Pronto gente Bom dia eh hoje é segunda-feira dia 29 de Abril de 1924 são 9 da manhã a gente tá começando a nossa comig grar livre Nacional organizada pela pela RBA eh e pelo comitê de imigrações e antropologia da RBA e a nossa primeira mesa hoje é coordenada pela professora Ângela Facundo já passo imediatamente a palavra para ela enfim vamos aos trabalhos obrigada bom dia para todes eh Bom então é na conferência livre de antropólogas e antrop antropólogos da migração eh que organizada pelo comitê de deslocamentos imigrações da Aba coordenada aqui pelo professor e colega
Igor Machado vão acontecer sete messas n acontecerá entre hoje e amanhã mas elas vão ser disponibilizadas depois na na TV eh eu queria comentar eh antes da gente passar a palavra para as convidadas que eh o título né que a gente decidiu refletir sobre como os processos de Gênero e raça ou racialização acontecem eh nos processos migratórios na verdade deixou de foram um monte de outras categorias que fazem parte cop substancial eh desses processos né então a gente não pode falar dessas coisas sem falar em raça sem falar em nacionalidade sem pensar na sexualidade na
religião Então na verdade são eh um um monte de marcadores sociais da diferença que que a gente né pelo menos da forma que eu venho trabalhando com eh as migrações Eh não não não são pensadas como dimensões diferentes né que se encontram às vezes ou às vezes não mas a gente pensa essas dimensões diferentes como a consubstancialidade que configura tanto sistemas interligados de opressão quanto suas manifestações cotidianas na vida dos sujeitos eh a gente também insiste né da forma que a gente vem trabalhando eh no comitê quando eu era parte nas minhas pesquisas e na
na militância PR migrante na ideia De que gênero não é a mesma coisa do que mulher ou mulheres né então como uma como uma forma de organização hierárquica do mundo igual do que a raça a gente tem que pensar como ele atinge vários corpos de maneira diferente como os produz né então Eh por um lado a gente para pensar em gênero tem que pensar as mú múltiplas formas em que mascul idades feminilidade sexualidade se produzem eh mas ao mesmo tempo outra coisa que eu queria reforçar e deixar eh Como a provocação para começo das discussões
é que o gênero também não é apenas uma dimensão que se manifesta na vida eh individual de sujeitos e sujeitas né Eh o gênero também está presente nas práticas de gerir e governar eh e a gente tem manifestado como essas formas generificadas de governo de populações as às vezes também vão produzindo realidades generificadas de nação eh de estado e por aí vai né de Fronteira então Eh essa é outra é outra Dimensão que a gente queria eh colocar como parte do debate nesse primeiro momento eh da da da primeira mesa da conferência livre de antropólogas
e antropólogos da migração eh então a gente convidou algumas pesquisadoras militantes ativistas migrantes eh filhas migrant migrantes de segunda geração e pessoas que não são migrantes mas trabalham com populações migrantes e pretendemos pensar que dilemas eh dimensões aspectos Identificam nas suas experiências de pesquisa de militância como enfim como como enfrentarlos e que imaginação né a gente poderia propor para combater o racismo o sexismo o machismo a a o classismo e tantos outros e evidentemente eh falando em comunidades migrantes a gente tem que falar também das Comunidades locais de escolhida né então como a gente faz
para pensar eh essas dimensões E especialmente né quais são essas essas dimensões encontradas eh Nas pesquisas e experiências eh a gente tá começando enfim bem na hora porque tem outra mesa que começa às 10:30 então ainda estamos esperando uma das das convidadas mas eu já vou fazer logo apresentação eh das pessoas que estão cá na mesa eh e passo a palavra pal depois da apresentação de todo mundo para Laura Então Laura queja é uma mulher indígena migrante mãe feminista e antirracista bacharel em nutrição pela Universidade Nacional de Sant Agostino No peru é graduada em psicologia
pela faculdade [Música] e da desculpa eu perdi aqui a faculdade paguei depois eu corrijo e a Laura mestranda e ah da facade da Faculdade Promove desculpa que meit E é mestrada em psicologia pela pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais é uma das fundadoras eh do coletivo Cio da Terra é a atual coordenadora do coletivo Integrante da comissão de orientação e imigração refúgio e tráfico de pessoas e subjetividades do crp em Minas Gerais então eu passo a palavra para paraa Laura melhor e depois quando cada uma for falando eu faço apresentação que talvez fica menos perdido
aí para a cabeça das pessoas que estão acompanhando que depois vamos assistir então Laura eh Muitíssimo obrigada vou controlar aqui a a o tempo quando você tiver falar 10 minutos seu aviso para Você falar mais cinco muito obrigada eh bom bom dia a todas as pessoas que estão presentes nesse nesse encontro eh primeiro Gostaria de parabenizar a Ava né pela proposta da conferência E pelo recorte que está sendo considerado na mesa é uma discussão necessária e Fundamental pensando né na construção da comrar onde depois de 10 anos a população migrante se junta para avaliar e
para avaliar o que mudou né da das propostas da primeira conferência E os Desafios que ainda temos pela frente que que não são poucos eh assim as necessidades de construir propostas pensando nos marcadores sociais que determinam que uma vida seja mais valiosa aquela outra que tenha mais valor queela outra é muito grande eh nesses nestes espaços como em todos os lugares que tenho a oportunidade de falar em nome de nosso coletivo principalmente quero render quero pedir licença para render homenagem a Nossa Companheira roseline guerrer eh a Joseline era uma mulher migrante e negra que faz
faleceu no 12 de dezembro do ano passado no município de Contagem aqui em Minas Gerais e Joseline perdeu a vida pelo descaso a falha e a negligência de toda uma rede que devia deveria assegurar o acesso pleno aos direitos que constitucionalmente temos garantidos eh mas que nem sempre acontecem efetivamente em nome do c Terra expresso O nosso pesar pelo fento de nossa companheira as condolências à família e exigimos uma investigação rápida e exigimos justiça pela vida e pela morte de nossa companheiro rosseline está presente hoje e em todas nossas falas bom eh falar de Joseline
sempre me emociona porque ainda é uma ferida aberta sabem é uma situação que ainda a gente não concluiu não Fechou Então é muito importante trazê-la e levá-la presente bom eh pensei bastante assim como poderia eh qual seria a forma mais importante mais interessante de contribuir para a construção dessa mesa então pensei Um percurso de vida né e em minha história atravessada pela história de várias outras companheiras Então sou uma mulher indígena mestiça migrante que nunca tem sofrido discriminação pela raça pela Corda pele mas e por ser migrante e não falar direito o português né tive
o privilégio de estudar no meu país falo de Privilégio porque minha mãe era como da famí é uma famí e eu tive esse privilgio de conclu Formação Universitária e minha mãe não ela não teve oportunidade de concluir Ensino Fundamental com 25 anos eu mei por estar grávida e percebi que o amor terminou Pinho tempo depois do anos e aí Eucar só que em países como per muito complicada porque mas ainda falando da minha cidade do meu bairro que tem uma que tem que são espaços muito mais e conservadores então lá o éxito de uma mulher
casada é murado pelo tempo de duração do casamento e a formação dos filhos né através do casamento me projeto através do meus filos me proo E aí mulheres está luta para mudar esse Cenário então pensando nessa dificuldade de tentar me me divorciar nem mais ainda com um filho de 2 anos que que tinha como responsabilidade e er questão de como vai ficar o filho família como vai ficar o filho sem o pai como vai ser essa família integrada então frente essa dificuldade na tia que morava aqui me ofereceu migrar realizar esse processo de migração eh
e depois de pensar muito decidi vir carregando meu filho e carregando o estigma de uma Mulher Leviana que abandonou ao coitado do marido Que destruiu na família e ainda por cima levou o filho para quem sabe que aventuras ou desgraças né Eh e minha mãe que ficou lá carregou também por anos esse estigma por ter sido uma mãe que não souve criar a filha chego aqui e me deparo com chego aqui no Brasil né nesse processo migratório e me deparo com a ilegalidade e cheguei como turista porém fiquei mais Tempo então eu e meu filho
Carl nó ficamos 5 anos indocumentados eh porque noso visto venceu e me deparo Além da ilegalidade que naquele momento ainda se utilizava esse termo eh com a dificuldade do idioma com a dificuldade na validação de documentos nunca consegui validar meu título Universitário por questões de dinheiro e pela burocracia que envolvia eh me deparei também saber liar cuid f de anorte dos trabos quei inicialmente fo AAS de espanol que tamb era um desaf para tentar comunicar e forao ISO a tristeza né saud que me acomar por an nas tentativas de adaptar milhas coisas se passaram 10
anos mais ou menos vale salientar que a minha condição de indígena torna-se potente aqui em esse processo de de entender quem era eu né porque no peru a gente prefere muito ser eh ser mestiça né ou ser menos indígena Então Eh o fato de eu falar que eu podia ser mestiça gritava mais alto porque a raça a raça foi melhorada como você fala lá né categoria de mulher migrantes e como indígena tive essa compreenção mas a categoria de ser uma mulher migrante só fez sentido a partir de 2017 10 anhos depois que eu estava aqui
