[Aplausos] [Música] Capixaba de Vitória graduada em Comunicação Social Jornalismo pela Universidade Federal do do Espírito Santo mestre em história política e doutorando em bens culturais pela Fundação Getúlio Vargas nosso convidado de hoje é autor dos livros de livros de divulgação história de biografias de reportagens de grande repercussão Atualmente coordena o núcleo de investigação da sucursal do Jornal O Estado de São Paulo em Brasília tem escrito também eh os cadernos especiais muito importantes como as guerras desconhecidas do Brasil dos Andes ao Atlântico meninos do Contestado sangue político favela Amazônia e novas veridas por suas eh reportagens
de política Direitos Humanos história recebeu entre outros prêmios e menções hor rosas como Esso de jornalismo Esso Regional Sudeste Excelência jornalística pela sociedade interamericana de imprensa jornalismo investigativo latino-americano Dom Hélder Câmera de imprensa grande prêmio Petrobras Petrobras de Cultura em bratel movimentos de direitos humanos Estadão reportagem Tim Lopes de Jornalismo e em cinco ocasiões o Vladimir Herzog de anistias e direitos humanos teve trabalhos reconhecidos nas conferências latinoamericanas de Jornalismo investigativo do Instituto prensa e Sociá e transparência internacional em 2010 11 14 16 21 e 2022 leono Nossa Léo Nossa seja muito muito bem-vindo muito obrigado
por compartilhar seu tempo sua experiência como escritor e te passo a palavra para suas primeiras impressões jil Eu que peço Eu que agradeço aí pela oportunidade conversando aí com você né com o pessoal que vai assistir essa nossa conversa sobre dois temas assim que se embc né E são a razão assim da meu meu trabalho que é o Jornalismo e que é a história Então vamos lá vamos puxar o o o o fio da meada vamos falar um pouquinho dos teus livros começando pelo começo em viagens com o presidente se pela Record 2006 você e
o Eduardo escola também jornalistas se propuseram aí além das informações noticiosas né que circulavam sobre os primeiros anos do primeiro Mandato do presidente Lula é para registrar aquilo que não virava notícia Né Ou seja a notícia quando os microfones estavam desligados né os bastidores se trata basicamente de um livro jornalístico mas que hoje a gente pode dizer talvez eh eh se transformou num documento moment histórico procede né E como que pintou a ideia desse livro né como que vocês conseguiram viabilizar est próximo do presidente acompanhá-lo nas viagens né como é que vocês estruturaram a narrativa
né do do texto propriamente dito conta um pouco da Experiência da escritura desse livro para nós é interessante porque na época a gente tinha essa preocupação né gente vai fazer um livro mas daqui a pouco o governo vai terminar eh as a história vai se desenrolar né seu caminho natural e a gente vai ficar com uma um livro que na verdade não é um retrata apenas ali de um instante de um momento Mas é interessante porque esses registros no calor da hora eh ainda que não tenha essa sistematização de dados né não Tenha todo esse
esse trabalho essa sofisticação na mesmo na apuração que é uma o trabalho de história Ele tem sua importância e o tempo vai dar essa importância a ele né foi justamente eh juntar esses dados essas informações que às vezes ho Jandi no dia a dia do jornalismo o repórter ele se vê diante de muitas histórias mas essas histórias não não cabem naquele momento eh elas elas não atendem exigências do de uma reportagem às vezes são histórias assim Sem importância totalmente eh fora da pauta da pauta pública do interesse público mesmo pela reportagem só que o tempo
acaba mostrando que às vezes fatos tão pitorescos tão sem importância eles e acabam sendo muito importantes mesmo pra compreensão ali de um país e e a gente tinha muit essa nosso trabalho era era um trabalho jornalístico diário fazer o relato diário ali que quando a gente foi partir para Buscar informações com a ideia de fazer um livro né algo mais próximo do que seria história e não jornalismo a gente acabou descobrindo uma nova uma nova relação com as próprias fontes e as fontes também elas passaram eh a se abrir mais pra gente porque a gente
não ia revelar o que elas estavam contando no dia seguinte mas no Liv então é com se tivesse um acordo Tácito que aquela informação seria eh melhor compreendida melhor trabalhada foi uma Experiência muito interessante naquele calor da hora naquele naquela correria da política né um retrato de um primeiro governo mas ao mesmo tempo um retrato de um homem que tava na na presidência daquele momento e também das pessoas que faziam parte daquele do Staff da presidência ou e mesmo da cobertura da empresa maravilha você percebeu aí nessa experiência a possibilidade porque na verdade é uma
reportagem mais longa né Uma reportagem não a quente vamos dizer uma reportagem eh eh para ser consumida lentamente vamos dizer assim você viu ali a possibilidade de de trabalhar mais como escritor A partir dessa experiência dessa longa reportagem sobre os bastidores do primeiro governo Lula Ah sem dúvida esse livro Como os outros assim que eu eu sempre entendi J eh essa história de fazer livro como uma continuidade do meu trabalho de repórter foi difícil eu Assumir assim a condição de escritor né de alguém que vai se vai reunir ali fatos para construir uma história Eu
sempre tive mais eh me senti melhor mais leve quando eu eu me situei me coloquei como repóter só que tem determinados assuntos e são mais complexos exigem um um olhar mais apurado mais longo um tempo mais de reflexão não adianta Às vezes você tem uma ver uma história e você quer colocar no papel ali e tal você tem até tempo Para colocar no papel mas eh tem alguns elementos nela que dependem né de um tempo maior é como assim história igualzinho você tem que tem que decantar e eu andando aí pelo país ou mesmo aqui
em Brasília a cobrindo o poder eu sinto essa necessidade não é sempre mas eu sinto essa necessidade às vezes de espera um pouco eu tenho que olhar melhor essa história um pouquinho essa história que não é bem uma história com H minúscula uma história com H Maiúscula tá passando perto de mim eu tenho que olhar para ela ou eu tenho que segui-la né seguir o rumo dessa dessa história que a gente tá aqui porque a sensação de estar vivendo a história eh é maior quando você tá no centro Claro no centro decisório do país em
