Olá pessoal eu sou a professora is novas criadora deste canal aqui do YouTube e também do Instagram @ isan novas Rodrigues aliás nós vamos hoje estou muito feliz porque a gente vai começar mais um clv com o livro Memórias de Marta da escritora Júlia Lopes de Almeida vocês votaram e escolheram antes de começar não pula porque eu vou dar os recadinhos Eles são muito importantes Ok então esse vídeo aqui nesse vídeo a gente vai falar só sobre o primeiro capítulo Daquele mesmo jeitinho o projeto continua o mesmo leitura integral comentada explicada analisada tudo tudo tudo
eu vou fazer aqui com vocês tá bom e o primeiro capítulo ele vai vai ficar disponível no YouTube gratuitamente para sempre Como Uma degustação só que fiquem atentos porque você tem a possibilidade de continuar assistindo aos outros capítulos gratuitamente sempre eu publico o clv nas segundas-feiras às 14 horas então Fique atento com o dia e com o horário tá então se você não quer acessar a área de membros assinar a área de membros e pagar para ter acesso ao projeto do clv você não precisa pagar eu acredito muito na democratização do ensino e vou continuar
trabalhando para que isso aconteça Então eu vou deixar gratuitamente os vídeos dos próximos capítulos por 48 horas aqui no canal Então você vai ter 48 horas para assistir ao vídeo do capítulo sem precisar entrar na área de membros agora se você quer assistir no seu tempo né acompanhar com calma e tudo mais então eu te convido para assinar a área de membros lá não tem só esse livro já tem vários e vários outros livros tá tem a ilustre casa de ramire tem vida e morte de MJ Gonzaga de sado Lima Barreto tem Quincas Borba tem
Memórias Póstumas de brascubas tem casa velha tem curso também do livro nós matamos o cão tinhoso tem curso do livro mensagem do Fernando Pessoa então tem muita coisa boa lá então se você quer acessar todo esse conteúdo você pode acessar acessando assinando a área de membros do YouTube como acesso como assino a área de de membros já recebi essa mensagem várias vezes tá quem tenta fazer pelo smartphone Às vezes tem problema algumas pessoas até conseguem mas a grande maioria das pessoas não consegue fazer a assinatura pela área de membros do smartphone do celular então precisa
acessar pelo computador faz a sua assinatura pelo computador depois você pode assistir de onde quiser do celular do tablet de qualquer lugar tá bom é o YouTube aí normal tá então é isso então você pode esse vídeo aqui vai ficar para sempre no entanto os outros entrem lá na área de membros vou é sempre a segunda-feira às 14 horas 48 horas para assistir sem assinar área de membros depois disso só lá dentro tá bom e aliás o fato de você assinar a área de membros é uma maneira de você contribuir e apoiar o meu trabalho
então já deixo aqui o meu muito obrigada a todas as pessoas que estão na área de membros atualmente muito muito muito obrigada mesmo de coração então vamos então iniciar agora neste momento o livro As e Memórias de Marta da escritora Júlia Lopes de Almeida [Música] vem se você é vestibulando e tá aqui no meu canal por isso Então acesse né aqui na descrição do vídeo os links que estão disponí aqui para você nesse link vai ter intensivão F vest Vai ter trilha literária das obras tem material de estudo tem tanta coisa para você poder estudar
pro vestibular e transformar a o seu processo de estudo numa coisa um pouco mais leve sabe eu tô aqui para isso né É esse o meu Trabalho como professora de literatura ajudar você aluno vestibulando a percorrer toda essa trajetória de uma forma mais leve é isso que eu desejo então tudo que tá aqui embaixo eu faço para vocês e esse projeto aqui do clv claro que é para todo mundo né gente porque boa literatura boa literatura a gente não precisa ler apenas para o vestibular a gente pode ler porque é gostoso demais não é mesmo
e eu espero que vocês gostem desse livro Eu já li ele inteirinho Aliás ele tá todo riscadinho mas eu vou reler este livro agora com vocês então vamos começar agora capítulo um Tenho uma ideia vaga da casa em que nasci e onde morei até os 5 anos Então olha que interessante esta primeira frase do livro já nos remete a um narrador em primeira pessoa então nós temos a uma narradora que é a própria Marta falando sobre a vida dela e quando ela fala assim né eu tenho uma ideia vaga da casa em que nasci e
onde morei até o c anos então isso nos mostra que ela não está narrando a história enquanto os fatos estão acontecendo ela está narrando a história já na fase adulta Então ela já é adulta já é uma mulher madura já é uma mulher capaz de refletir sobre a própria vida e daí ela regressa e vai nos contar a sua história as suas memórias entende então já uma mulher adulta como é que ela vai lembrar com com clareza o que aconteceu quando ela tinha 5 anos de idade não não vai lembrar é por isso que é
uma ideia vaga e aqui então se torna o livro é muito verossímil porque a gente vê que de fato isso é verdade ela vai lembrar apenas aquilo que foi mais marcante é o que acontece com a gente que quando a gente pensa na infância a gente não lembra de tudo tudo tudo a gente vai lembrar dos momentos mais marcantes e é o que acontece com ela aqui então a gente vai ver ao longo de todo o livro A esta narradora fazendo inclusive algumas reflexões sobre algumas atitudes que ela teve ou sobre atitudes das outras pessoas