Quando se inicia a segunda parte de de dessa história no 2017 e eu conheci um grupo de mulheres que trabalhamos em feiras e participamos de um evento muito Ruim deu tudo errado para nós mas nós conhecemos acho que foi a parte que que deu para para salvar eh fimos convidadas a escutar um pouquinho mais sobre um projeto né que questionava a ausência das mulheres no processo de documentação na procura de trabalho na capacitação e refletia sobre o encontro das mulheres migrantes que estávamos em processo de migração nos juntamos e o fato de teros encontrado um
grupo sólido nos fez é fundar o coletivo c da terra então desde O 2016 actuamos aqui em Belo Horizonte criamos nosso lema que somos terra fértil somos terra fértil sem fronteiras eh que ressalta nossa fertilidade como poder de gerar ideias lutas e não somente filhos n eh começamos a nos entender como como mulheres migrantes a partir dest espacio de troco e reconocimiento resignificar nossas identidades né um país onde todo é diferente onde todo é Alheio nesse trabalho de de acolhida e cuidada para para para recibir novas companheiras que chegavam emos que nos dividir em áreas
porque cada área tinha demanda específica porque o idioma precisa do idioma então português precisa de Assistência Social Social precisa de de da saú encaminamiento etca eh nunca feram pcas las demandas e las necessidades cabe salientar que tivemos que construir muitas redes né muitas Redes para que eh nos dizem suporte frente à ausências do poder público nas três esferas est colectivos e organizaes da sociedade civil a décadas principais actores n no acolhimento e acompanamiento dessas dessas populaes dentro do Brasil e que estão ali lutando para garantir os direitos humanos dentro desse contexto de mobilidade humana a
foi esse coletivo então que nos Aou a comprender que o fato de ser mulheres nos tinha colocado estruturalmente num lugar de submissão e percebemos que amos que mudar essa estrutura para efetivar nossos direitos Laura passaram minutos você ainda tem mais C rho agora agora vieram frente então Tod goos decidimos construir junto a outras pessoas que trabalham com a migração que são atravessados pelos processos migratórios Eh essa pauta né que trouxesse o tema de migração a agenda política da cidade do estado do país eh a nível Municipal a gente tem puxado muito na organização da conferência
Municipal desde o começo lutamos por essa conferência inclusive batendo a porta das pessoas para das pessoas no dos eh vereadores para que financiassem esse la execução de ess evento a nível Estadual a gente participou recentemente no final de semana na sexta-feira especificamente eh Que depois de muita pressão se se executou essa conferência E a nível Nacional temos participado na na na organização de várias conferências porque entendemos que essa questão do recorte do gênero da orientação diversidade sexual eh da raça são fundamentais para discutir a construção das políticas públicas eh e pois B nesse proco de
construc de propost pensando una frase de Una psicloga una professora psicloga al vi Quandoa che racismo estrutural significa cheo aconte sua normal vai ser racista posso acentar que non ser racista ser sexista ser homofóbico e continuar excluindo aquela pessoa que não faz parte da Norma né então por isso não se trata somente de defender uma pauta identitária senão através de nosso coletivo entendemos que além de nossa pauta é a criação de redes né a importância da da criação de Espaços colectivos de luta porque pensando na migração em quanto ela não for vista como um direito
as possibilidades de vida em outro local em outro espacio sempre v a ser dificultadas eh e en quanto essas pessoas migrantes não seam consideradas sujeitas de direito vão a continuar perpetuando-se todas essas essas violências e todas essas ausências Então acho que Termino por aqui eh muito obrigada pelo convite Fico muito feliz De de poder ter trazido alguma reflexão eh para o agir O Agir eh profissional n de todos os que estamos aqui pres presentes e também para a construção de essas políticas que está alí e que estamos levando e Que bom estaremos ali lutando porque
se efectivo muito obrigada gente a gente que agradece Laura muito muito obrigada E eu aproveito para lembrar para as pessoas que estão acompanhando que tem um link no chat com a lista de frequência de Presença Então se vocês puderem assinar Seria maravilhoso então aproveito e eu passo a palavra agora para mariama eh mariama abá é atriz realizadora no audiovisual brasileiro tanto na TV quanto no cinema eh mariama Tem trabalhado em Produções como sob pressão órfãos da terra medida provisória e Arcano renegado ela também é empreendedora cultural Tem trabalhado pela inclusão das mulheres migrantes refugiadas e
ap apátridas com foco em Populações africanas e afrodescendentes atualmente desenvolve os projetos são fre e liderança Comunitária então eu agradeço a mariama mariama está conosco aqui assim a mesma mesmo esquema né eu coloco aqui o cronômetro e aviso com 10 minutos quando faltarem cin para terminar a fala então Mari eu passo a palavra para você o microfone desligado mar Bom dia Tá bom Agora dá para ouvir sim sim mar tá no ouvindo Tá muito obrigada eu queria realmente agradecer a oportunidade de estar numa mesa com mulheres tão maravilhosas que já o coração tá acelerada ouvindo
a Laura falar queria dizer Angela muito obrigada por esse espço de fala eu sou mar como falaram eu sou JEM gambiana eh gâmbia fica em África praticamente dentro de Senegal meus pais são senegaleses então eu sempre quase a Minha imigração começou em gâmbia por exemplo entre gâmbia e Senegal eu nunca me senti tão gambiana n tá senegalesa porque a gente tem esses fatos coloniais às vezes quando eu vinha no país de minha mãe eu não era gambiana suficiente quando eu estava no gâmbia enfim eh em 2000 minha primeira contato com a a imigração além de
África eu saí de gâmbia em 2005 eh era uma jovem e tinha uma copa dos Imigrantes copa mundial do sub-17 onde eu tive a oportunidade de Deixar o país para vir representar o país na verdade foi escolhida dentro da minha comunidade para representar e foi o o o lugar que eu fi realmente foi peru eh a meu primeiro contato com latino-américa foi em peru e chegamos através de um evento internacional sim com prensa Mundial porque era o mundo inteiro jogando imagina atividade de futebol mundial eh mas antes disso eu também era uma jovem que já
como a gente fala culturalmente Vinha entre cultura e religião talvez situações que você não entende então minha primeira ah motivação de querer sair ou ficar fora do país foi por matrimônio infantil eu casei muito cedo antes dos 16 anos eu já engravidei foi Maise e não era uma escola Mila eu era uma aluna saindo do primeiro ano de fundamental fui para férias a vida virou uma telenovela você vai para visitar sua mãe em uma região de Senegal casa mais que ela estava Casada e Eras quando acabava as férias eu voltaria para estudar e aí que
minha vida começou eu nunca mais voltei as férias acabaram eu falava para minha família que eu precisava voltar como eu era pequena meu tio que ia me buscar para eu voltar para gâmbia estudar ali que um dia eu fui presentado o marido daqui a pouco eu sou uma mãe e sinceramente fiquei revoltado com aquilo eu me senti invadida eu me senti enfim naquele época eu não entendia inclusive Você pensa Por que que a minha família vai me colocar numa coisa assim e isso motivou minha ficada em peru e em Peru quando a gente ah fez
o evento tudo tav tão bom no meio da Copa a gente conheceu pessoas eu acho que a primeira contato com tráfico humano eh como Jovem às vezes a gente tem essa ilusão do ocidente de perfeição fora da África qualquer lugar é perfeito direitos humanos são garantidos aqui que você pode ser a mulher que você quer Então isso para mim era muito tentativa mas você não tem ideia de onde que tá você tá metendo enfim esse teve essa decisão teve consequências que mudaram a meu psicológico também de ficar num país que eu não falava idioma que
eu acho que em 2005 Ah eu fico muito feliz com a fala de Laura de de de de de de trazer isso por exemplo a não identificação até com a própria população com a indígenas Eh eu percebi num lugar embora é um país de indígenas maioritários as pessoas não Se identificam Então para mim primeira vez que eu sofri a palavra racismo e a palavra racismo no sentido alguém que não te conheç na vida te chamar de negra mais com uma agressividade que eu não entendia tipo Ou você escuta palavras que você não sabe o que
que significa só você sente que tá desconfortado por para alguma coisa então como uma jovem de uma promessa com com uma trajetória de ser alguém na vida apesar de que passei eu me senti hoje eh que era já lutar por um Prato de comida onde que eu vou conseguir documento e aí você chega numa autoridade que fala para você você fala eu tô aqui eu não tenho documento eu preciso saber que fazer a pessoa fala volta para seu país e eu sou uma pessoa da imigração sabe e se eu tem que ficar hoje racialmente falando
às vezes essas pessoas eu inclusive posso falar inclusive eles têm também sangue preta então para nós foi muito difícil eh era Luta por sobreviver E além disso você tem esse realidade dentro de África de Tem que ajudar tua mãe tem que ajudar teus irmãos eu tinha uma filha pequena enfim daqui a pouco já é você contra a própria vida a tua cabeça que que aonde que eu vou continuar o meu estúdios nesse luta tentei o máximo que eh pude para cuidar da minha família no meio o lado triste para mim foi que eu perdi minha
