E aí, pessoal, estavam com saudades? Tinha um tempo que eu não aparecia aqui, né? E dando continuidade à nossa filosofia do estudante.
Para falar de estudante, a gente fala para pessoas que, assim como eu, são jovens, mas no meu caso nem tão jovens assim, mas no fundo a gente é jovem e existe uma característica fundamental do jovem que você pode imaginar aí que seja um monte de coisa, várias características, mas uma delas é uma certa arrogância, uma certa petulância. Isso aí é natural, mas tem uma coisa muito comum que os mais velhos sempre apontam que seja o erro dos jovens. E é dizer que o erro dos jovens é achar que eles são mais inteligentes do que as pessoas mais velhas.
E eu tenho uma visão específica sobre isso, porque na minha opinião, o erro do jovem não é achar que ele é mais inteligente que os mais velhos. Na verdade, isso é possível de acontecer em diversas situações. É possível que um jovem hoje entenda muito mais da nossa realidade moderna do que uma pessoa mais velha.
é possível que um jovem entenda muito mais de tecnologia, de computador. Então isso aí pode ser uma verdade. E a minha visão particular sobre isso e o que eu quero discorrer ao longo do vídeo é que o problema do jovem é que ainda que ele seja mais inteligente do que os mais velhos de fato, existe uma verdade inquestionável.
Ele sempre vai ser menos inteligente do que ele mesmo quando ele for mais velho. Isso para mim foi uma clareza muito útil ao longo da minha vida, porque eu sempre desconfiei, cara, será que ele realmente sabe o que eu tô passando, o que eu tô vivendo? E hoje eu vejo para vocês e já dou gabarito que eu tava realmente certo em algumas coisas, mas isso não muda o fato de que hoje eu olho para mim no passado e vejo que aquele Yuri ainda era muito imaturo, era muito arrogante pro que eu oferecia.
Então, o primeiro aprendizado que a gente vai falar aqui agora é não se preocupe em apresentar a sua melhor obra cedo demais. Na verdade, imagina a tortura que deve ser você atingir o seu auge antes dos 30 anos de idade. O prejuízo que isso não pode causar pra sua saúde mental, pra sua saúde financeira e para outros aspectos da sua vida.
Você viver sempre as sombras daquilo que você foi um dia. Então, para formular melhor, a gente vai colocar assim: Não tente ligar os pontos cedo demais. Evite tomar decisões com a inteligência que você tem hoje, que provavelmente é a menor dos próximos 40, 50 anos, e tomar uma decisão para se condenar pelo resto da sua vida.
Mas como assim, Uri? Eu não vou tomar decisão nenhuma. Eu preciso tomar decisões.
Eu precisei escolher o vestibular. Eu precisei escolher a especialidade que eu queria seguir dentro da minha faculdade. Eu preciso tomar decisões.
Calma aí que a gente vai chegar lá. Porque eu sei que é difícil tentar visualizar o futuro e por mais que a gente queira, a gente não vai conseguir. Mas uma coisa que dá pra gente fazer é o contrário, é fingir que a gente tá no passado e do passado tentar conectar os pontos de lá para cá, no presente, porque o futuro você não sabe o que vai acontecer.
Mas do passado pro presente, o presente a gente já sabe, a gente já sabe as coisas que a gente já conquistou, a gente já sabe um pouco sobre o que a gente é. E aí a gente começa a entender que muita coisa que a gente aprendeu, por mais inútil que possa ter parecido naquela época, no mínimo nos deu a oportunidade de vislumbrar um leque maior de opções, porque cada pessoa nasce com habilidades específicas. Só que como a gente demora um tempo para ganhar certa maturidade sobre o que são essas nossas habilidades, a gente precisa ser inserido em sistemas mecanizados de treinamento, coisas que a gente não precisa escolher, que a gente tem que passar por elas para nos dar esse acervo de possibilidades, que é o que eu vou chamar aqui de treinamento coringa, apesar de toda a crítica plausível, sobre a escola, a gente deve reconhecer que a escola é um momento que a gente desenvolve habilidades sociais, que a gente tem uma noção de hierarquia, que a gente começa a entender como funcionam algumas coisas, como ter responsabilidades.
