O dia dos namorados está chegando e a gente já sabe que as crianças de quatro anos, três anos, levam um desenho para os “namorados”, levam flor para os “namorados”. Essas mesmas crianças, que quando têm 14 anos, não podem namorar. Está certo isso?
Claro que não. Vamos conversar! Há muito tempo isso era possível.
Era possível porque a informação era lenta. Era possível porque os dias eram mais longos, o tempo custava mais a passar. Hoje é tudo muito rápido.
Então, aquilo que a gente faz quando as crianças estão na Educação Infantil e achamos super bonitinho, precisa ser coerente com aquilo que nós fazemos, quase amanhã, quando eles estão na adolescência. Os adultos precisam ser coerentes. Criança namora?
Não! Criança não namora. É muito importante que os pais lembrem, que eles incentivam coisas quando eles são pequenininhos e vetam essas mesmas coisas, quando eles cresceram e, supostamente, podem fazer.
Um adolescente pode namorar? Claro que pode. Eles podem namorar, dependendo do que a família combina com eles.
Mas se essa mesma família liberava antes, achava tão bonitinho, agora vai colher os frutos daquilo. Quando a gente “sensualiza” uma criança de quatro anos, de três anos, a gente tem que ter a certeza, e não a lembrança, que isso vai se refletir. Tudo aquilo que a gente faz com as crianças pequenas é formação.
Sempre! Quando a gente dá um conselho, uma dica, uma “faladinha” ou impõe uma regra, essa regra precisa de coerência. Uma roupa de adultos em crianças de três anos, que é feio, mas tem gente que gosta, ela vai refletir lá na frente, quando a família fala: “você não pode usar essa roupa, você ainda não tem idade”.
Aos três anos, ele tinha idade? É preciso cuidado, porque hoje os meninos vão nos cobrar. “Mas você deixava, mas você também faz, mas você falava que podia, e essa foto aqui.
. . ” Então, algumas coisas são fato.
Criança tem amigos. Criança não namora, não tem maturidade para isso, não tem corpo para isso, não tem idade para isso. Os adolescentes, eles podem namorar, mas eles precisam entender até aonde eles podem ir.
Eles precisam entender, com as suas famílias, o que é possível e o que não é possível, desde que seja coerente com aquilo que a família construiu, ao longo de uma vida. Não adianta proibir, porque chegou a idade e eles vão buscar isso. Eles querem isso.
É preciso estar próximo para poder orientar, e só uma boa orientação, vai funcionar, porque eu venho falando ao longo de muitos programas. O adulto não pode achar, não deve achar que vai estar sempre presente, dando o crivo. “Vamos!
Não vamos. Pare! Até aqui.
. . ” Nós precisamos construir isso ao longo da vida.
O cuidado com o corpo, o respeito ao corpo, o que é hora, o que não é. Mas para isso, nós precisamos pensar antes. Quando a gente age por impulso, erramos.
É preciso uma construção, e construção não é de uma pessoa. Não é a mãe ou o pai construindo aquilo na cabeça. É uma construção na família.
Nós precisamos ter lastro para dizer: “mas eu não deixo, porque você lembra que conversamos? ! ” Sem coerência a gente perde a luta, perde a batalha, totalmente, porque eles vão usar isso e eles devem usar isso.
Nós pedimos para que eles sejam coerentes, então, o mínimo é que sejamos também. Vamos conversar!