mãe perdi meus avós eu acho que as pessoas que eu eu deixei em casa quando Eu voltei recentemente é você deixar uma casa cheia de pessoas e você encontrar todo mundo que mais tem sentido na tua vida faleceu e a transição no Brasil no começo Sinceramente eu vou falar que para mim foi muito legal porque quando você não tem a consciência racial você não entende Você Nosso discurso aqui somos todos iguais a gente tem que abraçar a pauta somos todos imigrantes na construtura da imigração Da participação com tudo trajetória idiomas falados eh ser pessoa pública
ou não o qual é como eh fico muito triste também de que a fala foi aberta por um assassinato de uma mulher negra e eu falo eh Exatamente esse lugar é muito discutido e eu traço mais outros casos de assassinatos por exemplo de uma jovem senegalês tá lambai abuso da autoridade violência policial eh mas não só isso a partir de começar a participar nos Movimentos negros já a morte virou uma coisa normal É como se é tão normalizado o corpo por exemplo todo dia falando de mortes a morte de juliete exato ex exatamente por exemplo
alguém tá colocando justiça para talai eh eu falo hoje como mulher negra eu eu quero postar nesse lugar de negros africanos e afrodescendentes porque quando falo de afrodescendência a gente toca como uma mulher peruana que nunca teve a consciência de racismo embora ele existe Porque talvez se alguém poderia falar é nossa é frescura eh a gente vai aprendendo eu o agradeço a Catarina né A minha irmã colega também de Colômbia que a gente eu falo ela é uma mulher branca que eu consigo À vezes inclusive bem irritada falo para ela mas eu não isso isso
isso e ela ela consegui entender isso e a gente criou esse coisa de liderança feminina como a gente fala eh a minha trajetória aqui é de trabalhar com Protocolos de grandes portes por Exemplo realizamos foi diretora da Copa dos Imigrantes refugiados em em em Rio Rio de Janeiro como chefe do Estado de Rio eh o copo foi feito com Marcelo Crivela E por aí vai fui voluntário de Cáritas durante Enfim tudo que tem maioria dos projetos sociais em em em Rio ou São Paulo fui contribuinte mas quando a gente fala da Mulher embora somos as
pessoas que mais trabalhamos Às vezes o lugar de Privilégio sempre é ocupado mais por mulher por homens sabe E a nós sensibiliza S por exemplo deles também entenderem eu e Catarina a gente tem esse luta por exemplo de lutar pro respeito do Companheiro inclusive não usar ou seja falas tão doloridas por exemplo Como usar o emoção da mulher sabe e quando a gente só para para para tentar resumir minha fala hum como falo hoje apesar de ser atriz e a gente fala onde que a gente é querido ou aonde que a sociedade nos querem é
Eles têm um costume com corpo africano sim mas por exemplo de servir servir Ou seja a partir de quanto ou seja o que mais atrai o público e isso é assustador é quanto sofrimento você fala ai não sei isso não sei isso quanto de tragédias de vida a gente tem bastante eu acho que minha vida virou um filme na minha frente mas a vontade de viver a vontade de seguir saber o que eu tenho para dar e não é só hoje para mim como falo a gente vai lutar por esse Lugar de mulheres a gente
vai lutar por esse lugar de imigrantes mais a sensibilidade o rede também e o reconhecimento de outras Colegas por exemplo de irmãs de luta para nós é muito importante na comunidade Latina porque às vezes a gente sente embora o discurso de racismo ele sempre é forte ele não é levado tão sério ele é a pauta que menos ou seja tem eh qualquer vamos dizer seja financiamento seja cuidado atenção ele que tem medo e Quando a gente fala inclusive de racismo e de xenofobia de maltratos de assassinatos é mais viável uma mulher branca falando para ela
ser ouvida no lugar de empatia do que a mulher negra Mar Só para avar você falou 10 minutos ainda tem cinco só para Tá bom olha a irmã também cobrando aqui vai eu tô em casa aqui ai muito Desculpa então Eh 10 minutos de fala o que que fal 5 minutos Sim mas você tava Desculpa ter Interrompido você estava falando que às vezes são as mulheres brancas que denunciam racismo e são mais escutadas Exatamente são levad mais sérios eh o que que hoje por exemplo e a gente fala eu não sou a pessoa que fala
ai não não sei o que a pauta eu acho muito importante a pauta racial a participação dos brancos eu acho importante porque tudo que foi feito de erro foi feito por eles quando a gente fala de superioridade de de racismo de Escravidão para nós eu era uma jovem que nunca entendi o que que era escravidão muito menos o impacto que ele causou no nosso povo que hoje eu eu eu converso com cata bastante eu falo para elart sabe o que com o tempo Apesar de que eu militei por causa ne Às vezes você percebe até
o própria Academia Brasileira ou a própria militância brasileira a reprodução de que eles entenderam do colonizador é muito fácil por exemplo deles eh como se disse Replicar você vê o tempo todo inclusive nossos irmãos pretos também falam de praude falam de africanidade sem os africanos e para mim isso é tão goso como qualquer um branco que não tem consciência sobre racismo Porque para mim até o mais aceitável que não entendeu do que quem entende e colabora talvez por sua conveniência então eu acho para o racismo mudar eu acho para as mulheres ocuparem hoje como fala
mulheres africanas também ou seja como Todo mulher merece mas se você perceber os lugares de tudo que a gente fala de assassinado de preconceito quem temos mais privilégio é os negros inclusive na comunidade LGBT em todas as comunidades se você fala de de assassinato dos lgbts você não esqueça dentro desses lgbts Também quem são mais assassinados são os negros então a pausa racial nós não vamos negligenciar mais os africanos também nós não estamos disposta a ser tratado como um país um continente de 54 Países de etnias é como a gente fala conhecia a população indígena
por exemplo oal eh etca não quero nem então para nós é importante hoje a escut ser noos ouvidos por vocês por o mundo ou seja de nosso lugar de hoje nós estamos dispostas a continuar a servir eu eu eu me percebo como apesar de tudo contribuição aqui ainda a gente continua no lugar menos privilegiada de luta diária dia e noite você tá lutando para levar um prato de comida a gente não tem Aliança com nenhuma vereadora porque às vezes imigração refugiado não vota Então são bastantes questões que hoje eu eu eu falo a importância de
sermos abraçados por vocês e c me fala Mari se terra é muito sério Irmandade é muito sério e por exemplo a coletiva de mulheres P pais também que ela faz parte mames pais e como liderança feminina RJ e queremos abrir liderança no mundo de lutar por nosso lugar de ocupar noss p eh acredito que meu tempo acabou mas queria fechar a Minha fala por exemplo sempre falar de gratidão que eu sento para as pessoas que nos abraçam de verdade para as pessoas que param de ver nossos corpos como um produto de lucro porque só a
miséria pode ser você não pode discursar de mulheres negras estarem no base da pirâmide para sofrimento para luta para tudo enquanto você nota querendo ouvir ele um lugar de Privilégio a gente precisa tambar esses lugares porque são lugares que a gente contribui nas Conferências eu eu descobri cois que por exemplo você percebe às vezes nós afri a população africana às vezes ou população negra tanto descendentes africanos ou os popos africano a gente tem lugares que são inalcançáveis por nós sabe e no lugar aberto o lugar tá ali o espaço tá ali Mas qual é o
acesso desse espaço que nós temos como que nós somos vistos ou como que nós somos ouvido e hoje Esso que é Nossa preocupação hoje isso que nós falas nós queremos também ser ouvido No lugar de respeito de empatia de acolhimento se existe racismo a gente precisa combater tanto como brancos e negros Mas a gente não pode fora disso a gente não pode estar de decoradoras de eventos ou de civantos porque s somos protagonistas de nossas vidas nossas vidas geram lucros livros eu sou uma desses Ou seja a academia e falei para Angela isso e a
Catarina quando teve a convite eu falei para ele nós da Associação dos antropólogos esse Intelectualidade de outro nível não quero entrar porque eu sino À vezes preconceito dos acadêmicos porque a gente tem isso por exemplo às vezes certas pessoas bem estudadas é tipo o pobre não quer o pobre entende a pessoa acadêmica se tipo já vira num lugar e eu ela fala para mim Mar Não não é assim Inclusive a gente quer ouvir outras narrativas porque o que eu sento aqui academias eles usam nossas falas para transformar em livros Mas por que que nós não
somos também tratados como os intelectuais também então a intelectualidade ele não é só acadm ele é an para mim é esse o lugar que eu quero apostar na ancestralidade tanto do meu povo africano de gambiano que eu conheço que é meu sangue direto e tanto como o que eu transitei aqui como falo sempre meha solidaridade mais população indígena eu sento que você não pode deve lutar e eu sento que latinoamérica ou Seja qualquer pessoa pode ser estrangeiro menos os os indígenas Então é isso muito obrigada mar obrigada mariama muito obrigada eu vou passar então a
palavra agora paraa Natália Natália centra eh F fellow pela british acad Academy na universidade de southon no Reino Unido é doutor em direito pela P Rio e seus interesses de pesquisa envolvem migrações forçadas na América Latina com enfoque de raça e gênero e ela tem ao Menos uma década trabalhando nessas temáticas enquanto pesquisadora ativista e advogada então Natália agora a palavra tá contigo e de novo agradeço as companheiras que já falaram eh Lembrando que tem uma lista de presença no link que está no chat para quem entrou depois por favor é assim Vocês conseguem me