E daí a gente começa a meio que estreitar o nosso caminho, a visualizar onde a gente tem mais aptidão, o que que a gente quer fazer, o que que a gente tem mais habilidade, quais que são os nossos interesses. o treinamento coringa, que é no exemplo aqui da escola, uma coisa que a gente precisa passar ali automaticamente, é uma coisa que, por mais que ela ensine muitas coisas que vão ser inúteis pra gente, entre aspas, no futuro, ela pode pelo menos nos dar um vislumbre do que que é esse mundo intelectual, não em sua totalidade, mas pelo menos ele consegue fazer um apanhado ali de coisas e áreas que a gente possa possa demonstrar algum interesse. É através desse treinamento coringa que a gente acaba aprendendo quase que a força, né?
coisas que se dependesse exclusivamente da nossa maturidade, a gente talvez nunca tivesse sido apresentado aquilo. No nosso último vídeo que a gente gravou com o Dr Yuri Neville, ele falou um pouco da infância dele e ele falou que ele foi apresentado a várias coisas, vários tipos de habilidades, cursos, para que ele pudesse meio que saber ali aonde que ele queria focar, aonde que ele tinha maior interesse. E aqui entra aquilo que eu falei antes não tentar ligar os pontos cedo demais.
Porque se a gente voltar no passado e tentar fazer isso desde a época que você era criancinha e realmente tentar adivinhar que você ia seguir por engenharia ou por direito ou por medicina e já estreitar o seu caminho, fazer esse gargalo artificial lá quando você tinha 5 anos de idade, 6 anos de idade, a gente poderia cometer erros desastrosos. E dessa mesma forma é possível que muitos de vocês aí também estejam passando nesse momento por alguma espécie de treinamento coringa, coisas que vocês estão fazendo, aprendendo, estudando, que vocês não sabem nem para que que vocês vão utilizar aquilo, mas é assim mesmo que funciona. Na maioria das vezes, durante esse treinamento Coringa, a gente não tem maturidade e sabedoria para poder ligar esses pontos.
E o que a gente percebe é o seguinte, quando a gente emancipa essa maturação no jovem e faz isso cedo demais e dá pro jovem muita liberdade de escolher, a gente acaba se sabotando, porque o jovem ele vai ter a tendência de buscar uma aplicação, uma recompensa imediata naquilo que ele tá fazendo, em tentar conectar um ponto que a maturidade dele não consegue conectar ainda. E aí o que que ele acha? Ele acha que aquilo ali não vai ter utilidade para ele.
E ele já corta isso. Ele desde cedo ele passa por matemática e fala: "Pô, polinômios, eu não vou usar nunca isso na minha vida". Aí tira a matemática, passa por biologia, selenterados.
Eu nunca vou utilizar selenterados na minha vida. Aí tira biologia, geografia. Eu nunca vou utilizar a Foz em Delta.
Aí tira geografia. E assim sucessivamente, ele vai fechando portas que ele ainda não tinha maturidade para entender que aquelas coisas eram importantes. E é agora que entra a reconciliação entre a sabedoria dos mais velhos e a autonomia do jovem, que é não é imaturidade você valorizar o conselho dos mais velhos.
Vocês precisam dar um voto de confiança para as pessoas mais experientes, como seus pais, seus avós, seus tios, seus irmãos mais velhos e seus professores. E maturidade, na verdade, é justamente o contrário. É você desafiar a sabedoria de todo mundo baseado com a sabedoria que você tem hoje.
E da mesma forma que eu falei daquela outra vez, que eu gosto de consultar o meu oráculo, que é o Yuri criança, para ver o que que Yuri pensava, o que que ele gostava de fazer, quais eram as ambições do Yuri criança, porque na verdade isso é uma forma de explorar a pessoa que eu sou em essência, mas numa forma mais pura, menos enviezada. E além de você poder consultar o seu oráculo, que é você quando era criança, você pode fazer o exercício aí de você consultar esse mesmo oráculo, que é você em outra idade, agora numa idade mais avançada do que a sua. E aí você pode exercitar, perguntar para esse oráculo o que que ele pensaria de você hoje, do que que ele sentiria orgulho de você, do que que ele sentiria vergonha, o que que ele diria para você que é perda de tempo, o que que ele te incentivaria a continuar fazendo.
E você também pode inverter os papéis como se você fosse o observador dele. O que que você do futuro faz que te impressiona? Quais são os aspectos positivos e negativos da rotina que você tem no futuro?
Ele pratica reclamação ou gratidão? Ele é uma pessoa otimista ou pessimista? O seu eu do futuro se casou?
Teve filhos? Quando foi? Nesse exercício, você pode simular como que você se sentiria com cada resposta.
descobrir quais são seus medos ocultos, quais são suas reais ambições, o que que você tem vontade de reprimir, o que que você gostaria de amplificar. Você pode acabar descobrindo que tem muita coisa hoje que, na verdade, te incomoda muito mais do que você se dava conta. E outras coisas que você hoje ainda não consegue imaginar você tendo uma certa habilidade, você pode olhar para você do futuro e falar: "Eu consigo ver isso se desenvolvendo em mim".
