terça feira às 17 30 conferencista vai ser acadêmica rosiska darcy de oliveira o título será os ativos do brasil a cultura ea sociedade é o título da
conferência de um ciclo que se inicia sobre idéias para reconstruir o brasil estão todos convidados muito boa noite [Música]