ouvir eh Vou compartilhar aqui uma aba deixa eu ver Vocês conseguem Ver ainda não agora começou ah legal eh bom primeiro Obrigada bastante pelo convite né onde ela me convidou e assim eh tô bem honrada de estar nessa mesa com com companheiras que algumas eu conheço bem outras eu não conheço tão bem mas que conheço o trabalho o ativismo enfim Tô bastante honrada agradeço muito né é uma tarefa difícil seguir a Laura e a mariama eh especialmente a última fala da mariama né que conecta bem Eu tô aqui Na posição de acadêmica e pensar a
academia e pensar o extrativismo né da academia é muito importante Especialmente quando a gente faz pesquisas sobre temas como o de migração eh então a ideia também é também refletir eu minha ideia sempre é refletir e acho que entro Nessa fala também nessa reflexão trazida eh por Marian mas que é uma coisa que eu acho que a academia enfim eh eh não só os antropólogos né precisam eh Sempre est nesse processo de reflexão e atuação através do que dos né do que que a gente pensa e em relação a isso eh Angela havia me pedido
para falar sobre uma pesquisa na qual eu estava envolvida nos últimos eh 4 anos hoje não é a pesquisa que eu tô fazendo né A minha pesquisa atual é é sobre E aí também entra no fio do que a mariama acaba de dizer sobre questões especialmente que de políticas raciais de racismos em âmbitos de Deslocamento forçado mas pensando em comunidades haitianas e africanas não é o que sobre o que eu vou falar hoje né a ideia hoje é falar um pouco sobre o que foi essa pesquisa regide alguns dos resultados dessa pesquisa e algumas das
recomendações eh que a gente já eh fez no âmbito dessa pesquisa então bem rapidamente para para introduzir vocês um pouco na pesquisa ela foi uma pesquisa feita com múltiplos parceiros na América Latina eh foi através foi um Projeto que ganhou eh financiamento do iarc aqui no Reino Unido que é o conselho de pesquisa econômica e social eh foi um projeto que foi construído a múltiplas mãos né com diversos parceiros latino-americanos que vieram aqui paraa Universidade onde eu tô que é Universidade de southampton para fazer escrita desse projeto eh e durou então 3 anos eh tentando
pensar as dinâmicas de gênero em processo de deslocamento Forçado em diferentes contextos na América Latina especificamente na América do Sul a ideia era focar no deslocamento de mulheres e adolescentes eh venezuelanas paraa Colômbia e pro Brasil a ideia hoje é pensar um pouco dos resultados de como foi a pesquisa algumas das análises e alguns dos resultados que a gente chegou eh a gente estou no Brasil eh para pesquisa quantitativa mais de duas ou quase 2.000 Mulheres na verdade eh venezuelanas em Roraima e em Manaus Roraima foram feitas em diversas cidades majoritariamente boav vista e na
pesquisa qualitativa né com entrevistas eh eh e também com métodos de artísticos a gente tentou fazer bastante eh metodologia participativa eh com mulheres venezuelanas foram mais ou menos menos 200 então assim a gente tem tem coisas ainda que a gente ainda não conseguiu explorar mas a ideia é tentar resumir Hoje tentar falar com vocês um pouco e o que que a gente pode contribuir pensando também na com migrar em algumas recomendações porque a queir Não não é uma pesquisa mas eh reflete Então as falas dessas mais de 2000 mulheres né venezuelanas no Brasil com quem
a gente conversou eh a ideia então pensar um contexto que muitos já devem saber então eu vou passar bastante rápido também sobre a recepção brasileira e alguns problemas que são problemas e aí a gente Enfoca em gênero mas que a gente pode pensar em outros também marcadores da diferença e nessa recepção do Brasil há esse fluxo especificamente né esse esse corredor de migração específico ah lá tava em inglês antes gente então tem coisa aí que eu não vou ter traduzido ainda mas enfim eh na nossa pesquisa então só dizer que não está passando os slides
eu não sei se você está passando aí mas aqui continua na capa agora agora deixa eu assim vocês vem né Porque Eu tava no modo de exibição e talvezes é por isso vou deixar assim e aí se precisar que eu aumente também a porcentagem para vocês verem me avisa tá eh bom mas era só esse slide mesmo que que era a ideia começar agora né então na pesquisa com a gente falou então com essas quase 2 2000 mulheres e uma grande assim questão que a gente perguntou é porque Por que que elas saíram da Venezuela
né E foi bastante muito embora não Surpreenda Eh foi muito curioso ver que assim a maioria falou que saiu da Venezuela por questões de fome saúde e violência e inseguranças em geral né que eu acho que é uma coisa que a gente vê em várias pesquisas já demonstraram mas nisso pelo menos a gente conseguiu números inclusive para pensar então políticas e pensar também eh o Por que mulheres da Venezuela especificamente estão migrando eh seria bastante interessante se a gente tivesse Pesquisas semelhantes com homens também e Pens Lembrando que a gente considerou mulheres também mulheres trans
tá então todas as pessoas que se eh Auto identificavam como mulheres eh mas que também diz muito e diz muito em relação à situação de mulheres especificamente eh e os motivos principais que asas fizeram migrar Nesse contexto de uma infraestrutura que tá colapsada tanto socialmente politicamente economicamente né Eh hoje são quase 8 milhões de venezuelanos que saíram né e a maioria estão em países vizinhos e o Brasil hoje antes era o quinto país de maior recepção hoje é o terceiro né aí de maior recepção e eu destaco Exatamente isso né questão fome saúde e violência
em relação à mulheres e como a gente pensa gênero nesse nesse deslocamento eh porque são metade dessa população que que são mulheres né A maioria tá em idade reprodutiva e existe um número Muito impressionante também de mulheres que migram grávidas né então são 10% Pode parecer pouco mas se a gente pega essa porcentagem é um número bastante grande e muito curiosamente né Aliás não surpreende na verdade eh porque há uma grande questão de desnutrição hoje na na Venezuela em relação a mulheres grávidas Há uma grande questão de escassez de alimentos também eh que tem um
efeito adversos so cuidadores especialmente considerando Que são as cuidadores que devem pensar Então como alimentar seus próprios filhos eh muitas das mulheres especialmente em algumas entrevistas eh e nos processos de de enfim de metodologia de artísticas né focaram muito na questão dos filhos de como os filhos são digamos o motor para elas saírem e também pensando em em em Cuidado né Em responsabilidade de cuidados existia existe até hoje na Venezuela acesso limitado a métodos Contraceptivos Então a gente tem um contexto em que as mulheres tem que cuidar tem assumem majoritariamente asas responsabilidades de cuidado não
tem controle sobre eh tão eh tão livre né em relação aos seus eh enfim a reprodução eh e uma questão de aumento de taxo de maternidade de mortalidade materna infantil desnutrição que por isso mesmo também afetam especialmente mulheres né E aí no Contexto de migração pro Brasil especialmente no âmbito dessa pesquisa que a gente fez entre eh 2020 2023 muitos aí pagaram troche giros né Eh para poder cruzar a fronteira e então a é uma questão que não só começa né os motivos de migração Mas e a questão de gênero também impacta como migram e
o que Quais são as suas experiências eh em relação ao próprio deslocamento experiências de abuso estigma discriminação medos Especificamente traumas Barreiras socioeconômicas que elas vão enfrentar e aí tem a recepção brasileira né que eh muitos já sabem já sabem que é bastante reconhecida mundo a fora e se a gente pega algumas perguntas e por exemplo coloca em comparação ao país que hoje mais recebe venezuelanos né aparentemente eh o Brasil se desponta sim com como uma eh ótima recepção eu não vou entrar em detalhes aqui eu posso repassar esse Slide para vocês posteriormente eh mas por
exemplo o Brasil em comparação por exemplo a a Colômbia estabeleceu um programa específico de recepção e que por exemplo tinha abrigos e com enfoque por exemplo de saúde especificamente eh é um dos únicos países que reconhecem essa população como refugiada então assim se a gente coloca em termos apenas nesses termos aparenta ser uma ótima recepção né cooperação acolhida que Entra nesse projeto aí tem um orçamento isso é algo único assim realmente eu não único mas é bastante singular que tem um orçamento que vem do governo federal que é muito alto alto né mas também não
surpreende que tá dentro do âmbito do Ministério da Defesa tem um orçamento alto também que vem eh da do arf V né Para que é coordenado pela o pel então do sistema ONU e se a gente coloca apenas na teoria parece um ótimo eh uma ótima abordagem mas Obviamente na pesquisa a gente viu Eh eh alguns problemas que foram problemas dentre outros né que foram problemas generificados né alg só para te avisar já passaram 10 minutos você ainda tem mais cinco tá bom bem rapidinho então alguns custos né porque na no estabelecimento dessa dessa operação
eh a gente Foi estabelecido então uma fronteira que é secreti zada em que aumenta controle vigilância e militarização muitas mulheres elas Passam a usar por exemplo caminhos irregulares né para chegar o que aumenta riscos de violência de gênero modalidade de viagem de travessia ela determina qual instituição recebe informações orientações sobre documentos necessários onde Como chegar a esse tempo que que que algumas demoram né mais para receber pode também ser eh bastante relevante então é um sistema que privilegia quem entra pela porta oficial né e muitos nesse processo permanecem invisíveis Eh tem uma questão de barreira