Brasília né embora a história ocorra em qualquer lugar né no no Brasil ela está em todo momento ela tá ocorrendo ela tá acontecendo nas casas nas ruas nos Municípios na floresta na Amazônica e também tá aqui em Brasília mas é a sensação que ela tá passando aqui é maior porque aqui você tem personagens que vão ficar nos livros né personagem decis livros um presidente da república um presidente do supremo um presidente da Câmara então Eh às vezes fazer uma reportagem de um dia para o outro ou mesmo uma reportagem eh que vai ser publicada daqui
um mês não atende eh essa demanda interna da gente de querer Apresentar não livro não história mas no meu caso não uma reportagem tem reportagem que eu fiz que devou 10 anos tem outros que tá levando a vida inteira não consigo concluir Então eu acho que a gente tem que ter esse olhar de pensar para um pouquinho tá na hora dessa história eh ser apresentada ou ela tem que esperar um pouco mais perfeito vamos lá vamos puxar um outro livro teu então né em homens invisíveis 2007 que narra as expedições e do sertanista cinei possuelo
né lá pela Selva Amazônica e tal o possuelo para quem não sabe né Ele já foi presidente da FUNAI no começo dos anos 90 foi fundador da Coordenação Geral dos índios isolados né um setor da FUNAI que é responsável por proteger as últimas tribos isoladas do contato com a civilização né leia-se do contato com as doenças a violência o espurgo que acompanha a civilização Floresta dentro Então você acompanha ou possuí-lo eh nessas expedições no Vale do Javari né tão conhecido hoje eh infelizmente depois da tragédia né do do assassinato do Bruno Pereira Dom Philips a
gente pode dizer que esse livro tem uma verve mais antropológica é você voltar depois você voltou à região e ao tema com o Rio né uma viagem pela alma do Amazonas seu pela Record 2012 né apesar da complexidade do tema em no Rio você já usa uma linguagem mais Generosa com o Leitor né Foi alguma coisa pensada né no sentido de se eh tornar um autor e mais popular né mais eh próximo do público que escreve para grandes públicos conta pra gente então um pouquinho sobre esses livros n essas duas experiências de escrita ah o
filósofo grego já dizia né que o um rio ele não é o mesmo né quando você olha uma H depis olha na outra e a Amazônia não é a mesma quando eu vou lá e faço um livro depois eu tenho que voltar a Amazônia é um lugar que eu sempre tenho necessidade de voltar a primeira vez que eu tive lá eh foi uma viagem de 105 dias Como você mesmo disse junto com possuelo e a ideia era era percorrer o território já demarcado Onde viviam várias eh etnias inclusive algumas sem contato algum com a sociedade
nacional para ver se tinha tido invasão se o garipo tinha entrado com suas dragas se Caçadores estavam entrando né nas aldeias e Isso foi em 2002 foi uma experiência muito interessante porque ali eu convivi muito intensamente eh com os indígenas alguns viraram meus amigos e ribeirinhos essa expedição era formada por 35 homens entre indígenas e e não indígenas é interessante que mais recentemente Um colega ele mandou mensagem pro Zap agora quando ocorreu a tragédia né da dos assassinatos do Bruno e do dom ele disse Léo eh o você você viu qual a quem tá sendo
eh acusado se o o matador do Bruno falei Li Eu vi tô acompanhando o noticiário né Não acho que você não não se deu conta aí ele mandou Ô Jurandi uma um print do meu livro com o nome dos integrantes da expedição e ali que eu na Hora eu dei conta que o matador que era Marildo costas o pelado eram os ribeirinhos guias da expedição quer dizer um menino treinar para ajudar ali no trabalho de preservação né do Vale do Javari e que agora táa envolvido nessa tragédia e ali eu tive uma a noção assim
de que Amazônia é É uma história muito complexa muito mais muito difícil que talvez o jornalismo ele não consegue contar e essa necessidade minha De ter esses olhares olhar mais topológico que T que talvez seja uma generosidade sua fo olhar mais uma dificuldade né de escrever uma linguagem mais simples a gente tem que buscar sempre a simplicidade e a leveza e eu mesmo outros tipos de recursos como recurso eh do livro de reportagem como recurso mais sociológico como a própria filosofia eh São instrumentos que a gente que o jornalista ele tem que Buscar e e
a história em especial ela tem muitos recursos para serem usados dentro desse fazer fazer reportagem fazer jornalismo então nos meus livros eu dependendo da história eu tento beber de todas as águas né tá em todos os rios para tentar mostrar um olhar eh um olhar interessante olhar que vai ser bom bacana importante ali pro leitor tem nesse eu acho que é no Rio né que você recua para antes do do contato né você faz uma uma abordagem na longa Duração né pegando desenvolvimento da da ambiental da Amazônia e tal e chegando até o o momento
em que você escreve né você tem essa preocupação de um olhar mais longo no no tempo mas estendido no tempo né é o o rio ele ele é uma Na verdade uma biografia assim um tentativo de biografia do Rio Amazonas também tinha um colega fotógrafo Celso júni a gente foi até as Cabeceiras do Amazonas até a nascente as principais nascentes do Rio Amazonas em Arequipa no Altiplano peruano E ali a gente viu o rio criança menininho ali né com suas primeiras águas brotando ali entrando naqueles eh naqueles nos Andes nas Casas dos nos Quintais né
da dos criadores de lhamas e tal e a gente foi acompanhando a gente foi descendo esse rio e eu tentei de todas as formas registrar o que eu podia congelar né no aí no caso do meu colega no olhar ali as imagem daquela daquele rio que começa n começa Ali no alpl e vai descendo e depois a gente entrou na selva peruana Até chegar na selva brasileira né até o Rio eh chegar ao ao Atlântico né no arquipélago do dubail no Amapá então ao longo desse percurso eu queria mostrar de certa forma assim não apenas
uma não eu não queria fazer apenas uma matéria assim mas eu queria mostrar que muita gente antes de mim passou por ali e muita gente que está lá eh faz histórias Conta histórias e inclusive faz livros assim eu tentei mostrar todo mundo que produz e que tem o Amazonas como tema aí escritores do passado escritores do presente poetas historiadores contadores de histórias das mais diferentes etc e tal Porque no fundo quando eu viajo pela Amazônia eu tenho a sensação de de não ser aquele ser o aventureiro clássico sabe esse esse olhar do Aventureiro clássico ele
tem a beleza de de se empolgar com a região desconhecida Mas ao mesmo tempo ele tem o Ele comete o erro o mal de enxergar a primazia de estar ali né tanto o jornalismo quanto a história elas não não tão começando com a gente né a gente bota uma pedrinha ali etc e tal mas então eu a ideia sempre foi essa assim ser um aventureiro de certa forma mas também um aventureiro na história né no na história do jornalismo o aventureiro O Aventureiro bem informado né sabendo que que outros vieram antes Outros irão depois mas