tá porque ela já mais velha pensando nas coisas que ela fez não enquanto estavam acontecendo mas depois é o que a gente faz na nossa vida de vez em quando a gente se arrepende de alguma coisa ou a gente acha que ah eu fiz de um jeito poderia ter feito de outro jeito e ela vai então apresentar pra gente essas reflexões continuando um ou outro canto ficou desenhado em meu espírito quase tudo por se perde num esboço confuso assim as cenas entre tantas coisas tantos tipos e tantas palavras que se refletiram nas minhas pupilas de
criança ou que vibraram em meus ouvidos que ficou bem pouco lembro-me por exemplo de um ângulo de Quintal onde havia um banco tosco e um tanquinho redondo que servia de Bebedouro as galinhas era ali que Eu lavava as roupas das bonecas lembro-me também do papel da salinha de jantar cheio de xins e de quiosques de um vão da janela onde se armava o presépio pelo Natal os quartos os móveis os criados de tudo isso me recordo às vezes mas numa fugacidade tal que não me fica a sensação da Saudade mas a da dúvida Então olha
que interessante e até agora pelas descrições que ela foi nos apresentando sobre o quintal as bonecas e nã eh os quartos os móveis os criados Então tudo isso que tá sendo nos apresentado a gente entende que essa menina essa Marta quando ela tinha 5 anos ela morava numa casa muito confortável numa casa grande provavelmente ela tinha dinheiro né vinha de uma família com dinheiro das cenas lembra-me a da mudança então a mudança tá um homem zangado mandando pôr os nossos trastes na rua e minha mãe chorosa aconchegando-se assim uma vez em que entrei numa alcova
onde estava um homem morto muito magro lívido estirado sobre a cama com um hábito escuro de cordões brancos as mãos entrelaçadas e o queixo amarrado com lençol era o meu pai tive medo minha mãe obrigou-me a beijá-lo o frio e o cheiro do cadáver deram-me náuseas que sair ela prendeu me nos seus braços nervosos supus então que me quisesse fechar com o defunto no mesmo caixão que ali estava já escancarado e fugi em um arranco para o quintal Então olha só as cenas que ela lembra ela lembra vagamente dos lugares da casa e consegue fazer
para nós Uma Breve descrição mas ela lembra de um momento muito importante que foi a morte do pai dela então ela lembra daquele corpo magro frio no caixão ela não queria se aproximar uma menina de 5 anos ela tinha medo mas a mãe a obrigou a ir lá e dar um beijo no pai e ela então fugiu e saiu correndo e ao mesmo tempo a gente consegue perceber que ela e a mãe estão sendo despejadas desta casa há uma mudança certo então esta família que era rica porque na aquela época a gente tá falando aliás
esqueci de comentar a gente tá falando lá da época do Machado de Assis da época do Realismo Júlia Lopes de Almeida é uma escritora dessa fase tá então a gente tá falando lá do século XIX e então a gente tem famílias que cada um desempenha um papel e o pai é o provedor né E a mãe é a dona de casa que cuida do marido cuida dos filhos e tudo mais e daí com a ausência do pai agora a mãe e a filha estão sendo despejadas elas vão precisar mudar tá Nunca a luz me pareceu
tão forte nem o ar tão bom com as costas úmidas ao muro os olhos secos de espanto sufocando as palpitações do meu coração como se a bulha dele batesse para chamar sobre minha atenção da gente de casa fiquei muda sentindo por todo o corpo a frialdade daquele cadáver com a sensação de que iriam buscar para me embrulhar na sua roupa de espectro larga escura cortada pelos trapos longos de dois cordões brancos na morte não era o pavor da cova Negra o que me assustava mais era a presença do pai do céu de que me falavam
a todo instante como uma punição para as minhas travessuras e um prêmio para virtudes que eu não conhecia e me pareciam de assombro Então são aquelas crenças da infância e ela naquele momento ela perde o pai e até então ela ouvia falar sobre Deus né esse Deus todo poderoso esse papai do céu e o poder que ele tinha de punir ou de eh dar Graças né para alguém de acordo com o que a pessoa fazia só que ela como uma menina de 5 anos às vezes ela não tinha uma malícia para saber se o que
ela tava fazendo era digno de algum elogio ou se era digno de punição Então elá esse papai do céu que era uma figura que deveria encantar a menina para um lado positivo né Eh na verdade deixava ela assustada efetivamente que ouvia eu desde cedo até à noite menina não faça isso que Deus castiga por isso eu tremia toda pensando-se que me queriam levar com meu pai para a presença desse Deus Tremendo inflexível tão alto que não poderia curvar-se até as minhas Lacrimosa para um beijo de perdão e de Piedade eu acho interessante isso porque a
gente consegue refletir sobre o que a gente fala pras crianças né porque às vezes a gente fala determinadas coisas para uma criança achando que a criança vai entender aquilo que a gente tá querendo dizer mas na verdade a gente só coloca medo né Pelas nossas falas então e como e ela mostra aqui pra gente no livro Como é que uma criança enxerga uma coisa dessa já o corpo do finado e eu sou lavan do carro Rua fora quando minha mãe foi buscar-me vendo-a gritei com força que me deixasse que me deixasse e debatia-se entre os