E aí, no final das contas esse exercício pode te ajudar a ser uma pessoa menos arrogante, uma pessoa que tem mais paciência, uma pessoa que respeita mais os processos, que simplesmente vai lá e faz sem ficar questionando tanto. Não é sobre ser submisso, mas é sobre confiar dentro da maturidade que você tem hoje de que talvez uma pessoa que tem uma maturidade um pouco maior do que a sua possa ser um bom guia pro que você tá fazendo. Do mesmo jeito que quando eu tinha que passar na residência de neurocirurgia, eu conseguia revisitar o meu oráculo na época que eu era estudante lá do pré-vestibular, no terceiro ano do ensino médio.
Eu conseguia enxergar em mim ali algumas coisas que até hoje eu volto e olho e falo: "Cara, era desse jeito mesmo que eu tinha que fazer. Então eu tenho que voltar agora no presente e replicar de uma forma aprimorada as coisas que eu já sabia. as coisas que eu já fazia.
E se eu exercito imaginar um Yuri no futuro hoje e eu penso ele tendo uma certa profissão, passando por uma certa rotina, não tendo determinados hábitos, eu já posso começar a construir os hábitos hoje que vão me conectar até esse ponto. Outro aspecto importante também é vocês conseguirem exercitar uma reconciliação com o presente, porque é difícil hoje você tentar valorizar aquela aula chata da faculdade, aquela aula do cursinho. E aí eu fico imaginando hoje, e você pode fazer isso agora também, imagine que um anjo chegue para você e fale o seu nome e fala: "Você vai fazer o que na próxima hora?
" Aí você fala: "Não, tô de boa, não vou fazer nada na próxima hora". Ele fala assim: "Beleza, você pode deitar na cama e dormir, mas na verdade por uma hora eu vou te dar a oportunidade de viver novamente. Você não vai poder falar nada, você só vai poder viver uma hora daquela aula mais chata que você teve de matemática no seu ensino fundamental.
Sabe aquela aula que você ficava olhando pro relógio de ponteiro? Você fazia isso também? Você ficava olhando pro relógio de ponteiro na sala, esperando o tempo passar.
Eu ficava olhando assim, contando segundos, contando um a um. Aí eu fechava o olho e contava na minha cabeça. E quando eu abri o olho, eu tentava imaginar o ponteiro naquela posição que eu tinha contado para ver se o meu tempo de segundos estava igual do ponteiro, de tão disperso que eu tava naquela aula.
E eu faço isso, pessoal, com vocês, porque mesmo pegando o exemplo de uma aula que não te entreteve ali naquele momento, ainda assim talvez você quisesse viver aquele momento e apreciar aquilo ali, você olhar pra sua sala, a sua carteira, seus coleguinhas ali, o seu estojo com apontador, o lapizinho, o seu caderninho ali e falar: "Caramba, que legal isso, né? Que privilégio que é estudar. E um dia, pessoal, eu já aviso para vocês, porque isso já acabou para mim.
Um dia isso vai acontecer na faculdade, um dia vai acontecer na residência. Hoje eu ainda não tenho essa essa vontade de reviver a residência assim, não, mas eu acredito que já já isso vai acontecer. Então essa é uma forma de você se reconciliar com o presente e se reconciliar também com os privilégios que você tem.
E um deles imenso é poder estudar, já que você precisa, já que faz parte das coisas que você escolheu na sua vida, aprecie esse momento também. E isso serve para várias coisas. Até um domingo de tédio, aquele domingo que você tá deprimido ali, nada para fazer, seus amigos estão todos ocupados.
Imagine você com 80 anos de idade, cheio de artros, cheio de dor. Imagine você de 80 anos de idade, podendo ter a oportunidade de voltar e viver esse domingo de tédio que você teve. a felicidade que você de 80 anos não teria de poder viver esse momento.
Você achar o máximo, você ia tirar o dia, fazer um monte de coisa, você ia tomar banho, sair, andar na rua, ia mexer nas coisas que você tem, você ia conseguir aproveitar isso. A dificuldade é a gente conseguir valorizar isso no momento presente. Por isso que esse exercício talvez seja interessante.
Claro que não é nenhuma verdade absoluta, não é nenhum tipo de magia, nem tarô, é simplesmente um exercício de consciência, porque o futuro não tem dia para chegar. Um dia sem ninguém te avisar, você percebe que deixou de ser jovem e tem que viver com a herança que você construiu para si mesmo durante a sua juventude que se transformou silenciosamente em passado. Um grande abraço a todos.