vamos lá você falou da biografia do Rio Amazonas e a biografia é um gênero que você eh eh perseguiu de alguma maneira em outros trabalhos né você volta ao Sertão né Eh com mata né o Major Curió e a Guerrilha do Araguaia saiu pela companhia da as letras de 2012 aqui já num num dos Campos da história recente né e mais visitados talvez pela historiografia recente do Brasil que é o da ditadura militar né e num formato caro ao grande Público que é essa pegada mais biográfica apesar de um recorte temporal específico né da presença
do do curiol Ali no na na na nas guerreira do Araguaia tem um um olhar eh biográfico né então você teve acesso isso que é interessante eu queria te perguntar você teve acesso ao arquivo pessoal dessa figura controversa ao acho que umaa figura repugnante né asquerosa que foi o Major Curió um dos símbolos da repressão eh da ditadura militar na ag Guerrilha Eh como que você conseguiu acesso a esse acervo né Como que foi a pesquisa escrita dessas Fontes que a gente chama de fontes primárias né o que que tinha ali no baú né que
que que que elas eram o que que então para além do Corió e da repressão você também faz uma síntese histórica como você faz do rio é muito rica da do Bico do Papagaio e do Sudeste do Pará são verdadeiros Laboratórios dos conflitos fundiários do país aí você Volta dois séculos recua dois séculos da história da região para culminar nas tragédias recentes de Serra Pelada dos massacres do sem terra etc e tal conta um pouquinho para nós como que foi mexer nesse vespero é que minha geração assim no jornalismo ela ela começou ela começou a
trabalhar e um dos um dos Desafios eu diria assim especialmente dessa do repórter da política o repórter que cobre mais a Questão de direitos humanos o repórter que cobre mais a ainda faz aquela cobertura né do processo de redemocratização era justamente o arquivo do Major ó veja você em 72 m eh disse olha quem tem informações sobre o Araguaia porque El já começava a perguntar sobre ele 72 não pouco Anes depois da da Guerrilha é o é o Majó curió B atrás dele e foi o que a imprensa sempre fez sempre procurou o curió e
o curió Ele é um personagem que ele está em vários momentos da história do Brasil né ele ele tava no Paraná juntamente aí não é o repugnante que você colocou ele tava juntamente com os colonos contra a polícia do lupion que vamos conversar er uma das mais né mais violentas da história brasileira n até mais estudos ele se posicionou a favor deles conseguiu terra para eles etc e tal depois ele vai aparecer na repressão ao Aragua mas a aí vem esse curió né que Você colocou mas depois Justamente na mesma região vem o a história
do garipo de Serra Pelada que é outro momento importante da história recente brasileira Então e e mais à frente ele vai virar Prefeito né na de coronó Uma cidadezinha criada pelas mulheres que foram pro garipo pois bem a a imprensa sempre ele virou uma espécie de fonte mesmo porque na época nenhum militar falava o militar começou a falar bem depois do Curió na época só ele falava como ele acabou virando porta-voz eh de toda aquela classe que tava asfixiada pel aquele noticiário do pós ditadura um noticiário que queria saber que né O que tava uma
cobertura que quia explicar o que tinha ocorrido na Amazônia especialmente no Guerrilha etc e tal e aí eh só que sempre as reportagens do cuor era sempre assim ah o curiol vai fazer um livro Ah o curiol vai abrir seu arquivo e juntando as reportagens Jurandi eh ele ficou uns 15 20 anos falando aquela mesma coisa queria apr tar o arquivo um dia eu falei assim nossa eu eu queria abr eu queria ser o cara que revelar pela primeira vez esse arquivo aí é jornalista né falando e tal eu peguei peguei um comprei uma passagem
fui pro Pará desembarquei em em em Marabá depois peguei uma van para Eldorado depois peguei uma moto fui para corpol Então cheguei lá na cidadezinha onde ele era o prefeito ele não era mais o chefe de uma repressão mas ele era o chefe político né No mínimo tinha o ascendência sobreos os policiais da cidade dele é um coronel né um coronel no sentido clássico da palavra o líder o líder político que manda foi em 2000 né E E era uma coisa mais de abertura né Assim você já tinha oposição lá o coronel Acho que misturava
aquele o delegado com a figura do coronel esse Coronel mais clássico enfim é era simplesmente o governante de um município que tinha o nome dele é né E claro que eu voltei sem ouvir nada dele e tal e só que que que eu fiz aquilo começou a virar um desafio sabe eu preciso abrir esse esse arquivo E aí meu amigo foram 10 anos indo para Curionópolis ao mesmo tempo conversando com as pessoas né Aliados ou Adversários vítimas da repressão né ou apoiadores da repressão enfim eu fiquei fiquei 10 anos tentando entender e chegou um momento
que eu já não acreditava na existência do arquivo o arquivo em si tinha virado um espce de de um retrato de um país né de um país violento um país complexo etc e tal então eu eu Para mim depois de quase 10 anos era uma eu tinha uma dúvida que que que livro que eu vou ter sobre esse sobre o personagem sobre essa história Toda é de um arquivo que na verdade não existe nada dentro a não ser o próprio arquivo que na verdade existia e não existia ou eu vou revelar fazer uma grande revelação
etc e tal e chegou um momento que eh eu peguei e fui para Curionópolis aí eu duas coisas assim que foram importantes para ele abrir esse arquivo eu quando cheguei lá eu cheguei com várias Informações sobre a passagem dele no Paraná aí eu perguntei estou aqui diante do Capitão luini que era como ele era conhecido no Paraná aí ele se assustou De Repente 30 anos depois 40 anos depois alguém chama o major curiol de Capitão luini e eu sei que o Senor foi o um grande apoiador né do sem terra lá atrás no no Paraná
e aquilo eu senti que aquilo meio que de uma abertura deu uma abertura e ele Começou a perceber e aí vem a magia da biografia Jurandi que é aquele momento assim que você está diante do seu biografado e o biografado está diante eh de você e ele sabe que você tem mais informações sobre ele sobre a vida dele sobre o passado dele coisa que ele até esqueceu então talvez não vha a pena ficar talvez vale a pena fazer o diálogo mesmo sabendo que eu sou um Jornalista que eu estou atrás de uma história que ele