seus braços frágeis ela convenceu-me a custo de que me queria na vida para a Consolação dos seus dias negros entrei em casa desconfiada então o cadáver do pai foi embora né foi ser enterrado e a mãe então retorna e ela ainda tá com medo a a Marta né com medo da de da da não de morte de meu pai eis a medonha sensação que me ficou tá então foi essa sensação é isso que ela consegue descrever não é muito aquilo que ela viu mas é a sensação de medo que ficou da morte do pai a
meio a meio é uma pergunta meio Talvez mas não me lembro a convivência era pouca ou nenhuma Lembrando que ela tinha só 5 anos quando o pai morreu tá então ela pergunta ameio Será que eu amei meu pai né Talvez mas não lembra a convivência era pouca Então aquela ideia do pai ausente que tá sempre trabalhando sempre fora de casa né Geralmente as crianças ficavam mais com a mãe e daí por conta da presença da mãe há um certo vínculo e conexão com a mãe e uma distância da figura paterna ele passava a vida em
viagens de trabalho agenciando negócios eu agarrada as saias de minha mãe de uma velha mulata religiosa que todas se desmanchava em contar-me histórias de Santos Milagres tormentas mistérios obras divinas e enormes pecados que me faziam tremer Então ela tinha um vínculo muito maior com a mulata religiosa que era uma empregada da casa né que tava ali contando histórias para ela de milagres de tormentas e tal tal tal do que do que o pai porque o pai tava sempre em viagem tava sempre long Então ela ficava geralmente com essa empregada e com a mãe não posso
acompanhar o movimento de transição da nossa vida desse tempo para o outro em que habitamos um Cortiço de São Cristóvão antes de falar do Cortiço só um ponto importante é que esse livro ele foi publicado se vocês procurarem a data de publicação do livro acho que vai vai aparecer 1899 Isto é pós Abolição no entanto esse livro aqui ele foi publicado em folhetim antes de virar livro e ele foi publicado exatamente em 1888 que foi o ano da Abolição então quando a gente pensa nesta mulher que tinha esses criados fala da mulata religios Sima né
que toda se desmanchava em contaram histórias de Santos tal tal tal a gente não sabe se tá falando de um empregado que recebe salário e esses criados citados aqui também ou se são escravizados Tá então não fica claro isso pra gente nesse momento da obra no entanto vamos lá continuando a gente vai ter essa mãe e essa filha que por conta da morte do pai elas vão então parar num cortiço de São Cristóvão a gente tá num período do Brasil em que a gente vai ter esses cortiços né como se fossem favelas vamos dizer assim
no meio das cidades né coexistindo ali com a vida urbana da cidade tá então é e aliás nesta época a gente vai ter alguns livros sendo publicados inclusive se passando dentro de cortiços a gente tem inclusive um livro chamado O Cortiço aqui no Brasil né e e o livro da Júlia Lopes de Almeida também vai retratar essa temática que a maior parte do livro aqui a gente vai acompanhar Marta e a mãe nesse curtiço Tá então vamos lá então elas precisaram depois da morte do pai elas foram despejadas daquela casa grande perderam tudo que elas
tinham e elas foram pro curtiço aí já minha mãe não tinha criados nem mesmo a velinha que nos acompanhava outrora e que partiu não sei para onde nem com quem lembro-me de que vivíamos nós duas sós minha mãe engomando para fora desde manhã até à noite resignada arrancando suspiros do peito magro mostrando continuamente as queimaduras das mãos e a a aspereza da pele dos braços estragada pelo sabão então aqui a gente vai ter o retrato da miséria o que que foi o que que aconteceu com elas né dentro desse curtiço então ela diz como isso
aconteceu ela era muito novinha e com certeza foi a mãe que resolveu tudo ela não sabe o que aconteceu com os criados onde eles foram parar né simplesmente eles desapareceram da vida dela né e ela é uma menina muito novinha com apenas 5 anos acabou não questionando esse tipo de coisa foram morar no Cortiço e ela lembra apenas de eh é de ver a mãe trabalhando então a mãe passou para poder ganhar um dinheirinho a engomar para fora né as roupas antes elas tinham esse negócio de engomar então a mãe passou a trabalhar muito para
conseguir né lavar roupa então ela lavava roupa passava engoma para entregar paraas suas freguesas mais ricas tá então a mãe passou a trabalhar para poder conseguir um dinheiro cresci vagarosamente como se menão bastar para o desenvolvimento o espaço Estreito daquela alcova em que de verão a inverno minha mãe trabalhava vestida com o pobre traje de viúva já velho e Russo mal arranjado em seu corpo de tísica muito Delgado então a mãe depois da morte do pai ela Vestiu um traje de luto né que era normal Ali pras viúvas e é e é aquele traje que
ela passou anos da vida dela trabalhando e trabalhando e trabalhando o tempo todo eu às vezes Ia para a porta brincar com umas crianças da vizinhança mas as meninas eram brutinhas e magoava me os pulsos puxando com força por mim eu caía chorava alto minha mãe corria a socorrer-me e levava-me ao colo para dentro senti-las mãos muito quentes e os beiços secos Queimados que ela unia as minhas faes em beijinhos longos e sentidos vs dizia-me ela com voz enfraquecida e rouca arranhas os joelhos deixa-me ver as mãozinhas estão esfoladas também e as molhava cuidadosamente Como
