Olha, quase todo mundo fala sobre controlar as emoções, mas quase ninguém explica o que isso realmente significa e, principalmente, ninguém fala o que isso não significa, né? Porque dominar as emoções não é virar uma pessoa fria, nem é se tornar alguém que nunca chora, que nunca se irrita ou que nunca se abala. Não, na verdade, muitas pessoas que se dizem controladas, né, elas aprenderam, foi a reprimir as emoções, aprenderam a engolir e a empurrar tudo para debaixo do tapete.
E isso, meu querido, minha querida, isso cobra um preço alto, tá? Agora, o que quase ninguém fala é que emoção ignorada não desaparece, ela se infiltra na gente e aí ela aparece no corpo, nos relacionamentos, nas decisões impulsivas, na ansiedade. Então, dominar as emoções não é silenciá-las, é aprender a não ser sequestrado por elas.
E é exatamente sobre isso que a gente vai aprender no Animacast de hoje. Vem comigo. Bom, autorregulação emocional é a capacidade de reconhecer, de compreender e de manejar aquilo que você sente, sem negar a emoção e sem deixar que ela decida tudo por você.
E isso é muito diferente de engolir o choro ou de fingir que tá tudo bem. Essas coisas não são regulação, elas são supressão emocional. E a gente já sabe que suprimir emoções aumenta o estresse fisiológico, aumenta el ativação do sistema nervoso e aumenta o risco de adoecimento psicológico e físico.
Pois é, James Gross, um dos principais pesquisadores do tema. Ele demonstra que reprimir emoções aumenta a ativação da região do cérebro ligada ao medo e a ameaça e reduz o funcionamento adaptativo do córtex pré-frontal, que é responsável por decisões maduras, pelo autocontrole e pelo planejamento. Veja então que autorregular não é dizer: "Ah, eu não posso sentir isso".
Não. Autorregular é dizer, eu tô sentindo isso, mas ainda assim eu posso escolher como responder. Vê a diferença?
E isso significa que quando você não se autorregula, você decide agir no auge da emoção. E esse auge emocional, ele não é um bom conselheiro, tá? Neurocientificamente falando, os estados emocionais intensos reduzem temporariamente a nossa capacidade de julgamento e o nosso controle inibitório, ou seja, você reage antes de pensar.
Já a autorregulação cria um espaço entre o impulso e a ação. E é nesse espaço que surgem decisões mais conscientes e menos arrependimentos. Surgem explosões constantes, menos sarcasmo defensivo, menos vitimização, menos silêncio punitivo e menos agressividade passiva.
Isso aí, porque as pessoas que não se autorregulam, elas tendem a transferir a própria dor pro outro, a exigir que o outro aguente, o que cria ciclos de conflito e de afastamento, porque ninguém é obrigado a a aguentar. Então, as habilidades de regulação emocional, elas estão fortemente ligadas à qualidade dos relacionamentos que a gente tem. E tem mais.
Existe um mito perigoso de que a falta de controle emocional só machuca quem tá ao redor. E isso não é verdade. Quem mais sofre é a própria pessoa.
Porque a desregulação das emoções está fortemente associada a transtornos de ansiedade, a depressão, ao transtorno de personalidade borderline, ao burnout e aos sintomas psicossomáticos, que é quando o sofrimento emocional se manifesta no corpo. E é importante entender o seguinte: Não é a emoção em si que causa sofrimento intenso, não. É a incapacidade de lidar com as emoções que traz o sofrimento, entende?
Então não é que a vida fica mais fácil quando você aprende a se autorregular. O que acontece é que você fica mais adaptável e por isso você sofre menos. você vai ter uma recuperação emocional mais rápida, vai ter menos ruminação mental e vai ter mais flexibilidade diante do inesperado.
E agora vem a parte que quase ninguém ensina de forma prática. Vamos lá. Bom, quando você sente algo desagradável, o teu cérebro entra em modo de apreensão.
Ele fica ligado em alguma ameaça. E as pesquisas de Matthew Liberman mostram que nomear a emoção, ou seja, dizer: "Eu tô com raiva, eu tô com medo, eu tô exausto", isso reduz essa resposta apreensiva e aumenta-te a atividade cerebral responsável pelo autocontrole e pela tomada de decisões. Então, nomear, dar nome, isso é uma coisa que organiza o caos interno.
E a etapa posterior, que é a de validar o que você sente, isso não significa concordar com tudo que a emoção quer fazer, tá? Validar é dizer: "Bom, sentir isso faz todo sentido, considerando o que eu vivi. " Então, você aceita a emoção sem idolatrá-la, mas também sem combatê-la.
você aceita que ela existe e que ela faz sentido. Um outro passo é a reestruturação cognitiva, porque nem todo pensamento que acompanha uma emoção é verdadeiro. E a terapia cognitivo comportamental, ela mostra que as emoções intensas muitas vezes vêm acompanhadas de distorões de pensamento, como a catastrofização, a leitura mental, que a gente achar que sabe o que o outro pensa e também tem a distorção chamada de pensamento tudo ou nada.
Ou seja, a gente tem a tendência de tomar atitudes extremadas sem pensar no meio termo. E existem perguntas simples que ajudam a quebrar esse ciclo. Perguntas do tipo: isso é um fato ou é uma interpretação?
O que é que eu não tô percebendo direito aqui nessa situação? Que conselho eu daria para alguém que eu amo numa situação assim? Veja que mudar a forma de interpretar uma situação altera diretamente a intensidade emocional que tá associada a ela.
Agora, às vezes, às vezes, a atitude mais madura é pausar, é sair de cena por alguns minutos, beber água, mudar de ambiente e respirar profundamente. Isso permite que o sistema nervoso parassimpático seja ativado, reduzindo o estado de alerta extremo. E isso não é fuga, tá?
Isso é inteligência emocional aplicada, porque ninguém vai ficar dando murro em ponta de faca. Então, às vezes, a melhor coisa é se retirar fisicamente do ambiente. Simples assim.
E aí você vai ter mais paz e mais clima para fazer as etapas anteriores de nomeação e validação e de reestruturação cognitiva. OK? Então, meu querido, minha querida, se você sente que perde completamente o controle, que explode, que machuca quem você ama ou que vive como se tivesse sempre no limite, saiba que isso não é falha de caráter, isso é sinal de que você precisa de ajuda especializada.
Psicólogos e psiquiatras não existem para consertar gente defeituosa. Isso é um preconceito. Eles existem é para ensinar habilidades emocionais que ninguém nos ensinou na infância.
E a mensagem final que você precisa levar daqui é simples, mas é poderosa. Você, meu bem, você pode sentir tudo. Você só não precisa é ser dominado pelo que sente, tá bom?
e saber como se regular. Isso pode sim ser aprendido. Um beijo no teu coração e a gente se vê no próximo episódio.