de certa forma ele escondeu durante muitos anos mas ele tem que jogar porque o jogo tá colocado entende então aí ele vai tentar influenciar na construção desse personagem que eu já que vai existir independentemente dele abrir ou não o seu arquivo Então se estabeleceu não necessariamente um jogo mas eh um Diálogo mesmo entre o biógrafo e o biografado isso eu chamo um momento mágico e outro momento importante desse trabalho foi que eu levei lá para Curionópolis vários DVDs de guerras tem guerras Apocalipse sinal né O Resgate de chado L enfim e CL comecei mostrar para
ele cenas que fazem parte de uma guerra não às vezes de uma guerra que é suja ela perde que deixa de ter suas Regras etc e tal e claro a identificação de um Combatente homem que entrou na mata para caçar guerrilheiro na Amazônia nos anos 70 pode ter características de um Combatente no Vietnam no Camboja né enfim na Ucrânia hoje etc e tal e ali também mostrou e mostrou eu acho que mostrou para ele assim que eu não estava atrás apenas do arquivo estava atrás da compreensão desse arquivo e foi que dias depois ele me
Chamou e aí tinha uma casa aqui em Brasília para ir na casa dele e quando eu cheguei lá estava diante do arquivo assim eh o Araguaia quando eu lembro disso eu sempre é é difícil lembrar com com prazer né esse prazer da descoberta o prazer da a emoção da de você ter ali uma fonte absolutamente nova inédita tal Porque é uma história que revelou o arquivo que Viria revelar que dos guiros 41 tinham sido presos pelo estado brasileiro por executados e executados e eu sei que quando eu publiquei no Estadão era até um momento de
crise política em Brasília O Estadão deu manchete no domingo para essa história e e e eu quando eu vi a manchete assim no jornal em vez virar felicidade veio uma leveza assim sabe tá contado né independentemente se Era tinha história tinha sido contada por mim ou não então aí e a partir daí eu reuni todo todo o material e fiz um Ô Léo e o que que tinha no no nesse nesse nesse baú e fotografia mapa e Registro anotação diário e o que que tinha de de importante ali no arquivo dele os mapas da região
os mapas mostravam Jurandi que aquelas acusações de guerrilheiros entregaram guerrilheiros etc e tal pelo menos na mata eram absurdas né foram foi maldades que foram feitas ali com alguns Nomes da da Guerrilha o noo foi um nome muito atacado inclusive por nomes da esquerda que até hoje não pediram desculpas quando o exército entrou na mata ele já tinha todos esses mapas prontos feitos né de Quem era Quem etc e tal e quando esses guerreiros Foram dar depoimentos eh já tinham todas as fotografias deles então Eh Respondendo a sua pergunta o o arquivo o baú curió
tinha mapas tinha fotografias Tinha muitos relatórios alguns relatórios inéditos e tinha especialmente um relatório manuscrito feito no pós Guerrilha eh com a lista desses 41 prisioneiros a lista dos presos por que essa lista era importante porque tinha um momento da história que os militares as forças armadas oficialmente disseram que não existia nem combate à Guerrilha ou apenas uma manobra depois quando as famílias acabou a ditadura as Famílias não receberam seus filhos vivos aí começaram a falar que houve um grande combate Guerreiros de um lado militares de outro homens armados de um lado homens armados de
outro o que que o arquivo do cuor revelou então não que houve uma guerra mas em relação a 41 guerrilheiros eh não houve mais combate Eles foram presos levados por algum lugar sobre a tutela né do estado e depois aí o estado Era era foi responsável por eles então Eh meu trabalho de certa forma eu eu eu entendo como um trabalho não de contribuição ao estado porque eu sou jornalista e você é Historiador nó nós não temos responsabilidade de contribuir ou participar de um estado nós somos sociedade e muitas vezes eu me vi ji como
alguém que tava eh fazendo um trabalho contra o estado porque de certa forma aquele Estado se colocou no Araguaia de certa forma era o mesmo da nossa nosso presente eu me sentia sempre me sentia Muito desconfortável por exemplo eu priso trabalhar junto com o procurador né com justiça etc e tal eu acho que cada um no seu quadrado um dia um procurador me chamou eh eu achei estranho porque eu não tenho que ir sala de procurador eu prefiro buscar a história onde ela ocorreu ou no Arquivo e esse cara de repente ele falou assim você
você podia contribuir com a gente eu achei estranha a conversa daqui a pouco ele tira um um papel eu fui ver o papel tava o meu nome junto com o de de torturadores da da repressão a ele falou assim eh São pessoas que a gente vai ouvir a gente pode evitar isso em vez de você dar esse depoimento etc e tal você pode colaborar Ah rapaz o s ou eu falei assim meu amigo deixa eu te falar uma coisa você é o Estado eu sou um repórter eu não trabalho para você vai catar tua turma
vai fazer seu trabalho vagabundo eu falo usei essa expressão foi uma coisa meio quente ele ele também sentiu que eu que tinha exagerado na colocação e tal mas hoje eu vejo Assim passado tanto tempo ele procurou outros meus amigos para tentar uma intermediação e e depois Jurandi eu percebi que Procuradores e mesmo juiz do caso Araguaia então estaria um momento mais da história mais recente do país em momentos que hoje eu diria que são complicados do ponto de vista da Democracia perfeito gente que atentou contra o regime democrático muito recentemente apoiando grupos que eu não
vou citar aqui porque nosso trabalho de uma reflexão histórica maior mas grupos que hoje estão sendo contestados por decisões no ministério público no judiciário e eu me de certa forma eu me Sinto tranquilo e leve de pensar que eu nunca participei junto com procurador com justiça com seja com quem for eu sempre fiz o meu trabalho que pode ser um trabalho mais simples mais enfim mais Marginal mas é um trabalho de certa forma que eu tenho que eu eu não tenho ver vergonha de apresentar entendeu então meu meus parceiros de história de reportagem são pessoas
muito sem cargos mesmo na República São pessoas bem simples do interiorzão do Brasil sim beleza vamos lá você retoma o gênero biográfico em 2018 né com Roberto Marinho o poder est no ar você mudou de Editora né foi para Nova Fronteira E aí a gente tem dois personagens por dizer no mínimo controvérsia né o curió e o Marinho né É um herói da da da guerra do Araguai o herói né USTA também foi chamado de herói por eh seres abjetos aí cultuados por certa família de milicianos e e o outro um personagem também de trajetória
e Virtudes cívicas Questionáveis né que apoiou o golpe militar deu suporte ao golpe militar de 64 né E se beneficiou tanto dele expandiu o seu império de ação numa parceria muito suspeita com a ditadura né E que ainda tem defensores tem proteges em lugares sociais chave do do do país né então o o El País produziu uma longa matéria sobre isso né sobre a controvérsia em torno da produção dessa biografia tal conta pra gente como é que foi escrever a história de um personagem Como Roberto Marinho eh que é falecido acho que já era falecido