sanitária também aí na fronteira e que que e que se repete especialmente em relação à comunidades venezolanas indígenas à medida que essas populações elas migram entre os Estados né E muito interessante uma mulher ela fala né ser migrante significa ser julgada né muitas mulheres elas denunciam violência e pexual e estigma eu vou dar uma pulada porque eu tenho pouco tempo eu vou pular para esse eh eh gráfico que a gente criou como Resultado é um pouco da da pesquisa né Então assim tá em inglês peço perdão por isso eu não consegui achar isso em portuguesa
mas a gente tem eu posso compartilhar depois é num livro que é de livre acesso Quais são os digamos as barreiras pro acesso né de a gente coloca direitos de saúde sexual e reprodutiva mas em geral São Direitos socioeconômicos né E como que eles se interrelacionam por exemplo pobreza questão do idioma que já Foram mencionados inclusive por Laura por mariama não só no contexto das venezuelanas né mas eh em relação a Imigrantes em geral né discriminação e como que eles interrelacionados eh determinam os processos de de estabelecimento no Brasil né então algumas conclusões tá para
pensar eh nesse Marco eu não sei porque o meu último slide não veio que era para abrir as recomendações que a gente ia trazer através da pesquisa mas uma das Conclusões é E aí pensando também no que falou inicialmente Angela né como por mais que a gente eh fez a pesquisa com mulheres eh existe uma estrutura de proteção que não pensa em gênero que na verdade se propõe e neutra na questão de gênero mas tem efeitos que são de gên e afetam homens e mulheres de maneira distintas eh tanto no no no pensar política né
em todos os estágios da da formulação da política pública tanto na na formulação De quais são as agendas prioritárias mas também nas consequências eh dessas políticas né então uma das coisas que a gente vê nessa pesquisa é como o gênero não deve ser pensado então tardiamente né ou como consequência a política neutra em termos generificados eh e aí tem consequências que são de gênero né Mas ela tem que tá o gênero tem que tá presente nos diversos estádios da política pública eem uma das coisas é definição da agenda formulação Quais evidências são importantes debate e
a implementação então todos esses aspectos E aí também eh refletindo que acabaram de falar minhas colegas a centralização das mulheres né na na nessa temática não só no âmbito da política pública mas do próprio movimento social que eu acho que elas também eh mencionam mas principalmente em todos os pontos mas então desde o ponto inicial que é qual é a agenda como pensar essa agenda o que que deve ser Priorizado para eh aplicar a política pública e a gente vê que o Brasil também tem um Marco normativo que apesar de anos luz em relação a
outros países ele ainda é incapaz de incorporar essas necessidades específicas de gênero das mulheres migrantes no Brasil e as razões que levam as mulheres a migrar porque ainda é muito marcado por categorias muito congeladas e que por exemplo não consegue pegar toda essa dimensão que trouxe Laura que trouxe mariama por Exemplo eh Laura menciona a questão do divórcio questões eh sociais e culturais que a levam a migrar isso não não é incorporado atualmente pelos Marcos categóricos eh normativos que existem e como pensar gênero também é pensar como isso impacta como a maneira a maneira que
a gente vê essas categorias né enfim Então acho que eu vou eh eh terminar aqui eu vou compartilhar é no nos no no chat com vocês eh as recomendações que a Gente fez no Marco da pesquisa regit e que pode ser levado se vocês quiserem eh pro documento final dessa conferência muito obrigada muito obrigada natal se você puder enviar também para mim no WhatsApp ou no e-mail Eu agradeço que aí já faç um documento eh para as pessoas que chegaram depois eu lembro que a gente não prevê nesse momento tempo de perguntas ou comentários a
gente vai tentar avançar com eh cuidando muito do tempo das intervenções para ver se a Gente consegue realmente ter um momento de diálogo no final eh mas por enquanto eu vou passar a palavra para as convidadas que tem eh nesse momento eh a fala e eh também tem a lista de presença aqui não ass não por favor assim então agora eu vou passar a palavra para Sônia hamid Sônia mesle Doutora em antropologia social pela UnB é professora do Instituto Federal de Brasília tem pesquisado inscrito so sobre fluxos populacionais práticas de Governo locais e globais refugiados
e refugiadas palestinas migração identidade memória e gênero e também alimentação e identidade e atualmente ela atua como assessora técnica do Ministério dos direitos humanos e cidadania então Sonia muito obrigada E a palavra está contigo o mesmo esquema quando tiverem passado 10 minutos e faltarem cinco eh bom dia a todos e a todas e a todes gostaria muito de agradecer a Angela e ao pelo convite e cumprimentar as minhas colegas dizer que de fato é uma honra estar aqui junto com vocês e construindo junto né esse diálogo sobre a importância de gênero e Raça nos processos
migratórios eh eu acho importante hoje dizer que minha fala não é institucional pelo mdh é uma fala que reflete as minhas pesquisas de mestrado e doutorado então eu assumo Total responsabilidade sobre elas eh um outro aspecto que eu quero chamar atenção é Que as minhas pesquisas elas foram todas voltadas para migrantes e refugiados palestinos eu mesma sou uma Palestina brasileira filha de migrantes palestinos e por isso eu não poderia deixar de começar eh falando do meu repúdio ao genocídio eh que acontece hoje em Gaza né que já matou que que tem mais de 200 dias
e que já matou mais de 34.000 pessoas muito mais do que isso né porque esses números eles são atualizados constantemente são 15 15000 crianças eh 9.000 mulheres e é importante falar que são 10.000 homens porque senão a gente parte do pressuposto de que todos os homens mortos são terroristas e a gente contribui com essa visão orientalista de que homens são agressivos são terroristas eh como Árabes e muçulmanos né e eu vou retomar essas considerações Quando eu falar também eh da de alguns dados da minha pesquisa de doutorado né sobre o reassentamento de palestinos no Brasil
Então queria deixar isso bastante Claro e falar também desse massacre né generalizado que atinge médicos membros de resgate funcionários da ONU jornalistas e que tem causado o deslocamento de mais de 2 milhões de pessoas e lembrar né que os refugiados Imigrantes do Brasil são muitas vezes resultado desses processos de guerra de massacre né que acontece nos países de origem então é muito importante que a gente tenha consciência dos processos Políticos que engendram esses deslocamentos eh dito isso eu quero chamar atenção para dois aspectos que eu tenho visto nas propostas da comig Eh que que estão
sendo levadas encaminhadas para o Ministério da Justiça né uma delas fala sobre a necessidade de que os agentes públicos sejam capacitados em relação à temática migratória né de refúgio e de apatridia e que Se considere essas dimensões de Gênero raça eh capacitismo eh etarismo eh etc né nesses processos de formação um outro aspecto que tem se falado muito é sobre a necessidade de mediadores culturais né nas relações eh da dos serviços públicos com Os migrantes refugiados e apátridas e eu gostaria um pouco de discutir o que significa isso né e de qualificar um pouco esse
debate o que significa citar os agentes públicos e o que é a presença desses mediadores culturais e eu Gostaria de fazer isso trazendo dois exemplos da minha pesquisa de doutorado que embora é antiga não deixa de ser atual em alguns aspectos infelizmente né Eh a minha pesquisa de doutorado Ela foi com refugiados palestinos que foram reassentados no Brasil em 2007 e eles fizeram parte de um programa de reassentamento coordenado pelo aknu o Alto comissariado das Nações Unidas para refugiados e pelo conari né comitê Nacional de refugiados e do estado Brasileiro e também por associações da
sociedade civil em geral de eh de natureza religiosa né instituições confessionais que estavam responsáveis por gerir o programa na ponta né Por lidar diretamente com os refugiados palestinos E aí eu vou trazer só dois exemplos desse processo que eu acho importante né Eh vou ler aqui um trecho ao entrevistar uma das assistentes sociais que tinha relação Direta com os palestinos sendo responsável por Executar o programa ela reiterava que a dificuldade de integração dos palestinos à sociedade brasileira era decorrente da diferença cultural essa diferença cultural era traduzida muitas vezes em termos das relações de gênero né
Eh embora ela não tivesse nenhuma experiência ou conhecimento sobre o assunto Antes de iniciar esse trabalho com os refugiados palestinos ela disse ter participado de cursos de Formação promovidos por Agências internacionais então tô chamando atenção para esses processos de capacitação né e o que eles representam eh segundo ela nesses cursos eles falaram sobre a questão do idioma da questão cultural sobre violência doméstica sobre o que é uma mulher e um homem palestino que eles são ótimos negociadores e ainda eh e que segundo ela Eles teriam falado também sobre o confronto que existe na Palestina que
desde que a Palestina foi tomada eles São pessoas A Flor da Pele Digamos que já nascem com uma certa revolta porque já é é uma coisa implantada na cabeça da criança a questão do Ódio mesmo que foram invadidos e que tem de morrer pela terra e que aá é responsável por tudo além disso em vários momentos de nossa conversa a cultura do outro era definida a partir de suas relações de gênero vistas como muitos diferentes da brasileira a mulher tem que casar virgem não é ela que escolhe o marido é o Marido que a escolhe