se eu tivesse doença de perigo ou dolorosa com todo Mimo E desvelo então a Marta criança ela tentava brincar com as com a criançada ali da vizinhança de dentro do Cortiço só que que a Marta antes de ir pro Cortiço era uma dondoquinha né uma burguesinha e quando ela então vai para o cortiço e ela se depara com aquela realidade ela não se encaixa porque as as crianças que ali brincam elas brincam com mais brutalidade estão acostumadas a brincar umas com as outras a Marta é uma filha única não estava acostumada a brincar com outras
crianças né era toda cheia de mimos e de repente ela vai para aquela realidade Então ela passa a sofrer e a mãe né sempre com muito zelo com a filha então cuida das feridas que ela faz né Toda vez ela volta sempre machucada sempre chorando da rua então a mãe cuida das feridas da filha e acaba mimando um pouquinho a Marta né voltava depois ao trabalho arregaçava as mangas e dava-me uma bruxa de pano e uns retalhos para que eu me entretivesse a fazer-lhe vestidos vendo-me sossegada punha se a passar e repassar o ferro muito
pesado ao longo da Tábua assente e de um lado no peitoril da janela e de outro nas costas de uma cadeira forte e rústica eu alinhava os os corpos uns aventais impossíveis e acabava por adormecer quando abria os olhos via-me cercada de coisas que não vira pouco antes ao meu lado uma manta a cobrir-me os joelhos a cabeça sobre o travesseiro e para que me não importunar sem as moscas um quadrado de Escócia transparente a tapar me o rosto então a mãe né para calmar a filha depois de cuidar das feridas dava ali alguma coisinha
para ela fazer ó pega uns tecidinhos e faz um vestidinho para boneca e a Marta se entretinha até que ela dormia e a mãe então pegava levava pra cama colocava o travesseiro na cabeça am manta então quando a Marta acordava ela se via nesses cuidados isso é muito importante porque A Marta tá narrando isso aqui pra gente adulta então isso significa que foi uma coisa que ficou marcado esse cuidado da mãe com ela o o tanto que essa mãe zelou por ela né mesmo ali mesmo na pobreza mesmo na miséria ela continuou zelando pela saúde
né pelo cuidado pelo pela higiene por tudo ali pelo conforto da filha então tudo que ela pde dar mesmo pobre tudo que ela pôde dar para essa filha ela deu né todo o amor e todo o carinho então é claro que dentro da da das possibilidades dela tá os dias sucediam-se sem que se notasse a menor alteração em nossa vida levantava me tarde minha mãe deixava-me agasalhada no leito e ia trabalhar silenciosamente então a Marta mesmo criança ela ficava sozinha pra mãe poder trabalhar então a mãe saía para poder lavar a roupa para poder entregar
ou pegar as peças com as e deixava a Marta sozinha no almoço era café e pão Café sem leite muito fraco o meu quinhão era sempre o maior fim do almoço ia eu como na véspera para a porta atraída pelos gritos alegres das crianças e dali voltava chorosa oprimida pela superioridade das outras muito mais fortes do que eu então a gente tem um retrato aqui de fome também então quer dizer o quinhão Né o almoço era sempre pouco a mãe e ela diz que a parte dela né o quinhão dela era sempre maior do que
o da mãe e a mãe era muito maior do que ela né fisicamente dizendo só que aquele negócio da mãe que tira da própria boca para dar pro filho então esta mãe toda cuidadosa ela dava mais pra Marta comer para que a Marta não passasse fome e ela comia menos né e a Marta então toda criança né nem percebia ela adulta agora ela percebe as coisas que a mãe fez por ela e ela Então vai né brincar com as crianças e daí volta chorando de novo e é sempre a mesma coisa né chamavam-me lesma as
crianças chamava Marta de lesma mole palerma e riam-se das minhas quedas da minha magreza e da minha timidez eu em começo estranhava aquela moradia com tanta gente tanto barulho num corredor tão comprido e infecto que o ar entrava contrafeito e a água nas barrelas elas encava entre as pedras desiguais da calçada então aqui a gente tem uma breve descrição de como é o curtiço da precariedade do Cortiço É muita gente Dividindo o mesmo espaço né vai ter tem um corredor Comprido infecto né o ar ali é um ar pesado a gente tem poças de água
né ali no caminho então é um lugar que não tem assim muito aeio com a questão da higiene por exemplo e não é higiene da as pessoas não é a questão não são as pessoas a questão é a falta de estrutura mesmo para as vezes um escoamento da água ou uma ventilação melhor então falta estrutura pro lugar minha mãe não permitia que eu me desembaraçar como as outras tinha sempre os olhos em mim e eu o senti às vezes como Brasas a queimarem minha pele se me desviava um pouco ela gritava Logo Marta vem cá
