[Música] essa é a nossa segunda aula da primeira semana Nossa segundo vídeoaula se na primeira vídeoaula nós respondemos à pergunta o que é literatura agora nessa segunda videoaula nós vamos responder à pergunta para que serve a literatura tal como na na primeira videoaula eu vou trazer uma citação que eu gosto bastante que é do Ítalo Calvino há coisas que só a literatura por seus meios específicos pode nos dar ou invertendo um pouco a cação del do Calvino há meios específicos na literatura capazes de captar a experiência de determinada forma que outras linguagens não são capazes
e isso seria um valor específico da literatura mas imagino que assim como eu me incomodo vocês também devem se incomodar bastante quando alguém pergunta para você vocês fala assim ah que que você faz ah eu estudo Literatura e a pessoa pergunta assim Para que serve literatura eu acho que a primeira resposta que a gente gostaria de da é não não serve para nada e daí né Tem um monte de coisa que não serve para nada a literatura também mas a gente sabe que a gente vive num mundo em que as coisas são valorizadas pela sua
função Ou seja é importante que a gente consiga identificar Quais são as funções da literatura ou a literatura serve para esta e aquela coisa para que essa prática da literatura seja valorizada e o que nós vamos fazer hoje é falar sobre algumas dessas funções da literatura e questionar também os limites dessas funções antes de abordar dar as funções eu queria só fazer um registro histórico importante quando a gente pensa na literatura no sentido antigo né a gente ou seja antes da invenção da prensa móvel que acontece em 1450 quando a gente pensa nos códices nos
papiros nos pergaminhos nos primeiros livros a gente tá pensando numa função de registro isso é por mais que houvesse alguma intenção estética aquela aquela estetização da literatura ainda não havia se autonomizado Então a primeira função da literatura que você poderia identificar é essa o registro das coisas o registro da experiência os escribas tinham por função registrar a tradição textos importantes para rituais eventualmente alguma passagem histórica etc com a fundação com a invenção da prensa eh as funções da literatura começam a ficar mais prementes mais urgentes a primeira delas que a gente vê muito facilmente Acontece
ao longo do século X no fenômeno chamado a reforma protestante e a contra a reforma católica não há como negar que a invenção da prensa foi fundamental para que se reproduzissem as bíblias em língua vernácula Ou seja a partir da ideia de que eu posso reproduzir livros mais facilmente eu vou ser capaz de reproduzir as bíblias em língua vernácula Ou seja na língua daquele lugar né em francês em alemão em inglês isso foi muito importante pra reforma protestante da mesma forma há diversos livros católicos não só enfim a o estabelecimento de como seria a Bíblia
católica a partir do século X mas também narrativas e nós temos aqui no caso o ranstad em 1557 narrativas que funcionaram como eh publicações de fé eh dentro do Mundo Cristão ou seja uma primeira função facilmente identificável da literatura no século X mas ainda existe claro né é a função catequética uma segunda função que eu gostaria de marcar tem a ver basicamente com a ascensão dos valores valores burgueses a partir do Séc Séc 18 e 19 ou seja a partir da formação dos estados nacionais passa a haver uma população a ser educada e aí um
um grave questionamento através as autoridades que é que tipo de literatura eu vou fornecer para essa educa para essa população que precisa ser educada quais os valores eu vou cultivar nessa população então Eh quais valores são importantes paraa nação alemã quais valores são importantes paraa nação francesa quais valores são importantes paraa nação inglesa e se começa a cultivar dentro da literatura uma função edificante Ou seja a literatura como a formação do homem dentro de valores que os estados nação que as nações consideram importantes Então já falei de função de registro função catequética e função edificante
colada a função edificante eh também se cultiva eh não só no universo burguês Mas mesmo antes a ideia de que a literatura também serve para criticar aspectos que se considera injustos numa determinada sociedade ou seja ao mesmo tempo que uma literatura serve para cultivar determinados valores ã sei lá ombridade família religiosidade coragem eh etc etc a literatura também serve como uma forma eh importante de crítica às injustiças ou os valores que não se considera corretos né então tanto Num caso edificante quanto no caso de crítica né de contestar de subversiva eu estou falando de funções
políticas da literatura a partir daquele debate que a gente já tá desenvolvendo Anes da primeira aula de que a literatura precisa se autonomizar para ser chamada modernamente de literatura nós Já conseguimos observar que essa autonomia nunca se dá por completo né ou seja por mais que a literatura seja a expressão do Belo pelo texto escrito essa expressão do Belo nunca vem sozinha ela sempre tem uma função de registro uma função de de catequese uma função política etc etc é como nós como eu tô tentando mostrar para vocês nessas duas primeiras aulas uma outra função essa
Sim imbricadas isto é a gente poderia falar que essencialmente algumas pessoas defendem isso que essencialmente a literatura tem a ver com o texto ser bom com o texto ser bonito com texto ser belo Ou seja eu preciso expandir o campo da expressão do texto escrito E aí há alguns movimentos simbolizo por exemplo aqui na na imagem vocês estão vendo a capa do romance as avessas do desan eh um escritor francês o ismã e nesse nesse livro Por exemplo defende-se que não eh eu não preciso atrelar a função da beleza a uma outra coisa eu preciso
defender a função da beleza porque é uma função muito importante expressivamente e humanamente para a sociedade então uma outra função importante da literatura é a função expressiva ou a função da autonomização do estético dentro do contexto que nós já debatemos na primeira aula de indústria cultural Eu vou ser um pouco polêmico agora ao dizer que é é muito tranquilo no universo Literário de hoje em dia no universo Editorial de hoje em dia dizer algo do seguinte do seguinte do seguinte modo a literatura também foi tem a função de vender ou seja a literatura também é