ela tem que usar o lenço na cabeça a vestimenta tem de ser coberta a mulher anda atrás e o homem anda na frente o homem sempre deseja um filho homem e nunca uma filha mulher a gente fala ô amigo aqui mulher trabalha aqui mulher vai à luta não é igual no seu país não Ah e eu vou tô pegando vários trechos não necessariamente isso foi falado de maneira seguida tá pessoal mas trechos da fala ah eu vou contar uma piada lá na faixa de gás a mulher anda Na frente porque se tiver uma bomba de
mina ela pisa e não morre o homem eles falavam muito isso mulheres apanham né Essas posições que parecem tão absurdas né assim a gente ouve e se pergunta como é que isso apareceu né de maneira tão explícita nas falas dessas pessoas que estão diretamente em relação com esses pal inos elas apareceram em diferentes níveis nas falas dos agentes de integração seja da instituição humanitária internacional seja do estado Brasileiro seja das organizações confessionais eh e é importante talvez dizer que elas aparecem ainda hoje dessa maneira então recentemente a gente recebeu um professor universitário eh que falou
dessa necessidade de a gente entender essa cultura do outro e apostar nessa mediação cultural e ele falou com um tom bem solene é preciso que a gente considere que nem as mulheres árabes nem as mulheres indígenas a Aral querem Homens médicos assistindo-os E com isso então se resumiu Quais são as necessidades de apoio que essas mulheres precisam eh então em geral na Fala dessas agentes mulheres oprimidas e homens e agressores Perigosos eram trazidos como características de uma cultura pensada de modo orientalista totalizante homogeneizante reificado e acusatório né que tinha como consequência esse estabelecimento da dicotomia
nós outros Com a pressuposição da superioridade moral dos primeiros obviamente né em relação a eles e a necessidade de intervenções salvacionista e civilizatórias eh Então eu acho que é interessante que a gente pense nesses cursos de capacitação e formação Principalmente quando eles são voltados para determinados públicos específicos quando a gente vai formar dizendo eh esse público é assim as suas características São essas eh eles fazem isso em decorrência de Tais eh hábitos culturais então a cultura trazendo desse modo tão cristalizado tão totalizante e tão eh redutor né da diversidade E aí mais uma vez eu
faço referência ao que a a a mariama colocou e antes a Laura para falar desses diferentes percursos mostrando que as pessoas são plurais e elas não se reduzem a essas imagens que são construídas sobre quem é eh determinada etnia determinada Nacionalidade determinada religião determinado grupo né um outro exemplo que quero trazer já caminhando pro fim para Angela não ficar muito desesperada respeito à mediação cultural que foi encontrada naquele momento para lidar com esses impasses em relação aos refugiados palestinos então eles acionaram a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e eles pediram que um policial
árabe Muçulmano que eh eh que falar eh pudesse fazer essa mediação né esse diálogo intercultural de modo a falar quais eram as leis brasileiras e como então esses palestinos deveriam se portar na sociedade brasileira E aí quando eu pergunto quais eram as principais dificuldades Ele disse que tinha a ver principalmente eh eh relação com os direitos das crianças e adolescentes de ir à escola ou de as mulheres fazerem o seu pré-natal né E que isso era eh Proibido em algumas circunstâncias pelos homens e que ele teve um diálogo com um ou dois que tinham mais
dificuldades eh que ele pode então dizer que aqui as leis deveriam ser respeitadas porque Caso contrário eles seriam punidos legalmente e e isso né Então essa foi a intervenção essa mediação e eles faram da importância da presença de um agente Público do Estado fazendo essa mediação cultural né E aí uma da outra reflexão que eu quero trazer que eu acho que é Importante a gente considerar nas nossas propostas eh para com migrar E aí pensando na importância da antropologia né nesse âmbito é pensar o que que significa né capacitação e mediação intercultural né Essa mediação
no caso ela significou uma tradução das leis brasileiras pro árabe né por meio da língua árabe paraas pessoas dizendo que elas tinham que se adequar àquilo que tava sendo posto então significou uma imposição e significa uma ação eh eh Violenta também muitas vezes de eh subjulgação do outro e de desse sentimento também de inferioridade do outro em relação eh a aquele que está colocando as regras né então muitas vezes você colocar um mediador que é da mesma nacionalidade que fala a mesma língua que é da mesma religião não garante processos de mediação Cultural de Fat
justos e a gente tem que refletir sobre isso também então assim eu termino a minha fala falando da sim ó ainda tem Você se ainda tem três minutos não tá ó ótimo era isso que eu queria trazer essas duas colaborações porque eu tenho visto que nos vários GTS não é um GT só né um dos eixos de trabalho da comig mas em todos eles se fala da necessidade de capacitação de formação e de mediadores e eu acho que antropologia pode entrar bastante nesse lugar para problematizar isso e a gente pensar que a nossa relação com
as pessoas e os grupos ela tem que ser pensada processualmente nas Relações olhando para essa multiplicidade e não considerando Essa visão tão homogeneizante tão totalizante eh sobre o hro então muito obrigada Sonia snia muito obrigada muito obrigada E por pelo controle do tempo você não me deixou nem avisar eu só queria reforçar a minha solidariedade com o povo palestino eh agradecer eh pelas falas enfim me desculpar pelo esquema de 15 minutos eu sei que não dá para nada a gente privilegi escutar mais pessoas em Menos tempo São sete mesas a outra vem daqui a pouco
então enfim tá sendo um pouco corrido mas a gente vai recolher todas essas sugestões no documento que vocês vão ter tempo de revisar então agora para finalizar as intervenções da mesa eu passo a palavra para para Valesca Lopes Farias que é cientista social formada pela UFRN é Mestrando na antropologia social também pela pelo ppg da UFRN e está pesquisando há um tempo já pesquisa eh fazendo pesquisa sobre Migração refúgio e processos de documentação eh deig migrantes refugiados a partir do caso Guarau na cidade de Natal então valeco eu te aviso quando tiverem passando 10 minutos
e faltarem cinco Bom dia a todos deixa botar meu cronômetro que eu gosto muito de falar também às vezes toma muito tempo eh como Angela já falou né Eu tô desde a graduação trabalhando com acompanhando né o US Aral inicialmente o meu Interesse é até mesmo para o mestrado é era o o estudo do Cuidado a partir das do caso das mulheres mães o Aral né era algo que me era muito muito caro que eu tinha muito interesse Mas que em decorrência da do campo mesmo essas coisas elas foram mudando né os interesses e e
o foco foram mudando eu tinha preparado uma uma apresentação né não uma apresentação mas uma fala mas algumas coisas que a Sônia trouxe estavam inclusas na minha fala que era Com relação a à media cultural né que era uma uma das propostas também uma das das coisas que me interessavam falar sobre eh nesse meu processo de acompanhar de acompanhar os oau aí há cerca de 4 anos quase pouco mais de 4 anos né Eu me dediquei muito ao processo documental acompanhá-los paraa retirada de documentos desde os documentos migratórios até os documentos civis brasileiros né Carteira
de Trabalho CPF Eh certidão de nascimento agora uns casos mais recentes e algumas coisas eh algumas falas também também tinha separado algumas falas para trazer me chamaram atenção eu vou falar também a gente vai eu posso debater em cima delas né algumas coisas como porque eles e elas vem para o Brasil a pobreza por pobreza não é melhor ficar em casa eh por mim a em um caso específico em que eu estava acompanhando uma família muito volumosa né com muitos filhos Paraa retirada de um documento um funcionário falou e por tantos filhos por mim era
só fe este sinal só cortar e em uma um acompanhamento de saúde uma funcionária disse eu vou me esconder quando eles vierem tenho medo de pegar sarna e em outro caso né que é com relação às crianças né oar algumas mulheres oal levam as crianças para fazer o trabalho de coleta na rua né Eh uma funcionária também falou não deveriam deixar essas Crianças irem ao sinal se a mãe leva o Conselho Tutelar deveria tomar e por fim em um caso muito emblemático que a gente atendeu que foi passamos cerca de um ano quase do anos
para conseguir tirar uma carteira de trabalho quando eu falei com um uma um agente do Estado eles me disz Mas para que que eles querem tanto uma carteira de trabalho né então Eh o no que eu tinha preparado falava para situar um Pouquinho né os suau eles são eh se trata de um grupo migrante bastante volumoso no Brasil hoje que tem a sua entrada que se a entrada se intensificou nos últimos 7 anos né o zaro é uma etnia indígena proveniente da Venezuela da região do Delta do Amaro eh como a a Natália falou né
a entrada a a a via de entrada e eh altera o atendimento né Tem impacto no atendimento e e na nas orientações mesmo que eles vão receber eles entram Majoritariamente por meio terrestre e principalmente pela Fronteira ali com a cidade de pacaraima eh alguns estudos antropológicos sobre esse perfil dessa população apontam uma primeira entrada em solo brasileiro por mulheres então é uma migração que inicia geralmente pelas mulheres né elas vêm e e fazer um reconhecimento Inicial e a família acompanha depois acho que esses dados também aparecem muito no trabalho da da Natália porque eu acredito