e eu voltava submissa no tempo das chuvas a reclusão que me era imposta dava ainda um tom mais lúgubre a minha solitária infância fui sempre medrosa e dócil minha mãe levava-me poucas vezes consigo quando saía a entregar a roupa na casa dos fregueses deixava-me quase sempre com uma vizinha uma ilhoa bruta que batia nos filhos e injuriava o marido Então tinha uma vizinha que essa ilhoa bruta vai aparecer bastante na história tá então esta mulher que é uma mulher muito bruta e tudo mais ilou aqui vem no sentido que assim ela era habitante de uma
ilha tá então era uma mulher Nativa né de algum lugar não especifica Aqui o lugar mas o que importa é a questão da né da brutalidade dessa mulher Então ela tinha essa brutalidade ela tinha vários filhos tinha marido e às vezes ela cuidava da Marta pra mãe poder trabalhar a Marta ficava sozinha como eu já falei mas às vezes quando o trabalho ia se estender por um tempo maior a mãe acabava deixando a Marta com esta mulher bruta né que batia nos filhos e injuriava o marido então era uma mulher que brigava com o marido
batia nos filhos né brutona mesmo uma ocasião assistiu a uma cena que não me saíra nunca da memória e agora ela vai contar uma cena então quando ela para numa cena é porque é uma cena marcante né a Carolina Essa menina é importante pra história também tá então já vou adiantando para vocês a Carolina filha mais velha da ilhoa era compassiva e bondosa a flores nos pântanos e refletem-se muitas vezes na lama os raios das Estrelas Olha que frase gente essa Carolina é como uma flor no Pântano né então quer dizer ela era uma moça
criada dentro daquela brutalidade filha mais velha daquela mulher bruta mas era como uma flor delicada bondosa né eu gostava dela que era como que uma asa a proteger-me das maldades dos irmãos mais novos nesse dia ela notou que eu tinha fome é que já haviam se passado 4 horas desde o meu pobre almoço de café fraco e pão seco eu tinha apenas 7 anos e nessa idade o apetite não dorme pois bem a Carolina cond doída deu-me um bocado de carne com farinha dizendo-me ao mesmo tempo umas coisas consoladoras e meigas Eu devorava verdadeiramente aquele
acepipe raro quando a ilhoa chegou então a Carolina tava cuidando né da menina porque ela era mais velha era ela era a filha mais velha da ilhoa Então já tinha uma certa idade ajudava a mãe nos afazeres de casa e tudo mais e ela acabou cuidando da a Carolina acabou naquele dia cuidando da Marta por já mais de 4 horas né então a Martha almoçou e 4 horas depois ela tava ali na casa da Carolina e tava com o estômago roncando tava com fome e a Carolina percebeu O que que a Carolina fez pegou da
própria casa dela né um pedaço de carne com farinha e deu pra Marta comer e a gente observa que o a comida que a Marta né a Marta e a mãe comiam era pão seco com leite né então assim não tinha variedade não tinha substância e quando essa Carolina pega um pedaço de carne e dá pra Marta a Marta devora ela tava morrendo de fome Além disso uma comida diferente né só que daí a mãe chega a a bruta chega né vendo me perguntou admirada Quem te deu isso eu tinha a boca cheia e não
pude responder logo a Carolina disse sem titubear com toda a sua acostumada serenidade que tinha sido ela a mãe enfureceu-se e fechando apertadamente as mãos deu-lhe com toda a rijeza dos seus pulsos de ferro uma meia dúzia de socos que a deitaram por terra a Carolina afirmava que o quinhão que me era era o seu só o seu que ela não tinha vontade de jantar não importa continuava continuava a enraivecida mulher bat-tech na comida sem minha licença desatei a chorar e foi assim que minha mãe me encontrou Então olha só que pensa que essa menina
novinha aqui na época ela já tá com 7 anos né Então quer di já 2 anos já dentro daquele Cortiço e ela por conta da Bondade da Carolina vê a mãe esmurrando fecha a mão e dá murros na Carolina até a Carolina ficar estatelada no chão só porque a Carolina deu uma parte da comida tudo bem que tá todo mundo num curtiço todo mundo passa fome né mas a Carolina fala pra mãe mas eu dei a minha parte eu não vou jantar eu fico sem jantar e eu dei a minha parte para ela mas mesmo
assim a mãe bate nela e deixa a Carolina estatelada no chão e a Marta não acostumada com aquela brutalidade começa a chorar e daí a mãe dela chega chegando em casa contei-lhe tudo ela fez-se pálida teve um ataque de tosse prolongado e violento Depois ainda anelante de cansaço procurou aquietar prometendo que não me deixaria mais e iria entregar a roupa aos fregueses em minha companhia assim foi na primeira semana saí também o dia era quente e luminoso eu sentia o calor das Pedras da alçada e das paredes das casas onde ia roçando as mãos então
depois dessa cena a mãe da Marta falou não vou deixar você nunca mais com essa mulher né agora na hora quando eu for trabalhar você vai comigo e daí foi agora Marta vai começar a ir junto com a mãe pro trabalho em mais de meio do caminho minha mãe parou de repente ao ver uma senhora muito elegante que me aproximava e puxou-me para dentro de um corredor dizendo quase maquinalmente deixa passar não quero que me veja assim ali estivemos alguns minutos até que tornamos a sair para a Rua A tal senhora sumira ass em uma