quando você começou escrever mas que tem uma que é muito vivo na nossa sociedade né as fontes que se usou a e todas as controvérsias que estão envolvidas nesse livro conta um pouco pra gente desses desafios issos Olha esse ele ele é um personagem desse Brasil que deixa de ser Rural e vira Urbano e é um personagem que saiu ras Vezes do Rio de Janeiro e foram fez poucas viagens pelo Brasil mas o a sua a Globo a sua grande obra ela vai vai ser uma um projeto de integração entre esses brasis aí a gente
coloca todos os pontos positivos e negativos que é essa essa repressão essa repressão essa integração e no e no Eu acho que o o o o o gênero biografia eu acho que foi é muito interessante nesse caso específico do Roberto Marinho porque eu pude pegar as várias fases de um personagem e ao contrário de muita gente coloca não é da nobreza não é um não era um barão o pai não era um barão da mídia o pai era um um hom descendia de uma tinha traços né Eh sangue de uma mulher eh Possivelmente Africana e
de um Imigrante português bem pobre e o Irineu Marinho ele vai começar o trabalho dele no Rio de Janeiro numa gráfica de jornal fazendo era um menino Das coisas de gráfica é tanto que ele vai contrair uma doença né no pulmão ó vai contaminar o pulmão com chum e vai morrer muito jovem e quando ele morreu eles já tinha conseguido fazer um jornal de cidade muito interessante no Rio de Janeiro que era um jornal que pegava o público que os grandes jornais dos Barões não pegavam que era aquele jornal voltado para pro povo que morava
ali na nas mais da central né na zona norte nos suburbios do Rio de Janeiro e o Roberto Marinho tinha era bem jovem quando o pai lançou o segundo jornal ele tinha lançado ele e eu tinha lançado o primeiro e o à noite depois lançou o Globo e o Roberto que era o filho vai pegar esse pequeno jornal que era feito por de uma forma muito quase eu diria coletiva né feito por alguns jornalistas e vai conseguir depois eh a reunir a fazer a Rádio Globo e mais à frente a TV Globo e criar a
esse que é o maior império de comunicação da América da América Latina um os maiores do mundo e a história do Roberto Marinho é a história de um homem que não acompanhou um golpe e uma ditadura ele eu ele acompanhou 18 golpes eh esteve no apoio a uns contra outros e não apoiou apenas uma ditadura ele esteve em eu diria três ditaduras porque se a gente não é só a ditadura militar n do Vargas incluiria a o governo Artur Bernades como um período Bem se não é uma ditadura aquilo ali é um período bem autoritário
né Teve até bombardeamento de São Paulo e no caso da primeira desse período autoritário o o pai chegou a ser preso na segunda ditadura o Roberto Marinho passou a noite na prisão e na terceira aí ela é mais complexa e e tem vários momentos dele etc e tal e o meu livro pega o nascimento dele em 1904 e vai até a entrada no ar do Jornal Nacional E eu estou preparando no segundo volume que vai pegar justamente do Jornal Nacional que é o auge ali do do período ditatorial ditatorial até a morte dele né em
eh mais recentemente em 2003 então eu acho que a partir desse personagem ambíguo eu colocaria alerto Maria como personagem ambíguo porque ele não é da de uma elite pura Brasileira de uma nobreza brasileira e ele reúne gerações de jornalistas e de artistas muitos Deles de de esquerda eh em torno desse projeto de Globo então eh Eu acho que o gênero é é interessante para poder contar essa história que é uma história muito muito complexa e muito necessária pra gente entender o que que é esse país e que fontes você usou você entrevistou muita gente teve
acesso a arquivos pessoais aonde que você foi vasculhar material para embasar o teu a tua biografia dessa Primeira parte dele já quando cheguei ao Rio para começar essas essa pesquisa eh eu consegui ainda pegar vivo alguns personagens eh que foram fundamentais na história do Roberto Marinho da Globo e do país empresários jornalistas lobistas banqueiros foram dezenas de entrevistas com senhores e senhoras na faixa dos 90 anos S e eu não gosto nem de pensar assim porque muitos não estão mais aí a maioria não está nem mais aí eu cheguei no quase assim na hora sabe
naquele momento mais complicado eu dei eu dei prioridade desses personagens com mais idade e a partir daí eu fui atrás dos arquivos públicos o arquivo nacional no Rio e Brasília os arquivos nos Estados Porto Alegre eh Salvador Pernambuco arquivo eh nos Estados Unidos também teve uma uma um Trabalho de busca de arquivo lá e a partir daí quando eu tinha muitos elementos depois de sei lá os 3 4 anos mexendo nesses arquivos eu procurei a família para eh ter também acesso a aos arquivos pessoais Então na verdade é um conjunto ele e a família cedeu
a família liberou o acesso sim é um é uma montanha né assim é o eles têm um departamento Memória Globo com profissionais muito bons assim na área de História e eles eh eu eu ti que é tipo garimpar também né temha Toda a organização e tal mas você tem que saber o que que você vai buscar naquilo porque eh era um homem e que tinha a informação que tinha a história né como matéria prima do seu da sua empresa né então eu eu dediquei muito aos arquivos delesi franqueado esses arquivos também mostrei também que eu
tava a fim de fazer um trabalho com Rigor complexo etc e Tal e vez ou outra surge uma pessoa um personagem novo um arquivo novo eu não a gente não pode se prender na fonte apenas eu acho que que eu Uni muitas Fontes né que aí que que tá um trabalho interessante com várias visões eu acho que mesmo uma biografia a preocupação com essa polifonia né de vozes Harmonia de Visões eh eu acho que é importante você teve algum Eco da Impressão que o teu livro causou sobretudo nos herdeiros na na a família te manifestou
de alguma maneira olha chama um livro Legal tem problema ou que ou não mesmo indiretamente mesmo pela mídia e não eles são muito discretos no ponto de vista de público assim mas quando a gente tá num livro eh parcelanos ali ninguém tem surpresa pelo menos as pessoas que a gente procura Para conversar né para buscar informações ninguém tem surpresa no que que vai estar no livro porque a gente não dá margem para dúvidas a transparência eu acho que ela tem que sempre estar presente no trabalho de um Historiador de um repórter de Um Jornalista eu