uma mercadoria e como tal ela precisa ser vendida então se eu tô pensando aqui nas funções históricas e políticas da literatura registro catequese edificação subversão expressão um um uma função bem Chã da literatura bem baixa da literatura mas que é Evidente no mundo de hoje e precisa ser considerada é que a literatura foi feita para ser vendida aquele livro precisa ser vendido e portanto ele é um produto e uma mercadoria como qualquer outro e aí diante vejam como é interessante diante dessa função da literatura dessa necessidade da literatura de se comportar com a mercadoria e
a ideia de que a literatura não serve para nada se fortaleceu ou seja algumas pessoas tentaram artistas escritores etc tentaram desmercantilização muito interessante de inutensílios do Paulo Leminski para tratar de Literatura e que a ideia de que não ela não pode servir para nada porque se ela serve para algo ela ganha um valor E se ela tem um valor ela pode ser vendida vou repetir isso porque é um pouco complicado isso é a partir da ideia de que a literatura é uma mercadoria muitos escritores começaram a defender a inut da literatura Ou seja a ideia
de que a literatura não deva servir para nada porque se ela serve para algo ela tem um valor e se ela tem um valor ela pode ser vendida veja bem como é ambíguo isso né ou seja Nesse contexto muitas vezes defender que a literatura não serve para nada tem uma intenção política anti mercadológica para vocês verem como não é tão dormente assim o debate sobre Literatura e eu vou agora a gente tem um momento mais complexo da aula eu vou tentar ler com vocês uma citação de um filósofo bastante complicado mas não se preocupem com
isso A ideia é discernir as ideias desse filósofo pra gente consiga e fechar o nosso debate dessa dessa segunda vídeoaula é uma cação do Adorno de de um ensaio chamado o artista como representante e o Adorno diz assim gostaria de tornar claro que a persistência na imanência formal não tem nada a ver com a exaltação de ideias imprescindíveis mas perniciosas que Em tais obras e nos pensamentos que lhe são próximos e semelhantes pode se manifestar um profundo conhecimento das transformações históricas da Essência mais profundo que o das declarações daqueles que tão ansiosamente se dispõe a
modificar o mundo mas corre um risco de deixar escapar justamente peso insuportável do mundo que pretendem modificar eu sei que apesar do filósofo ser careca é uma é uma cação cabeluda essa mas a ideia é que eu consiga discriminar essa situação com vocês o que que o Adorno tá dizendo quando a gente tá quando a gente tá identificando qual é a função de um determinado texto literário isso não é uma tarefa simples o Adorno aqui está comentando especificamente textos aparentemente engajados e textos não engajados e isso que ele chama de persistência na imanência formal são
os textos não engajados e o que mais abaixo ele chama de daqueles que tão ansiosamente se dispõe a modificar o mundo são os textos engajados o que o Adorno tá nos chamando atenção é o seguinte muitas vezes textos que se recusam a assumir uma determinada função política e parece e parecem a uma primeira leitura textos alienados eles podem estar tão preocupados com a expressão do mundo como ele é para além das ideologias que ele passa a ser um texto mais engajado do que o texto dos engajados Isto é muitas vezes uma determinada disposição política ou
ou seja um texto literário assumindo uma função política ele pode ser mais alienado do que um texto alienado o que nos interessa aqui basicamente é chamar a atenção de vocês para isso Quando vocês tiverem que que defender se um texto é ã engajado ou não catequético Ou não edificante ou não subversivo ou não o Adorno tá falando com vocês cuidado porque muitas vezes um texto se comporta de um determinada forma na superfície mas se comporta de outra forma na sua estrutura então às vezes textos são muito engajados mas eles circulam entre pessoas para as quais
aquela aquelas ideias não estão em disputa então eles ele pode ser profundamente alienador e por outro lado textos que parecem alienados eles podem estar representando um determinado tempo histórico de maneira tão precisa que eles causam mais impacto na transformação desse mundo do que textos engajados espero que eu tenha conseguido porque esse essa é de fato uma situação cabeluda o que que nós vemos o que que nós vimos hoje na videoaula de número dois da primeira semana eh vimos algumas funções importantes da literatura registro das experiências funções catequéticas ou religiosas edificantes subversivas ou contestadoras função estética
função lucrativa que é uma função Chan que eu que eu comentei aqui e e a função de não ter função nenhuma Nós também Vimos que não é simples discernir qual seja a função de um texto Isto é não é simples você olhar para um texto ler e falar ah esse texto tem essa função porque muitas vezes Existem várias funções ali e muitas vezes um texto pode ter uma função na superfície e outra na estrutura para Além disso eu queria deixar uma uma conclusão provisória tal como eu fiz na primeira aula Isto é para além da
dificuldade de discriminar com precisão as funções da literatura é importante dizer que elas permanecem existindo no mundo de hoje elas não estão localizadas naquele tempo ou seja você ainda encontra literatura catequética hoje você ainda encontra literatura edificante literatura subversiva etc elas não estão presas a um momento histórico E além disso existem outras funções que Vocês poderiam identificar como por exemplo entreter né aquela ideia que eu falei na primeira aula literatura de entretenimento O que que significa uma literatura cuja função é entreter o seu leitor vocês saberiam me dizer outras funções da literatura que não estiveram
presentes nessa aula mais uma vez eu agradeço pela atenção não fiquem com dúvidas revejam as aulas quantas vezes vocês quiserem entrem em contato com os monitores ou comigo estamos sempre à disposição um grande abraço tchau tchau [Música] s [Música]