esquina quem é perguntei eu atônita quem é aquela senhora tão bonita era uma amiga minha respondeu apertando me brandamente a mão a minha pobre mãe mas então por que não lhe falou minha mãe sorriu desceu para mim seu olhar doce e úmido e suspirou sem me dizer mais nada a resposta tive a anos depois do tempo da idade do destino e dos desenganos por não reconheceria uma senhora rica elegante e feliz como antiga amiga uma mulher decaída andrajosa quase e miserável havia entre as duas uma barreira que a minha pequena altura não me permitia dominar
fui pensando nisso até a casa da freguesa Gente esse livro é triste vai se prepar se preparem aí tá então vamos pensar o seguinte daí ela vai a mãe para proteger a filha vai passar a levá-la então para a casa dos fregueses só que daí na rua acontecem coisas também né E aqui nesse momento ela lembra de um fato da delas estarem passando na rua e a mãe de repente fala se esconde se esconde se esconde e entram no lugar e ficam escondidinhas e a Marta fala pra mãe mas por que que a gente tem
que se esconder daí a mãe fala é que ela era uma amiga minha da época em que eram ricas entende e aquela mulher toda elegante é claro que existia uma barreira social a par nesse momento né que separava as duas então esta mulher toda elegante toda rica poderia sim reconhecer a mãe da Marta mas não haveria mais como uma amiga não haveria mais como uma igual e a Marta diz aqui é muito interessante porque ela é ela mais velha nos Contando os acontecimentos né quando ela fala assim eh Cadê a resposta tívia anos depois do
tempo da idade dos do Desatino e dos e do do desenganos né então é quer dizer anos depois ela madura ela consegue agora olhar para esta cena que aconteceu quando ela era novinha e na época ela não entendeu a gravidade do negócio só que a adulta ela consegue enxergar o que que a mãe dela quis dizer com aquilo por que a mãe dela quis se esconder a ver vergonha né e tudo mais sabe então assim e e esta Marta então passando por essas coisas na rua e agora elas vão pra casa da freguesa vamos acompanhar
isso aqui também entramos em uma sala de jantar quadrada com janelas e portas para um terraço de mosaico branco e preto em chadrez a dona da casa cortava uns moldes sobre a mesa coberta do oleado escuro com ramagens cinzentas e vermelhas em um canto a mais velha cozia a máquina um vestido de linho cor-de-rosa Claro guarnecido de rendas no varão de uma janela ao lado da morengueira invernizada uma menina da minha idade vestia em uma boneca de cara de louça e corpo de pelica um traje de peludo bronzeado prendendo os cabelos muito louros um laço
da mesma cor Então vamos lá a dona da tem a dona da casa aqui né então a mãe da Marta leva a a roupa para essa mulher para essa dona da casa que tá ali com os moldes de roupa na mesa tal tal tal esta dona da casa tem duas filhas tem a mais velha que está cozendo né um vestido costurando um vestido né e tem a menina mais nova que está brincando com uma boneca de cara de louça e corpo de pelica né que tá vestindo uma roupinha toda bonitinha então isso significa que elas
estão indo entregar ali ou entregar ou pegar Não sei ainda né mas um pacote de roupa porque a mãe da Marta não trabalhava com lavar e passar e engomar e a gente tem aqui a casa de uma mulher que trabalha com isso né que fabrica as roupas para as damas da sociedade né Eh então a mãe da Marta Faz esse trabalho da Lavagem e do engomar enquanto ela e a filha mais velha trabalham para costurar esses vestidos belíssimos e luxuosos para as mulheres burguesas e ricas da sociedade então a gente vai tendo planos né a
gente vai tendo uma hierarquia dentro da sociedade as mulheres burguesas que encomendam os vestidos daí a gente tem a costureira e daí a gente tem a mãe da Marta né que mora num cortiço que passa fome que é a que lava as roupas né E ela a Marta uma criança Olha que a outra criança da idade dela né uma menina de minha idade tava brincando com uma boneca belíssima uma boneca que ela não tinha vamos continuar vendo-me sentou-se em um banco baixo e PSE a tirar de um cofre de tartaruga fatos de seda de cetim
e de cachemira para a sua querida boneca então a boneca da menina tinha um baú cheio de tecidos e de roupinhas né que a própria Marta não tinha chamou-me fez-me sentar ao seu lado mais por vaidade do que por outra coisa e desenrolou a minha vista o grande enxoval da Madame Rosa a madame rosa é o nome da boneca tá ria-se muito das minhas exclamações e movia madem mosele em uns trejeitos graciosos dizendo palavras amáveis E pretenciosas então a Olha a reflexão da Marta fazendo que a menina chamou ela para junto do Baú da boneca
muito mais por vaidade do que por outra coisa quer dizer para mostrar Olha o que eu tenho que você não tem eu tenho você não tem entendeu criança criança sendo criança né e a Marta tão desejosa daquilo olhando e admirando tudo aquilo né Depois enfastiada de brincar falou-me da mestra das amigas de uma festa de Natal a que assistira de caixas de amêndoas forradas de seda de bombones de de bombons de joias de passeios levou-me à sala mostrou-me o álbum os quadros as jardineiras sentou-se ao piano e tocou uma lição do método todo cuidado de
virar para cima a pedra do anel que por Largo descaído um grande espelho que vinha do teto ao chão tomando uma parede toda como me achei triste e feia ao lado daquela menina da minha idade Então a menina depois de uma forma despretenciosa ou nem tanto pega a Marta e leva a Marta pra frente de um espelho um espelho grande a mãe dela costurava atendia moça Então tinha um espelho grande lá né pras pessoas olharem as suas roupas e esta menina que é a filha ali da da costura dele e tudo mais é claro que