coloco olha temos essa questão não é eu que tô colocando a questão é a história olha às vezes eu fico pensando Meu Deus será para onde vai esse personagem né Às vezes eu me assusto com esse personagem é engraçado isso é interessante isso mesmo na não ficção porque vai depender do que do que está sendo colocado eu sei que eu não tô fazendo uma cópia de ninguém eu não tô né a gente não é um Deus para criar um personagem ou recriar ou ou ressuscitar alguém mas esse personagem criar pela biografia ele ele tem que
atender regras eh eh Estabelecidas pelos documentos pelas pessoas que conviveram pela nossa época pela pelo período do passado também porque às vezes a gente tem esse esse drama aí do presentismo né a gente quer enxergar um personagem de acordo com que nossa realidade Às vezes a gente tem que ler os jornais da época para entender eh para onde a coisa tava indo né então eu acho que a construção de um personagem vai depender de muitos elementos e às vezes o que a gente faz é Simplesmente reunir as peças não é criar nada é reunir estabelecer
deixa eu tonar um pouquinho mas essa eh eh eh recreação e dessa peça ela não é eh factual né né então é lógico que você você é você angariou muitas informações você contou a história mas a mesma história pode ser contada de muitas maneiras e aí você pode com os mesmos documentos você fazer uma interpretação desse personagem eh como herói ou como vilão e assim trabalhando com arquétipos Né então é é assim e disso que eu que eu que eu que eu tratava É lógico que se você não fugiu da da da da realidade dos
fatos que você contou né Mas sempre tem uma interpretação Como que o Léo Nossa interpretou a participação desse personagem nesse evento específico E é isso que gera uma a a recepção da obra né que pode causar simpatia ou antipatia né é eu acho sim é que por mais que as visões sejam diferentes por mais que os Documentos sejam as visões também que são colocadas no papel e por mais que H existam vários caminhos ali pro olhar do fato é eu eu não sei ô ji quando a gente tá escrevendo um livro todos esses fatos todas
essas visões Elas têm que ter eh pontos de convergência porque senão alguma coisa tá Errada algum documento pode estar errado então é eh é quando gente tá escrevendo quando alguém dá um depoimento a gente percebe se a his aquela história se encaixa ou não mesmo ela tendo uma visão absolutamente diferente das outras pessoas mas o fato em si eh A Essência algumas coisas da essência do princípio eles tê que est eh tem que se encaixar sabe assim são peças diferentes e às vezes a gente coloca até várias versões sobre um fato ali para Dizer que
nem a gente tá conseguindo entender para onde se que que ocorreu de fato mas você sabe quando tem um erro ali tem uma mentira uma uma uma versão que não tá batendo não encaixa a a peça entendeu são o quebra-cabeça são as peças podem ter cores diferentes etc e tal mas elas têm se encaixar eu não sei explicar isso para você eu não sei como que se é possível você identificar mas quando você tá dentro de uma história você sabe quando uma pessoa Colocou uma coisa ali que não não tá batendo né Mesmo sendo um
personagem que eu digo que não é reprodução não é coisa nenhuma é só e petrato a gente tá fazendo de alguém então no caso do marinho eh são muito dispares né as visões pessoas falam Nossa é é 880 Uhum mas qualquer dessas pessoas aí a importância você sabe muito bem quando você tá lendo um jornal da época aquele jornalzinho ele pode eh tá fazendo aquele discurso Assim né totalmente absurdo por conta porque tá atendendo uma demanda de um grupo político etc e tal mas aquela história você aproveita porque tem elementos ali paraa história que são
muito aproveitáveis a coisa mais triste do mundo é quando você tá numa história de repente num determinado período Você viu que o jornal foi pastelado foi incendiada e você não tem aquela versão mesmo sendo uma versão absolutamente ideológica Política né tendenciosa Eu não tenho problema nenhum com versões tendenciosas etc e tal Porque eu sei que elas ajudam a compor elas ajudam a contar uma história e a própria tendência ela também contribui nisso assim eu eu sei que o papo tá sendo um pouco eu tô colocando um papo muito muito teórico etc e tal assim mas
eu talvez seja tudo isso só para dizer que mesmo um personagem eh complexo né Eh tão eh polêmico etc e tal como o Roberto Marinho a a sua história não é não é uma elas elas tem que ser trabalhada ela é Ela é possível ela é possível de ser realizada ser feita e não é né e não é um personagem preto e branco né Tem muas zonas cinzentas né entre E essas várias versões do personagem também mas vamos puxar mais um pouquinho agora em virar a chave totalmente sair da biografia e para falar do teu
livro mais novo né você disse em entrevistas que eh que que você quis escrever sobre As guerras Independência né é um tema caro para mim as guerras de independência no Brasil sei pela topbooks no contexto das efemer 2020 22 e você quis escrever como um exercício para encontrar na historiografia da Independência do Brasil pontos cegos que ajudar a construir o processo de formação eh do estado brasileiro você falou isso na Folha de São Paulo numa reportagem numa entrevista Então dentro da infinidade de perspectivas né que Pipocaram no contexto das efemérides umas laudatória outras críticas etc
e tal e você colocou foco nos conflitos né nas guerras No mínimo você fez um importante mapeamento das cerca de 150 escaramuças que você encontrou e e que narra né nos 27 capítulos você conta essas histórias né de maneira bem acessível né como é que você mapeou em primeiro lugar esses conflitos todos né onde você buscou informações para eles né Eh dá para chamar tudo ali de guerra igual ou ou ou eh Fala um pouquinho pra gente como é que foi primeiro lugar esse mapeamento né você tava trabalhando sobretudo em em temas do século XX
né E aí você volta lá pra Independência conta para nós como é que surgiu a ideia desse livro como é que foi a execução dele na verdade esse esse projeto ele faz parte de um projeto maior que é mamento esse monitoramento que eu faço aluns anos de conflitos Políticos e populares que ocorreu na história brasileira só agrários ou não agrários urbanos tá que ocorreu na Amazônia no rio enfim onde tinha conflito onde tinha conflito com a formação desse estado meu trabalho era era entender a formação do estado brasileiro e os os momentos em que tem
problemas ali tem divergências tem choques tem conflitos etc e tal é claro que eu sou de uma área muito voltada para essa questão mesmo do Interior eh na Amazônia questão Sertão nordestino etc e tal essa essa coisa do rural mas eh depois eu fui alargando mais e tal e eu eu comecei a fazer esse mapeamento e esse esse levantamento ele leva em conta muito arquivos nos Estados arquivos Picos nos Estados muita leitura de jornais da época que tá foi facilitado muito aí por conta da hemeroteca né na da Biblioteca Nacional muita leitura de de livros
