e o racismo é complexo e tem muitas variadas quanto mais escura a cor da pele da pessoa mais chances ela tem de ser atingida pelo preconceito a essa discriminação por tonalidade de pele chamamos de colorismo e a sobre este tema que vamos conversar agora eu sou Olívia talmon e este é o afro te ver entrevista o colorismo e sustentado por outros elementos como o tipo de cabelo nariz boca etc é sobre isso que nós vamos conversar agora com a advogada professora da Universidade de Quebec no Canadá diretora do Instituto Luiz Gama Alessandra eu busque que
acaba de lançar um livro sobre o assunto Alessandra muito obrigada pela sua presença por abrir um espaço na sua agenda tão lotada você que está aí do outro lado e do mundo no Canadá eu começo perguntando a você é o que que você acha do colorismo tá sendo tão debatido eu acho que é muito importante a gente passar a conversar de uma forma mais rigorosa mas cuidadosa sobre o colorismo porque eu acho que nós passamos tempo demais respondendo as relações que são pautadas sim nisso que nós chamamos de uma hierarquiza são das pessoas de acordo
a com a sua Associação com a sua proximidade a traços de européenne idade onde africanidade não acho que é um debate necessário porque ele fala sobre a nossa Constituição identitária né ele fala que sobre quem nós somos no Brasil e sobre aquilo que às vezes estabelecem como um processo de opressão e como essa pressão é exercida sobre 46 por cento da população que são negros de pele clara e mais de 9 por cento O que são negros de pele escura eu acho que é um debate que nós não podemos mais evitar é você no seu
livro você você fala que o colorismo é sofisticado que que você quer dizer com isso e ele não é Bru como a mais vemos por exemplo a em processo de Apartheid como nós vemos na África do Sul como a institucionalização de espaços para brancos e para negros como nós vimos por exemplo nos Estados Unidos né que tem uma regra que é muito mais dura em relação à identificação racial que a regra do ano já problema né ou seja basta que você tenha na sua área dirigir sua árvore genealógica né alguém que seja considerado negro sou
pertencimento racial já fica ali estabelecido e não é assim que acontece no Brasil né por conta de um processo colonizador especial que faz referência a um país a que implicou o que que infelizmente empreendeu vamos dizer assim de um genocídio em relação à população é a era preciso fazer uma construção a mais sofisticada no sentido de estabelecer regras que pudessem atingir essas pessoas que detêm também traços europeu unidade dentro da sua constituição física então é como com a mestiçagem os as ligações as conexões raciais às vezes elas se atenuam né O pertencimento Cultural também ele
é ele passa a ser mais complexo era preciso criar ordens culturais né aqui po que implicasse em uma domesticação em uma disciplina uma ordem disciplinadora vamos dizer assim a sobre as pessoas no Brasil você diria por exemplo que ai diferenciação muito clara é ao tratar pessoas com tonalidades de pele é o que eu fico me perguntando assim por exemplo que você falou dos Estados Unidos e a gente sabe Apartheid a gente vem logo na cabeça África do Sul mas a gente sabe que não foi o único lugar é o Brasil já é pela pelo que
você vê é a imagem é realmente o colorismo a cor da pele é isso no Brasil o racismo se estabelece muito pela leitura racial que é data né gente sempre tem aquela anedota vamos dizer assim é muito comum de 15 quando nós temos uma uma dúvida em relação ao pertencimento racial de alguém basta Pedir para que ela faça um pequeno passeio na rua até tarde da noite a para perceber o tipo de abordagem policial que ela vai receber a linha de caras não sabe se a pessoa é linda socialmente como branca ou se annelida socialmente