ela tava bem vestida e a Marta que morava num cortiço e quando as duas se olham no espelho o que que a Marta enxerga né ela vai enxergar a pobreza dela comparada a a riqueza nem era assim rica mas entende a riqueza né se comparada a ela a riqueza da outra menina e ela se sente um nada tá como me achei triste e feia ao lado daquela menina da minha idade ela muito Alva curada olhos rasgados e brilhantes de alegria e de orgulho o vestido Claro curto Bibi Branco bordado meias pretas esticadas por cima dos
joelhos eu pálida o cabelo muito liso feito uma trança apertada as pernas magras as meias de algodão engelhadas o vestido de lã cor de avena muito comprido e esgarçado os sapatos de durque rotos ela me compreendeu e demorou-se maldosamente a confrontar com altivez eu me sentia humilhada e com vontade de chorar então é Como sabe a menina entendendo que a outra é inferior vamos ali no espelho pra gente se olhar então tem a vaidade da outra menina em comparação com a humilha ação cer certo então eu vou me sentir melhor humilhando o outro isso é
muito social e muito atual né hoje em dia ainda nas relações humanas uma pessoa muitas vezes ela se engrandece ao diminuir o outro e é o que a gente vê acontecendo Olha como isso aqui é profundo gente Júlia Lopes de Almeida maravilhosa né E a gente tem então esta menina que se sente humilhada com vontade de chorar porque entende a sua pequenez Então olha só a mãe para proteger a filha tira a menina do Cortiço por quê Porque lá dentro do Cortiço ela eh presenciou um ato de agressão e daí a mãe para proteger a
Marta tira ela de lá mas fora ela também sofre outras agressões são agressões diferentes mas também sofrem agressões por conta da sua condição olha gente como é triste isso continuando em casa da ilhoa ou em casa da freguesa caía sobre mim com todo o peso o horror da minha incompreendida situação Voltamos para dentro O Rol estava conferido chamavam por nós Lucinda disse então a dona da casa para a filha mais nova esta menina Então que fez tudo isso com a Marta o nome dela é Lucinda certo e vai buscar teu vestido encarnado para o dares
a esta menina é novo ainda continuava ela voltando-se para minha mãe mas não vai bem a Lucinha e o pai não gosta da cor veio o vestido enfiaram um por cima do outro para que eu experimentar em mim parece um macaquinho exclamava Lucinda desferindo umas risadas agudas a olhar para mim gente que ranço dessa Lucinda então a mãe fala Lucinda vai pegar aquele vestido lá sabe aquele vestido que é novo ainda a gente dá pr pra Coitada da Marta entende a questão da doação né A questão da eh sabe e daí a gente doa pra
Marta esse vestido que ele é novo ainda mas ah o seu pai não gosta muito da cor não ficou muito bem em você pega o vestido lá e daí eles né levam um vestido enfiam um vestido da menina por cima do outro vestido e a Lucinda ainda fala parece um macaquinho na hora que vê a o vestido na na Marta e começa a dar risada de novo mais uma humilhação de novo mais uma agressão aquilo que eu falei para vocês a mãe toda cuidadosa tira a menina de dentro do Cortiço e leva a menina para
para passear com ela mas a menina continua sofrendo agressões são agressões de outros de outro tipo mas são agressões tá eu curava e tinha ímpetos de o arrancar do corpo viravam me de costas de frente de lado faziam-me levantar os braços abaixá-lo e dobrá-los prestei me como um autômato indignada sem saber por quê revoltada mas submissa e trêmula quer dizer ela sente ela ela não percebe muito assim logicamente o que tá acontecendo e a humilhação pela qual ela tá passando Mas ela tem a sensação ela sente que ela tá sendo humilhada naquele momento né quando
minha mãe agradeceu a esmola semti parar me o coração por não teria eu igual direito a possuir tudo como Lucinda sem pedir ou aceitar esmolas E por que me fazia tão mal essa palavra a mim que nada conhecia do mundo não bastariam as humilhações da véspera em casa da Carolina e a decidir em frente ao espelho para me fazer compreendida do sobejo Olha só gente daí a mãe ainda Precisa sabe aquela coisa o vestido não ficou bem nela ela não gostou ela tava se sentindo humilhada mas precisa agradecer a esola sabe precisa sentir gratidão mesmo
E porque você é pobre miserável né então você tem que ter gratidão por qualquer coisa que te dão mesmo que aquilo não ficou bem em você mesmo que sabe assim é como se Por que que ela sente raiva né Por que que vem essa sensação porque ela queria poder negar aquilo e falar não quero não gostei mas ela não pode negar por conta da sua condição social né ela precisa aceitar e ainda por cima agradecer e a e a a e a ela é uma menina é só uma menina e aquilo vai trazendo a realidade
sabe a realidade da condição dela aquilo vai caindo nela e ela vai se deparando com a realidade crua da vida em sociedade o que O que é a miséria né em relação à sociedade quando eu ia a sair a irmã mais velha de Lucinda apagou-se com um beijo a tristeza que eu sentia na consciência aquele beijo nunca mais me esquece Foi nivelador foi Santo então depois de tanta humilhação a irmã mais velha que tava ali cozendo costurando certo né porque a Lucinda era a irmã mais nova a menina levanta ali da máquina de costura e