que que eh Quando ela tá falando ali sobre as migrações venezuelanas devem ter muitos araus aí embutidos nesse nesse nesses números né Eh aí como eu disse o primeiro momento de aproximação eu me interessei bastante em observar a forma como essas mulheres mas principalmente as mães oal eram vistas pelas pessoas que faziam as do estado no abrigo onde eles viviam e vivem e onde havia uma contínua cobrança de peço desculpas pelo barulho gente o meu Fone não não tá funcionando então vocês estão ouvindo o barulho da minha rua eh um uma cobrança contínua por por
higiene cuidado dedicado essas crianças e uma insistência por uma assimilação de comportamentos característicos de boas mães que é muito Evidente né em outros lugares do que também recebem zoral é como a negação de negligência no Cuidado materno e inclusive por conta disso alguns casos de prisão de mulheres né de de famílias Eh Outro ponto que eu acho interessante com relação ao gênero no caso com relação às mulheres né no na da zoara no Brasil foi uma mudança de de da na estrutura mesmo das relações familiares Mas como não não vou ter muito tempo para entrar
muito nisso eh eu gostaria muito de falar sobre alguma uma observação que eu fiz a partir do do do caso deles aqui em Natal em campo com zuar eu sei que é uma população indígena a gente tem uma toda Uma discussão uma ampla discussão sobre as populações indígenas no nordeste né quem são essas populações indígenas como elas são vistas os indígenas misturados né que são tidos aí que o João Pacheco de Oliveira traz tão bem trabalha tão bemm eh os isso isso Natália eh mas em Natal eu percebo uma uma tentativa na verdade não uma
tentativa Mas é uma uma observação do Aral não enquanto indígenas mas enquanto Uma população negra em Natal então Eh em campo eu me identifico quant uma mulher negra brasileira e eu fui em algumas situações com com o zoar em campo em que eh eu ouvi coisas sobre eh algumas alguns comentários sobre esse que levavam a esse entendimento inclusive me colocando no mesmo bolo que eles me colocando enquanto eh eh o Aral Me perguntaram várias vezes se eu era uma mulher o Aral né Eh nesses nesses processos de de de Acompanhamento deles eu percebi que sem
a mediação cultural sem eh sem que a minha sem a minha presença em campo por exemplo muitas das atividades que a gente estava se dispondo a fazer muitos desses eles não seriam possíveis E aí por isso que eu me prendi a fala da Sônia porque eu acredito que e eu eu acompanhei em muitas situações para retirada Como eu disse né De tanto do da renovação dos documentos migratórios da Carteira do rne do rnm eh Mas também pra retirada do CPF pra retirada da carteira de trabalho muitos desses documentos hoje virtualizados que é uma das coisas
que eu mais abordo no meu trabalho que é como essa ação dos documentos eh se torna também uma barreira para muitas dessas pessoas que estão migrando que são migrantes né é mais uma barreira que que não levea em consideração muitas vezes o analfabetismo o analfabetismo digital a falta de acesso a a aparelhos que são Considerados por nós por algumas pessoas como aparelhos individuais e individualizantes né a pessoa tem uma carteira de trabalho ali no celular um uma uma identidade no celular mas esse celular a às vezes não é é um celular para uma única pessoa
né é um celular para um grupo para um coletivo muito grande de pessoas o que dificulta muito esse processo E aí eu percebi em campo que a minha presença e aí a minha presença como uma mediadora que fazia Esse processo muitas vezes de confronto para conseguir algumas coisas era muito importante né E quando existiam às vezes outros mediadores que estavam fazendo esse papel que a Sônia falou de nós traduzir a lei e que muitas vezes nós mesmos não entendemos a lei é uma lei que é aplicada no Brasil né mas que muitas vezes nós mesmos
não compreendemos os próprios Agentes do estado que estão ali efetivando o serviço trabalhando com isso muitas Vezes não entende e aí a gente cai enfim em diversas outras situações com a necessidade muitas vezes da Boa Vontade de um funcionário de de abrir uma exceção né enfim então eu eu creio que se nós precisarmos tirar né uma uma a algum encaminhamento daqui eu acredito que os mediadores culturais mais sensíveis né e eh como como a Sônia falou antropologia tem muito acrescentar com relação a isso não apenas uma tradução língua linguística da da da Coisa e eh
também como uma via dupla é uma é uma é um mediador cultural que serve a que atua para essa para para essa população migrante né atua trabalhando auxiliando nesse processo eh não só no processo documental Mas enfim outros processos documental é a parte que mais me me me me apetece aqui no no no na minha pesquisa mas também só para avisar ficam 5 minutos sim sim tô terminando nessas formações também eh com com com a rede Que atua né com enfim com toda essa população quando eu penso muito na como eu penso muito nessa questão
documental algumas das Barreiras que a gente encontra é o desconhecimento Né das pessoas com relação a esses documentos se chegar para fazer uma conta bancária por exemplo e os funcionários não conhecerem o rnm o rne não não entenderem que esse documento é um documento válido né E aí junta isso com racismo chega uma pessoa um indígena Chega uma pessoa pobre chega uma pessoa negra enfim Tod todos esses marcadores juntos a um documento que essa pessoa não reconhece gera uma negativa né então Eh eu endosso aqui as as propostas da Sônia né as colocações da Sônia
e eu vou me encerrar por aqui também vou terminar rápido Angela Obrigada pelo espaço agradeço muito e tô muito honrada de participar com todos vocês muito feliz de de poder estar aqui compartilhando viu muito Obrigada gente eu agradeço demais vocês realmente por terem conseguido né pouquíssimo tempo trazer algumas contribuições longe de mim tentar fazer uma relatoria aqui nesse momento mas eh já que a gente tem alguns minutos eu vou tentar pelo menos mencionar algumas das eh eh falas que ecoaram que se coincidiram entre vocês eh para posteriormente construir um documento que vou compartilhar com as
convidadas e talvez para deixar alguns poucos minutos Eh para a conversar com algumas pessoas que eh levantaram a mão eu acho que é uma questão que aparece muito que é a questão da família ou seja pensar que a família às vezes é um lugar de expulsão um lugar de violências e às vezes pelo contrário um lugar também ou às vezes simultaneamente né com essas contradições também um lugar de apoio e redes fundamentais então quando a gente aborda o gênero eh não está falando só das mulheres está falando dessa rede Complexa em que às vezes é
um é uma força que expulsa Às vezes uma força que acolhe e que a gente tem que contemplar essas relações diversas e as composições diversas daqui aquilo que a gente tá chamando de família para conseguir entender uma perspectiva de gênero eh menos simplista eu acho que há uma coisa muito importante com o cuidado né tanto de crianças como de outras pessoas há uma forte criminalização a partir da exposição das Crianças as situações Complicadas como se os eh mecanismos de expulsão de eh homens mulheres e crianças do seus lugares não fossem também uma situação que compete
as eh os países de acolhida ou seja a gente tá tentando pensar eh a não criminalização pela situação em que as crianças estão Especialmente quando não a sistemas públicos efetivos para proteger a vida das crianças e termina se culpabilizando especialmente as mulheres eh por realidades complexas das quais elas não Pode sair senão a uma rede estruturada social pública que eh contribua para o cuidado eh de crianças e outras pessoas que que precisam de eh cuidados há uma dimensão também muito grande entre a ilegalidade e a indocumentado eh é uma prática de ilegalizar a gente eh
evita falar de pessoas Ilegais mas a gente sabe que há uma tendência por exemplo para criminalizar e ilegalizar as pessoas migrantes vinculando-as com processos Eh pensados sempre eh a partir de uma visão securitária né então a gente pode pensar porque por exemplo o vínculo quase que natural entre migração e tráfico de pessoas como se sempre fossem as mesmas coisas como se não fossem gramáticas e processos diferentes eh obviamente a coisas eh feitas do dia a dia que são muito importantes têm sido insistido em outras conferências a gente pode insistir que é a questão a questão
da validação de títulos a as os Mecanismos para eh não apenas para ter direito à documentação mas para conseguir a documentação que passam por isso que a valesc estava falando da suposta da da recusa suposta situação isonômica das pessoas quando na verdade esse sujeito Universal que consegue acessar processos virtuais não existem a gente tem que considerar as pessoas que não leem que não escrevem que não são alfabetizadas em Sistemas virtuais e por aí vai eh e evidentemente é uma Discussão enorme que a gente esperava que aparecesse aqui e que é o racismo que é uma
uma dinâmica global ou seja ele não existe apenas nos países de origem ou NS países de acolhida ele é uma realidade global e se a gente não combate isso como realidade Global vai continuar fazendo esse tipo de produções eh Coloniais de lugares deig de origem como lugares de de atraso e barbárie enquanto o país se propagande como um país eh livre de racismo seja acolhida e O que a gente tem visto me parece importante que fica registrado é uma enorme investimento na propaganda e nas eh inclusive nos encontros diplomáticos ou seja uma uma política de