como Negra é mas eu diria aqui no Brasil o o coloridas mulher sofisticada porque ele não implica exclusivamente a na questão da da pigmentação da pele né Ele é complexo sentido de que ele vai também enfim valor para outros traços do fenótipo Associados a esse pertencimento racial então textura de cabelo espessura dos lábios tamanho do nariz formato do rosto formato do corpo né são todos elementos associados africanidade que nós culturalmente estabelecemos no Brasil como padrões supostamente inferiores porque os padrões que mulheres negras devem alcançar vamos dizer assim são os padrões da de uma ideia estabelecida
de supremacia Branca né você percebe que tenho por exemplo é existe uma quem tá no tratamento das pessoas de acordo com a tonalidade da pele o tipo de discriminação que as pessoas vão sofrer no seu ambiente de trabalho o tipo de esteriótipo que é atribuído essas pessoas negras ele tem nuances ele tem diferenças de acordo com a tonalidade dessa Pele Negra Então você tem uma pele negra escura Eu tenho um racismo que é muito mais a na associação das dos traços animalescos na associação de a condutas a mais violentas né E quando essa pele é
mais clara eu associo como chamado a negro de serviços tem alguma o pertencimento vamos dizer assim aquilo que se compreende Como a cultura hegemônica a cultura superior Branca europeia ligada à ideia de civilização que nós temos como a ação fosse algo diretamente associado à Europa então a gente nega tudo aquilo que é processo civilizatório de Constituição histórica existente nos países árabes nos países africanos estão estabeleço um padrão de civilização vamos dizer assim e essa pessoa negra de pele clara parece tem essa esse arquétipo mas aceitável mais atrativo porque se conecta ainda que seja por meio
da mestiçagem com esses elementos a que culturalmente são construídos como elementos civilizatórios e como é que mede o tom da pele tem um negrometro É isso aí tem pessoas afroconvenientes eu queria entender eu queria que você tá usando queria que você ilustrasse porque por exemplo me ver na cabeça é a rebelde e que é filha de pai negro e mãe branca é a Mega marcou a mesma coisa a mãe o pai branco e eu sinto um exemplo brasileiro bem claro que é o da Fabiana Cozza que não pode fazer o papel de Dona Ivone Lara
porque tem dentro da própria comunidade negra é isso é um outra coisa que eu preciso que você fale ela não foi a certa foi considerada a tinta fraca para fazer o papel porque dona Ivone era re tinta quer dizer é complicado delicado tratar porque a gente tá falando da gente mesmo nós negros EA não aceitação no colorismo é grave eu tenho assim muito receio de uma concepção que é quase um canibalismo racial né Ou seja quando você fala de negrometro da impressão que nós fazemos a identificação racial quase por uma fórmula de máscara né tem
a aquele me famoso da Renata sorrah com aquele monte g de fórmula Zinha sabe como o tipo de Fórmula Mágica para estabelecer algo que não é exclusivamente baseada construído sobre o fenótipo sobre o canal ativo ela também a identificação racial lá também passa pelo elemento cultural ela não é exclusivamente associada ao fenótipo mesmo que só se realmente nós passamos a identificação do outro uma vez que nós não conhecemos necessariamente de História sua família seu pertencimento cultural por aquilo que ele se apresenta de forma energética né pelo seu fenótipo e eu acho muito temerário né para
dizer o mínimo estabelecer a identidade racial de alguém exclusivamente sobre um fator porque a identidade racial ela é um complexo de fatores no Brasil majoritariamente fenotípicos mais erro e existem outros fatores preponderantes como é o caso por exemplo dos Estados Unidos ou da maior parte dos países do Norte o que eu acho que é importante a gente perceber nessa discussão é que o que é fundamental de se entender é que a as pessoas né a ação livres para amar e para se relacionar com quem elas quiserem só acho que é muito importante de dizer no
entanto as nossas os nossos afetos as nossas relações humanas da maneira pela qual nós nos associamos nós nos identificamos nós desenvolvimento nós desenvolvemos empatia pelo outro isso é E aí não é um ato volitivo é um ato que faz parte da sociedade Portanto ele é imposto nós e projetamos Valores que não necessariamente fazem parte dos nossos valores morais mais íntimos por isso que a gente é por isso que a luta anti-racista é uma luta política mas também é uma luta de observar o nosso comportamento cotidiano porque tudo à nossa volta lembra processo de escravidão tudo