dá um beijinho quer dizer dá um afago dá um carinho depois de tanta humilhação e a Marta eh sente assim como se aquele aquele beijo né aquele carinho aquele pedacinho de carinho tenha aquecido o coração dela né ajudou a Marta a se recuperar de toda aquela humilhação as crianças pensam e as impressões que sentem são as mais duráveis e profundas muitas vezes tenho passado por grandes tempestades e nenhuma me deixou mais vestígios do que a que me abalou minha meninice não sendo todavia essa a maior Tornei a ir na semana seguinte à casa da freguesa
a Lucinda não estava fora para o colégio a mãe tinha separado umas roupas já curtas e apertadas para a filha e deu-os para mim dessa vez custou-me menos receber a caridade o primeiro passo é sempre O mais difícil em uma Vereda desconhecida habitua-se a gente a tudo até ao perigo até a humilhação gente que forte que é isso essa mulher é uma diva jula Lopes de Almeida Diva e então ela continua acompanhando a mãe e ela voltou na casa dessa menina mas na segunda vez que ela voltou na casa da da tal da Lucinda ranço
dessa menina ela tava na escola mas a mãe tinha separado uma trouxinha de pra menina levar como a esmola né como a doação e dessa vez segundo ela ela aceitou com mais facilidade porque a primeira vez dói a primeira facada dói mais do que a segunda gente que Oli o primeiro passo é sempre mais difícil em uma Vereda desconhecida habitua-se a gente a tudo até o perigo até a humilhação e daí ela se acostuma com a humilhação porque ela precisa se acostumar a humilhação é a sobrevivência né perguntaram-me se eu já sabia ler Minha mãe
respondeu que não mas porque a não mete na escola ela já tem idade de aprender é que eu não podia mandar minha filha tão pobrezinha para a escola agora que tem esta roupa Sim posso trazê-la assadinha e levá-la lá faz bem faz bem dis igme as bondosas senhoras voltei nesse dia mais alegre para a nossa tristonha alcova da Estalagem de São Cristóvão passei a tarde toda a porta com as crianças da vizinhança a Carolina o Maneco e a Rita gravem esses três nomes porque essas crianças vão aparecer bastante tá que são os vizinhos ali do
Cortiço O Maneco tinha 8 anos era magro orelhudo e pálido cheirava sempre a cachaça gente 8 anos cheirava sempre a cachaça e vivia fumando as pontas do cigar dos cigarros encontradas no chão era ele quem mais me afligia e entretanto quem mais me procurava quando se ria mostrava as gengivas arrocheadas como se tivessem cozidas pelo álcool e os dentes grandes desiguais ainda muito novos era alto para idade mas magríssima e os braços e as pernas moles Então olha a questão né da da convivência ali com as pessoas o manec com menino de 8 anos praticamente
a idade dela já bebendo né alcatra fumando e tudo mais né a irmã mais nova tinha 5 anos mas podia comigo ao colo A Rita já dona de um vasto vocabulário de insultos de resto bonita morena e engraçada então a Rita era brutona né com vocabulário de insultos mas era bonit sensual engraçada né a esse Rancho juntava-se às vezes um mulatinho Lucas mais moço do que eu muito sujo e que passava a vida a mentir nesse dia entrei para a Roda com o ar altaneiro falei de coisas suntuosas presentes doces vestidos gozando do Olhar de
inveja e de admiração dos outros só a Carolina parecia não me ouvir lavava os esfregões das panelas com o corpo em C e os braços enterrados na água mal cheirosa da Tina então a Carolina né que é aquela que apanhou o outro dia tava ali trabalhando enquanto eles os mais novos conversavam e agora como a Marta tava saindo mais na rua e frequentando lugares diferentes do Cortiço ela voltava e ela tinha histórias para contar histórias sobre vestido sobre coisas mais suntuosas luxuosas e as outras crianças sentiam a inveja dela né por conta disso e fica
aqui uma sementinha da escola tá Será que a Marta vai pra escola Será que a mãe vai conseguir colocar a Marta na escola a gente vai descobrir isso no próximo capítulo tá gente que que vocês acharam do primeiro capítulo gostaram deixa uma curtida aqui primeira coisa deixa uma curtida compartilha com os amigos porque essa história é simplesmente maravilhosa olha se vocês não leram Julia Lopes de Almeida Eu já li outros livros dela já li a que tá aqui já li A Intrusa que tá aqui e olha ela é simplesmente maravilhosa tá e o terceiro livro
que eu li dela foi Memórias de Marta vale a pena conhecer eu acho que vocês vão amar é uma história comovente é uma história eh de dificuldades tá de se deparar com a realidade e é isso pode ser que você chore no meio do caminho Pode ser que você chore no meio do caminho Mas é isso espero que vocês gostem dessa nova jornada que a gente vai passar aqui juntinhos com esse livro tá e deixa a sua curtida porque é muito importante que você deixa a sua curtida deixe um comentário que eu quero saber se
você gostou desse primeiro capítulo e se você está com boas expectativas para o capítulo número dois que vai sair na próxima segunda-feira às 14 horas Ok beijos tchau tchau e até o próximo clv [Música]