No Resposta Católica de hoje, gostaríamos de responder à pergunta de um internauta que diz assim: "Padre Paulo, como entender que a Igreja não erra? ", bom, em primeiro lugar, no seu e-mail, meu caro, nós precisamos esclarecer o que você quer dizer por Igreja, porque às vezes você usa essa palavra designando a Igreja como um todo e às vezes você usa essa palavra designando o Magistério enquanto tal. É por isso que eu precisaria dividir a sua pergunta em duas perguntas: como entender que a Igreja não erra e como entender que o Magistério não erra, por isso, hei de gravar duas Respostas Católicas para você.
A primeira: como entender que a Igreja como um todo não erra. Vejam, no nosso Credo, nós dizemos: "Creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica", a Igreja é Santa, você não vai encontrar em dois mil anos de Igreja, você jamais encontrará um credo que diga "creio na Igreja santa e pecadora", isso não existe, nós cremos na Igreja Santa, a Igreja é verdadeiramente santa, é imaculada, nós, membros da Igreja, é que somos pecadores, mas como entender essa realidade? Como fugir desta mania, porque virou inclusive moda, essa ideia de que a Igreja é santa e pecadora?
Uma boa explicação para isso nós encontramos no Catecismo da Igreja Católica, no número 827, o Catecismo cita um parágrafo do Clero do Povo de Deus que o Papa Paulo VI publicou em 1968, por ocasião do Ano da Fé, ele explica isso de forma magistral, ele diz: "A Igreja é santa, mesmo tendo pecadores em seu seio, pois não possui outra vida senão a da graça", eis aí não existem duas vidas, a Igreja não é um duelo de duas vidas esquizofrênicas, não, a Igreja só tem uma vida, a vida da graça, a vida de Deus, a vida da santidade. Mas, o que dizer dos pecadores? Ele diz: "É vivendo de sua vida que os seus membros se santificam e subtraindo-se dela que caem nos pecados e nas desordens que impedem a irradiação da santidade dela", então, aqui é um problema meu, nós poderíamos dizer que a Igreja, Corpo de Cristo Imaculado, é um núcleo do qual eu, membro, posso me aproximar ou me afastar.
É como olhar para um organismo morto, você às vezes têm membros que estão sofrendo, que estão padecendo, fazem parte daquele organismo, às vezes aquele membro está tão doente que deve ser amputado para não prejudicar o resto do organismo. Vejam, ele está sozinho, enquanto membro, perdendo a vitalidade, eis aí, nessa metáfora, um pouco essa ideia, eu, como membro da Igreja, se me deixo santificar pela graça da Igreja, então estou unido a ela, estou em comunhão, faço parte desta realidade de santificação, mas se eu, por minha livre iniciativa e por minha responsabilidade pessoal, me afasto da vida da Igreja, então, eu vou de alguma forma deteriorando nesta vida da graça, me afastando da vida da Igreja e, portanto, saindo da Igreja, todo pecado, de alguma forma, é uma espécie de saída da Igreja, é como se eu estivesse dando passos para fora da comunhão com o Corpo de Cristo. Então, vejamos, a Igreja que é mãe, quer que seus filhos estejam em comunhão com ela, é por isso que os membros santos da Igreja fazem penitência e pedem perdão a Deus pelos pecados dos membros da Igreja para sanar a vida desses membros que vão se afastando.
É isso um pouco aquilo que o Papa Paulo VI nos explica e aqui nós vemos o primeiro significado de dizer que a Igreja é santa, tem membros pecadores, mas ela é santa. Nós não podemos dizer que a Igreja é santa e pecadora, só podemos dizer que ela é santa. Mas esta realidade é uma realidade que se estende a todo povo de Deus também num outro aspecto, quando nós falamos da indefectibilidade da fé, sim, eu, membro da Igreja, posso pecar e eu, membro da Igreja, posso perder a fé, mas a Igreja não pode perder a fé, por isso, quando nós falamos de infalibilidade, estamos falando de uma característica que pertence à Igreja, a Igreja é infalível em matéria de fé, você diz: "Mas, padre, não é o Papa que é infalível?
Não são os concílios ecumênicos que são infalíveis? ", não, calma, o Papa, os concílios, o Magistério, nós iremos tratar numa outra Resposta, mas digo desde já, ali trata-se de um ministério a serviço da infalibilidade. Quem é infalível mesmo é a Igreja porque a Igreja não irá perder a fé, vejam o que diz o Catecismo da Igreja Católica, no número 889: "Para manter a Igreja na pureza da fé transmitida pelos apóstolos, Cristo, ou seja, o próprio Jesus, quis conferir à Igreja uma participação em sua própria infalibilidade, Ele que é a Verdade", então, vejam só, a Igreja participa da infalibilidade de Cristo porque ela é membro, ela é o Corpo de Cristo, então, existe uma participação.
E em que consiste isso? "Pelo senso sobrenatural da fé, o povo de Deus se atém indefectivelmente à fé sob a guia do Magistério vivo da Igreja", ora, nós sabemos que haverá sobre a terra, aquela famosa pergunta de Jesus: "Quando o Filho do homem voltar ainda vai encontrar fé sobre a terra? ", sim, mesmo que encontre fé sobre a terra somente sobre aquele pusillus grex, aquele pequeno rebanho daqueles que ficaram fiéis, mas haverá sempre uma Igreja fiel, com fé indefectível, onde reconhecer essa Igreja?
Onde ver que ela está? Bom, iremos reconhecer essa Igreja na Igreja que continua a fé dos Apóstolos ao longo dos séculos, nós não podemos aqui nos equivocar, não se trata de uma questão de quantidade de pessoas, não se trata de maioria, "ah, a Igreja é composta da maioria dos católicos que se dizem católicos", não, muitas vezes a fé da Igreja está num pequeno rebanho, enquanto a oficialidade da Igreja aparece inchada, cheia de membros que, com seus pecados e com a sua apostasia vão deixando a vida da graça, existe aquele núcleo, aquele núcleo da Igreja que permanece unido à vida da graça, aquela santidade e aquela santificação promovida pelo Corpo de Cristo e que, portanto, são estes os indefectíveis na fé. No próximo Resposta Católica veremos qual é a função do Magistério em tudo isso e como é que nós, obedecendo ao Magistério, podemos ter uma certa garantia desta fé indefectível.