possibilidade feita para fora com muito ímpeto mas pouco para dentro na construção dessas categorias realmente interessantes construídas junto com as pessoas que sofrem diariamente do racismo da negligência e da desimportância que essas políticas Voltadas so para fora construem né então a gente também pode pensar uma certa hipocresia dos gestores mais preocupados com a sua própria propaganda política do que com o trabalho efetivo eh com as populações migrantes né Eu acho que a outra coisa que é muito importante que tanto a Mariana como a a a a mariama como a Laura colocaram que é uma ideia
de o trabalho que não seja apenas eh identitário né a gente não tá pautando eh caixinhas separadas em que a Sexualidade ou em que a raza ou em que o gênero possam aparecer mas realidades que são coss substanciais e que somente entendidas de maneira conjunta podem dar a possibilidade de imaginarmos eh políticas de enfrentamento né a essas circunstâncias eu ao acho que há uma uma outra coisa interessante obviamente idioma trabalho que passa pela discussão sobre os mediadores culturais não é apenas traduzir eh eh linguisticamente as coisas é muito importante então a Gente tem que insistir
até no básico né informação tem que estar disponível em várias línguas mas a mediação não passa apenas como a Sônia a valessa colocaram pela tradução linguística né uma necessidade da gente começar a construir uma política eh pública para migrações e uma diplomacia e uma discussão de relações internacionais que parta de palavras eh do nosso cotidiano né do do pão do do do do do da língua dos cursos enfim das Coisas que a gente precisa no dia a dia para construir e menos eh baseada numa lógica jurídica que às vezes confunde até os próprios gestores que
TM que fazer a política migratória acontecer né Eu acho que há eh eh um um desprezo evidente emente por uma realidade das mulheres como mão de obra não qualificada sempre voltada paraos serviços eh uma despro Inclusive das pessoas que se dizem né colegas e compartilham a luta mas que colocam uma Ideia da da da mulher como incapaz de produzir seus próprios destinos políticos necessitada de proteção e evidentemente uma um despro pela emoção como uma dimensão fundamental para construção de políticas públicas interessantes E aí me parece que uma coisa que não parece muito mas que eh
surgiu na mesa que eu queria resgatar é que há Emoções da migração que se diferência ou seja coisas comuns na migração e na realidade social dos Países de acolhida Como o racismo eles ele não nasce com a migração como eh a a luta de classe a diferença racial a diferença de gênero de sexo de a homofobia enfim todas essas eh emoções eh contra as pessoas marcadas eh com os marcad sociais a diferença eh essas coisas são comuns Compartilhamos brasileiros não brasileiros estrangeiros nacionais Compartilhamos dessas mazelas mas ao mesmo tempo há uma dimensão particular eh para
Os migrantes e as Migrantes né que tem a ver evidentemente com essas dificuldades da língua da documentação da Integração mas tem que aver também por exemplo com sentimentos como tristeza saudade e perder as pessoas estando fora uma incapacidade de conseguirmos manter os vínculos fundamentais que nos definem como sujeitos por conta da migração que me parece que são eh dimensões que por estar depreciadas na na eh na linguagem diplomática e de relações internacionais Não costumam ser contempladas como parte da política eh pública migrante e me pareceu importante resgatá-los né então e outra coisa evidentemente que não
foi tão desenvolvida inclusive porque a gente teve pouco tempo e a Natalia I falar um pouco disso eh pensar autoridades migratórias não policiais né e não racistas e não baseadas em migra em visões securitárias e a securitização e a militarização a gente já sabe por muitas experiências no mundo e não Apenas no Brasil afeta eh paradoxalmente né a possibilidade de uma uma migração segura e especialmente para os corpos feminilizada não apenas para as mulheres mas para todos os corpos que são feminizados nessa migração então a gente pensa também tambem né em como que a gente
eh construi outras autoridades migratórias e como é que as pessoas que vão lidar diretamente como pessoas migrantes eh vão enfrentar e como que a gente vai Produzir também uma reflexão sobre eh eh por exemplo a laicidade nas práticas de governo eh respeito religioso respeito cultural sem culturalizar a migração sem sem jogar na cultura a culpa de de todas as mazelas pelas e as situações pelas que passam as pessoas migrantes sem a estigmatização dos lugares de origem dessas pessoas eh com uma como falava Sônia com uma capacidade de entender a complexidade desses sujeitos eh dentro da
da situação Imigratória e evidentemente como que a gente faz por exemplo para pensar processos eh concretos eh que ten a facilidade da virtualização mas que não por isso excluam as pessoas eh que não tem acesso nem a internet nem a celulares e que não passam P processo de individualizar virtualmente seus seus eh suas identidades migratórias né então como eu falei apenas são alguns pontos que apareceram né Tentei pelo menos recolher alguns deles eu organizo melhor E passo para as invitadas as convidadas da mesa eh mas a gente com certeza nas outras mesas vai continuar discutindo
eh temas parecidos a gente tá quase que assim a gente conseguiu terminar faltando Minuto Para O prazo da da mesa mas eu pergunto para Igor se a gente ainda pode passar a palavra rapidamente pelo menos para algumas colocações cronometradas para as pessoas que queriam falar Eh oi gente eh a gente vai começar a segunda mesa às 10:30 mas acho que a gente pode ter 5 minutos assim para para escutar rapidamente Na verdade nem nem para responder mas só para escutar Quem quiser falar d para sua mesa começa eh 10:35 acho que Obrigada Igor então Fernando
foi a primeira pessoa que que na minha lista aparece pedindo a palavra e Angela Olá a todos não deixa a palavra para as pessoas que estão no Público certo mais alguém queria tô sem a lista de de pedido de palavra Igor ah Maria gente eu eu queria muito aproveitar eu sei que nosso tempo acabou agradecer o que foi esse manhã eu me sinto muito inspirada por as mulheres que eu vi aqui como n estava falando conheço algumas algumas Com certeza eu já falo que eu sou coração carioca e sou sou cidadão do mundo sou Peruana
em vez em quando tô com tanta saudade dess comida boa que é É como a gente fala saudade embora a gente com tudo preconceito a gente termina amando os lugares que a gente passa todo territórios que a gente passa e eu não queria deixar de de colocar uma coisa como mulheres pensadores como mulheres fazedores Eu acredito em vocês e hoje esse é um pedido de aliança enquanto esse transformações por políticas públicas que não esqueçam do meu povo e eu falo do meu povo no contexto histórico o escravidão quando Foi erradicado seja o meu povo foi
jado é jogado sem sem lugar e a história continuou e eu tô torcendo para isso não repetir na Imigração como a população africana como a população de afrodescendente que a gente que não nos deixam atrás nessa luta que nossos novos ocupações fazam ainda mais sentido para novas gerações Eu acredito na mulherada eu acredito aqui e homenageando a meu povo congolês eu não sou mulher Congolesa mas eu queria trazer exatamente por exemplo situações de países africanos a gente que ter menos mídia porque às vezes até a sensibilidade das algumas mídias eles S tem só um lugar
que eles nos querem vamos desconstruir ISO A Luta dos população congolês eu acho que é mais de 40 anos numa sistema internacional que é totalmente ignorada de mortes de mulheres de violências À vezes Armadas que nós precisamos pagar pagar o preço Países como gâmbia que a gente não tem nem Embaixada mas o ano passado foi assassinado um abubacar ducre ou seja um jovem Imigrante pai de família que estava dentro de casa sem poder trabalhar na pandemia e entrou na depressão saía para andar e levou tira no tiro no Costa e a gente fala até a
diferença idioma Será que ele entendeu ou pessoa depressiva com com filho pequeno casado com mulher brasileira com um filho será que ele tá ou seja Será Que o estado mental nisso foi considerado para polícia matar e às vezes quando é assassinado você é culpado porque vai jogar qualquer coisa de bandido em você então a gente precisa cada vez desconstruir isso que não tenha medo da gente que eu porque eu acho que por exemplo a gente precisa mudar a história e a mudar a história para mim não é só no lugar de fala é no lugar
de ação ação concreta de transformação muito obrigada gente eu falaria o dia Que eu adoro falar mas eu queria que sempre lembrem do nosso continente que às vezes tem muitos problemas que não vão entrar aqui agradeço a Sônia Por trazer a diferenças culturais nas mediações porque a gente precisa ser tratado como etnias como seres indivíduos de diferentes realidades e atravessamento muito obrigada mar muito obrigada infelizmente a gente não vai ter muito tempo já já a gente Tomou os minutos que deram mas eu convido o Seguinte a gente vai permanecer nesse mesmo link paraa segunda mesa
aliás as pessoas da segunda mesa já estão aqui então o que eu proponho é que eu encerro aqui essa primeira mesa agradecendo enormemente de novo as contribuições de todas as minhas colegas eh muito poderosas as as intervenções e também eh convido para que as pessoas permaneçam e de forma que o debate Vai acumulando vai podendo ser colocado final das dessa segunda mesa que vai ter um pouquinho Mais de tempo porque não ten outro imediatamente depois que pressione tanto quanto a gente foi pelo tempo então muito obrigada E por aqui eu já fico só assistindo sem
a pressão do do da coordenação e abraços para todas e todas e a gente continua trocando com certeza