Claro a bibliografia do do Primeiros cinco décadas do Século XX tem muita coisa bacana e sobretudo relatos depoimentos de de gente assim eu ando pelo interior e eu quero saber qual guerra que os os sujeito se meteu porque ele sempre vai se tem se meteu em alguma confusãozinha então Eh eu esse trabalho vai basicamente da do início da Imprensa Régia né da da chegada da família real em 1808 até os nossos dias eu faço esse Acompanhamento e sempre Tô levantando fatos etc e tal são mais ou menos seis livros eh sobre esse sobre essas guerras
que eu levantei assim trabalho que eu e quando veio a ou tava se aproximando da Independência eu falei assim vou soltar o primeiro a ideia não é nem soltar assim V soltar porque eu acho que vão vir análises assim que do 880 assim tipo assim ah aquela aquela coisa laudatória de sempre né do sentado na figura de Dom Pedro da Dona Leopoldina e por outro Lado aquela coisa do da que todo não passou de uma faça né etc e tal e E aí eu falei assim não eu quero contar uma história mais da Ótica do
interior assim mas desculpa eh mas quando você fala que são seis livros é o projeto de de uma coleção que você quer escrever esses conflitos desde a chegada da corte até os nossos dias em seis livros eu entendi certo eu fiz seis livros sobre os conflitos populares e políticos brasileiros de 1808 até nossos Dias isso já foi lançado não eu lancei só o primeiro ah ah tá você já escreveu então esses livros certo e lançou o primeiro sobre o período da Independência período da Independência depois foi o o período do império o início da República
eh teve o período Vargas Depois teve e os per período mais Eh mais recente da urbanização do país etc e tal então são seis livros que esses livros já já são prontos e tal eu sempre trabalho porque você sabe que a História é movimento puro né E então a gente sempre tá aprendendo coisas etc e tal e nesse caso da Independência eh até um livro que teve mais teve grande Impacto aí etc e tal as visões assim de que ah a independência foi resultado ali de um declínio econômico e etc e tal eh eh sabe
essa coisa da sempre explicar a história só por um lado lado da economia ou um lado da política ah espera um pouquinho né Vamos tumultuar a coisa ali que não não foi Nenuma foi tudo né você tem um problema econômico Claro a economia explica muita coisa mas mesmo nos nossos dias a economia não explica muita coisa assim como a questão política também não explica então eu eu procurei trazer um debate que ao menos tivesse a participação eh de pessoas do interior para explicar um pouco entendeu entendeu eh Então esse trabalho mostrou assim foi eu tentei
contar o processo de de separação por meio de de conflitos que Não necessariamente eram conflitos pela independência então não dá para explicar a a independência só pela ótica da economia ou da política ou enfim de uma briga entre pai e filho né quando você tem gente lutando ali achando que Independência significa liberdade liberdade do seu corpo ou Independência significa retirar da sua cidadezinha aqueles portugueses que domin o comercio e não deixa ninguém dominar a sua região então Eh o olhar dos combatentes são Olhares muito diferentes mas ao mesmo isso que que mas ao mesmo tempo
isso é um processo de independência de independência de país no fundo no fundo todo mundo tá lutando sim pela independência brasileira no a também não pode ser vira lata achar que foi tudo decidido né entre ingleses e portugueses etc e tal entre uma elite eh Mercantil do Rio de Janeiro com com traficantes de escravos não quem olha a independência e você fez um belíssimo livro tá tá Resgatando esse esse tempo todo com imagens maravilhosas a independência é um processo múltiplo mas é sim um processo de emancipação se sentido mais amplo assim eu tentei resgatar guerras
assim conflitos eu chamo de guerras para ficar mais claro etc e tal mas assim conflitos que ocorreram no interior do Brasil que ninguém dá bola porque às vezes a gente acha que a história só ocorre no Rio de Janeiro à gente gente até critica né ah Essa essa visão errada de que a história socorre mas ao mesmo tempo a gente não vai interior Gaúcho para saber o que que ocorreu lá né fazer essas conexões então meu livro eu procurei conectar conflitos e conectar um país que estava totalmente envolvido nesse processo de independência foi um trabalho
bem interessante assim de aprendizado para mim maravilha vamos continuar um pouquinho nele né Eh ainda sobre Independência a gente sabe E que se Durante muito tempo tempo historiografia oficial e privilegiou a ideia e de uma transição eh política pacífica né Eh de desquite amigável Como dizia o o Oliveira Lima né do do Povo ordeiro e tal havia uma tradição que há muito tempo eh fuça aí nesses conflitos e revolvia esses conflitos né Eh questão da Guerra mesmo né então uma tradição que vem de longe lá das narrativas de 1817 como as de Muniz Tavares Abreu
e Lima codeceira os Estudos domingo Domingos ral sobre o Pará e aí atravessando o século XX inteiro aí você entra Nelson vernex Sodré Zé Onório Rodrigues né para encontrar uma geração mais recente né O Hélio Franchini Neto que tem um livro belíssimo sobre as guerras da Independência o hender cy Luis Geraldo Silva João Paulo pimenta aqui você deu um duplo Twist carpado né você largou coru o Amazonas os indígenas isolados a ditadura as biografias e voltou 200 anos Pra Independência né você já falou um pouquinho que faz parte de um projeto mais amplo mas assim
o que que te impeliu a e eh botar esse livro na roda agora né foi o gancho das efemérides né então e eh como é que foi o processo de escrita desse livro As histórias são meio Independentes né O que que amarra o texto todo né como é que foi o processo de construção né e e e e e como que isso te instigou eventualmente a continuar nessa nessa Seara para além dos outros Volumes sobre conflitos que você tá escrevendo não foi um um salto muito muito alto não porque a independência a campanha da Independência
depois que ela ocorreu no Ipiranga ela vai se estender pelo país e nas mais do Rio Amazonas ela vai continuar L durante anos você veja você que em Belém ela ela foi ela Termina por volta de 1826 mas logo em seguida já incorpora outra guerra que na verdade é a mesma Guerra e é cabanagem A Cabanagem Eh que que é cabanagem se não a continuidade dessa guerra da Independência entente então Eh e o que que é cabanagem em relação a outros momentos históricos entendeu que vão se é a história que não para eu não sou