à nossa volta lembra espaços e nos impõem espaços de poder exclusivos a brancos e espaços de miséria de precariedade de vulnerabilidade que são associadas as pessoas realizadas as pessoas negras né as pessoas indígenas porque a história se construiu para determinar para predeterminar um espaço necessariamente essas pessoas tanto pessoas a mestiças né pessoas que também tem o elemento branco na sua família mais que são lidas pela sociedade como e as negras essas pessoas elas carregam dentro de si e no na forma pela qual as vão se relacionar com o mundo elementos da sua Negritude Então eu
acho que o caso da mega Marco é bem ilustrativo da maneira pela qual nós entre aspas aceitamos pessoas a negros de pele clara ou seja ela foi considerada atraente o suficiente né pelo príncipe que vende um ambiente extremamente branco e racista né vamos sempre nos lembrar o que significa politicamente a existência da família real britânica e do seu império de colonização a mas o casamento e o afeto não salvaram uma mega Marco a de um racismo midiático extremamente violento mostra muito claramente que a Negritude ela é clara ela é a mesmo sendo Clara né mais
clara o clarividente para as pessoas a brancas a quando precisam identificar essa pessoa como não Branco uma alguém que não pertence àquela ordem de normalidade a tanto cultural como ser notifica daquilo que nós consideramos ser Branco inclusive Poli ticamente daqui é considerado pelo que se considera ser negro e ser branco e eu acho sim muito simbólico o fato de aveia né de acordo com que saiu né na mídia de que havia uma preocupação em relação justamente ao tom de pele do bebê Ou seja a ideia de se tornar permanentes um elemento tornar permanente o elemento
negro na família real britânica foi uma preocupação e é uma preocupação a em ambientes que precisam preservar o seu poder e o poder está relacionado com o fato não pode ser branco ou de parecer Branco coisa que a média no arco Nunca será Deixa eu aproveitar essa carona para falar por exemplo é que se fosse me classificar e classificar você por exemplo né Já me chamaram de tinta fraca né Eu acho que o pejorativo para caramba mas você por exemplo é você tem um devulsky de vos que não sobrenome é os traços lábios que é
o que define né o colorismo também além da cor da pele Você tem os lábios né mas carnudos o olhinho mais puxado de Neide índio enfim realmente o com o Dudu da mestiçagem aí é você ficou bem à vontade para escrever o livro muito porque em nenhum momento da minha vida e da minha socialização eu tive qualquer dúvida a respeito do fato de ser negra porque se Negra era algo que me era jogado de cotidianamente no sistema escolar então eu vendi Diamantina é uma cidade do interior de Mato Grosso no qual eu nunca fiz chamada
de parda Eu nunca fui chamada de nada aqui lembrança mestiçagem e é por isso que eu acho muito importante dá um lugar para essas pessoas porque esse lugar ele é dado infelizmente pela leitura que é feita pela sociedade não é um ato de escolha né na responsabilidade de explica essas narrativas de explicar essas histórias que eu tenho certeza que não me pertencem exclusivamente e muitas pessoas no Brasil vivenciaram também e dentro de uma sociedade racializada' colorista e racista eu tenho mais facilidades que a minha irmã negra de pele escura e eu só consigo promover uma
luta anti-racista a eficiente consciente desses processos e amada para poder destruir olha queria ficar com você aqui em baixo tempo que eu quero te agradecer do fundo do coração pela equipe da flor TV para você abrir aí esse horário na sua agenda que eu sei que é bem atribulada você tá lá do outro lado do mundo gente lá tá lá no Canadá conversando com a gente aqui no Brasil muito obrigada eu te agradeço tchau e você sabe que o tio esse tema mande o seu comentário e até a próxima E aí