um Historiador para fazer o corte correto mas e eu vejo uma história pelo menos eu vejo uma história que tá rolando tá sendo agrupada assim e tal Ô o projeto esse projeto de fazer seis Livros sobre os conflitos eu falo eu coloquei seis porque tinha guerra demais assim a ideia era fazer um só eu queria fazer um só na verdade eles ele surge como uma ideia de fazer um só mas aí depois vai aumentando vai aumentando vai aumentando aumentando aí não cabo não é não cab eu tinha preocupação assim de de de fazer um uma
explicação uma reflexão eu queria faz mais ess seguir mais esse essa receita do pessoal do desses contadores de história mesmo no interior Sabe nesses municípios você chega sempre tem um contador de história de registrar de não deixar o tempo roubar uma memória eu queria juntar casos eh posso não ter conseguido etc e tal mas eu queria reunir esses casos fazer essa coxa de retalho que para mim mais do que uma reflexão eh sobre o o estado que é um Estado Violento é uma Independência que ainda hoje tem seus desafios etc e tal eu queria contar
contar pequenas histórias para alguém sei lá no futuro Dissesse pô não foi só o Rio de Janeiro ou não foi só a Bahia né que tomara à frente a campanha da Independência Amazônia também a história da Amazônia a presença do índio do indígena do do negro né do Cigano do do Imigrante pobre Ah muitos elementos a a ideia basicamente desse livro foi justamente a efimer Foi por conta da efemer que eu quis apresentar um produto né de de poder vender um produto eh eh com essa temática que eu acho que essa é a Temática que
eu sempre trabalhei que é do estado a formação do estado e e da e esse esse país que uma hora é rural e vira Urbano eu vi ali na oportunidade eh de escrever uma um livro que de um tema que estaria em discussão em debate infelizmente para nossa surpresa 2022 a gente discutiu muito pouco Independência né a gente teve problemas recentes eh para para resolver para discutir do ponto de vista político brasileiro então a gente não não Discutiu como deveria eu vejo que teve uma uma bibliografia muito boa muito rica muita gente escreveu e essa
bibliografia ficou aí e eu espero que alguma das 150 150 conflitos que eu coloquei lá Possa possa ter algum espaço ali um uma linha que seja né nessa história que é sempre uma síntese de tudo no futuro aí pensando na nossa assistência né no Público aqui se dirige esse esse curso né que são estudantes de graduação e são Pessoas interessadas em História e tal eh eu queria que você falasse um pouco depois de ter eh da gente ter conversado sobre seu trabalho um pouco da sua rotina de trabalho né você é um cara sistemático como
é que é que você faz os fichamentos Você tem horário você faz plano você faz né como é que é essa dinâmica da pesquisa e também depois no momento que é o momento gostoso que é sofrível mas é gostoso que é o do da construção do texto né como é que você Eh prepara você estabelece um um né um sumário provisório vai mexendo ou tem uma coisa porque a gente já viu de tudo desde gente que coloca tudo no arquivo só e vai eh e mex enxendo até gente que faz as coisas sistemáticas em arquivos
separados e tal né então eu queria que você falasse um pouco disso da tua rotina de trabalho e dos projetos em andamento teu agora o que que vem por aí do do do Leoncio nossa né Para Além eh do desse projeto dos seis livros O que Que tá rolando na tua produção super Obrigado já te deixo com a palavra final um abração L abraço é o seguinte Jandi eu minha rotina começa muito cedo assim eu acordo por volta das 5 da manhã e Tom um rápido café e começo a trabalhar fazer minhas pesquisas trabalhar ou
escrever meus livros A de 6 até 9 9:30 aí a partir daí eu eu me preparo para minha jornada de trabalho eu trabalho no jornal jornal de São Paulo e o jornado no jornal aí não Tenho hora para terminar né termina tarde assim então eu eu à noite eh leio alguma coisa mas não funciona muito não né e eu aproveito também férias feriados né finais de semana e para poder trabalhar os livros produzir esses livros eu eu quando eu meu meu trabalho assim quando eu vou fazer um livro eu procuro eu lir tudo fazer eh
num arquivo só eu abro um arquivo no Word coloco um texto num título provisório né um abre Provisório no final provisório para para poder fazer uma sincronia entre a minha cabeça e o e o texto e ali vou jogando tudo eh separa os materiais de de de pesquisa e tal e específicos e tal áudios grava eh documentos e tal mas o livro em si é um faço um arquivo apenas é como eu consigo me organizar eu eu quando eu tô pensando quando eu tô conversando com uma uma fonte pro livro eu sei naquele momento onde
eu vou encaixar aquela Aquelas informações no trabalho se vai ser na página c na página 10 na página 200 500 enfim eh tem que ter eu acho eu tenho que ter essa sincronia para me organizar E no momento eu eu tô fazendo produzindo a o segundo volume da biografia do Roberto Marim e é mais puxado porque agora a gente vai falar de um tempo que o nox né os anos 80 os anos 90 então é um tá sendo um desafio muito grande se Antes quando eu fui falar do Roberto Marinho do estado novo a gente
Tinha tão poucas ações agora há um excesso de informação mas aí vai ver aquele aquilo que a gente colocou né aquele debate que Você levantou das muitas visões das então é um trabalho de curadoria é um trabalho mais de uma reflexão né então Eh tá sendo muito desafiador fazer esse trabalho eu porque eu essa questão da biografia para mim é um gênero que me pegou mesmo assim eu gostei muito de fazer E se eu tenho uma ambição hoje assim é poder me apresentar assim como um um biógrafo mesmo né importante assim do do país e
não é um uma corrida de 100 m eu acho que é uma maratona e eu tenho que fazer isso com muito cuidado com muita tranquilidade mas sempre pelo caminho que eu acho que é correto construir eh essa possibilidade de de ser um biógrafo né Eu não falo um biógrafo influente eu falo um biógrafo que é feliz né de ser biógrafo e pode de certa forma colaborar Né com com os colegas ou colaborar mesmo com os leitores com histórias ao mesmo tempo prazerosas leves e profundas né sobre uma realidade brasileira que é muito complexa é muito
difícil tem muitas visões né saber que eu tô participando de uma de uma uma corrida que né que no fundo no fundo todo mundo buscando aí um uma reflexão né uma compreensão eh de país mesmo e só para cumim quando que é a Expectativa desse segundo livro você já tá adiantado você já é eu tenho eu espero eu espero até o final do ano próximo ano eh publicar essa biografia [Música] n [Música]